O colostro, leite de baixo volume produzido nos primeiros dias de lactação, é essencial para a saúde dos bezerros, atuando como uma verdadeira “primeira vacina” que protege os animais nas primeiras horas de vida. Rico em nutrientes e anticorpos, o colostro é tema central da entrevista com o zootecnista Rafael Azevedo no quadro Raio-X da Pecuária.
Azevedo destaca a importância desse líquido para a sobrevivência e o desenvolvimento produtivo das bezerras, além dos cuidados necessários na coleta e armazenamento.
Segundo Azevedo, o colostro desempenha um papel vital porque, ao nascer, o bezerro não possui proteção imunológica contra o ambiente externo. “O colostro é essencial, pois fornece os anticorpos e nutrientes que o bezerro precisa para sobreviver e crescer com saúde”, afirma.
A falta desse cuidado inicial pode resultar em maiores riscos de doenças, reduzido ganho de peso e até aumento na mortalidade. Um bezerro que não recebe colostro adequado tem duas vezes mais chances de morrer em comparação com aqueles que são bem alimentados logo ao nascer.
Outro ponto levantado por Azevedo é a prática de criar um banco de colostro, uma alternativa eficaz para propriedades de todos os tamanhos.
“Um banco de colostro permite que fazendas tenham colostro de qualidade armazenado para situações emergenciais, como o nascimento de gêmeos ou casos em que a vaca não produza colostro suficiente”, diz ele. O zootecnista recomenda o armazenamento em saquinhos de dois litros, devidamente identificados e congelados, prontos para serem utilizados conforme a necessidade.
A qualidade do colostro é fundamental, e Azevedo alerta para os cuidados de higiene na coleta e armazenamento. Como é um alimento rico em proteínas e gorduras, bactérias podem proliferar rapidamente caso o manuseio seja inadequado. O uso de luvas e recipientes limpos durante a coleta é essencial para evitar contaminações. Além disso, o refratômetro Brix é recomendado para avaliar a qualidade imunológica do colostro, que deve apresentar um índice mínimo de 25% para ser considerado adequado para o bezerro.
“Quando esses cuidados não são adotados, os impactos podem ser graves”, alerta Azevedo. Ele conta que um colostro contaminado pode causar doenças e prejudicar o crescimento do animal, resultando em perdas significativas para o produtor. Além da mortalidade, um bezerro que não recebe colostro de qualidade desde cedo terá comprometido seu desenvolvimento, influenciando negativamente seu peso ao desaleitamento e até sua produção de leite no futuro.
O banco de colostro e a correta colostragem representam investimentos que podem trazer vantagens econômicas a longo prazo, pois reduzem a mortalidade e melhoram a saúde geral do rebanho. Com essas práticas, os produtores têm a oportunidade de garantir um desenvolvimento mais robusto das bezerras e, assim, melhorar a rentabilidade da fazenda.
Uma disputa internacional envolvendo fabricantes de fibra óptica pode fazer subir o preço da internet no Brasil. Neste mês, o Comitê Executivo de Gestão (Gecex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) aprovou a elevação da alíquota de importação de fibra e cabos por um período de seis meses.
O comitê tomou essa decisão após analisar um pedido de investigação de suposta prática de dumping por exportadores chineses. Essa é uma prática de concorrência desleal, que consiste em vender mercadorias abaixo do seu custo de produção com o objetivo de ganhar mercados e despistar competidores.
O pedido de investigação foi feito por multinacionais com operações no Brasil: a italiana Prysmian, a japonesa Furukawa e a mexicana Cablena.
Após análise inicial, o governo elevou o Imposto de Importação de forma preventiva, e as alíquotas mais que triplicaram, batendo no teto. O reajuste foi de 11,2% para 35% em cabos ópticos; e de 9,6% para 35% em fibras. A medida vale para importações de todos os destinos (não só da China) e entrou em vigor no último dia 21 de outubro, com validade até 20 de abril do ano que vem. O prazo poderá ser ampliado de acordo com o desfecho do processo sob análise.
Em comunicado, a Prysmian afirmou que a diferença entre os preços das fibras e cabos ópticos importados e o custo de produção local dos mesmos itens descolou desde o fim de 2023. Enquanto a fibra importada sai a US$ 2,50 (R$ 14,50) por quilômetro, o custo de produção por aqui está em cerca de US$ 6 (R$ 34,80) por quilômetro.
“Não é um caso isolado do Brasil. Outras economias acabaram adotando medidas para se proteger também. A União Europeia aplicou medidas antidumping, os Estados Unidos têm um programa de compras locais, e o México aumentou o imposto de importação”, afirmou a Prysmian, em nota. “Pensando em mercados em expansão, o Brasil até então era o único ‘desprotegido’, o que fez a China direcionar seu excedente em estoque para o país”, disse o grupo italiano, elogiando a decisão do governo.
Até então, a multinacional cogitava até mesmo fechar sua fábrica de Sorocaba (SP). Pelo menos metade da fibra óptica consumida no mercado brasileiro é importada, estima a Prysmian, que agora espera ter um alívio.
Mais imposto sobre fibra óptica gera queixa de operadoras
As operadoras de internet não gostaram nada da elevação do imposto, que irá afetar os custos da implantação das redes de fibra óptica que cortam cidades inteiras até entrar nos domicílios. A medida foi vista com preocupação por representantes dessas empresas, que citaram o risco de reajuste nos preços da internet.
“A decisão resultará em aumento de custos para manutenção e expansão das redes de banda larga fixa no Brasil, trazendo impactos negativos sobre a viabilidade de investimentos no período. Além disso, a medida poderá refletir em aumento de preços aos consumidores”, afirmou o presidente da Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint), Mauricélio Oliveira Júnior.
Ele acrescentou que a banda larga no Brasil é um serviço que já migrou – na sua grande parte – das redes antigas de cobre para fibra óptica. Portanto, a decisão do governo afeta o setor em cheio.
“Endereçar problemas de concorrência desleal através da elevação das tarifas de importação pode gerar distorções de longo prazo”, disse, referindo-se ao encarecimento da banda larga e interrupção no crescimento da cobertura.
A Conexis, que representa Vivo, Claro, TIM, Oi, Algar e Sercomtel, também manifestou preocupação. “Essa medida pode gerar impactos financeiros negativos, elevando os custos para as empresas de telecomunicações e, consequentemente, para o consumidor final”, afirmou o sindicato patronal.
“O encarecimento das redes de fibra compromete o acesso a serviços de qualidade e a expansão da conectividade no país”, emendou.
O dono da consultoria Teleco, Eduardo Tude, concorda que há risco de subida de preço da internet, embora não acredite que isso ocorrerá imediatamente. “Os revendedores devem ter algum nível de estoque. Então, nada deve mudar por enquanto. Na hora em que forem comprar de novo, importar, aí vamos saber qual será o impacto do custo maior”, disse Tude.
O consultor observa que a China é um forte exportador no mercado de telecomunicações e tem buscado os mercados compradores. “Eles têm escala e um custo de produção mais baixo”, afirmou. “Falar em dumping é discurso das empresas que fabricam aqui. E o governo, em vez de aumentar o custo de importação, deveria incentivar o fabricante local para poder competir em melhores condições. Assim não haveria um aumento de custo para as empresas.”
Nesta semana, de 4 a 8 de novembro, o Brasil enfrenta variações climáticas significativas, com previsão de temporais, acumulados de chuva e períodos de calor intenso, conforme informações da Climatempo e análise do meteorologista Arthur Müller, do Canal Rural.
Confira as condições climáticas detalhadas por região.
Sul
A semana começa com pancadas de chuva irregulares no Sul. O Rio Grande do Sul terá sol com pancadas à tarde no oeste e sudoeste, enquanto o litoral de Santa Catarina e o meio-oeste catarinense também devem registrar chuvas.
No Paraná, há previsão de chuva mal distribuída no sul, centro e leste, enquanto as demais áreas do estado terão tempo firme e mais sol.
O acumulado de chuva na semana varia entre 40 e 70 mm nos três estados, com alerta para até 100 mm no norte do Paraná, o que pode impactar as operações agrícolas.
Há risco de tempo severo, com rajadas de vento intensas e queda de granizo, especialmente entre segunda (4) e quarta-feira (6), devido à influência de um cavado, seguido por uma nova frente fria na quinta-feira.
Sudeste
A região terá início de semana instável, com chuva frequente em São Paulo, Minas Gerais e norte do Espírito Santo. Temporais são esperados no interior mineiro e norte paulista.
No Rio de Janeiro e em Vitória (ES), o dia começa com sol e clima abafado, mas pode chover em momentos isolados.
Nos próximos cinco dias, o acumulado de chuva em São Paulo e no Triângulo Mineiro varia entre 80 e 150 mm, com possibilidade de temporais e ventos de 40 a 60 km/h, além de risco de granizo.
A reposição de umidade favorece a safra 2024/2025 no Sudeste, com exceção do nordeste de Minas Gerais, que ainda necessita de mais chuva.
Centro-Oeste
A circulação de ventos mantém o tempo instável na região, com chuva intensa e temporais previstos para o Distrito Federal, leste e nordeste de Mato Grosso do Sul e centro-oeste e norte de Mato Grosso.
O acumulado de chuva entre 60 e 100 mm nos próximos dias é positivo para a safra 2024/2025 e ajuda na recuperação das pastagens, com alívio para o gado em confinamento. No entanto, há risco de ventos de 40 a 60 km/h e atividade elétrica intensa (raios), o que pode afetar as lavouras.
Nordeste
O início da semana terá chuva no oeste e sul da Bahia, com risco de temporais em Ilhéus e Barreiras. No sul do Maranhão e do Piauí, chove de forma irregular, enquanto o tempo se mantém firme em São Luís (MA), Teresina (PI) e Fortaleza (CE).
Chuva moderada é esperada no litoral de Alagoas, Pernambuco e Rio Grande do Norte, com acumulados de 20 a 30 mm no sul da Bahia e Maranhão, o que melhora a umidade do solo.
O calor predomina no restante do Nordeste, com temperaturas entre 36 °C e 39 °C, aumentando o risco de incêndios.
Norte
A semana começa com clima abafado e possibilidade de temporais no Amazonas, Acre, Rondônia, sul do Pará e Tocantins. O sul de Roraima também pode registrar chuvas irregulares, e há previsão de pancadas isoladas no norte do Amapá.
O acumulado de chuva nos próximos cinco dias varia entre 60 e 80 mm no Amazonas, centro-sul do Pará, Rondônia e Tocantins, contribuindo para a umidade do solo e favorecendo a implementação da safra 2024/2025.
No entanto, o centro-norte do Pará, Amapá, Roraima e Acre terão uma semana quente e seca, com temperaturas acima de 36 °C e chuvas escassas, limitando a reposição da umidade do solo.
Uma espécie que considerada extinta na natureza foi reencontrada por pesquisadores no início deste ano, em Itanhaém, litoral sul de São Paulo, mas a publicação do artigo científico só aconteceu recentemente na revista Biota Neotropica.
Os pesquisadores encontraram o Leptopanchax itanhaensis em uma poça temporária e em uma vala de estrada na sub-bacia do Rio Preto. Essa espécie é um tipo de peixe anual que habita águas escuras, ácidas e com baixa concentração de oxigênio. Pelo o que sabe até o momento, ela ocorre somente em Itanhaém.
A poça onde a espécie foi avistada pela primeira vez foi destruída em 2007 e, desde então, nunca mais se ouviu falar desta espécie, apesar dos diversos esforços de pesquisa para reencontrá-la. Os cinco peixes encontrados eram machos e o maior deles tinha apenas 2,45 cm.
Segundo João Henrique Alliprandini da Costa, pesquisador e aluno do Programa de Biodiversidade de Ambientes Costeiros da Unesp, Campus do Litoral Paulista, o registro da espécie em poças temporárias é natural. Mas sua presença em valas de estradas levanta preocupações quanto à possível perda de habitat de um peixe já ameaçado.
Esse ambiente apresenta condições hostis, como a ausência de mata ciliar, o que o torna extremamente quente, além de ser vulnerável ao carreamento de poluentes.
Os pesquisadores continuarão a monitorar a espécie durante os próximos anos, buscando entender aspectos de sua biologia, como alimentação, reprodução, genética e o monitoramento das condições de vulnerabilidade da população.
“Essa descoberta é um lembrete poderoso da importância de proteger os ambientes naturais e dos esforços contínuos necessários para garantir a preservação da biodiversidade da Mata Atlântica”, acrescentou.
Citros em Foco de Avaré (SP) reuniu aproximadamente 120 citricultores
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Foto: Fundecitrus
O Citros em Foco de Avaré (SP) reuniu aproximadamente 120 citricultores e profissionais do setor. Além de palestras sobre o manejo do greening, os presentes também acompanharam uma explicação sobre os resultados de estudos com reguladores de crescimento e palestra ministrada pelo pós-doutorando no Fundecitrus Eduardo Gorayeb.
Na ocasião, Eduardo falou sobre a etapa preliminar dos estudos com reguladores. “Sobre os estudos que realizamos no ano de 2023 nós tivemos bons resultados com relação à retenção de frutos, principalmente com o uso do 2,4-D e da giberelina, com alguns casos de retenção de mais de 50% dos frutos, além disso, teremos pela frente outros desafios com relação à qualidade dos frutos”, explica.
Ele também afirma que esses primeiros resultados foram fundamentais para o planejamento dos estudos que já estão acontecendo no ano de 2024. “Esse experimento deu uma ideia muito boa para um bom planejamento do que estamos fazendo agora, pois estamos trabalhando com doses melhores, e ajustamos a época de aplicação, o que pode nos trazer resultados melhores”, ressalta
A conversa completa você encontra no Fundecitrus Podcast
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Foto: Fundecitrus
A edição 45 do Fundecitrus Podcast tratou sobre a importância da irrigação dos pomares como forma de reduzir os impactos provocados pelos longos períodos de estiagem.
Nesta primeira parte da conversa sobre o assunto, o jornalista Rodrigo Brandão fala com o consultor e professor do Departamento de Fitossanidade, Engenharia Rural e Solos da Unesp de Ilha Solteira, Fernando Tangerino Hernandez.
Durante o episódio, o professor mostrou que 36% da área total do cinturão citrícola conta com irrigação e destaca que essa tendência é de aumento. “É um caminho sem volta, a sustentabilidade da produção de alimentos passa pelos investimentos em sistemas de irrigação. A segurança hídrica comporta dois momentos: a reservação de água na propriedade e a segurança hídrica das plantas, ou seja, a diminuição do abortamento. Só existem vantagens em investir em sistemas de irrigação”, exclama.
A conversa completa você encontra no Fundecitrus Podcast, disponível no nosso canal do YouTube e nas principais plataformas de áudio.
Após um outubro com volumes recordes de chuva, São Paulo entra novamente em um período de instabilidade nestes sábado e domingo (2 e 3) e início da próxima semana.
Uma área de baixa pressão atmosférica associada a uma intensa entrada de umidade da faixa norte do Brasil traz condições que favorecem precipitações volumosas. Esse cenário se estende por várias regiões do estado, onde os acumulados podem ultrapassar o esperado para todo o mês de novembro em apenas alguns dias.
Neste sábado (2), a capital paulista e várias cidades do interior registraram chuvas significativas. Na zona sul de São Paulo, os bairros Jardim Ângela acumularam 67,6 mm, Interlagos 55 mm, e Jardim Vera Cruz 53 mm em poucas horas. Esse volume concentrado aumenta o risco de alagamentos e deslizamentos em áreas mais vulneráveis.
Fora da capital, o padrão de chuvas intensas se repetiu no interior, com Dracena registrando 44 mm, Avaré 39,5 mm, e Sumaré 44,1 mm. Essas precipitações reforçam a continuidade de um padrão instável no estado, mantendo a necessidade de alerta.
Previsão de muita chuva nos próximos dias
Foto: Climatempo
A previsão para os próximos dias indica que as chuvas continuarão intensas em São Paulo, especialmente entre domingo (3) e quarta-feira (6).
O mapa de acumulados destaca a faixa central do estado em vermelho, onde a chuva pode ultrapassar 150 mm no período, elevando o risco de enchentes e alagamentos, principalmente em áreas urbanas densas e próximas a rios e córregos.
A constante entrada de umidade do norte do Brasil deve intensificar o sistema de baixa pressão, mantendo o estado em situação de alerta. Esse volume de chuva em curto período pode impactar a infraestrutura urbana, afetando o trânsito e aumentando o risco de alagamentos em diversas regiões paulistas.
O mercado físico do boi gordo se deparou com consistente alta dos preços ao longo de outubro.
De acordo com o analista de Safras & Mercado Fernando Iglesias, o forte ritmo de embarques e a dificuldade na composição das escalas de abate deram o tom ao longo do mês, que foi pautado pelo estabelecimento de novas máximas para a atual temporada.
Iglesias ressalta que uma perspectiva de continuidade deste movimento no curto prazo ainda existe, com as exportações sendo o grande motor do aumento de preços.
“O fator cambial, com a forte valorização do dólar frente ao real, também assume um papel decisivo nesse movimento, sendo mais vantajoso aos frigoríficos destinar boa parte da produção ao mercado externo do que ao interno”, avalia.
Preços da arroba do boi
Os preços médios da arroba do boi gordo na modalidade a prazo nas principais praças de comercialização do país fecharam assim em 31 de outubro:
São Paulo (Capital): R$ 325, alta de 16,07% frente aos R$ 280 registrados no fechamento de setembro
Goiás (Goiânia): R$ 315, avanço de 16,67% perante os R$ 270 praticados no final de setembro
Minas Gerais (Uberaba): R$ 320, aumento de 18,52% ante os R$ 270 do fechamento do mês retrasado
Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 320, valorização de 16,36% em relação aos R$ 275 praticados no final de setembro
Mato Grosso (Cuiabá): R$ 310, 26,53% acima dos R$ 245 registrados no encerramento de setembro
Rondônia (Vilhena): R$ 300, aumento de 17,65% em relação aos R$ 255 praticados no final do mês retrasado
Mercado atacadista
O mercado atacadista registrou novo movimento de alta nos preços no decorrer do mês e a tendência é de que este movimento tenha continuidade no curto prazo.
Iglesias destaca que as proteínas concorrentes também devem apresentar elevação em seus preços em função do atual movimento delimitado de oferta de carne bovina, com grande destaque para a carne de frango.
O quarto do traseiro avançou 17,59% ao longo do mês, passando de R$ 19,90 o quilo para R$ 23,40 o quilo. O quarto do dianteiro subiu 15,51%, de R$ 15,15 para R$ 17,50.
Os funcionários da Funai, do Ibama e do ICMBio que realizem atividades de fiscalização poderão ter direito ao porte de armas. Essa foi uma das reportagens mais lidas do Canal Rural ao longo da semana. Não perca os detalhes:
A proposta foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na última quarta-feira (30), tendo sido apresentada pela Comissão Temporária Externa para investigar o aumento da criminalidade na Região Norte.
O relator, senador Fabiano Contarato (PT-ES), deu parecer favorável, com emendas. O texto agora será analisado no plenário do Senado.
Inicialmente voltada apenas aos servidores da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), a proposta, por meio de emenda, passou a contemplar também os funcionários públicos que integram o Ibama e o ICMBio.
O PL 2.326/2022 modifica o Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826, de 2003) para que servidores designados para atividades de fiscalização tenham o direito ao porte de arma, desde que esteja comprovada a aptidão técnica e psicológica para o uso de armamentos.
Caso Bruno Pereira e Dom Phillips
Uma das motivações da proposta, ressaltou Contarato, foi o assassinato do indigenista Bruno Pereira – então afastado de suas funções na Funai – e do jornalista inglês Dom Phillips na região do Vale do Javari, no município de Atalaia do Norte, Amazonas, em junho de 2022.
Entre os objetivos da comissão externa estava a fiscalização das medidas adotadas pelas autoridades diante desses homicídios.
“Esse projeto de lei se deu pela morte do indigenista Bruno e do Dom Phillips, que foram mortos com requintes de crueldade, inclusive com ocultação de cadáver. Olha, nós não podemos admitir que infelizmente no Brasil os grileiros estejam armados e esses funcionários estejam lá pagando com a vida […] lá no meio da Floresta Amazônica, e eles não tenham a possibilidade disso”, afirmou Contarato, que também foi o relator da proposta na Comissão e Meio Ambiente (CMA).
Contarato manteve no parecer emenda da CMA que concede o porte de arma, nas mesmas condições, aos integrantes do Ibama e do Instituto Chico Mendes. Ele explica que dispositivos do Código Florestal (Lei 12.651, 2012) e do Código de Pesca (Decreto-Lei 221, de 1967), que concediam o porte de armas aos fiscais ambientais, foram revogados.
Atualmente, de acordo com o Estatuto do Desarmamento, é vedado ao menor de 25 anos adquirir arma de fogo. Emenda do senador exclui os fiscais dos três institutos dessa regra. Ele também adicionou esses servidores entre os isentos do pagamento de taxas de registro e manutenção dos armamentos.
Ressalvas à proposta
A matéria não foi aprovada por unanimidade. Durante a discussão, os senadores Mecias de Jesus (Republicanos-RR), Dr. Hiran (PP-RR) e Omar Aziz (PSD-AM) sugeriram, através de emenda, que o projeto apresentasse dispositivo concedendo o porte para “uso extremamente criterioso e controlado”, limitando-o a casos de necessidade “comprovada e temporária”.
Na avaliação deles, não se justificaria o porte de arma para os servidores do ICMBio, do Ibama e da Funai, por exemplo, “dentro de um prédio da Funai”, como alegou Dr. Hiran.
Já o senador Omar Aziz questionou a efetividade desse porte já que, conforme o senador, esses mesmo servidores, quando em ações de fiscalização, atuam com reforço de órgãos de segurança, como a Polícia Federal. Ele disse também que o enfrentamento da insegurança e das ilegalidades como o garimpo ilegal, na Amazônia, só será efetivo a partir da regulamentação da extração do ouro na região.
“Quando a Funai ou o Ibama, principalmente o Ibama, vai tocar fogo nas balsas [do garimpo ilegal ou dos desmatadores], vai a Polícia Federal ao lado deles para tocar fogo, até porque, para explodir uma balsa daquela, você tem que colocar pólvora, dinamite ou coisa parecida, e tem que ser especialistas, não é qualquer um […]. Só [permitir o porte] em ação é uma emenda que cabe neste momento, porque eles têm apoio da Polícia Militar quando sugerem, quando pedem, e têm feito isso sistematicamente na minha região, e o governo não se mexe para regulamentar [o garimpo]”, continuou Aziz.
No entanto, a emenda não foi acatada pelo relator. Contarato considerou que é preciso partir da presunção da legitimidade e da boa fé desses servidores que, observou, atuam sob risco de morte.
“Nós não podemos inverter a lógica. Olha, se o próprio Tribunal de Contas da União já recomendava isso e se hoje nós temos a concessão de porte de arma para funcionários do Ibama e do ICMBio por decreto ou por uma legislação antiga, o que nós estamos colocando é simplesmente na lei. Nós não podemos inverter a lógica da utilização pela má-fé. A presunção é de legitimidade dos atos praticados pela administração pública, e o projeto de lei fala que só nos casos de fiscalização efetivamente. Então, não está aqui para conceder… ‘Ah, porque ele vai andar no restaurante, no bar ou na padaria’. Não é isso, nós temos aqui a atividade típica da polícia como nas instituições que compõem lá no art. 144, seja polícia civil, polícia militar, guarda municipal, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal”, argumentou o relator.
Defesa do porte de arma
Foto: Divulgação/Ibama
Os senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Sérgio Moro (União-PR) concordaram com o porte de arma para esses servidores.
“Esse negócio de conceder porte de arma só para quem está em serviço não existe. Um fiscal ambiental toma uma determinada medida dentro da lei, e um marginal que quer atentar contra a vida desse fiscal vai tentar fazer com ele de serviço e principalmente com ele fora de serviço. Na hora em que ele vai a um restaurante, que ele vai a uma igreja, que ele vai a uma missa, que ele está andando na rua com a sua família, é um momento em que ele pode ser, sim, vítima de violência desses marginais que foram fiscalizados. E não é porque é fiscal do Ibama ou do ICMBio ou porque eu não concordo com a atuação daquele órgão que a gente vai negar um direito dessa pessoa a ter o mínimo de instrumento para defender a própria vida”, disse Flávio Bolsonaro.
O texto foi publicado, originalmente, na Agência Senado.
Novembro terá chuvas entre normal e acima da média em grande parte da região Sudeste, Goiás, centro-leste de Mato Grosso, Acre, Roraima, noroeste e sudeste do Amazonas. A informação parte de boletim mensal do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
De acordo com o órgão, o Rio Grande do Sul terá precipitação na faixa normal, com algumas localidades acima da média. Para saber as áreas exatas, confira no mapa: chuva acima da média (tons em azul), dentro da média (cinza) e abaixo (amarelo).
Foto: Divulgação Inmet
Já em grande parte da região Nordeste, centro-norte do Pará, Amapá, Roraima, bem como o sudoeste de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, são previstas precipitações próximas e abaixo da média climatológica.
Umidade do solo
O prognóstico climático do Inmet para novembro deste ano indica que a previsão de pouca chuva para o nordeste da região amazônica e grande parte da região Nordeste trará redução dos níveis de umidade no solo, principalmente no Matopiba (região que abrange os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), o que pode dificultar o avanço do plantio da soja.
Já para as regiões Centro-Oeste e Sudeste, o mês de novembro será marcado pela recuperação dos níveis de umidade no solo, devido a previsão de chuvas mais regulares que favorecerão o plantio e o desenvolvimento dos cultivos de primeira safra.
Em grande parte da Região Sul, a previsão é de chuvas próximas à média histórica e os níveis de umidade no solo permanecerão elevados e podem beneficiar os cultivos de inverno que se encontram na fase de enchimento de grãos, assim como o desenvolvimento da safra 2024/25.
O Inmet também mostra a previsão de temperaturas. A previsão indica que deverão ser acima da média em grande parte do país (tons em laranja no mapa).
Há possibilidade de ocorrência de alguns dias de calor em excesso (tons em vermelho), principalmente em áreas do norte das regiões Norte e Nordeste, onde as temperaturas médias poderão ultrapassar os 28ºC.
Segundo o Instituto, em algumas localidades do leste da Região Sudeste e Sul, são previstas temperaturas próximas ou ligeiramente abaixo da média em algumas localidades pontuais (tons em cinza e azuis no mapa), devido a ocorrência de dias consecutivos com chuva que podem amenizar a temperatura.