Quatro reuniões bilaterais ocorreram nesta quarta-feira (11), durante o segundo dia de debates técnicos do Grupo de Trabalho do G20 Agro, em Mato Grosso. Os encontros foram com representantes das delegações da China, Espanha, Alemanha e União Europeia, para a qual o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, entregou uma carta solicitando a suspensão da Lei Antidesmatamento e a revisão da abordagem punitiva aos produtores que cumprem a legislação vigente.
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As reuniões do Grupo de Trabalho da Agricultura do G20 estão sendo realizadas nesta semana em Chapada dos Guimarães, localizada a cerca de 90 quilômetros de Cuiabá, capital de Mato Grosso.
Estão presentes no local ministros da Agricultura dos 20 países que integram o grupo, além da recém-integrada União Africana, bem como representantes de delegações e organismos internacionais convidados.
O foco principal do G20 Agro é a sustentabilidade na produção agropecuária e o combate à fome.
A carta entregue à União Europeia foi dirigida ao comissário europeu para Agricultura e Desenvolvimento Rural, Janusz Wojciechowski, e simultaneamente às autoridades competentes em Bruxelas.
Durante a reunião bilateral com a União Europeia, o ministro Carlos Fávaro lembrou que o Brasil possui uma das legislações de proteção ambiental mais rigorosas do mundo, o Código Florestal, em vigor desde 2012. Ele também destacou a instituição, em dezembro de 2023, do Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas em Sistemas de Produção Agropecuários e Florestais Sustentáveis (PNCPD).
Fávaro ressaltou que as mudanças climáticas estão avançando mais rapidamente do que o previsto e que “precisamos mudar a nossa forma de produzir“.
Segundo o ministro, o Brasil conta atualmente com cerca de 40 milhões de hectares de pastagens degradadas com potencial para a agricultura, o que pode permitir ao país dobrar sua produção de alimentos nos próximos 10 anos por meio do Programa de Conversão de Pastagens Degradadas. Isso possibilitaria, inclusive, o cumprimento do “compromisso de desmatamento zero até 2030“.
“Mas precisamos da ajuda da União Europeia para dar continuidade a este programa“, afirmou Carlos Fávaro aos representantes da delegação.
A partir do final de 2024, de acordo com proposta da União Europeia, os produtores de soja, carne (e couro), madeira, borracha, café, cacau e óleo de palma precisarão comprovar que suas produções cumprem a legislação brasileira e que não são oriundas de áreas com desmatamento, seja ele legal ou ilegal, para continuarem exportando para os países do bloco.
Principal cliente da produção agropecuária brasileira, especialmente de Mato Grosso, a China se destaca entre as potências pela inovação tecnológica. Em uma reunião bilateral com o vice-ministro de Agricultura e Assuntos Rurais da China, Ma Youxiang, nesta quarta-feira (11), foram discutidos temas de cooperação técnica e comercial agrícola entre os dois países.
Para o ministro Carlos Fávaro, a gigante asiática “é um grande exemplo de desenvolvimento econômico“.
Durante o encontro com a delegação, que participa da reunião ministerial do G20 Agro, que ocorre entre os dias 12 e 13 de setembro, Fávaro destacou, frente às políticas de biossegurança do Brasil, a importância de os dois países trabalharem em “sincronia” com as tecnologias desenvolvidas por ambos, o que proporcionará um aumento da produtividade e, consequentemente, mais produtos para comercialização.