quarta-feira, julho 8, 2026

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Vendas diretas ganham espaço no agronegócio brasileiro


O modelo de vendas diretas, que movimenta mais de R$ 47 bilhões anuais e conta com 3,5 milhões de empreendedores no Brasil, começa a se expandir no agronegócio. Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD), o país lidera esse mercado na América Latina, e grandes players do agro já adotam essa estratégia comercial.  

“O agronegócio é visto com grande potencial de expansão na venda direta, em destaque a Produce, que vêm desenvolvendo o modelo. A personalização e customização são características únicas que diferenciam de outros modelos de vendas e que fortalecem o negócio”, aponta a presidente da Adriana Colloca, presidente da ABEVD.

A Produce, pioneira no setor, vem se destacando com um modelo baseado no relacionamento direto com produtores rurais. Fundada em Chapecó (SC), a empresa já conta com mais de 10 mil consultores e um portfólio de mais de 600 produtos, incluindo sementes, defensivos, fertilizantes e insumos biológicos. Segundo o cofundador Guilherme Trotta, as vendas diretas da empresa cresceram mais de 100% em 2024, e a expectativa para este ano é dobrar novamente o volume comercializado.  

Além de fortalecer a conexão entre fornecedores e agricultores, esse modelo tem sido uma oportunidade para novos empreendedores. Jovens como Thiago Oliveira, de 23 anos, viram na flexibilidade das vendas diretas uma chance de ingresso no mercado agro. Já profissionais experientes, como o veterinário Evandro Neiva, de 61 anos, encontraram uma forma de diversificar a renda.  

Com a crescente adesão ao modelo, a venda direta no agronegócio promete transformar a forma como os produtos chegam ao campo, eliminando intermediários e tornando o processo mais eficiente e lucrativo para todos os envolvidos.

“Um dos detalhes que me chamou a atenção para as vendas diretas na Produce foi a linha de nutrição e biológicos, além da grande variedade de produtos para linha pecuária que também achei bem interessante. Mas também foquei na venda de sementes de sorgo e milho, e vejo que posso diversificar o nicho de mercado e aproveitar o número de contatos que passei a ter no telefone”, conta Evandro.

 





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Chuva dá trégua em parte do Centro-Oeste; nas demais regiões, pancadas fortes



Dia de raios e ventanias em parte do Sul e redução da chuva no Centro-Oeste. Acompanhe a previsão do tempo para as cinco regiões do país:

Sul

A chuva continua com força no Paraná e também na região leste catarinense. As pancadas acontecem à tarde e são acompanhadas por raios, trovoadas e ventanias. Tem chuva pesada para Curitiba e Florianópolis. No Rio Grande do Sul, a previsão é de precipitação mais passageira, concentrada na região norte e também metropolitana, enquanto entre os municípios de Uruguaiana, Bagé e Chuí, o tempo é bem ensolarado e com máximas disparando à tarde.

Sudeste

A semana termina com chuva mais isolada e passageira na região de Presidente Prudente, Rio Preto e no Vale do Ribeira, em São Paulo. A capital paulista deve registrar pouca chuva e temperaturas bem altas, podendo chegar aos 32 graus. No Rio de Janeiro e também em grande parte de Minas Gerais, o dia segue ensolarado, com calor e tempo bem abafado. No Espírito Santo, a chuva retorna ao litoral, por conta da circulação de ventos que só sopram do oceano em direção ao continente, mas sem previsão para temporais.

Centro-Oeste

A semana termina com a diminuição da chuva sobre Mato Grosso e grande parte de Mato Grosso do Sul, mas as pancadas ainda acontecem com força à tarde. A capital Campo Grande ainda tem risco para temporais. Em Goiânia e no Distrito Federal, tempo ensolarado e com temperaturas altas.

Nordeste

A semana termina com muita chuva sobre o Maranhão, Piauí, Ceará e todo o litoral nordestino. Isso acontece por conta da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), e dos ventos que soltam do oceano em direção ao continente. Todas as capitais nordestinas devem registrar chuva nesta sexta-feira. O interior da Bahia e uma parte do Sertão Nordestino terão um tempo ensolarado.

Norte

Na sexta-feira, a chuva volta a ganhar intensidade sobre Tocantins e Pará, com alerta para temporais nas capitais Belém e Palmas. No Amapá, Roraima, Amazonas, Acre e Rondônia, a chuva continua com força a qualquer momento do dia, com alerta para todas as capitais.



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Adubos sustentáveis e o mercado de carbono



O mercado brasileiro se organiza em dois segmentos principais



O mercado brasileiro se organiza em dois segmentos principais
O mercado brasileiro se organiza em dois segmentos principais – Foto: Divulgação

O Brasil possui um enorme potencial para liderar o mercado de carbono, impulsionado por sua biodiversidade, matriz energética renovável e práticas agrícolas sustentáveis. De acordo com João Berdu, engenheiro agrônomo e CEO da Jiantan, a regulamentação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), instituído pela Lei nº 15.042 em dezembro de 2024, fortalece esse cenário.

Dentro desse contexto, os adubos biológicos surgem como uma solução estratégica na agropecuária sustentável. O Brasil já demonstrou avanços significativos na recuperação de pastagens degradadas e no uso de biofertilizantes, reduzindo emissões e aumentando a produtividade de forma ecologicamente responsável. A aplicação desses insumos, aliada a técnicas como Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e biodigestores, reforça o papel do país na mitigação dos impactos climáticos globais.  

A Jiantan é um exemplo de empresa que atua nesse setor, fomentando a adoção de práticas regenerativas e contribuindo para a geração de ativos ambientais. Além disso, o mercado regulado de carbono no Brasil já destina 70% dos contratos para comunidades indígenas e quilombolas..  

O mercado brasileiro se organiza em dois segmentos principais: o regulado, que exige monitoramento de emissões para empresas que ultrapassam 10 mil toneladas de CO2 por ano, e o voluntário, que permite a aquisição de créditos por empresas e indivíduos. Entre os ativos disponíveis, destacam-se a Cota Brasileira de Emissões e o Certificado de Redução ou Remoção Verificada de Emissões, fundamentais para garantir a transparência e eficácia desse mercado.

“Esses métodos, aliados à matriz energética predominantemente renovável (hidrelétrica, eólica, solar e biomassa), posicionam o país como referência em economia verde e aliado estratégico na luta contra o aquecimento global”, afirmou, na rede social LinkedIn.

 





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Fixação de nitrogênio reduz custos da soja



A inoculação pode substituir totalmente a necessidade de adubação nitrogenada



Para garantir bons resultados com a inoculação, alguns cuidados são essenciais
Para garantir bons resultados com a inoculação, alguns cuidados são essenciais – Foto: Nadia Borges

A fixação biológica de Nitrogênio é um processo natural que ocorre com a ajuda de bactérias chamadas risóbios, que vivem em simbiose nas raízes de algumas plantas cultivadas. Segundo o Instituto BioSistêmico (IBS), essas bactérias capturam o Nitrogênio do ar e o transformam em formas aproveitáveis para a nutrição vegetal. 

Além disso, estimulam o crescimento das raízes, melhorando a absorção de nutrientes e água. Em troca, as plantas fornecem abrigo e alimento aos microrganismos, promovendo uma relação benéfica para ambas as partes.  

No Brasil, a inoculação de sementes pode substituir totalmente a necessidade de adubação nitrogenada na cultura da soja, fornecendo até 300 quilos de nitrogênio por hectare a um custo reduzido para o agricultor. Na safra 2021/22, por exemplo, o investimento médio na inoculação foi de apenas R$ 25 por hectare. Além do aspecto econômico, a tecnologia tem um impacto ambiental positivo, pois evita a poluição dos recursos hídricos associada ao uso excessivo de fertilizantes nitrogenados.  

Para garantir bons resultados com a inoculação, alguns cuidados são essenciais. Primeiramente, deve-se escolher produtos registrados no MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária) e verificar sua compatibilidade com defensivos químicos. O armazenamento também é fundamental: o inoculante deve ser mantido em local fresco e bem ventilado, longe de agrotóxicos e fertilizantes.  

Na aplicação, o produtor pode optar por diferentes métodos, como tratamento de sementes, aplicação no sulco ou em área total nos primeiros dias de crescimento da soja. Para maximizar a eficiência, é essencial seguir a dose recomendada pelo fabricante, evitar a exposição das sementes inoculadas ao calor e realizar a aplicação no dia do plantio. 

 





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Reutilização de sementes é sustentável para jardinagem



É essencial armazenar as sementes de forma adequada



Uma das maneiras mais eficazes de reutilizar sementes é coletando-as de suas próprias plantas
Uma das maneiras mais eficazes de reutilizar sementes é coletando-as de suas próprias plantas – Foto: Seane Lennon

A reutilização de sementes é uma prática excelente para promover a sustentabilidade e reduzir os custos em projetos de jardinagem ou agricultura. Essa abordagem não só contribui para a preservação ambiental, como também oferece uma forma de economia ao criar um ciclo contínuo de produção, sem a necessidade de compra constante de sementes.  

Uma das maneiras mais eficazes de reutilizar sementes é coletando-as de suas próprias plantas. Guarde as sementes de vegetais, frutas ou flores que você cultivou, como tomates, pepinos, pimentões e até flores decorativas. Ao fazer isso, você cria um ciclo sustentável de cultivo e garante uma produção contínua ao longo das safras.  

Para garantir o sucesso no reaproveitamento, é essencial armazenar as sementes de forma adequada. Mantenha-as em potes ou envelopes, em um local fresco e seco, até que estejam prontas para o próximo plantio. Esse cuidado no armazenamento prolonga a viabilidade das sementes, evitando que percam suas propriedades ao longo do tempo.  

Além disso, a seleção das melhores sementes é crucial. Escolha aquelas que vêm de plantas saudáveis e produtivas, com boa adaptação ao seu ambiente, para garantir o máximo aproveitamento na próxima colheita. Ao aplicar essas práticas, você não só promove um cultivo mais eficiente, mas também apoia um sistema de agricultura mais sustentável e consciente. “Reutilizar sementes é uma excelente forma de promover a sustentabilidade e a economia em seus projetos de jardinagem ou agricultura”, comenta, em uma publicação na rede social LinkedIn.

 





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Agrobom é convertida em Sociedade Anônima após união com a Cooxupé



A parceria estratégica com a Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé) foi concluída e transformou a Agrobom, empresa de Bom Jesus da Penha, Minas Gerais, em uma Sociedade Anônima (SA) de capital fechado para atender tanto produtores independentes quanto os cooperados.

“Nesta nova configuração, a Cooxupé terá participação majoritária, porém, a gestão e a operação da Agrobom seguirão o modelo atual, mantendo o compromisso com a transparência, simplicidade e respeito – valores que sempre guiaram nossa trajetória”, afirma Marco Castelli, diretor da Agrobom.

Segundo ele, será instituído um conselho de administração com caráter deliberativo para assegurar uma administração alinhada aos objetivos estratégicos da companhia.

Assim, Mario Nelson Castelli, fundador da Agrobom, continuará sua atuação como membro do conselho de administração, enquanto Marco A. Castelli, Greziela Castelli e Karoline Castelli permanecem nas funções diretivas.

Com essa aliança, a Agrobom e a Cooxupé pretendem expandir suas operações de forma ainda mais robusta.

“A parceria permitirá a união de conhecimentos e expertises para fortalecer o acesso ao mercado internacional, além de criar novas oportunidades no mercado interno por meio de parcerias estratégicas. No futuro, a verticalização das operações será um passo importante para agregar ainda mais valor ao negócio e ampliar sua competitividade”, diz a empresa, em nota.

Castelli ressaltou que a Agrobom continuará atendendo normalmente os 400 produtores que já forneciam grãos para a empresa comercializar. Em relação à produção de soja e milho dos cooperados, o repasse para a companhia não será obrigatória. “O produtor da Cooxupé fica livre para escolher vender onde achar conveniente para ele. E a gente pode negociar com qualquer produtor”, afirmou.



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Soja encerra pregão da quarta-feira em baixa


A soja negociada na Bolsa de Chicago (CBOT) encerrou o pregão desta quarta-feira em baixa, pressionada pela falta de avanços nas negociações comerciais entre Estados Unidos e China e pela melhora climática na Argentina. Segundo a TF Agroeconômica, o contrato de soja para março, referência para a safra brasileira, recuou 1,67%, ou 18,00 cents/bushel, cotado a $1057,00. O vencimento de maio caiu 1,45%, para $1072,25/bushel. O farelo de soja também registrou queda de 1,82%, a $308,3/ton curta, enquanto o óleo de soja perdeu 1,46%, sendo negociado a $45,09/libra-peso.  

Após dois dias de alta impulsionada por um otimismo momentâneo, o mercado ajustou posições diante da ausência de diálogo direto entre os presidentes dos EUA e da China, reduzindo expectativas de um alívio na guerra tarifária. Apesar de os grãos não estarem na lista de produtos taxados pela China, a incerteza comercial pesou sobre os preços. Além disso, a demanda global se volta para a safra brasileira, que pode exportar entre 8,30 e 11,24 milhões de toneladas de soja em fevereiro, segundo a ANEC.  

O Rabobank reforçou a perspectiva de uma supersafra no Brasil, estimando a produção em 169,988 milhões de toneladas. O banco destacou que, apesar de alguns focos de seca, as condições climáticas melhoraram em relação ao ciclo anterior, sustentando a projeção de uma colheita recorde. Esse cenário fortalece a concorrência brasileira no mercado internacional e limita as reações de alta em Chicago.  

Outro fator de pressão sobre as cotações foi o retorno das chuvas em áreas críticas da Argentina. Após um período de estresse hídrico, as precipitações trouxeram alívio para as lavouras, reduzindo preocupações com perdas produtivas e adicionando um fator baixista ao mercado.

 





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veja como fecharam os preços da arroba hoje


O mercado físico do boi gordo apresenta relativa acomodação em seus preços, enquanto o ambiente de negócios ainda sugere por alguma elevação no curto prazo em estados como São Paulo e Mato Grosso, informa a consultoria Safras & Mercado.

“O Pará começa a se deparar com encurtamento das escalas de abate em algumas regiões do estado, o que sugere pela elevação dos preços no curto prazo. Tocantins e Rondônia apresentam relativa acomodação dos preços, ainda com relatos de boa disponibilidade de fêmeas para o abate, o que mantém os frigoríficos locais em uma posição mais confortável de suas escalas”, disse o analista Fernando Henrique Iglesias.

Preços da arroba do boi gordo (a prazo)

  • São Paulo: R$ 329,27 (R$ 328,60 ontem)
  • Goiás: R$ 306,25 (estável)
  • Minas Gerais: R$ 314,71 (R$ 314,41 anteriormente)
  • Mato Grosso do Sul: R$ 312,73 (R$ 312,95 ontem)
  • Mato Grosso: R$ 323,69 (sem alteração)

Mercado atacadista

carne bovina - exportaçõescarne bovina - exportações
Foto: Wenderson Araujo/CNA

O mercado atacadista apresenta preços firmes para a carne bovina, enquanto o ambiente de negócios sugere por preços mais altos no curto prazo, em linha com a entrada dos salários na economia.

“Importante destacar que o perfil de consumo delimitado para o período indica para a referência da população por proteínas de menor valor agregado, a exemplo da carne de frango, embutidos e do ovo”, disse Iglesias.

O quarto traseiro permanece precificado a R$ 24,50 por quilo. A ponta de agulha segue no patamar de R$ 17,80 por quilo. O quarto dianteiro ainda é cotado a R$ 17,80 por quilo.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão em queda de 0,50%, sendo negociado a R$ 5,7644 para venda e a R$ 5,7624 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,7490 e a máxima de R$ 5,8245.



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Desmatamento no Cerrado caiu 33% em 2024, mas ainda é elevado


O desmatamento no Cerrado caiu 33% em 2024, na comparação com o ano anterior, segundo dados do Sistema de Alerta de Desmatamento do Cerrado (SAD Cerrado), desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e divulgados nesta quinta-feira (6).

A supressão vegetal no segundo maior bioma do país atingiu 712 mil hectares no ano passado. Em 2023, foram 1 milhão de hectares de mata desmatados.

Apesar da redução, pesquisadores alertam que a área total desmatada ainda é muito elevada. Esses mais 700 mil hectares de mata nativa perdida equivalem a uma área maior do que o Distrito Federal.

“A queda do desmatamento no Cerrado em 2024 possivelmente representa um efeito das políticas de combate e controle implementadas neste último ano. Apesar da redução, a área total desmatada segue nos patamares elevados quando comparamos com a série histórica e também com o desmatamento em outros biomas, como a Amazônia”, afirma Fernanda Ribeiro, pesquisadora do Ipam e coordenadora do SAD Cerrado.

Segundo ela, na Amazônia foram 380 mil hectares desmatados no mesmo período, quase duas vezes menos.

Atualmente, cerca de 62% da vegetação nativa do Cerrado está dentro de propriedades rurais privadas, submetidas às regras do Código Florestal, que permitem o desmatamento de até 80% da área total. A maior parte do desmatamento ocorreu justamente nessas áreas particulares.

Para efeito de comparação, na Amazônia Legal, por exemplo, a lei permite o desmatamento de, no máximo, 20% da área. O respaldo legal para uma expansão maior da supressão no Cerrado ameaça mais o bioma com seca prolongadas e clima mais extremo, reforça o Ipam.

Os dados do SAD Cerrado confirmam uma tendência de queda verificada pela taxa oficial de desmatamento do Cerrado, que registrou redução pela primeira vez nos últimos cinco anos, entre agosto de 2023 e julho de 2024, segundo informou o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) no fim do ano passado.

O levantamento do Inpe é feito por meio do Projeto de Monitoramento do Desmatamento no Cerrado por Satélite (Prodes Cerrado), em que a detecção alcança precisão de 10 metros sobre corte raso e desmatamento por degradação progressiva, como incêndios.

Onde mais se desmata

A fronteira do Matopiba – acrônimo que define a região formada por partes dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia – concentrou 82% de todo o desmatamento no Cerrado em 2024, totalizando 586 mil hectares perdidos.

Essa é a área atual de expansão das lavouras agrícolas em áreas do Cerrado e, por isso, têm liderado os índices de supressão da vegetação original.

O destaque negativo é o Maranhão que, apesar de uma redução de 26% na área desmatada, foi responsável por 225 mil hectares perdidos, um terço de todo o Cerrado desmatado durante 2024, segundo o Ipam.

O Tocantins vem em seguida como o segundo estado onde mais se desmatou ano passado, com 171 mil hectares de vegetação nativa suprimidas. A área representa uma queda de 26% na comparação com 2023.

No Piauí, foram derrubados 114 mil hectares, 12% a menos do que em 2023. Já na Bahia, o Cerrado perdeu 72 mil hectares no ano passado, uma redução de 54%.

Para a pesquisadora do Ipam, o Matopiba é a região do Cerrado com maior número de propriedades privadas com vegetação nativa remanescente, mas passível de supressão por autorizações legais.

“Isso evidencia a necessidade de outros instrumentos que vão além das políticas de combate e controle. A mudança desse cenário depende de um maior engajamento com o setor privado, além de ações de ordenamento territorial e instrumentos econômicos e regulatórios como vemos na Amazônia”, aponta Fernanda Ribeiro.

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Foto: Governo de Goiás/Divulgação

Os 10 municípios com maior área de Cerrado desmatada em 2024 estão localizados no Matopiba, sendo cinco no Maranhão, três no Tocantins, dois no Piauí e um na Bahia. Somados, totalizam 119 mil hectares desmatados, ou 16,7% de tudo que foi derrubado no bioma em 2024, de acordo com o projeto SAD Cerrado.

No coração do Matopiba, a proximidade de municípios com mais desmatamento também chama a atenção. Juntos, os municípios vizinhos de Balsas (MA), Alto Parnaíba (MA), Mateiros (TO) e Ponte Alta do Tocantins (TO) são os quatro primeiros da lista com maior desmatamento registrado, totalizando 61 mil hectares, cerca de 10% da área desmatada no Matopiba.

Depois das áreas com Cadastro Ambiental Rural (CAR) registrados, as áreas sem posse definidas são as que mais registram desmatamentos no Cerrado, correspondendo a 10% do total. O SAD Cerrado também identificou porções de áreas em unidades de conservação, que responderam por 5,6% do desmatamento do Cerrado em janeiro, totalizando 39 mil hectares suprimidos.

As principais áreas protegidas atingidas também foram aquelas localizadas no Matopiba, como a Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins, que perdeu 12 mil hectares para o desmatamento, e o Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba, que teve 6,7 mil hectares desmatados.

O SAD Cerrado é um projeto de monitoramento mensal e automático que utiliza imagens de satélites ópticos do sensor Sentinel-2, da Agência Espacial Europeia.

A confirmação de um alerta de desmatamento é realizada a partir da identificação de ao menos dois registros da mesma área em datas diferentes, com intervalo mínimo de dois meses entre as imagens de satélite.

O método é detalhado no site do SAD Cerrado, que também disponibiliza os relatórios de alerta, com filtros para estados, municípios, situação fundiária e intervalo de análise.



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Entre estáveis a mais baixos: veja os preços da soja



A quinta-feira (6) foi de calmaria no mercado brasileiro de soja. Nos portos, não houve movimento. Enquanto isso, no interior, alguns negócios foram reportados, especialmente em Goiás, com entrega e pagamento alongados. No Mato Grosso do Sul, também foi observado movimento.

No geral, não foram volumes expressivos. A volatilidade de Chicago e o recuo do dólar fizeram com que os preços ficassem de estáveis a mais baixos, retraindo os vendedores.

Cotações da soja no país:

  • Passo Fundo (RS): preço se manteve em R$ 132,00
  • Região das Missões (RS): preço se manteve em R$ 133,50
  • Porto de Rio Grande (RS): preço caiu de R$ 133,50 para R$ 132,00
  • Cascavel (PR): preço caiu de R$ 125,00 para R$ 124,50
  • Porto de Paranaguá (PR): preço se manteve em R$ 132,00
  • Rondonópolis (MT): preço se manteve em R$ 112,00
  • Dourados (MS): preço se manteve em R$ 117,00
  • Rio Verde (GO): preço se manteve em R$ 114,00

Chicago

Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) fecharam a quinta-feira com preços em leve alta. Em dia de poucas novidades, as tarifas comerciais do governo Trump, o clima na América do Sul e a expectativa em torno do relatório de fevereiro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos centram as atenções.

O adiamento do início da sobretaxa de 25% para México e Canadá e a sinalização de Estados Unidos e China estão dispostos a negociar e evitar uma guerra comercial retiraram prêmio de risco.

Na América do Sul, a falta de chuvas ainda é motivo de preocupação na Argentina. Safras & Mercado cortou a estimativa para a safra local de 54,04 para 49,3 milhões de toneladas, devido à persistência de condições climáticas adversas desde dezembro. No Brasil, apesar da ausência de chuvas no Rio Grande do Sul e do excesso no Mato Grosso, as expectativas são favoráveis à consolidação de uma produção recorde, em torno de 170 milhões de toneladas.

USDA

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) deverá, no seu relatório de fevereiro, indicar poucas alterações no quadro de oferta e demanda americano de soja. Na avaliação do mercado, o Departamento poderá elevar a estimativa de safra do Brasil e cortar a previsão para a Argentina. Os dados para oferta e demanda americana e mundial serão divulgados na terça, 11, às 14h.

Analistas consultados pelas agências internacionais apostam em estoques americanos de 382 milhões de bushels em 2024/25. Em janeiro, a previsão do USDA foi de 380 milhões. Em relação ao quadro de oferta e demanda mundial da soja, o mercado aposta em estoques finais 2024/25 de 128,5 milhões de toneladas. Em janeiro, o número ficou em 128,4 milhões.

O USDA deverá elevar a estimativa para a safra do Brasil de 169 milhões para 170 milhões de toneladas. Já a estimativa para a Argentina deverá ser reduzida de 52 milhões para 50,6 milhões de toneladas.

Contratos futuros da soja

Os contratos da soja em grão com entrega em março fecharam com alta de 3,50 centavos de dólar ou 0,33% a US$ 10,60 1/2 por bushel. A posição maio teve cotação de US$ 10,75 3/4 por bushel, com perda de 3,50 centavos, ou 0,32%.

Nos subprodutos, a posição março do farelo fechou com baixa de US$ 1,90 ou 0,61% a US$ 306,40 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em março fecharam a 45,40 centavos de dólar, com alta de 0,31 centavo ou 0,68%.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão em queda de 0,50%, negociado a R$ 5,7644 para venda e a R$ 5,7624 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,7490 e a máxima de R$ 5,8245.



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