domingo, junho 7, 2026

Autor: Redação

AgroNewsPolítica & Agro

Parasita acende alerta na pecuária dos EUA



A detecção ocorre em fase sensível para frigoríficos e produtores


A detecção ocorre em fase sensível para frigoríficos e produtores
A detecção ocorre em fase sensível para frigoríficos e produtores – Foto: Bing

A confirmação de um caso de verme-da-bicheira-do-novo-mundo nos Estados Unidos colocou a pecuária em alerta em um momento de oferta restrita e preços elevados da carne bovina. A ocorrência, a primeira em quase uma década no país, surge quando o rebanho americano está no menor nível em 75 anos.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos informou que o parasita foi detectado em um bezerro de três semanas no condado de Zavala, no sul do Texas. As larvas estavam na região do umbigo. A doença é causada pela mosca Cochliomyia hominivorax e é considerada uma das mais prejudiciais à pecuária, por poder matar bovinos em poucos dias.

Segundo o USDA, este é o único caso monitorado até agora. A agência adotou quarentenas, controle de movimentação de animais e vigilância em um raio de 20 quilômetros do foco. Também acelerou a liberação de moscas estéreis para impedir a reprodução do parasita.

A detecção ocorre em fase sensível para frigoríficos e produtores. A escassez de animais já vinha elevando custos e pressionando margens, enquanto os preços ao consumidor atingiam recordes. A situação foi agravada pelo avanço da praga no México, que levou os Estados Unidos a suspenderem importações de gado vivo mexicano.

O mercado reagiu aos relatos sobre o caso. As ações da Tyson Foods recuaram 4,2%, e os papéis da JBS NV fecharam no menor valor desde o início de suas negociações nos Estados Unidos. Já empresas de tratamentos veterinários tiveram valorização.

A Federação de Exportação de Carne dos EUA informou que não espera interrupções nas vendas externas. O último registro da praga no país ocorreu em 2016, entre cervos nas ilhas Florida Keys, e foi erradicado no início de 2017.

 





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União Europeia confirma veto a carnes e produtos animais do Brasil a partir de setembro


União Europeia confirma veto a carnes e produtos animais do Brasil a partir de setembro

A União Europeia (UE) confirmou na sexta-feira (5) que deixará de autorizar, a partir de 3 de setembro de 2026, a importação de carnes e outros produtos de origem animal do Brasil em categorias específicas. A decisão foi publicada em comunicado da Comissão Europeia e está vinculada à exigência de garantias adicionais sobre o cumprimento das regras do bloco para o uso de antimicrobianos na produção animal. Segundo o texto, o Brasil ainda não apresentou informações suficientes para comprovar a adoção das medidas requeridas.

A restrição atinge bovinos, equídeos, aves, aquicultura, mel e tripas. Em maio, a UE já havia retirado o Brasil da lista de países aptos a exportar essas categorias ao bloco. Agora, a medida foi confirmada com vigência a partir de setembro.

De acordo com o documento publicado no Jornal Oficial da União Europeia, a Comissão Europeia informou que não recebeu dados que assegurem que o Brasil aplicou, até o prazo estabelecido, as medidas necessárias para atender ao artigo 3º do Regulamento Delegado (UE) 2023/905. Esse regulamento trata de exigências relativas ao uso de determinados antimicrobianos, incluindo antibióticos, na produção animal destinada ao mercado europeu.

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O ponto central da exigência é a capacidade de o país exportador comprovar, com base em fiscalização oficial e rastreabilidade, que os produtos enviados ao bloco não foram obtidos com o uso de substâncias vedadas pela norma europeia. As tratativas envolveram também a segregação da produção e a verificação de protocolos privados adotados por produtores e indústrias.

Segundo as informações disponíveis, o Brasil apresentou dados adicionais no fim de maio e realizou reunião técnica com a Direção-Geral da Saúde e Segurança Alimentar da Comissão Europeia. Parte da documentação foi entregue, e outra remessa ainda estava em preparação, sem prazo informado para envio.

O mercado europeu representa cerca de US$ 1,8 bilhão por ano em exportações brasileiras de proteínas, segundo os dados citados no material de origem. Até a publicação do texto-base, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Ministério das Relações Exteriores não haviam se manifestado oficialmente.

O desdobramento da medida dependerá da capacidade de o Brasil apresentar garantias sanitárias aceitas pela UE dentro dos critérios do regulamento europeu. Sem manifestação oficial adicional até o momento, não há base técnica suficiente para projetar eventual revisão do veto ou prazo para retomada dessas exportações.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Parlamentares governistas foram aos EUA apresentar contraponto à direita


Câmara dos Deputados sessão vetos licenciamento
Foto: Kayo Magalhães/ Câmara dos Deputados

Um grupo de parlamentares brasileiros esteve em Washington, de 3 a 5 de junho, com o objetivo de apresentar um contraponto aos argumentos da direita brasileira junto a instituições estadunidenses.

Formado pelos deputados federais Pedro Uczai (PT/SC), Jandira Feghalli (PcdoB/RJ), Pedro Campos (PSB/PE) e André Janones (Rede/MG), o grupo governista representa 114 deputados de suas bancadas.

Segundo Feghalli, a delegação focou em três pontos principais: reafirmar a soberania brasileira em sua economia, democracia e política; entregar três documentos a parlamentares e instituições norte-americanas; e discutir as tarifas impostas ao Brasil, como o PIX, que, segundo os parlamentares, não possuem base técnica jurídica.

A deputada federal explicou que um desses documentos solicita cooperação, e não intervenção, no combate ao crime organizado, abrangendo tráfico de armas, tráfico de drogas, monitoramento de recursos e outras pautas de cooperação já solicitadas pelo governo brasileiro.

Em outro texto, os deputados contestam, com contribuições de especialistas em economia, as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump, argumentando que elas têm um sentido político e não se justificam.

“A questão do PIX foi abordada com a declaração de que não será aceita qualquer intervenção que inviabilize, fragilize ou dificulte o uso do PIX, considerado uma soberania financeira do povo brasileiro e uma ferramenta moderna para transações financeiras gratuitas, transparentes e lícitas”.

Segundo a deputada, na Organização dos Estados Americanos (OEA), a missão abordou o aspecto democrático do ano eleitoral, alertando sobre possíveis intervenções diretas dos Estados Unidos, crimes no ambiente digital e violência política física, de gênero e geral.

“Foi solicitado o acompanhamento e observação da OEA, não apenas da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, mas também da Secretaria de Fortalecimento da Democracia, cujo observatório eleitoral já teve o acompanhamento solicitado pelo governo brasileiro para as eleições”, informou Feghalli.

De acordo com a deputada, parlamentares americanos demonstraram sensibilidade e muitos se comprometeram a tomar iniciativas em relação aos temas apresentados.

“A missão considerou sua atuação produtiva e válida na conjuntura atual. A missão foi concluída com a sensação de dever cumprido e vamos acompanhar os desdobramentos”, finalizou.

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Saída de capital e força das big techs pressionam o real em maio


Dólar cai 1,37% e fecha abaixo de R$ 5,00

A perda de força do real em maio esteve associada à redução do apetite por ativos brasileiros e ao avanço das ações de tecnologia nos Estados Unidos, segundo analistas ouvidos pelo Broadcast, do Grupo Estado. Dados da B3 mostram saída líquida de R$ 14,104 bilhões de investidores estrangeiros da bolsa doméstica no mês, após entrada de R$ 3,179 bilhões em abril. No acumulado de 2026, o fluxo externo ainda permanece positivo em R$ 42,44 bilhões.

Com a retirada de capital estrangeiro, o Ibovespa caiu 7,22% em maio, embora ainda registre alta de 7,86% no ano. No mercado internacional, o índice Nasdaq, concentrado em empresas de tecnologia, acumulou ganhos superiores a 8% no mês e renovou recordes, em movimento associado a novos anúncios de investimentos em inteligência artificial.

O estrategista-chefe da Avenue, William Castro Alves, afirmou ao Broadcast que os Estados Unidos voltaram a atrair capitais, o que contribui para fortalecer o dólar globalmente. Segundo ele, os fluxos para mercados emergentes passaram a se concentrar em países com ligação mais direta a setores relacionados à inteligência artificial, reduzindo o interesse relativo pela bolsa brasileira.

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O gestor da AZ Quest, Eduardo Aun, avaliou que esse quadro pode reforçar a tese de maior atratividade dos ativos americanos, em ambiente de atividade resiliente nos Estados Unidos e postura mais conservadora do Federal Reserve em relação à inflação. Já os economistas Álvaro Frasson e Arthur Mota, do BTG Pactual, apontaram que parte do suporte recente ao real veio de um fluxo elevado para emergentes expostos a commodities e mais distantes de focos geopolíticos.

Para o setor agropecuário, o câmbio segue como variável central. A valorização do dólar pode elevar a receita em reais das exportações de produtos como soja, milho, carnes e café, mas também tende a encarecer insumos dolarizados, como fertilizantes, defensivos e máquinas. O efeito líquido depende do grau de exposição de cada cadeia ao mercado externo e aos custos importados.

O Bradesco avalia que, apesar da perda de força do movimento global de realocação de portfólio, o real ainda conta com suporte estrutural e projeta câmbio ao redor de R$ 5,00 no fim deste ano e do próximo.

No curto prazo, a trajetória do real deve continuar sensível ao fluxo para os Estados Unidos, ao comportamento do dólar global e aos preços internacionais de commodities e energia. Para produtores e agroindústrias, a referência técnica é acompanhar o câmbio em conjunto com custos de insumos e formação de preços de exportação, já que o material disponível não detalha impactos por cadeia produtiva específica.

Fonte: Estadão Conteúdo

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AgroNewsPolítica & Agro

Milho recua com clima favorável nos EUA


O mercado internacional de milho encerrou o dia em queda, pressionado por fatores climáticos favoráveis ao desenvolvimento das lavouras nos Estados Unidos e por dados de exportação abaixo do esperado. Segundo a TF Agroeconômica, os contratos negociados na Bolsa de Chicago recuaram pelo quinto pregão consecutivo, mantendo o tom negativo observado nas últimas sessões.

No fechamento do dia, a cotação para julho em Chicago terminou em baixa de 1,62%, equivalente a 7,00 cents por bushel, negociada a US$ 424,50. O contrato para setembro também recuou, com perda de 1,70%, ou 7,50 cents por bushel, encerrando a US$ 432,75.

A principal pressão sobre os preços veio do clima nos Estados Unidos. As chuvas avançaram das Grandes Planícies Centrais em direção a Iowa, reforçando a percepção de condições favoráveis para as lavouras. Esse cenário reduziu o apetite comprador e manteve os futuros do cereal sob influência negativa na CBOT.

Outro ponto de atenção foi o desempenho das vendas semanais de exportação. Para a safra antiga, o volume somou 883,30 mil toneladas, ficando na extremidade inferior das expectativas do mercado. Já para a safra nova, as vendas alcançaram 243,70 mil toneladas. Apesar disso, no balanço diário, o USDA confirmou a venda de 115 mil toneladas da safra 2026/2027 para a Colômbia.

Na América do Sul, o avanço da colheita na Argentina também entrou no radar do mercado. A colheita comercial atingiu 40,6% da área, com produtividade média de 82,7 quintais por hectare. Com esse desempenho, a Bolsa de Buenos Aires manteve sua estimativa de produção em 64 milhões de toneladas.

 





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Entenda como um grupo de peixes dominou o oceano mais frio da Terra


Peixe da subordem Notothenioidei
Foto: Wikimedia Commons

Milhões de anos antes do surgimento dos seres humanos, os peixes da subordem Notothenioidei já haviam conquistado a Antártica. Hoje, eles formam o grupo de vertebrados mais abundante e diverso da região: são cerca de 155 espécies distribuídas em sete famílias. Você pode estar se perguntando como essa linhagem conseguiu atravessar tantas eras. Os cientistas também.

Até agora, sabe-se que, ao longo de sua história evolutiva, os chamados nototeníoides desenvolveram glicoproteínas anticongelantes capazes de impedir a formação de cristais de gelo no sangue e nos tecidos. Além disso, sem bexiga natatória, estrutura que ajuda peixes a controlar a flutuação, esses animais também adotaram estratégias para se manter em diferentes profundidades.

Mas a pesquisadora Mayara P. Neves, do Departamento de Zoologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR); e colegas das universidades de Rice, Oklahoma, e do estado de Ohio, nos Estados Unidos, quiseram entender também o que a variedade do crânio desses animais poderia mostrar sobre essa capacidade evolutiva.

“O que nos motivou a olhar especificamente para o crânio foi a percepção de que a diversidade de formas cranianas nesses peixes é enorme, e que essa diversidade está diretamente ligada ao que eles comem e onde vivem. O crânio é a ferramenta de captura de alimento desses animais”, diz a cientista.

O resultado dessa investigação foi publicado no periódico científico Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America, em outubro do ano passado. 

Um quebra-cabeça chamado modularidade 

Para compreender essa relação, os cientistas partiram do conceito de modularidade, um padrão de organização em que algumas estruturas do corpo apresentam relativa autonomia entre si e podem se transformar sem afetar significativamente as demais.

“Imagine o crânio como um conjunto de LEGO: algumas peças estão muito coladas umas às outras e, por isso, quando uma muda, as demais tendem a mudar juntas. Isso é a integração. Outras são mais independentes e conseguem se modificar sem arrastar as demais. Isso é a modularidade”, explica Neves.

Os seres humanos apresentam um exemplo clássico desse fenômeno. O crânio é dividido em módulos como o neurocrânio, que abriga e protege o cérebro, e o complexo facial, formado por estruturas como a mandíbula, o nariz e as maçãs do rosto. Ao longo da evolução dos hominídeos, o neurocrânio se expandiu em resposta ao aumento do cérebro, enquanto a face se tornou progressivamente menor. “Essa transformação só foi possível porque esses módulos possuem certo grau de independência”, afirma a pesquisadora.

O conceito moderno de modularidade ganhou força a partir da década de 1990, especialmente com os trabalhos do biólogo Günter Wagner. Nas últimas duas décadas, tornou-se um dos temas centrais da biologia evolutiva do desenvolvimento. 

Hoje, entende-se que estruturas mais modulares tendem a apresentar maior flexibilidade evolutiva, permitindo que diferentes partes do organismo respondam de forma independente às pressões ambientais e favorecendo o surgimento de adaptações.

22 milhões de anos de evolução 

Para reconstruir a história evolutiva desses peixes, com foco na modularidade craniana, pesquisadores analisaram o crânio de 172 espécies de peixes atuais. Utilizando microtomografia computadorizada, técnica que produz imagens tridimensionais de alta resolução, criaram modelos digitais detalhados dos ossos sem precisar danificá-los.

Em seguida, compararam matematicamente o formato desses crânios para identificar semelhanças e diferenças entre as espécies. Essas informações foram posicionadas em uma árvore evolutiva que indica quando cada linhagem surgiu, permitindo estimar como e em que velocidade a anatomia dos peixes mudou ao longo dos últimos 22 milhões de anos.

Os resultados mostraram que diferentes partes do crânio dos nototeníoides evoluíram com relativa independência umas das outras, atestando o papel da modularidade, que teria ajudado esses animais a se adaptarem rapidamente às transformações ambientais provocadas pelo resfriamento da Antártica.

Quando o clima remodelou os peixes da Antártica 

Por meio desse estudo, foi possível traçar uma narrativa desse passado: há 22 milhões de anos, os nototeníoides teriam emergido de um ancestral comum, e mudanças no formato do crânio começaram a ocorrer em ondas ligadas a eventos climáticos. O maior deles foi o chamado Ótimo Climático do Mioceno, período de grande instabilidade climática global há 15 milhões de anos. “Foi quando detectamos as taxas de evolução do crânio mais aceleradas dentro do grupo”. 

Mas, antes disso, por volta de 23 milhões de anos atrás, já havia sinais de uma primeira aceleração evolutiva, coincidindo com uma barreira oceânica que isolou a Antártida e transformou completamente o ecossistema, a formação da Corrente Circumpolar Antártica.  Segundo Neves, com o resfriamento do oceano, muitas espécies de peixes que não conseguiram se adaptar foram extintas, e os nototeníoides ocuparam esses vazios ecológicos posteriormente.

“O crânio alongado dos nototeníoides parece estar associado a estratégias de alimentação em ambientes profundos, onde um formato mais hidrodinâmico favorece a eficiência de captura de presas”, diz.

Resta investigar agora os mecanismos genéticos e do desenvolvimento que produzem essa modularidade, como exatamente o ambiente seleciona por mais ou menos modularidade, e se esses peixes terão plasticidade evolutiva suficiente para resistir à emergência climática.

Nototeníoides podem ensinar sobre o futuro 

Aprofundar o conhecimento sobre os nototeníoides é importante não apenas porque eles correspondem à maior parte da biomassa de peixes do Oceano Antártico, mas também por seu potencial adaptativo. “Estudar esse grupo é como ter um laboratório natural de evolução”, argumenta a cientista. 

Além disso, pesquisadores lembram que os nototeníoides evoluíram em resposta a glaciações passadas, e agora enfrentam o processo inverso, o aquecimento do Oceano Antártico, o que precisa ser estudado a fundo. 

“Nossa pesquisa mostra que a modularidade craniana confere flexibilidade evolutiva. Mas a velocidade das mudanças climáticas atuais é de magnitude maior do que as mudanças geológicas do passado. Entender os mecanismos que permitiram a esses peixes prosperar é também uma forma de avaliar suas chances, e as de tantos outros organismos, diante do futuro que estamos construindo”, conclui Neves. 

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AgroNewsPolítica & Agro

China compra, mas não sustenta preços da soja


O mercado internacional da soja encerrou a quinta-feira em queda, pressionado por fatores climáticos favoráveis nos Estados Unidos, pela ausência de maior força compradora da China e pelo recuo de mercados relacionados, como o petróleo bruto. Segundo a TF Agroeconômica, os contratos negociados na Bolsa de Chicago registraram perdas expressivas, refletindo um ambiente de maior cautela entre os participantes.

O contrato de soja para julho fechou em baixa de 2,12%, ou 24,50 cents por bushel, cotado a US$ 1129,50. A posição agosto recuou 2,22%, ou 25,75 cents por bushel, encerrando a US$ 1132,50. Entre os derivados, o farelo de soja para julho caiu 2,21%, ou US$ 7,10 por tonelada curta, para US$ 313,70. O óleo de soja para julho teve baixa mais intensa, de 3,07%, ou 2,42 cents por libra-peso, a US$ 76,29.

A pressão sobre as cotações esteve ligada ao avanço final do plantio norte-americano em condições consideradas favoráveis, o que reduziu parte do prêmio climático nos preços. O desempenho negativo do petróleo bruto também contribuiu para a queda, especialmente sobre o óleo de soja, que costuma acompanhar oscilações do mercado de energia.

O relatório semanal do USDA mostrou vendas líquidas combinadas de 519,90 mil toneladas, volume dentro das expectativas. As vendas da safra antiga 2025/2026 somaram 276,90 mil toneladas, elevando o acumulado do ciclo a 39,95 milhões de toneladas, queda de 17,68% em relação ao ano anterior. A China comprou 74,80 mil toneladas na semana e se aproximou da meta de 12 milhões de toneladas.

Apesar disso, o mercado segue atento à possibilidade de novas tarifas sobre parceiros comerciais, o que reacendeu temores de retaliações semelhantes às observadas no ano passado. Na América do Sul, a Bolsa de Cereais de Buenos Aires manteve a projeção da safra argentina em 50,10 milhões de toneladas, com 91,7% da área colhida. No Brasil, o Ministério da Economia informou exportações de 14,9 milhões de toneladas em maio, alta de 5,1% sobre maio de 2025.

 





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Radar Rural: agro salva o PIB, leite bate recorde e El Niño acende alerta


Agro, PIB, leite, irrigação
Radar Rural analisa o desempenho do agro na economia, os riscos climáticos, o avanço da produção de leite e o futuro da irrigação no Brasil

O agronegócio voltou a ser um dos principais motores da economia brasileira no primeiro trimestre de 2026. Dados divulgados pelo IBGE mostram que o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 1,1% no período, enquanto o setor agropecuário avançou 2%, impulsionado principalmente pela colheita da safra de soja.

O tema foi um dos destaques do novo episódio do Radar Rural, que também abordou as previsões para um possível El Niño de forte intensidade, os recordes da pecuária leiteira e o potencial de expansão da irrigação no Brasil.

Assista ao episódio completo:

Apesar da contribuição expressiva para a economia, especialistas alertam que a alta produtividade não tem se traduzido necessariamente em maior rentabilidade para o produtor rural. Juros elevados, custos de produção pressionados e fatores geopolíticos que impactam insumos como fertilizantes e diesel continuam desafiando o setor.

El Niño exige atenção, mas sem alarmismo

Outro assunto que ganhou espaço no programa foi a possibilidade de um evento de El Niño mais intenso nos próximos meses.

Embora o termo “super El Niño” tenha ganhado força nas redes sociais e em parte da imprensa, especialistas ressaltam que a classificação oficial utilizada por órgãos meteorológicos, como a agência norte-americana NOAA, considera eventos fortes ou muito fortes.

As projeções indicam aumento das chuvas na região Sul, o que pode trazer novos desafios para a próxima safra de verão, especialmente no Rio Grande do Sul, estado que acumula perdas em ciclos recentes.

A recomendação é que produtores acompanhem previsões baseadas em dados técnicos e atualizações frequentes dos modelos climáticos, evitando decisões fundamentadas em especulações ou projeções de longo prazo.

Além do volume de precipitação, especialistas destacam que a distribuição das chuvas é um fator decisivo para o desempenho das lavouras. Eventos concentrados, conhecidos no campo como “chuvas de balde”, podem causar encharcamento e prejuízos ao desenvolvimento das culturas.

Produção de leite alcança novos recordes

O programa também destacou o avanço da pecuária leiteira brasileira. Segundo dados do IBGE, a produção nacional atingiu cerca de 27 bilhões de litros em 2025, crescimento de 8,5% em relação ao ano anterior.

Um levantamento apresentado durante encontro que reuniu os maiores produtores do país mostrou que as duas propriedades líderes do ranking já superam a marca de 100 mil litros de leite por dia.

Ao mesmo tempo, o setor enfrenta desafios relacionados aos custos de produção e às importações de leite em pó, principalmente da Argentina e do Uruguai. Entidades ligadas à cadeia produtiva defendem medidas de proteção comercial para reduzir os impactos sobre os produtores brasileiros.

Especialistas avaliam que a tecnologia e a gestão serão cada vez mais determinantes para a permanência dos produtores na atividade. Casos de propriedades que multiplicaram a produção após investimentos em manejo, genética e eficiência operacional foram apresentados como exemplos do potencial de crescimento do setor.

Irrigação pode transformar o agro brasileiro

A expansão da irrigação apareceu como uma das principais apostas para aumentar a estabilidade produtiva das lavouras nos próximos anos.

Segundo especialistas ouvidos pelo Canal Rural, o Brasil tem potencial para se tornar o maior mercado de irrigação do mundo em um horizonte de 10 a 15 anos.

Atualmente, o país possui pouco mais de 35 mil pivôs centrais instalados. Para efeito de comparação, apenas o estado de Nebraska, nos Estados Unidos, concentra cerca de 75 mil equipamentos.

Dados atualizados do setor indicam que o Brasil já ultrapassou 11 milhões de hectares irrigados, superando antes do previsto uma marca que, segundo projeções anteriores, só seria alcançada em 2030.

As estimativas apontam que a área irrigada pode chegar a 55 milhões de hectares no futuro. Entre os desafios para alcançar esse potencial estão o alto custo de implantação dos sistemas, questões regulatórias relacionadas ao uso da água, limitações na infraestrutura energética e a necessidade de ampliar a cultura de prevenção climática no campo.

Para especialistas, a irrigação tende a ganhar importância à medida que eventos climáticos extremos se tornam mais frequentes, oferecendo maior segurança produtiva ao agricultor brasileiro.

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Raízen protocola plano para reestruturar dívida de R$ 64,7 bilhões


Mato Grosso projeta alta de 16,08% na produção de etanol em 2026/27

A Raízen protocolou nesta sexta-feira (6) o Plano de Recuperação Extrajudicial na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, após obter adesão de credores que representam 75,45% dos créditos financeiros e quirografários abrangidos pela reestruturação. O plano envolve um passivo de R$ 64,7 bilhões e inclui aumento de capital, conversão parcial da dívida em ações e refinanciamento do saldo remanescente.

Segundo fato relevante divulgado ao mercado, a companhia atingiu o porcentual mínimo de apoio antes do prazo de 90 dias previsto na legislação para esse tipo de processo. A adesão inclui detentores de títulos internacionais, títulos locais e instituições financeiras.

Entre as medidas previstas, está um aumento de capital de R$ 3,5 bilhões pela Shell. O plano também menciona um aporte adicional de R$ 500 milhões pela Aguassanta Participações, ligada à família de Rubens Ometto, caso a operação seja efetivamente acompanhada pela acionista. Além disso, 45% dos créditos sujeitos ao processo serão convertidos em participação acionária. Os 55% restantes serão substituídos, refinanciados ou aditados por novos instrumentos de dívida.

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A proposta inclui ainda segregação de ativos, avanço no programa de desinvestimentos e reorganização societária. Pela estrutura apresentada, a empresa pretende concluir até o fim de 2027 a separação entre Raízen Energia, que reunirá etanol, açúcar e bioenergia, e Raízen Combustíveis, voltada à distribuição de combustíveis e lubrificantes licenciados da marca Shell.

Para o setor agroindustrial, o ponto central é a preservação da continuidade operacional de negócios ligados ao segmento sucroenergético. A própria companhia informou que a recuperação extrajudicial tem escopo exclusivamente financeiro e não abrange obrigações com clientes, fornecedores, revendedores e demais parceiros comerciais, que seguirão sendo cumpridas normalmente.

Na governança, a administração atual será mantida durante a implementação do plano. O diretor financeiro, Lorival Nogueira Luz Jr., acumulará a função de Chief Restructuring Officer (CRO), responsável pela execução da reestruturação financeira e operacional.

O plano seguirá agora para análise judicial. A legislação prevê prazo de 30 dias para apresentação de objeções por credores antes de eventual homologação. Até essa etapa ser concluída, os efeitos práticos da reestruturação dependerão da tramitação do processo e da implementação das medidas anunciadas pela companhia.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Raízen protocola plano extrajudicial para reestruturar dívida de R$ 64,7 bilhões


Preços do etanol hidratado e anidro recuam nas usinas paulistas, aponta Cepea

A Raízen protocolou, nesta sexta-feira (5), na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo, um Plano de Recuperação Extrajudicial para reestruturar uma dívida de R$ 64,7 bilhões. Em fato relevante, a companhia informou que 75,45% dos credores aderiram à proposta. Segundo a empresa, todos os grupos envolvidos, incluindo detentores de títulos internacionais, títulos locais e bancos, apoiaram o plano.

O protocolo do plano formaliza uma etapa já esperada pelo mercado entre esta sexta-feira (5) e a segunda-feira (8), conforme indicação anterior. A proposta apresentada pela companhia combina capitalização, conversão de passivos e refinanciamento da parcela remanescente da dívida.

Entre as medidas informadas, está a injeção de R$ 3,5 bilhões pela Shell. O plano também prevê a possibilidade de um aporte adicional de R$ 500 milhões pela Aguassanta Participações, ligada à família do empresário Rubens Ometto, acionista controlador da Cosan S.A.

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Pela estrutura proposta, 45% da dívida reestruturada poderão ser convertidos em participação acionária. Os 55% restantes deverão ser objeto de substituição, refinanciamento ou aditamento por meio de novos títulos de dívida. A companhia não detalhou, no conteúdo disponível, os prazos, condições financeiras dos novos papéis nem o cronograma de homologação judicial.

A Raízen informou ainda que pretende avançar com desinvestimentos e reorganizações societárias como parte da estratégia para reforçar sua estrutura financeira. Para o setor, o movimento envolve uma empresa com presença relevante na cadeia sucroenergética, em segmentos como açúcar, etanol e energia, o que mantém a operação sob acompanhamento de agentes ligados à agroindústria, ao mercado de biocombustíveis e ao crédito corporativo.

Os próximos desdobramentos dependem da análise judicial do plano e da formalização das etapas de capitalização, conversão e refinanciamento previstas. Sem a divulgação integral das condições operacionais e dos prazos, ainda não é possível dimensionar com precisão os efeitos sobre a execução financeira e societária da companhia.

Fonte: Estadão Conteúdo

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