sábado, março 28, 2026

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Trump corta tarifas, mas continua prejudicando o Brasil


Quando um país reduz tarifas de importação em meio a uma inflação teimosa, o gesto costuma ser interpretado como pragmatismo econômico. Nos Estados Unidos, porém, a decisão recente do governo Trump de cortar em 10 pontos percentuais as tarifas de uma série de produtos alimentícios e commodities agropecuárias virou um ato político, ainda que disfarçado de alívio ao consumidor.

O objetivo declarado é reduzir a pressão de preços sobre a cesta americana, que ameaça ainda mais a baixa  popularidade do presidente. Só que, na lista de beneficiados, um detalhe salta aos olhos: o Brasil ficou prejudicado. Seguimos com tarifas de 40% mais as adicionais já existentes, exceto em um único produto, suco de laranja, que teve a alíquota zerada. É pouco. E é seletivo.

A mensagem implícita dessa escolha é ruidosa demais para passar despercebida. Se o corte busca diversificar fornecedores, estimular concorrência e baratear alimentos no mercado americano, excluir justamente um dos maiores exportadores agrícolas do mundo não faz nenhum sentido econômico. Faz, sim, sentido ideológico.

O Brasil segue pagando um preço que não está relacionado à qualidade ou à competitividade dos seus produtos. A punição é política, consequência de divergências acumuladas e de uma visão distorcida, em Washington, sobre o papel geopolítico brasileiro. Para nossos concorrentes diretos, a redução das tarifas é um presente imediato: ganham acesso mais barato ao maior mercado consumidor do mundo. Para nós, fica o recado de que afinidade diplomática pesa mais que eficiência comercial.

É preciso nomear o que está acontecendo: trata-se de uma medida que distorce o jogo. Em vez de neutralidade tarifária, vemos favoritismo. Em vez de pragmatismo, ressentimento estratégico. Os EUA continuam usando sua política comercial como extensão de sua política externa, algo que o Brasil conhece bem, mas que não deveria aceitar sem resposta.

Num momento em que cadeias globais buscam segurança e previsibilidade, ver a maior potência do mundo usar tarifas como instrumento ideológico enfraquece todo o sistema. Ao final, o consumidor americano não ganha eficiência real, só troca um fornecedor competitivo por outro menos competitivo, mas politicamente conveniente.

O Brasil precisa reagir, mas de forma inteligente. Não se trata de inflamar discursos, e sim de deixar claro aos americanos e ao mundo que decisões como essa têm custo reputacional e econômico. Nossa competitividade no agro não depende do humor da Casa Branca, mas o acesso ao mercado deles, sim, e essa relação precisa ser tratada com transparência e respeito.

Se a intenção de Washington é conter a inflação, ótimo. Mas se a estratégia é punir o Brasil enquanto beneficia nossos concorrentes, aí estamos diante de algo maior: um jogo de poder mal disfarçado. E cabe a nós expor isso, com clareza, para que o debate internacional deixe de ser guiado por conveniências políticas e volte a ser orientado por fatos, mérito e equidade.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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BSCA critica decisão dos EUA e cobra avanço rápido para salvar exportações de café



A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) manifestou preocupação após a nova ordem executiva assinada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na última sexta-feira (14). A medida, que ajusta o “âmbito de aplicação da tarifa recíproca” sobre produtos agrícolas, não eliminou integralmente o tarifaço de 50% aplicado aos cafés brasileiros, especialmente aos cafés especiais exportados para o mercado norte-americano.

A decisão da Casa Branca retirou apenas a taxa recíproca de 10% sobre a importação do café nacional, mas manteve os 40% adicionais incluídos em agosto, que continuam pressionando o comércio entre os dois países. Para a BSCA, a permanência dessa tarifa elevada aumenta distorções, reduz competitividade e aprofunda os prejuízos aos produtores brasileiros.

Os impactos já aparecem nos números. De agosto a outubro, período em que o tarifaço esteve em vigor, as exportações de cafés especiais para os EUA caíram cerca de 55%. Os embarques passaram de 412 mil sacas de 60 kg no ano passado para apenas 190 mil sacas neste ano. Os Estados Unidos são o principal destino desse tipo de café produzido no Brasil, o que acende um alerta para todo o setor.

Diante desse cenário, a BSCA reforça a necessidade de acelerar as negociações bilaterais entre Brasil e EUA para corrigir as distorções comerciais e restabelecer o fluxo normal das exportações “o mais rápido possível”. A entidade ressalta que o tema exige urgência, já que o prolongamento das tarifas tende a comprometer ainda mais a participação do café brasileiro — especialmente o de alta qualidade — no mercado norte-americano.



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retirada de tarifa de 10% amplia urgência para eliminar sobretaxa de 40% ao Brasil



A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que a retirada pelos Estados Unidos da tarifa recíproca de 10% para uma ampla lista de produtos agrícolas a todos os países expõe a urgência de o Brasil avançar nas negociações para eliminar a sobretaxa de 40% aplicada exclusivamente aos exportadores brasileiros.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, calcula que o ajuste na política de tarifas norte-americanas oficializada em decreto nesta sexta-feira (14) melhora a posição de competidores internacionais, enquanto setores tradicionais do Brasil seguem enfrentando barreiras elevadas.

“Países que não enfrentam essa sobretaxa terão mais vantagens que o Brasil para vender aos americanos. É muito importante negociar o quanto antes um acordo para que o produto brasileiro volte a competir em condições melhores no principal destino das exportações industriais brasileiras”, diz Alban.

Segundo análise preliminar divulgada pela entidade, a decisão do governo dos EUA de zerar a tarifa global de 10% atinge 238 produtos agrícolas e beneficia diretamente 80 itens efetivamente exportados pelo Brasil. Em 2024, esses produtos somaram US$ 4,6 bilhões em vendas aos americanos, cerca de 11% do total exportado. No entanto, apenas três tipos de suco de laranja e a castanha-do-pará ficam completamente isentos de taxação. Os demais continuam sujeitos à cobrança dos 40%.

A CNI destaca que produtos de forte peso na pauta comercial, como café não torrado, carne bovina e cera de carnaúba, tiveram redução parcial da carga total, mas seguem submetidos à alíquota extra. “Os outros 76 produtos permanecem com os 40% específicos ao Brasil”, aponta o levantamento. Isso significa que, apesar do alívio na tarifa recíproca global, a competitividade brasileira em segmentos estratégicos continua limitada.

A decisão americana ocorre em um contexto de forte pressão doméstica sobre o governo Trump para reduzir o custo de vida nos EUA. O decreto publicado pela Casa Branca, com efeito retroativo a 13 de novembro, zera tarifas sobre carne bovina, banana, café, tomate, frutas tropicais e outros itens agrícolas, devido ao caráter global da medida.

O governo brasileiro tem buscado reverter a sobretaxa de 40% por meio de negociações diplomáticas bilaterais. Na quinta-feira, 13, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reuniu-se em Washington com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, para tratar do tema.

Vieira afirmou que “Marco Rubio e os EUA demonstraram interesse em boa relação com o Brasil”, e que aguarda uma resposta oficial a uma proposta brasileira que prevê uma pausa temporária nas tarifas enquanto se inicia uma discussão setorial.

No entendimento da CNI, a dificuldade de acesso competitivo ao mercado americano cresce na medida em que concorrentes passam a operar sob tarifas reduzidas ou zeradas. O Brasil é o principal fornecedor de café arábica aos Estados Unidos, por exemplo, mas vê seu produto enfrentar restrições maiores que as aplicadas a concorrentes como Vietnã e Colômbia.

Nos cortes de carne bovina, cenário semelhante se repete. “As condições podem melhorar para competidores internacionais enquanto o Brasil continua penalizado”, afirma a entidade em sua nota.



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Viu esta? Melhor trator de 2026 é eleito na Alemanha; conheça o modelo



O auditório estava cheio de alemães, mas pareciam brasileiros comemorando gol do time do coração a cada anúncio dos vencedores das seis categorias do prêmio Tractor of the Year 2026 (Trator do Ano), realizado no domingo passado (9) na maior feira de máquinas agrícolas do mundo, a Agritechnica, em Hannover. Essa foi uma das reportagens mais lidas da última semana.

Além de reconhecer os melhores modelos, a cerimônia de abertura serviu como uma homenagem ao veículo mais versátil do campo. “Excelência é um caminho, não apenas o destino. Tratores representam este ideal”, disse o diretor administrativo da BK Tires, Rajiv Poddar.

Já o diretor administrativo da DLG Markets, Tobias Eichberg, relembrou, bem humorado, um episódio da infância: a primeira vez em que pilotou um trator na vida. Percorreu 50 metros e acidentalmente passou por cima de parte da lavoura de batata da família. “Viraram purê”, disse, aos risos.

Melhor do ano

O trator campeão desta edição representou um significativo salto tecnológico em relação à versão anterior, criticada por conta da falta de conforto na cabine. O Claas Axion 9.450 Terra Trac, à venda por 614 mil euros (R$ 3.789 milhões), ainda sem previsão de chegar ao Brasil, trocou cerca de 60% das peças do seu antecessor, o Axion 900.

A transmissão por engrenagens cônicas, a relação de transmissão e o sistema de lubrificação automática são as novidades no eixo dianteiro. O veículo, top de linha da Class, tem potência máxima de 448 cavalos, torque de até 1.850 Nm e capacidade de tanque de combustível de 860 litros. O intervalo de manutenção passou para 750 horas, significativamente mais longo do que a antiga versão, de 600 horas.

Para este veículo também foi desenvolvido um novo sistema adaptativo de gestão da transmissão que otimiza a rotação do motor com base em algoritmos de autoaprendizagem e mapas de eficiência. A distância entre eixos do Class Axion 9.450 Terra Trac é de 2,95 m e o peso em vazio varia entre 17 e 18 toneladas.

Além disso, o trem de rolamento Terra-Trac conta com roletes com mola para prolongar a vida útil das rodas e esteiras. De acordo com a Class, os roletes centrais passam a ter flanges, permitindo uma remoção mais rápida. O que não mudou é a velocidade máxima do veículo: permanece em 40 km/h.

Apesar de todas as novidades, o produtor rural alemão se mantém pragmático, à imagem do brasileiro. “Se o trator é bom hoje, também será daqui três ou cinco anos. Não tenho pressa de comprar nada”, disse o agricultor Andrea Lange, que cultiva trigo e milho em Frankfurt.

Outras categorias

O Tractor of the Year 2026 também elegeu os melhores tratores em cinco outras diferentes categorias. Veja os vencedores:

  • Trator autônomo: JCB Fartrac 6300
  • Trator especializado: New Holland T4.120 F Auto Command
  • Trator utilitário: Valtra G125 CVT Active
  • Trator médio: Fendt 516 Vario

*O jornalista viajou à Alemanha a convite da organização da Agritechnica 2025



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Setor prevê avanço na produção de uva



“Acredito que o setor irá se organizar para elaborar maior quantidade de vinhos”


"Acredito que o setor irá se organizar para elaborar maior quantidade de vinhos"
“Acredito que o setor irá se organizar para elaborar maior quantidade de vinhos” – Foto: Divulgação

A próxima safra de uva no Rio Grande do Sul avança com expectativa favorável, impulsionada pelo bom desenvolvimento das videiras e pela previsão de alta produtividade para 2025/26. Após as perdas recentes do setor, técnicos e instituições indicam um quadro de recuperação, apoiado por condições climáticas consideradas adequadas ao longo do último inverno.

O Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado projeta incremento em torno de 50 milhões de quilos na colheita em relação ao ciclo anterior. A estimativa preliminar do setor aponta que 2024/25 tenha alcançado cerca de 750 milhões de quilos, enquanto 2026 pode chegar a aproximadamente 800 milhões de quilos. Há expectativa de maior elaboração de vinhos leves, brancos e jovens, tendência associada ao comportamento de novos consumidores, segundo avaliação repassada pelo instituto.

“Em termos de planejamento, acredito que o setor irá se organizar para elaborar maior quantidade de vinhos, especialmente os mais leves, brancos e jovens, os quais se mostram como uma tendência para os novos consumidores”, destaca o presidente do Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS), Luciano Rebellato.

A Embrapa Uva e Vinho atribui o cenário positivo ao inverno rigoroso, que registrou 395 horas de frio, volume considerado ideal para garantir brotação uniforme e gemas férteis. Com a primavera, as plantas exibem boa fertilidade e formação expressiva de cachos. A previsão de menor volume de chuva entre dezembro e janeiro também favorece o avanço das lavouras, já que a fase exige tempo mais seco. O ponto de atenção é a oscilação térmica provocada pelo La Niña, que pode reduzir o número de bagas por cacho.

 





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Genética acelera retomada da ovinocultura e reposiciona o RS no cenário nacional



A ovinocultura, uma tradição histórica no Rio Grande do Sul, volta a ganhar força após décadas de retração. O estado, que já liderou nacionalmente a criação de ovinos até a crise da lã nos anos 1980, agora desponta em uma retomada impulsionada pelo investimento consistente em genética. A estratégia vem elevando a qualidade dos rebanhos, fortalecendo as raças voltadas para carne, lã e até produção de leite.

Uma trajetória de 25 anos na seleção genética

Em Candiota, na Campanha Gaúcha, uma propriedade completa 25 anos dedicados à criação da raça Texel. A família, que migrou da Serra Gaúcha para a pecuária, encontrou no rebanho um novo caminho produtivo. Desde 2000, o foco tem sido investir no que há de mais avançado em genética, adquirindo animais de cabanhas tradicionais e referência na ovinocultura nacional.

O resultado aparece a campo, pois a cabanha acumula 15 títulos e já comercializou reprodutores valorizados em quase R$ 100 mil nos leilões mais seletos do país.

Rio Grande do Sul busca recuperar a liderança nacional

Com mais de 3 milhões de cabeças, o Rio Grande do Sul ocupa hoje a terceira posição no ranking brasileiro de ovinos, ficando atrás de Bahia e Pernambuco. Quase metade do rebanho gaúcho é destinada à produção de carne, segmento que cresce com demanda crescente e oferta qualificada.

A meta, porém, é ambiciosa: voltar a ser líder nacional como na década de 1970. A Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco) conduz ações focadas em assistência técnica, registro genealógico e modernização dos programas de melhoramento genético.

Segundo a entidade, os animais registrados contam com histórico completo e certificação que atestam o avanço fenotípico e genético. O próximo passo é ampliar programas de avaliação e seleção por mérito genético, reforçando a competitividade do rebanho brasileiro.

Lã, carne e leite ampliam oportunidades

O setor de lã vive nova fase com o crescimento da certificação e o olhar atento ao mercado chinês. Na carne, a estratégia é ampliar o consumo nacional mostrando o potencial e o sabor da proteína ovina.

Outro nicho em expansão é o de lácteos de ovelha. Em Bento Gonçalves, uma empresa pioneira trabalha há mais de duas décadas com produtos fabricados a partir do leite da raça Lacaune. Embora o mercado ainda seja pequeno no Brasil, o crescimento é constante. O principal desafio é o preço mais elevado quando comparado ao leite de vaca ou cabra, o que limita a expansão em ritmo mais acelerado.

Mesmo assim, o avanço demonstra que a diversificação dentro da ovinocultura abre caminhos para negócios especializados, produtos premium e maior valorização do produtor.



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Mercado de cannabis prevê alta de 11,2 em 2025



O projeto nasce com respaldo de uma associação autorizada judicialmente


O projeto nasce com respaldo de uma associação autorizada judicialmente
O projeto nasce com respaldo de uma associação autorizada judicialmente – Foto: Laiha

O mercado de cannabis no Brasil mantém trajetória de expansão e deve encerrar 2025 com novo avanço. Projeção do Anuário de Mercado: Growshops, Headshops e Marcas indica movimentação de R$ 967,18 milhões ao longo do ano, resultado 11,2 maior que o registrado em 2024. A estimativa foi apresentada durante evento realizado em São Paulo e confirma o ritmo acelerado da cadeia, que cresce acima da inflação e amplia sua participação na economia.

A ampliação desse ambiente abre espaço para iniciativas voltadas ao uso terapêutico da planta. Entre elas está uma plataforma que chega ao mercado reunindo ciência, tecnologia e impacto social em um mesmo ecossistema digital. A estrutura busca integrar pacientes e profissionais de saúde, oferecendo um modelo pensado para facilitar o acesso a consultas, produtos certificados e acompanhamento contínuo. 

O projeto nasce com respaldo de uma associação autorizada judicialmente, reconhecida nacionalmente pela qualidade de suas análises, que incluem verificação completa de composição e metais pesados, e pela atuação comunitária em defesa da regulamentação do cultivo que também contemple pequenos produtores. A entidade reúne cerca de 12 mil associados e se tornou referência no atendimento e na organização desse segmento.

A plataforma opera de forma híbrida, combinando consultas médicas e odontológicas com prescrição digital e oferta de produtos regularizados. Um ativo digital interno permite transações, incentiva o engajamento dos participantes e funciona como ferramenta de participação comunitária e governança. A proposta busca ampliar o acesso ao tratamento, estruturar mecanismos de participação e fortalecer a cadeia em um ano marcado pelo crescimento do mercado.

 





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Vacinação contra brucelose segue obrigatória em SP e exige atenção dos produtores



A vacinação contra brucelose está em andamento em todo o estado de São Paulo. Desde 1º de julho, fêmeas dos rebanhos bovino e bubalino de três a oito meses devem receber a imunização obrigatória até 31 de dezembro.

Por se tratar de uma vacina viva, a aplicação só pode ser realizada por médico-veterinário cadastrado, que além de garantir a correta execução do procedimento, também emite o atestado de vacinação no sistema oficial.

A Defesa Agropecuária disponibiliza a lista completa de profissionais habilitados em todos os municípios paulistas. A orientação é que o produtor programe a imunização com antecedência para garantir o cumprimento dos prazos sanitários.

Procedimentos e regras no sistema Gedave

Após a aplicação, o veterinário tem até quatro dias para registrar o atestado no sistema de Gestão de Defesa Animal e Vegetal (Gedave). Esse registro valida oficialmente a vacinação e integra o histórico sanitário de cada propriedade.

Quando há divergência entre o número de animais vacinados e o rebanho declarado no Gedave, o sistema gera automaticamente uma notificação enviada por e-mail ao produtor e ao veterinário responsável.

Nessas situações, o proprietário precisa regularizar os dados para que a declaração seja efetivada, evitando pendências que possam impedir movimentação ou emissão de documentos sanitários.

Identificação dos animais: nova regra substitui marca a fogo

São Paulo adotou o primeiro modelo alternativo de identificação do país, aprovado pelo Ministério da Agricultura, como alternativa à tradicional marcação a fogo. A medida reforça o bem-estar animal e aumenta a segurança tanto do produtor quanto do veterinário.

O sistema utiliza bottons coloridos:

  • Amarelo – identifica animais vacinados com a B19
  • Azul – identifica fêmeas imunizadas com a RB51

Anteriormente, a identificação era feita com numeração a fogo conforme o ano ou com marca em “V”. Se o botton for perdido ou danificado, o produtor deve solicitar uma nova aplicação ao veterinário ou à própria Defesa Agropecuária.

Caso o produtor não consiga adquirir novos bottons, a identificação deverá seguir as regras gerais do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose (PNCEBT).
A Defesa Agropecuária alerta ainda que o botton só é válido dentro do Estado de São Paulo e não autoriza o trânsito para outros estados, que podem exigir a marcação tradicional.

Atualização de rebanhos: obrigação anual segue até 15 de dezembro

Paralelamente, está em andamento a Campanha de Atualização de Rebanhos, iniciada em 1º de novembro. Após a retirada da vacinação contra a febre aftosa, a atualização cadastral tornou-se uma obrigação anual para todos os produtores paulistas.
A declaração, que deve ser feita até 15 de dezembro, inclui não apenas bovinos, mas também búfalos, equinos, suínos, caprinos, ovinos, aves, peixes, abelhas e até bicho-da-seda.

A falta de atualização pode resultar em bloqueio de movimentação, impedindo a emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA) e gerando sanções administrativas.
O processo pode ser realizado diretamente no sistema Gedave, em unidades físicas da Defesa Agropecuária ou por e-mail, utilizando o formulário oficial disponibilizado pelo órgão estadual.

Compromisso sanitário e impacto no campo

A campanha permanente de vacinação e a atualização obrigatória do rebanho reforçam o compromisso de São Paulo com a sanidade animal, fator decisivo para manter a competitividade do setor pecuário.

Com acesso rápido ao Gedave e apoio técnico de veterinários credenciados, o produtor rural tem as ferramentas necessárias para cumprir as exigências legais e garantir a saúde do seu rebanho.

A Defesa Agropecuária ressalta que seguir corretamente todas as etapas é fundamental para proteger animais, propriedades e toda a cadeia produtiva da carne e do leite.



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Autocontrole impulsiona inspeção oficial, aponta setor


A modernização da defesa agropecuária avança no país com a consolidação do modelo de autocontrole aplicado ao setor produtivo. A Frente Parlamentar da Agropecuária conduziu as negociações desde o início da tramitação, em alinhamento com o Ministério da Agricultura e com representantes do agro, a partir das primeiras minutas elaboradas ainda em 2020.

Na Câmara, o projeto recebeu relatórios que apontaram a necessidade de superar normas antigas e ampliar a eficiência da fiscalização, em um cenário de maior demanda e estrutura limitada do serviço público. A votação na Comissão de Constituição e Justiça assegurou apoio político e consolidou o texto encaminhado ao Senado.

“É um processo que, infelizmente, por falta de capital humano, o Estado não tem como manter sozinho. O agro cresceu, a demanda aumentou, e precisávamos de um modelo capaz de dar agilidade, segurança e previsibilidade à fiscalização”, explicou o deputado Pedro Lupion (PR), presidente da FPA.

No Senado, a relatoria manteve o foco na modernização do modelo de inspeção e rejeitou mudanças que poderiam fragilizar a proposta. Houve defesa de avanços na segurança jurídica e na capacidade técnica do serviço oficial. A condução do tema também contou com articulações do Ministério da Agricultura, que destacou o caráter coletivo da construção e o potencial de redução de entraves operacionais.

Em 2024, a derrubada de vetos restabeleceu a permissão para produção on farm de bioinsumos para uso próprio, retomando um dos pilares da legislação de autocontrole. A etapa final chegou com a Portaria 861, que regulamenta o credenciamento de empresas aptas a apoiar a inspeção ante mortem e post mortem no Serviço de Inspeção Federal. A norma define requisitos, responsabilidades, auditorias e punições, veda conflitos de interesse e mantém o auditor fiscal como autoridade plena nas plantas.

“Não existe privatização da fiscalização. O poder de polícia continua 100% com o Estado. O que muda é que as empresas passam a ter obrigações técnicas adicionais, enquanto o auditor fiscal agropecuário segue como autoridade responsável”, concluiu Lupion.

 





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Moscas afetam qualidade e produtividade do leite



“O controle ineficiente desses insetos resulta em aumento dos custos”


“O controle ineficiente desses insetos resulta em aumento dos custos"
“O controle ineficiente desses insetos resulta em aumento dos custos” – Foto: Divulgação

A presença de moscas domésticas nas propriedades leiteiras tornou-se um desafio crescente para a rotina de produção, com impactos diretos no desempenho dos rebanhos. Consultorias do setor alertam que o inseto, comum também em áreas urbanas, age como vetor de dezenas de patógenos capazes de afetar a saúde animal e a qualidade do leite.

A zootecnista Margareth Dellatorre aponta que o estresse provocado pela infestação reduz o consumo de alimento e interfere no tempo de descanso das vacas, fatores ligados à queda na produtividade. Há ainda risco de comprometimento da saúde do úbere, o que pode elevar a contagem de células somáticas e prejudicar a qualidade final do produto.

“O controle ineficiente desses insetos resulta em aumento dos custos da fazenda, seja pelo tratamento de doenças ou pela queda na produção leiteira”, alerta a zootecnista da Vetoquinol Saúde Animal.

Os prejuízos incluem maior incidência de enfermidades como mastite, diarreia, salmonelose, ceratoconjuntivite, verminoses, tuberculose e inflamações umbilicais. A especialista destaca, em seu contexto, que falhas no controle elevam custos com tratamentos e ampliam perdas produtivas.

Para melhorar o manejo, a orientação é adotar estratégias integradas, envolvendo cuidados com esterqueiras, silos e resíduos orgânicos, além do uso direcionado de inseticidas específicos. Nesse cenário, a Vetoquinol Saúde Animal oferece uma opção formulada com atrativo sexual e ingredientes voltados ao controle da mosca doméstica, aplicada em pontos de maior concentração do inseto. 

“O controle das moscas deve ser estratégico e eficiente, evitando desperdício com medicamentos inadequados. Um bom plano envolve o manejo correto de esterqueiras, silos, resíduos orgânicos e a aplicação direcionada de inseticidas específicos para moscas”, orienta Margareth.

 





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