domingo, maio 17, 2026

News

AgroNewsPolítica & Agro

Superávit comercial do Brasil deve cair 32% em 2025



A estimativa caiu de US$ 70,2 bilhões para US$ 50,4 bilhões




Foto: Divulgação

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) revisou para baixo a projeção do superávit comercial brasileiro em 2025. A estimativa caiu de US$ 70,2 bilhões para US$ 50,4 bilhões, reflexo direto da queda nos preços das commodities e do aumento nas importações impulsionado pelo crescimento econômico interno.

A nova projeção representa uma redução de 32% em relação ao superávit registrado em 2024, que fechou em US$ 74,2 bilhões. A atualização ocorre a cada trimestre e desta vez considera o enfraquecimento da demanda global e os impactos das medidas tarifárias internacionais sobre o comércio.

Mesmo com leve crescimento nas exportações, o aumento mais acelerado das importações deverá reduzir o saldo comercial. O Brasil deve exportar US$ 341,9 bilhões em 2025, alta de 1,5% frente ao ano anterior. Por outro lado, as importações devem crescer 10,9%, alcançando US$ 291,5 bilhões.

Em relação às estimativas divulgadas em abril, as exportações foram revistas para baixo em US$ 11,2 bilhões, enquanto as importações foram elevadas em US$ 8,6 bilhões. O novo cenário reflete o impacto da desvalorização dos produtos primários e a intensificação da demanda por bens de capital e insumos para produção industrial no país.





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Lagartas resistentes desafiam controle


O avanço das lagartas Spodoptera frugiperda e Helicoverpa zea nas lavouras brasileiras tem preocupado os produtores. Resistentes a Inseticidas convencionais e biotecnologias como o Bt, essas pragas atacam as estruturas reprodutivas de culturas como milho, soja, feijão e algodão, provocando prejuízos expressivos. 

“Além disso, sua presença facilita a entrada de patógenos secundários. As perdas estimadas podem variar de 10% a 50%, dependendo da intensidade da infestação e do controle que for adotado”, diz Jorge Silveira, engenheiro agrônomo e coordenador comercial da Sell Agro.

Além da resistência crescente, o cenário é agravado por fatores como monocultura contínua, falhas no manejo integrado de pragas (MIP) e clima favorável à reprodução dos insetos. A Spodoptera, por exemplo, tem presença constante em regiões tropicais e pode causar desde atraso no desenvolvimento até a morte das plantas, afetando severamente a produtividade.

“Ainda há falhas no manejo integrado de pragas (MIP) e o cultivo de monoculturas contínuas, que favorecem o ciclo das lagartas”, destaca Silveira.

Para lidar com essas “lagartas invencíveis”, produtores têm buscado soluções alternativas e complementares. Entre elas, o uso de desalojantes tem ganhado espaço no manejo. Produtos como o UPSIDE, da Sell Agro, atuam forçando as lagartas a saírem dos esconderijos, aumentando a exposição aos inseticidas. O produto, livre de enxofre, pode elevar a eficácia das aplicações em até 40%.

O sucesso do controle, no entanto, depende do monitoramento constante das lavouras e da adoção precoce das medidas de manejo. A eficiência é maior nas fases iniciais das infestações, quando ainda não há danos visíveis. A vigilância contínua e o uso combinado de tecnologias tornam-se, portanto, essenciais para proteger a produtividade e o bolso do produtor.

 





Source link

AgroNewsPolítica & AgroSafra

Minério de ferro cai com demanda fraca da China


Logotipo Reuters

Por Lucas Liew

CINGAPURA (Reuters) – Os contratos futuros do minério de ferro caíram nesta terça-feira, já que os dados decepcionantes de atividade industrial na China e os persistentes problemas do setor imobiliário local pioraram o sentimento.

Alertas de preços mais baixos feitos por autoridades australianas e as expectativas de uma demanda sazonal mais branda também contribuíram para a perspectiva baixista.

O contrato de setembro do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China terminou as negociações do dia com queda de 1,32%, a 708,5 iuanes (US$98,92) a tonelada.

O minério de ferro de referência de agosto na Bolsa de Cingapura perdeu 0,98%, a US$93,1 a tonelada.

A atividade industrial da China encolheu pelo terceiro mês consecutivo em junho, embora em ritmo mais lento. No entanto, o sentimento dos negócios permanece moderado.

A fraqueza contínua no setor imobiliário da China e um relatório do governo australiano alertando sobre preços mais baixos devido às fracas perspectivas pesaram ainda mais sobre o sentimento, disse o ANZ.

Além disso, o sentimento dos investidores também foi afetado depois que Jiang Wei, secretário geral da Associação de Ferro e Aço da China, foi citado pelo China Metallurgical News na semana passada aconselhando as autoridades a restringir as exportações de tarugos.

O pedido foi feito após o aumento das remessas de produtos de aço semiacabados no acumulado do ano.

O volume total de minério de ferro despachado para destinos globais pelos principais produtores, Austrália e Brasil, caiu 7,4% de 23 a 29 de junho, revertendo o salto da semana anterior, informou a consultoria chinesa Mysteel.

(Reportagem de Lucas Liew)

Já segue nosso Canal oficial no WhatsApp? Clique Aqui para receber em primeira mão as principais notícias do agronegócio





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Armazenagem estratégica mantém feijão firme



O Ibrafe destaca que uma campanha nacional para estimular o consumo




Foto: Canva

Apesar da recorrente percepção de queda no consumo durante períodos de safra elevada ou colheita concentrada, o mercado brasileiro de feijão continua ativo. Segundo o Instituto Brasileiro de feijão e Pulses (Ibrafe), a demanda segue dentro da realidade atual, impulsionada principalmente pelos preços atrativos nas gôndolas do varejo.

O Ibrafe destaca que uma campanha nacional para estimular o consumo — já em articulação com apoio parlamentar e entidades do setor — poderá ampliar ainda mais a demanda no médio prazo. Enquanto isso, os negócios continuam ocorrendo em diferentes regiões, como no Vale do Araguaia (GO), onde houve vendas pontuais a R\$ 190,00/saca. No entanto, muitos produtores optam por armazenar o produto abaixo de R\$ 220,00/saca, evitando uma possível queda brusca nos preços.

Essa prática de armazenagem é apontada como uma lição aprendida com países como os Estados Unidos, onde toda a safra é colhida em um único mês, mas o consumo se mantém estável durante o ano graças à gestão de estoques. Caso o mercado brasileiro despejasse todo o volume colhido de uma só vez, os preços poderiam cair para menos de R\$ 100,00/saca, alerta o Instituto.

A consolidação de uma mentalidade mais estratégica é essencial: armazenar com qualidade, vender no momento certo e trabalhar coletivamente para incentivar o consumo interno, expandir as exportações e garantir rentabilidade ao produtor. Segundo o Ibrafe, o Clube Premier seguirá acompanhando essas movimentações, contribuindo com análises e orientações para os protagonistas do setor. As informações são do encerramento da semana.

 





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Cotonicultores mineiros debatem produtividade e sementes



Cada encontro foi adaptado ao perfil do público-alvo



Cada encontro foi adaptado ao perfil do público-alvo
Cada encontro foi adaptado ao perfil do público-alvo – Foto: Canva

A última etapa do Circuito Técnico Amipa (CTA) 2025 foi realizada no dia 26 de junho na Fazenda Experimental da Amipa, em Patos de Minas (MG), reunindo mais de 150 participantes. O evento marcou o encerramento de um ciclo que percorreu as principais regiões produtoras de algodão de Minas Gerais, com foco na troca de conhecimento técnico, inovação e boas práticas na produção.

Segundo José Lusimar Eugênio, engenheiro agrônomo da Amipa, a programação apresentou dados atualizados do setor algodoeiro no estado, o andamento do Projeto Fitossanitário da Associação, os avanços em biotecnologias da Biofábrica Amipa e os resultados de experimentos realizados na fazenda. Em seguida, Rodrigo de Oliveira Lima, do Grupo de Estudos do Algodão (GEAM), discutiu temas como qualidade de sementes, acúmulo de biomassa e resposta produtiva em diferentes níveis de adubação.

A edição 2025 do CTA contou com cinco etapas, realizadas entre abril e junho, com passagens por Varjão de Minas, Catuti, Ibiaí, Brasilândia de Minas e Patos de Minas. Cada encontro foi adaptado ao perfil do público-alvo – da agricultura familiar à empresarial – com visitas técnicas e discussões práticas sobre os desafios da cotonicultura mineira.

Durante o encerramento, o presidente da Amipa, Daniel Bruxel, destacou a importância do evento como ferramenta de desenvolvimento regional e valorizou o engajamento dos produtores, parceiros e patrocinadores. A expectativa é que os aprendizados promovidos ao longo do circuito contribuam diretamente para a produtividade e sustentabilidade do algodão em Minas Gerais.

 





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Rotação de culturas: prática essencial



Outro princípio essencial é evitar repetir espécies da mesma família botânica



Outro princípio essencial é evitar repetir espécies da mesma família botânica
Outro princípio essencial é evitar repetir espécies da mesma família botânica – Foto: Divulgação

A rotação de culturas é uma das estratégias mais eficazes para manter a fertilidade do solo, reduzir o uso de insumos químicos e aumentar a resiliência dos sistemas agrícolas. Ao alternar diferentes espécies vegetais ao longo do tempo e do espaço, é possível romper ciclos de pragas e doenças, melhorar a estrutura do solo e otimizar o uso da água e dos nutrientes disponíveis.

Segundo a empresa Vetika, especializada em soluções sustentáveis para o agro, essa prática só gera resultados positivos quando bem planejada, seguindo princípios agronômicos básicos. Entre os benefícios diretos estão a redução de plantas daninhas, o melhor aproveitamento do efeito fertilizante das leguminosas — como o trevo, a alfafa ou o ervilhaca — e a prevenção da exaustão do solo. Após o cultivo de leguminosas, recomenda-se, por exemplo, a semeadura de espécies exigentes em nitrogênio, como milho, trigo ou girassol.

Outro princípio essencial é evitar repetir espécies da mesma família botânica na mesma área em anos consecutivos — como tomate e pimentão, ambos solanáceas —, o que reduz riscos sanitários e desequilíbrios nutricionais. Além disso, a alternância entre cultivos de raízes profundas e com alto volume de resíduos orgânicos contribui para uma estrutura de solo mais estável e rica em vida microbiana.

A Vetika também destaca a importância de adaptar as rotações às condições locais. Em áreas inclinadas, por exemplo, é indicado o uso de culturas perenes para evitar erosão. Já em sistemas de policultivo, a organização das espécies por semelhanças de ciclo e exigências facilita o manejo. Exemplos práticos incluem desde rotações simples, como trigo → girassol → pousio, até modelos mais complexos com alternância sazonal entre culturas de verão e inverno.





Source link

News

Exportação de soja em junho cai 3,9% em volume e 12,5% em receita



O Brasil exportou 13,42 milhões de toneladas de soja em grão em junho, queda de 3,9% em relação ao volume do mesmo mês de 2024, quando os embarques somaram 13,96 milhões de toneladas. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) com base em 20 dias úteis de movimentação em ambos os anos.

A receita com os embarques de junho foi de US$ 5,37 bilhões, recuo de 12,5% frente aos US$ 6,14 bilhões registrados em igual mês do ano passado. Em maio, a receita havia sido de US$ 6,13 bilhões. O preço médio pago pela tonelada de soja no mês passado foi de US$ 400,10, abaixo dos US$ 439,70 praticados em junho de 2024, o que representa retração de 9% no comparativo anual.

No acumulado de janeiro a junho de 2025, o país exportou 64,95 milhões de toneladas de soja em grão, com receita de US$ 25,45 bilhões. O volume representa queda de 13,4% ante os 74,99 milhões de toneladas embarcadas no primeiro semestre de 2024.

Em valor, a retração foi ainda mais acentuada, de 21,8% em relação aos US$ 32,54 bilhões obtidos no mesmo período do ano passado, segundo dados consolidados do Agrostat e da Secex.

A média diária de exportações em junho foi de 671 mil toneladas, abaixo das 698 mil toneladas embarcadas por dia útil no mesmo mês de 2024. A redução acompanha a desaceleração sazonal dos embarques, que costumam atingir o pico entre abril e maio, com recuo natural a partir de junho.



Source link

News

Cria, recria e engorda: entenda como melhorar a rentabilidade


Na pecuária de corte, compreender e aplicar corretamente as fases de cria, recria e engorda é fundamental para alcançar bons resultados econômicos e operacionais. Cada etapa possui funções específicas dentro do sistema produtivo, exigindo planejamento, decisões estratégicas e manejo adequado. Quando bem conduzidas, essas fases garantem animais mais produtivos, reduzindo custos e elevando a qualidade da carne produzida.

A base do sistema: cria, recria e engorda

A primeira fase, a cria, vai do nascimento até o desmame e concentra-se no manejo das matrizes e na saúde dos bezerros. É nesse momento que se define a base genética e sanitária do rebanho. A recria, por sua vez, compreende o período entre o desmame e o início da terminação. Nessa etapa, o foco recai sobre o desenvolvimento corporal, a qualidade das pastagens e a suplementação adequada, com atenção especial ao ganho médio diário.

Por fim, a engorda ou fase de terminação prepara o animal para o abate, buscando um bom acabamento de carcaça, seja por meio de pastagens de inverno ou em sistemas de confinamento, conforme a estratégia do lote.

Cria, recria e engorda na pecuária
Foto: Divulgação l Vinícius Campos

Estratégia e eficiência no campo

Segundo Juca Quintana, zootecnista e gerente de pecuária do Grupo Ceolin, um dos maiores do Sul do país, as três fases precisam estar alinhadas a metas claras e acompanhamento de indicadores. Para ele, é impossível alcançar bons resultados sem planejamento. “Se você não definir onde quer chegar, não vai chegar a lugar nenhum. Tem que elaborar planos de acordo com a realidade da região”, afirma.

Cria, recria e engorda_ o impacto de cada fase no desempenho do rebanho
Foto: Divulgação l Grupo Ceolin

No modelo adotado pelo grupo, localizado em Uruguaiana (RS), as fêmeas passam por um processo de seleção para reposição do rebanho, enquanto os machos seguem para a invernada. Todos os bezerros são terminados dentro do próprio sistema, utilizando pastagens de verão e, posteriormente, pastagens de inverno ou confinamento.

Na recria, a eficiência está diretamente ligada ao desempenho dos animais. Para atingir a meta de peso com um ano de idade, é necessário investir na qualidade das forragens, no tipo de suplemento utilizado e no ajuste da carga animal por hectare. Quintana destaca que quem não dispõe de pasto suficiente precisa considerar alternativas, como o campo diferido ou o confinamento. Além disso, o produtor deve decidir se a prioridade será o ganho individual por animal ou o ganho por área, dependendo do objetivo econômico. A sanidade também é um ponto crítico nessa fase. Doenças como a verminose causam perdas silenciosas quando o manejo sanitário não está em dia, comprometendo o desempenho do lote.

Terminação: impacto direto na carcaça

Na fase de engorda, parte dos animais do Grupo Ceolin retorna aos campos de inverno entre os 18 e 20 meses, enquanto outros são levados ao confinamento para obter um acabamento mais uniforme antes do abate. Segundo Quintana, essa decisão depende das características do lote e da estratégia de comercialização. Ele explica que no Sul do país é comum que as três fases da pecuária sejam conduzidas por propriedades diferentes, sendo que apenas entre 20% e 25% das fazendas fazem o ciclo completo. De forma geral, a cria ocorre em áreas mais marginais, e a recria e a terminação ficam com produtores com mais estrutura, acesso a grãos e logística de venda.

Rebanho do Grupo Ceolin
Foto: Divulgação l Grupo Ceolin

Falhas no manejo que comprometem a terminação

Para o zootecnista Vinícius Campos, que atua com consultoria em abates na região Nordeste, o impacto da recria na terminação é direto. Ele observa que falhas no manejo da fase intermediária resultam em animais menos estruturados e com desempenho inferior no frigorífico. Quando a recria é bem conduzida, o animal chega mais cedo ao ponto ideal de abate, com menor necessidade de tempo no confinamento e maior valorização da carcaça. “Se o animal tem baixo ganho de peso, adoece com frequência ou se desenvolve lentamente, isso já indica que as fases anteriores foram mal conduzidas”, afirma.

Do campo ao frigorífico_ quando a recria compromete o abate
Foto: Divulgação l Scot Consultoria

Gestão estratégica e visão de futuro

Mais do que técnica, a pecuária moderna exige uma gestão profissional. Para Quintana, uma equipe engajada e comprometida com os objetivos da empresa é essencial para alcançar bons resultados. Ter as pessoas certas nas funções certas contribui diretamente para a eficiência das operações. O mesmo vale para a gestão financeira, que precisa estar alinhada ao mercado. O produtor deve saber planejar seus investimentos, evitar decisões por impulso e aproveitar as oportunidades comerciais com inteligência. “A gestão é o que permite agir com estratégia, seja na compra de insumos ou na venda de animais. É isso que garante a rentabilidade e a sustentabilidade do sistema”, pontua o especialista.

Nas propriedades que terceirizam parte do ciclo, especialmente a recria e a terminação, o cuidado com o padrão genético e o manejo precisa ser ainda mais rigoroso. Campos alerta que, mesmo quando o trabalho é compartilhado, a responsabilidade sobre o resultado final continua sendo do produtor. Garantir animais de raças com aptidão para produção de carne, oferecer nutrição adequada e manter o controle sanitário são pontos decisivos para o sucesso do sistema.

Pecuária com visão de futuro_ desafios e oportunidades
Foto: Divulgação l Scot Consultoria

A experiência no campo faz toda a diferença

A experiência de campo mostra que a eficiência da pecuária de corte está diretamente ligada à forma como cada fase do ciclo produtivo é conduzida. Desde a cria até a engorda, cada decisão tomada interfere no desempenho do animal e na rentabilidade final da propriedade. Investimentos em nutrição, sanidade, planejamento financeiro e qualificação da equipe são indispensáveis para uma pecuária mais produtiva, sustentável e competitiva. 

Como resume Vinícius Campos, “a pecuária hoje não oferece grandes margens de lucro. Por isso, cada decisão dentro da propriedade precisa ser pensada com critério, desde o nascimento do bezerro até a venda da carcaça”.



Source link

News

Produtores mortos tiveram nomes usados em fraude milionária de leite a pessoas carentes



A distribuição de leite a pessoas carentes foi alvo de uma organização criminosa em Pernambuco. Após três anos de investigações, a Polícia Federal indiciou 40 suspeitos, entre empresários e servidores públicos.

De acordo com as investigações, obtidas pelo Jornal do Comércio, a quadrilha criou uma empresa de fachada para firmar contratos fraudulentos e desviar quantias milionárias do programa social Leite de Todos, custeado pelos governos federal e estadual.

O inquérito, conduzido pela Delegacia de Combate à Corrupção e Crimes Financeiros, foi concluído, mostrando que o grupo investigado apresentou recibos de ao menos 33 produtores rurais já mortos para receber dinheiro repassado pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Agrário de Pernambuco.

O programa Leite de Todos foi criado em dezembro do ano 2000 para aquisição de alimentos de produtores rurais de pequeno porte para serem distribuídos a beneficiários em situação de insegurança alimentar e nutricional.

Leite sofria adulteração

A investigação também revelou que o esquema da organização criminosa envolvia a adulteração do leite, inserindo na bebida soro de leite e citrato/dióxido de titânio, substâncias que ajudam a diminuir custos, mas podem colcoar em risco a saúde de quem consumia o produto.

A investigação aponta que somente no ano de 2020, o prejuízo foi de, aproximadamente, R$ 8,5 milhões. De acordo com as investigações da Polícia Federal, a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Agrário de Pernambuco firmou contratos com a Cooperativa dos Pecuaristas e Agricultores de Itaíba (Coopeagri) entre 2014 e 2020, repassando mais de R$ 73 milhões à empresa. Já entre 2021 e 2022, mais de R$ 22 milhões foram pagos.

De acordo com os autos do inquérito, a fiscalização do Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE), a Coopeagri “não passa de uma placa na fachada de uma loja de miudezas pertencente à filha do presidente da entidade” e que quase a totalidade dos valores recebidos eram repassados ao laticínio Natural da Vaca Alimentos LTDA, em Gravatá, no Agreste do estado, responsável pela execução do serviço contratado.

Produtores rurais falecidos

Para obter êxito na empreitada, a Polícia Federal acusa o grupo de fraudar documentos de produtores rurais como forma de comprovar a obrigatória aquisição do leite in natura por parte deles para que valores em dinheiro fossem repassados pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Agrário.

“Não surpreendentemente, fraudaram o processo de despesa apresentando recibos de produtores de leite falecidos à época do suposto fornecimento”, descreveu a PF. Dos 33 mortos identificados pela instituição, ao menos sete tiveram os nomes usados em recibos desde a contratação inicial, em 2014.

Segundo o Jornal do Comércio, que obteve o inquérito na íntegra, o produtor Francisco Alves de Lira, por exemplo, faleceu em 7 de setembro de 2011. Na prestação de contas da Coopeagri consta um recibo de 1,5 mil litros de leite com data de outubro de 2014.

Já José Ailton da Silva, que morreu em 2 de março de 2011, também teve o nome usado indevidamente. Ele consta como fornecedor de 5,4 mil litros de leite em outubro de 2014.

Durante a investigação, a PF também verificou que empresas investigadas tinham contrato com a Secretaria de Educação e Esportes de Pernambuco, na gestão anterior, para fornecimento de leite.

Empresários envolvidos

A investigação concluiu que a organização criminosa era composta de pessoas com funções distintas, como líderes, gerentes, auxiliares, responsáveis pela produção, testas de ferro, falsificadores, laranjas e servidores públicos.

No inquérito, entre os indiciados estão os empresários Paolo Avallone, dono da Natural da Vaca Alimentos LTDA, e Francisco Garcia Filho, com vínculo com a Planus Administração e Participações, apontados como os líderes do esquema, e Severino Pereira da Silva, presidente da Coopeagri.

Além disso, ex-funcionários da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Agrário, a exemplo de gerentes jurídicos e de licitações e uma coordenadora de articulação, estão entre os indiciados.

Segundo o Jornal do Comércio, o inquérito revelou que membros do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) teriam participado da emissão de documentações fraudulentas para garantir o repasse de dinheiro.

A Polícia Federal indicia os investigados aos crimes de desvio de verba pública, estelionato, corrupção, obstrução à justiça, falsidade ideológica, crimes contra a saúde pública e lavagem de dinheiro.

Ao longo da investigação, ao menos duas operações foram deflagradas, com cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão em novembro de 2022 e junho de 2023. Na última, a Justiça determinou o encerramento de todos os contratos das empresas investigadas com o governo estadual.



Source link

News

Brasil registra queda nas cotações de soja; apenas uma região manteve estabilidade



O mercado de soja abriu a semana com preços predominantemente em baixa e poucos negócios registrados. As cotações em Chicago recuaram diante do clima favorável nos Estados Unidos e de novas ameaças tarifárias do governo norte-americano. No Brasil, a alta do dólar ajudou a conter parte da pressão de baixa, mas não foi suficiente para um registro de movimentação.

  • Fique por dentro das novidades e notícias recentes sobre a soja! Participe da nossa comunidade através do link!

Segundo o consultor da Safras & Mercado, Rafael Silveira, o ritmo segue lento, com vendedores pedindo valores acima do que os compradores estão dispostos a pagar, especialmente em relação aos preços praticados nos portos. “É um mercado travado. Os produtores continuam segurando o produto e exigindo preços muito altos para fechar negócio, o que reduz bastante a liquidez”, explicou.

Preços de soja

  • Passo Fundo (RS): caiu de R$ 131,00 para R$ 130,00
  • Santa Rosa (RS): caiu de R$ 132,00 para R$ 131,00
  • Rio Grande (RS): caiu de R$ 137,00 para R$ 135,00
  • Cascavel (PR): caiu de R$ 131,00 para R$ 130,00
  • Paranaguá (PR): caiu de R$ 136,00 para R$ 134,00
  • Rondonópolis (MT): manteve em R$ 117,00
  • Dourados (MS): caiu de R$ 120,00 para R$ 118,00
  • Rio Verde (GO): caiu de R$ 120,00 para R$ 118,00

Chicago

Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros da soja encerraram o dia com queda expressiva. O clima mais favorável para o desenvolvimento das lavouras nos Estados Unidos e a alta do dólar frente a outras moedas exerceram forte pressão sobre os preços.

Além disso, novas incertezas comerciais vieram à tona após o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, anunciar que tarifas sobre importações podem voltar aos níveis elevados de abril caso não haja avanços em acordos com cerca de 100 países até 1º de agosto.

O presidente Donald Trump também declarou que irá impor uma tarifa adicional de 10% a qualquer país que se alinhar a políticas consideradas “antiamericanas” pelo grupo BRICS. A falta de detalhes sobre o que configura esse alinhamento gerou tensão entre parceiros comerciais e aumentou o clima de instabilidade nos mercados.

O contrato de julho da soja fechou em US$ 10,31 1/2 por bushel, com queda de 24 centavos, equivalente a 2,27%. A posição novembro recuou 28,5 centavos, ou 2,71%, encerrando a US$ 10,20 3/4 por bushel.

Nos subprodutos, o farelo para agosto caiu US$ 5,20, ou 1,87%, a US$ 272,20 por tonelada. O óleo com vencimento em agosto recuou 0,61 centavo, ou 1,11%, cotado a 53,94 centavos de dólar por libra-peso.

Dólar

O dólar comercial fechou em alta de 1%, cotado a R$ 5,4788 para venda e R$ 5,4768 para compra. Durante o dia, a moeda oscilou entre R$ 5,4378 e R$ 5,4838, influenciada pela aversão ao risco no exterior e pela valorização da moeda americana no mercado global.



Source link