domingo, junho 7, 2026

Autor: Redação

AgroNewsPolítica & Agro

Entenda como o PIB Verde pode transformar o agro brasileiro


No Dia Mundial do Meio Ambiente, o debate sobre o chamado PIB Verde avança no Brasil, impulsionado pela restauração florestal, pelos mercados de carbono e pela bioeconomia. Estudos apontam potencial de R$ 776 bilhões em movimentação econômica e geração de até 2,5 milhões de empregos, em um cenário que reposiciona os ativos ambientais como parte da estratégia de crescimento do país.

A economia da natureza começa a ocupar espaço nos debates sobre competitividade, desenvolvimento regional e geração de renda. O movimento é puxado pela valorização de ativos ambientais, pela expansão dos mercados de carbono e pelo avanço de modelos produtivos de baixo carbono.

Estudos do Fórum Econômico Mundial estimam que a transição para uma economia positiva para a natureza pode movimentar US$ 10,1 trilhões por ano e gerar cerca de 395 milhões de empregos no mundo até 2030. No Brasil, a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura avalia que o país tem condições de liderar esse novo ciclo econômico, com base no fortalecimento do chamado PIB Verde.

O conceito considera a geração de riqueza associada à conservação ambiental, aos serviços ecossistêmicos e à produção de baixo carbono, com impactos diretos para pessoas, territórios e economias locais.

“A natureza não é apenas patrimônio ambiental, mas também representa uma infraestrutura econômica e social, essencial para o bem-estar das pessoas. Neste cenário, o Brasil reúne ativos estratégicos para liderar a nova economia verde: grande disponibilidade de recursos naturais, matriz energética relativamente limpa, produção agropecuária robusta e diversa, e crescente capacidade técnica em soluções baseadas na natureza”, afirma Karen Oliveira, cofacilitadora da Coalizão Brasil.

A restauração florestal deixou de ser tratada apenas como ação ambiental e passou a entrar na agenda de fundos de investimento, bancos de desenvolvimento e empresas. A lógica é transformar áreas degradadas em ativos naturais de alto valor, com capacidade de gerar renda, remover carbono da atmosfera e criar empregos verdes.

Um estudo da Coalizão Brasil e de organizações parceiras mostrou que a restauração de ecossistemas pode gerar até 2,5 milhões de empregos diretos no país até 2030, além de atrair capital de longo prazo.

No Cerrado, iniciativas apoiadas pela Corporação Financeira Internacional (IFC), do Grupo Banco Mundial, buscam restaurar 280 mil hectares de terras degradadas. O projeto tem potencial para gerar 1.800 empregos verdes, sendo 800 deles diretos em manejo sustentável, beneficiando regiões rurais onde as oportunidades são mais escassas.

A relevância econômica das florestas também aparece em escala global. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o setor florestal emprega diretamente cerca de 42 milhões de pessoas e movimenta bilhões de dólares em produtos que vão além da madeira, como alimentos e medicamentos.

O efeito multiplicador amplia esse impacto: de acordo com a FAO, para cada 100 empregos criados no setor florestal, outros 73 são gerados na economia em geral, em áreas como construção, energia e turismo.

Nesse contexto, a preservação e o manejo sustentável das florestas passam a ser também uma estratégia econômica. Ao desbloquear o valor dos ativos naturais, o país pode criar caminhos de prosperidade que conciliem proteção ambiental, trabalho digno e inclusão produtiva.

No agronegócio, a sustentabilidade também ganha peso nas relações comerciais. O acordo de livre comércio do Mercosul com a União Europeia, que entrou em vigor de forma provisória no início de maio, é apontado como exemplo recente de como critérios ambientais deixaram de ser apenas diferencial competitivo.

A tendência global é exigir rastreabilidade das cadeias produtivas e comprovação de que a produção está dissociada do desmatamento. Para o setor agropecuário brasileiro, isso representa uma oportunidade de ampliar mercados, mas também impõe a necessidade de adaptação, governança e comprovação de práticas sustentáveis.

 





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‘Vazio sanitário bem caprichado reduz drasticamente as perdas causadas pela ferrugem asiática’, alerta pesquisadora da Embrapa


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Foto: Embrapa Soja

O vazio sanitário da soja já está em andamento no Brasil e marca o início de um período obrigatório sem plantas vivas da cultura no campo. Em São Paulo, a Defesa Agropecuária da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) deu início na última segunda-feira (1º) ao primeiro dos três períodos estabelecidos no estado.

A pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Soja, Claudine Seixas, explica que a medida consiste em pelo menos 90 dias na entressafra sem a presença de soja no campo.

“Então não podemos semear e também precisamos eliminar, caso tenha alguma planta que a gente chama de voluntária ou soja tiguera, aquela que nasceu de grãos que caíram durante a colheita. Essas plantas precisam ser eliminadas”, afirma.

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Segundo ela, a principal razão da medida é o controle da ferrugem asiática, uma das doenças mais severas da cultura. ”O fungo que causa a ferrugem asiática precisa da planta viva para sobreviver. Ao eliminar a soja, nós eliminamos o principal hospedeiro desse fungo e esperamos atrasar a ocorrência da doença durante a safra”, explica. Claudine destaca ainda que o atraso na infecção reduz o número de aplicações de defensivos e diminui o risco de perdas na produtividade.

A especialista reforça que o cumprimento rigoroso do vazio sanitário é fundamental para o manejo da ferrugem asiática. “Quando o vazio sanitário é realizado de forma adequada, o controle da doença começa antes mesmo do plantio da nova safra. Essa medida contribui para reduzir a presença do fungo no campo, diminuindo a necessidade de aplicações de fungicidas e as perdas provocadas por uma doença extremamente severa”, afirma.

Periodo do vazio sanitário por estado

Em São Paulo e em outros estados, os períodos de vazio sanitário e semeadura variam conforme o calendário oficial. No Acre, por exemplo, o vazio sanitário ocorre de 22 de junho a 20 de setembro de 2026, com semeadura entre 21 de setembro de 2026 e 8 de janeiro de 2027. Já em Mato Grosso, o período vai de 8 de junho a 6 de setembro de 2026, seguido da semeadura entre 7 de setembro de 2026 e 7 de janeiro de 2027.

Outros estados também seguem calendários específicos, como Goiás, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul, que concentram o vazio sanitário entre junho e setembro de 2026, com a semeadura iniciando logo em seguida, entre setembro e outubro, a depender da região.

A medida tem como objetivo reduzir a sobrevivência do fungo causador da ferrugem asiática durante o período de entressafra, contribuindo para uma safra mais segura e com menor risco fitossanitário.

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São João de Campina Grande movimenta R$ 800 milhões e impulsiona agronegócio


A festa de São João em Campina Grande, na Paraíba, movimenta anualmente cerca de R$ 800 milhões e impacta diretamente o agronegócio e a agricultura familiar, especialmente no cultivo de milho. O evento, que dura 33 dias, também impulsiona setores como turismo, hotelaria, gastronomia e artesanato.

Impacto econômico da festa

O São João é um evento que gera uma cadeia produtiva significativa, envolvendo:

  • Hotelaria
  • Turismo
  • Bares e restaurantes
  • Gastronomia
  • Produtores rurais

Preparativos no campo

A preparação para a festa começa seis meses antes, com o cultivo de diversos produtos, incluindo:

  • 250 toneladas de milho
  • 220 toneladas de macaxeira
  • 150 toneladas de batata-doce
  • 80 toneladas de carne de bode

Cultura do milho e tradições

O milho é fundamental para a produção de pratos típicos como munguzá, pamonha e canjica. A festa também é marcada pela tradição do maior bolo de milho do mundo, que utiliza 6.000 ovos, impactando a produção local.

Geração de emprego e renda

A festa gera emprego e renda, beneficiando especialmente os produtores rurais e comerciantes de alimentos. A agricultura familiar é fomentada através de barracas que comercializam produtos locais.

Convite para a festa

O evento ainda conta com 31 dias de festividades, e a rede hoteleira está preparada para receber turistas de todo o Brasil. A festa promete ser uma experiência rica em cultura e tradição nordestina.

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Secretário de Minas Gerais defende restrições à importação de leite


O secretário de Agricultura de Minas Gerais defendeu a implementação de restrições à importação de leite, destacando os desafios enfrentados pelo setor no estado, que é responsável por 27% da produção nacional.

Impacto das importações

Minas Gerais, embora tenha um impacto menor em comparação com a região sul do Brasil, ainda sofre com a concorrência desleal provocada pela importação de leite da Argentina e do Uruguai. O secretário ressaltou que a situação é crítica para os produtores, que enfrentam dificuldades financeiras há cerca de um ano devido a essa importação predatória.

Medidas em andamento

Recentemente, o mercado de leite começou a se recuperar, com algumas medidas sendo implementadas para valorizar a produção local. Entre as ações destacadas estão:

  • Crédito presumido de ICMS
  • Programas voltados para a primeira infância
  • Gestão de custos para os produtores

Essas iniciativas visam ajudar os produtores a entenderem melhor seus custos e a situação financeira de suas atividades, promovendo a sustentabilidade do setor leiteiro em Minas Gerais.

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Datagro apresentará indicador de preço do boi no Rio Grande do Sul


Datagro apresentará indicador de preço do boi no Rio Grande do Sul

A Associação Brasileira de Angus informou nesta quinta-feira (5) que o Rio Grande do Sul passará a contar com um novo indexador de preços do mercado pecuário, produzido pela Datagro. Segundo a entidade, o indicador será apresentado nesta segunda-feira (9), durante a 6ª etapa do circuito Indicador do Boi Datagro na Estrada 2026, na sede da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), em Porto Alegre.

De acordo com a nota divulgada pela Associação Brasileira de Angus, a proposta é criar uma referência específica para o mercado bovino gaúcho. A apresentação ocorrerá em um encontro voltado ao setor pecuário, com participação prevista de agentes da cadeia.

Na mesma nota, o líder da Área de Pecuária da Datagro, João Figueiredo, afirmou que a empresa está na fase final de consolidação das informações. “Estamos coletando dados junto aos frigoríficos e aos produtores e finalizando a conferência para garantir um indicador fiel à realidade do mercado”, disse.

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Indicadores de preço são usados pelo setor como referência para negociações de compra e venda de animais, acompanhamento de mercado e comparação entre regiões. No caso do Rio Grande do Sul, a criação de um indexador próprio pode ampliar a disponibilidade de parâmetros locais para produtores, indústrias frigoríficas e demais participantes da pecuária de corte.

Até o momento, a nota não detalha a metodologia de cálculo, a periodicidade de divulgação, os critérios de amostragem nem as praças consideradas na composição do indicador. Esses pontos tendem a ser centrais para a avaliação técnica da representatividade do novo indexador no Estado.

O lançamento ocorre em um momento em que agentes da pecuária buscam instrumentos de precificação mais aderentes às condições regionais de oferta, demanda e escala de abate.

A apresentação prevista para esta segunda-feira (9) deve esclarecer a base metodológica e o alcance do novo indicador. Sem essas informações técnicas, ainda não é possível dimensionar de forma completa sua aplicação prática nas negociações do mercado pecuário gaúcho.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Juros altos e mudanças no seguro rural aumentam endividamento no campo


As recentes mudanças nas regras do seguro rural, a redução da subvenção federal e as altas taxas de juros estão ampliando o endividamento no campo, acendendo um alerta sobre os impactos diretos na produção agrícola brasileira.

Novas regras do seguro rural

A nova resolução do Conselho Nacional de Seguros Privados, que vincula a liberação do seguro a critérios socioambientais, ocorre em um cenário de redução de 42% na subvenção ao seguro rural. Especialistas apontam que essa medida pode limitar ainda mais o acesso dos produtores à proteção, em um país que já apresenta baixa cobertura de área segurada em comparação a grandes players globais.

Comparativo internacional

  • Brasil: 3,2 milhões de hectares segurados.
  • Estados Unidos: 93% a 95% de cobertura.
  • China: 65% a 70% de cobertura.

Esse efeito não só diminui a área segurada, deixando os produtores vulneráveis a eventos climáticos, mas também afeta a crise no agronegócio.

Impactos das altas taxas de juros

Os produtores enfrentam juros elevados no crédito rural, que pressionam o custeio da produção e aumentam a inadimplência. Sem renegociação de dívidas e condições mais acessíveis de financiamento, há risco de impacto direto na próxima safra e na adoção de novas tecnologias no campo.

Desafios enfrentados pelos produtores

Nos últimos anos, a agricultura paranaense tem sofrido com questões climáticas e custos elevados. A taxa de juros no mercado está em torno de 15%, com spread bancário que pode chegar a 23%, o que tem alavancado o endividamento dos produtores.

  • Necessidade de recorrer a bancos ou cooperativas de crédito para custeio.
  • Aumento do índice de inadimplência no setor.
  • Impacto direto na próxima safra se não houver renegociação de dívidas.

Se não houver um alongamento das dívidas e acesso a juros diferenciados, a adoção de novas tecnologias e sementes poderá ser comprometida, colocando em risco toda a cadeia produtiva.

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Desafios e soluções para altas produtividades no Cerrado brasileiro


A produção agrícola no Cerrado brasileiro enfrenta desafios significativos, incluindo doenças de solo, pragas e nematoides. Para superar essas dificuldades, o tratamento de sementes se destaca como uma estratégia essencial para garantir o desenvolvimento saudável das plantas.

Importância do tratamento de sementes

Felipe Guteio, gerente de marketing de tratamento de sementes da BASF, ressalta que o tratamento de sementes tem ganhado relevância ao longo dos anos. As variedades modernas de sementes são mais produtivas e incorporam tecnologias que exigem um manejo adequado para que possam responder de forma eficaz.

  • O tratamento de sementes não se limita a um único produto, mas envolve uma composição de soluções que protegem a semente como um todo.
  • Essas soluções incluem tratamentos que proporcionam efeitos fisiológicos superiores às plantas.
  • As receitas inovadoras visam aumentar a performance no manejo de doenças e nematoides.

Receitas customizadas para o Cerrado

Para atender às necessidades específicas dos agricultores, a BASF desenvolveu receitas customizadas. Um exemplo é a receita Stand Prime, que combina produtos como Standac Prime e Top Evo Prime, além de um biológico, para oferecer proteção contra pragas e doenças.

  • A combinação de químicos e biológicos resulta em raízes mais saudáveis e eficazes na absorção de água e nutrientes.
  • Outra receita, o Stand Prime, é voltada para áreas com alta pressão de nematoides, utilizando um nematicida químico.

Conclusão

O tratamento de sementes evolui constantemente, oferecendo soluções que atendem às demandas dos agricultores e mitigam problemas que podem surgir durante o cultivo. Essa abordagem torna o manejo agrícola menos complexo e mais eficiente, contribuindo para a produtividade no Cerrado.

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Podcast do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social detalha participação social no Acordo do Rio Doce


Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social libera R$ 24,5 milhões para projetos na bacia do Rio Doce

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançou nesta sexta-feira (5) o segundo episódio do podcast Horizontes do Rio Doce, audiossérie produzida em parceria com a Presidência da República. O conteúdo detalha como funciona a participação social no novo acordo firmado no fim de 2024 para reparar os danos do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG). Segundo o banco, a nova estrutura reservou R$ 5 bilhões para custear projetos escolhidos por deliberação direta das populações atingidas.

De acordo com o BNDES, o episódio apresenta a nova governança do processo reparatório e informa que os critérios de escolha dos projetos serão definidos pelo Conselho Federal de Participação Social da Bacia do Rio Doce e Litoral Norte Capixaba. O colegiado é presidido pela Secretaria-Geral da Presidência da República e tem 36 membros titulares, com composição paritária entre poder público e sociedade civil.

O rompimento da barragem ocorreu em novembro de 2015, quando rejeitos de mineração percorreram a bacia do Rio Doce e alcançaram o mar. O novo acordo prevê ações em 49 municípios, sendo 38 em Minas Gerais e 11 no Espírito Santo. Pelo modelo atual, Samarco e suas acionistas Vale e BHP Billiton deverão desembolsar R$ 100 bilhões ao longo de 20 anos. Desse total, R$ 49,1 bilhões ligados a ações sob responsabilidade da União devem ser aportados no Fundo Rio Doce, gerido pelo BNDES.

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Segundo o banco, já foram lançados uma chamada pública conduzida pelo próprio BNDES e um edital operacionalizado pela Fundação Banco do Brasil, somando R$ 450 milhões. A instituição afirma que a audiossérie busca dar transparência à execução das medidas, às liberações de recursos e aos resultados em andamento.

Para o público do setor rural, o tema tem relação com territórios da bacia impactados pelo desastre, incluindo comunidades produtivas e agricultores familiares. O material divulgado, no entanto, não detalha neste episódio recortes específicos por cadeia agropecuária, volume de recursos por atividade produtiva ou cronograma segmentado para atendimento ao meio rural.

O segundo episódio já está disponível no Spotify e integra uma série de oito programas sobre o novo acordo. Pelas informações oficiais divulgadas até esta sexta-feira (5), a próxima etapa relevante será acompanhar a execução dos editais, a definição dos projetos pelas comunidades e a aplicação dos recursos nos municípios atingidos.

Fonte: agenciadenoticias.bndes.gov.br

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AgroNewsPolítica & Agro

Exportações de carne de frango superam US$ 1 bilhão em maio e estabelecem novo recorde histórico


Desempenho ocorre mesmo diante dos desafios enfrentados no Estreito de Ormuz

As exportações brasileiras de carne de frango (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) alcançaram um marco inédito em maio de 2026, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Pela primeira vez na história do setor, a receita mensal das exportações superou a marca de US$ 1 bilhão, totalizando US$ 1,009 bilhão no período.

O resultado é 36,1% maior que o obtido em maio de 2025, quando as exportações geraram US$ 741,2 milhões.

Em volume, os embarques somaram 509,9 mil toneladas (maior resultado já registrado para um mês de maio), número que é 29,6% superior ao alcançado no mesmo período do ano passado, com 393,4 mil toneladas – mês com base menor, decorrente do único registro (já superado) de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) na história do setor nacional.

Com o desempenho de maio, as exportações brasileiras de carne de frango acumulam 2,453 milhões de toneladas entre janeiro e maio deste ano, resultado 8,7% superior ao registrado no mesmo período de 2025, com 2,257 milhões de toneladas.

Em receita, o crescimento acumulado alcança 11,3%, com US$ 4,714 bilhões nos cinco primeiros meses de 2026, frente aos US$ 4,234 bilhões registrados no mesmo intervalo do ano passado.

Entre os principais destinos das exportações brasileiras em maio, a China liderou as importações, com 48,3 mil toneladas embarcadas (+34,7%), seguida por Japão, com 43,2 mil toneladas (+53,9%), União Europeia, com 40,2 mil toneladas (+61,6%), Arábia Saudita, com 39,1 mil toneladas (+27,5%), Emirados Árabes Unidos, com 32,3 mil toneladas (+1,2%), África do Sul, com 31,4 mil toneladas (+22,8%), México, com 23,5 mil toneladas (+40,9%), Filipinas, com 20,8 mil toneladas (-14,2%), Coreia do Sul, com 18,2 mil toneladas (+36,4%) e Reino Unido, com 12,2 mil toneladas (+18,8%).

No desempenho por estados exportadores, o Paraná manteve a liderança nacional, com 213,9 mil toneladas embarcadas em maio (+35,1%), seguido por Santa Catarina, com 113,9 mil toneladas (+39,7%), Rio Grande do Sul, com 62,9 mil toneladas (+21,3%), São Paulo, com 27,8 mil toneladas (+10,5%) e Goiás, com 26,4 mil toneladas (+26,4%).

“Os resultados foram conquistados em um ambiente marcado por incertezas logísticas globais e pelos impactos decorrentes das tensões no Oriente Médio, especialmente nas rotas marítimas associadas ao Estreito de Ormuz. Mesmo diante desse contexto, o Brasil ampliou significativamente sua presença em mercados estratégicos e de valor agregado, como Japão, União Europeia, Coreia do Sul e China, ao mesmo tempo em que mantivemos forte presença no Oriente Médio e ampliamos oportunidades em mercados emergentes. Isso demonstra a diversificação da pauta exportadora brasileira e a competitividade da nossa cadeia produtiva”, destaca o presidente da ABPA, Ricardo Santin.





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Safra 2026/27: tempo de superação


Foto: Canal Rural Reprodução

Atenção para a inteligência emocional nesta safra 2026/27: “o que eu penso da safra 26/27 não muda a safra 26/27, mas como eu penso a safra 26/27 muda a minha vida nela”.

O cenário da incerteza, dos desequilíbrios dos fatores incontroláveis, das agitações de tarifaços, investigações, guerras de redes sociais, e ano de eleição, coloca a atividade rural e a saúde mental de produtoras e produtores num severo teste que vai exigir o máximo do talento e competências de superação, quer dizer, dar a volta por cima num estado caótico de crises que se somam.

Além dos riscos de “El Niño”, dos custos elevados, de juros altos, de não termos resolvido assuntos que há décadas debatemos como: logística, armazenagem, seguro rural, plano nacional de fertilizantes, irrigação, ausência de um planejamento estratégico de estado para a integração e segurança do sistema de agronegócio reunindo o antes, dentro e pós-porteira das fazendas, temos ainda um agro concorrente poderoso, maquiavélico, ardiloso e ganancioso: USA de Trump, que ataca o mundo mas de olho total no seu mega competidor China que atinge um PIB de mais de US$ 20 trilhões, ameaçando a supremacia norte-americana com um PIB hoje na casa de US$ 32 trilhões.

E por acaso esse alvo de Trump é também o nosso principal cliente. Portanto, precisamos calma, pensamento equilibrado, inteligência emocional e fazer desta safra crítica um aprendizado que nos faça valer a pena o que iremos enfrentar.

Conversando com amigos produtores ouço deles que estarão analisando com muito cuidado os fatores dentro de suas porteiras e ouvi a expressão: “vamos fazer uma safra baratinha”. Significa com o menor desembolso possível. De outros ouço que não terão uma decisão única na sua estratégia de safra, isso irá depender de cada área da sua propriedade conforme tenha melhor palhada, áreas de maior preservação, com práticas regenerativas e previsões climáticas.

Observo também que nas crises há o estímulo para inovações essenciais, como por exemplo a economia circular transformando dejetos e desperdícios em biogás, biometano, bioeletricidade e biofertilizantes. A hora e a vez dos biocombustíveis, do ILPF, de outras possibilidades para recursos financeiros de modelos como Fiagro para setores como os hortifrutigranjeiros e outros.

Estive na Coocacer esta semana na celebração da safra do café, o clima está bem mais ameno do que nas áreas de grãos e cana, por exemplo, com preços bons na saca de café, mas já vem uma carga de tarifaços novos dos Estados Unidos de 25% mais 12,5% no solúvel colocando o CECAFÉ em estado total de alerta, além dos mesmos dramas nos custos. Idem na pecuária onde os preços sustentam, no corte, mas seguimos complicados demais no leite.

Este ano para quem seguiu os velhos e bons conselhos irá se sair bem melhor.

A prudência e a sabedoria, como eu mesmo tive a sorte de ouvir aos meus 24 anos quando no meu primeiro emprego no agro, na Jacto em Pompeia (SP), nos idos de 1977 ouvi do senhor Shunji Nishimura, seu fundador, esta pérola sagrada:

“Quando tudo vai bem se prepare para ir mal, se você estiver preparado vai se sair bem mesmo na baixa dos negócios, para isso quando vai bem investe em inovação e faz segurança financeira de caixa”.

Assim como o brilhante economista chefe da Farsul Antônio da Luz afirma:

“Agricultor não quebra na baixa, quebra na alta”.

Esta grave crise estrutural, e impulsionada fortemente por algo absolutamente impensável, o presidente do maior país do mundo, Estados Unidos, disputando uma brutal guerra de percepções planetária provoca por um lado medo, polarizações e tira o foco do que de fato pode e precisa ser organizado para superar a fase e criarmos aprendizados que nos levem a mitigar no futuro novas situações como esta. E nos coloca sob investigações do USTR em áreas delicadas como etanol e desmatamento.

Daniel Goleman, criador da inteligência emocional, revela que 11% dos seres humanos vão na frente com competência, 19% podem seguir os 11%. O problema sério está em 50% indiferente esperando que milagres aconteçam e outros 20% terroristas atacando tudo e todos e apontando culpados: os outros.

Precisamos nesta hora de uma convergência das lideranças empresariais brasileiras, todas as nossas confederações empresariais reunidas para um plano emergencial de suporte aos produtores rurais, e ações de negócios e joint venture internacionais nas áreas comerciais, industriais e de serviços no contexto do complexo do agribusiness brasileiro. Hora das inovações em tudo, desde o A do abacate ao Z do zebu.

E precisamos de um novo discurso geopolítico estratégico para não entrarmos no liquidificador da guerra das grandes potências. Por um lado, foco no ótimo acordo UE/Mercosul, vendas e acordos com todos os países do mundo, e por outro levantarmos a proposta:

“Brasil e nações do cinturão tropical do planeta reunidos para o desenvolvimento e sustentabilidade com dignidade da vida para todos”.

Criação de um cinturão tropical planetário de cidadania e crescimento com impactos mundiais.

Não se trata de Norte x Sul, Brics, e sim dos povos que vivem entre os trópicos de Câncer e Capricórnio, exatamente onde está o único país do mundo que fez a maior de todas as revoluções nos últimos 50 anos, o Brasil, criamos o agrotropical sustentável, alimentar, energético, fibras, tecnológico, empreendedor e cooperativista e estamos dentro das 10 maiores economias do mundo.

Está na hora de darmos total valor a esta obra brasileira, e a prepararmos para os próximos saltos mundiais, pois relembrando Alysson Paolinelli o herói agro tropical do mundo ele afirmou:

“O que trouxe a humanidade até aqui foi a agricultura de clima temperado, daqui para frente será a tropical”.

Precisamos do mundo e o mundo precisa de nós.

Inteligência emocional, foco no prioritário e estratégico, liderança, comunicação brasileira com o mundo da Marca Brasil percebida como natureza, povo afetivo, turismo e agronegócio; e muitas vacinas antidistrações mediáticas e fanfarronices populistas. Nós vamos superar a safra 26/27.

Link para o livro Agroconsciente: www.agricitizenship.com

José Tejon

*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.


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