O desempenho do agronegócio brasileiro no início de 2026 reforça a relevância do setor na balança comercial e aponta mudanças importantes na forma como a competitividade vem sendo construída. Os dados são analisados por Ricardo Leite, superintendente do Banco Safra.
No primeiro trimestre, o agro somou US$ 38,1 bilhões em exportações e gerou um superávit de US$ 33 bilhões, o maior já registrado para o período entre janeiro e março. Apenas em março, as vendas externas alcançaram US$ 15,4 bilhões, respondendo por 48,8% de todas as exportações brasileiras, conforme informações oficiais.
Apesar do resultado expressivo em receita, um dado chama atenção na composição desse desempenho. O volume exportado cresceu 3,8%, enquanto o preço médio recuou 2,8%. A leitura desse movimento indica um avanço sustentado por fatores estruturais como escala produtiva, ganhos de eficiência, aumento de produtividade, melhoria logística e ampliação do acesso a mercados internacionais.
Na pauta exportadora, o complexo soja manteve a liderança, com US$ 12,13 bilhões, seguido pelas proteínas animais, que somaram US$ 8,12 bilhões no trimestre. A China continuou como principal destino, com US$ 11,33 bilhões e participação de 29,8%. Outros países, como Índia, Filipinas, México, Tailândia, Japão, Chile e Turquia, também tiveram papel relevante na expansão das vendas externas.
Em um cenário global mais exigente e seletivo, o desempenho reforça a percepção de que o diferencial do agro brasileiro vai além do preço. A capacidade de entregar grandes volumes com consistência e relevância estratégica se consolida como um dos principais pilares do setor, ampliando sua importância para a economia brasileira ao longo de 2026.
A agência de notícias oficial da República Islâmica do Irã (Irna), informou neste sábado (18) que o controle sobre o Estreito de Ormuz foi restaurado ao seu status anterior, com supervisão reforçada pelas Forças Armadas do país.
O porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya do Irã, tenente-coronel Ebrahim Zolfaghari, se referiu ao estreito como estratégico e citou que o local está “sob estrita gestão e controle das Forças Armadas”.
Ele observou que o Irã havia concordado anteriormente, num ato “de boa fé” e seguindo acordos prévios feitos durante as negociações, em permitir a passagem controlada de um número limitado de petroleiros e embarcações comerciais pelo estreito.
No entanto, os Estados Unidos (EUA), segundo ele, continuaram a “violar repetidamente os compromissos” acordados e a praticar “pirataria e roubo marítimo sob o chamado bloqueio”.
“Portanto, o controle do Estreito de Ormuz retornou ao seu estado anterior”, reforçou.
Ameaças
A Agência Tasnim, ligada ao Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) , já havia informado que, caso o bloqueio naval dos Estados Unidos continuasse, o estreito voltaria a ser fechado, prejudicando a comercialização de 20% da produção de petróleo no mundo.
Para os iranianos, a permanência dos navios estadunidenses na região é violação do acordo de cessar-fogo. Navios dos EUA estão posicionados no Oceano Índico a uma distância do Estreito de Ormuz de onde podem interceptar eventuais ataques do Irã.
Cessar-fogo
Na última quinta-feira (16), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou ter costurado um acordo de cessar-fogo entre Líbano e Israel, com duração de dez dias. A trégua era uma das exigências do Irã para continuidade das negociações.
Em comunicado divulgado na sexta-feira (17), a Força Naval do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) informou que uma “nova ordem” passaria a reger o estreito, fazendo referência ao cessar-fogo.
No mesmo dia, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou que a navegação pelo Estreito de Ormuz estaria completamente aberta durante o restante do cessar-fogo.
“Em conformidade com o cessar-fogo no Líbano, a passagem de todas as embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz está declarada totalmente aberta durante o período restante do cessar-fogo”, diz.
A batata-inglesa ocupa posição estratégica no agronegócio goiano. Presente em três janelas de plantio ao longo do ano, a cultura abastece o mercado interno e externo, integra a cadeia de processamento industrial e se destaca pela versatilidade de consumo, tanto na alimentação doméstica quanto no segmento de serviços alimentares.
Os dados reunidos pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) apontam avanços consistentes na produção estadual e perspectiva de recuperação econômica para 2026.
O cultivo em Goiás se concentra na terceira safra, ou safra de inverno, com plantio entre abril e julho e colheita de julho a outubro. O calendário é favorecido pelas condições climáticas mais amenas e pela menor incidência de chuvas, fatores que reduzem a pressão de doenças fúngicas e favorecem a qualidade dos tubérculos.
Para o secretário Ademar Leal, titular da Seapa, a modernização do setor tem ampliado a adoção de mecanização, irrigação, cultivares de melhor desempenho e práticas de planejamento produtivo.
“Esse movimento tem reduzido a variabilidade típica da produção sazonal e sustentado ganhos de produtividade, mesmo em cenários de estabilidade ou redução da área plantada”, afirmou.
Crescimento acima da média
Na série histórica de 2020 a 2025, Goiás cresceu acima da média nacional tanto em produção quanto em área colhida de batata-inglesa na terceira safra.
Ambos os indicadores avançaram na mesma proporção, 31,9% em produção e 29,8% em área colhida, com rendimento médio de 41,9 toneladas por hectare. No mesmo período, o Brasil registrou crescimento de 4,2% em área e 12,1% em produção.
Para a safra total do estado em 2026, a expectativa é de crescimento de 3,1% frente à temporada anterior, com estimativa de 264,2 mil toneladas colhidas. O resultado representará o terceiro melhor desempenho da série histórica, superado apenas pelos anos 2010 e 2011.
Cenário econômico
Dados da Produção Agrícola Municipal (PAM), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam que, em 2024, o município de Cristalina liderou a produção estadual, com 137,2 mil toneladas, o equivalente a 51,3% do volume total colhido no estado, além de concentrar a maior área colhida, de 3,0 mil hectares.
A cidade de Água Fria de Goiás apresentou a maior produtividade média, de 46,7 toneladas por hectare. Já Campo Alegre de Goiás registrou o maior avanço no período, com crescimento de 115,8% em relação a 2023.
Já para o Valor Bruto da Produção (VBP) da batata-inglesa em Goiás, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), está projetado em R$ 771,4 milhões para 2026, o que representa recuperação frente a 2025, quando houve recuo para R$ 538,9 milhões, influenciado por preços mais baixos. Em 2024, o estado registrou o maior resultado da série, com R$ 1,3 bilhão.
Competitividade
No mercado externo, o destaque nas exportações foi a batata-doce. Em 2024, Goiás registrou US$ 264,9 mil em embarques, com 211,4 toneladas destinadas aos Países Baixos.
Foto: Freepik
Em 2025, os produtos preparados e conservados alcançaram o melhor desempenho da série, com 7,5 toneladas e US$ 54,8 mil, tendo os Estados Unidos como principal destino, seguidos por Canadá e Reino Unido.
“Os dados indicam um movimento de reorganização do setor, com recuperação do valor da produção e avanços na inserção internacional. Ao mesmo tempo, o cenário reforça a importância de ampliar a agregação de valor e reduzir a dependência de produtos processados importados, fortalecendo a competitividade da cadeia no estado”, avaliou o secretário Ademar Leal.
O comércio internacional e as cadeias globais de suprimentos atravessam, no primeiro semestre de 2026, um momento de forte instabilidade provocado pela intensificação do conflito no Oriente Médio. A passagem de navios interrompida no Estreito de Ormuz e a insegurança no Mar Vermelho comprometem o fornecimento global de petróleo e fertilizantes. Isso impacta diretamente os custos de transporte, o que faz o preço de itens básicos, como alimentos e combustíveis, subir. Para o consumidor e para o setor agrícola, o cenário atual é de incerteza e de pressão nos preços.
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) informa que, embora os preços globais de alimentos sigam abaixo do pico registrado em 2022, após o início da guerra na Ucrânia, há tendência de alta no fim de março, reflexo da renovada incerteza geopolítica. Para Santa Catarina, que tem uma economia fortemente ancorada no agronegócio exportador e dependente de insumos importados, o cenário representa um risco direto à competitividade.
Segundo o analista de Socioeconomia e Desenvolvimento Rural da Epagri/Cepa, Roberth Andres Villazon Montalvan, o agronegócio de Santa Catarina sente rapidamente as crises no comércio mundial. “A estrutura produtiva do estado combina importação intensiva de fertilizantes, transformação de grãos em proteína animal de alto padrão e uma logística complexa para acessar mercados exigentes. Nesse contexto, dois vetores concentram os impactos: a alta dos custos energéticos, com reflexos diretos no diesel, e o encarecimento dos fertilizantes nitrogenados e fosfatados.”
Com o petróleo Brent próximo de US$100 por barril, analistas projetam reajustes em torno de 20% no preço do diesel no Brasil. O efeito imediato tende a ser uma elevação média de 10% no frete rodoviário. Em Santa Catarina, onde o transporte terrestre entre as regiões produtoras do Oeste e Meio-Oeste e os portos do litoral responde por até 70% do custo logístico das exportações de grãos e carnes, o impacto recai diretamente sobre a rentabilidade do setor.
No campo, a alta do diesel já pressiona o Custo Operacional Efetivo (COE). Entre o fim de 2025 e março de 2026, o preço médio do litro em Santa Catarina subiu de cerca de R$6,14 para R$7,33. Dados da Epagri/Cepa mostram aumento da participação do combustível no COE de todas as culturas analisadas. Por exemplo, na soja e no milho de alta tecnologia, mesmo com uma elevação percentual menor, o impacto financeiro é relevante por conta da extensão da área cultivada. Já em culturas intensivas em mecanização, como maçã, arroz e cebola, observa-se uma maior sensibilidade, com o diesel respondendo por fatias crescentes do custo produtivo.
Paralelamente ao choque energético, o mercado global de fertilizantes entrou em forte trajetória de alta. A região em conflito concentra parcela relevante da oferta de Gás Natural Liquefeito (GNL), insumo-chave para a produção de fertilizantes nitrogenados. Com a navegação restrita, houve interrupções no fornecimento e rápida elevação dos preços.
A FAO alerta que o mercado de fertilizantes não dispõe de reservas estratégicas coordenadas, o que dificulta a gestão de choques de oferta. Estimativas indicam que os preços globais podem operar, em média, de 15% a 20% mais altos no primeiro semestre de 2026. O Banco Mundial reforça o diagnóstico ao indicar que o índice global de preços de fertilizantes subiu 26,2% em um único mês, com a ureia registrando alta de até 46% no mercado internacional.
O cenário foi agravado por medidas protecionistas da China que restringiu exportações de fertilizantes nitrogenados, fosfatados e potássicos, enquanto a Rússia suspendeu temporariamente as vendas externas de nitrato de amônio. As tentativas diplomáticas de garantir o fornecimento, como no caso do Irã, esbarram no elevado risco da navegação na região, marcado por prêmios de seguro elevados e baixa disponibilidade de navios.
De acordo com o analista da Epagri/Cepa, o Porto de São Francisco do Sul se consolidou como um ponto estratégico para o abastecimento de fertilizantes em Santa Catarina. Em 2025, o terminal respondeu pela importação de 2,75 milhões de toneladas do insumo, cerca de 6% do volume internalizado no país, segundo a Conab, mantendo ritmo elevado também em 2026 e contribuindo para reduzir riscos de desabastecimento regional.
“O aumento dos custos, aliado a preços internacionais ainda pressionados, comprime as margens dos produtores e da agroindústria. A dificuldade de absorver novos reajustes pode reduzir o uso de fertilizantes, com impactos na produtividade, o que exige mais planejamento, eficiência logística e adoção de tecnologias para preservar a competitividade”, afirma Villazon Montalvan.
As exportações de carne bovina em março de 2026 mostraram desaceleração no ritmo de crescimento do volume embarcado em comparação com os dois meses anteriores. Apesar disso, a receita apresentou avanço mais expressivo, refletindo a valorização dos preços da carne brasileira em dólar no mercado internacional.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compilados pela Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), mostram que as vendas externas de carne bovina in natura cresceram 8,95% em volume em março deste ano, em relação a março de 2025, para 233,79 mil toneladas.
Em receitas, as exportações de carne bovina in natura aumentaram 29,14% no mesmo período, para US$ 1,36 bilhão. Em janeiro e fevereiro de 2026 houve crescimento, respectivamente, de 28,7% e 24% no volume embarcado, frente a iguais meses do ano anterior. Em receitas, os resultados de janeiro e fevereiro apresentaram crescimento de 42,5% e 41,9%, respectivamente.
Avanço em receita
É importante considerar que o desempenho das exportações de carne bovina em 2026 parte de uma base de comparação elevada, considerando os sucessivos recordes mensais ocorridos em 2025, o que diminui expectativas de continuidade de um ritmo de crescimento mais robusto.
A carne in natura representa aproximadamente 90% das exportações de carne e subprodutos bovinos. No total, considerando tanto carne in natura, como industrializada, e subprodutos como miudezas, tripas e sebo bovino, as exportações do setor cresceram 21,42% em março de 2026, frente a março de 2025, para US$ 1,476 bilhão. No volume total, houve queda de 6,65% no mesmo período, para 270,53 mil toneladas.
No acumulado do primeiro trimestre, as exportações totais cresceram 32,29%, frente ao primeiro trimestre de 2025, alcançando US$ 4,32 bilhões. Em volume, na mesma base comparativa, o crescimento foi de 10,98%, para 827,64 mil toneladas.
Considerando apenas a carne bovina in natura, houve crescimento de 37,45% nas exportações do primeiro trimestre do ano, em relação ao mesmo período do ano anterior, cujas receitas somaram US$ 3,98 bilhões, enquanto o volume embarcado cresceu 19,92%, totalizando 700,98 mil toneladas.
Os valores médios de exportação da carne bovina in natura no primeiro trimestre apresentaram valorização de 14,61%, alcançando US$ 5.642 por tonelada. No primeiro trimestre de 2025 os valores médios de exportação foram de US$ 4.954 por tonelada.
Maior exportador
A China se manteve como o maior importador da carne bovina brasileira no primeiro trimestre do ano, com aquisições totais de US$ 1,816 bilhão, que representam crescimento de 41,83% em relação ao mesmo período do ano anterior. O volume total enviado ao país asiático foi de 325,68 mil toneladas (aumento de 39,35%).
É importante ressaltar que esse volume não reflete a quantidade considerada pelo governo chinês para efeito de contabilização da quota de 1,106 milhão de toneladas (livres da tarifa extraquota de 55%), estabelecida em função da aplicação de medidas de salvaguardas pelo país asiático.
Isso por que o governo chinês considera, no cálculo da quota, as cargas que chegaram aos portos chineses a partir de 1º de janeiro de 2026, mesmo que tenham sido embarcadas nos portos brasileiros no ano anterior.
Dados divulgados pelo Ministério do Comércio da China (Mofcom) em março indicam que as vendas de carne bovina do Brasil para a China atingiram 372,08 mil toneladas nos dois primeiros meses do ano. As informações referentes a março de 2026 ainda não foram divulgadas pelo órgão.
No entanto, ao somar o volume embarcado em março de 2026, apurado pela Secex, estima-se que o Brasil tenha exportado 474,08 mil toneladas de carne bovina para a China no primeiro trimestre de 2026. Esse volume representa 42,86% da quota tarifária destinada ao país, de 1,106 milhão de toneladas.
Dessa forma, restaria ainda ao Brasil um volume de 631,92 mil toneladas (57% da quota), a ser exportado livre da tarifa de 55%. Essas estimativas podem ser alteradas em função de novas informações a serem divulgadas pelo Mofcom, relativas às entradas nos portos chineses no mês de março.
Os valores médios (Fob) de exportação da carne bovina in natura brasileira para a China no primeiro trimestre do ano tiveram valorização de 15%, em relação ao primeiro trimestre de 2025, para US$ 5.578 por tonelada. No primeiro trimestre do ano, a China participou com 46,42%, em volume, e 45,6%, em receitas, nas exportações brasileiras de carne bovina in natura.
Estados Unidos
As vendas de carne bovina in natura para os Estados Unidos cresceram 60,96% no primeiro trimestre de 2026, em comparação com o primeiro trimestre de 2025, alcançando US$ 588,98 milhões. Em volume, houve crescimento de 28,51%, para 98,17 mil toneladas.
Os valores médios da carne bovina in natura exportada para o país norte-americano alcançaram US$ 6 mil por tonelada no primeiro trimestre de 2026 (aumento de 25,25%).
Os Estados Unidos seguem com um elevado déficit de abastecimento interno, estimado em cerca de 2,5 milhões de toneladas em 2026, segundo dados do USDA. Diante desse cenário, o país se mantém como o segundo maior importador da carne bovina brasileira, respondendo por 14% do volume exportado e por 14,8% da receita obtida.
Um dos maiores importadores
A União Europeia atualmente ocupa a terceira posição entre os maiores importadores de carne e subprodutos bovinos do Brasil.
De janeiro a março de 2026, as vendas de carne bovina in natura para o bloco comercial europeu cresceram 29,48%, comparativamente ao primeiro trimestre de 2025, somando US$ 187,96 milhões, enquanto o volume embarcado cresceu 21,16% no mesmo período, para 21,713 mil toneladas.
Os valores médios de exportação da carne bovina in natura exportada para a União Europeia apresentaram valorização de 6,86% no primeiro trimestre do ano, US$ 8.656 por tonelada.
No total, considerando também carne bovina industrializada e subprodutos, as vendas para a União Europeia cresceram 49,84% no primeiro trimestre de 2026, alcançando US$ 251,57 milhões.
Demais países
O Chile, por sua vez, ampliou tanto volume quanto valor, +27,6% e +36,9%, respectivamente, atingindo 38.764 toneladas e receita de US$ 224,1 milhões. A Rússia elevou suas compras em 73,4% em volume e 91,1% em valor.
O México completou o grupo dos seis maiores mercados, com crescimento sólido de 37,5% no volume e 55,6% no valor, totalizando 18.374 mil toneladas e US$ 105,3 milhões. No total, 106 países aumentaram suas importações no primeiro trimestre, enquanto outros 49 diminuíram as compras.
Foto: Arquivo pessoal Karliany de Souza Lima/Divulgação Agência Amazonas
Utilizar a borra de café para criação de sabonete esfoliante foi a base de um projeto apoiado pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).
O estudo foi desenvolvido por estudantes do 3º ano do Ensino Médio da Secretaria de Estado de Educação e Desporto do Amazonas, na Escola Estadual Profª. Maria Belém, em Barreirinha (331km de Manaus).
A pesquisa intitulada “Produção de sabonete esfoliante a partir do reaproveitamento da borra de café, realizada pelos alunos do 3º ano do Ensino Presencial com Mediação Tecnológica” foi amparada por meio do Programa Ciência na Escola (PCE), e coordenada pela professora de Química da Secretaria de Educação, Karliany de Souza Lima.
O objetivo principal do projeto foi o reaproveitamento da borra de café na aplicação em cosméticos, devido à grande quantidade de componentes potencialmente valiosos, que trazem benefícios à pele, como os antioxidantes, anti-inflamatórios, antitumorais e capacidade de adsorção.
Foto: Arquivo pessoal Karliany de Souza Lima/Divulgação Agência Amazonas
“Produzimos dois tipos de sabonetes esfoliantes em barra com composições diferentes, a fim de demonstrar que o reaproveitamento da borra pode ser realizado do modo mais simples para uso doméstico e para fins de comercialização”, explicou a coordenadora do projeto.
Produção do sabonete
Para a confecção do sabonete, os alunos realizaram trabalhos escritos e vídeos sobre como é feito a produção do sabonete. Além disso, realizaram diversos experimentos, juntamente com o professor, até chegar na qualidade desejada do item de higiene pessoal.
Foto: Arquivo pessoal Karliany de Souza Lima/Divulgação Agência Amazonas
O tempo de produção final do item de limpeza foi de 24 horas, e foram usados óleo de amêndoas, sabonete glicerinado, base de glicerina, glicerina líquida, álcool de cereais e lauril (sulfato de sódio), além da borra do café.
Sustentabilidade
Tantos os alunos quanto a comunidade escolar foram incentivados a investigar soluções para problemas socioambientais, e colocar em prática alternativas sustentáveis para preservação e conservação ambiental.
A avaliação do sabonete esfoliante foi realizada por 20 voluntários da comunidade, os quais observaram aspectos como: cremosidade de espuma, sedosidade durante o uso, cheiro, dureza e durabilidade.
E, em seguida, responderam a um questionário sobre o produto: muito boa; boa; indiferente e ruim. Sobre o uso do sabonete esfoliante: gostou muito; gostou e não gostou. E também sugestões durante o processo de produção. Ao fim do questionário 12 voluntários disseram que gostaram muito do produto.
Programa Ciência na Escola
O PCE é uma iniciativa da Fapeam que tem como objetivo apoiar a participação de professores e estudantes do 5º ao 9º ano do ensino fundamental e da 1ª à 3ª série do ensino médio, incluindo modalidades como Educação de Jovens e Adultos, educação escolar indígena, atendimento educacional específico e o Projeto Avançar, em projetos de pesquisa científica e inovação tecnológica.
As atividades são desenvolvidas em escolas públicas estaduais do Amazonas e em escolas municipais de Manaus, Coari, Manacapuru e Uarini, localizadas a 363 km, 68 km e 565 km da capital, respectivamente.
A produção de cana-de-açúcar no país está estimada em 673,2 milhões de toneladas na safra 2025/2026, o que representa uma redução de 0,5% em relação à temporada anterior, como mostra o 4º Levantamento da Safra de Cana-de-açúcar no ciclo 2025/2026. Divulgado nesta sexta-feira (17) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o documento mostra que, mesmo com a queda, o país registra a maior fabricação de etanol e a 2ª maior produção de açúcar na série da Conab, ainda que a colheita de cana seja menor em relação ao ciclo passado. Os dados do levantamento também revelam que esta é a terceira maior safra de cana registrada na série histórica, atrás das temporadas de 2022/2023 e de 2024/2025.
De acordo com o levantamento da Conab, somando as origens cana-de-açúcar e milho, a fabricação do etanol deve atingir 37,5 bilhões de litros, aumento de 0,8% em relação à safra passada. A alta é influenciada pela maior produção do etanol de milho. O combustível com origem no cereal, avaliado em 10,17 bilhões de litros, registra aumento de 29,8% em relação à safra passada e representa pouco mais de 27% da produção total do combustível. Já o etanol produzido a partir da cana-de-açúcar está estimado em 27,33 bilhões de litros, redução de 6,9% em comparação ao ciclo 2024/2025.
A fabricação de açúcar, por sua vez, é estimada em 44,2 milhões de toneladas, aumento de 0,1% em relação à safra anterior. A menor disponibilidade de matéria-prima limitou o aumento na produção do adoçante inicialmente previsto pela Companhia. Ainda assim, esta é a segunda maior fabricação do produto já registrada na série histórica da Companhia, perdendo apenas para a safra 2023/2024.
Cenário agrícola – A queda na safra da cana é influenciada pela diminuição em 2,6% da produtividade média nacional, resultando em 75.184 quilos por hectares, diante das condições climáticas desfavoráveis registradas durante as fases de desenvolvimento das lavouras após a colheita em 2024, principalmente na Região Centro-Sul. A perda registrada foi compensada pelo aumento da área destinada à colheita nesta safra, estimada em 8,95 milhões de hectares, 2,1% superior à área colhida no ciclo anterior.
Para o Sudeste, principal região produtora de cana-de-açúcar do país, a Conab estima uma produção de 430,1 milhões de toneladas, redução de 2,2% em relação à safra anterior. Essa diminuição é atribuída às condições climáticas adversas registradas em 2024, com a presença de períodos de estiagem, altas temperaturas e incêndios, que comprometeram a rebrota e o desenvolvimento das lavouras.
As regiões Norte e Nordeste também registram queda na produção na safra 2025/2026. No Norte, mesmo com o aumento de área colhida, as condições climáticas mais restritivas resultaram em redução de 7,1% na colheita, totalizando 3,8 milhões de toneladas. Já a produção do Nordeste é estimada em 53,3 milhões de toneladas, redução de 2% em relação à safra passada, diante de uma queda de 1,2% na produtividade média, projetada em 59.860 quilos por hectare.
A região Centro-Oeste, segunda principal região produtora de cana do país, apresenta crescimento de 3,4% na produção, estimada em 150,2 milhões de toneladas. O aumento é reflexo da maior área colhida, saindo de 1,85 milhão de hectares para 1,96 milhão de hectares, uma vez que a produtividade média apresentou uma redução de 2,2% em razão das condições climáticas menos favoráveis durante o desenvolvimento das lavouras, resultando em 76.820 kg/ha.
Alta também para a colheita registrada na região Sul. Com crescimento estimado de 1,9% na área destinada ao setor sucroenergético, a produção da região alcançou 36 milhões de toneladas, resultado favorecido pela recuperação da produtividade diante das precipitações superiores às observadas no ciclo anterior.
Mercado – Na safra 2025/2026, a Conab verificou o maior direcionamento da cana para a fabricação de açúcar, que contribuiu para sustentar a produção do adoçante, aumentando ligeiramente a disponibilidade em relação à safra anterior, ao passo que a produção total de etanol registrou retração em relação ao ciclo anterior, porém contrabalançada pelo avanço da produção do etanol de milho.
Para o curto prazo, a transição para a nova safra tende a manter o mercado de etanol relativamente sustentado, sobretudo no segmento anidro. No caso do açúcar, o cenário internacional de maior oferta limita movimentos mais consistentes de alta, embora ainda haja suporte pontual decorrente de prêmios de exportação positivos e de eventuais incertezas no mercado externo.
Confira os dados completos sobre a produção de cana, de açúcar e de etanol, e as condições de mercado destes produtos disponíveis no 4° Levantamento da Safra 2025/26.
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Usado para dar amargor, aroma e sabor à cerveja, o lúpulo acaba de ganhar uma nova utilidade. Trabalho realizado por pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da Universidade de São Paulo (USP) revelou que resíduos industriais da planta (Humulus lupulus L.) são boas opções para a fabricação de fórmulas de protetores solares.
A grande quantidade de resíduo da substância gerada e descartada na produção da bebida foi o ponto de partida do estudo multidisciplinar, que reuniu expertises complementares em produtos naturais e fotoproteção bioativa.
O lúpulo é adicionado ao preparo da cerveja em dois momentos, durante a fervura do mosto e, em algumas receitas, após a fermentação, etapa conhecida como dry hopping. Essa segunda fase tem como objetivo conferir aroma à bebida, mas nem todas as substâncias presentes nos pellets (flores de lúpulo secas, moídas e prensadas) são extraídas. Assim, uma fração relevante de compostos bioativos permanece no material descartado.
Segundo os pesquisadores, isso faz com que ele seja uma rica fonte de compostos bioativos, como ácidos amargos, polifenóis e óleos essenciais. Entre eles, os polifenóis têm atraído especial atenção por suas fortes propriedades antioxidantes, o que faz com que tenham potencial para proteger a pele da ação prejudicial provocada pelos raios ultravioleta. Por isso, a biomassa proveniente da indústria cervejeira se tornou alvo da pesquisa.
Na etapa conduzida pelo Laboratório de Farmacognosia, o resíduo de lúpulo foi submetido à extração com etanol, seguido da secagem do extrato e análises químicas. Também foi preparado um segundo extrato a partir de lúpulo que não havia passado pelo processo de fabricação da cerveja, permitindo a comparação entre o material “puro” e o reutilizado.
No Laboratório de Cosmetologia os extratos foram incorporados, isoladamente (na concentração de 10%), em formulações fotoprotetoras em creme que continham dois filtros solares tradicionais, um com proteção UVB e o outro UVA.
“Também foram avaliadas diferentes combinações com ingredientes cosméticos comumente utilizados em protetores solares, como água purificada e emolientes, como miristato de isopropila, palmitato de isopropila e triglicerídeos do ácido cáprico-caprílico, a fim de investigar qual composição proporcionaria melhor desempenho”, conta André Rolim Baby, professor associado da FCF-USP e um dos coordenadores do estudo.
Substância mais ativa
A eficácia fotoprotetora foi determinada por um dos métodos in vitro mais robustos e reconhecidos internacionalmente, a espectrofotometria de refletância difusa com esfera de integração. Essa tecnologia é capaz de calcular o fator de proteção solar (FPS) e demais parâmetros relacionados à proteção solar, como a proteção de amplo espectro.
“Quando comparamos o lúpulo de resíduo e o lúpulo sem ter passado pelo processo de fabricação de cerveja, vimos que a substância de reuso é mais ativa. Isso acontece provavelmente por causa da eliminação das substâncias voláteis envolvidas na fabricação da cerveja, deixando compostos que têm ligações químicas necessárias para a fotoproteção”, diz Daniel Pecoraro Demarque, também do FCF-USP.
De acordo com Baby, embora os resultados tenham sido obtidos no ensaio in vitro, a investigação representa uma prova de conceito promissora. “Mas, para essa ideia chegar ao mercado, são necessários estudos e validações complementares, como a estabilidade em longo prazo do protetor solar, padronização dos compostos bioativos e avaliação clínica de segurança e eficácia”, afirma.
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Foto: Arquivo
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta de vendaval para esta sexta-feira (17), com previsão de ventos entre 40 km/h e 60 km/h em áreas do Rio Grande do Sul. O aviso começou às 9h e indica perigo potencial, com baixo risco de queda de galhos de árvores.
Segundo dados do Inmet, o alerta atinge municípios de regiões como Sudoeste Rio-grandense, Sudeste Rio-grandense e Metropolitana de Porto Alegre. O órgão destaca que, apesar da classificação de perigo potencial, a condição exige atenção ao longo do dia, principalmente em áreas mais expostas às rajadas.
O instituto informa que os ventos podem variar entre 40 km/h e 60 km/h, cenário que aumenta o risco de transtornos pontuais. Entre os principais impactos previstos estão queda de galhos, além de possíveis intercorrências em locais com estruturas mais vulneráveis.
Como medida de prevenção, o Inmet orienta que, em caso de rajadas de vento, a população não se abrigue debaixo de árvores, devido ao leve risco de queda e de descargas elétricas. Outra recomendação é não estacionar veículos próximos a torres de transmissão e placas de propaganda.
O órgão também orienta que informações complementares sejam buscadas junto à Defesa Civil, pelo telefone 199, e ao Corpo de Bombeiros, pelo 193.
A colheita da soja avançou de forma descontínua e alcança 50% da área cultivada nesta safra 2025/2026, que é de 6.624.988 hectares. De acordo com o Informativo Conjuntural, divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (16/04), a recorrência de precipitações em volumes heterogêneos entre as regiões manteve elevada umidade no solo e nas plantas, restringindo a trafegabilidade e impondo interrupções às operações de colheita. Predominam lavouras em maturação (36%), e 14% ainda se encontram em enchimento de grãos e floração, refletindo a amplitude de épocas de semeadura.A produtividade da soja apresenta elevada variabilidade, tanto entre regiões quanto dentro de um mesmo município, influenciada pela irregularidade das chuvas ao longo do ciclo, especialmente durante o período crítico de enchimento de grãos. Em áreas com melhor distribuição hídrica e manejo mais tecnificado, o rendimento está adequado. Nas áreas afetadas, as perdas são expressivas. A produtividade média estimada pela Emater/RS-Ascar é de 2.871 kg/ha.Milho – A colheita de milho evoluiu de forma parcial e se aproxima do final, atingindo a média estadual de 86% da área cultivada, que é de 803.019 hectares. Restam lavouras implantadas no final ou fora da janela preferencial, onde as condições climáticas do período, como a reposição hídrica, têm favorecido a manutenção do potencial produtivo, mesmo que parte das lavouras tenha sido impactada anteriormente por déficit hídrico e temperaturas elevadas durante o período reprodutivo, o que provocou a redução no número de grãos por espiga e da massa de grãos.De acordo com a Emater/RS-Ascar, a produtividade média estadual do milho nesta safra é de 7.424 kg/há, apesar da variabilidade produtiva observada, e grãos com boa qualidade. Há registros localizados de perdas associadas ao atraso na colheita e à elevada umidade. Em lavouras ainda em desenvolvimento, especialmente safrinha, persistem os riscos fitossanitários, como a ocorrência de pragas, e o potencial comprometimento da qualidade dos grãos em função de eventuais danos em espigas e maior suscetibilidade a patógenos em ambientes úmidos.Milho silagem – A colheita de milho destinado à silagem alcança 83% de uma área de 345.299 hectares cultivados nesta safra. Houve avanço limitado em função da elevada umidade nas lavouras no período, a qual dificultou tanto a operação de corte quanto o adequado enchimento e compactação dos silos. Nas áreas remanescentes, predominam lavouras em enchimento de grãos, com vegetação adequada. Porém, o porte das plantas está inferior ao desejado devido ao déficit hídrico em fases anteriores. A reposição de umidade do solo tem beneficiado a manutenção da área foliar verde até a base das plantas no momento do corte, o que contribui para a qualidade da silagem e permite ajustes na altura de corte para compensar parcialmente a menor produção de biomassa. A estimativa da Emater/RS-Ascar indica produtividade média de 37.840 kg/ha.Feijão 1ª safra – A colheita de feijão da 1ª safra está concluída no Rio Grande do Sul, incluindo a região dos Campos de Cima da Serra, responsável por cerca de 40% da área cultivada. Nessa região, o desempenho produtivo foi impactado por condições climáticas menos favoráveis nos meses de janeiro e fevereiro, período que coincidiu com a fase reprodutiva das lavouras, resultando em redução nos rendimentos. Em alguns municípios, observam-se quedas expressivas de produtividade, que chega em torno de 1.200 kg/ha, o que tende a influenciar negativamente o resultado estadual, atualmente estimado em 1.781 kg/ha pela Emater/RS-Ascar. Nas demais regiões, onde o plantio ocorreu de forma mais antecipada, as lavouras não sofreram impactos significativos e mantiveram o potencial produtivo esperado. A área cultivada com feijão 1ª safra está estimada em 23.029 hectares no Estado.Feijão 2ª safra – Com uma área projetada pela Emater/RS-Ascar de 11.690 hectares, as lavouras apresentam bom desenvolvimento, sustentado por condições adequadas de umidade do solo, pela ocorrência de precipitações e pela manutenção de temperaturas relativamente elevadas para a época do ano. Esse cenário tem contribuído para a boa evolução fenológica, para elevada carga de vagens, para o ótimo enchimento de grãos e para manutenção do potencial produtivo.A colheita avançou de forma gradual nas áreas mais adiantadas, enquanto a maior parte das lavouras ainda se concentra nas fases de florescimento e enchimento de grãos. Os resultados iniciais obtidos apontam perspectiva de desempenho satisfatório na safra. A produtividade média estimada pela Emater/RS-Ascar é de 1.401 kg/ha.Arroz – A colheita de arroz avançou, apesar da ocorrência de precipitações frequentes. Houve leve desaceleração das operações de campo em relação ao período anterior em razão da elevada umidade do solo e dos grãos, que reduziu a janela operacional e ocasionou interrupções pontuais na colheita. A área colhida totalizou 79,3% de uma área de área cultivada de 891.908 hectares, segundo o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). De maneira geral, os rendimentos estão satisfatórios. Os grãos colhidos apresentam boa qualidade, evidenciada por elevados índices de rendimento de engenho. As lavouras remanescentes se encontram em fase de maturação e maduras para colheita, indicando proximidade do encerramento do ciclo produtivo. A produtividade está projetada pela Emater/RS-Ascar em 8.744 kg/ha.Pastagens e Criações – O período se caracterizou por uma transição no sistema forrageiro, marcada pela perda gradual de qualidade das pastagens de verão e pelo avanço na implantação das espécies hibernais. Ainda que haja oferta de volumoso em diversas regiões, sua qualidade nutricional encontra-se em declínio. As chuvas das últimas semanas têm sido determinantes para a germinação e o estabelecimento inicial das pastagens de inverno, influenciando diretamente o planejamento alimentar dos rebanhos a curto prazo.Bovinocultura de Corte – O cenário da atividade é marcado por estabilidade nas condições corporais e no desempenho dos rebanhos. Ainda há oferta de forragem, embora já em transição. Estão ocorrendo ajustes na alimentação, como aumento do uso de volumosos conservados. O calor e a alta umidade têm imposto desafios ao manejo, e há potencial impacto sobre o desempenho reprodutivo e o bem-estar animal.Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Caxias do Sul, os dias de calor excessivo geraram preocupação entre os pecuaristas quanto a possíveis perdas reprodutivas, especialmente reabsorção embrionária no início da gestação e eventuais abortos por estresse térmico. O estado corporal dos bovinos está adequado, uma vez que ainda não houve restrição alimentar. Na região de Passo Fundo, o estado nutricional e o escore corporal dos animais estão satisfatórios para suas fases. Em propriedades com Integração Lavoura Pecuária (ILP), os lotes têm sido mantidos em áreas de campo nativo. As condições sanitárias estão dentro do esperado.Bovinocultura de Leite – Em parte das regiões, houve redução de produção nos sistemas mais dependentes de pastagens, em função da transição entre ciclos forrageiros e da queda na qualidade do pasto. As condições meteorológicas, especialmente temperaturas elevadas associadas à irregularidade das chuvas, têm intensificado o estresse térmico e impactado o desempenho dos animais. Por essa razão, tem sido intensificado o uso de alimentos conservados e ajustes na dieta. Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, em Manoel Viana, os produtores assentados estão investindo na atividade com recursos do Pronaf-A, com vistas à renovação e à melhoria genética do rebanho. Observa-se também elevada demanda por esse recurso em municípios com bacia leiteira desenvolvida e expressivo número de assentados, como Santana do Livramento, Hulha Negra e Candiota.Na região de Santa Rosa, as chuvas ao longo do período resultaram na formação de barro nas áreas próximas às instalações, exigindo maior cuidado no manejo e na higiene. Além disso, as temperaturas elevadas em alguns períodos do dia geraram desconforto térmico nos animais, que passaram a buscar sombra com maior frequência, reduzindo o tempo de pastejo, o que impactou seu desempenho. Foram realizados ajustes nas dietas, como aumento da oferta de silagem e melhoria na qualidade das rações. Esse cenário tem sido favorecido pela excelente qualidade nutricional da silagem de milho desta safra, que está superior à dos anos anteriores, o que tem permitido reduzir a dependência de concentrados na alimentação dos animais.