domingo, maio 17, 2026

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Especialistas alertam para riscos e falta de clareza no Plano Safra 2025/2026 durante “A Voz do Mercado”


O programa A Voz do Mercado, transmitido nesta quarta-feira, 2 de julho, reuniu especialistas do setor agropecuário para discutir os principais pontos do Plano Safra 2025/2026. Sob a condução de Ivan Wedekin e Suelen Farias, a edição especial contou com a participação do deputado federal Arnaldo Jardim, do diretor de Agronegócios do Banco Santander Brasil, Carlos Aguiar, e do consultor Luiz Cláudio Caffagni, sócio da Archer Education. Em pauta, a análise crítica sobre a composição dos R$ 516,2 bilhões anunciados pelo Governo Federal e os impactos reais para o financiamento do campo.

Ivan Wedekin destacou que o tema da vez era “mais justo, menos seguro”, indicando a complexidade do cenário atual do crédito rural. Ele alertou para um aumento substancial do custo de capital, colocando os juros como um dos principais entraves para o produtor. “Nesta safra, o custo dos juros será tão importante quanto o custo de fertilizantes. A diferença é que juro não é tecnologia. Semente, adubo, são. Juros sã custos puros e comprometem a capacidade de investimento do produtor”, frisou.

Em sua análise, o deputado Arnaldo Jardim apontou uma série de inconsistências no anúncio do novo plano e criticou a redução de recursos para a equalização das taxas de juros.

“O governo não fez o esforço que havia anunciado como necessário. O valor para equalização caiu de R$ 16,3 bilhões para R$ 13,4 bilhões. Isso, considerando uma inflação de 17,5%, é ainda mais preocupante”, declarou.

Arnaldo também chamou atenção para a forma como as CPRs (Cédulas de Produto Rural) foram incluídas na contabilidade do plano, o que, segundo ele, distorce os números.

“Nunca foi prática incluir CPRs no volume total do Plano Safra. Isso infla artificialmente os dados. O governo tenta justificar dizendo que são instrumentos não tributados e, portanto, incentivados. Mas essa inclusão gera insegurança e falta de clareza”, afirmou o deputado.

Ele ainda alertou para o descompasso entre a intenção anunciada e o que, de fato, chega ao produtor:

“No ano passado, anunciaram R$ 479 bilhões, mas só foram executados cerca de R$ 430 bilhões. O valor da subvenção respondia por apenas 1,4% do total. Agora caiu para 1,2%. Isso mostra o recuo do governo em termos de estímulo direto ao agro”, completou.

Representando o setor financeiro, Carlos Aguiar, do Santander, reforçou que o Plano Safra tem importância institucional, mas menos operacional para os bancos privados:

“Para nós, o plano representa cerca de 10% da carteira total. Ele funciona mais como um termômetro do humor do produtor e um indicativo de tendências de financiamento. Os grandes bancos privados operam principalmente com recursos próprios, como LCAs, e repassam as exigibilidades do Pronaf para outras instituições. Por isso, não dependemos diretamente das linhas equalizadas”, explicou.

Carlos também abordou o impacto da possível tributação sobre os títulos do agro:

“Hoje, com a Selic alta, o efeito do imposto pode parecer diluído. Mas, no futuro, com juros mais baixos, esse impacto será direto no custo do crédito para o produtor. Isso precisa ser discutido com responsabilidade”, disse.

Já o consultor Luiz Cláudio Caffagni aprofundou a discussão técnica sobre o risco de dupla contagem das CPRs nos dados oficiais:

“Quando o banco empresta via LCA, ele normalmente exige um título de crédito como garantia. Pode ser uma CPR, mas isso já está contabilizado nas estatísticas de crédito rural do Banco Central. Incluir novamente o valor da CPR como recurso novo é uma distorção. Isso precisa ser revisto com urgência para não mascarar o volume real de crédito disponível”, explicou.

Ao final da edição, Ivan Wedekin fez um balanço contundente da discussão, chamando atenção para a responsabilidade de se apresentar dados transparentes ao setor agropecuário.

“Nós temos um problema estrutural com a comunicação dos números. O governo anunciou R$ 459 bilhões no ano passado, sendo R$ 293 bilhões para custeio e comercialização. Agora, com a inclusão das CPRs, esse número saltou para R$ 401 bilhões — mas é o mesmo dinheiro contado duas vezes. Isso gera manchetes que não refletem a realidade enfrentada pelo produtor.”

Wedekin também destacou pontos positivos do plano, como o reforço ao crédito para agricultura familiar, a ampliação do Pronamp, e a continuidade de programas sustentáveis. No entanto, foi enfático ao afirmar que os dados não podem ser tratados como vitrine:

“O plano safra não pode ser uma ilusão estatística. Há avanços, sim, mas também muitas omissões. A agricultura brasileira vive um momento sensível, e precisamos de clareza para tomar decisões. O foco tem que ser o produtor, não o marketing. Nosso partido aqui é o agro, e seguiremos atentos para que os números correspondam à realidade no campo.”

 

 





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Seminário debaterá o papel do Brasil no mercado mundial de soja



Estão abertas as inscrições gratuitas para o VII Seminário Desafios da Liderança Brasileira no Mercado Mundial de Soja, que será realizado nos dias 19 e 20 de agosto de 2025, na sede da Embrapa Soja, em Londrina (PR). O encontro tem vagas limitadas e será presencial.

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Promovido pela Embrapa Soja, o seminário tem como objetivo discutir os principais desafios enfrentados pela cadeia produtiva da soja e o papel do Brasil como um dos principais players globais no setor. A programação reunirá cerca de 180 participantes, entre pesquisadores, técnicos, representantes do setor produtivo, indústrias, cooperativas, agentes governamentais e especialistas em comércio exterior.

Programação

Na terça-feira, 19 de agosto, a abertura será marcada por uma conferência sobre o perfil e o mapeamento da sojicultura no Brasil nos últimos 50 anos, com foco na evolução da produtividade, nos obstáculos já superados e nos desafios futuros. Em seguida, o painel sobre a evolução da sojicultura brasileira trará diferentes perspectivas sobre os desafios e as realidades regionais enfrentadas pelos produtores.

Já na quarta-feira, 20 de agosto, o foco estará nos mercados internacionais. O painel sobre o mercado chinês vai tratar dos desafios técnicos, regulatórios e comerciais que o Brasil enfrenta para manter sua posição de destaque nas exportações para a China. Serão abordadas as barreiras fitossanitárias, com ênfase na necessidade de vigilância, controle e rastreabilidade, além dos critérios de qualidade exigidos pelos compradores chineses, desde a colheita até o embarque. Haverá ainda um debate sobre os aspectos legais e normativos relacionados à exportação de soja geneticamente modificada (OGM) para o mercado chinês.

O último painel do evento será dedicado à geopolítica da soja, explorando as estratégias, dependências e disputas pelo protagonismo global. Especialistas apresentarão a visão da China, destacando sua centralidade no comércio global e os crescentes mecanismos de controle e demanda. Em seguida, será apresentada a visão da União Europeia, com foco no papel da soja brasileira diante das exigências ambientais do bloco.

Parceria

O seminário é realizado em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Associação das Empresas Cerealistas do Brasil (Acebra), Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), Aprosoja MS, Aprosoja PR, Associação das Supervisoras e Controladoras do Brasil (Ascb), Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e o Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações).



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Soja chega ao intervalo em alta na Bolsa de Chicago



A sessão eletrônica da Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) para o complexo soja chega ao intervalo desta quinta-feira (3) com preços mais altos para grão e farelo, e cotações mais baixas para óleo.

O mercado mantém a correção técnica e a posição novembro/25 do grão, a mais negociada, sobe pelo quinto dia seguido.

  • Os contratos com vencimento em agosto de 2025 tinham preço de US$ 10,62 por bushel, alta de 8,50 centavos de dólar por bushel ou 0,80%.
  • A posição novembro de 2025 era cotada a US$ 10,55 3/4 por bushel, elevação de 7,75 centavos de dólar por bushel ou 0,73%.
  • No farelo, dezembro de 2025 tinha preço de US$ 295,10 por tonelada, valorização de US$ 4,30 por tonelada ou 1,47%.
  • Já a posição dezembro de 2025 do óleo era cotada a 54,30 centavos de dólar por libra-peso, perda de 0,62 centavo de dólar por libra-peso ou 1,15%.

Um movimento de compras de barganha, em função das perdas recentes, é observado, segundo a Reuters. Além disso, os investidores digerem as exportações semanais norte-americanas, recém-divulgadas.

As exportações líquidas norte-americanas de soja, referentes à temporada 2024/25, com início em 1º de setembro, ficaram em 462.400 toneladas na semana encerrada em 26 de junho. Destinos desconhecidos lideraram as importações, com 190.500 toneladas. Para a temporada 2025/26, ficaram em 239.000 toneladas.

Analistas esperavam exportações entre 400 mil e 900 mil toneladas, somando-se as duas temporadas. As informações foram divulgadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).



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Milho em Chicago opera em alta após perdas recentes



A Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) para o milho chegou ao intervalo dests quinta-feira (3) com alta nos preços, consolidando um movimento de recuperação e de compras de barganha após fortes perdas recentes.

  • Os contratos com vencimento em setembro de 2025 operaram cotados a US$ 4,22 3/4 por bushel, alta de 4,75 centavos, ou 1,13% em relação ao fechamento anterior.
  • Os contratos com entrega em dezembro de 2025 operaram com avanço de 5,50 centavos, ou 1,26% em relação ao fechamento do último pregão, cotados a US$ 4,39 por bushel.

Os investidores devem seguir buscando um posicionamento frente ao feriado do Dia da Independência dos Estados Unidos desta sexta-feira (4), quando o mercado não opera.

Além disso, os sinais de uma demanda aquecida pelo produto dos EUA complementou o quadro positivo.

As vendas líquidas norte-americanas de milho para a temporada comercial 2024/25, que tem início no dia 1° de setembro, ficaram em 532.700 toneladas na semana encerrada em 24 de junho. A Coreia do Sul liderou as compras, com 273.700 toneladas.

Para a temporada 2025/26, ficaram em 940.200 toneladas. Analistas esperavam exportações entre 560 mil e 1,7 milhão de toneladas, somando-se as duas temporadas. As informações são do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).



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Suínos: cotações apresentam movimentos distintos



Os preços médios do suíno vivo subiram em parte das regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em junho, mas caíram em outras. 

De acordo com o instituto, em algumas regiões, os preços avançaram nas primeiras semanas do mês em decorrência da oferta mais ajustada. Somado a isso, o clima frio, que aumenta a demanda por carne suína, também contribuiu para a alta.

Já em outras praças, a oferta levemente acima da demanda, sobretudo na segunda metade do último mês, pressionou as cotações médias, de acordo com o Cepea.

Levantamentos do Centro de Pesquisas mostram que, em São José do Rio Preto (SP), por exemplo, o animal posto na indústria se valorizou 1,7% de maio para junho. Dessa forma o valor médio das negociações nesta praça foi de R$ 8,65 o kg. 

Na região SP-5 (Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba), o vivo se manteve em R$ 8,55/kg, estável em igual comparativo. Já em Braço do Norte (SC), houve queda de 2,6% de maio para junho, a R$ 7,92/kg.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Bunge conclui fusão de US$ 8 bilhões com a Viterra



A Bunge concluiu sua fusão de US$ 8 bilhões com a Viterra, após uma espera de dois anos, marcando a criação de uma nova gigante na comercialização e no processamento de grãos.

O acordo ajuda a combinar as enormes operações de processamento de soja e comercialização de grãos da Bunge na América do Sul com as instalações de compra e transporte de grãos da Viterra na América do Norte.

Com a transação, a Bunge se posicionará ao lado de seus maiores rivais, ADM e Cargill, em termos de tamanho, com cerca de US$ 100 bilhões em receita anual combinada.

A proposta de fusão foi aprovada por órgãos regulatórios do Canadá e da China neste ano.

“Hoje é um momento marcante para nossa empresa e para nossa equipe global”, disse o CEO da Bunge, Greg Heckman, em comunicado.



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Com ligeiras altas no mercado, cotações ficam estáveis



O movimento de pequenas, mas sucessivas altas de preços da arroba de boi deu espaço a certa estabilidade, com ligeiras quedas. É isso o que apontam os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea)

No estado de São Paulo, os negócios têm saído principalmente entre R$ 310,00 e R$ 315,00, com alguns em até R$ 305,00. 

Segundo o Centro de Pesquisas, esse comportamento se deu pelo início das ofertas de confinamento que estão tornando as escalas de abate mais longas. Permitindo, assim, que compradores testem valores menores. 

Pecuaristas, em geral, negociam no mercado spot apenas pequenos lotes, o que tem tornado a liquidez relativamente baixa. As vendas de carne no atacado se enfraqueceram no final do mês, e os preços vêm caindo ligeiramente. 

A carcaça casada bovina voltou a ser negociada abaixo de R$ 22,10, à vista, o que não acontecia desde o final da primeira quinzena de junho.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Mercados agrícolas abrem com tendências mistas



No mercado do trigo, os contratos futuros em Chicago buscam recuperação



No mercado do trigo, os contratos futuros em Chicago buscam recuperação
No mercado do trigo, os contratos futuros em Chicago buscam recuperação – Foto: Agrolink

Os mercados agrícolas iniciam esta quarta-feira (02) com movimentos variados para os principais grãos negociados internacionalmente. Segundo a TF Agroeconômica, o trigo apresenta leve alta nos Estados Unidos, a soja segue em alta em Chicago, enquanto o milho sofre pressão e registra queda nos preços.

No mercado do trigo, os contratos futuros em Chicago buscam recuperação após quedas recentes, sustentados pela falta de umidade nas Grandes Planícies do Norte, área essencial para o trigo de primavera. Entretanto, o avanço da colheita de trigo de inverno no sul dos EUA e o início da colheita em fornecedores do Hemisfério Norte mantêm a pressão. No Brasil, os preços continuam pressionados devido à redução da moagem e margens apertadas.

Já a soja tem seus preços impulsionados em Chicago, principalmente pelo fortalecimento dos valores do óleo de soja e pela aprovação de um projeto de lei nos EUA que amplia créditos tributários para biocombustíveis de baixo carbono, favorecendo o biodiesel e estimulando o uso de matérias-primas americanas. No entanto, a alta é limitada pela ausência de compras chinesas e pelas boas condições gerais das lavouras. No mercado brasileiro, os preços da soja iniciam o mês com leve baixa, influenciados pela forte safra.

O milho registra queda nos preços em Chicago, afetado pelas boas condições das lavouras que indicam uma safra recorde nos EUA e pela falta de acordos comerciais entre o governo Trump e importadores. No Brasil, a pressão negativa se acentua pela entrada da safrinha no mercado, concorrência acirrada nas exportações, queda do dólar e margens reduzidas, resultando em preços domésticos em baixa.





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Banco do Brasil anuncia R$ 230 bilhões



O Banco do Brasil anunciou nesta quinta-feira (3), que destinará R$ 230 bilhões para o financiamento da safra 2025/26. O valor representa um crescimento de 2% em relação ao desembolsado na safra anterior.

Serão destinados R$ 54 bilhões para pequenos e médios produtores. Já para a agricultura empresarial, abrangendo grandes produtores, cooperativas e agroindústria, estão destacados R$ 106 bilhões de recursos.

Quanto às finalidades, sob a ótica do crédito rural, o volume será distribuído nas modalidades de custeio (R$ 97 bilhões), investimento (R$ 44 bilhões), comercialização e industrialização (R$ 19 bilhões).

Somam-se ainda outros R$ 70 bilhões a serem direcionados para títulos, como CPRs, e negócios da cadeia de valor do agro.

Na safra 2024/25, o Banco do Brasil desembolsou R$ 225 bilhões, valor em linha com o observado no ciclo anterior, abrangendo 600 mil operações e mais de 200 atividades agropecuárias financiadas, fazendo o crédito chegar a mais de 5,1 mil municípios, contribuindo para fomentar a economia e o desenvolvimento social e ambiental do país.

“O Banco manteve a liderança nos financiamentos para a agricultura familiar e empresarial, registrando crescimento em todos os programas do plano safra do governo federal e executando o melhor desempenho entre as instituições financeiras, tendo distribuído 100% dos R$ 63 bilhões recebidos de recursos equalizáveis, incluídos os volumes remanejados”, destaca Tarciana Medeiros, presidenta do BB.

“O Banco do Brasil tem orgulho de atuar lado a lado dos produtores rurais, das cooperativas e da agroindústria, oferecendo, para além do crédito, soluções financeiras completas, assessoria especializada e capacitação para apoiar a cadeia de valor do agro, levando mais modernização, inovação e sustentabilidade para o campo. O BB reforça sua atuação para tornar o agro cada vez mais resiliente, competitivo e relevante para o Brasil, e reafirma seu compromisso de parceria com os clientes e o campo”, complementa o vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do banco, Luiz Gustavo Braz Lage.



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Produção de junco valoriza cultura japonesa e impulsiona turismo rural


Na região de Registro, interior de São Paulo, uma planta originária do Japão se transformou em motor econômico para pequenos produtores. O junco, trazido por imigrantes em 1933, encontrou solo fértil na região e enraizou mais do que uma tradição: virou sustento, identidade e agora, uma vitrine para o turismo.

“Meu pai viu no junco uma possibilidade de negócio e estamos aqui até hoje”, conta Douglas Massayuki Naoi, empreendedor rural. À frente da fábrica ‘Dai Artefatos’, Naoi lidera a produção de esteiras e acessórios artesanais.

Os produtos, feitos com matéria-prima local, chamam a atenção pela beleza e sustentabilidade. “Aqui na nossa fábrica a gente faz a esteiras, chinelos, esteira de praia, jogo americano, bolsas.”

Com o passar dos anos, a cultura de consumo dos produtos feitos com junco foi sendo substituída por novos hábitos.

“Na época eu lembro que você ia à praia e só via esteira. Depois, surgiram as cangas, cadeira de praia, etc. Então não foi uma substituição direta, foi uma mudança de mentalidade”, explica Naoi.

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Duas pessoas olhando para a secagem da plantação de junco Duas pessoas olhando para a secagem da plantação de junco
Douglas Massayuki Naoi e Regiane Macedo, consultora do Sebrae/SP, observam a secagem do junco. Foto: Divulgação | Canal Rural

Tradição que virou destino turístico

A força da tradição e a originalidade do artesanato abriram espaço para algo novo: o turismo rural. “O turismo rural agrega valor, não só ao produto, mas também a história, tradição e a cultura da imigração japonesa”, explica o empreendedor, que entrou para o Rota da Imigração Japonesa, projeto desenvolvido com o apoio do Sebrae e de outras entidades como o Senar.

“A propriedade do  Naoi, foi inserida dentro do roteiro da imigração japonesa pela importância e riqueza desse trabalho. Não tem como falar dos japoneses, da colonização e não falar do junco que é tão nosso aqui”, esclarece Regiane Macedo, consultora do Sebrae/SP.

O junco, uma planta simples, segue tecendo histórias, fortalecendo famílias e inspirando quem acredita no poder do empreendedorismo. Por trás de cada peça vendida, há um processo artesanal que exige dedicação e tempo e, claro, há um elo entre passado e presente, tradição e inovação que você pode conhecer.

Porteira Aberta Empreender

Quer saber mais sobre a Rota da Imigração Japonesa no Vale do Ribeira? Então assista ao programa Porteira Aberta Empreender, nesta quinta-feira (3), às 17h45.

Arte com os horários do programa Porteira Aberta Empreender Arte com os horários do programa Porteira Aberta Empreender
Às quintas-feiras, às 17h45, no Canal Rural. Foto: Arte Divulgação | Canal Rural



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