Os preços internacionais de energia encerraram a semana sob pressão, em um movimento
influenciado pela expectativa de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã. Segundo informações da StoneX, o petróleo, o diesel e a gasolina registraram perdas relevantes no período, apesar de movimentos pontuais de recuperação em alguns contratos.
No petróleo, o contrato mais ativo do Brent fechou a sexta-feira (22) em alta de 0,94%, cotado a US$ 103,54 por barril. O WTI também avançou no pregão, com alta de 0,26%, para US$ 96,60 por barril. Mesmo com essa recuperação diária, os dois contratos acumularam quedas expressivas na semana, entre 5,5% e 8,4%, refletindo o maior otimismo do mercado em relação a um possível acordo entre EUA e Irã.
No diesel, o contrato mais ativo do NY Harbor ULSD recuou 4,1% na última semana, encerrando a sexta-feira (24) a US$ 3,8878 por galão. No mesmo intervalo, o diferencial entre NY Harbor ULSD e Brent caiu 2%, para US$ 59,7 por barril. A queda mais acelerada do petróleo contribuiu para a piora dos crack-spreads, enquanto as cotações do diesel acompanharam o movimento baixista, em meio ao leve crescimento dos estoques do produto no mercado norte-americano.
Apesar da retração, os diferenciais entre diesel e petróleo permaneceram sustentados, próximos de US$ 60 por barril desde o início do conflito no Golfo Pérsico.
Na gasolina, os preços também cederam. O produto encerrou a semana em queda de 6,7%, negociado perto de US$ 3,45 por galão. O diferencial entre RBOB e Brent recuou 10,2%, para US$ 41,5 por barril, pressionado por uma redução menor que a esperada nos estoques comerciais dos Estados Unidos.
O setor público consolidado registrou despesa líquida de R$ 84,763 bilhões com juros em abril, informou o Banco Central (BC). Em março, o resultado havia sido negativo em R$ 118,862 bilhões. No mesmo relatório, a autoridade monetária informou que a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) subiu de 80,0% do Produto Interno Bruto (PIB) para 80,4% no período.
Segundo o Banco Central, o resultado de abril foi composto por despesas de R$ 76,167 bilhões do governo central, R$ 7,967 bilhões dos governos regionais e R$ 629 milhões das empresas estatais. No acumulado de janeiro a abril, a conta de juros do setor público alcançou R$ 351,453 bilhões, o equivalente a 8,05% do PIB.
Em 12 meses, a despesa com juros somou R$ 1,096 trilhão, ou 8,43% do PIB. O BC também informou que, em 2025, o resultado nominal com juros ficou negativo em R$ 1,008 trilhão, primeira vez em que a série histórica superou a marca de R$ 1 trilhão nesse recorte acumulado.
Acompanhe os preços das principais commodities do agro, como soja, milho e boi, com atualização direta das principais praças do Brasil: acesse a página de cotações do Canal Rural!
No caso da dívida, a DBGG passou de R$ 10,356 trilhões em março para R$ 10,443 trilhões em abril. Pelo conceito do Fundo Monetário Internacional (FMI), a relação subiu de 92,0% para 93,1% do PIB. Já a Dívida Líquida do Setor Público (DLSP), que considera as reservas internacionais, avançou de 66,8% para 67,4% do PIB, atingindo R$ 8,752 trilhões.
A dívida bruta é um dos indicadores usados por investidores e agências de classificação de risco para avaliar a solvência do país. Esse quadro é acompanhado de perto por agentes do agronegócio porque o comportamento das contas públicas interfere no ambiente macroeconômico, nas expectativas para juros, inflação e câmbio, variáveis que afetam o custo do crédito, a formação de preços e o planejamento financeiro de produtores, cooperativas e agroindústrias.
Os dados de abril indicam redução da despesa mensal com juros na comparação com março, mas mantêm elevado o patamar acumulado em 12 meses. O relatório do Banco Central não detalha efeitos setoriais específicos, e eventuais repercussões sobre crédito e custo financeiro dependerão da evolução das contas públicas e das condições monetárias nos próximos meses.
O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro avançou 1,1% no primeiro trimestre de 2026 frente ao quarto trimestre de 2025, alcançando R$ 3,3 trilhões em valores correntes, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (29). O resultado foi positivo nos três grandes setores da economia, com alta de 2,0% na agropecuária, 1,0% na indústria e 0,5% nos serviços.
De acordo com o Sistema de Contas Nacionais Trimestrais, o Valor Adicionado a preços básicos somou R$ 2,8 trilhões, enquanto os Impostos sobre Produtos Líquidos de Subsídios totalizaram R$ 461,2 bilhões. Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, o PIB cresceu 1,8%. No acumulado de quatro trimestres, a alta foi de 2,0%.
Segundo o coordenador de Contas Nacionais do IBGE, Ricardo Montes de Moraes, a agropecuária esteve entre as atividades que mais contribuíram para o crescimento do período, ao lado da indústria extrativa e de outras atividades de serviços. Na comparação anual, o desempenho do setor agropecuário foi explicado pelo aumento da produção e da produtividade agrícola.
O IBGE informou que a soja teve acréscimo de 4,8% na estimativa anual e alcançou produção recorde na série histórica, favorecida por condições climáticas favoráveis na maior parte das regiões produtoras e pela expansão da área plantada. Em sentido oposto, culturas relevantes no primeiro trimestre registraram recuo, como milho, com queda de 2,5%, e arroz, com retração de 10,6% na estimativa anual de produção.
Pelo lado da demanda, a despesa de consumo das famílias subiu 1,0% ante o trimestre anterior, e a Formação Bruta de Capital Fixo avançou 3,5%. Já no setor externo, as exportações de bens e serviços recuaram 1,7% frente ao trimestre imediatamente anterior, enquanto as importações cresceram 4,4%. Na comparação anual, as exportações aumentaram 7,4%, com destaque para petróleo e gás natural, produtos alimentícios e outros equipamentos de transporte.
Os dados do IBGE indicam que o desempenho da agropecuária sustentou parte relevante da expansão econômica no início de 2026, principalmente pelo avanço da soja. Para os próximos trimestres, a continuidade desse suporte dependerá da evolução climática, do comportamento das demais culturas e do ritmo da demanda interna e externa. A próxima divulgação do PIB, referente ao segundo trimestre, está prevista para terça-feira (1º de setembro).
O Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex) aprovou nesta quinta-feira (28) a aplicação de direito antidumping definitivo sobre as importações de leite em pó da Argentina e do Uruguai, mas determinou a suspensão imediata da medida. A informação foi confirmada nesta sexta-feira (29) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Segundo a pasta, a suspensão ocorreu por interesse público, enquanto será conduzida uma análise específica sobre os efeitos da eventual cobrança.
De acordo com o MDIC, a decisão foi tomada em reunião ordinária do Gecex-Camex. Em nota, o ministério informou que o colegiado aprovou o direito antidumping definitivo, mas decidiu suspender sua aplicação em caráter cautelar até a conclusão do processo de avaliação de interesse público.
Segundo a pasta, essa etapa adicional vai apurar os potenciais impactos da medida caso ela entre em vigor. O MDIC informou que a suspensão permanece até o fim dessas análises, sem indicar prazo na nota divulgada.
Receba no seu e-mail as notícias mais importantes do dia, análises de mercado e os principais fatos que movimentam o agronegócio: assine a newsletter do Canal Rural
A investigação foi conduzida pelo Departamento de Defesa Comercial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Decom/MDIC) e havia sido iniciada em 2024. O parecer técnico do departamento apontou a existência de dumping nas exportações de leite em pó originárias da Argentina e do Uruguai.
Ainda conforme as informações divulgadas, os ministérios integrantes do Gecex aprovaram por unanimidade a aplicação da medida antidumping. A suspensão imediata, porém, foi proposta pelo Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO), com base na necessidade de avaliar o interesse público.
O motivo citado para essa análise foram os possíveis efeitos sobre a inflação de alimentos e sobre os preços do leite ao consumidor final. Para a cadeia pecuária, a decisão mantém, por ora, o fluxo das importações sem a incidência imediata do direito, enquanto o processo avalia o equilíbrio entre defesa comercial, abastecimento e formação de preços no mercado interno.
O desfecho da medida dependerá da análise de interesse público aberta pelo Gecex-Camex. Até a conclusão desse processo, o direito antidumping aprovado não será aplicado. O MDIC não informou, até o momento, o prazo para encerramento da avaliação.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) está em fase de testes para o 12º Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola 2027. Segundo informações divulgadas em Brasília nesta terça-feira (26), as provas piloto seguem até novembro de 2026 para validar equipamentos, sistemas, questionários e procedimentos operacionais antes da coleta oficial, prevista para ocorrer entre março e outubro de 2027.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) informou que duas rodadas de testes já foram realizadas em 12 municípios de 10 estados. As equipes passaram por Alfenas e Grão Mogol, em Minas Gerais; Bacabal, no Maranhão; Juazeiro e Sobradinho, na Bahia; Nova Friburgo, no Rio de Janeiro; Barcarena, no Pará; Uruçuí, no Piauí; Rio Verde, em Goiás; Corumbá, em Mato Grosso do Sul; Irati, no Paraná; e Viamão, no Rio Grande do Sul.
O IBGE ainda não divulgou os locais das próximas etapas. De acordo com a CNA, os testes fazem parte da preparação do levantamento decenal, considerado a principal base estatística da agropecuária brasileira. A pesquisa reúne informações sobre estabelecimentos rurais, perfil dos produtores, uso do solo, produção agropecuária, atividades florestais e aquícolas, além de dados sobre condições ambientais, gênero e sucessão familiar no campo.
O questionário previsto para a operação conta com 48 blocos temáticos. Entre os itens apurados estão produção, mão de obra, tecnologia, uso da terra e características das propriedades. O levantamento abrange unidades de diferentes portes e formatos, em áreas rurais e urbanas, incluindo produção voltada à comercialização e à subsistência familiar.
Segundo a CNA, os dados do censo subsidiam políticas públicas ligadas à agricultura familiar, assistência técnica, crédito rural e planejamento territorial. Por isso, a entidade orienta os produtores a verificarem a identificação dos agentes em campo. Os recenseadores do IBGE devem atuar com crachá e vestimenta oficial da instituição, medida considerada necessária para reduzir o risco de abordagens irregulares ou golpes.
Pelo cronograma informado, os resultados preliminares do Censo Agropecuário 2027 devem ser divulgados em dezembro de 2027, e os dados definitivos, em dezembro de 2028. Até a conclusão das provas piloto, o IBGE ainda deve detalhar os próximos municípios que participarão da fase de testes.
Profissionais ligados à cadeia da lã participaram, nesta terça-feira (26), de um encontro de atualização técnica na Cabanha Vista Alegre, em Pedras Altas, no Rio Grande do Sul. A atividade reuniu comparsas credenciadas no Programa de Certificação da Lã Gaúcha, formadas por equipes especializadas em tosquia e acondicionamento de lã. O foco foi alinhar procedimentos e revisar critérios técnicos adotados pelo programa.
A capacitação integra o Termo de Cooperação firmado em 2024 entre a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) e a Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco). Segundo as instituições, o trabalho busca qualificar etapas da produção e reforçar a padronização dos processos ligados à certificação da lã produzida no estado.
Durante o encontro, os participantes discutiram práticas relacionadas à esquila, à classificação da fibra, ao acondicionamento e à rastreabilidade da produção. A proposta foi promover atualização técnica entre as equipes credenciadas e uniformizar procedimentos adotados no campo, ponto considerado central para a consistência do sistema de certificação.
O médico-veterinário do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA), vinculado à Seapi, Gabriel Fiori, acompanhou a atividade. De acordo com ele, a qualificação contínua das comparsas contribui para melhorar os processos e agregar valor ao produto final. A declaração foi dada no contexto das ações voltadas ao fortalecimento da cadeia da lã gaúcha.
Conforme a descrição do programa, as comparsas credenciadas têm função operacional relevante na certificação, por atuarem diretamente na tosquia e no acondicionamento da lã. Nesse modelo, a padronização técnica e o registro de origem são apresentados como instrumentos para ampliar a uniformidade e a confiabilidade do produto.
O material divulgado não informa o número de participantes, nem detalha metas quantitativas do programa ou volume de lã certificada até o momento.
O Programa de Certificação da Lã Gaúcha tem como objetivo fortalecer a ovinocultura no Rio Grande do Sul por meio da qualificação dos processos e da garantia de origem da fibra. Com base nas informações disponíveis, o avanço da iniciativa depende da manutenção do treinamento técnico das equipes e da aplicação uniforme dos critérios de certificação ao longo da cadeia produtiva.
Estimado usuário. Preencha o formulário abaixo para remeter a página.
Durante o evento, foi lançada a campanha “O que é que só o Brasil tem?” – Foto: Divulgação
A agricultura tropical voltou ao centro do debate sobre políticas públicas, inovação e competitividade do agronegócio brasileiro durante evento realizado nesta quarta-feira, em Brasília. O encontro reuniu autoridades, especialistas, produtores e representantes do setor para discutir a necessidade de regras e estratégias alinhadas às características produtivas do país, marcadas por clima quente, maior pressão de pragas e diversidade de solos.
Durante o evento, foi lançada a campanha “O que é que só o Brasil tem?”, criada para ampliar o conhecimento sobre o modelo agrícola tropical brasileiro e destacar a importância da ciência, da tecnologia e da regulação para a produção nacional. A iniciativa surgiu após pesquisa da CropLife Brasil, realizada pela Nexus, apontar desconhecimento sobre o conceito de agricultura tropical entre integrantes do Congresso Nacional, Executivo federal, jornalistas e empresários do agronegócio. Segundo o levantamento, 24% dos entrevistados não souberam definir o termo, enquanto apenas 1% o associou diretamente à tecnologia.
Nos debates, representantes do setor defenderam que o Brasil possui um sistema produtivo próprio, diferente do observado em países de clima temperado, e que isso exige políticas públicas específicas. A presidente da CropLife Brasil, Ana Repezza, destacou a necessidade de aproximar a sociedade do tema e ampliar a compreensão sobre as soluções desenvolvidas para as condições tropicais do país.
Entre os pontos discutidos estiveram a modernização da legislação, a agilidade nos processos regulatórios e a importância da proteção à inovação. Representantes do Ministério da Agricultura e do Ministério do Desenvolvimento defenderam a criação de um ambiente regulatório mais favorável para acelerar registros de produtos e estimular novas tecnologias voltadas à biodiversidade brasileira.
Produtores rurais também alertaram para os impactos de mudanças regulatórias sem previsibilidade e para a necessidade de tornar os insumos mais acessíveis, especialmente para pequenos e médios agricultores. Já representantes ligados ao comércio exterior ressaltaram que ainda existe desinformação internacional sobre o modelo produtivo brasileiro e sobre o uso de tecnologias adaptadas às condições tropicais.
O setor público consolidado registrou superávit primário de R$ 24,624 bilhões em abril de 2026, informou o Banco Central (BC) nesta sexta-feira (29). O resultado reúne governo central, Estados, municípios e estatais, com exceção de Petrobras e Eletrobras. Em março, havia sido registrado déficit de R$ 80,676 bilhões. Em abril de 2025, o saldo positivo foi de R$ 14,150 bilhões.
De acordo com o Banco Central, o resultado de abril ficou acima da mediana das estimativas da pesquisa Projeções Broadcast, que apontava superávit de R$ 23,200 bilhões. As projeções variavam de R$ 18,000 bilhões a R$ 26,000 bilhões. Segundo a série histórica informada pela autoridade monetária, este foi o maior superávit para meses de abril desde 2022, quando o saldo havia somado R$ 38,876 bilhões.
No detalhamento do mês, o governo central, que inclui Tesouro Nacional, Banco Central e Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), apresentou superávit de R$ 26,075 bilhões. Estados e municípios registraram saldo positivo de R$ 329 milhões. As empresas estatais, por sua vez, tiveram déficit de R$ 1,781 bilhão.
Acompanhe os preços das principais commodities do agro, como soja, milho e boi, com atualização direta das principais praças do Brasil: acesse a página de cotações do Canal Rural!
Separadamente, os Estados encerraram abril com déficit de R$ 1,091 bilhão, enquanto os municípios tiveram superávit de R$ 1,420 bilhão.
No acumulado de janeiro a abril de 2026, o setor público consolidado soma superávit primário de R$ 31,248 bilhões, equivalente a 0,72% do Produto Interno Bruto (PIB). Nesse intervalo, o governo central registra saldo positivo de R$ 9,030 bilhões, ou 0,21% do PIB. Os governos regionais acumulam superávit de R$ 29,905 bilhões, ou 0,68% do PIB, enquanto as estatais apresentam déficit de R$ 7,687 bilhões, ou 0,18% do PIB.
Entre os entes regionais, os Estados acumulam superávit de R$ 21,010 bilhões de janeiro a abril, o equivalente a 0,48% do PIB. Os municípios registram saldo positivo de R$ 8,896 bilhões, ou 0,20% do PIB. O desempenho fiscal é acompanhado pelo mercado por sua relação com o ambiente macroeconômico, que influencia custo de financiamento e condições de crédito para os setores produtivos, incluindo o agro.
Os dados divulgados nesta sexta-feira (29) mostram melhora do resultado primário na comparação mensal e anual, mas a trajetória fiscal do restante de 2026 dependerá da evolução das receitas, despesas e metas do setor público. O Banco Central não apresentou, nesse dado específico, projeções adicionais para os próximos meses.
O cenário da segurança pública e dos negócios na América Latina está prestes a mudar radicalmente. A decisão do governo dos Estados Unidos de incluir o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho nas listas de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO) e de Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGT) mudou o jogo.”
A medida, que passa a valer oficialmente em 5 de junho de 2026, transforma o que antes era tratado como crime organizado local em uma ameaça à segurança nacional global.
Mas o que uma decisão tomada em Washington tem a ver com o bolso dos empresários, o funcionamento de bancos e a produção do agronegócio no Brasil? A resposta está no alcance das leis financeiras americanas.
O sistema financeiro na mira: o risco do “apoio material”
A legislação de segurança nacional dos EUA é implacável com qualquer instituição que, intencionalmente ou por falha de fiscalização (compliance), preste o que a lei chama de “apoio material” a grupos terroristas.
No mundo bancário, isso inclui serviços que vão muito além de guardar dinheiro. O que aciona o alerta:
Facilitação de transferências
Abertura de contas para laranjas
Custódia de ativos
Fornecimento de tecnologia de pagamento ou qualquer serviço logístico que beneficie as facções.
O gatilho das sanções:
Bancos brasileiros que possuem filiais em solo americano passam a correr um risco existencial.
O mesmo vale para os que simplesmente realizam operações em dólares por meio de bancos correspondentes nos EUA.
Se órgãos reguladores como o FinCEN (Financial Crimes Enforcement Network) e OFAC (Office of Foreign Assets Control) comprovarem que uma instituição financeira lavou dinheiro ou negligenciou a movimentação de recursos dessas agora “organizações terroristas”, as punições são severas.
Haverá multas bilionárias.
Ocorrerá o congelamento imediato de ativos.
E, no pior dos cenários, a proibição de operar em dólares, o que isola o banco do comércio mundial.
O Impacto no agronegócio
Nos últimos anos, as facções criminosas brasileiras diversificaram seus negócios. Elas deixaram de focar apenas no tráfico de drogas tradicional e passaram a controlar cadeias de suprimentos legítimas.
Operam esquemas de roubo, contrabando e comercialização ilegal de combustíveis e insumos agrícolas. Isso inclui fertilizantes e defensivos que utilizam produtos químicos controlados.
Com a nova classificação de terrorismo, essa infiltração cria uma perigosa “zona de contaminação” para o agronegócio brasileiro.
O perigo da cadeia de suprimentos
Empresas e produtores legítimos podem ser acusados de financiar indiretamente o terrorismo. Isso se, mesmo sem saber, comprarem insumos mais baratos de fornecedores controlados pelo crime. Ou se contratarem transportadoras ligadas a essas facções.
Bloqueio de mercados
A empresa pode entrar para a “lista negra” de Washington se o Departamento de Estado americano identificar que uma grande trading ou agroindústria brasileira utilizou insumos ou redes logísticas ligadas ao PCC ou CV.
O resultado é o bloqueio imediato de suas exportações para o mercado americano. E também o corte de linhas de crédito internacionais em Wall Street.
A Força da lei americana: Como ela funciona no Brasil?
Embora as leis dos Estados Unidos não tenham soberania para fechar uma empresa ou prender alguém diretamente em território brasileiro, elas possuem um alcance extraterritorial prático esmagador. Esse poder funciona por meio de dois pilares:
O isolamento financeiro
grande empresa do agronegócio ou do setor químico consegue sobreviver sem contratos de câmbio ou comércio internacional. Se os EUA sancionarem uma companhia brasileira, bancos de todo o mundo suspenderão os negócios com ela imediatamente.
Isso acontecerá na Europa, na Ásia e na própria América Latina para evitar que eles próprios sejam punidos pelo governo americano.
Investigações transnacionais
O Departamento de Justiça dos EUA ganha o respaldo jurídico necessário para rastrear fluxos de dinheiro globalmente. Isso permite que eles colaborem com autoridades locais. Quebrar sigilos bancários internacionais. E confisquem bens dessas empresas em qualquer país aliado que coopere com as diretrizes antiterrorismo.
A transformação do PCC e do Comando Vermelho em organizações terroristas pelos Estados Unidos retira o crime organizado brasileiro da esfera puramente policial e o coloca no centro do cenário geopolítico e financeiro global.
Para empresas, inclusive do agronegócio, e para o sistema financeiro brasileiro, a tolerância a falhas de fiscalização e auditoria agora precisa ser zero.
Daqui para frente, não monitorar a fundo a origem de um insumo químico ou o verdadeiro proprietário de uma conta bancária não será mais apenas um erro administrativo. Será um risco jurídico global, capaz de paralisar negócios bilionários da noite para o dia.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
A Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados ouve, nesta terça-feira (2), o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, sobre a proposta de antecipar a entrada em operação de termelétricas contratadas no Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) de 2026. A reunião está marcada para as 10 horas, no plenário 14. O ministro foi convocado pelo colegiado e, por isso, deve comparecer.
O tema central da audiência é a antecipação da operação de usinas termelétricas já contratadas no leilão regulado. Segundo o Ministério de Minas e Energia, a medida é defendida como forma de reforçar a segurança do sistema elétrico. No entanto, parlamentares têm questionado os efeitos da proposta sobre tarifas de energia, encargos setoriais, critérios de escolha das usinas e segurança jurídica dos contratos.
A convocação foi aprovada após Silveira não comparecer ao convite feito para a reunião da última quarta-feira (27). O pedido partiu do deputado Evair Vieira de Melo (Republicanos-ES). Em justificativa, o parlamentar afirmou que a antecipação de contratos firmados em leilão regulado pode gerar impactos sobre o custo da energia e sobre a previsibilidade do marco contratual do setor.
Para o público do agronegócio, o debate tem relevância porque energia elétrica é um insumo operacional em atividades como irrigação, armazenagem refrigerada, processamento agroindustrial, granjas, ordenha mecanizada e bombeamento de água. Eventuais mudanças tarifárias ou de encargos podem alterar custos de produção, especialmente em sistemas com maior consumo elétrico.
O conteúdo disponível até o momento não informa estimativas oficiais de impacto em reais sobre a tarifa nem detalha quais usinas poderiam ter a operação antecipada. Esses pontos devem ser esclarecidos durante a audiência, que também poderá abordar outros temas ligados à pasta.
Sem dados oficiais já divulgados sobre o efeito tarifário da medida, o desdobramento técnico da proposta dependerá dos esclarecimentos apresentados nesta terça-feira (2) pelo Ministério de Minas e Energia e da análise posterior do setor elétrico e dos agentes consumidores.