sexta-feira, março 27, 2026

News

AgroNewsPolítica & Agro

Goiás lidera produção nacional de melancia


A edição de novembro do informativo Agro em Dados, elaborado pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), aponta que a melancia ocupa a quinta posição entre as frutas mais produzidas no Brasil. O levantamento também indica que o país está em quinto lugar no ranking mundial, ao lado de China, Índia, Turquia e Argélia. Segundo o documento, essa relevância decorre “não apenas do volume colhido, mas também da ampla aceitação pelo consumidor e do papel estratégico no abastecimento do mercado interno e externo”.

Em Goiás, a melancia é o quarto fruto mais cultivado e exerce forte impacto socioeconômico ao gerar emprego, renda e fortalecer a fruticultura regional. Em 2024, o estado superou a Bahia e assumiu a liderança nacional na produção, de acordo com dados do IBGE. A série histórica mostra que, nos últimos dez anos, a produção goiana cresceu 9,6%, alcançando 270,5 mil toneladas em 2024. No mesmo período, houve redução de 11,8% na área plantada, acompanhada de aumento de 24,2% na produtividade. O valor da produção avançou 134,9%, totalizando R$ 273,3 milhões. O relatório afirma que Goiás alcançou “patamar recorde para a cultura no estado em produtividade e valor da produção”.

Entre os municípios, Uruana se mantém como o maior produtor de melancia do país, responsável por 32,6% do volume estadual. Jussara retomou o cultivo em 2024 e atingiu a segunda posição no ranking, enquanto Santa Fé de Goiás apresentou o maior avanço em comparação com 2023, duplicando sua produção, segundo o IBGE.

O informativo destaca ainda avanços no melhoramento genético, impulsionados pela crescente demanda por melancias sem sementes. As pesquisas buscam desenvolver cultivares híbridas com maior doçura, textura firme e maior shelf-life. O documento aponta que “esse investimento gera um produto de maior valor agregado”, ampliando a rentabilidade e permitindo o acesso a mercados mais exigentes.

As cotações no estado registraram oscilações no segundo semestre. Na segunda quinzena de setembro, o aumento da oferta em Uruana pressionou os preços, que recuaram após breve alta no início do mês. O Hortifrúti/Cepea indica que a retração está ligada à menor demanda e às temperaturas mais amenas nas regiões Sul e Sudeste. Em outubro, a desaceleração da colheita na região provocou reação nos preços. No atacado de São Paulo, no entanto, as vendas perderam força devido ao clima frio. A expectativa é de novo recuo da demanda ao fim do mês.

No mercado internacional, as exportações brasileiras de melancia se concentram entre janeiro e setembro. Em 2024, o país registrou recorde em volume exportado e o segundo melhor resultado da série histórica em faturamento. Para Goiás, o período representou o melhor desempenho em seis anos, com valor exportado de US$ 270,1 mil. Apesar disso, apenas 1,4% da produção estadual foi destinada ao mercado externo em 2024, o equivalente a 3,8 mil toneladas. O relatório avalia que existe “um cenário de oportunidades” para ampliar a presença goiana no comércio internacional.

Os principais destinos da fruta produzida no estado são Argentina, Paraguai e Uruguai. Em 2023, os Emirados Árabes Unidos passaram a integrar a lista de compradores. No acumulado de janeiro a setembro de 2025, o país árabe é o que apresenta melhor remuneração por tonelada exportada.





Source link

News

Plantio de soja 2025/26 atinge 92% no Paraná



O plantio da 1ª safra 2025/26 de soja no Paraná atingiu 92% da área prevista até 17 de novembro, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento. A área destinada à oleaginosa foi estimada em 5,776 milhões de hectares, praticamente estável em relação aos 5,770 milhões cultivados na temporada 2024/25.

  • Fique por dentro das novidades e notícias recentes sobre a soja! Participe da nossa comunidade através do link! 🌱

As condições das lavouras permanecem favoráveis, com 92% classificadas como boas, 7% como médias e 1% como ruins. Quanto às fases de desenvolvimento, 8% das áreas estão em germinação, 69% em crescimento vegetativo e 23% em floração.

Comparação semanal

Na semana anterior, em 10 de novembro, o plantio estava em 86% da área, com condições de 91% boas, 7% médias e 2% ruins, distribuídas entre as fases de germinação (12%), crescimento vegetativo (75%) e floração (13%).

Para a temporada 2025/26, o Deral projeta produção de 21,962 milhões de toneladas, um aumento de 4% frente às 21,185 milhões da safra 2024/25. A produtividade estimada é de 3.802 kg/ha, superior aos 3.671 kg/ha registrados na safra anterior.



Source link

News

Abiove atualiza projeções do complexo soja para 2026



A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) divulgou sua nova projeção para o balanço de oferta e demanda do complexo da soja em 2026, trazendo números que apontam para um novo ciclo de expansão. Os números da produção brasileira de soja são estimados em 177,7 milhões de toneladas, enquanto o esmagamento deverá atingir 60,5 milhões de toneladas. A expectativa é que a produção de farelo alcance 46,6 milhões de toneladas, e a de óleo de soja, 12,5 milhões de toneladas.

  • Fique por dentro das novidades e notícias recentes sobre a soja! Participe da nossa comunidade através do link! 🌱

No comércio exterior, o Brasil deve consolidar sua posição no mercado global. As exportações de grãos estão projetadas em 111 milhões de toneladas, um novo patamar histórico. O farelo de soja deve registrar 24,6 milhões de toneladas exportadas, enquanto o óleo pode chegar a 1,2 milhão de toneladas, um avanço de 20% em relação ao ano anterior. As importações de óleo devem permanecer em 125 mil toneladas, e as de soja, em 500 mil toneladas, destinadas a complementar a oferta interna.

Segundo Daniel Furlan Amaral, diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da Abiove, os resultados reforçam o dinamismo e a resiliência do setor. ”Mesmo com ajustes pontuais, os números reforçam a solidez da cadeia da soja e a capacidade do setor em responder às demandas do mercado interno e externo com eficiência”, diz Amaral. Segundo ele, a expansão do processamento, somada ao ritmo consistente das exportações, confirma o papel estratégico do Brasil no comércio internacional do complexo da soja.

Cenário atualizado em 2025

Até setembro de 2025, os dados consolidados mostram desempenho positivo. A produção de soja do ciclo alcançou 172,1 milhões de toneladas, enquanto o esmagamento atingiu 58,5 milhões de toneladas. A produção de farelo se manteve estável, somando 45,1 milhões de toneladas, e a de óleo alcançou 11,7 milhões de toneladas.

Processamento mensal e exportações

Em setembro de 2025, o volume processado foi de 4,1 milhões de toneladas, queda de 9,1% em relação a agosto e retração de 1,2% na comparação com setembro de 2024, após ajustes amostrais. No acumulado do ano, porém, o processamento registra alta de 5,1% frente ao mesmo período de 2024, totalizando 39,3 milhões de toneladas.



Source link

News

Açúcar: safra global 2025/26 deve ter superávit de 1,625 milhão de toneladas



O mercado mundial de açúcar deve registrar um superávit de 1,625 milhão de toneladas na safra 2025/26, revertendo o déficit do ciclo anterior, segundo o novo relatório trimestral da Organização Internacional do Açúcar (ISO). A revisão marca uma inflexão após anos de balanços apertados, embora a entidade destaque que os estoques seguem historicamente baixos.

A organização também reduziu o déficit estimado para 2024/25 para 2,916 milhões de toneladas, contra projeção anterior de 4,879 milhões. Mesmo com a melhora, o nível de estoques continua crítico: o índice estoque/uso deve cair a 52,74% em 2025/26. A demanda global deve avançar 0,56% na safra, para 180,142 milhões de toneladas, após o recorde de 181,207 milhões em 2023/24. O consumo resiliente limita o alívio esperado a partir do superávit.

Apesar da virada para superávit do açúcar, os preços internacionais continuam enfraquecidos. A média mensal de novembro (até o dia 11) do contrato mais negociado na Bolsa de Nova York ficou abaixo de 14 cents/lb, menor nível em 57 meses. Entre maio e julho, o açúcar bruto em dólar recuou 6%, movimento amplificado pelo dólar mais fraco. No Brasil, o açúcar cristal caiu ao menor preço em três anos. A OIA mantém visão neutra para os próximos três meses, citando a combinação de superávit, sazonalidade de moagem e ampla disponibilidade exportável.

Etanol global cresce, Brasil recua

O superávit de açúcar também influencia o mercado de biocombustíveis. A produção global de etanol deve subir para 120,6 bilhões de litros em 2025 (+1,7%), enquanto o consumo alcançará 120,5 bilhões (+2,6%). Segundo a OIA, os EUA devem atingir 61,5 bilhões de litros, novo recorde. Além disso, o Brasil deve recuar para 32,7 bilhões, ante 33,7 bilhões, devido à priorização do açúcar. Já a Índia deve avançar de 7,2 para 9,5 bilhões de litros, impulsionando a meta de mistura de 20%.



Source link

News

EUA ampliam pagamentos a agricultores afetados por desastres climáticos



O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) abriu a segunda etapa de pagamentos destinados a agricultores prejudicados por desastres naturais. A nova fase acrescenta US$ 16 bilhões ao programa, que já havia distribuído US$ 9,3 bilhões na rodada anterior.

De acordo com o USDA, os recursos serão repassados por meio da Agência de Serviços Agrícolas (FSA), responsável pelo atendimento aos produtores e pelo processamento das solicitações.

Prazos para os pedidos

Os escritórios da FSA começarão a receber os pedidos para a segunda rodada na próxima semana. O governo informou que também continuará aceitando as solicitações referentes à primeira etapa. O prazo para envio dos pedidos, tanto da rodada inicial quanto da nova, seguirá aberto até abril de 2026.

A segunda fase do programa é voltada a produtores que sofreram perdas relacionadas a desastres naturais ocorridos em 2023 e 2024. Nesse período, foram registrados 55 eventos climáticos e desastres individuais, conforme dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).

Renda do setor agropecuário

Os repasses do governo são considerados um componente relevante para a renda do setor agropecuário norte-americano. Em avaliação divulgada em setembro, o USDA estimou que o lucro líquido da atividade deve alcançar quase US$ 180 bilhões em 2025. Segundo o órgão, a projeção é sustentada principalmente pelas condições de mercado para os produtores de gado e pelo aumento dos pagamentos diretos feitos pelo governo.

O USDA reforça que a segunda rodada se soma aos valores já distribuídos, ampliando o volume total destinado aos produtores que enfrentaram prejuízos nos dois últimos anos. A expectativa é de que os escritórios da FSA concentrem, a partir da próxima semana, o atendimento das novas demandas e o processamento dos pedidos enviados desde o início do programa.

A iniciativa faz parte das ações do governo norte-americano para apoiar produtores atingidos por eventos climáticos significativos, conforme registrado pela NOAA nos dois anos cobertos pela nova etapa.



Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Goiás se firma como 5º maior produtor de leite


Goiás alcançou 1,4 milhão de vacas ordenhadas e 2,9 bilhões de litros de leite produzidos em 2024, segundo a edição de novembro do informativo Agro em Dados, elaborado pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) com base em dados do IBGE. O documento afirma que o estado “se posiciona como o quinto maior produtor de leite do país no período”.

O município de Orizona lidera a produção estadual, com “39,5 mil vacas ordenhadas e 124,5 milhões de litros de leite produzidos”, seguido por Piracanjuba e Bela Vista de Goiás, ambos com volumes superiores a 80 milhões de litros anuais. Rio Verde e Jataí também mantêm participação relevante, superando 70 milhões de litros. Luziânia aparece com o segundo maior número de vacas ordenhadas, “33,7 mil cabeças”, mas ocupa apenas a 12ª posição em produção, alcançando 50,7 milhões de litros, desempenho que indica rendimento médio menor que o observado nos municípios líderes.

O informativo destaca ainda o impacto das condições de mercado sobre o setor. A Embrapa Gado de Leite aponta que a diferença nos preços internacionais tem favorecido o avanço das importações brasileiras. A remuneração ao produtor caiu na Argentina de “US$ 0,42 para US$ 0,36 por litro”, enquanto Uruguai e Brasil registraram médias de “US$ 0,43 e US$ 0,47”, respectivamente. Esse cenário impulsionou as compras externas, que passaram de 19,2 mil toneladas em agosto para 23,3 mil toneladas em setembro, alta de 20%. No período, “66,1% do volume total importado foi proveniente do território argentino”.

Ainda segundo a Embrapa, o aumento surpreendeu o mercado, que projetava retração das importações no segundo semestre diante da queda dos valores internos e da elevação da produção nacional, que vem criando “uma oferta adicional ainda não acompanhada pelo consumo doméstico”. Em setembro, Goiás exportou 3,5 toneladas de leite condensado para a Argentina e importou 62,4 toneladas de soro de leite.





Source link

News

Compras de soja da China ficam abaixo do previsto e colocam em risco acordo com EUA


soja - grãos
Colheita de soja | Foto: Wenderson Araujo/Trilux

A trégua comercial firmada no fim de outubro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês Xi Jinping já dá sinais de fragilidade. É o que indica uma análise publicada pela agência Dow Jones, destacando que as duas potências intensificam movimentos internos para reduzir vulnerabilidades, e que parte dos compromissos assumidos pode não ser cumprida.

Segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), a China comprou apenas 332 mil toneladas de soja norte-americana desde o final de outubro. O volume representa menos de 3% do que Washington afirma ter sido prometido por Pequim até janeiro. A retomada das compras era considerada um dos pilares do acordo após meses de tensão na disputa transpacífica.

Apesar do sinal de alerta, especialistas ouvidos pela publicação afirmam que ainda é cedo para considerar um colapso da trégua. Daniel Kritenbrink, sócio da consultoria The Asia Group e ex-secretário assistente de Estado para Assuntos do Leste Asiático e Pacífico, lembra que ambos os lados já mostraram disposição de “causar dor” quando necessário, o que, na visão dele, pode levar à cautela para evitar escaladas desnecessárias.

Medidas internas alimentam tensão

Enquanto o ritmo das compras chinesas frustra expectativas, China e EUA avançam em estratégias próprias para reduzir dependências, o que pode gerar novos atritos nos próximos meses.

Do lado chinês, embora Pequim tenha concordado em suspender a ampliação dos controles de exportação sobre terras raras, o Ministério do Comércio está acelerando contratações no maior ritmo desde 2002 para reforçar a fiscalização dessas restrições, segundo Jack Burnham, analista da Foundation for Defense of Democracies.

Nos Estados Unidos, o governo avança em frentes paralelas. Washington firmou parcerias com Malásia e Austrália no setor de terras raras, adquiriu participações em empresas estratégicas como a MP Materials e segue buscando novas rotas de suprimento.

Com cada país fortalecendo sua resiliência interna, especialistas alertam que o cenário pode reacender a pressão sobre commodities agrícolas, especialmente a soja, peça central na relação comercial entre as duas maiores economias do mundo.

O post Compras de soja da China ficam abaixo do previsto e colocam em risco acordo com EUA apareceu primeiro em Canal Rural.



Source link

News

Novo seguro rural premia produtores de soja que adotam manejo sustentável



O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) começou a testar um novo modelo de seguro rural que leva em conta as práticas de manejo adotadas pelo produtor. A iniciativa, inédita no país, está em fase piloto e começou pela cultura da soja no Paraná. Ao todo, 29 áreas, somando cerca de 2,4 mil hectares, aderiram ao programa e já contrataram apólices com diferentes percentuais de subvenção, que variam conforme o cuidado com o solo.

A ferramenta faz parte do Zoneamento Agrícola de Risco Climático em Níveis de Manejo (ZarcNM) e utiliza metodologia desenvolvida pela Embrapa. O sistema classifica cada talhão em quatro níveis, considerando indicadores claros e auditáveis. Quanto melhor o manejo, maior a subvenção paga pelo governo no seguro rural.

Como funciona o novo modelo

As áreas participantes foram distribuídas nos quatro níveis previstos pelo ZarcNM:

  • 5% atingiram o Nível 4, o mais alto, que dá direito à subvenção de 35%.
  • 27% ficaram no Nível 3, com 30% de subvenção.
  • 57% se enquadraram no Nível 2, recebendo 25%.
  • 11% permaneceram no Nível 1, com o índice padrão de 20% do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Segundo o diretor de Gestão de Riscos do Mapa, Diego Almeida, a tendência é que esse modelo se torne permanente. A expansão deve começar por outros estados produtores de soja e, depois, avançar para o milho. Para ele, a mudança ajuda a corrigir um problema histórico do seguro rural: a dificuldade de avaliar o risco climático de forma individualizada, por talhão.

Por que o manejo pesa tanto no risco climático

De acordo com o pesquisador José Renato Bouças Farias, da Embrapa Soja, propriedades com manejo mais eficiente são menos vulneráveis à seca. Práticas conservacionistas, como manter o solo protegido e aumentar sua capacidade de infiltração, reduzem o risco de perdas e garantem maior disponibilidade de água para as plantas.

“As melhorias no manejo do solo aumentam a produtividade, diminuem o impacto da seca e ainda favorecem a conservação ambiental”, afirma Farias.

Ele lembra que a maior parte das áreas de soja no Brasil não é irrigada e depende diretamente da chuva e da umidade armazenada no solo. Por isso, investir em técnicas que ampliem essa reserva hídrica se torna essencial diante das mudanças climáticas.

Tecnologia para avaliar cada talhão

Para classificar os níveis de manejo, o projeto usa seis indicadores, entre eles:

  • tempo sem revolvimento do solo;
  • cobertura de palhada antes do plantio;
  • diversificação de culturas;
  • análises químicas do solo, como cálcio, saturação por bases e alumínio.

A avaliação é feita por meio do Sistema de Informações de Níveis de Manejo (SINM), plataforma digital da Embrapa Agricultura Digital, que cruza análises laboratoriais com imagens de sensoriamento remoto. Isso permite identificar, por exemplo, áreas bem manejadas ao lado de talhões com sinais de erosão, que automaticamente recebem notas menores.

“O sistema consegue diferenciar claramente propriedades vizinhas com condições bem distintas”, explica o pesquisador Eduardo Monteiro, coordenador da Rede Zarc de Pesquisa.

Produtores veem o programa como reconhecimento

Para cooperativas que atuam no Paraná, como a Coocamar, o ZarcNM atende a uma demanda antiga do setor: reconhecer financeiramente quem investe no solo.

O gerente executivo técnico da cooperativa, Renato Watanabe, afirma que produtores com manejo adequado, mesmo em solos arenosos, tendem a resistir melhor à seca. Já áreas com rotação limitada, como apenas soja e milho, ficam mais vulneráveis.

O cooperado José Henrique Orsini, de Floresta (PR), aprovou a iniciativa. Ele costuma usar braquiária após a colheita da soja para formar palhada e melhorar o solo. Neste ano, ficou no Nível 2, com 25% de subvenção, mas afirma que uma pequena mudança no sistema — como integrar culturas no inverno — já o levaria ao Nível 3.

Outro produtor, José Rogério Volpato, alcançou o Nível 3 graças ao uso de integração lavoura-pecuária e do consórcio milho–braquiária. Ele cultiva solos arenosos e afirma que as práticas ajudam a manter estabilidade produtiva, mesmo em anos de veranico.

Nos talhões onde há braquiária, a raiz profunda rompe camadas compactadas, melhora a infiltração da água da chuva, reduz a erosão, aumenta matéria orgânica e cria um microclima mais favorável ao desenvolvimento da soja.

Próximos passos

O projeto-piloto foi regulamentado pela Instrução Normativa nº 2/2025, publicada em julho. Para a fase inicial, o governo destinou R$ 8 milhões ao programa.

A expectativa do Ministério da Agricultura é que, após os ajustes finais, o novo modelo seja adotado em escala nacional, premiando quem transforma práticas sustentáveis em resiliência e produtividade no campo.



Source link

News

Para evitar impasses, COP30 monta força-tarefa para fechar acordos


A presidência da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) anunciou na segunda-feira (17) que montou uma força-tarefa entre os negociadores dos países participantes para acelerar as discussões e definir um conjunto de medidas, no que está sendo chamado de Pacote de Belém.

A ideia é que o pacote seja aprovado em duas etapas: a primeira sendo finalizada para aprovação ainda na plenária de quarta-feira (19), dois dias antes do encerramento oficial da conferência; e a segunda para ser concluída na sexta-feira (21), data final do evento.

Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!

A metodologia de trabalho foi comunicada em carta enviada às partes pelo presidente da COP30, André Corrêa do Lago, nesta semana decisiva do evento – que ocorre pela primeira vez na Amazônia – quando ministros dos diferentes governos estão na capital paraense com poder político para fechar possíveis acordos.

“Trabalhemos lado a lado, em modo de força-tarefa, para implementar o Pacote de Belém: com rapidez, equidade e respeito por todos. Aceleremos o ritmo, superemos as divisões e foquemos não no que nos separa, mas no que nos une em propósito e humanidade”, diz um trecho da carta do embaixador.

“O mundo observa não só o que decidimos, mas como decidimos: se o nosso processo reflete confiança, generosidade e coragem. Mais importante ainda, o mutirão pode demonstrar a nossa capacidade de trabalhar em conjunto para responder à urgência”, declara outro trecho do documento.

Pacote de Belém

Os itens do pacote que podem ter suas decisões antecipadas incluem o Objetivo Global de Adaptação (GGA, na sigla em inglês), o programa de trabalho sobre transição justa, planos nacionais de adaptação, financiamento climático, programa de trabalho sobre mitigação, assuntos relacionados à Comissão Permanente de Finanças, ao Fundo Verde para o Clima e ao Fundo Global para o Meio Ambiente e orientações ao Fundo para Resposta a Perdas e Danos.

Também estão incluídos nesse primeiro pacote relatório e assuntos relacionados ao Fundo de Adaptação, Programa de Implementação de Tecnologia e assuntos relacionados ao Artigo 13 do Acordo de Paris, que trata dos relatórios de transparência das ações climáticas.

“O que a presidência propôs e as partes aceitaram é tentar concluir esse primeiro pacote de decisões até quarta-feira à noite. E, com isso, nós mostraremos que o multilateralismo pode gerar entregas e entregas antes mesmo do prazo final”, destacou a diretora do Departamento de Clima do Ministério das Relações Exteriores (MRE), embaixadora Liliam Chagas.

Além desses itens que estão já consolidados na Agenda de Ação da COP30, há um conjunto de quatro temas, que incluem o apelo por ampliação das metas climáticas – as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs, na sigla em inglês) -, o financiamento público de países desenvolvidos a países em desenvolvimento, medidas unilaterais de comércio (imposição de tarifas) e relatórios biaunais de transparência.

Esses pontos, em conjunto, também estão sendo chamados de mutirão de Belém. O segundo pacote tratará de outras questões técnicas. Ao todo, a Agenda de Ação da COP30 tem cerca de 145 itens.

Para viabilizar a força-tarefa, a presidência da COP30 vai pedir autorização à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês) para estender o horário de funcionamento da conferência, por tempo indeterminado.

“Cada grupo decidirá quanto tempo precisa para avançar com o trabalho em andamento”, disse Liliam Chagas.

“Essa ideia surgiu do clima criado na primeira semana, e as partes [países] propuseram isso ao presidente, que seria possível. Então, repito, essa ideia surgiu dessas conversas com as partes, não foi algo que definimos”, reforçou Corrêa do Lago, presidente da conferência em Belém.

Reações

Organizações da sociedade civil que acompanham as negociações avaliaram positivamente o anúncio do pacote de decisões que pode antecipar acordos na COP30.

“O anúncio do pacote político a ser negociado, chamado de ‘mutirão’, nos traz esperança. O plano de resposta global à lacuna de ambição e os ‘mapas do caminho’ para proteção das florestas e para eliminação gradual dos combustíveis fósseis estão na mesa após muitos países demonstrarem apoio na semana passada, dentro e fora das salas de negociação”, afirmou a especialista em política climática do Greenpeace Brasil, Anna Cárcamo.

Segundo a especialista, opções sobre o aumento e o acompanhamento do financiamento público de países desenvolvidos, incluindo pelo menos triplicar investimentos para adaptação até 2030, também estão na mesa: “Porém, o conteúdo de tal pacote ainda está em aberto, incluindo opções mais ambiciosas e outras mais fracas”, completou Anna.

Para a WWF, o mutirão decisório anunciado nesta segunda-feira sugere que as negociações estão em ritmo satisfatório, embora ainda esteja em aberto o conteúdo que será, de fato, pactuado de forma consensual entre as partes.

“O anúncio feito hoje pela Presidência da COP sobre o avanço de dois pacotes de negociação é uma evidência encorajadora de progresso. Uma liderança política decisiva será necessária para retomarmos o caminho rumo ao limite de temperatura de 1,5°C estabelecido pelo Acordo de Paris”, observou Manuel Pulgar-Vidal, líder global de Clima e Energia do WWF.



Source link