domingo, maio 17, 2026

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Instituto recebe aprovação para iniciar testes de vacina contra a gripe aviária



O Instituto Butantan, em São Paulo, recebeu terça-feira (1) a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para dar início aos ensaios em humanos de sua candidata à vacina contra a gripe aviária A (H5N8).

Para isso, o órgão pretende recrutar 700 adultos e idosos voluntários que participarão das fases 1/2 do estudo em cinco centros de pesquisa brasileiros.

A vacina influenza monovalente A (H5N8) (inativada, fragmentada e adjuvada) será testada em duas doses com intervalo de 21 dias, primeiramente em adultos de 18 até 59 anos e 11 meses e depois em pessoas com 60 anos ou mais.

De acordo com a Secretaria do Estado da Saúde de São Paulo, o Instituto Butantan concluiu os estudos pré-clínicos com resultados favoráveis de segurança e imunogenicidade.

“Estamos em conversas com o Ministério da Saúde, que se mostrou sensível ao avanço dessa discussão. Com a plataforma aprovada, o Instituto pode produzir um contingente de 30 milhões de doses após os resultados iniciais. Este contingente estratégico pode ser utilizado caso o vírus comece a se disseminar entre humanos e tenha antígenos semelhantes aos representados pela vacina candidata do Instituto Butantan”, afirma o diretor do Instituto, Esper Kallás.

O Ministério da Saúde publicou em dezembro de 2024 um Plano de Contingência Nacional do Setor Saúde para Influenza Aviária no qual define as estratégias que deve adotar em caso de situação de emergência relacionada à doença. Uma delas é prover estoques estratégicos de medicamentos e insumos que possam combater a disseminação da doença.

Como será o estudo?

Inicialmente serão recrutados 70 adultos, que receberão as doses por via intramuscular, em um Centro de pesquisa no Recife (PE) e, posteriormente, em quatro centros de pesquisa localizados em São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), São José do Rio Preto (SP) e em Ribeirão Preto (SP).

O estudo vai avaliar a segurança e a capacidade de gerar resposta imune contra a gripe aviária (imunogenicidade) de duas formulações da vacina, em comparação com placebo. O estudo permitirá a escolha da dose da vacina.

Um comitê independente de monitoramento de dados e segurança vai fazer a análise de segurança do estudo que inclui, entre outras ações, a avaliação preliminar dos dados de segurança dos 70 primeiros adultos recrutados, após a aplicação da primeira dose. Caso a avaliação seja positiva, abre-se uma nova etapa de recrutamento para incluir mais 280 adultos na pesquisa.

Se o perfil de segurança for favorável na população adulta testada, inicia-se a segunda fase do estudo, na qual haverá o recrutamento de 70 pessoas com 60 anos ou mais. Novamente, se a avaliação de segurança da candidata vacinal for favorável, segue com o recrutamento de voluntários com 60 anos ou mais até completar 350 voluntários.

O objetivo é terminar o acompanhamento destes participantes em 2026 e ter um pacote regulatório que contempla uma faixa etária ampla para ser submetido à Anvisa.

“Se durante o ensaio clínico for decretada uma epidemia, o Butantan fica à disposição da Anvisa para ver o que pode ser feito para encurtar prazos e adaptar a vacina para contemplar uma diferente variante do vírus da influenza aviária”, afirma a diretora médica do Butantan, Fernanda Boulos.

Segundo ela, caso isso não ocorra, o estudo permanece sendo referente ao desenvolvimento de uma vacina pré-pandêmica, tornando o Butantan pioneiro em seu desenvolvimento no Brasil e com capacidade de fornecer o produto em caso de necessidade.

Lote reserva já está disponível

O Instituto começou a estudar a possibilidade de fazer uma vacina contra a gripe aviária ainda em 2023. O processo está sendo desenvolvido com a cepa do vírus influenza tipo A (H5N8), fornecida ao Instituto Butantan pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC).

Durante o desenvolvimento da vacina contra gripe aviária – incluindo os ensaios pré-clínicos – foi incluída na vacina uma cepa H5 de importância epidemiológica atual, por se tratar de uma variante altamente patogênica que mais se aproxima da cepa circulante nas Américas. Com isso, o Butantan já tem disponível um lote reserva de vacinas pronto para ser usado na pesquisa clínica.

Em 2018, o Instituto chegou a fazer estudo fase 1 com uma outra vacina pandêmica de gripe aviária A (H7N9), em parceria com Organização Mundial de Saúde (OMS), com a Autoridade de Pesquisa e Desenvolvimento Biomédico Avançado do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos (Barda), e com o Instituto de Pesquisa em Doenças Infecciosas dos Estados Unidos (IDRI). Na lógica da preparação para pandemia, houve mudança de rota, devido ao avanço dos casos de gripe A (H5N1).

Risco de pandemia preocupa

A transmissão da gripe aviária em humanos, considerada esporádica, ocorre após contato próximo com uma ave infectada e/ou suas fezes. A forma de transmissão mais plausível é o contato com as penas, pele, mucosas e aerossóis, isto é, pela manipulação do animal infectado vivo ou morto – este último na manipulação em frigoríficos, por exemplo – e depois de encostar a mão contaminada nos olhos, nariz ou boca, segundo a OMS.

Não há, até o momento, comprovação da transmissão do vírus de humano para humano, embora um artigo da revista Science relata a possibilidade cada vez mais próxima de isso ocorrer devido às mutações do vírus – se antes ele só atingia aves, agora já infecta vacas e humanos que têm contato com os bovinos.

A possível disseminação entre pessoas preocupa cientistas pela alta mortalidade do vírus em humanos (próxima de 50%), e pela gravidade dos sintomas, que podem variar de uma conjuntivite com sintomas leves de gripe a uma doença respiratória aguda grave, levando à morte.

“O vírus de influenza A(H5N1) está sendo transmitido de aves para aves, de aves para mamíferos, de mamíferos para mamíferos, de aves para humanos e mamíferos para humanos. Só não vimos ainda a transmissão de pessoa para pessoa, mas existe um potencial do vírus adquirir essa capacidade, o que é muito perigoso porque aumenta o risco de uma pandemia”, afirma o pesquisador científico e gerente de Desenvolvimento e Inovação de Produtos do Butantan, Paulo Lee Ho.

No Brasil não há casos registrados da doença em pessoas, embora este ano tenha sido notificado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) a infecção em aves comerciais de uma granja no município de Montenegro (RS) e de outros estados do país, que estão sob investigação. A pasta esclarece que está rastreando as granjas com atuais focos e adotando medidas sanitárias nos locais, nas proximidades e entre pessoas que trabalham nas granjas.

O país já havia notificado um foco de infecção em aves silvestres em 2023. “Ter uma vacina pronta, com uma plataforma já testada, que mostra que produz anticorpos contra o vírus, é o objetivo do Butantan. Não é para já comercializar, mas para propor um estoque estratégico”, afirma o diretor do Butantan, Esper Kallás.

*Informações da Agência SP



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Vazio sanitário de soja entra em vigor no RS a partir de quinta-feira



Começa nesta quinta-feira (3) o período de vazio sanitário da soja no Rio Grande do Sul. A medida, que se estende até 30 de setembro, proíbe a manutenção de plantas vivas de soja em qualquer fase de desenvolvimento nas lavouras do estado ao longo desses 90 dias.

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A ação foi estabelecida pela Portaria nº 1217/2025 do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que também define o calendário de semeadura para o ciclo 2025/26: de 1º de outubro de 2025 até 28 de janeiro de 2026. A normativa tem como principal objetivo o controle da ferrugem asiática, considerada uma das doenças mais severas da sojicultura.

“O período de vazio sanitário e o calendário de semeadura adotado para a soja no Rio Grande do Sul se consolidam como uma importante estratégia de enfrentamento da ferrugem asiática. São medidas fundamentais para garantir o manejo eficiente da praga, preservar a eficácia das ferramentas químicas disponíveis e assegurar a produtividade da cultura em nosso estado ao longo das próximas safras”, afirmou Ricardo Felicetti, diretor do Departamento de Defesa Vegetal da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).

A ferrugem asiática, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, é considerada uma das doenças mais severas que atingem a sojicultura brasileira, com potencial para causar prejuízos à produção. Altamente agressiva, a doença se espalha com rapidez e exige ações coordenadas para evitar perdas econômicas.

No Rio Grande do Sul, o monitoramento da ferrugem é realizado por meio do programa Monitora Ferrugem RS, que atua em diversas regiões produtoras. A iniciativa utiliza uma metodologia baseada na detecção da presença de esporos do fungo, associada a dados meteorológicos, como temperatura e umidade. Com base nessas informações, são gerados mapas indicativos da predisposição para a ocorrência da doença.



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Chá agroflorestal e cultura japonesa integram roteiro turístico em SP


O Vale do Ribeira, no interior de São Paulo (SP), se destaca por suas belezas naturais. Além disso, guarda uma rica história e cultura trazidas pelos imigrantes japoneses. Famílias como os Yamamaru são protagonistas dessa transformação. Nesse cenário, a agricultura — especialmente o cultivo do chá — se alia ao turismo rural, gerando novas oportunidades de trabalho e renda.

Miriam Mikiko Yamamaru Oka, bióloga e agricultora conta que sua família chegou ao Brasil em 1954, fugindo das dificuldades no Japão. Seu pai, imigrante japonês, iniciou o plantio de chá no bairro da Raposa, em Sete Barras, próximo a Registro (SP).

Com o tempo, a plantação prosperou. Na década de 1980, por exemplo, a produção chegou a três toneladas diárias. No entanto, foi apenas em 2011 que um novo capítulo começou. Naquele ano, o irmão de Miriam, Kazutoshi Yamamaru — ou Kazu — adotou o Sistema Agroflorestal (SAF) na propriedade da família.

A ideia do SAF, que integra diferentes culturas agrícolas e respeita o meio ambiente. “Percebi que não precisávamos derrubar árvores. Então, fui plantando no lugar certo e fui gostando”, explica Kazu.

Para Miriam, a volta do cultivo da erva foi uma forma de preservar o legado da família, que possui plantas com mais de 70 anos. “O chá voltou, e com ele, a possibilidade de gerar renda novamente”, explica.

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Roteiro Turístico da Imigração Japonesa

Duas pessoas sentadas em frente a uma mesa de madeira com o fundo de plantação de chá
Kazu e a irmã Miriam Yamamaru no sítio onde cultivam o chá agroflorestal. Foto: Divulgação | Canal Rural

A recuperação do chá e a adoção do SAF na propriedade Yamamaru abriram portas para a inserção da família na roteiro da imigração japonesa, uma iniciativa que visa valorizar a história dos imigrantes no Vale do Ribeira.

Esse projeto, desenvolvido com o apoio do Sebrae e de outras entidades como o Senar, oferece uma experiência única aos turistas, que podem conhecer a cultura japonesa de perto, saborear o chá produzido na região e vivenciar práticas agrícolas sustentáveis.

“Quando o turista visita uma propriedade como a dos Yamamaru, ele contribui diretamente para a economia local, desde a compra do chá até o apoio aos comércios da região”, afirma Regiane Macedo, consultora do Sebrae/SP.

A criação do roteiro possibilitou o surgimento de várias outras iniciativas, como a parceria com restaurantes que oferecem pratos típicos da imigração japonesa e a visitação a templos budistas e pontos históricos da cidade de Registro. Acesse aqui e confira o roteiro completo.

Porteira Aberta Empreender

Quer saber mais sobre a Roteiro da Imigração Japonesa no Vale do Ribeira? Então assista ao programa Porteira Aberta Empreender, nesta quinta-feira (3), às 17h45.

Arte com os horários do programa Porteira Aberta Empreender
Às quintas-feiras, às 17h45, no Canal Rural. Foto: Arte Divulgação | Canal Rural



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Angus tropical inaugura era da pecuária de melhoramento de precisão no Brasil


Uma inovação com DNA verde-amarelo está abrindo caminho para uma pecuária mais produtiva e adaptada ao calor no Brasil. Pela primeira vez na América Latina, nasceram bezerros geneticamente editados com foco em resistência térmica — e o feito é 100% brasileiro. Entenda tim-tim por tim-tim essa nova tecnologia no vídeo abaixo. 

A novidade foi apresentada no programa Giro do Boi, em entrevista com Luiz Sérgio de Almeida Camargo, pesquisador da Embrapa Gado de Leite.

Ao todo, cinco bezerros da raça Angus tropical nasceram entre março e abril, a partir de embriões fecundados in vitro e submetidos à técnica de edição genética CRISPR/Cas9.

Dois deles já exibem pelos curtos e lisos — sinal claro do sucesso do experimento. Com essa característica, os animais dissipam melhor o calor, ganham em conforto e crescem com mais produtividade.

Edição genética a favor do bem-estar animal e da produção

O pesquisador Luiz Sérgio de Almeida Camargo, da Embrapa Gado de Leite (MG), com os bezerros geneticamente editados. Foto: Rubens Neiva/Embrapa Gado de Leite
O pesquisador Luiz Sérgio de Almeida Camargo, da Embrapa Gado de Leite (MG), com os bezerros geneticamente editados. Foto: Rubens Neiva/Embrapa Gado de Leite

A técnica CRISPR/Cas9 funciona como uma tesoura molecular, capaz de editar trechos específicos do DNA. Neste projeto, a alteração foi feita no gene receptor da prolactina, responsável por regular a temperatura corporal dos bovinos.

O objetivo é criar animais mais resistentes ao calor, o que se traduz em mais desempenho produtivo, fertilidade e bem-estar.

Segundo Camargo, a edição foi feita ainda no estágio de zigoto, com uso da técnica chamada eletroporação, que insere as moléculas genéticas com pulsos elétricos curtos.

“É um método mais simples, menos invasivo e mais barato do que os modelos tradicionais de edição gênica”, destaca o pesquisador.

Bezerros Angus PO que mais expressaram a edição genética, com pêlo mais curto. Foto: Rubens Neiva/Embrapa Gado de Leite
Bezerros Angus PO que mais expressaram a edição genética, com pêlo mais curto. Foto: Rubens Neiva/Embrapa Gado de Leite

A inovação tem um propósito claro: combinar o melhor das raças europeias (como o Angus), conhecidas pela carne de qualidade, com a resistência natural das raças zebuínas, como o Nelore.

A criação do chamado Angus tropical pretende unir produtividade e rusticidade, sem perder o padrão premium da carcaça.

A presença de pelos curtos facilita a dissipação térmica em ambientes tropicais, reduz o estresse calórico e melhora a saúde, a fertilidade e o desempenho dos animais. Isso evita gastos extras com sombra artificial, ventiladores ou aspersores, reduzindo o custo por arroba produzida.

Projeto nacional une ciência, genética e sustentabilidade

Bezerros Angus PO que nasceram através de técnica de edição genética. Foto: Rubens Neiva/Embrapa Gado de Leite
Bezerros Angus PO que nasceram através de técnica de edição genética. Foto: Rubens Neiva/Embrapa Gado de Leite

A pesquisa é resultado de uma grande parceria público-privada. Além da Embrapa, participam a Associação Brasileira de Angus, Casa Branca Agropastoril, CNPq, Fapemig, Sebrae, entre outros.

As unidades da Embrapa envolvidas incluem Gado de Leite (MG), Gado de Corte (MS) e Pecuária Sul (RS).

As próximas etapas do projeto envolvem:

  • Acompanhamento do desempenho produtivo e reprodutivo dos bezerros;
  • Verificação da hereditariedade da mutação para os descendentes;
  • Avaliação de possíveis efeitos fora do alvo no genoma;
  • Expansão da técnica para outras raças e rebanhos comerciais.

Futuro promissor para a pecuária tropical brasileira

Caso a mutação se transmita de forma natural, a edição genética poderá ser multiplicada por reprodução convencional, abrindo caminho para rebanhos mais adaptados ao calor e sem depender exclusivamente de cruzamentos entre raças.

Isso representa um marco para a pecuária brasileira, especialmente em tempos de mudanças climáticas.

“O Angus tropical é uma alternativa real para aliar qualidade de carne com resiliência térmica. Estamos apenas no começo de uma revolução”, resume Camargo.

A iniciativa prova que o Brasil não só domina a tecnologia de ponta, como está liderando transformações estratégicas que unem inovação, produtividade e sustentabilidade.

É um passo firme rumo a uma pecuária tropical de precisão — moderna, eficiente e de referência mundial.



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Desastres climáticos aumentaram 222% no país, aponta relatório


Entre os anos de 2020 e 2023, o Brasil passou por 7.539 desastres climáticos causados por chuvas intensas. O número revela aumento de 222,8% em relação aos eventos ocorridos ao longo de toda a década de 1990, quando foram registradas 2.335 episódios dessa natureza.

São enxurradas, inundações, temporais e deslizamentos de solo, que, desde 2020, ocorreram com mais frequência e intensidade. Os dados são do relatório Temporadas das Águas: O Desafio Crescente das Chuvas Extremas, segundo estudo da série Brasil em Transformação, produzido pela Aliança Brasileira pela Cultura Oceânica e coordenado pelo Programa Maré de Ciência da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

De acordo com o pesquisador da Unifesp Ronaldo Christofoletti, que lidera a equipe do estudo, a partir de dados consolidados de longo prazo, os resultados apresentados revelam o que já vem ocorrendo.

“A gente está trazendo dados do passado onde se mostra que já aumentou o número desse tipo de desastres climáticos, principalmente nas regiões Sudeste e Sul, onde a ciência já prevê mais intensidade de chuva”, disse.

Segundo o pesquisador, os dados também corroboram as projeções do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC), que apontam tendência de mudança no regime pluviométrico brasileiro, com aumento de 30% de chuvas nas regiões Sul e Sudeste e redução de até 40%, no Norte e Nordeste, até o fim deste século, em 2100.

“Então, a gente começa a ver essas alterações no tempo e no espaço, e em alguns lugares vai chover muito, a ponto de causar desastres, onde muitas vezes nem esperado é. Como a gente já viu, e está vendo de novo, no Rio Grande do Sul, com muita água em muito pouco tempo. E depois, nós vamos ter regiões que já recebiam pouca água, como o sertão, que vai passar a receber menos chuva ainda”, contextualiza.

O relatório detalha dados do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID) do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional no período de 1991 a 2023. Ao longo desses 32 anos, quando é aplicado um recorte para desastres climáticos causados por chuvas intensas, o número total de tais eventos é de 26.767.

No período, 64% desses desastres foram de natureza hidrológica, dos quais as enxurradas foram as mais frequentes, representando mais da metade desse percentual (55%), seguida de inundações, que foram 35%.

Os desastres causados por chuvas que tiveram natureza meteorológica representaram 31% das mais de 26 mil ocorrências nesse período. Os temporais somaram 75% desse percentual.

Menos frequentes, os desastres de natureza geológica foram apenas 5% do total, sendo que 91% dos registros desse grupo foram casos de deslizamentos de solo.

Desastres em cidades brasileiras

enchentes Rio Grande do Sul
Enchente em Porto Alegre (RS). Foto: Gilvan Rocha/ Agência Brasil

O estudo também faz um recorte da ocorrência desses desastres nas cidades brasileiras. No total, até agora, os eventos extremos associados às precipitações afetaram 4.645 cidades, representando cerca de 83% dos municípios brasileiros.

Na década de 90, apenas 27% desse total havia sido atingido e na primeira década de 2000, 68% das cidades já haviam passado por algum desastre por chuva.

A evolução desses números impacta de várias formas quem vive nas cidades afetadas, dizem pesquisadores.

“Vamos ter impactos diretos e indiretos. Como impacto direto da chuva extrema e inundações, pode haver perdas materiais de casas, infraestrutura, impactos na produção, deslocamento de pessoas, impactos na saúde. E aí se começa a entrar em um segundo cenário, que é a perda que não se consegue mensurar diretamente da saúde mental”, acrescentou Christofoletti.

A mudança do regime de chuvas no país também aparece em um estudo da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) que aponta a diminuição da disponibilidade de recursos hídricos, que pode ultrapassar 40% em bacias hidrográficas das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e em parte do Sudeste, até 2040.

Para Christofoletti, as consequências de tais impactos pressionarão as populações dessas regiões, levando a novos fluxos migratórios de refugiados climáticos.

“É aquela família, aquelas pessoas que vão perceber que terão que se deslocar do seu território para outro, porque não conseguem mais ter a vida que tinham. Seja por insegurança, porque é uma área de muito alagamento, um morro, ou porque dependiam de uma agricultura familiar que agora não é mais possível ali. Então, a tendência de crescimento dos refugiados climáticos no mundo é muito forte”, disse o pesquisador.

Adaptação nas grandes cidades

Segundo a especialista em soluções baseadas na natureza Juliana Baladelli Ribeiro, que integra a equipe da pesquisa, esses dados são um alerta para a mobilização de gestores públicos, da iniciativa privada e de organizações sociais para a implementação de estratégia sustentável, principalmente para centros urbanos.

Juliana destacou que, entre as estratégias complementares, é preciso considerar uma parcela de soluções baseadas na natureza, que acrescentam às cidades resiliência e qualidade de vida.

“A gente não está dizendo que simplesmente as soluções baseadas na natureza serão a ‘bala de prata’, mas a gente entende que elas são muito importantes nesse contexto, porque é um tipo de tecnologia que usa a infraestrutura verde, para solucionar esses problemas e traz benefícios adicionais múltiplos”, salientou a especialista da Fundação Grupo Boticário.

Alguns exemplos citados por Juliana são os jardins de chuva, parques urbanos e as lagoas artificiais como parte dos sistemas de drenagem. “Se, em vez de um piscinão de concreto, eu tenho um parque ou uma lagoa, como eu tenho aqui em Curitiba, por exemplo, o Parque Barigui, em um dia de chuva intensa, aquele lago enche, o parque alaga, e está tudo bem, porque ele não tem nenhuma estrutura ali que vai ser severamente prejudicada.”

Por outro lado, a infraestrutura do Parque permanece disponível nos dias sem chuva, trazendo conforto térmico para a cidade, além de ser uma área de lazer, contemplação e para a prática de exercício, destaca a especialista.

Região polar afeta o Brasil

Ronaldo Christofoletti acrescenta que o estudo, além de reunir dados que servirão como balizadores para o desenvolvimento de cidades e economias mais resilientes, traz reflexões sobre a integração de todo o planeta por meio dos diferentes biomas existentes.

“Não é só sobre o bioma [em] que eu moro, seja Mata Atlântica, Amazônia ou Pantanal. O estudo diz, efetivamente, qual a importância das regiões polares, no caso, da Antártica, para o Brasil.”

Segundo o pesquisador, as causas apontadas para a mudança no regime de chuvas em algumas regiões no Brasil são decorrentes também da pressão do aquecimento global na região polar.

“A alteração desse ciclo de chuva se dá basicamente pelo aumento de temperatura do ar, em função dos gases do efeito estufa, somado à variação na chegada das frentes frias, que, principalmente no Sudeste, Sul e Centro-Oeste do Brasil, é o que regula os períodos de chuva”, concluiu.



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Saiba as projeções do USDA para a produção de soja 25/26



A produção de soja no Brasil está projetada para alcançar 176 milhões de toneladas no ciclo 2025/26, que vai de janeiro a dezembro de 2026. Os dados fazem parte do Gain Report, elaborado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), e refletem o otimismo em relação ao potencial produtivo brasileiro. O volume estimado representa um crescimento em comparação com as 169,5 milhões de toneladas colhidas na temporada anterior.

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Segundo informações divulgadas pela Safras & Mercado, a expansão da área plantada é um dos fatores que sustentam essa projeção. A estimativa é que o Brasil aumente a área de cultivo de soja de 47,6 milhões para 49,1 milhões de hectares no ciclo 2025/26, o que também pode indicar uma maior adoção de tecnologias no campo e investimentos por parte dos produtores.

No comércio internacional, a expectativa é igualmente positiva. As exportações brasileiras de soja devem somar 114 milhões de toneladas no ciclo 2025/26, superando os 108,3 milhões de toneladas registrados no período anterior. A demanda internacional segue aquecida, impulsionada principalmente pela China, que continua sendo o principal destino da soja brasileira.

O consumo doméstico também deve apresentar um leve crescimento. A projeção é que o uso interno alcance 62,38 milhões de toneladas, frente aos 61,1 milhões registrados na safra 2024/25. Esse aumento é atribuído à crescente demanda por farelo e óleo de soja, tanto para alimentação animal quanto para fins industriais e de biocombustíveis.



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Saiba as projeções do USDA para a produção de soja 25/26



A produção de soja no Brasil está projetada para alcançar 176 milhões de toneladas no ciclo 2025/26, que vai de janeiro a dezembro de 2026. Os dados fazem parte do Gain Report, elaborado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), e refletem o otimismo em relação ao potencial produtivo brasileiro. O volume estimado representa um crescimento em comparação com as 169,5 milhões de toneladas colhidas na temporada anterior.

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Segundo informações divulgadas pela Safras & Mercado, a expansão da área plantada é um dos fatores que sustentam essa projeção. A estimativa é que o Brasil aumente a área de cultivo de soja de 47,6 milhões para 49,1 milhões de hectares no ciclo 2025/26, o que também pode indicar uma maior adoção de tecnologias no campo e investimentos por parte dos produtores.

No comércio internacional, a expectativa é igualmente positiva. As exportações brasileiras de soja devem somar 114 milhões de toneladas no ciclo 2025/26, superando os 108,3 milhões de toneladas registrados no período anterior. A demanda internacional segue aquecida, impulsionada principalmente pela China, que continua sendo o principal destino da soja brasileira.

O consumo doméstico também deve apresentar um leve crescimento. A projeção é que o uso interno alcance 62,38 milhões de toneladas, frente aos 61,1 milhões registrados na safra 2024/25. Esse aumento é atribuído, entre outros fatores, à crescente demanda por farelo e óleo de soja, tanto para alimentação animal quanto para fins industriais e de biocombustíveis.



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Frente fria provoca chuvas de até 150 mm e tardes geladas; veja estados atingidos


A região Sudeste do Brasil, especialmente seu litoral, enfrenta um período de instabilidade climática, marcado pela passagem de uma frente fria. De acordo com a Climatempo, esse fenômeno intensifica o vento marítimo, resultando em acúmulo de umidade e formação de áreas de instabilidade em São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Até domingo (6), a chuva será frequente nas áreas costeiras, com possibilidade de intensidade moderada a forte por horas consecutivas. A baixa chance de raios contrasta com a preocupação em relação a deslizamentos em encostas e transtornos como alagamentos e transbordamento de córregos em cidades litorâneas.

Acúmulo de chuva supera médias históricas

A previsão da Climatempo indica volumes significativos de chuva até sexta-feira (4). O estado do Rio de Janeiro pode registrar os maiores volumes, atingindo até 150 mm. Esse valor é considerado elevado para julho, período de baixa precipitação no litoral sudeste. Para o litoral de São Paulo e Espírito Santo, a expectativa é de volumes entre 50 mm e 100 mm.

A chuva persistente provocada pela frente fria já foi observada no litoral de São Paulo, com cerca de 50 mm acumulados em menos de 24 horas. Nesta quarta-feira (2), a precipitação continua na Baixada Santista e no Litoral Norte de São Paulo.

Previsão de chuva volumosa no leste do Sudeste. Fonte: Climatempo

No Rio de Janeiro, a intensificação da chuva ocorre nesta quarta-feira, com Angra dos Reis e Paraty entre as áreas mais afetadas. A região do Grande Rio também registra acumulados de precipitação incomuns para essa época. Dados do Alerta Rio/Prefeitura do Rio de Janeiro indicam 80 mm na Rocinha, 76,4 mm no Alto da Boa Vista e 58,4 mm no Jardim Botânico entre 1 e 2 de julho. A média de julho na cidade do Rio é de 57 mm (1997-2024).

A região serrana fluminense e cidades serranas capixabas também terão chuva frequente até sábado (5) e fim de semana, respectivamente.

Temperaturas baixas e mar agitado

O céu nublado, a chuva contínua e a presença de ar frio de origem polar manterão as temperaturas baixas em todo o leste da região Sudeste. A sensação de frio será acentuada em áreas como Grande São Paulo, Vale do Paraíba, Serra da Mantiqueira, todo o estado do Rio de Janeiro e Espírito Santo. As tardes, em particular, serão mais frias nos próximos dias.

A população do litoral sudeste deve estar atenta ao mar agitado. A passagem de um ciclone extratropical pela costa da região Sul e ventos marítimos persistentes podem elevar as ondas e gerar risco de ressaca.

Você quer entender como usar o clima a seu favor? Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.



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Sicredi anuncia R$ 68 bilhões para produtores no Plano Safra 2025/26



O Sicredi vai disponibilizar R$ 68 bilhões aos produtores rurais no Plano Safra 2025/2026. O valor representa aumento de 10% em relação ao ano-safra anterior, somando mais de 319 mil operações previstas. Com carteira agro de R$ 102 bilhões em saldo, a instituição reforça sua posição como maior financeira privada do agronegócio no Brasil.

Do total, o Sicredi estima liberar R$ 24,3 bilhões para custeio, R$ 12,5 bilhões para investimentos e R$ 1,7 bilhão para comercialização e industrialização. A cooperativa prevê ainda R$ 24,6 bilhões em créditos via Cédulas de Produto Rural (CPR).

Na agricultura familiar, o Sicredi oferecerá R$ 13,5 bilhões por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), volume 11% maior que o concedido na safra anterior. Já para produtores de médio porte, o Programa de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) terá R$ 16,7 bilhões, aumento de 21%.

Dessa forma, cerca de 70% das operações previstas atenderão pequenos e médios produtores, fortalecendo a base da produção agrícola nacional. Para os demais produtores, serão destinados R$ 13,2 bilhões, sendo R$ 4,9 bilhões em crédito dolarizado. Neste ciclo, a instituição projeta crescimento de 21% nas linhas em dólar, oferecendo alternativas mais competitivas para exportadores.

No ciclo 2024/2025, o Sicredi liberou R$ 61,9 bilhões em mais de 321 mil operações, incluindo R$ 18,8 bilhões em CPR. Pequenos e médios produtores concentraram 72% das operações, somando R$ 26 bilhões em crédito. Foram liberados ainda R$ 4 bilhões em crédito dolarizado no período.

Segundo o diretor executivo de Segmentos, Crédito, CRM e Dados do Sicredi, Gustavo Freitas, o objetivo é atuar de forma próxima ao produtor, com soluções alinhadas às necessidades de cada associado agro. A cooperativa conta com 103 unidades e 2,9 mil pontos de atendimento, incluindo presença exclusiva em mais de 200 municípios.

Além do crédito rural, o Sicredi oferece consórcios para aquisição de máquinas e equipamentos, seguros rurais, investimentos e soluções de meios de pagamento. De acordo com o superintendente de Agronegócio do Sicredi, Vitor Moraes, o portfólio busca apoiar o produtor em todas as etapas da safra.

O Sicredi já recebe pedidos de financiamento para o Plano Safra 2025/2026, que vai de julho deste ano até junho de 2026. Os produtores associados devem planejar a próxima safra e procurar a agência ou canais digitais, como aplicativo e WhatsApp, para solicitar o crédito.



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Por que as galinhas botam ovos de tamanhos diferentes? Entenda os fatores



Na produção de ovos, uma curiosidade que chama atenção é a diferença no tamanho dos ovos, mesmo quando são postos por galinhas da mesma granja e até da mesma linhagem. Essa variação é um fenômeno natural e esperado dentro da avicultura. Para ver de forma leve e ilustrada por que os ovos têm tamanhos diferentes, acesse abaixo o vídeo completo.

Mas o que causa essas diferenças? Diversos fatores influenciam o tamanho do ovo, como a idade da galinha, a genética da raça e a alimentação oferecida. Conhecer essas causas ajuda a entender melhor a produção e até a melhorar a qualidade dos ovos nas granjas.

De forma geral, galinhas mais jovens produzem ovos menores. Com o passar do tempo, à medida que atingem a maturidade, o organismo das aves se adapta e os ovos se tornam maiores, dentro do padrão genético de cada linhagem.

A influência da raça e da genética na produção de ovos

Outro fator que interfere diretamente no tamanho dos ovos é a raça da galinha. Algumas aves, como as conhecidas Rhode Island Red, têm uma genética voltada para a postura de ovos grandes. Já raças como as Bantam, normalmente de menor porte, botam ovos mais compactos, embora igualmente nutritivos.

Essa diferença entre raças não está relacionada à qualidade do ovo, mas sim ao porte físico, ao metabolismo e à capacidade de postura da ave. Por isso, entender as características da linhagem escolhida é essencial para alinhar expectativas e metas de produção.

Além disso, a seleção genética feita ao longo dos anos pelas empresas de melhoramento contribuiu para o aumento da produtividade e da regularidade dos ovos, mas a variação de tamanho ainda é algo comum, principalmente em lotes com aves em diferentes estágios da vida.

A nutrição influencia diretamente no desenvolvimento do ovo

Faltas nutricionais, por exemplo, podem provocar cascas frágeis, formato irregular e ovos menores. Por isso, um bom manejo alimentar é peça-chave para manter a regularidade da produção e a qualidade dos produtos que chegam à mesa do consumidor.

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