Alta do diesel e dos fertilizantes pode agravar o endividamento de produtores, alerta economista

Produtores rurais do Rio Grande do Sul entram no período de compra de insumos para a safra 2026/27 em um cenário de incerteza e pressão nos custos. Diante disso, a Federação da Agricultura do Estado (Farsul) orienta cautela na comercialização e reforça a importância de equilibrar custos de produção e preços de venda.
Segundo o economista da entidade, Antônio da Luz, o atual contexto internacional, marcado pelo conflito no Oriente Médio, tem impacto direto sobre o petróleo, insumo-chave para toda a cadeia produtiva, e eleva o risco inflacionário no campo.
De acordo com o economista, a escalada recente no preço do petróleo já começa a se refletir nos custos do agronegócio.
“O petróleo praticamente dobrou de preço em relação ao período anterior ao conflito. Não tem como esse aumento não ser repassado”, afirma.
O economista destaca que o impacto vai muito além dos combustíveis. Isso porque o petróleo está presente em diversos setores, como transporte, indústria química e construção civil.
Na prática, isso significa aumento generalizado de custos, desde o frete até os insumos utilizados na produção agrícola.
Diesel caro e até racionado preocupa produtores
No campo, os efeitos já são sentidos. O produtor Everton Gobel, de Ernestina (RS), relata dificuldades no abastecimento de diesel em municípios do norte gaúcho.
Segundo ele, há casos de racionamento e limitação de compra nos postos. “Tem dias que tem diesel, outros não. Em alguns lugares, só pode comprar uma quantidade limitada”, afirma.
A preocupação aumenta com a proximidade da colheita da soja, que depende diretamente do combustível para operação de máquinas e logística.
Além disso, Gobel lembra que os produtores vêm de uma sequência de adversidades climáticas, como secas e enchentes, o que torna o cenário ainda mais desafiador.
Endividamento e crédito restrito agravam cenário
Outro ponto de alerta é o elevado nível de endividamento dos produtores. Segundo a Farsul, muitos já operam com alta alavancagem e enfrentam dificuldades de acesso ao crédito.
Com a alta dos custos, a necessidade de capital aumenta justamente em um momento de restrição financeira.
“Estamos diante de um combo de problemas: custo subindo, produtor descapitalizado e crédito mais limitado”, explica Da Luz.
Ele também destaca que a expectativa de queda nos juros ao longo de 2026 perdeu força diante do cenário global, o que tende a manter elevado o custo financeiro no país.
Além do petróleo, outro fator de risco é o mercado internacional de fertilizantes. Segundo o economista, já há sinais de possíveis restrições por parte da China nas exportações, o que pode pressionar ainda mais os custos de produção.
Para a Farsul, esse conjunto de fatores indica um cenário de atenção redobrada para o planejamento da próxima safra.
Estratégia: travar preços e evitar operações descobertas
Diante desse contexto, a principal recomendação da entidade é adotar uma postura conservadora na comercialização.
A orientação inclui:
- Travar preços antecipadamente
- Garantir margens que cubram os custos
- Evitar operações sem proteção de preços
“Se o custo sobe, o produtor precisa buscar também preços mais altos para manter a relação de troca”, afirma Da Luz.
Medidas pontuais do governo, como ajustes tributários sobre combustíveis, são consideradas positivas, mas insuficientes diante da magnitude da alta do petróleo.
Para a Farsul, o momento exige planejamento detalhado e decisões estratégicas para reduzir riscos.
Com custos em alta, crédito restrito e incertezas no mercado global, o produtor gaúcho terá que reforçar a gestão financeira para atravessar mais um ciclo desafiador no campo.
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