A Operação Terra Forte iniciou oficialmente suas atividades no campo nesta terça-feira (2/12), com a publicação, no Diário Oficial do Estado, da lista dos primeiros beneficiários selecionados. O lançamento marca uma nova etapa da política pública voltada ao fortalecimento da agricultura familiar, com a implementação de um projeto-piloto que antecede a execução em larga escala prevista para 2026.
O projeto-piloto envolve 12 produtores de 12 municípios diferentes — um por regional da Emater/RS-Ascar — e tem como objetivo testar, em condições reais, as ferramentas e metodologias que serão aplicadas em todo o programa. Participam desta fase inicial os municípios de Caraá (Porto Alegre), Estrela (Lajeado), Ijuí (Ijuí), Jacutinga (Erechim), Manoel Viana (Bagé), Morro Redondo (Pelotas), Nova Roma do Sul (Caxias do Sul), Palmitinho (Frederico Westphalen), Paraíso do Sul (Santa Maria), Porto Mauá (Santa Rosa), Sananduva (Passo Fundo) e Venâncio Aires (Soledade).
Nessas localidades, equipes técnicas darão início aos diagnósticos e à elaboração dos Planos Individuais de Ações Integradas (Piais) diretamente nas primeiras propriedades beneficiadas. O processo servirá como base de aperfeiçoamento para os cadernos técnicos elaborados e para o sistema de gestão específico que será utilizado na Operação Terra Forte quando ela atingir todos os municípios previstos.
O titular da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), Vilson Covatti, destacou que o início da Operação Terra Forte marca um avanço decisivo para a agricultura familiar no Estado. “Hoje é um dia histórico para o Rio Grande do Sul. Com a publicação do início da Operação Terra Forte no Diário Oficial, iniciamos um programa aprovado em R$ 903 milhões, que já começa com a liberação dos primeiros R$ 300 milhões. Os 12 beneficiários iniciais representam o ponto de partida de um projeto que vai transformar vidas e fortalecer comunidades. Entre 15 e 22 de dezembro, entregaremos os primeiros Cartões Cidadão, com R$ 30 mil por produtor, e, a partir de 6 de janeiro, iniciaremos os diagnósticos nos demais municípios. O Terra Forte é mais que um programa: é um compromisso com quem produz e com o futuro do nosso Estado”, concluiu.
Mais de 52 mil inscrições e 15 mil famílias beneficiárias
A previsão é de que os primeiros Cartões Cidadão — instrumento que permitirá a execução dos recursos para as ações previstas nos Piais — sejam entregues entre 15 e 22 de dezembro. Já a execução ampla dos diagnósticos e Piais em todas as demais regiões está programada para começar em 6 de janeiro de 2026.
O presidente da Emater/RS, Luciano Schwerz, destacou a importância da parceria com a SDR e o empenho dos extensionistas nas fases concluídas do programa, que contou com mais de 52 mil inscrições. “Estamos iniciando a execução do trabalho com as 15 mil famílias, sempre com forte alinhamento com a SDR, para levar a essas propriedades um programa que melhora a qualidade de vida, organiza as unidades produtivas e fortalece a resiliência climática”, afirmou.
Segundo a SDR, a fase piloto vai permitir maior precisão na aplicação dos instrumentos do programa e agilidade na etapa seguinte, garantindo que os agricultores ingressem na Operação Terra Forte com informações técnicas consolidadas e planos de ação adequados às necessidades de cada propriedade.

Mais de 4 mil agricultores e pecuaristas de todas as regiões do Paraná participaram, na última sexta-feira (5), do Encontro Estadual de Líderes Rurais, promovido pelo Sistema Faep.
Durante o evento, o governo estadual lançou o CertiCAR, programa que certifica e regulariza os Cadastros Ambientais Rurais (CAR), reforçando a segurança jurídica no campo e colocando cerca de 220 mil imóveis em conformidade imediata com a legislação ambiental.
O encontro também foi marcado por debates sobre os desafios enfrentados pelo agronegócio em 2025 e pelas perspectivas para 2026. A programação incluiu palestras técnicas, apresentações culturais e celebrações pelos 60 anos da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep).
Segundo representantes da entidade, o Paraná é hoje o estado com maior área regularizada perante o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura.
Segundo o governador do Paraná, Ratinho Junior, esse avanço é resultado de um trabalho conjunto entre setor produtivo e governo, que inclui um sistema criado para dar mais agilidade ao processo de homologação do cadastro.
Além do lançamento do novo programa ambiental, o governador apresentou atualizações sobre as ações de reconstrução em Rio Bonito do Iguaçu, município devastado por um tornado no início de novembro. Entre as medidas anunciadas estão uma ajuda mensal de R$ 1 mil para famílias atingidas, um plano de reforma de casas de até R$ 50 mil e o início da construção de 320 novas moradias para quem perdeu todo o patrimônio.
Na área rural, o governo também disponibilizou o Banco do Agricultor Paranaense, linha de crédito com juros zero para reconstrução de estruturas produtivas. Em alguns casos, produtores também recebem recursos a fundo perdido, nos mesmos moldes do programa de reforma habitacional.
Na pecuária de corte, os produtores avaliam que 2025 marcou o início de uma mudança de ciclo. Nos últimos anos, a baixa remuneração levou a um abate elevado de fêmeas e muitos pecuaristas acabaram vendendo matrizes para recuperar o caixa.
“Isso está ocasionando uma diminuição na produção de bezerro. A consequência é o aumento dos preços, porque falta bezerro, vai faltar boi magro daqui a dois anos. Então é um ciclo de alta”, explica o produtor rural, Rodolpho Botelho.
Segundo Botelho, a combinação de menor oferta e forte demanda internacional, especialmente de países asiáticos, do Oriente Médio, da Europa e dos Estados Unidos, traz perspectivas de valorização para o setor.

O mercado brasileiro de soja operou totalmente travado nesta segunda-feira (8). De acordo com o analista da consultoria Safras & Mercado, Rafael Silveira, não houve indicações relevantes hoje, com preços recuando em várias regiões e compradores completamente de lado.
Segundo ele, o mercado ficou parado à espera do relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que será divulgado nesta terça-feira (9). Silveira acrescenta que a bolsa caiu, o dólar mostrou volatilidade e os prêmios até subiram um pouco, mas sem grande impacto. “Na safra nova, não houve reportes de grandes negócios. Se saiu algo, foi muito pontual”, disse.
Os contratos futuros da soja fecharam em baixa nesta segunda-feira (8) na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). As dúvidas sobre o ritmo das compras chinesas de produto americano e a expectativa em torno dos números do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) amanhã e das taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed) na quarta pressionaram as cotações.
Os exportadores privados norte-americanos reportaram ao USDA a venda de 132.000 toneladas de soja à China, a serem entregues na temporada 2025/26. As exportações líquidas norte-americanas de soja, referentes à temporada 2025/26, com início em 1º de setembro, ficaram em 510,6 mil toneladas na semana encerrada em 6 de novembro.
Para a temporada 2026/27, foram mais 3,6 mil toneladas. As inspeções de exportação norte-americana de soja chegaram a 1.018.127 toneladas na semana encerrada no dia 4 de dezembro, conforme relatório semanal.
A estatal chinesa Sinograin deve leiloar 512.500 toneladas de soja importada dia 11 de dezembro, sua primeira venda desse tipo em três meses. As importações de soja em grão pela China no mês de novembro somaram 8,11 milhões de toneladas, 13,4% superior ao mesmo mês de 2024, quando o número chegou a 7,15 milhões de toneladas.
As compras foram impulsionadas pelos embarques sul-americanos e pela retomada de compras dos Estados Unidos. No acumulado de 2025, as importações chinesas somaram 103,79 milhões de toneladas, avanço de 6,9% sobre igual período de 2024.
O USDA deverá, no seu relatório de dezembro, indicar elevação na projeção para os estoques finais dos Estados Unidos em 2025/26. Os dados para oferta e demanda americana e mundial serão divulgados no relatório.
Analistas consultados pelas agências internacionais indicam que o número para os estoques americanos em 2025/26 deverá ficar em 309 milhões de bushels, contra 290 milhões previstos em novembro, data do relatório mais recente.
Em relação ao quadro de oferta e demanda mundial da soja, o mercado aposta em estoques finais 2024/25 de 123,4 milhões de toneladas. Em novembro, o número ficou em 123,3 milhões. Segundo o mercado, a indicação do USDA para 2025/26 deverá ser de 122,8 milhões de toneladas, contra 122 milhões projetados em novembro.
Os contratos da soja em grão com entrega em janeiro fecharam com baixa de 11,50 centavos de dólar, ou 1,04%, a US$ 10,93 3/4 por bushel. A posição março teve cotação de US$ 11,05 3/4 por bushel, com retração de 10,25 centavos de dólar ou 0,91%.
Nos subprodutos, a posição janeiro do farelo fechou com baixa de US$ 0,60 ou 0,19% a US$ 306,80 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em janeiro fecharam a 51,18 centavos de dólar, com perda de 0,51 centavo ou 0,98%.
O dólar comercial encerrou a sessão com baixa de 0,24%, sendo negociado a R$ 5,4205 para venda e a R$ 5,4185 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,3867 e a máxima de R$ 5,4672.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) realizou uma fiscalização em uma unidade de torrefação de café em Brusque, em Santa Catarina, e identificou o uso irregular de cascas de café para substituir parte dos grãos, prática proibida e caracterizada como fraude contra o consumidor.
A casca, também chamada de polpa de café, é um subproduto do beneficiamento e não pode ser misturada à produção de café torrado e moído.
Nesse sentido, seu uso exige controle rigoroso devido ao risco de contaminação por micotoxinas, como a Ocratoxina A, além da possibilidade de presença de impurezas como terra, areia, pedras e resíduos químicos, o que representa risco à saúde pública.


Durante a ação, os fiscais federais agropecuários apreenderam 4,2 toneladas do material que estavam sendo empregadas indevidamente no processo produtivo.
A análise anterior detectou impurezas acima do permitido em um lote da empresa alvo — cujo nome não foi divulgado —, que motivou a operação. Em seguida, novas amostras foram coletadas para avaliar a identidade e a qualidade do produto comercializado.
Além disso, a organização orientou o estabelecimento a corrigir falhas nas boas práticas de fabricação e a promover melhorias estruturais para garantir condições adequadas de higiene e processamento.
O superintendente do Mapa em Santa Catarina, Ivanor Boing, destacou a importância da ação.
“Nosso compromisso é garantir que o consumidor receba um produto seguro, honesto e de qualidade. A fiscalização existe para coibir fraudes e assegurar que o café catarinense mantenha o padrão que o mercado exige e o público merece”, afirmou.
O Ministério reforça que continuará intensificando a fiscalização em todo o estado, fortalecendo a segurança alimentar e a confiança da população na cadeia produtiva do café.
*Sob supervisão de Victor Faverin
A decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) de manter o leilão do Tecon 10 em duas fases, proibindo os operadores já presentes no Porto de Santos de participarem da primeira etapa, marca uma inflexão importante na política portuária brasileira. Pela primeira vez, um mega terminal estratégico, capaz de ampliar em até 50% a capacidade de movimentação de contêineres do maior porto da América Latina, será oferecido com um modelo explícito para atrair novos players globais e reduzir o risco de concentração.
Num setor historicamente dominado por poucos gigantes, a medida não é apenas regulatória: é uma tentativa concreta de baratear o custo Brasil, ampliar a concorrência e abrir espaço para investimentos privados de longo prazo.
Os grandes operadores de Santos, empresas gigantes como MSC, Maersk, CMA CGM e DP World, já concentram uma enorme parcela da movimentação. Se entrassem imediatamente no leilão, tenderiam a manter essa concentração.
Ao vedar a participação dos incumbentes na 1ª fase, o TCU:
Isso é crucial para tarifas mais equilibradas e melhor qualidade de serviço.
Portos internacionais têm apetite por ativos logísticos de alto potencial, e o Tecon 10 é o maior projeto portuário do país desde a criação do Porto de Suape.
Abrir a disputa para grupos que ainda não operam em Santos:
Se a 1ª fase não atrair propostas, os incumbentes poderão participar, mas com uma condição dura: desinvestir seus ativos atuais em Santos.
O TCU criou um modelo que:
É um desenho regulatório raro no Brasil: firme, técnico e com salvaguardas claras.
O agronegócio depende de portos eficientes. Custos portuários representam até 25% do custo total de exportação em algumas cadeias.
Com um novo terminal:
Mais competição no porto = menos custo Brasil.
Pela regra aprovada, podem participar desde a 1ª fase: novos operadores sem terminal em Santos. Isso inclui armadores ou operadores com presença global, mas sem operação ativa no porto santista.
Entre os potenciais concorrentes internacionais (já citados pelo mercado):
No cenário doméstico:
Todos os operadores incumbentes de contêineres no Porto de Santos:
Para entrarem na 2ª fase, teriam de abrir mão de seus terminais atuais, condição que, na prática, dificulta bastante a participação
A decisão do TCU não resolve todos os problemas do Porto de Santos, muito menos os gargalos logísticos do Brasil. Mas representa um passo raro: colocar competição antes do conforto dos grandes grupos.

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
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O julgamento sobre o modelo do leilão do Tecon Santos 10, terminal de contêineres projetado para ser o maior do Porto de Santos, foi concluído pelo Tribunal de Contas da União (TCU) nesta segunda-feira (8).
A Corte decidiu pela tese do ministro-revisor Bruno Dantas, que preservou a autonomia da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Assim, o certame avança no formato em duas fases, sendo que, para ampliar a concorrência, fica vetada na primeira fase a participação de companhias que já atuam no cais.
Contudo, o ponto central da decisão não foi entre os modelos de leilão (bifásico ou monofásico), mas sobre o grau de intervenção do TCU no mérito regulatório. Dantas defendeu que o Tribunal deve se abster de substituir a decisão da agência, desde que esta não seja ilegal, garantindo a autonomia da Antaq em suas escolhas técnicas.
A discussão técnica envolve o conceito de armadores, que são as grandes empresas de navegação responsáveis pelo transporte marítimo de cargas. A preocupação é com a verticalização do mercado, em que esses grupos adquirem terminais portuários, resultando em poder para restringir a competição e elevar o “Custo Brasil”.
O ministro-relator, Antonio Anastasia, propôs intervenção substitutiva na modelagem. Para ele, a regra original da Antaq de realizar o leilão em duas fases, com restrição a operadores atuais (incumbentes) na primeira etapa, continha falha de legalidade.
Anastasia propunha uma determinação corretiva e substitutiva, por entender que a solução de restrição adotada pela agência é ilegal e potencialmente limitadora da competição. Em seu voto, sugeriu determinar que a Antaq substituísse o modelo por certame em etapa única, condicionado ao desinvestimento compulsório do ativo anterior pelo vencedor.
Já o ministro-revisor, Bruno Dantas, discordou do diagnóstico de ilegalidade, afirmando que “simplesmente discordar do mérito regulatório não configura ilegalidade”. Ao defender a autonomia da agência, o Plenário preservou o modelo de duas fases estabelecido pela Antaq e utilizou o comando de recomendação para aprimorar as regras.
O diagnóstico técnico do TCU e da Antaq classificou o mercado de movimentação de contêineres como “altamente concentrado”, com um Índice Herfindahl-Hirschman (HHI) de 3.570 pontos, bem acima do patamar de alerta do Cade de 2.500.
A fiscalização apontou que o controle de terminais por armadores levou a problemas como a “omissão de escala” (quando o navio “pula” o porto), que saltou em um dos principais terminais de 2% para alarmantes 21% em 2024.
A Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) publicou nota em que manifesta reconhecimento e apoio à decisão do TCU ao confirmar o modelo proposto pela Antaq para o leilão do Tecon Santos 10.
“A validação do modelo bifásico representa o fortalecimento de uma política regulatória moderna, que privilegia a concorrência, a eficiência e a entrada de novos operadores, elementos essenciais para ampliar a competitividade do comércio exterior brasileiro”, destaca.
Para a Abia, a decisão deesta segunda-feira representa um avanço institucional expressivo e reafirma o papel do Brasil na busca por maior eficiência e competitividade no comércio internacional.

A estiagem volta a preocupar produtores do Rio Grande do Sul. Embora a previsão indique chuva para os próximos dias, agricultores da metade norte do estado relatam mais de 20 dias de tempo seco, com prejuízos expressivos principalmente no milho em fase de floração e na soja recém-implantada.
Algumas lavouras já apresentam perdas consolidadas, cenário que se repete pela sexta safra consecutiva em diversas localidades. As imagens registradas mostram áreas severamente comprometidas, refletindo o agravamento da situação.
Os maiores danos estão concentrados no milho, que já entrou na colocação de espigas. Mesmo com o retorno das chuvas, essa fase é sensível e não permite recuperação do potencial produtivo. Já a soja recém-semeada também sofre com a falta de umidade, atrasando manejos essenciais.
Em Sarandi, o produtor, Lauri Cescon, explica que a última chuva significativa ocorreu entre os dias 15 e 16 de novembro. “Já passam de 20 dias sem chuva. O milho está em floração e bastante comprometido. A lavoura de milho já passando da floração, inclusive ele não espera e comprometeu bastante”, afirma.
Na plantação de soja mais precoce, Cescon descreve plantas menores do que o esperado para o período. “Ela já deveria estar maior, então acredito que já tem perca, mas a soja se recupera melhor que o milho”, destaca.
Além da estiagem, os produtores enfrentaram episódios de granizo no início da safra, atingindo trigo, milho e soja. Em algumas propriedades, o replantio foi inevitável. “Em áreas onde colhemos o trigo, não conseguimos plantar ainda. Está muito seco, não tem como plantar”, relata Cescon.
Agora, a expectativa é por chuva contínua e tranquila, sem novos eventos extremos. “Este ano está complicado”, relata o produtor, que aguarda condições para retomar os manejos e reduzir os impactos na safra.

A balança comercial brasileira registrou superávit comercial de US$ 1,923 bilhão na primeira semana de dezembro. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgados nesta segunda-feira (8), o valor foi alcançado com exportações de US$ 7,430 bilhões e importações de US$ 5,507 bilhões.
No ano, de janeiro a dezembro de 2025, o superávit soma um total de US$ 59,762 bilhões, ante US$ 74,176 bilhões no mesmo período de 2024. O resultado deste ano é decorrente de US$ 325,252 bilhões em exportações e US$ 265,490 bilhões em importações.
Até a primeira semana de dezembro, comparado ao mesmo período de dezembro de 2024, as exportações cresceram 25,4%.
O desempenho dos setores foi o seguinte: crescimento de 58,9% em Agropecuária, que somou US$ 1,505 bilhão; crescimento de 42,8% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 1,724 bilhão e, por fim, crescimento de 11,3% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 4,158 bilhões.
As importações cresceram 14,3% na primeira semana de dezembro na mesma comparação, com crescimento de 13,3% em Agropecuária, que somou US$ 130 milhões; crescimento de 33,3% em Indústria Extrativa, que chegou a aproximadamente US$ 260 milhões e, por fim, crescimento de 14,1% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 5,102 bilhões.
Por outro lado, a comercialização avança em ritmo acelerado
Agrolink
– Leonardo Gottems

Por outro lado, a comercialização avança em ritmo acelerado – Foto: Divulgação
O mercado de trigo no Brasil entra em um período decisivo diante do quadro de oferta internacional e das limitações de disponibilidade interna. Segundo dados da TF Agroeconômica, mesmo com abundância global, os preços FOB do trigo hard americano giram em torno de 680,35 dólares por bushel, enquanto o produto argentino permanece mais barato, a 566,05 dólares, abaixo inclusive do fechamento da Bolsa de Chicago, que encerrou a 578,75 dólares. Essa diferença mantém pressão direta sobre as cotações domésticas.
Por outro lado, a comercialização avança em ritmo acelerado. As pesquisas apontam que 42 por cento da safra gaúcha já foi negociada, ao lado de um avanço ainda maior no Paraná, onde as vendas alcançam entre 92 por cento e 95 por cento do volume disponível. Isso deixa no mercado 1,97 milhão de toneladas no Rio Grande do Sul e apenas entre 125 mil e 200 mil toneladas no Paraná. No total nacional, restam cerca de 2,27 milhões de toneladas de trigo para abastecer o país entre fevereiro e agosto de 2026.
Considerando a demanda de moagem brasileira, estimada em 984,39 mil toneladas por mês, sendo 225 mil no Paraná e 175 mil no Rio Grande do Sul, o país teria apenas 324,28 mil toneladas mensais de oferta nacional para suprir um consumo que ultrapassa em mais de 23 por cento esse volume. O déficit potencial de aproximadamente 530,04 mil toneladas apenas nos dois estados do Sul abre espaço para uma valorização do trigo interno em direção à paridade de importação.
Nesse cenário, a recomendação da consultoria sugere que os moinhos garantam desde já a cobertura das matérias-primas para contratos de longo prazo, preservando margens mesmo com custos maiores ao longo dos próximos meses. A tendência observada pela TF Agroeconômica é de sustentação e possível alta do trigo na CBOT ao longo de 2026.