Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado do Brasil e do mundo, com a análise de economistas.
No morning call de hoje, o economista do PicPay Igor Cadilhac analisa o otimismo nos mercados dos EUA, impulsionados por ações cíclicas e expectativas cautelosas do Fed.
No Brasil, o foco está no impacto da inflação nas expectativas econômicas e nas incertezas em torno das medidas fiscais, enquanto dados importantes da semana, como o IPCA-15 e o mercado de trabalho, prometem trazer novos sinais sobre a atividade econômica.
49º episódio do Fundecitrus Podcast detalha estudo conduzido pela instituição
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Foto: Fundecitrus
O 49º episódio do Fundecitrus Podcast detalha estudo conduzido pela instituição, em parceria com a Universidade da Califórnia (EUA), que revelou os impactos que a bactéria do greening (Candidatus Liberibacter asiaticus) é capaz de provocar no psilídeo, alterando suas funções fisiológicas e desafiando, ainda mais, o trabalho de manejo. Aumento no número de ovos, voos para dispersão mais frequentes e em maiores distâncias, além de mais atratividade ao hospedeiro são algumas das mudanças observa¬das pelo estudo no inseto contaminado. A conversa é com o pesquisador do Fundecitrus Haroldo Volpe e o professor da Universidade da Califórnia, em Davis, Walter Leal.
Saiba como ficam as condições do tempo na última semana de novembro em todo o Brasil. Período deverá ser marcado por chuva intensa e calor em várias regiões.
Sul
A última semana de novembro começa com pouca chuva e calor em boa parte da região.
No Rio Grande do Sul, o avanço de uma frente fria em alto-mar estimula pancadas de chuva entre o final da manhã e o início da tarde em áreas como Uruguaiana, Bagé e Pelotas, com risco de temporais. Porto Alegre terá sol pela manhã e pancadas moderadas à noite. No norte do estado e na Serra Gaúcha, o tempo segue ensolarado e sem chuva.
Em Santa Catarina, a chuva será isolada, especialmente no litoral norte, enquanto o Paraná registra máximas acima de 30 °C, com ar mais seco predominando no norte do estado.
Sudeste
A região começa a semana com temperaturas baixas nas manhãs, especialmente em São Paulo, sul de Minas Gerais, Vale do Ribeira, Vale do Paraíba e Mantiqueira.
Em São Paulo, o tempo será firme com sol e poucas nuvens. No Rio de Janeiro, o calor retorna, com tempo seco na capital e pancadas isoladas no norte do estado. Belo Horizonte terá uma segunda-feira de tempo firme e temperaturas amenas. Vitória poderá registrar chuva rápida entre a tarde e a noite.
A partir de meados da semana, o calor predominará durante as tardes em toda a região.
Centro-Oeste
O ar quente e úmido organiza um corredor de umidade que mantém o tempo instável no norte de Mato Grosso, assim como em áreas da região Norte. Há previsão de temporais e pancadas de chuva moderada a forte.
Goiás e Distrito Federal enfrentam condições semelhantes, com algumas aberturas de sol e clima abafado.
Em Mato Grosso do Sul, a chuva é isolada apenas no extremo norte e noroeste, enquanto Campo Grande e o sul do estado terão umidade do ar abaixo de 30%, com tempo firme e seco.
Nordeste
A semana começa com frente fria no litoral da Bahia, Alagoas e Sergipe, estimulando nuvens carregadas e aumentando a chance de temporais.
A chuva será mais intensa no noroeste e oeste da Bahia, no sertão de Pernambuco e no sul do Maranhão e Piauí. Há alerta para volumes elevados de chuva até terça-feira (26).
Por outro lado, o sul do Ceará, interior da Paraíba e oeste do Rio Grande do Norte terão tempo firme e seco.
Norte
O tempo segue abafado, com pancadas de chuva em todos os estados. Rondônia, Acre, Amazonas e Tocantins enfrentam risco de temporais.
O sul do Pará e o Amapá terão chuva de intensidade moderada a forte, com condições de tempo instável predominando. Algumas aberturas de sol podem ocorrer, mas a umidade e o calor mantêm o clima abafado.
O mercado físico do boi gordo voltou a registrar preços em alta ao longo desta semana. De acordo com a consultoria Safras & Mercado, o destaque dos últimos dias foi o estado de Goiás, que já atinge negociações de cerca de R$ 350 por arroba.
Em São Paulo também foram evidenciadas algumas transações acima da referência média. “Entretanto, na Região Norte, a situação aparenta ter se acomodado, com preços estáveis e até mesmo com um ou outro negócio saindo abaixo da referência média”, diz o analista da empresa Fernando Henrique Iglesias.
Segundo ele, as exportações seguem em ritmo impressionante na atual temporada. Assim, o final do ano de 2024 vem sendo marcado pelo maior volume da história.
“O que torna o quadro ainda mais interessante é o amplo processo de desvalorização cambial, somado a recuperação dos preços em dólar pagos pela tonelada da carne bovina no mercado internacional”, disse.
Variação da arroba do boi em uma semana
Os preços médios da arroba do boi gordo na modalidade a prazo nas principais praças de comercialização do país estavam assim na última sexta-feira (22):
São Paulo: R$ 351,25, contra R$ 339,42 em 14 de novembro, alta de 3,4%
Goiás: R$ 349,64, ante R$ 331,43 (+5,4%)
Minas Gerais: R$ 333,82, contra R$ 329,41 (+2%)
Mato Grosso do Sul: R$ 333,86, ante R$ 325,68 (+2,5%)
Mato Grosso: R$ 331,01, contra R$ 314,59 (+5,2%)
Exportações de carne bovina
Foto: Freepik
As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 663,152 milhões em novembro (10 dias úteis), com média diária de US$ 66,315 milhões, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
A quantidade total exportada pelo país chegou a 137,340 mil toneladas, com média diária de 13,734 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 4.828,50.
Em relação a novembro de 2023, houve alta de 53,6% no valor médio diário da exportação, ganho de 46,1% na quantidade média diária exportada e avanço de 5,1% no preço médio.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, encaminhou na última sexta-feira (22) à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) um ofício orientando a distribuição nacional de R$ 1,3 bilhão em bônus da usina de Itaipu, com objetivo de reduzir a tarifa de energia e ajudar no controle da inflação. O documento também pede “avaliação criteriosa” no acionamento da bandeira tarifária nos próximos meses.
A diretoria da Aneel pautou para a reunião da próxima terça-feira, 26, o processo que trata dos valores de repasse da Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar) para as distribuidoras.
A tarifa bônus de Itaipu vem do saldo positivo na chamada Conta Comercialização da Energia Elétrica de Itaipu (Conta de Itaipu).
“Registra-se a importância da adequada distribuição desses valores entre os consumidores de energia elétrica, com reflexo positivo na economia do país”, cita o documento assinado pelo ministro.
Em junho, a Aneel decidiu suspender a instrução do processo de definição dos valores. Naquele momento, era avaliada a possibilidade de usar os recursos em ações de mitigação no Rio Grande do Sul.
A regra determina que o repasse seja feito em forma de tarifa bônus, um desconto que deve beneficiar as unidades consumidoras de até 350 quilowatts (KWh) mensais.
O ofício enviado na sexta pelo ministro também menciona que há uma melhora no nível de armazenamento dos reservatórios, em especial nas regiões Sudeste e Centro Oeste. Com isso, Silveira reforçou que há “importância da definição de valores equilibrados” para as bandeiras tarifárias. Nesta semana, o diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, reconheceu que há uma tendência para a volta da bandeira tarifária verde em dezembro.
“Valores, ou mesmo acionamentos, inadequados possuem repercussão na inflação do País, considerando o aumento tarifário proporcionado pela sua aplicação. Em outubro de 2024 (bandeira vermelha), o subitem que mais influenciou a inflação foi a energia elétrica, dentro do grupo ‘habitação’, com contribuição de 0,20% na inflação total medida de 0,56%”, argumenta o ministro de Minas e Energia.
Áreas da Amazônia com maior concentração de árvores ameaçadas de extinção abrigam uma maior diversidade de abelhas. A derrubada dessas árvores pode afetar a polinização de outras áreas, causando efeito cascata em produções como café, maracujá e outros frutos.
Essa é a conclusão de artigo finalizado neste mês pelo Instituto Tecnológico Vale (ITV) e publicado na revista “Functional Ecology”
A equipe de pesquisa do Instituto Tecnológico da Vale esteve em seis trechos da Floresta Nacional de Carajás, área de conservação ambiental de quase 400 mil hectares localizada no sul do estado do Pará. Eles mediram as características das árvores e coletaram abelhas, por meio de captura e armadilhas instaladas por especialistas em reconhecimento das espécies.
Espécies de abelhas analisadas
No Brasil, são mais de duas mil espécies de abelhas já descritas, e nem todas têm comportamento social, não fazem colmeia nem produzem mel, e por isso elas têm grande variedade de comportamentos.
Segundo Adrian González, principal autor do estudo, foram analisadas sete espécies de árvores com risco de extinção, por serem de regiões que sofrem alteração do ambiente ou que só existem em localidades muito restritas.
González explica que a perda das árvores pode trazer um efeito dominó para culturas que dependem da polinização pelas abelhas (principalmente café e maracujá, mas também outros frutos). Uma dessas perdas poderia ser a das árvores de castanha-do-pará, que depende totalmente da polinização de abelhas.
Como existe uma relação estreita entre a reprodução das árvores e a presença das abelhas que polinizam, os pesquisadores acreditam que as abelhas não estariam atuando como fator de ameaça para as árvores.
Essas árvores são maiores e mais largas, com maior processo de armazenamento de carbono, e atraem abelhas para construir ninhos mais duradouros, o que intensifica a relação de reprodução entre as espécies.
Outra discussão levantada pelos autores do estudo é que a maior presença de madeira mais densa também faz com que as árvores sejam cobiçadas por madeireiros.
O novo acordo global de financiamento climático, estabelecido em US$ 300 bilhões por ano, é insuficiente para dar as respostas que o mundo precisa no enfrentamento à crise do clima. Essa é a visão de diversas entidades ambientalistas que acompanharam as discussões da 29ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP29), realizada em Baku, no Azerbaijão, e encerrada neste sábado (23).
Os participantes da COP29 fecharam um acordo de US$ 300 bilhões por ano que os países ricos deverão doar a países em desenvolvimento, até 2035, para combate e mitigação das mudanças do clima. O objetivo é promover ações para limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C. As nações mais impactadas por eventos climáticos extremos defendiam meta de US$ 1,3 trilhão anuais e consideraram a decisão um insulto.
“A COP29 adotou nova meta de financiamento aquém das necessidades dos países em desenvolvimento e sem nenhuma obrigação clara para os países desenvolvidos. A rota para Belém será difícil, mas temos confiança na liderança brasileira para entregar um resultado que contribua para a justiça climática global”, afirmou a diretora de Campanhas do Greenpeace Brasil, Raíssa Ferreira.
A próxima conferência sobre mudanças climáticas (COP30) será realizada no Brasil, em novembro de 2025, em Belém (PA). Para a Greenpeace, a principal missão do país será articular metas financeiras mais ambiciosas e mobilizar recursos que aproximem os compromissos globais das demandas urgentes dos países insulares e de outras nações em desenvolvimento.
O texto final de Baku determina que o total de recursos a serem financiados pelos países ricos sejam oriundos “de grande variedade de fontes, públicas e privadas, bilaterais e multilaterais, incluindo fontes alternativas”. A medida também é criticada pela entidade que defende que um financiamento público e robusto seria o melhor caminho para enfrentar a emergência climática de maneira justa.
“Recursos entregues por meio de empréstimos ou financiamento privado, em vez do financiamento público baseado em doações, podem aprofundar o endividamento externo dos países que mais precisam de ajuda neste momento e comprometem o princípio poluidor pagador, onde aqueles que mais poluem são financeiramente responsabilizados pela destruição que causam”, diz o Greenpeace.
No mesmo sentido, o Observatório do Clima avalia que essa previsão de diversidade de fontes dilui a responsabilidade das nações ricas, que dificilmente será revertida no futuro. “O acordo de financiamento fechado hoje em Baku distorce a UNFCCC [Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climática] e subverte qualquer conceito de justiça. Com a ajuda de uma presidência incompetente, os países desenvolvidos conseguiram, mais uma vez, abandonar suas obrigações e fazer os países em desenvolvimento literalmente pagarem a conta”, disse Claudio Ângelo, coordenador de Política Internacional do Observatório do Clima.
A diretora de Clima do WRI Brasil, Karen Silverwood-Cope, lembrou que o novo acordo substituirá os US$ 100 bilhões anuais previstos para o período 2020-2025. “Trata-se de um aumento que meramente cobre a inflação dos US$ 100 bilhões anuais prometidos em 2009 [na COP15, de Copenhague, na Dinamarca]. A lacuna de investimentos no presente aumentará os custos no futuro, criando um caminho potencialmente mais caro para a estabilidade climática”, avaliou.
Para ela, mais financiamento incentivaria que as nações apresentassem novas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC, na sigla em inglês) – planos climáticos de cada país – mais ambiciosas no ano que vem. Como país-sede da COP30, o Brasil já apresentou a terceira geração da sua NDC que define a redução de emissões de gases de efeito estufa de 59% até 67%, em 2035. O documento entregue reafirma a meta de neutralidade climática até 2050 e resume as políticas públicas que se somam para viabilizar as metas propostas.
Como destaque da COP29, Karen menciona uma imagem positiva do protagonismo brasileiro. “Agora, ao assumir a presidência da COP30, o Brasil terá o dever de continuar sendo um exemplo positivo e cobrar maior ambição dos demais países, assim como recuperar a confiança das partes após um processo decisório desgastado e em um contexto geopolítico mais desafiador”, afirmou a diretora do WRI Brasil.
Para a organização WWF-Brasil, o acordo “não chega nem perto de atender as necessidades de financiamento dos países em desenvolvimento”, e o resultado da COP29 corre o risco de atrasar a ação climática precisamente no momento em que sua aceleração é mais crítica e necessária. “Insuficiente para as ações de mitigação, o valor anunciado também desconsidera os esforços urgentes e necessários para adaptação e para perdas e danos, o que afeta de forma negativa e desproporcional países menos desenvolvidos e ilhas, que menos contribuíram para a emissão dos gases de efeito estufa”, diz.
Negociações
O WWF-Brasil avalia a “necessidade urgente” de fortalecer o multilateralismo e diz que o Brasil terá papel determinante em 2025, pressionando por um financiamento climático adicional, após o resultado insatisfatório da COP29.
“Embora os negociadores azeris nunca tenham se destacado em conferências anteriores, a concentração das decisões na presidência e a subtração de trechos resultantes de conquistas anteriores – como a menção aos combustíveis fósseis feita no acordo da COP28, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos – abriram espaço para que as divergências entre países desenvolvidos e em desenvolvimento escalassem níveis não vistos pelo menos desde a COP15 em Copenhague”, afirmou a entidade, criticando a presença maciça de representantes das indústrias de petróleo e gás na COP29.
“Responsáveis por dois terços das emissões globais dos gases que estão aquecendo o planeta e alterando o clima, as indústrias fósseis não podem mais ser admitidas nas conferências climáticas dado o evidente conflito de interesses. Esse é um ponto especialmente importante para a próxima COP, a ser realizada no Brasil, onde a exploração de petróleo já é objeto de disputa, criticou o WWF-Brasil.
Em discurso na plenária final da COP29, a ministra do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Marina Silva, avaliou a conferência em Baku como uma “experiência difícil”. “É fundamental, sobretudo após a difícil experiência que estamos tendo aqui em Baku, chegar a um resultado minimamente aceitável para todos nós, diante da emergência que estamos vivendo”, disse.
A ministra criticou a proposta inicial das nações mais ricas para o financiamento climático de US$ 280 bilhões até 2035, que avançou para US$ 300 bilhões anuais para custear os compromissos internacionais. “Os países em desenvolvimento não estão buscando esses recursos para benefício próprio, mas em benefício de todos. Então, os países desenvolvidos têm obrigações, conforme o Acordo de Paris, de fazer esses aportes que ajudem a alavancar recursos privados”, reforçou Marina.
Os participantes da 29ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP29) fecharam um acordo de US$ 300 bilhões por ano que os países ricos deverão doar a países em desenvolvimento, até 2035, para combate e mitigação da crise do clima. O anúncio foi feito na manhã deste domingo (24) em Baku, no Azerbaijão, onde ocorreu o encontro.
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, afirmou que “esperava um resultado mais ambicioso”, pediu que o acordo seja “honrado integralmente e dentro do prazo” e que os compromissos “se traduzam rapidamente em recursos financeiros”. Ainda assim, para ele, o documento final representa a base para manter vivo o objetivo de limitar o aumento da temperatura global a 1,5 °C.
As nações mais vulneráveis às mudanças do clima chamaram o acordo de “ofensa”, alegando que ele não forneceu o volume necessário de recursos. Inicialmente, a proposta era de US$ 250 bilhões por ano e os países em desenvolvimento defendiam meta de US$ 1,3 trilhão anuais para financiar as ações. O novo acordo substituirá os US$ 100 bilhões anuais previstos para o período 2020-2025.
O texto final da COP29 destaca a urgência de aumentar as ambições e as ações nesta “década crítica” e reconhece que há um “fosso” entre os fluxos de financiamento climático e as necessidades, especialmente para adaptação nos países em desenvolvimento. O entendimento é de que são necessários de US$ 5,1 a 6,8 trilhões, até 2030, sendo US$ 455–584 bilhões por ano para o novo acordo.
“[A conferência] Reitera a importância de reformar a arquitetura financeira multilateral e sublinha a necessidade de remover barreiras e abordar os fatores desfavoráveis enfrentados pelos países em desenvolvimento no financiamento da ação climática, incluindo elevados custos de capital, espaço fiscal limitado, níveis de dívida insustentáveis, elevados custos de transação e condicionalidades para acesso aos recursos para o clima”, diz o acordo.
Para Guterres, o ano de 2024 foi “brutal”, marcado por temperaturas recordes e desastres climáticos, enquanto as emissões de gases de efeito estufa continuam aumentando. Ele destacou que os países em desenvolvimento, “sufocados por dívidas, devastados por desastres e deixados para trás na revolução das energias renováveis, estão em necessidade desesperada por recursos financeiros”.
Mercado de carbono
Os países também concordaram com as regras para um mercado global de carbono apoiado pela ONU. Esse mecanismo facilitará o comércio de créditos de carbono, incentivando os países a reduzir as emissões e investir em projetos ecologicamente sustentáveis.
Guterres afirmou que a negociação sobre o mercado de carbono foi “complexa, em um cenário geopolítico incerto e dividido”. Ele elogiou o esforço para construir consenso, que considerou como uma demonstração de que o multilateralismo pode “encontrar um caminho mesmo nas questões mais difíceis”.
Para o secretário-geral da ONU, o fim da era dos combustíveis fósseis é uma “inevitabilidade econômica”. Ele afirmou que as novas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC, na sigla em inglês), que são os planos climáticos de cada país, devem acelerar essa mudança e garantir que ela ocorra com justiça.
O Brasil foi o segundo país a apresentar a terceira geração da NDC que define a redução de emissões de gases de efeito estufa de 59% até 67%, em 2035. O documento entregue reassume a meta de neutralidade climática até 2050.
Além de reunir um resumo de políticas públicas que se somam para viabilizar as metas propostas na NDC, o documento também detalha, por setor da economia brasileira, as ações que vêm sendo implementadas no país para que as emissões de gases do efeito estufa sejam mitigadas.
A próxima conferência sobre mudanças climáticas (COP30) será realizada no Brasil, em novembro de 2025, em Belém (PA).
A cobertura do Canal Rural na COP29 tem o apoio de Sistema OCB, Portos do Paraná, Itaipu Binacional, ApexBrasil, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e Governo Federal
O presidente francês, Emmanuel Macron, reforçou neste domingo (24) na rede social X o seu compromisso com a agricultura francesa na última semana em que esteve na América do Sul, para a cúpula do G20.
Na postagem, Macron disse: “Uma semana na América do Sul para defender a nossa agricultura, agir pelo clima e lutar contra as desigualdades, mobilizar-se pela paz e segurança para todos… ao mesmo tempo!”.
Une semaine en Amérique du Sud pour défendre notre agriculture, agir pour le climat et lutter contre les inégalités, mobiliser pour la paix et la sécurité de tous… en même temps ! pic.twitter.com/QWgLsu69O7
No vídeo compartilhado no X, Macron diz que a França não vai assinar o acordo com o Mercosul. Ele afirma que o presidente da Argentina, Javier Milei, disse não estar satisfeito com o acordo e com a funcionamento do bloco econômico sul-americano. “Para a Argentina, será muito ruim para sua reindustrialização, e para nós, será muito ruim para nossa agricultura”, afirmou o presidente francês.
tweet foi publicado em meio a protestos de agricultores franceses contra o acordo UE-Mercosul que, segundo eles, beneficiaria produtores dos países integrantes do Mercosul, como o Brasil. Na última semana, o grupo Carrefour anunciou que deixaria de importar carnes do bloco econômico latino-americano.
Bompard afirmou que a decisão foi tomada após ouvir o “desânimo e a raiva” dos agricultores franceses, que têm protestado contra a proposta de acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul. Os atos de protesto, organizados pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Operadores Agrícolas (FNSEA) e pelos Jovens Agricultores (JA), começaram na última segunda-feira (18), com bloqueios de rodovias e outras manifestações.
Em repúdio, frigoríficos brasileiros pararam de fornecer carnes ao grupo francês. A interrupção no fornecimento já atinge 150 lojas da rede no Brasil e a estimativa do mercado é de que em até três dias haja desabastecimento total dos supermercados do grupo já que se trata de mercadoria resfriada e/ou congelada. Procurado, o Carrefour Brasil negou desabastecimento, mas não se manifestou sobre a suspensão das entregas.
A utilização de altas doses de calcário para cultivo de soja de primeira safra, na região do Matopiba (parte dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), garante um aumento de até 30% na produtividade em relação às doses recomendadas pelos documentos oficiais.
Essa é a principal conclusão dos estudos que vêm sendo conduzidos pela Embrapa Meio-Norte (PI) na região desde o ano de 2019.
De acordo com a pesquisa, a prática não causa desbalanceamento na fertilidade do solo, embora possa ocorrer uma diminuição dos nutrientes, que pode ser corrigida com adubação.
Prática dificultava acesso a crédito bancário
As pesquisas foram iniciadas a partir de uma demanda da Associação dos Produtores de Soja do estado do Piauí (Aprosoja-PI), que identificou, junto a alguns produtores, a utilização de doses de calcário mais elevadas em algumas áreas.
O pesquisador da Embrapa Henrique Antunes explica que a prática tem sido adotada pelo valor dessa commodity.
“Os produtores vêm abrindo áreas com doses mais altas de calcário e já plantando soja, que traz um certo retorno. Em outras situações, começam com forrageiras e no segundo ano entram com a soja”, afirma.
A adoção dessa prática, sem respaldo técnico-científico, dificulta o acesso dos produtores ao crédito bancário, “por isso, a pesquisa ajuda a gerar novos critérios que tragam mais segurança para o agricultor”, avalia.
Revisão dos documentos oficiais
Antunes afirma que grande parte dos documentos oficiais sobre fertilidade do solo foram elaborados com base em pesquisas das décadas de 1980 e 1990 e que hoje os agricultores utilizam cultivares de soja com características e demandas nutricionais diferentes, sistemas de manejo do solo mais intensivos e maior quantidade de insumos biológicos e nutricionais.
“Tudo isso justifica a necessidade de revisão das documentações oficiais, sobretudo para regiões de fronteira agrícola com condições peculiares”, defende.
O primeiro estudo da Embrapa sobre o tema, realizado em parceria com a Universidade Federal do Piauí (UFPI), buscava avaliar os efeitos da aplicação de altas quantidades de calcário e gesso em áreas de abertura, na fertilidade do solo, no estado nutricional das plantas e na produtividade da soja no Cerrado piauense.
O gesso combinado com o calcário ajuda na melhoria das características do solo reduzindo sua acidez.
Cultivar de soja utilizada
Foto: Doze Batista/Embrapa
O experimento foi conduzido por duas safras agrícolas (2019/2020 e 2020/2021) utilizando a cultivar de soja BRS 9180. Foram testadas cinco doses de calcário (zero, 5, 10, 15 e 20 toneladas por hectare) e quatro de gesso (zero, 1, 2 e 4 toneladas por hectare), em parcelas com dimensões de 13,2 m x 6,6 m.
As doses de 5 toneladas por hectare de calcário e 1 tonelada por hectare de gesso são as mais próximas do padrão atualmente recomendado. Os resultados indicam que doses de calcário próximas a 15 toneladas por hectare praticamente neutralizam a toxicidade do solo por alumínio.
Doses entre 10 e 15 toneladas por hectare aumentaram as concentrações de fósforo e potássio, mas quantidades maiores (entre 15 e 20 toneladas por hectare) reduziram as concentrações desses elementos e de micronutrientes, o que ocasionou perda de rendimento dos grãos.
Ajuda do calcário na produtividade
O engenheiro-agrônomo Doze Batista de Oliveira, que escreveu sua tese de doutorado na UFPI a partir dos resultados do projeto, explica que a aplicação de uma dose de 10 toneladas de calcário por hectare resultou em aumentos significativos na produtividade da soja, com incrementos de 18% e 12% nas safras de 2019/2020 e 2020/2021, respectivamente.
“Isso demonstra que a calagem promoveu melhorias na fertilidade do solo, o que impulsionou a produção de grãos. O uso combinado de gesso e calcário proporcionou uma rápida melhoria nas características químicas do solo, com a redução da acidez em profundidade”, detalha o agrônomo.
Após os estudos iniciais em parceria com a IFPI, Antunes vem conduzindo outras ações de pesquisa na região do Matopiba e no Pará com o apoio da Rede FertBrasil e recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
Segundo ele, dados posteriores revelam um aumento de 20% e até 30% na produção da soja em áreas onde foram utilizadas altas doses de calcário e gesso.
Ele explica que, quando se corrige as características do solo com a aplicação desses corretivos e há uma boa incorporação, as raízes das plantas conseguem explorá-lo melhor, atingindo camadas nas quais não conseguiam chegar anteriormente. Ali elas encontram água e nutrientes e passam pelo período sem chuvas sob uma condição de estresse menor.
“O uso de corretivos cria um ambiente propício para o pleno desenvolvimento das plantas, algo fundamental principalmente em regiões de fronteira agrícola, como o Matopiba, que tem uma condição climática um pouco mais sensível, e onde ainda se está criando a fertilidade do solo”, ressalta Antunes.
Experiências de produtores
Foto: R.R. Rufino/Embrapa
O pesquisador chama a atenção para a diminuição das concentrações de fósforo, potássio e micronutrientes no solo, quando se utiliza elevadas doses de calcário. Isso se reflete na redução de macro e micronutrientes nas plantas; assim, é necessário que o produtor se atente para uma adubação que corrija essas deficiências.
A experiência do consultor Diógenes Brandalize tem sido positiva. Ele trabalha com uma propriedade de 3 mil hectares no município de Água Branca (PI), na qual planta soja, milho, sorgo e milheto e costumava utilizar 4 toneladas de calcário e meia tonelada de gesso por hectare. Há três anos, passou a empregar doses mais elevadas visando maior produção. O resultado foi um ganho de 20% na produtividade.
Há agricultores que participam do projeto, seguem com o manejo tradicional e aguardam os resultados definitivos das pesquisas. É o caso de Luís Fernando Devicari, que produz soja e milho, além de criar bovinose ovinos numa propriedade de 1.020 hectares, na Fazenda Barbosa, em Brejo (MA).
Devicari relata que costuma utilizar cerca de três toneladas de calcário por hectare, em áreas de abertura e, a cada dois ou três anos, acrescenta uma tonelada por hectare.
“Em algumas áreas mais deficitárias aqui na região, os produtores usam doses maiores. Aqui na fazenda, fazemos análise do solo todos os anos e, quando necessário, a gente coloca calcário”, conta.
O engenheiro-agrônomo e consultor Christofer Andre Garanhani, de Paragominas (PA), afirma que os estudos têm ajudado o produtor a tomar decisões sobre o volume de calcário a ser utilizado nas propriedades.
“Com a extensão de áreas bastante argilosas que a gente tem, as doses de calcário precisam ser revistas. E os trabalhos aqui têm comprovado que a gente precisa de doses crescentes, principalmente para a composição, formação do perfil e depois, logicamente, para as reposições.”
“Doses baixas de calcário já não fazem efeito”
Ele conta que havia uma expectativa para o uso de doses até mais elevadas, mas com os resultados das pesquisas compreenderam como deve ser utilizado o calcário, buscando equilíbrio para a qualidade do solo. Garanhani acredita que a maior barreira para a adoção dessa prática é o custo mais alto.
“Em uma região de fronteira, a gente tem muito custo de abertura, construção e infraestrutura, mas acredito que a maioria dos produtores sabe que doses baixas já não fazem o mesmo efeito, principalmente quando a gente trata de cultivares que já têm alto potencial genético”, analisa.
Brandalize acredita que os produtores da região estão começando a adotar essa prática. “Está ocorrendo uma migração lenta e gradual; em alguns casos, os produtores parcelam a dose total mais alta. A dificuldade de acesso ao crédito atrapalha de certa forma”, conta.