domingo, agosto 9, 2026

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Após acidente doméstico, Lula cancela ida a reunião do Brics na Rússia


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cancelou sua ida a Kazan, na Rússia, para participar da 16ª Cúpula de líderes do Brics. Ele sofreu uma queda neste sábado (19), bateu a cabeça e levou cinco pontos. A equipe médica do Hospital Sírio-Libanês, de Brasília, que o atendeu após o acidente, recomendou que ele evitasse viagens de longa distância.

Conforme o boletim médico do hospital, o acidente não foi grave e o presidente “pode exercer suas demais atividades”.

O embarque para a Rússia seria hoje (20), às 17h. Sua participação será agora feita por videoconferência, informou a Presidência da República.

Brics

O encontro ao qual Lula não comparecerá presencialmente será o primeiro com a participação dos novos países-membros do bloco desde a admissão da Arábia Saudita, Egito, Irã, Etiópia e Emirados Árabes. A cúpula vai de 22 a 24 de outubro.

Apesar de não ter uma pauta específica, o embaixador Eduardo Paes Saboia, secretário de Ásia e Pacífico do Itamaraty, disse que o tema principal do encontro deve ser a criação de um modelo de adesão aos Brics por parte dos chamados “países parceiros”. A categoria de participação tem as mesmas prerrogativas dos países-membros, com direitos plenos.

“É nisso que é consumido o nosso trabalho neste semestre, quais são os critérios para essa modalidade, e há uma expectativa de que, aprovada essa modalidade, possa ser feito um anúncio dos países que seriam convidados para integrar essa categoria”, disse Saboia.

Entre os outros temas que deverão ser abordados no encontro estão a crise do Oriente Médio, operação política e financeira dentro do bloco, além da análise dos relatórios do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) – comandado pela ex-presidente Dilma Rousseff -, do Conselho Empresarial do Brics e da Aliança Empresarial das Mulheres.

O governo russo informou que 32 países confirmaram presença no evento, com a presença de 24 líderes de Estado. Dos dez países-membros do bloco, oito contarão com seus representantes máximos, com a exceção agora do presidente do Brasil e da Arábia Saudita, que enviará seu ministro de Relações Exteriores.

No encontro, deve ser anunciada também uma declaração cujo teor é o fortalecimento do multilateralismo para um “desenvolvimento global justo e seguro”.

A partir do próximo ano, o Brasil assumirá a presidência do Brics, que tem comando rotativo pro tempore com mandatos de um ano.



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Reserva aumenta taxa de sobrevivência de tartarugas e registra eclosão de 147 ovos


A temporada de eclosão dos ovos de quelônios (tartarugas) começou nas Unidades de Conservação do Amazonas.

Na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Amapá, na comunidade Rio Novo, em Manicoré (a 332 km de Manaus), os primeiros 147 ovos de cágados (Podocnemis unifilis e Podocnemis erytrocephala) já eclodiram.

A eclosão é a primeira monitorada pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) na Reserva. A RDS tornou-se a 24ª Unidade de Conservação a realizar o trabalho de monitoramento de quelônios. O local escolhido para essa atividade está localizado no km 360 da BR-319.

Segundo o gestor da RDS, Rosivan Moura, a comunidade recebe diversas pressões e ameaças ambientais. Banhado pelo Rio Novo, o local é utilizado como meio de acesso até o interior da reserva, onde há histórico de caça predatória de ovos de quelônios.

“A ideia de trazer a primeira chocadeira para cá foi de tentar sensibilizar e ter um monitoramento dessa área com uma presença maior do governo do estado, dos órgãos de fiscalização, bem como uma participação mais ativa dos parceiros de trabalho, para que nós possamos minimizar os impactos que essa área vem sofrendo”, explicou o gestor.

Montagem da chocadeira de tartarugas

Foto: Noir Miranda/Sema

A supervisora do Consórcio Concremat/Hollus e gestora ambiental do DNIT, Karen De Santis, explica como foi processo de planejamento. “Nas reuniões, fomos vendo as necessidades, quais apoios seriam necessários, e chegamos no resultado da montagem da chocadeira, por meio de parceria com a empresa que faz a manutenção da BR-319”.

A capacitação para os trabalhos foi realizada pelos técnicos em monitoramento ambiental da Sema, que unem o conhecimento técnico-científico ao conhecimento popular. Foram ensinados os métodos de coleta, identificação da desova e a maneira correta de depositar os ovos na chocadeira.

Ataque de jacaré

O pescador e primeiro morador do trecho do meio da BR-319, Paulo Nazareth, afirma que tentou trabalhar no monitoramento por conta própria há 20 anos, mas não obteve sucesso. “No tempo que meu filho adoeceu precisei ir para Manaus, tinha um cercado para proteger os cágados. Mas como não tinha ninguém para cuidar deles, um jacaré entrou, arrombou a cerca, e levou os tracajás chocados todos embora”, contou.

Segundo especialistas e técnicos da Sema, a taxa de sobrevivência do quelônio manejado é de 15% a 20%, sendo que, na natureza, esta taxa é entre 0,5% a 2%.

“Enquanto eu existir nesse lugar e for vivo, a minha obrigação é fazer isso. Porque a gente convive com a natureza, e a gente sente muito a perda de um animal desse. A gente vê que está diminuindo as tartarugas. Então temos que trabalhar para recuperar. Têm nossos filhos, nossos netos, a nossa família e eles precisam disso”, completou o pescador.

*Sob supervisão de Victor Faverin

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Viu esta? Propriedade de Pelé e sítio de ‘A Fazenda’ estão à venda


O mercado de imóveis rurais de luxo no Brasil ganhou novos destaques, com o anúncio de venda de duas propriedades famosas: o sítio onde foi gravado o reality show “A Fazenda” (na foto acima) e a fazenda que pertenceu ao rei do futebol, Pelé.

As informações são do Portal Chaozão e a reportagem, originalmente escrita por Henrique Almeida, ficou entre as mais lidas do Canal Rural na última semana.

O sítio do programa televisivo, localizado em Itu, São Paulo, está disponível por R$ 7 milhões. O imóvel oferece uma estrutura preparada para turismo e criação de equinos. O local foi palco de diversas edições da atração e, além do apelo midiático, é considerado ideal para atividades de lazer.

Fazenda de Pelé

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Foto: Divulgação Chaozão

Outra propriedade que chama atenção é a fazenda de Pelé, situada em Juquiá, também no estado de São Paulo. Avaliada em R$ 35 milhões, a fazenda tem 661 hectares e é descrita como um local com grande potencial para atividades turísticas e comerciais, além de oferecer uma ampla estrutura para pecuária e agricultura.

De acordo com Geórgia Oliveira, CEO do Portal Chaozão, a compra de propriedades como essas exige não apenas um investimento financeiro considerável, mas também uma compreensão clara sobre o manejo e os custos operacionais de grandes fazendas.

Para os interessados, a lista destaca outras propriedades de alto valor no Brasil, mostrando que o setor de imóveis rurais de luxo segue em alta, com opções que atendem tanto a investidores quanto a quem busca um refúgio no campo sem abrir mão de conforto e infraestrutura.



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Probióticos ajudam a controlar doenças e promovem crescimento em mudas de café


Estudos recentes da Universidade Estadual Paulista (Unesp), do Instituto Biológico de São Paulo (IB) e da Embrapa indicam que probióticos podem ser aliados importantes no controle de doenças e na promoção do crescimento de mudas de café.

Testes com dois probióticos comerciais formulados com Bacillus (Colostrum BIO 21 MIX e Colostrum BS), mostraram redução significativa na severidade de doenças do cafeeiro como ferrugem, mancha de phoma e mancha aureolada. Além disso, esses probióticos estimularam o desenvolvimento das mudas do cafeeiro.

De acordo com Guilherme de Freitas, que concluiu seu mestrado pela Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp, os probióticos foram particularmente eficazes contra a ferrugem do cafeeiro, reduzindo sua severidade em até 95% nas mudas.

O produto Colostrum BIO 21 MIX contém uma mistura de Bacillus subtilis e várias bactérias do ácido lático (Lactobacillus spp, Enterococcus faecium e Pediococcus acidilactici entre outras) enquanto o Colostrum BS é composto apenas por células de Bacillus subtillis.

Além do controle de doenças, explica Freitas, os probióticos promoveram o crescimento das mudas de café, aumentando a massa fresca e seca da parte aérea, o volume radicular e a área foliar, o que pode estar relacionado à produção de fitohormônios pelas bactérias, bem como ao aumento na disponibilidade de nutrientes como fósforo e potássio do solo.

Foto: Carlos Alberto Meira/Embrapa

Wagner Bettiol, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente (SP), destaca que a aplicação de probióticos também foi eficaz no controle de outras doenças. No caso da mancha de phoma, os probióticos Colostrum BIO 21 MIX e Colostrum BS reduziram a severidade em até 79%, enquanto para a mancha aureolada, a redução chegou a 56%.

Ferrugem impõe perdas de até 50%

O café, uma das culturas de maior importância nacional, é suscetível ao ataque de doenças que afetam diretamente a sua produtividade. Altos índices de severidade da ferrugem, principal doença da cultura, podem resultar em perdas de produção que variam de 35% a 50%, afirma a pesquisadora do Instituto Biológico Flavia Patrício, que também participou da pesquisa.

Ela conta que o uso de consórcios microbianos, como o presente no BIO 21 MIX, mostra-se promissor, pois combina microrganismos que atuam de forma sinérgica. A sua aplicação preventiva pode oferecer uma alternativa sustentável ao uso de agrotóxicos, contribuindo para a sanidade e a produtividade das plantações de café, uma vez que não existe produto biológico recomendado para o controle da mancha de phoma até o momento, de acordo com o Agrofit 2023. Contudo, há necessidade de se comprovar a sua eficiência no campo e a sua viabilidade econômica.

Como funcionam os probióticos nos cafezais

As bactérias do ácido lático produzem compostos como ácidos acético, lático e propiônico que são considerados determinantes na atividade antifúngica. Após serem administrados, os probióticos competem e impedem a adesão dos patógenos, produzem compostos antimicrobianos e estimulam a proliferação da microflora benéfica, além de também atuarem modulando o sistema imunológico do hospedeiro, no caso, o cafeeiro.

A utilização desses consórcios pode melhorar a saúde e a vitalidade das mudas de café desde as fases iniciais do cultivo, preparando-as para um crescimento mais vigoroso e sustentável quando transplantadas para o campo, estratégia que pode contribuir para o aumento da produtividade.

“Vale ressaltar também que as bactérias do ácido lático presentes nos probióticos são reconhecidas como seguras conforme estabelecido pela Administração Federal de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA), e pela Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA), portanto, podem ter maior agilidade para serem registrados para o segmento agrícola, ao serem comparados com produtos formulados com outras espécies ainda não estudadas”, explica Freitas.


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Deserto coberto por painéis solares na China traz benefícios ecológicos e melhora ambiente local



O desenvolvimento de parques solares em áreas desérticas tem se mostrado benéfico para o meio ambiente, conforme revela um estudo realizado na China. A pesquisa, publicada pela Nature, avaliou os efeitos ecológicos do Parque Fotovoltaico de Gonghe, no deserto de Qinghai.

A instalação fotovoltaica apresentou condições ambientais melhores dentro do parque em comparação com áreas de transição e fora do parque. A avaliação demonstrou que a presença dos painéis solares influenciou positivamente o microclima, o solo e a biodiversidade local.

Além de melhorar a qualidade ambiental da área, o parque contribuiu para a regulação do solo e microclima, bem como para a restauração da vegetação.

Segundo os pesquisadores, os resultados indicam que as usinas solares não só desempenham um papel importante na mitigação da crise energética global, como também ajudam a melhorar a ecologia das áreas desérticas.

Além disso, a pesquisa sugere que as instalações fotovoltaicas em regiões áridas podem reduzir as emissões de carbono e gerar benefícios socioeconômicos ao promover o uso eficiente da terra.

Estudo do efeito dos painéis solares no deserto

Foi utilizando na pesquisa o modelo DPSIR (Driving-Pressure–Status–Impact-Response) para medir o impacto ambiental. O modelo é usado para avaliar as interações entre fatores ambientais, sociais e econômicos, descrevendo como as atividades humanas (força motriz) geram pressões sobre o meio ambiente, alterando seu estado, causando impactos e demandando respostas para mitigar esses efeitos.

O estudo destacou a necessidade de um monitoramento contínuo para garantir a segurança dos ecossistemas e o crescimento sustentável da indústria fotovoltaica. Isso é fundamental para maximizar os benefícios ambientais e minimizar possíveis impactos negativos no futuro.



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Chuvas em MG, RJ e SP superam média do mês todo em 24h; há mais risco de tempestade


Nas últimas 24 horas, várias localidades brasileiras foram afetadas por chuvas de extrema intensidade com volumes que, em alguns casos, superaram a média climatológica de todo o mês de outubro.

Segundo dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as regiões mais afetadas foram Minas Gerais, Rio De Janeiro e São Paulo, com destaque para Itajubá (MG), que registrou 144 mm de chuva.

O município mineiro registrou em apenas 24 horas um volume de chuva superior à média a para todo o mês de outubro, que é de 118,4 mm. Isso significa que, em um único dia, a cidade recebeu mais chuva do que normalmente ocorre ao longo de todo o mês, evidenciando a intensidade do evento.

Em Mangaratiba (RJ), o acumulado de 119,7 mm se aproxima da média climatológica de outubro, que é de 129 mm. Por sua vez, Jales, no interior de São Paulo, registrou 99,8 mm de chuva nas últimas 24 horas, volume que também está muito próximo da média climatológica de outubro, que é de 106 mm.

Outras localidades afetadas

Além desses destaques, cidades como Santa Rita do Sapucaí (MG), que acumulou 141,8 mm, e Campos do Jordão (SP), com várias estações registrando entre 85 mm e 96 mm, também enfrentaram volumes expressivos de chuva, que podem trazer transtornos para a população local, como alagamentos e deslizamentos de terra.

Veja lista dos maiores volumes de chuva nas últimas 24h

  • Itajubá (MG) – 144 mm
  • Santa Rita do Sapucaí (MG) – 141,8 mm
  • Mangaratiba (RJ) – 119,7 mm
  • Itajubá – São Vicente (MG) – 105,8 mm
  • Jales (SP) – 99,8 mm
  • Maria da Fé – MG – 98,2 mm
  • Santa Rita do Sapucaí – Vista Alegre (MG) – 97 mm
  • Campos do Jordão – Vila Abernéssia (SP) – 96,7 mm
  • Campos do Jordão – Bela Vista (SP) – 95,4 mm
  • Itaguaí (RJ) – 91,2 mm
  • Piquete (SP) – 90,4 mm
  • Campos do Jordão – Monte Carlo (SP) – 89,2 mm
  • Campos do Jordão – Alto da Boa Vista (SP) – 87,8 mm
  • Três Corações (MG) – 86 mm
  • Campos do Jordão – Sabesp – Vila Britânia (SP) – 85,6 mm
  • Cachoeira Paulista (SP) – 85,2 mm
  • São José do Rio Preto (SP) – 84,2 mm
  • Careaçu (MG) – 81,8 mm
  • Lambari (MG) – 81,8 mm
  • Pouso Alegre – Cidade Jardim (MG) – 77,6 mm
  • Cruzeiro (SP) – 76,6 mm
  • Pouso Alegre – Faisqueira (MG) – 76,4 mm
  • Queimados (RJ) – 76,4 mm
  • Rio de Janeiro – Jacarepaguá (RJ) – 76 mm
  • Lavras da Mangabeira (CE) – 75,2 mm
  • Canas (SP) – 73,4 mm
  • Mendes (RJ) – 72,4 mm
  • Passa-Vinte (MG) – 72 mm
  • Lavrinhas (SP) – 71,6 mm
  • Avaré – Jardim Bom Sucesso II (SP) – 71,4 mm
  • Barra do Piraí (RJ) – 71 mm
  • Avaré – Jurumirim (SP) – 70,8 mm

Chuva alivia em SP, mas continua em MG e RJ

Neste domingo (20), o tempo segue instável em amplas áreas do Sudeste. A chuva seguirá concentrada em Minas Gerais e Rio de Janeiro, com perigo para tempestades (temporal e chuva volumosa) ao longo do dia. Essas áreas já receberam elevados volumes de chuva neste sábado (19) e continuam com tempo instável.

A chuva alivia em boa parte de São Paulo, ficando mais intensa na faixa de divisa com Minas e Rio de Janeiro. A chuva mais forte deve começar a migrar para o Espírito Santo, com alerta para temporais em todo estado ao longo deste domingo.



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Mel de açaí ganha destaque por benefícios à saúde e sabor sofisticado


O mel de abelhas africanizadas (Apis mellifera L.), produzido a partir da florada do açaizeiro, possui elevados níveis de compostos bioativos derivados da palmeira amazônica. Essas substâncias são reconhecidas por ter um papel importante na promoção e manutenção da saúde humana.

A descoberta é resultado da análise e comparação de méis com origens em diferentes regiões do Brasil e abre caminho para a valorização de um produto da sociobiodiversidade amazônica.

Para ser considerado um mel monofloral, o produto do trabalho das abelhas deve ter na sua origem a predominância de néctar da flor de uma determinada espécie vegetal. A legislação brasileira estabelece como critério para essa classificação a presença de pólen de uma única espécie superior a 45% em uma amostra de mel. 

Essa concentração em um tipo de florada confere ao mel características únicas no sabor, aroma e cor, além de propriedades funcionais específicas. No caso do mel de açaí, as amostras coletadas no município de Breu Branco (PA) e Santa Maria (PA) foram analisadas e comparadas com méis monoflorais de quatro origens: mel de aroeira, de Minas Gerais; mel de cipó-uva, do Distrito Federal; mel de Timbó, do Rio Grande do Sul; e mel do mangue, do Pará.

Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

De acordo com o pesquisador Daniel Santiago, da Embrapa Amazônia Oriental (PA) e um dos autores, a escolha desses méis para comparação se deve às propriedades funcionais e à presença de compostos bioativos que eles possuem, em especial o mel de aroeira, um dos mais valorizados do País.

Benefícios à saúde

As análises revelaram que o mel de açaí possui elevada capacidade antioxidante. Entre as amostras, o mel monofloral da palmeira amazônica superou em quatro vezes o mel de aroeira na avaliação dessa atividade.

“Isso sugere que os méis compostos predominantemente da florada do açaizeiro têm uma capacidade antioxidante mais forte, provavelmente devido a maiores concentrações de polifenóis e outros compostos bioativos”, afirmam os autores.

O professor da Universidade Federal do Pará (UFPA) Nilton Muto, explica que os compostos bioativos, como os polifenóis presentes no mel de açaí, são substâncias encontradas em alimentos e, embora não sejam consideradas nutrientes essenciais (como vitaminas ou minerais), podem ter efeitos benéficos para a saúde. Eles ocorrem naturalmente em pequenas quantidades em plantas e animais e podem influenciar funções biológicas e processos metabólicos no organismo.

“Os polifenóis são uma classe de compostos bioativos e atuam como antioxidantes, neutralizando os radicais livres, e podem ter propriedades anti-inflamatórias, anticancerígenas e cardioprotetoras”, afirma Muto.

De acordo com a literatura científica, a maior concentração de compostos bioativos está relacionada à coloração do mel para um tom mais escuro. E isso se verificou na coloração das amostras de méis de açaí, que variaram de âmbar a âmbar escuro. No entanto, outros fatores também podem influenciar a coloração escura do mel, como os processos de desumidificação e a maturação do produto. “No caso do mel de açaí, ele fica escuro, quase totalmente negro, o que acaba se tornando um atrativo para o produto”, avalia o professor.

Fotos: Vinícius Braga/Embrapa

Quanto ao sabor do mel de açaí, o professor afirma que o produto foi muito bem avaliado pelos grupos de voluntários e analistas sensoriais. Ele não chega a ser tão doce quanto os demais e possui notas de café. “É um mel diferenciado. Acredito que será muito bem aceito pelo público em geral e facilmente incorporável na gastronomia”, observa o professor.

As análises da pesquisa também confirmaram a presença de vários compostos bioativos que a literatura científica relaciona a propriedades anti-inflamatórias, antibacterianas, antimicrobianas e antitumorais no mel de açaí. Segundo Muto, a verificação dessas capacidades já é objeto de outras pesquisas em andamento.


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Frente fria, ciclone e chuva intensa vão marcar a semana; veja a previsão do tempo



A próxima semana será marcada por mudanças significativas no tempo em várias regiões do Brasil. A previsão indica a formação de um ciclone extratropical no Sul, além de temporais no Centro-Oeste e Norte. Chuvas intensas também estão previstas no Sudeste e Nordeste, o que pode beneficiar a agricultura, mas também trazer riscos de ventos fortes e alagamentos.

Confira as previsões por região, com informações do meteorologista do Canal Rural, Arthur Müller, e da Climatempo.

Sul

A semana começa com chuvas leves no oeste de Santa Catarina e no sudoeste, norte e leste do Paraná. O tempo firme prevalece no Rio Grande do Sul, com temperaturas mais amenas nas capitais Florianópolis e Curitiba.

No entanto, a partir de quarta-feira (23), um ciclone extratropical se formará próximo à faixa leste do Rio Grande do Sul, avançando para o oceano e trazendo temporais para os três estados da região.

Rajadas de vento acima de 70 km/h e queda de granizo podem ocorrer, com risco de danos em lavouras e estruturas agrícolas, além de possíveis quedas de árvores e interrupções no fornecimento de energia.

A previsão é de chuvas entre 20 e 50 mm no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, o que ajudará a manter a umidade do solo sem prejudicar os trabalhos agrícolas.

No norte do Paraná, o acumulado pode ultrapassar 100 mm, beneficiando o início da semeadura da safra 2024/2025.

Sudeste

A circulação atmosférica estimula a formação de nuvens carregadas, com o sol aparecendo de forma mais tímida em São Paulo, centro-norte do Rio de Janeiro e Espírito Santo. Pode ocorrer chuva em forma de pancadas, com potencial para temporais localizados.

O tempo ficará mais fechado no norte do Espírito Santo e interior de Minas Gerais, com chuvas persistentes.

Nos próximos cinco dias, o acumulado de chuvas varia de 40 a 60 mm em toda a região, favorecendo a reposição hídrica e o início da safra 2024/2025.

A partir de quinta-feira (24), uma nova frente fria deve trazer temporais para São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e sul de Minas Gerais, com ventos que podem passar de 70 km/h, podendo causar transtornos e queda de energia.

Centro-Oeste

A circulação de ventos mantém o tempo instável, com nuvens carregadas e chuva forte no noroeste e leste de Goiás, e no leste e norte de Mato Grosso. O sol aparece mais no Mato Grosso do Sul, com pancadas de chuva à tarde em algumas áreas.

A previsão alerta para temporais entre quarta e quinta-feira, com risco de queda de granizo e ventos acima de 70 km/h em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás.

O volume de chuva nos próximos cinco dias pode chegar a 70 mm em algumas áreas, o que contribuirá para a recuperação das pastagens e a manutenção da umidade do solo.

Nordeste

A semana será marcada por umidade e chuvas fortes no sul do Maranhão, Piauí e nas regiões oeste e sul da Bahia. As cidades baianas de Ilhéus, Barreiras e Porto Seguro, assim como Balsas (MA), terão tempo instável e encoberto.

No litoral de Alagoas, Pernambuco e Paraíba, há previsão de chuva moderada, enquanto Teresina (PI) e São Luís (MA) terão tempo firme.

Nos próximos cinco dias, o acumulado de chuvas no sul da Bahia pode atingir 40 mm, enquanto no litoral de Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte os volumes variam entre 5 e 10 mm.

No interior do Maranhão, Piauí e Ceará, as temperaturas podem chegar a 39 °C, aumentando o risco de incêndios.

Norte

A região terá risco elevado de temporais no Amazonas, Tocantins, sul do Pará e Acre, com a semana começando abafada e com possibilidade de chuva forte e trovoadas.

O centro-norte do Pará, norte de Roraima e Amapá terão uma semana mais seca.

O acumulado de chuvas na região varia entre 30 e 50 mm, o que ajudará na recuperação das pastagens e na implementação da safra 2024/2025. No entanto, os rios da região continuam em níveis baixos, com recuperação projetada somente para o início de 2024.



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Governos podem ficar proibidos de dar incentivo fiscal



Municípios, estados e o próprio governo federal poderão ser proibidos de conceder ou ampliar benefícios tributários se, ao fim de cada ano, não tiverem recursos suficientes no caixa para honrar com os chamados restos a pagar (RAP). O endurecimento da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) pode impactar cerca de 300 cidades que, atualmente, não respeitam esse equilíbrio.

A mudança, patrocinada pelo Ministério da Fazenda, foi aprovada pelo Senado no projeto de lei que trata da renegociação de dívidas dos estados. Se for chancelada dessa forma pela Câmara, a nova regra começaria a valer a partir de 2027.

De acordo com dados do Tesouro Nacional, em 2023, 307 municípios apresentaram insuficiência em caixa para arcar com os RAP processados (despesas empenhadas e liquidadas que não foram pagas no exercício) e 77 com os não processados (gastos empenhados não liquidados). O volume de entes atingidos pela medida pode ser ainda maior, segundo especialistas, já que o projeto de lei determina a necessidade de haver recursos também para “as demais obrigações financeiras”.

A insuficiência de caixa no poder público revela que uma administração tem gastos previstos sem ter, contudo, lastro financeiro para arcar com as despesas. Quando atinge uma situação séria de déficit financeiro, a máquina começa a entrar em colapso, com o atraso de pagamentos, do 13º salário de servidores, chegando a afetar até remunerações mensais e fornecedores, em contextos mais graves.

Para tentar evitar tal situação, a proposta inserida no PL da dívida dos Estados enrijece uma regra que atualmente só funciona para o último ano de mandato de chefes de Executivos. A LRF veda que, nos últimos oito meses do mandato, o prefeito ou o governador, por exemplo, contraia uma obrigação de despesa que não possa ser cumprida integralmente ainda naquele ano, ou que tenha parcelas a serem pagas no exercício seguinte sem que haja suficiente disponibilidade de caixa para isso. Com o novo texto proposto, esse cuidado deverá ser anual.

“A partir de 1º de janeiro de 2027, se verificado, ao final de um exercício, que a disponibilidade de caixa não é suficiente para honrar os compromissos com Restos a Pagar processados e não processados inscritos e com as demais obrigações financeiras, aplica-se imediatamente ao respectivo Poder ou órgão, até a próxima apuração anual, a vedação à concessão ou ampliação de incentivo ou benefício de natureza tributária”, diz o texto chancelado pelos senadores.

Além disso, o PL prevê que, se o caixa insuficiente perdurar por dois anos, a lista de restrições aumentará. A prefeitura, o estado ou a União não poderão conceder aumento a servidores, criar cargos e alterar uma estrutura de carreira que implique em alta de despesa.

O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou que a proposta foi uma “batalha” encampada pelo órgão para evitar que o problema financeiro dos entes gere um “colapso” na prestação de serviços públicos. Por isso, para ele, a mudança vai além de uma melhora fiscal. Ele afirmou que, nas situações em que o saldo de caixa bruto é inferior ao volume de restos a pagar processados, a administração pública pode estar à beira do colapso.

“Chega num cenário que implode. E isso infelizmente ainda acontece”, disse Ceron. Ele ainda observou que a regra só começará a valer em 2027 para que os entes possam se preparar. Segundo o secretário, houve uma “compreensão” do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), sobre o tema, além de uma concordância dos estados. “Foi um avanço importante”, disse.

Um levantamento feito pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) mostra que, de 1888 municípios com dados divulgados do primeiro semestre, 26 apresentaram disponibilidade de caixa insuficiente para arcar com a despesa dos restos a pagar. O estado com mais municípios nessa situação é Minas Gerais, que totaliza oito prefeituras, seguido do Maranhão, com cinco.

Com problemas financeiros há alguns anos, o governo estadual mineiro também tem problemas em manter as contas equilibradas. De acordo com o Relatório de Gestão Fiscal do Estado, em 2019, quando a situação era mais crítica, a disponibilidade de caixa líquida chegou a ficar deficitária em R$ 21,4 bilhões. Em 2023, o rombo ficou em R$ 5,1 bilhões.

Entre as cinco maiores economias estaduais, o Rio Grande do Sul repete a condição, com a disponibilidade de caixa líquida negativa em R$ 836 milhões no ano passado. O estado já está em Regime de Recuperação Fiscal (RRF), enquanto Minas está em processo de adesão.

Para o consultor de Orçamento e Fiscalização da Câmara, Ricardo Volpe, o endurecimento da regra, ao incentivar o equilíbrio anual para o caixa, é importante para tornar a previsão que já existe na LRF mais factível. “É uma medida importante. É mais factível do que exigir que esse equilíbrio aconteça só no último ano de mandato”, afirmou.

O descontrole sobre restos a pagar também tem outras implicações. Além de empurrar débitos para os próximos exercícios sem que necessariamente haja disponibilidade financeira, o volume crescente de RAPs é uma forma de gestores “rolarem” dívidas e melhorarem artificialmente o resultado primário do ano, já que somente os gastos pagos são computados nesse indicador.

“Os RAPs crescentes podem ser uma forma de empurrar despesas para frente, ajudando a melhorar o resultado primário”, apontou um técnico do Tribunal de Contas da União (TCU) reservadamente à reportagem.



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Eleições americanas e crise no Oriente Médio: o que esperar?



Em novembro, o mundo ficará sabendo se a maior economia do mundo voltará a ser comandada por Donald Trump, do Partido Republicano, ou pela democrata e atual vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris. As eleições americanas estão marcadas para ocorrer em 5 de novembro, mas apesar da data oficial, eleitores de alguns estados e do Distrito de Colúmbia já podem votar presencialmente ou enviar seus votos pelo correio. 

Nos Estados Unidos, diferentemente do Brasil, é permitido antecipar o voto com as regras para o voto antecipado variando conforme a legislação de cada estado, de acordo com a Constituição americana.

Para o economista Silvio Campos Neto, sócio da Tendências Consultoria, as decisões tomadas pelos próximos ocupantes da Casa Branca podem influenciar diretamente setores estratégicos, como o agronegócio brasileiro. Segundo ele, o desfecho das eleições americanas terá um peso importante nas relações comerciais entre os dois países. 

Relações comerciais em jogo

Os Estados Unidos são o segundo maior destino das exportações brasileiras, atrás da China. “No primeiro governo de Donald Trump, vimos medidas que impactaram diretamente o setor siderúrgico brasileiro. Apesar do Brasil não ser um alvo direto, ele pode ser afetado por elevações gerais de tarifas, especialmente no setor agropecuário”, diz. 

Entretanto, o economista pondera que os Estados Unidos, por serem grandes produtores agrícolas, representam uma fatia pequena das exportações primárias brasileiras. Campos Neto explica que itens como carnes, sucos e açúcares são mais relevantes, mas é improvável que sejam alvo de medidas protecionistas, uma vez que o país precisa manter o suprimento interno de alimentos.

“Além do risco de medidas protecionistas, as escolhas no campo fiscal e o impacto sobre a dívida dos Estados Unidos podem influenciar diretamente o crescimento da maior economia do mundo”, explica. Ele ressalta ainda que, caso ocorra uma nova pressão inflacionária e uma manutenção dos juros altos, isso pode se traduzir em um dólar mais valorizado e em taxas de juros elevadas também no Brasil, complicando ainda mais o desempenho da economia brasileira.

Conflito no Oriente Médio e preço do petróleo

Em meio a esse cenário, há o crescimento da tensão no Oriente Médio com o aumento dos confrontos entre Irã, Hezbollah e Israel. A recente troca de ataques entre esses atores reacendeu preocupações internacionais, especialmente após o Irã intensificar sua participação no conflito e o Hezbollah, apoiado pelo regime iraniano, lançar ofensivas contra Israel. 

Após a intensificação do conflito, o preço do petróleo já começou a registrar oscilações, o que, segundo o economista, pode impactar os custos de produção agrícola no Brasil. “O petróleo ainda é um insumo relevante, e a escalada do conflito pode afetar a oferta da commodity”, afirma. No entanto, ele acredita que, no médio prazo, o mercado de petróleo deve registrar um excesso de oferta, o que pode limitar aumentos significativos de preço.

Perspectivas para o agronegócio

De maneira geral, o economista enxerga o atual cenário internacional como desafiador para o agronegócio brasileiro. 

“Um mundo com maiores tensões geopolíticas e protecionismo não é positivo para países emergentes como o Brasil, que são mais suscetíveis a crises globais. O aumento da volatilidade cambial, por exemplo, pode trazer dificuldades no planejamento financeiro de produtores, criando descompassos entre a compra de insumos e a venda da produção”, finaliza.



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