A Vamos, empresa de locação de veículos e revendedora de caminhões seminovos, anunciou a abertura de vagas de emprego em diferentes regiões do país. As oportunidades contemplam áreas comerciais, técnicas e operacionais.
As inscrições devem ser feitas pela internet, por meio do portal de carreiras da empresa. Os prazos variam conforme a vaga.
As vagas estão distribuídas em funções ligadas à área comercial, como vendedores e gerentes de vendas, e também em cargos técnicos e operacionais, como mecânicos, consultores e motoristas.
Entre os estados com oportunidades estão São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Tocantins, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Piauí e Rio de Janeiro.
A empresa informa que mantém programas de capacitação e desenvolvimento profissional. Também oferece benefícios aos colaboradores, como apoio nas áreas psicológica, social, jurídica e financeira, além de iniciativas voltadas à educação e ao bem-estar.
Confira as vagas:
Área Comercial
• Vendedor – Caçapava (SP) • Vendedor – Araguaína (TO) • Vendedor – Caxias do Sul (RS) • Vendedor Interno (Segmento Automotivo/Pesado) – Guarulhos (SP) • Gerente de Vendas – Chapecó (SC) • Gerente de Vendas – Parauapebas (PA)
Área Técnica e Operacional
• Mecânico – Varginha (MG) • Mecânico – Teresina (PI) • Mecânico B – Extrema (MG) • Mecânico C – Lucas do Rio Verde (MT) • Mecânico B – Osasco (SP) • Consultor Técnico Automotivo | Linha Pesada – Mogi das Cruzes (SP) • Motorista Manobrista – Sinop (MT) • Agente de Serviços – Angra dos Reis (RJ)
Como se candidatar?
Os interessados devem acessar o site oficial de carreiras da empresa para consultar os requisitos e realizar a inscrição (clique aqui).
O cenário global mudou drasticamente. O presidente Donald Trump escalou o conflito com o Irã ao ordenar que a Marinha dos EUA estabeleça um bloqueio total no Estreito de Ormuz, transformando a rota energética do planeta em uma zona de exclusão militar sob supervisão americana.
A explosão do frete e do seguro
Além do preço do barril, o bloqueio dispara um gatilho inflacionário perverso: o custo logístico. Com a região declarada zona de guerra, as seguradoras elevaram os prêmios para patamares proibitivos.
Navegar por rotas instáveis agora exige “taxas de risco” altíssimas. Esse aumento no frete marítimo e no seguro das cargas encarece cada produto transportado via oceano, gerando uma inflação que o mundo inteiro será forçado a importar.
O colapso da dívida global
Este choque ocorre em um momento de fragilidade extrema: o mundo carrega um endividamento de 360 trilhões de dólares. A inflação forçará a manutenção de taxas de juros altas por mais tempo, tornando o custo do dinheiro insuportável.
Para empresas alavancadas, esse cenário é inadministrável. Sem condições de rolar dívidas ou pagar juros elevados, o mundo deve enfrentar uma onda de falências e recuperações judiciais, atingindo setores que já operam no limite financeiro.
Desespero Político e Risco de Impeachment
Nos bastidores, a medida é vista como um lance arriscado de um governo sob pressão. Com baixa aceitação popular, Trump enfrenta o temor de uma derrota esmagadora nas eleições de meio de mandato.
Uma vitória democrata na Câmara tornaria o impeachment uma ameaça real. Para muitos, o bloqueio é uma tentativa de desviar o foco da crise interna, embora a alta dos combustíveis possa acelerar justamente a rejeição que ele tenta evitar.
O dilema das Forças Armadas
Há um crescente desconforto no Pentágono sobre a legalidade das ordens. A promessa de Trump de ações extremas acendeu alertas sobre crimes de guerra.
Existe a possibilidade real de as Forças Armadas oferecerem resistência interna caso as ordens violem o direito internacional ou caracterizem ataques desproporcionais contra civis e infra estruturas históricas.
Alerta para o Brasil
Para o produtor brasileiro, o impacto atinge o coração da produção: os fertilizantes e o diesel. A disparada do petróleo encarece a fabricação desses insumos, elevando o custo por hectare a níveis que podem inviabilizar o lucro dos grãos e carnes.
Na ponta final, o brasileiro sentirá o golpe no supermercado caso isso aconteça. O diesel caro e o frete elevado encarecem do arroz e feijão às carnes. O bloqueio em Ormuz tornou-se, assim, uma ameaça direta ao poder de compra e à segurança alimentar no Brasil.
Finalizando, este cenário demonstra o perigo de quando a vaidade política e a visão de curto prazo se sobrepõem à estabilidade de toda uma engrenagem global.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
As inscrições para o Prêmio Brasil Artesanal (PBA) 2026, na categoria azeite de oliva, seguem abertas até 30 de abril. A iniciativa é promovida pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
O concurso é voltado a produtores que desejam inscrever azeites nas categorias blend e monovarietal. Cada participante pode cadastrar um produto por categoria.
Após a inscrição, os produtores devem enviar as amostras até 15 de maio. O processo inclui avaliação por júri técnico, análise da história do produto, júri popular e etapa final de premiação.
Segundo a assessora técnica da CNA e organizadora do concurso, Fernanda Silva, a iniciativa visa ampliar o alcance dos produtos nacionais. “É um momento de reconhecer o trabalho desenvolvido no campo e ampliar as possibilidades de participação e venda em novos mercados”, afirmou.
O prêmio conta com a participação de instituições de pesquisa e apoio ao setor. Entre elas estão a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae Nacional).
As inscrições devem ser feitas pela internet, no site da CNA (clique aqui).
O avanço da frente fria provoca o aumento das chuvas em várias regiões do Brasil a partir deste domingo (13). As instabilidades voltam a ganhar força no Sul, com previsão de chuva mais intensa, além de volumes elevados também no litoral da Bahia e em áreas do Centro-Oeste, especialmente em Mato Grosso.
Até a próxima quarta-feira (15), os maiores acumulados de chuva devem se concentrar na região Norte e em parte do Nordeste, com destaque para Maranhão, Piauí e Ceará. Na sequência, entre os dias 16 e 20 de abril, as instabilidades se intensificam e avançam para o Centro-Oeste, atingindo principalmente Mato Grosso, além de reforçarem os volumes entre o norte do Nordeste e o Pará.
Já entre 21 e 25 de abril, a chuva ganha força no Centro-Oeste, com destaque para Goiás, e volta a avançar também sobre áreas do Sudeste e do Sul. Nesse período, os acumulados tendem a ser mais expressivos nessas regiões, indicando um novo episódio de instabilidade mais ampla.
Temperaturas sobem , mas nova queda vem aí
Apesar do frio dos últimos dias, as temperaturas voltam a subir nos próximos dias no Sul. No entanto, uma nova queda é esperada no fim de abril e início de maio, com mínimas que podem ficar próximas dos 8 °C em áreas de maior altitude.
A combinação entre o avanço da frente fria e a atuação de sistemas tropicais mantém o padrão de chuva frequente no país, com períodos de maior intensidade intercalados ao longo das próximas semanas.
Essa discussão não poderia ser mais atual após o retorno histórico da missão Artemis 2. No último dia 10 de abril, os quatro astronautas retornaram à Terra após uma jornada épica ao redor da Lua. O sucesso dessa missão valida os sistemas que permitirão, em breve, que o homem volte a pisar no solo lunar para estabelecer uma presença permanente, algo que depende diretamente da capacidade de “colher” recursos no espaço, assim como fazemos na agricultura.
O “Ouro Gelado” das Crateras Lunares
O plano para essa sobrevivência sustentável depende de um recurso vital: o gelo. Escondido em crateras nos polos lunares, esse gelo é a peça central da logística espacial. Em vez de carregar tudo da Terra, a estratégia da NASA é fabricar combustível e oxigênio lá mesmo, utilizando os princípios de eficiência que o João e a Beatriz tanto destacam para o nosso agronegócio.
A química do combustível espacial
O processo, conhecido como Utilização de Recursos In Situ (ISRU), transforma a Lua em uma plataforma autossustentável. Através de energia limpa, a água do gelo (H₂O) passa pela eletrólise.
A Separação: A eletricidade quebra a molécula em hidrogênio (H₂) e oxigênio (O₂).
Uso: Enquanto o oxigênio sustenta a vida, a combinação com o CO₂ pode gerar propelentes. É a “safra de energia” lunar garantindo a autonomia das naves.
Como bem pontuado no Radar Rural, a gestão inteligente de recursos é o que define o futuro. O sucesso da Artemis 2 prova que estamos prontos para o próximo passo: transformar o gelo lunar no motor da nossa expansão. Seja no solo fértil do Brasil ou na poeira da lua, a tecnologia e o espírito de inovação são o que nos levam mais longe.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
Após o fracasso nas negociações entre Estados Unidos e Irã, o presidente Donald Trump voltou a adotar um tom mais agressivo e anunciou novas medidas de pressão contra Teerã. Em publicação na rede Truth Social neste domingo (12), o republicano afirmou que a Marinha americana iniciará um bloqueio total no Estreito de Ormuz.
A decisão ocorre após o impasse nas tratativas sobre o programa nuclear iraniano, realizadas em Islamabad, no Paquistão. Segundo Trump, apesar de avanços em outros pontos, a falta de acordo sobre a questão nuclear inviabilizou o pacto. “O único ponto que realmente importava, o nuclear, não foi acordado”, escreveu.
Em tom de ameaça direta, o presidente afirmou que a paciência dos Estados Unidos com o Irã “se esgotou” e disse que qualquer ataque contra forças americanas ou embarcações civis será respondido com força máxima.
Pedágio ilegal
Trump também autorizou a interceptação de navios, inclusive em águas internacionais, que tenham pago taxas ao governo iraniano para transitar pela região. De acordo com ele, embarcações que contribuam com o que classificou como “pedágios ilegais” não terão passagem segura.
O bloqueio, segundo o republicano, poderá contar com apoio de outros países. Ele ainda declarou que as forças militares iranianas estariam enfraquecidas, citando danos à Marinha, à Força Aérea e aos sistemas de defesa do país.
O vice-presidente JD Vance, que liderou a delegação americana nas negociações, afirmou que o Irã rejeitou os termos propostos por Washington, especialmente a exigência de garantias de que não desenvolverá armas nucleares no longo prazo.
Do lado iraniano, o presidente do parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, criticou as condições impostas pelos Estados Unidos, classificando-as como “não razoáveis” e acusando Washington de violar acordos anteriores de cessar-fogo.
Um trio de pesquisadoras da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) desenvolveu um modo de obter uma enzima, a partir de um fungo cultivado em resíduos agrícolas, que promove o branqueamento da polpa da celulose, processo importante na produção de papel.
O branqueamento da polpa de celulose normalmente utiliza reagentes oxidantes à base de cloro, como o dióxido de cloro. Esses produtos químicos são altamente tóxicos e podem contaminar efluentes e até a atmosfera, liberando gases nocivos à saúde humana.
Entre as vantagens da nova tecnologia, além da produção a partir de resíduos agrícolas, está o fato de que a proteína obtida apresenta estabilidade térmica superior à de muitas enzimas fúngicas descritas na literatura científica, o que amplia suas possibilidades de aplicação na indústria.
“Esta é uma alternativa mais sustentável para a indústria papeleira, que reduz o uso de químicos tóxicos e cujos resultados têm bom potencial de aplicação. Como o Brasil ocupa posição de destaque na produção mundial de celulose de eucalipto, o desenvolvimento de tecnologias de branqueamento mais limpas é especialmente estratégico para o país”, conta Diandra de Andrades, primeira autora do estudo, realizado como parte de pós-doutorado na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, com bolsa da Fapesp.
O trabalho integra as atividades do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (INCT Bioetanol) e está relacionado a dois projetos apoiados pela Fapesp, ambos coordenados por Maria de Lourdes Teixeira de Moraes Polizeli, professora da FFCLRP-USP, que também assina o artigo.
A enzima obtida foi a xilanase, que degrada a xilana, uma hemicelulose presente na parede celular de plantas, como o eucalipto, e pode ser usada na produção de papel e celulose. A xilanase facilita a remoção de frações de xilana associadas à lignina residual na polpa após o cozimento da madeira na indústria, contribuindo para o aumento da alvura e para maior eficiência das etapas subsequentes de branqueamento da celulose.
A xilanase foi extraída do Aspergillus caespitosus, um fungo de solo descrito em 1944 nos Estados Unidos e isolado na USP, em 2001, a partir de amostras coletadas no campus de Ribeirão Preto.
As pesquisadoras cultivaram o fungo em dois resíduos agrícolas, bagaço de cana-de-açúcar e farelo de trigo, por meio do método de fermentação em estado sólido. Ambos os substratos se mostraram bastante vantajosos por causa do baixo custo, da facilidade de crescimento fúngico e da alta produção de xilanase.
O aproveitamento de bagaço de cana e farelo de trigo insere o processo no conceito de bioeconomia circular, agregando valor a resíduos agroindustriais abundantes no Brasil.
“O bagaço de cana se tornou mais eficiente quando fizemos um pré-tratamento com hidróxido de sódio [soda cáustica], que separa a celulose da hemicelulose e da lignina, facilitando a penetração do fungo nas fibras. O farelo de trigo, por sua vez, não demandou pré-tratamento por ter boa disponibilidade de carbono, a principal fonte de energia do fungo”, explica Polizeli.
A pesquisadora ressalta, no entanto, que um fator importante a ser levado em conta na escolha do substrato é a disponibilidade local, uma vez que esta pode implicar aumento de custo. Em regiões com alta produção de açúcar e etanol, como o interior do Estado de São Paulo, o bagaço da cana seria o substrato mais indicado, mesmo considerando a necessidade de pré-tratamento. Em regiões produtoras de trigo, como o Estado do Rio Grande do Sul, o farelo de trigo seria mais indicado.
Processo
O branqueamento da polpa não pode ser realizado por completo com enzimas fúngicas porque requer altas temperaturas, que as enzimas não suportam. No entanto, ao longo dos anos, o grupo liderado por Polizeli demonstrou que a enzima do Aspergillus caespitosus tolera temperaturas em torno de 60 °C, quando muitos fungos não vão muito além de 40 °C.
“À medida que avança o processo de branqueamento na fábrica, as temperaturas vão sendo reduzidas. Com isso, nossa enzima pode ser utilizada nas últimas etapas do processo, em que a temperatura é próxima de 60 °C, atuando como um passo complementar ao branqueamento químico convencional e reduzindo a necessidade de dióxido de cloro e, consequentemente, a carga química do processo”, conta Polizeli.
Agora, o grupo busca formas de imobilizar a enzima em algum suporte químico, para que ela possa ser reutilizada mais vezes e até mesmo suportar temperaturas mais altas.
Uma aposta promissora são as nanopartículas magnéticas combinadas à nanocelulose, que poderiam servir, inclusive, para enzimas utilizadas em outras indústrias, como na produção de bioetanol. Os resultados reforçam o potencial da biodiversidade brasileira como fonte de biotecnologias sustentáveis com aplicação industrial.
Uma nova técnica utilizando inteligência artificial (IA) se mostrou capaz de analisar imagens em tempo real para identificar o frescor da carne, otimizando o controle de qualidade do produto.
A pesquisa, desenvolvida no RastreIA – projeto sediado no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) USP – apresenta uma abordagem inovadora baseada em visão computacional, com potencial para impactar diretamente a indústria de alimentos e a segurança alimentar do consumidor.
Robson Campos, doutorando no Cena e integrante do RastreIA, explica que a avaliação da qualidade da carne ainda depende, em grande parte, de análises laboratoriais – que podem ser demoradas, custosas e, muitas vezes, destrutivas, por exigirem a coleta e o preparo de amostras.
Além disso, esses métodos nem sempre são viáveis para aplicações em larga escala ou em tempo real.
De acordo com o pesquisador, que é um dos autores do estudo, a comprovação do frescor também tem sido majoritariamente baseada em verificações visuais humanas, o que pode gerar falhas, levando tanto ao desperdício (ao indicar que a carne está estragada quando não está), quanto a riscos à segurança alimentar (quando não identifica que existe um problema).
Dessa forma, os modelos de visão computacional, com o uso de imagens digitais, surgem como uma alternativa não destrutiva, capaz de captar com eficiência características visuais associadas ao processo de deterioração do alimento. Os modelos de IA usados para análise reconhecem padrões visuais imperceptíveis a olho nu.
“A inteligência artificial pode contribuir enormemente para a ciência dos alimentos, à medida que uma máquina com uma boa IA integrada pode verificar peça por peça em uma linha de corte de carne com precisão de quase 100%, pelo menos em relação ao frescor, agilizando a verificação, aumentando a segurança e reduzindo custos”, afirma Campos.
Controle de qualidade
O Brasil assumiu, em 2025, a liderança mundial na produção de carne bovina, ao registrar cerca de 12,4 milhões de toneladas, superando Estados Unidos e China, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Ao mesmo tempo, uma pesquisa realizada em 2026 pelo Instituto QualiBest indica que os consumidores demonstram crescente preocupação com a sustentabilidade, a origem e a qualidade dessa produção. Armazenamento e manuseio inadequados são fatores que impactam diretamente o odor, a cor e a textura da carne.
Ao aproveitar modelos pré-treinados e métodos otimizados de extração de características, o sistema desenvolvido no RastreIA reduz a necessidade de grandes volumes de dados e de longos processos de treinamento.
Isso facilita sua implementação em ambientes industriais, como frigoríficos. Outro ponto relevante é que a análise é completamente não destrutiva, pois o método não exige contato físico com a amostra nem a utilização de reagentes químicos.
Método
Um artigo que descreve o treinamento de modelos de inteligência artificial (IA) para classificar o frescor da carne com base em dados de imagem foi publicado na Food Chemistry, importante revista científica internacional da área.
O método proposto combina redes neurais convolucionais profundas (DCNNs), amplamente utilizadas em reconhecimento de imagens, com a ferramenta Radam (Random Encoding of Aggregated Deep Activation Maps – Codificação Aleatória de Mapas Agregados de Ativação Profunda), responsável por extrair e organizar características relevantes dessas imagens.
Desenvolvida por pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP, a Radam é capaz de reconhecer padrões complexos de textura em imagens.
Diferente de modelos tradicionais, ela aproveita o conhecimento de outras IAs já treinadas e o adapta para tarefas específicas, exigindo menos dados e menor poder computacional.
Além disso, a tecnologia já alcançou resultados de ponta em nível mundial e pode-se aplicar em diferentes áreas, como medicina, indústria, meio ambiente e na identificação de materiais.
No estudo atual, algoritmos de aprendizado de máquina, que classificam a carne em diferentes estágios de frescor, processaram as informações de textura da carne e de suas assinaturas bioquímicas.
Nesse sentido, a equipe testou o sistema em conjuntos de dados contendo imagens de carne bovina, previamente categorizadas. A abordagem alcançou níveis de precisão entre 93% e 100%, dependendo da configuração utilizada, indicando alta confiabilidade na classificação.
Integração com técnicas tradicionais
Ainda que os níveis de precisão sejam satisfatórios, os pesquisadores alertam que, na avaliação, basearam-se apenas em características visuais externas da carne, que podem não capturar todos os aspectos relacionados ao frescor, como alterações microbiológicas ou químicas internas.
Além disso, fatores como iluminação, posicionamento da câmera e composição da amostra podem influenciar o desempenho dos modelos.
Outro desafio apontado é a variabilidade natural do alimento. Elementos como o teor de gordura, por exemplo, podem alterar a aparência da carne e impactar a precisão das classificações, sendo um aspecto ainda a ser explorado em estudos futuros, na avaliação dos cientistas.
Para eles, a visão computacional não se destina a substituir completamente os métodos analíticos convencionais; sua integração com técnicas tradicionais e avançadas mais recentes, por meio da fusão de dados, oferece uma abordagem complementar e potencialmente mais robusta.
Segundo análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema), referente à semana de 3 a 9 de abril e divulgada nesta quinta-feira (9), os preços do milho apresentaram leve recuperação no Brasil. No Rio Grande do Sul, as principais praças registraram valores em torno de R$ 57,00 por saca, enquanto nas demais regiões do país as cotações oscilaram entre R$ 50,00 e R$ 68,00 por saca.
De acordo com a Ceema, o milho ainda apresenta preços considerados acessíveis ao consumidor interno, mas há preocupação com o comportamento do mercado nos próximos meses. A expectativa é de uma safra menor, especialmente na segunda safra, em função da redução de área plantada e de condições climáticas adversas, o que pode pressionar os preços no segundo semestre. A consultoria Brandalize Consulting também aponta que a demanda externa deve contribuir para esse movimento de alta.
No avanço da comercialização, cerca de 18% da safrinha 2025/26 já havia sido negociada, considerando uma produção estimada em 100,6 milhões de toneladas. O ritmo varia entre os estados, com destaque para Mato Grosso, que alcançou 24,4% da produção esperada comercializada, enquanto outras regiões apresentam percentuais menores. No Matopiba, a comercialização atingia 15,8% da produção prevista. O plantio da segunda safra está praticamente concluído no país.
Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que a colheita da safra de verão atingia 51,3% da área total, em linha com a média histórica para o período. Já em relação à segunda safra, o Paraná segue como ponto de atenção devido a problemas climáticos que têm impactado o desenvolvimento das lavouras.
No Mato Grosso, o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) projeta crescimento de 1,5% na demanda pelo cereal. A safrinha no estado teve 1,17 milhão de hectares semeados fora da janela ideal, mas a produção ainda é estimada em 51,7 milhões de toneladas, com área de 7,39 milhões de hectares e produtividade média prevista de 116,6 sacas por hectare.
As exportações brasileiras de milho somaram 983.029 toneladas em março, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), volume 12,8% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. O preço médio por tonelada, no entanto, recuou 4,1%, passando de US$ 240,30 em março de 2025 para US$ 230,40 em março de 2026.
Um estudo publicado na revista Crop Protection aponta impactos da cigarrinha-do-milho sobre a produção nacional. A pesquisa, conduzida pela Embrapa Cerrados, Epagri e CNA, indica perda média de 22,7% da safra anual entre 2020 e 2024, com prejuízo estimado em US$ 6,5 bilhões por ano. “Atualmente, os dois tipos de enfezamentos – o pálido e o vermelho – são a maior ameaça fitossanitária à produção brasileira do grão. As duas doenças são causadas pela cigarrinha-do-milho, que também transmite os vírus do mosaico-estriado e da risca do milho.”
O estudo também destaca os efeitos indiretos das perdas na cadeia produtiva. “O impacto negativo da cigarrinha ultrapassa a porteira da fazenda, já que o milho é base para a produção de proteína animal (aves, suínos e leite) e biocombustíveis, e as quebras de safra elevam os preços para o consumidor e afetam a balança comercial brasileira”.
A prévia da carga tributária (peso dos impostos e demais tributos sobre a economia) subiu para 32,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, divulgou nesta sexta-feira (10) o Tesouro Nacional. Em 2024, o mesmo indicador tinha atingido 32,22%, diferença de 0,18 ponto percentual.
Esse foi o maior valor da série histórica, que começou em 2010. Segundo o Tesouro, vários fatores pesaram para o aumento da carga tributária. O principal foi o crescimento da economia e do emprego formal, que aumentou a arrecadação de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) em 0,23 ponto percentual do PIB e a arrecadação da Previdência Social em 0,12 ponto percentual.
A elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) também fez a prévia da carga tributária subir 0,1 ponto percentual. No ano passado, o governo elevou o IOF sobre operações cambiais e de crédito e sobre a saída de moeda estrangeira. A medida chegou a ser derrubada pelo Congresso, mas foi parcialmente mantida pelo Supremo Tribunal Federal.
Em contrapartida, a participação dos impostos sobre bens e serviços federais, que incide sobre o consumo, caiu 0,02 ponto percentual em 2025. Embora o valor nominal tenha subido, a participação no PIB recuou.
Em âmbito estadual, a receita do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), tributo que mais arrecada no país e também está relacionado ao consumo, caiu 0,09 ponto percentual do PIB em 2025, mesmo com o aumento nominal da arrecadação. Segundo o Tesouro Nacional, esse movimento reflete a composição do crescimento econômico em 2025, concentrado em setores sobre os quais não há incidência do ICMS ou a incidência é reduzida.
Na esfera municipal, a receita do Imposto sobre Serviços (ISS) subiu 0,02 ponto percentual do PIB, impulsionada pelo crescimento de 2,9% no volume de serviços em 2025.
A carga tributária do governo federal subiu 0,26 ponto percentual em 2025, de 21,34% para 21,6% do PIB. O peso dos impostos estaduais recuou 0,1 ponto, de 8,48% para 8,38% do PIB. Nos governos municipais, a arrecadação de impostos subiu 0,03 ponto percentual, de 2,39% para 2,42% do PIB, puxada por aumentos no Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e pelo ISS.
Ao somar as três esferas de governo (federal, estadual e municipal), os Impostos sobre bens e serviços caíram 0,09 ponto percentual do PIB em relação a 2024, passando de 13,87% para 13,78%. No entanto, os Impostos sobre renda, lucros e ganhos de capital subiram de 9,04% para 9,16% do PIB, alta de 0,12 ponto em relação ao ano anterior.
A arrecadação dos impostos sobre a propriedade subiu 0,02 ponto, de 1,71% para 1,73% do PIB. A receita dos impostos sobre a folha de pagamento e a mão de obra subiu 0,01 ponto, de 0,3% para 0,31% do PIB. Por causa do crescimento das importações, os impostos sobre o comércio externo e as transações internacionais avançaram 0,05 ponto, de 0,66% para 0,71% do PIB.
O peso das contribuições sociais sobre o PIB subiu de 6,63% para 6,72% do PIB. A alta de 0,09 ponto percentual foi motivada principalmente pela arrecadação da contribuição para a Previdência Social, que subiu de 5,28% para 5,4% do PIB, puxada pela recuperação do mercado de trabalho.
Em março ou abril, o Tesouro divulga uma estimativa própria da carga tributária do ano anterior. Segundo o Ministério da Fazenda, a elaboração de uma prévia da carga tributária é necessária porque os dados são incluídos na prestação de contas da Presidência da República. O número oficial, divulgado pela Receita Federal, só sai ao longo do segundo semestre.