segunda-feira, abril 27, 2026

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Exportações aceleradas para China e oferta restrita fazem preço do boi gordo disparar


arroba do boi gordo
Foto: Henrique Bighetti/Canal Rural

O mercado físico do boi gordo apresentou preços sustentados e em alta ao longo da semana em grande parte do Brasil, reflexo direto da restrição de oferta. De acordo com o analista Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, as escalas de abate permanecem encurtadas na maioria das regiões, mantendo o ambiente favorável para a valorização da arroba.

Diante da menor disponibilidade de animais para abate, frigoríficos já avaliam estratégias para ajustar suas operações, incluindo o aumento da ociosidade ao longo de abril e a possibilidade de concessão de férias coletivas. O movimento reflete a dificuldade de originar boiadas em volume suficiente.

No mercado internacional, o ritmo das exportações segue acelerado, com a China absorvendo grandes volumes de carne bovina brasileira neste primeiro quadrimestre. Segundo estimativas, a cota de embarques pode se esgotar entre maio e meados de junho. Esse cenário traz incertezas para o terceiro trimestre, quando há maior oferta de animais confinados, podendo impactar o fluxo exportador. Algumas entidades, inclusive, apontam para um esgotamento ainda mais precoce, já no início de maio.

Os preços da arroba do boi gordo, na modalidade a prazo, registraram avanços consistentes nas principais praças pecuárias até 9 de abril.

  • São Paulo (Capital) – R$ 370,00 a arroba, aumento de 2,78% frente aos R$ 360,00 praticados no final da semana passada
  • Goiás (Goiânia) – R$ 355,00 a arroba, avanço de 4,41% frente aos R$ 340,00 registrados no final da semana passada
  • Minas Gerais (Uberaba) – R$ 350,00 a arroba, avanço de 1,45% ante os R$ 345,00 registrados no fechamento da última semana
  • Mato Grosso do Sul (Dourados) – R$ 360,00 a arroba, acréscimo de 2,86% ante os R$ 350,00 praticados no final da semana anterior
  • Mato Grosso (Cuiabá) – R$ 360,00 a arroba, aumento de 1,41% frente aos R$ 355,00 praticados no fechamento da semana passada
  • Rondônia (Vilhena) – R$ 330,00 a arroba, alta de 3,13% perante os R$ 320,00 registrados no encerramento da última semana

Atacado

No mercado atacadista, os preços da carne bovina permaneceram firmes ao longo da semana, com expectativa de novos reajustes no curto prazo. A entrada dos salários na economia tende a impulsionar a reposição entre atacado e varejo, favorecendo a sustentação dos preços.

Por outro lado, um fator limitante para altas mais expressivas segue sendo o comportamento das proteínas concorrentes, especialmente a carne de frango, que continua com preços mais baixos, aumentando a competitividade frente à carne bovina.

Entre os cortes, o quarto dianteiro foi precificado a R$ 22,50 por quilo, representando alta de 2,27% em relação à semana anterior. Já os cortes do traseiro bovino foram cotados a R$ 27,50 por quilo, mantendo estabilidade no período.

Comércio exterior

No comércio exterior, o desempenho segue robusto. Em março, as exportações brasileiras de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada geraram receita de US$ 1,360 bilhão, considerando 22 dias úteis, com média diária de US$ 61,835 milhões. O volume total exportado atingiu 233,951 mil toneladas, com média diária de 10,634 mil toneladas. O preço médio da tonelada foi de US$ 5.814,80.

Na comparação com março de 2025, houve crescimento expressivo, com alta de 29% no valor médio diário exportado, avanço de 8,7% no volume médio diário e ganho de 18,7% no preço médio. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior, reforçando o bom momento das exportações brasileiras de carne bovina.

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Com apoio da família, produtor de SC transforma pequeno aviário em império


A trajetória de Osvaldo Fávaro na avicultura no Sul do Brasil é um exemplo de como a visão de longo prazo pode transformar a realidade de quem vive no campo. Antes de se destacar nesse setor, Fávaro conheceu a lida pesada de culturas como o fumo e a banana. Na década de 90, ele percebeu a necessidade de um negócio que trouxesse mais previsibilidade e escala para sua família.

Em 1994, Osvaldo e seu irmão ergueram o primeiro aviário, projetado para apenas sete mil quinhentas aves. Esse início modesto não indicava o complexo que ele viria a liderar décadas depois. O ponto de virada em sua trajetória foi a percepção de que “sozinho se vai rápido, mas acompanhado se vai longe”. Ele entendeu que a sociedade na avicultura era fundamental para multiplicar seus resultados.

Expansão e investimento em parcerias

Ao longo de 30 anos, Fávaro buscou parceiros e familiares para investir em novos projetos, transitando da engorda comum para o desafiador segmento de matrizes. Atualmente, ele participa de 21 granjas, um número que só foi possível graças a uma base sólida de confiança e ao sistema de integração com a indústria, que proporcionou tecnologia e segurança em cada novo passo.

Operar no segmento de matrizes envolve um alto nível de exigência, já que são produzidos os ovos que darão origem a milhares de frangos de corte. Fávaro destaca que a gestão das unidades requer um olhar clínico: a coleta correta, a higiene rigorosa e o controle total do ambiente definem o lucro ou o prejuízo.

“O resultado depende da soma entre tecnologia e a dedicação da equipe que está lá dentro”, informa o produtor.

Modelo de gestão e sucessão familiar

No modelo societário que adotou, a engrenagem funciona com uma clara divisão de responsabilidades. Fávaro valoriza cada funcionário e sócio, considerando a sanidade do lote uma meta coletiva.

Ele tem investido constantemente em automação para manter a competitividade, sem abrir mão da presença humana para garantir o padrão de excelência das matrizes. Essa estrutura permitiu um crescimento sustentável, mantendo a essência do cuidado artesanal com a produção.

Um dos maiores orgulhos de Osvaldo Fávaro não está nos números de aves, mas na mesa de jantar. Ver seus filhos crescendo na atividade e assumindo a linha de frente da operação é prova de uma sucessão bem-sucedida.

A transição ocorreu de forma natural, com os filhos trazendo inovação e novas ferramentas de gestão, enquanto Osvaldo atua como mentor estratégico, compartilhando sua experiência.

Conselhos para novos investidores

Para a família Fávaro, o campo é um espaço de aprendizado contínuo. Mesmo após 30 anos, Osvaldo mantém a humildade de quem reconhece que a avicultura está em constante mudança.

Seu conselho para os interessados em investir é claro: exige planejamento, seriedade e, acima de tudo, vontade de aprender. O legado que ele deixa é evidente: com as parcerias certas e a família unida, o crescimento não tem limites.

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

Com informações de: interligados.canalrural.com.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.

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Vamos abre vagas em áreas comercial e técnica; veja como se candidatar


Foto: Divulgação/Vamos.
Foto: Divulgação/Vamos.

A Vamos, empresa de locação de veículos e revendedora de caminhões seminovos, anunciou a abertura de vagas de emprego em diferentes regiões do país. As oportunidades contemplam áreas comerciais, técnicas e operacionais.

As inscrições devem ser feitas pela internet, por meio do portal de carreiras da empresa. Os prazos variam conforme a vaga.

Áreas com oportunidades

As vagas estão distribuídas em funções ligadas à área comercial, como vendedores e gerentes de vendas, e também em cargos técnicos e operacionais, como mecânicos, consultores e motoristas.

Entre os estados com oportunidades estão São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Tocantins, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Piauí e Rio de Janeiro.

A empresa informa que mantém programas de capacitação e desenvolvimento profissional. Também oferece benefícios aos colaboradores, como apoio nas áreas psicológica, social, jurídica e financeira, além de iniciativas voltadas à educação e ao bem-estar.

Confira as vagas:

Área Comercial 

• Vendedor – Caçapava (SP) 
• Vendedor – Araguaína (TO) 
• Vendedor – Caxias do Sul (RS) 
• Vendedor Interno (Segmento Automotivo/Pesado) – Guarulhos (SP) 
• Gerente de Vendas – Chapecó (SC) 
• Gerente de Vendas – Parauapebas (PA) 

Área Técnica e Operacional 

• Mecânico – Varginha (MG) 
• Mecânico – Teresina (PI) 
• Mecânico B – Extrema (MG) 
• Mecânico C – Lucas do Rio Verde (MT) 
• Mecânico B – Osasco (SP) 
• Consultor Técnico Automotivo | Linha Pesada – Mogi das Cruzes (SP) 
• Motorista Manobrista – Sinop (MT) 
• Agente de Serviços – Angra dos Reis (RJ) 

Como se candidatar?

Os interessados devem acessar o site oficial de carreiras da empresa para consultar os requisitos e realizar a inscrição (clique aqui).

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Ormuz sitiado: o bloqueio que ameaça o mundo


Ilustração gerada por IA para o Canal Rural

O cenário global mudou drasticamente. O presidente Donald Trump escalou o conflito com o Irã ao ordenar que a Marinha dos EUA estabeleça um bloqueio total no Estreito de Ormuz, transformando a rota energética do planeta em uma zona de exclusão militar sob supervisão americana.

A explosão do frete e do seguro

Além do preço do barril, o bloqueio dispara um gatilho inflacionário perverso: o custo logístico. Com a região declarada zona de guerra, as seguradoras elevaram os prêmios para patamares proibitivos.

Navegar por rotas instáveis agora exige “taxas de risco” altíssimas. Esse aumento no frete marítimo e no seguro das cargas encarece cada produto transportado via oceano, gerando uma inflação que o mundo inteiro será forçado a importar.

O colapso da dívida global

Este choque ocorre em um momento de fragilidade extrema: o mundo carrega um endividamento de 360 trilhões de dólares. A inflação forçará a manutenção de taxas de juros altas por mais tempo, tornando o custo do dinheiro insuportável.

Para empresas alavancadas, esse cenário é inadministrável. Sem condições de rolar dívidas ou pagar juros elevados, o mundo deve enfrentar uma onda de falências e recuperações judiciais, atingindo setores que já operam no limite financeiro.

Desespero Político e Risco de Impeachment

Nos bastidores, a medida é vista como um lance arriscado de um governo sob pressão. Com baixa aceitação popular, Trump enfrenta o temor de uma derrota esmagadora nas eleições de meio de mandato.

Uma vitória democrata na Câmara tornaria o impeachment uma ameaça real. Para muitos, o bloqueio é uma tentativa de desviar o foco da crise interna, embora a alta dos combustíveis possa acelerar justamente a rejeição que ele tenta evitar.

O dilema das Forças Armadas

Há um crescente desconforto no Pentágono sobre a legalidade das ordens. A promessa de Trump de ações extremas acendeu alertas sobre crimes de guerra.

Existe a possibilidade real de as Forças Armadas oferecerem resistência interna caso as ordens violem o direito internacional ou caracterizem ataques desproporcionais contra civis e infra estruturas históricas.

Alerta para o Brasil

Para o produtor brasileiro, o impacto atinge o coração da produção: os fertilizantes e o diesel. A disparada do petróleo encarece a fabricação desses insumos, elevando o custo por hectare a níveis que podem inviabilizar o lucro dos grãos e carnes.

Na ponta final, o brasileiro sentirá o golpe no supermercado caso isso aconteça. O diesel caro e o frete elevado encarecem do arroz e feijão às carnes. O bloqueio em Ormuz tornou-se, assim, uma ameaça direta ao poder de compra e à segurança alimentar no Brasil.

Finalizando, este cenário demonstra o perigo de quando a vaidade política e a visão de curto prazo se sobrepõem à estabilidade de toda uma engrenagem global.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Prêmio Brasil Artesanal 2026: inscrições para categoria azeite vão até o fim do mês; saiba mais


Azeite
Foto: Pixabay,

As inscrições para o Prêmio Brasil Artesanal (PBA) 2026, na categoria azeite de oliva, seguem abertas até 30 de abril. A iniciativa é promovida pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

O concurso é voltado a produtores que desejam inscrever azeites nas categorias blend e monovarietal. Cada participante pode cadastrar um produto por categoria.

Após a inscrição, os produtores devem enviar as amostras até 15 de maio. O processo inclui avaliação por júri técnico, análise da história do produto, júri popular e etapa final de premiação.

Objetivo da premiação

Segundo a assessora técnica da CNA e organizadora do concurso, Fernanda Silva, a iniciativa visa ampliar o alcance dos produtos nacionais. “É um momento de reconhecer o trabalho desenvolvido no campo e ampliar as possibilidades de participação e venda em novos mercados”, afirmou.

O prêmio conta com a participação de instituições de pesquisa e apoio ao setor. Entre elas estão a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae Nacional).

As inscrições devem ser feitas pela internet, no site da CNA (clique aqui).

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Frente fria avança, derruba temperaturas e causa chuva forte nos próximos dias


O avanço da frente fria provoca o aumento das chuvas em várias regiões do Brasil a partir deste domingo (13). As instabilidades voltam a ganhar força no Sul, com previsão de chuva mais intensa, além de volumes elevados também no litoral da Bahia e em áreas do Centro-Oeste, especialmente em Mato Grosso.

Até a próxima quarta-feira (15), os maiores acumulados de chuva devem se concentrar na região Norte e em parte do Nordeste, com destaque para Maranhão, Piauí e Ceará. Na sequência, entre os dias 16 e 20 de abril, as instabilidades se intensificam e avançam para o Centro-Oeste, atingindo principalmente Mato Grosso, além de reforçarem os volumes entre o norte do Nordeste e o Pará.

Já entre 21 e 25 de abril, a chuva ganha força no Centro-Oeste, com destaque para Goiás, e volta a avançar também sobre áreas do Sudeste e do Sul. Nesse período, os acumulados tendem a ser mais expressivos nessas regiões, indicando um novo episódio de instabilidade mais ampla.

Temperaturas sobem , mas nova queda vem aí

Apesar do frio dos últimos dias, as temperaturas voltam a subir nos próximos dias no Sul. No entanto, uma nova queda é esperada no fim de abril e início de maio, com mínimas que podem ficar próximas dos 8 °C em áreas de maior altitude.

A combinação entre o avanço da frente fria e a atuação de sistemas tropicais mantém o padrão de chuva frequente no país, com períodos de maior intensidade intercalados ao longo das próximas semanas.

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Do campo à Lua: a nova fronteira da energia


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Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Recentemente, acompanhei com entusiasmo a estreia dos meus amigos jornalistas do Canal Rural, João Nogueira e Beatriz Gunther, no comando do podcast Radar Rural, no YouTube. Em um episódio instigante, eles abordaram justamente a relação entre a tecnologia do campo e as viagens espaciais, mostrando que a inovação necessária para alimentar o mundo é, em muitos aspectos, a mesma que nos permitirá explorar o universo.

Essa discussão não poderia ser mais atual após o retorno histórico da missão Artemis 2. No último dia 10 de abril, os quatro astronautas retornaram à Terra após uma jornada épica ao redor da Lua. O sucesso dessa missão valida os sistemas que permitirão, em breve, que o homem volte a pisar no solo lunar para estabelecer uma presença permanente, algo que depende diretamente da capacidade de “colher” recursos no espaço, assim como fazemos na agricultura.

O “Ouro Gelado” das Crateras Lunares

O plano para essa sobrevivência sustentável depende de um recurso vital: o gelo. Escondido em crateras nos polos lunares, esse gelo é a peça central da logística espacial. Em vez de carregar tudo da Terra, a estratégia da NASA é fabricar combustível e oxigênio lá mesmo, utilizando os princípios de eficiência que o João e a Beatriz tanto destacam para o nosso agronegócio.

A química do combustível espacial

O processo, conhecido como Utilização de Recursos In Situ (ISRU), transforma a Lua em uma plataforma autossustentável. Através de energia limpa, a água do gelo (H₂O) passa pela eletrólise.

  • A Separação: A eletricidade quebra a molécula em hidrogênio (H₂) e oxigênio (O₂).
  • Uso: Enquanto o oxigênio sustenta a vida, a combinação com o CO₂ pode gerar propelentes. É a “safra de energia” lunar garantindo a autonomia das naves.

Como bem pontuado no Radar Rural, a gestão inteligente de recursos é o que define o futuro. O sucesso da Artemis 2 prova que estamos prontos para o próximo passo: transformar o gelo lunar no motor da nossa expansão. Seja no solo fértil do Brasil ou na poeira da lua, a tecnologia e o espírito de inovação são o que nos levam mais longe.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Trump faz novas ameaças após fracasso nas negociações entre EUA e Irã


Donald Trump
Foto: White House

Após o fracasso nas negociações entre Estados Unidos e Irã, o presidente Donald Trump voltou a adotar um tom mais agressivo e anunciou novas medidas de pressão contra Teerã. Em publicação na rede Truth Social neste domingo (12), o republicano afirmou que a Marinha americana iniciará um bloqueio total no Estreito de Ormuz.

A decisão ocorre após o impasse nas tratativas sobre o programa nuclear iraniano, realizadas em Islamabad, no Paquistão. Segundo Trump, apesar de avanços em outros pontos, a falta de acordo sobre a questão nuclear inviabilizou o pacto. “O único ponto que realmente importava, o nuclear, não foi acordado”, escreveu.

Em tom de ameaça direta, o presidente afirmou que a paciência dos Estados Unidos com o Irã “se esgotou” e disse que qualquer ataque contra forças americanas ou embarcações civis será respondido com força máxima.

Pedágio ilegal

Trump também autorizou a interceptação de navios, inclusive em águas internacionais, que tenham pago taxas ao governo iraniano para transitar pela região. De acordo com ele, embarcações que contribuam com o que classificou como “pedágios ilegais” não terão passagem segura.

O bloqueio, segundo o republicano, poderá contar com apoio de outros países. Ele ainda declarou que as forças militares iranianas estariam enfraquecidas, citando danos à Marinha, à Força Aérea e aos sistemas de defesa do país.

O vice-presidente JD Vance, que liderou a delegação americana nas negociações, afirmou que o Irã rejeitou os termos propostos por Washington, especialmente a exigência de garantias de que não desenvolverá armas nucleares no longo prazo.

Do lado iraniano, o presidente do parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, criticou as condições impostas pelos Estados Unidos, classificando-as como “não razoáveis” e acusando Washington de violar acordos anteriores de cessar-fogo.

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Enzima produzida com resíduos agrícolas pode reduzir químicos na indústria de celulose


cana-de-açúcar
Foto: Pixabay

Um trio de pesquisadoras da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) desenvolveu um modo de obter uma enzima, a partir de um fungo cultivado em resíduos agrícolas, que promove o branqueamento da polpa da celulose, processo importante na produção de papel.

O branqueamento da polpa de celulose normalmente utiliza reagentes oxidantes à base de cloro, como o dióxido de cloro. Esses produtos químicos são altamente tóxicos e podem contaminar efluentes e até a atmosfera, liberando gases nocivos à saúde humana.

Entre as vantagens da nova tecnologia, além da produção a partir de resíduos agrícolas, está o fato de que a proteína obtida apresenta estabilidade térmica superior à de muitas enzimas fúngicas descritas na literatura científica, o que amplia suas possibilidades de aplicação na indústria.

“Esta é uma alternativa mais sustentável para a indústria papeleira, que reduz o uso de químicos tóxicos e cujos resultados têm bom potencial de aplicação. Como o Brasil ocupa posição de destaque na produção mundial de celulose de eucalipto, o desenvolvimento de tecnologias de branqueamento mais limpas é especialmente estratégico para o país”, conta Diandra de Andrades, primeira autora do estudo, realizado como parte de pós-doutorado na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, com bolsa da Fapesp.

O trabalho integra as atividades do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (INCT Bioetanol) e está relacionado a dois projetos apoiados pela Fapesp, ambos coordenados por Maria de Lourdes Teixeira de Moraes Polizeli, professora da FFCLRP-USP, que também assina o artigo.

A enzima obtida foi a xilanase, que degrada a xilana, uma hemicelulose presente na parede celular de plantas, como o eucalipto, e pode ser usada na produção de papel e celulose. A xilanase facilita a remoção de frações de xilana associadas à lignina residual na polpa após o cozimento da madeira na indústria, contribuindo para o aumento da alvura e para maior eficiência das etapas subsequentes de branqueamento da celulose.

A xilanase foi extraída do Aspergillus caespitosus, um fungo de solo descrito em 1944 nos Estados Unidos e isolado na USP, em 2001, a partir de amostras coletadas no campus de Ribeirão Preto.

As pesquisadoras cultivaram o fungo em dois resíduos agrícolas, bagaço de cana-de-açúcar e farelo de trigo, por meio do método de fermentação em estado sólido. Ambos os substratos se mostraram bastante vantajosos por causa do baixo custo, da facilidade de crescimento fúngico e da alta produção de xilanase.

O aproveitamento de bagaço de cana e farelo de trigo insere o processo no conceito de bioeconomia circular, agregando valor a resíduos agroindustriais abundantes no Brasil.

“O bagaço de cana se tornou mais eficiente quando fizemos um pré-tratamento com hidróxido de sódio [soda cáustica], que separa a celulose da hemicelulose e da lignina, facilitando a penetração do fungo nas fibras. O farelo de trigo, por sua vez, não demandou pré-tratamento por ter boa disponibilidade de carbono, a principal fonte de energia do fungo”, explica Polizeli.

A pesquisadora ressalta, no entanto, que um fator importante a ser levado em conta na escolha do substrato é a disponibilidade local, uma vez que esta pode implicar aumento de custo. Em regiões com alta produção de açúcar e etanol, como o interior do Estado de São Paulo, o bagaço da cana seria o substrato mais indicado, mesmo considerando a necessidade de pré-tratamento. Em regiões produtoras de trigo, como o Estado do Rio Grande do Sul, o farelo de trigo seria mais indicado.

Processo

O branqueamento da polpa não pode ser realizado por completo com enzimas fúngicas porque requer altas temperaturas, que as enzimas não suportam. No entanto, ao longo dos anos, o grupo liderado por Polizeli demonstrou que a enzima do Aspergillus caespitosus tolera temperaturas em torno de 60 °C, quando muitos fungos não vão muito além de 40 °C.

“À medida que avança o processo de branqueamento na fábrica, as temperaturas vão sendo reduzidas. Com isso, nossa enzima pode ser utilizada nas últimas etapas do processo, em que a temperatura é próxima de 60 °C, atuando como um passo complementar ao branqueamento químico convencional e reduzindo a necessidade de dióxido de cloro e, consequentemente, a carga química do processo”, conta Polizeli.

Agora, o grupo busca formas de imobilizar a enzima em algum suporte químico, para que ela possa ser reutilizada mais vezes e até mesmo suportar temperaturas mais altas.

Uma aposta promissora são as nanopartículas magnéticas combinadas à nanocelulose, que poderiam servir, inclusive, para enzimas utilizadas em outras indústrias, como na produção de bioetanol. Os resultados reforçam o potencial da biodiversidade brasileira como fonte de biotecnologias sustentáveis com aplicação industrial.

 

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Técnica com IA avalia a qualidade da carne em tempo real


pedaços de carne bovina
Foto: RastreIA

Uma nova técnica utilizando inteligência artificial (IA) se mostrou capaz de analisar imagens em tempo real para identificar o frescor da carne, otimizando o controle de qualidade do produto.

A pesquisa, desenvolvida no RastreIA – projeto sediado no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) USP – apresenta uma abordagem inovadora baseada em visão computacional, com potencial para impactar diretamente a indústria de alimentos e a segurança alimentar do consumidor.

Robson Campos, doutorando no Cena e integrante do RastreIA, explica que a avaliação da qualidade da carne ainda depende, em grande parte, de análises laboratoriais – que podem ser demoradas, custosas e, muitas vezes, destrutivas, por exigirem a coleta e o preparo de amostras.

Além disso, esses métodos nem sempre são viáveis para aplicações em larga escala ou em tempo real.

De acordo com o pesquisador, que é um dos autores do estudo, a comprovação do frescor também tem sido majoritariamente baseada em verificações visuais humanas, o que pode gerar falhas, levando tanto ao desperdício (ao indicar que a carne está estragada quando não está), quanto a riscos à segurança alimentar (quando não identifica que existe um problema).

Dessa forma, os modelos de visão computacional, com o uso de imagens digitais, surgem como uma alternativa não destrutiva, capaz de captar com eficiência características visuais associadas ao processo de deterioração do alimento. Os modelos de IA usados para análise reconhecem padrões visuais imperceptíveis a olho nu.

“A inteligência artificial pode contribuir enormemente para a ciência dos alimentos, à medida que uma máquina com uma boa IA integrada pode verificar peça por peça em uma linha de corte de carne com precisão de quase 100%, pelo menos em relação ao frescor, agilizando a verificação, aumentando a segurança e reduzindo custos”, afirma Campos.

Controle de qualidade

O Brasil assumiu, em 2025, a liderança mundial na produção de carne bovina, ao registrar cerca de 12,4 milhões de toneladas, superando Estados Unidos e China, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Ao mesmo tempo, uma pesquisa realizada em 2026 pelo Instituto QualiBest indica que os consumidores demonstram crescente preocupação com a sustentabilidade, a origem e a qualidade dessa produção. Armazenamento e manuseio inadequados são fatores que impactam diretamente o odor, a cor e a textura da carne.

Ao aproveitar modelos pré-treinados e métodos otimizados de extração de características, o sistema desenvolvido no RastreIA reduz a necessidade de grandes volumes de dados e de longos processos de treinamento.

Isso facilita sua implementação em ambientes industriais, como frigoríficos. Outro ponto relevante é que a análise é completamente não destrutiva, pois o método não exige contato físico com a amostra nem a utilização de reagentes químicos.

Método

Um artigo que descreve o treinamento de modelos de inteligência artificial (IA) para classificar o frescor da carne com base em dados de imagem foi publicado na Food Chemistry, importante revista científica internacional da área.

O método proposto combina redes neurais convolucionais profundas (DCNNs), amplamente utilizadas em reconhecimento de imagens, com a ferramenta Radam (Random Encoding of Aggregated Deep Activation Maps – Codificação Aleatória de Mapas Agregados de Ativação Profunda), responsável por extrair e organizar características relevantes dessas imagens.

Desenvolvida por pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP, a Radam é capaz de reconhecer padrões complexos de textura em imagens.

Diferente de modelos tradicionais, ela aproveita o conhecimento de outras IAs já treinadas e o adapta para tarefas específicas, exigindo menos dados e menor poder computacional.

Além disso, a tecnologia já alcançou resultados de ponta em nível mundial e pode-se aplicar em diferentes áreas, como medicina, indústria, meio ambiente e na identificação de materiais.

No estudo atual, algoritmos de aprendizado de máquina, que classificam a carne em diferentes estágios de frescor, processaram as informações de textura da carne e de suas assinaturas bioquímicas.

Nesse sentido, a equipe testou o sistema em conjuntos de dados contendo imagens de carne bovina, previamente categorizadas. A abordagem alcançou níveis de precisão entre 93% e 100%, dependendo da configuração utilizada, indicando alta confiabilidade na classificação.

Integração com técnicas tradicionais

Ainda que os níveis de precisão sejam satisfatórios, os pesquisadores alertam que, na avaliação, basearam-se apenas em características visuais externas da carne, que podem não capturar todos os aspectos relacionados ao frescor, como alterações microbiológicas ou químicas internas.

Além disso, fatores como iluminação, posicionamento da câmera e composição da amostra podem influenciar o desempenho dos modelos.

Outro desafio apontado é a variabilidade natural do alimento. Elementos como o teor de gordura, por exemplo, podem alterar a aparência da carne e impactar a precisão das classificações, sendo um aspecto ainda a ser explorado em estudos futuros, na avaliação dos cientistas.

Para eles, a visão computacional não se destina a substituir completamente os métodos analíticos convencionais; sua integração com técnicas tradicionais e avançadas mais recentes, por meio da fusão de dados, oferece uma abordagem complementar e potencialmente mais robusta.

*Com informações do Jornal da USP

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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