segunda-feira, março 30, 2026

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O paradoxo da economia e a força do prato feito


A economia brasileira vive um momento curioso e desafiador. De um lado, o país carrega problemas estruturais sérios, com dívida pública ultrapassando 75% do PIB, juros altos e gastos governamentais que continuam crescendo acima da arrecadação. De outro, o Brasil apresenta crescimento econômico superior ao esperado, desemprego no menor nível histórico e consumo firme de alimentos.

O economista Ricardo Amorim definiu isso como um verdadeiro paradoxo. “O Brasil vive um paradoxo: problemas fiscais sérios e, ainda assim, crescimento econômico acima das previsões.”

Esse contraste ajuda a explicar por que a cesta básica e os alimentos essenciais seguem com volume de vendas em alta, mesmo num contexto de desequilíbrio fiscal e crédito caro.

De acordo com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o consumo nos lares subiu 2,67% em 2025 (até setembro), em valores reais deflacionados, e ficou 2,79% acima do mesmo período de 2024. O IBGE mostra que o varejo total cresceu 1,6% no acumulado do ano e atingiu, em fevereiro, o maior patamar da série histórica. Dentro desse grupo, o segmento de “hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo” foi um dos que mais contribuíram, com avanço de 1,1% em agosto.

Outro indicador importante, da NIQ (antiga NielsenIQ), confirma a resiliência: em 2023, a cesta de alimentos e bebidas cresceu 7,4% em volume, superando a média de todas as categorias, que foi de 1,9%.

Mesmo em meses de oscilação, como agosto de 2025, quando os dados de PDV mostraram uma queda de 4,4% em volume, mas aumento de 2,5% em receita, o comportamento do consumidor reforça uma tendência estrutural: a prioridade continua sendo o alimento.

A razão é simples e poderosa: emprego e renda real. Hoje, há 23 milhões de brasileiros a mais empregados do que há quatro anos, e a massa salarial, ajustada pela inflação, aumentou cerca de R$ 80 bilhões. Esse dinheiro adicional, distribuído mensalmente, sustenta o consumo de itens essenciais como feijão, arroz, óleo, farinha, açúcar, pães e biscoitos, garantindo movimento ao comércio, à indústria e ao campo.

Mesmo com a taxa Selic ainda alta e o crédito para bens duráveis em retração, a renda corrente permite que o consumidor mantenha o básico no carrinho e, em muitos casos, até melhore a qualidade dos produtos adquiridos. É o fenômeno da “substituição positiva”: trocam-se supérfluos e lazer por comida de verdade, mais nutritiva e com origem conhecida.

O agronegócio brasileiro, mesmo enfrentando desafios de custo e logística, vive um dos seus ciclos mais produtivos da história, com safra recorde de grãos estimada em +17%. Essa abundância ajuda a manter os preços dos alimentos relativamente estáveis, mesmo com o aumento da demanda, e fortalece a economia rural. O agro é, mais uma vez, a âncora que sustenta o consumo interno e evita desequilíbrios mais severos.

Além disso, o Brasil se beneficia de um ambiente externo peculiar. As tensões geopolíticas, como a guerra na Ucrânia, conflitos comerciais entre Estados Unidos e China e instabilidade em países emergentes, fazem com que fluxos de capital busquem refúgio em economias mais previsíveis, como a brasileira. Isso ajuda a atrair investimento direto, ampliar a geração de empregos e reforçar o círculo virtuoso do consumo.

Por outro lado, há um alerta importante: esse ciclo não é infinito. Se o cenário global se deteriorar, ou se o país continuar postergando os ajustes nas contas públicas, o capital pode migrar e o consumo perder fôlego. O desafio está em transformar essa fase de bonança aparente em crescimento sustentável, com produtividade, eficiência fiscal e valorização dos setores que realmente alimentam e empregam o país.

Enquanto isso, o prato feito brasileiro, composto por arroz, feijão, proteína e salada, segue sendo torpedeado pelo marketing dos ultraprocessados. O crescimento dos problemas de saúde mostra que é preciso reagir.

A comida de verdade é mais que uma questão nutricional: é uma força econômica e cultural que conecta campo e cidade, produtor e consumidor. É ela que dá condições físicas e até mesmo psíquicas à nossa população para suportar o estresse de um mundo polarizado que busca nos manipular política e economicamente.

Por isso, movimentos como o Viva Feijão, liderado pelo Ibrafe, ganham importância. Eles mostram que o futuro da alimentação e da economia pode e deve passar por uma agricultura mais consciente, regenerativa e valorizada. O feijão, alimento acessível, saudável e de forte identidade nacional, está no centro dessa transformação. Em tempos de incerteza fiscal e política, é o alimento de verdade que dá estabilidade ao país.

O Brasil pode ter uma economia desequilibrada, mas tem algo que o mantém em movimento: a confiança do povo no prato cheio e o trabalho incansável de quem produz cada grão que o compõe. O desafio agora é transformar esse consumo em desenvolvimento com propósito, onde produzir e comer bem continuem caminhando juntos.

Afinal, como mostra a história recente, a força do Brasil começa no campo e termina no prato, de preferência, com muito feijão.

*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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Preços da mandioca têm movimentos distintos e cotações estabilizam



As cotações da mandioca seguiram em alta na última semana em parte das regiões acompanhadas. Isso é o que indicam os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Por outro lado, algumas regiões se enfraqueceram pressionadas pela menor demanda por derivados. Nesse cenário, a média ficou praticamente estável no período. 

Entre 3 e 7 de novembro, o valor nominal a prazo para a tonelada de mandioca posta fecularia foi de R$ 572,04 (R$ 0,9948/grama de amido), leve recuo de 0,2% sobre o intervalo anterior. No acumulado de quatro semanas, registra-se elevação de 0,44%.

No mercado de fécula, conforme o centro de pesquisas, parte dos compradores, principalmente dos segmentos atacadista e industrial, reduziu os volumes adquiridos no spot.

A baixa liquidez pressionou as cotações do derivado, sobretudo nas negociações entre as próprias fecularias. De acordo com dados consolidados do Cepea, em outubro, a produção de fécula cresceu 39%, atingindo o maior patamar desde julho deste ano.

Devido aos menores estoques de passagem (de setembro para outubro), a disponibilidade do derivado no mercado doméstico aumentou 9,4%. O consumo aparente de fécula avançou 42,2%, superando em 6,7% a quantidade produzida no período.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Preço do milho segue firme e retoma patamar de junho



Os preços do milho seguem firmes no mercado doméstico, retomando os patamares verificados em junho deste ano. Isso é o que indicam os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Segundo o instituto, produtores continuam focados na semeadura da safra verão. Em algumas regiões do país, fortes chuvas deixam agentes em alerta. Quanto às negociações, vendedores priorizam o cumprimento dos contratos já firmados e aguardam novas valorizações para voltar ao spot.

Por outro lado, pesquisadores explicam que o movimento de alta de preços acaba sendo limitado pela menor demanda. Compradores relatam ter estoques suficientes para o curto prazo e, com isso, adquirem novos lotes de forma pontual. Esses agentes estão de olho na produção recorde desta temporada e na possibilidade de que vendedores precisem liberar armazéns e/ou fazer caixa.

Quanto às exportações brasileiras de milho, dados da Secex analisados pelo Cepea mostram que foram embarcadas 6,5 milhões de toneladas em outubro, volume 14% abaixo do de setembro e apenas 1,5% acima do verificado em outubro/24.

Dessa forma no acumulado de 2025, os envios totalizam 29,82 milhões de toneladas, 3,2% a menos do que no mesmo período do ano passado.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Durante a COP30, Embrapa lança glossário sobre agricultura e mudanças climáticas



A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) lançará, nesta segunda-feira (10), o Glossário sobre Agricultura e Mudança Climática, uma ferramenta de apoio destinada a jornalistas e comunicadores que vão cobrir a COP30, evento que acontece no Brasil e debate questões climáticas e sustentabilidade.

  • Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: 

A publicação tem como objetivo qualificar a cobertura jornalística e ampliar o entendimento público sobre conceitos centrais do debate climático, destacando o papel da ciência brasileira na construção de soluções sustentáveis para a agropecuária e a segurança alimentar.

O glossário reúne termos relacionados à adaptação e mitigação climática, agricultura sustentável, uso racional de recursos, segurança alimentar e tecnologias de produção de baixa emissão de carbono.

“A publicação organiza e explica, de forma clara e objetiva, conceitos que permeiam o debate sobre agricultura, sustentabilidade e mudanças climáticas, auxiliando não apenas a cobertura da COP30, mas também de temas científicos e agroambientais”, afirmou a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá.

O chefe-geral da Embrapa Cerrados, Sebastião Pedro, coeditor do glossário, ressaltou a importância da imprensa na divulgação da ciência. “A imprensa é parceira fundamental da Embrapa na missão de aproximar a ciência da sociedade. Este glossário oferece uma fonte confiável e acessível para qualificar a cobertura das discussões da COP30 e do debate sobre sustentabilidade”, afirmou.

A produção do glossário utilizou Processamento de Linguagem Natural (PLN), combinando linguística, ciência da computação e validação especializada para selecionar e definir termos a partir do uso real na língua. A obra conta com 51 verbetes em 30 páginas, elaborados por profissionais da Linguística em parceria com especialistas em Comunicação, Ciência da Informação e pesquisadores de diversas áreas.

O material digital será distribuído a jornalistas e ficará disponível no portal da Embrapa para toda a sociedade. O projeto integra as comemorações dos 50 anos da Embrapa Cerrados e reforça o compromisso da instituição em fortalecer o diálogo entre ciência e sociedade.

Acesse aqui o Glossário sobre Agricultura e Mudança Climática.

Com informações de: embrapa.br.



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Exportação de feijão segue registrando desempenho recorde



As exportações brasileiras de feijão seguem apresentando desempenho recorde, tanto no volume mensal quanto no acumulado de 12 meses. Isso é o que indicam os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

De acordo com dados da Secex, o Brasil embarcou 91,1 mil toneladas de feijões em outubro, a maior quantidade mensal registrada pela Secretaria desde o início da série histórica, em 1997.

Em 2025, já foram exportadas 452,9 mil toneladas e, no acumulado de 12 meses, o volume soma 537,17 mil toneladas, ambos recordes históricos. Da mesma forma, no mercado interno, levantamentos do Cepea mostram que prevaleceram variações positivas nos preços do feijão carioca na última semana; já no caso do feijão preto, as cotações oscilaram entre estabilidade e leve queda. 

No campo, a semeadura da primeira safra 2025/26 brasileira avançou para 34,2% da área estimada até o dia 1º de novembro, segundo dados da Conab. O Paraná lidera as atividades, com 85% da área cultivada, seguido por Santa Catarina (68,3%), Rio Grande do Sul (50%), Bahia (30%), Minas Gerais (25%) e Goiás (3%). 

Em MG e GO, as chuvas recentes favoreceram o avanço das operações, à medida que melhoraram as condições de umidade do solo.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Na COP30, Brasil assume liderança no mercado de carbono


Donald Trump voltou a atacar as políticas climáticas globais, desta vez mirando a COP 30 que é realizada em Belém, no Pará. Em suas redes, o presidente dos EUA afirmou que “a Amazônia foi destruída para construir uma estrada de quatro faixas” destinada aos ambientalistas que participarão do evento.

A declaração reacende o embate entre ceticismo climático e política ambiental. De fato, existe no Pará uma obra de grande porte: a Avenida Liberdade, via expressa de cerca de 13 a 14 quilômetros, planejada para melhorar o acesso à capital e aliviar o trânsito da BR-316. O governo estadual confirma a construção, mas nega que tenha sido criada especificamente para a COP 30.

A Secretaria de Infraestrutura do Pará afirma que a avenida segue a faixa de um linhão de energia já existente, com vegetação previamente suprimida. A obra possui licença ambiental e prevê 57 condicionantes, incluindo passagens de fauna e ciclovia. Críticos, no entanto, contestam o impacto e apontam a derrubada de trechos de floresta ainda preservada.

Enquanto o governo argumenta que se trata de um projeto antigo e com mitigação ambiental, Trump usa o caso para reforçar seu discurso contra conferências climáticas e políticas ambientais globais.

O episódio revela como temas ambientais se transformaram em armas políticas globais. A crítica de Trump mistura fatos e distorções, mas expõe uma verdade incômoda, o Brasil será observado sob lupa durante a COP 30. Entre o dever de proteger a floresta e a necessidade de investir em infraestrutura, o país precisa mostrar equilíbrio e transparência, porque, no cenário  internacional, qualquer passo em falso na Amazônia tem repercussão mundial.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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Exportação de farelo de soja é recorde na parcial do ano



De janeiro a outubro, o Brasil exportou 19,6 milhões de toneladas de farelo de soja, um recorde para o período. Isso é o que indicam os dados da Secex analisados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Segundo o instituto, a demanda está aquecida, sobretudo por parte de novos países e/ou de destinos pouco tradicionais, como Espanha, Dinamarca, Bangladesh e Portugal. No Brasil, consumidores também estão mais ativos nas aquisições do derivado. 

Quanto à soja em grão, na parcial deste ano, o País embarcou 100,6 milhões de toneladas, 6,7% acima do volume escoado em igual intervalo de 2024. Desse total, 78,8 milhões de toneladas foram enviadas à China, ainda conforme números da Secex analisados pelo Cepea.

No campo, chuvas generalizadas beneficiaram as atividades em grande parte do Brasil. Segundo a Conab, a semeadura de soja atingiu 47,1% da área estimada até 1º de novembro, abaixo dos 53,3% observados no mesmo período de 2024 e da média de 54,7% dos últimos cinco anos.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Plantio de soja alcança 57,68% de área no Brasil, diz consultoria


Segundo a consultoria Pátria Agronegócios, até o momento, 57,68% da área prevista para soja no Brasil em 2025 já foi plantada. No mesmo período de anos anteriores, os percentuais eram de 68,36% em 2024, 50,67% em 2023, e a média dos últimos cinco anos é de 58,90%.

Confira o gráfico por região:

Fonte: Pátria Agronegócios
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Avanço da safra 25/26 de soja

As chuvas no leste do país aceleraram os trabalhos de campo em estados como Goiás, Minas Gerais e Bahia. No entanto, segundo a consultoria, precipitações ainda se mostram irregulares em partes do Nordeste, Tocantins e do centro-oeste, limitando avanços mais consistentes.

O ritmo de semeadura segue abaixo do registrado em 2024, mas, na última semana, se igualou à média dos últimos cinco anos.



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Selic se mantém em 15% pela 20ª semana seguida, segundo Boletim Focus



A previsão do mercado financeiro para a taxa básica de juros (Selic) em 2025 ficou em 15% pela vigésima semana seguida.

A estimativa está no Boletim Focus desta segunda-feira (10), pesquisa divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC) com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.

Para 2026, a projeção da Selic se manteve em 12,25%. Para 2027 e 2028, as previsões também se mantiveram em 10,5% e 10,0%, respectivamente.

Expectativa para o IPCA

Já a previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – considerado a inflação oficial do país – ficou estável em 4,55% em 2025.

Para 2026, a projeção ficou em 4,20%, enquanto para 2027, a estimativa permaneceu em 3,80%. Já a previsão para 2028 continuou em 3,50%.

PIB e câmbio

A projeção das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira este ano se manteve em 2,16% pela segunda semana seguida.

Para 2026, a expectativa para o PIB ficou em 1,78% pela segunda semana em sequência. Para 2027, a projeção caiu de 1,90% para 1,88% em uma semana, enquanto para 2028, continuou em 2% (há 87 semanas).

Já a previsão da cotação do dólar está em R$ 5,41 para o fim deste ano. No fim de 2026, 2027 e 2028, estima-se que a moeda norte americana fique em R$ 5,50, mesma expectativa da semana anterior.



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Defesa Civil registra estragos em mais de 30 municípios


Desde sexta-feira (7), a instabilidade provocada por um ciclone extratropical trouxe vento forte, chuva volumosa e granizo para diversas regiões do Rio Grande do Sul. Pelo menos 39 municípios registraram algum tipo de dano entre sexta (7) e sábado (8), conforme balanço divulgado pela Defesa Civil Estadual na manhã deste domingo (9).

As rajadas mais intensas das últimas 12 horas foram registradas em Planalto, no Norte gaúcho, alcançando 95 km/h, de acordo com o Centro de Monitoramento do governo do Estado. Outras cidades também tiveram ventos fortes ao longo do evento. 

A Região dos Vales concentrou os maiores acumulados de precipitação. Em Ilópolis, choveu 155 mm em 12 horas. Em Anta Gorda, o volume chegou a 143 mm no mesmo período; em Tapera, 128 mm. Esses totais contribuíram para alagamentos pontuais e transtornos urbanos e rurais. 

Norte e Noroeste foram as áreas mais atingidas ao longo da sexta-feira. Em Passo Fundo, houve queda de árvores em pontos da região central; no bairro Zachia, casas foram destelhadas, e a Defesa Civil Municipal distribuiu lonas. Em Sarandi, as aulas em seis escolas foram suspensas na sexta (7) após queda de granizo, e a prefeitura planeja decretar situação de emergência na segunda-feira (10). 

Entre os principais transtornos relatados ao órgão estadual estão destelhamentos, bloqueios em estradas e danos em redes elétricas. As equipes municipais e estaduais atuaram no atendimento às ocorrências e na distribuição de lonas para telhados afetados, com priorização de áreas mais vulneráveis. 

No campo, os prejuízos iniciais se concentram em lavouras de soja, criações de aves e suínos e na produção de hortaliças, especialmente no Noroeste, Centro-Oeste e Norte. 

Do ponto de vista hidrológico, as últimas 24 horas tiveram volumes acima de 100 mm em grande parte da metade Norte e picos superiores a 150 mm no Centro-Oeste e Vales. Com isso, rios apresentam tendência de elevação — entre normalidade e atenção para inundação na Região Hidrográfica do Uruguai; normalidade com estações em atenção no Guaíba; e estabilidade nas Bacias Litorâneas. A orientação é manter vigilância para enxurradas e alagamentos em áreas suscetíveis. 

Neste domingo (9), a atuação de uma área de alta pressão favorece a gradativa melhora do tempo na maior parte do território gaúcho, com sol e variação de nebulosidade. Para segunda-feira (10), a tendência é de tempo estável em todo o Estado, com mínimas entre 5 °C e 14 °C e máximas de 18 °C a 29 °C, conforme o boletim hidrometeorológico estadual. 





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