O produtor rural Lucas Scheffer, de Cacequi, na região central do Rio Grande do Sul, área fortemente afetada por excesso de chuva, inundações e também seguidas estiagens, tem se mostrado descrente com os efeitos das novas medidas voltadas à renegociação de dívidas. A matéria que traz o depoimento do agricultor foi uma das mais lidas do site do Canal Rural na última semana.
A Medida Provisória 1.376, publicada nesta quarta-feira (15), por exemplo, foi comemorada por lideranças do setor, como a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), mas isso não significa que ela agradou o produtor que está ali na ponta, no dia a dia do campo e endividado.
Para Scheffer, a carência de dois anos para o início do pagamento das dívidas, como prevê a nova MP, pode dar fôlego ao produtor, mas o prazo de 10 anos para que ele arque com seus débitos é insuficiente.
“Com a dívida acumulada nos anos de perda, cerca de 40% dos produtores gaúchos deve, em média, 140 sacas de soja por hectare. Ao dividir em dez anos, teremos 14 sacas de soja ao ano para pagar, com o custo para implantar a lavoura em cerca de 40 sacas por hectare, fora os outros custos, como manutenção, renovação de frota e investimentos, ou seja, se somarmos as 40 sacas de custo, mais as 14 de dívida acumulada, significam 54 sacas de soja apenas para pagar as contas. Essa matemática não fecha”, destaca.
Ele aponta que nem mesmo a média produtiva de 60 sacas por hectare, alcançada pelos produtores gaúchos na safra 2020/21 — a melhor desde então — seria capaz de permitir que o produtor gaúcho arcasse com suas dívidas no modelo proposto pela nova Medida Provisória.
Scheffer também aponta que o reaproveitamento de garantias para o refinanciamento dos débitos é outra iniciativa do texto que não encontra lastro na realidade. “Como vamos financiar o crédito do Plano Safra 2026/27? Como fazer isso se o produtor já vem rolando dívidas há cinco anos, utilizando as garantias e o patrimômio que tem. Como vamos conseguir acessar recurso novo se não temos mais garantias, sendo que as garantias que possuímos já estão sendo utilizadas nessa renegociação?”, questiona.
Para sanar este problema, a nova MP incorpora o Fundo Garantidor, que estava previsto no PL 5122/2023, um mecanismo financeiro criado pelo governo federal, com aporte de até R$ 2 bilhões, para facilitar a renegociação de dívidas de produtores rurais e destravar o crédito no campo.
Em resumo, o instrumento é um mitigador de risco para as instituições financeiras, cobrindo eventuais inadimplências, permitindo que produtores sem garantias suficientes consigam acesso a novos financiamentos ou alongamento de débitos.
Pelo texto acertado entre governo e Congresso, poderão acessar as condições de repactuação produtores rurais e cooperativas com perdas registradas entre 2019 e 2025. Também entram operações de crédito inadimplentes entre 1º de janeiro de 2024 e 31 de maio de 2026, além de operações adimplentes que tenham sido prorrogadas até 31 de maio de 2026.
Para que o produtor conheça todos os detalhes da nova MP, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) elaborou uma cartilha que pode ser baixada e lida aqui.
Um abacate de 2,434 kg virou assunto na região das montanhas capixabas após ser colhido em uma propriedade rural de Domingos Martins, no Espírito Santo. O fruto, encontrado pelo produtor Claudomir Dalcol no sábado passado (11), chamou a atenção pelo tamanho muito acima da média e ficou a apenas 116 gramas do recorde mundial registrado pelo Guinness World Records.
Morador de Ribeirão Capixaba, Claudomir conta que comprou o sítio há cerca de três anos já com os abacateiros plantados. Desde então, faz apenas os cuidados de rotina na propriedade, onde também cultiva uma horta. Ao todo, são mais de 15 pés de abacate no terreno, além de outras dezenas existentes nas propriedades vizinhas.
“Na hora eu achei que o abacate estava bem pesado, mas não imaginava que chegaria a tudo isso. Levei o fruto até uma mercearia para pesar e fiquei surpreso quando a balança marcou 2,434 kg”, relata o produtor, que afirma haver outros frutos de grande porte na mesma árvore.
Para se ter uma ideia, um abacate comercial costuma pesar entre 200 g e 400 g. O exemplar colhido em Domingos Martins é de seis a doze vezes mais pesado que o padrão encontrado nos mercados. Com tanta polpa, seria possível preparar cerca de 17 copos de vitamina.
O tamanho impressionante quase garantiu um lugar no “Livro dos Recordes”. O maior abacate já registrado pelo Guinness pesou 2,55 kg e foi colhido no Havaí, nos Estados Unidos, em 2018. O fruto capixaba ficou apenas 116 g abaixo da marca.
Segundo o produtor e engenheiro-agrônomo Alberto Falchetto, apesar de raro, o surgimento de frutos gigantes é perfeitamente possível e está diretamente ligado às características genéticas da planta.
“O Espírito Santo tem um enorme potencial para o cultivo de abacate. Temos clima, solo e relevo que favorecem muito a cultura, principalmente na região serrana. Quando aparece um fruto desse tamanho, a primeira reação é de espanto, mas isso pode acontecer”, afirma.
De acordo com o agrônomo, esses abacateiros geralmente são chamados de “pés francos”, originados de sementes provenientes da polinização natural, sem pertencer a variedades comerciais registradas. Nesses casos, cruzamentos naturais podem resultar em plantas capazes de produzir frutos muito acima do tamanho convencional. Há relatos, inclusive, de exemplares com mais de 2,5 kg produzidos em municípios serranos do Espírito Santo.
“O principal fator para um abacate atingir esse porte é a genética. O clima, a disponibilidade de água, a fertilidade do solo e o manejo ajudam no desenvolvimento da planta, mas é a carga genética que determina esse potencial”, afirma Falchetto.
Embora despertem curiosidade, frutos gigantes não costumam ser utilizados em cultivos comerciais, já que o mercado prefere abacates com tamanho uniforme, o que facilita o transporte, a embalagem e a comercialização.
Foto: arquivo pessoal
Cultivo de abacate tem expansão no ES
O caso acontece em um momento de expansão da cultura no Espírito Santo. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o estado se consolidou, em 2024, como o quarto maior produtor de abacate do Brasil, com 33.735 toneladas colhidas em uma área de 1.344 hectares.
Segundo a Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), o Valor Bruto da Produção (VBP) da cultura ultrapassou R$ 88,7 milhões no ano passado, mais que o dobro do registrado em 2023. Ao todo, o Espírito Santo reúne 572 estabelecimentos rurais dedicados ao cultivo, sendo 69% pertencentes à agricultura familiar.
A região serrana concentra a maior parte da produção estadual. Venda Nova do Imigrante lidera o ranking, seguida por Marechal Floriano, Vargem Alta e Castelo, consolidando a região como uma das principais produtoras de abacate do país.
Além de abastecer o mercado interno, a fruta cultivada no Espírito Santo também é exportada, principalmente para França e Espanha.
A Operação Lama de Ouro, da Polícia Civil, que investiga um esquema de desvio de cargas, prendeu dois funcionários da Yara Fertilizantes na última quinta-feira (16). Os suspeitos são acusados de gerar um prejuízo de cerca de R$ 20 milhões à empresa com a venda clandestina de fertilizantes no Distrito Industrial de Rio Grande.
Conforme apuração do portal GZH, além das prisões, uma terceira pessoa foi conduzida à delegacia para prestar esclarecimentos. Os investigados devem responder por furto qualificado e organização criminosa, ao passo que a polícia segue na busca para identificar receptadores e outros possíveis envolvidos no esquema.
Já na sexta-feira (17), a prisão em flagrante dos funcionários foi convertida em preventiva. A delegada titular da 9ª Delegacia de Polícia de Repressão aos Crimes Rurais e Abigeato (9ª Decrab), Paula Vieira Garcia, considerou a manutenção da detenção dos suspeitos necessária em vista dos elementos comprobatórios reunidos até o momento.
Conforme a delegada, um dos presos trabalhava na empresa havia 12 anos, enquanto o outro era funcionário há cerca de dois anos e se aproveitavam da função para desviar fertilizantes de alto valor comercial. “Eles começaram furtando durante as madrugadas e, com o tempo, passaram a agir com mais frequência. O prejuízo foi tão grande que chamou a atenção da empresa e chegou ao conhecimento da Polícia Civil”, afirma.
Fertilizantes de R$ 4 mil por tonelada
A investigação da Decrab apontou que os suspeitos retiravam fertilizante puro, avaliado em cerca de R$ 4 mil por tonelada, e o misturavam ao chamado barro de varredura, resíduo industrial comercializado a, aproximadamente, R$ 80 por tonelada. A partir de então, o composto adulterado era vendido irregularmente como fertilizante.
A delegada afirma que as investigações tiveram início no começo deste ano após denúncias anônimas, quando policiais começaram a monitorar a movimentação das cargas, identificar os destinos dos produtos e acompanhar a atuação dos suspeitos dentro da empresa.
A Polícia Civil avalia que o grupo teria desviado entre R$ 13 milhões e R$ 15 milhões em fertilizantes, mas, ao se considerar outros prejuízos identificados ao longo da investigação, o dano financeiro à empresa pode alcançar R$ 20 milhões.
Conforme traz a reportagem do GZH, um dos presos possui antecedentes por furto. Em nota, a Yara Fertilizantes se manifestou afirmando que está contribuindo para as investigações. “A Yara Brasil confirma a ação da Polícia Civil em sua unidade de Rio Grande (RS) envolvendo colaboradores da empresa nesta quinta-feira. A empresa, que é vítima dos ilícitos investigados, informa que está colaborando com a investigação e que, em razão do sigilo, não comentará detalhes de investigação em andamento”, diz, em nota.
A cotonicultura no Brasil será destaque no 18º Encontro Técnico do algodão, promovido pela Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT). O evento reunirá pesquisadores, produtores rurais, consultores, técnicos, profissionais da indústria e de toda a cadeia produtiva do algodão e tem como objetivo transformar informações relevantes em soluções e decisões, com o formato de painéis será realizado entre os dias 5 e 6 de agosto, no Hotel Gran Odara, em Cuiabá (MT).
O gerente de Pesquisa, Serviços e Operações da Fundação MT, Luís Carlos de Oliveira, explica que a cultura do algodão é extremamente estratégica para o estado de Mato Grosso, uma cultura de alta relevância também para a Fundação Mato Grosso. “Nós temos pesquisas nas diversas áreas de conhecimento voltadas para a cultura do algodão. Neste 18º Encontro Técnico de Algodão, teremos a oportunidade de mostrar grande parte dessas pesquisas. Por exemplo, nós temos pesquisas na área de solos, ensaios que envolvem adubação, nitrogênio, potássio, ensaios de longa duração de mais de 12 anos”, disse.
Os temas da programação serão distribuídos em oito painéis voltados para a difusão de conhecimento e debate em torno dos desafios da cotonicultura de alta produtividade, como detalha Luís Carlos. “Apresentaremos projetos na área de plantas daninhas, que envolve o controle de plantas daninhas de difícil controle, como caruru, pé-de-galinha, vassourinha-de-botão. Toda a parte fitossanitária da cultura: entomologia, o controle das principais pragas, mosca-branca, ácaros e um cenário da situação do bicudo no estado de Mato Grosso. Toda a parte de nematologia, como um panorama de ocorrências de nematoides na cultura do algodão, além da área fitossanitária no que diz respeito ao controle de doenças, fungicidas, onde apresentaremos informações atualizadas sobre os resultados e performance dos produtos nesses segmentos”, finalizou.
Ao longo dos dois dias, haverá ainda o painel de retrospectiva da safra de Mato Grosso e Bahia, geopolítica e desafios na tomada de decisão na cotonicultura, além de espaços dedicados às empresas parceiras, apresentação de resultados de pesquisa da Fundação MT, debates técnicos, momentos de networking e coquetéis de encerramento ao fim de cada dia. As inscrições ainda estão abertas e podem ser feitas pelo site da Fundação MT.
Programação Oficial
05 de agosto de 2026
08h — Abertura oficial
Painel 1: Retrospectiva da Safra 2025/2026
Moderador: Eduardo Kawakami (head de Pesquisa, Melhoramento Genético e Plantas – TMG).
Relato dos Produtores:
Cid Ricardo dos Reis (Grupo Bom Futuro – Região Sudeste e Vale do Araguaia).
André Lavezo (Amaggi – Região Oeste).
Fernando Piccinini (Grupo Bom Jesus – Região Médio Norte).
Vitor Paulo Vargas (SLC Agrícola – Região Bahia).
Análise da Safra 2025/2026 e Manejo Estratégico do Algodoeiro para Ajuste aos Cenários Climáticos e Econômicos: Fábio Echer (professor e pesquisador da Unoeste).
O Que Realmente Importa Sobre o Clima da Safra 2026/2027? Paulo Etchichury (meteorologista e consultor de Clima Aplicado à Agricultura).
Debate
Painel 2: Inovação
Inovação Transformadora nos Tempos Atuais: Júnior Borneli (fundador da StartSe).
Painel 3: Atualidade e Futuro no Manejo de Plantas Daninhas no Sistema Soja/Algodão
Banco de Sementes: Estratégias para Reduzir a Pressão de Seleção de Plantas Daninhas na Sucessão Soja-Algodão: Valter Vaz (pesquisador de Plantas Daninhas na Cooperativa Comigo – GO).
Vassourinha-de-botão, Pé-de-galinha e Caruru: Resultados da Fundação MT: Vicente Pontes (Fundação MT).
Debate
Painel 4: Entomologia — Tecnologia e Manejo de Pragas Críticas
Mosca-branca e Ácaro-rajado: Pontos de Atenção para um Manejo Consistente: Marco Tamai (professor e pesquisador da Universidade do Estado da Bahia).
Lagartas — Status das Biotecnologias e Enfrentamento ao Bicudo-do-algodoeiro: Eduardo Barros (consultor Agronômico e pesquisador da Supera Soluções Agronômicas).
Situação do Bicudo no Estado de Mato Grosso: Márcio Souza (coordenador de Projetos e Difusão de Tecnologias no Instituto Mato-Grossense do Algodão).
Biotecnologia no Controle do Bicudo: Perspectivas Futuras: Anderson Meda (head de Pesquisa – TMG).
Debate
06 de agosto de 2026
08h — Abertura
Painel 5: A Base da Alta Produtividade do Algodão: Manejo e Desafios
Fertilidade do Solo no Algodão: Histórico de Pesquisa da Fundação MT: Leandro Zancanaro (pesquisador e Consultor da Origens Parcerias Agrícolas).
Compactação do Solo na Cultura do Algodão: Manejo em Ano de El Niño: Guilherme Anghinoni (pesquisador e consultor da Solo Raiz).
Adubação Potássica: Estratégias para Máxima Eficiência: Patrícia Matias (Fundação MT).
Debate
Painel 6: Nematoides no Algodoeiro: Resultados e Estratégias que Transformam Dados em Produtividade
Dinâmica Populacional de Nematoides no Algodoeiro: Evidências de Campo e Resultados da Fundação MT com Drª. Rosângela Silva.
Resistência Genética de Nematoides no Algodoeiro: Tania Santos (Fundação MT).
Situação Atual de Meloidogyne enterolobii em Mato Grosso: Tania Santos (Fundação MT).
Debate
Painel 7: Cenário Fitossanitário da Cultura do Algodão: Desafios e Estratégias no Manejo de Doenças
Panorama Fitossanitário da Cultura do Algodão: Do Tombamento às Doenças Foliares: Mônica Müller (Fundação MT) e Amarildo Padilha (gerente técnico da ABC Agrícola).
Cenário de Doenças na Cotonicultura da Bahia: Desafios e Perspectivas de Manejo: Fabiano Perina (Embrapa Algodão).
Avanços e Resultados de Pesquisa no Manejo de Doenças do Algodão: Mônica Müller (Fundação MT) e Victor Porto (Fundação MT).
Debate
Painel 8 — Fechamento: Geopolítica e Desafios na Tomada de Decisão na Cotonicultura
Moderadora: Renata Maron (comunicadora e palestrante de agronegócios).
Debatedores: Marcos Jank (professor Sênior de Agronegócio Global do Insper) e Alexandre de Marco (vice-presidente da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão – Ampa).
Cerca de 15% do crédito rural público concedido no Brasil entre 2019 e 2025 foi destinado a imóveis rurais com alertas de desmatamento ou degradação da vegetação nativa. Os dados constam da nova edição do Monitor do Crédito Rural, lançada pelo MapBiomas, que identificou 831 mil operações nessas condições, somando R$ 92,4 bilhões. No período, o crédito rural público totalizou R$ 613,18 bilhões.
O levantamento mostra que mais de 400 instituições financeiras operam crédito rural no país, mas cinco concentram cerca de 60% do volume financiado: Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Banco da Amazônia, Sicredi e Banrisul.
O Banco do Nordeste respondeu por 56% do total de operações realizadas entre 2019 e 2025. Em valores financiados, o Banco do Brasil liderou, com R$ 306 bilhões. Considerando as operações com sobreposição a camadas socioambientais, como alertas de desmatamento, embargos ambientais, terras indígenas, unidades de conservação, quilombos e florestas públicas, o Banco do Nordeste concentrou 63% dos contratos, enquanto o Banco do Brasil reuniu 33% do volume financeiro.
Segundo o monitor, mais de 68% das operações de crédito rural público desde 2019 tiveram como finalidade investimentos. Cerca de 58% estavam ligadas à pecuária, e aproximadamente 23% à aquisição de animais. Os bovinos apareceram como principal produto financiado, presentes em cerca de 27% das operações.
Na distribuição regional, o Piauí registrou o maior número de operações com algum tipo de sobreposição a áreas socioambientais, com 336 mil contratos. Em volume de recursos, os maiores valores foram registrados no Tocantins, com R$ 13,9 bilhões, seguido por Mato Grosso, com R$ 13,3 bilhões, e Rondônia, com R$ 13 bilhões.
O MapBiomas Alerta afirma que a plataforma identifica perda de vegetação nativa, mas não julga a legalidade da supressão. Pelo Código Florestal Brasileiro, o desmatamento pode ocorrer sob certas condições, com Autorização de Supressão de Vegetação (ASV). A concessão de crédito rural é proibida em áreas formalmente embargadas por órgãos ambientais, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Em dezembro de 2024, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou regra para que bancos cruzem alertas de satélite antes do embargo formal, com validade adiada para janeiro de 2027.
A nova versão do Monitor do Crédito Rural passou a incorporar o Cadastro Ambiental Rural (CAR) informado nas operações registradas no Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor). Segundo o pesquisador do MapBiomas Paulo Teixeira, a quantidade de operações analisadas mais que dobrou. Em nota, Banco do Brasil e Banco do Nordeste afirmaram que seguem a legislação e mantêm mecanismos de verificação e monitoramento socioambiental nas operações de crédito rural.
O Agroleite 2026 chega com uma estrutura ampliada e R$ 11 milhões em novos investimentos para fortalecer o Parque Tecnológico da Castrolanda, em Castro (PR). A feira, considerada uma das principais do setor leiteiro da América Latina, será realizada entre os dias 3 e 7 de agosto e volta a contar com cinco dias de programação.
Segundo o gerente do Agroleite, Gustavo Viganó, os recursos foram destinados à expansão da infraestrutura do parque e à atração de novas empresas para o ecossistema da feira.
“Esse ano, a gente traz novamente investimentos robustos para dentro do parque tecnológico, cerca de R$ 11 milhões, focados também em atrair novas empresas para dentro do parque. Essas empresas passam a fazer parte agora desse ecossistema”, afirmou, em entrevista ao Canal Rural.
Além da ampliação do parque, a organização reformulou a arena de palestras para receber uma programação técnica mais extensa.
“Ampliamos também os investimentos na nossa arena de palestras, um espaço todo remodelado para abarcar toda essa programação robusta e técnica que tem o evento. Também seguimos investindo nos visitantes e expositores, trazendo mais comodidade e conforto”, destacou Viganó.
Evento volta a ter cinco dias
Outra novidade desta edição é o retorno do formato de cinco dias. A programação ocorrerá de segunda a sexta-feira, entre 3 e 7 de agosto, permitindo que visitantes de diferentes regiões do Brasil e da América do Sul tenham mais tempo para participar da feira.
Entre os destaques previstos estão as comemorações pelos 75 anos da Castrolanda, cooperativa idealizadora do evento, além de palestras técnicas, lançamento de produtos por empresas expositoras e o tradicional julgamento de animais.
“Vamos ter muitos painelistas especiais de todo o Brasil, trazendo conhecimento. Também haverá lançamento de produtos pelos nossos fornecedores e um julgamento novamente de alto nível, com genética muito avançada da nossa região”, disse o gerente.
Feira acompanha evolução da cadeia do leite
O presidente da Castrolanda, Willem Baumgartner, lembrou que o Agroleite nasceu a partir das exposições de animais promovidas pela cooperativa, mas evoluiu para atender às necessidades de toda a cadeia produtiva do leite.
Segundo ele, o avanço tecnológico da atividade exigiu que a feira incorporasse temas como inovação, gestão e eficiência produtiva.
“A cadeia do leite é muito mais complexa. Ela precisa de muita informação, muita tecnologia e também muita inovação para que possamos buscar eficiência, melhorar a produção e manter a competitividade”, afirmou.
Hoje, segundo Baumgartner, o evento reúne empresas e tecnologias voltadas para genética animal, bem-estar, nutrição, ordenha, máquinas agrícolas e demais segmentos ligados à produção leiteira.
Mensagem é de preparo para a retomada
Questionado sobre o momento de dificuldades enfrentado pelos produtores, marcado por restrição de crédito, endividamento e aumento da inadimplência no campo, o presidente da Castrolanda reconheceu os desafios, mas defendeu que os pecuaristas aproveitem o Agroleite para se preparar para um cenário mais favorável.
“Estamos muito cientes de que passamos por um momento desafiador, mas nada é tão ruim que dure para sempre. Com certeza teremos momentos melhores novamente na pecuária de leite, e precisamos estar preparados para surfar essa onda”, afirmou.
Para Baumgartner, conhecer novas tecnologias e ferramentas durante a feira permitirá que os produtores estejam mais preparados para investir quando as condições do mercado melhorarem.
“O produtor precisa estar atualizado na tecnologia que usa, nos equipamentos e nas ferramentas para saber o que comprar e como melhorar os processos dentro da propriedade quando esse período melhorar”, concluiu.
A produção de uvas no Paraná passa por uma mudança de perfil, com maior participação da matéria-prima destinada à agroindústria, embora as variedades de mesa ainda concentrem a maior parte da renda gerada pela atividade. Os dados constam no Boletim Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (16) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), que também apresenta um panorama da viticultura no Brasil e no mundo.
Conforme o boletim, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) informa que a uva foi a quarta fruta mais produzida no mundo em 2024, respondendo por 7,3% do total de 1 bilhão de toneladas colhidas entre cerca de 50 espécies de frutas, nozes e castanhas. A produção mundial alcançou 75,9 milhões de toneladas em 6,4 milhões de hectares, com o Brasil ocupando a 12ª posição entre os produtores, responsável por 2,4% do volume colhido. Já a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) aponta que 49,2% dessa produção foi destinada ao consumo in natura, 42,3% à elaboração de vinhos e 7,6% à produção de uvas-passas.
Para 2026, o boletim destaca que o Brasil estima colher 2,2 milhões de toneladas de uvas em 83,2 mil hectares, conforme projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Rio Grande do Sul lidera a produção nacional, com 47,7% da colheita, voltada principalmente para a fabricação de vinhos, espumantes, sucos, vinagres, geleias e outros derivados.
Ainda segundo o levantamento, Rio Grande do Sul, Pernambuco, São Paulo e Bahia concentram 93,5% da produção brasileira. Enquanto o estado gaúcho tem foco na transformação industrial, Pernambuco e Bahia se destacam na produção de uvas finas de mesa voltadas à exportação e ao mercado interno. O Paraná aparece na quinta posição nacional, com participação de 2,7%, estimando colher 58 mil toneladas em aproximadamente 4 mil hectares em 2026.
Os dados do Deral mostram que, em 2025, a cultura ocupou 3,2 mil hectares distribuídos em 258 dos 399 municípios paranaenses. A produção alcançou 50,4 mil toneladas, gerando Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 389,7 milhões. Com esse resultado, a uva ocupa a terceira posição entre as frutas que mais geram renda no estado.
O boletim aponta que a viticultura paranaense passou por mudanças ao longo da última década. Entre 2016 e 2025, a área cultivada foi reduzida em 21%, enquanto a produção caiu 6,3%. Nos últimos 20 anos, a participação das uvas de mesa, finas e rústicas, diminuiu de 76,3% para 64,6% do volume produzido. Em contrapartida, as uvas destinadas à agroindustrialização ampliaram sua participação de 23,7% para 35,4%, indicando um novo direcionamento para a atividade.
Apesar desse avanço, as uvas de mesa continuam sendo as principais responsáveis pela receita da cadeia. Em 2025, elas responderam por R$ 312,3 milhões, o equivalente a 80,1% do VBP estadual, enquanto as variedades destinadas à agroindústria geraram R$ 77,4 milhões, correspondentes a 19,9% do total.
Marialva permanece como principal referência na produção de uvas finas de mesa no Paraná. O município cultivou 450 hectares, colheu 13,5 mil toneladas e registrou VBP de R$ 129,6 milhões, concentrando 28,5% da área destinada à atividade e 41,5% da produção e da renda do segmento. Já Rosário do Ivaí se destaca nas uvas rústicas de mesa, com 150 hectares cultivados, produção de 1,5 mil toneladas e VBP de R$ 14,4 milhões.
Na produção voltada à agroindústria, Bituruna lidera entre os municípios paranaenses. Em 2025, os 100 hectares destinados à elaboração de vinhos e sucos renderam 1,5 mil toneladas de uvas e movimentaram R$ 6,5 milhões, representando 6,9% da área cultivada e 8,4% da produção e do Valor Bruto da Produção do segmento.
O Plano Safra 2026/2027, divulgado no final do mês passado, trouxe uma medida que pode ampliar a produtividade das fazendas. Ela consiste em um ‘prêmio financeiro’ para aqueles que adotarem práticas de baixo carbono dentro das propriedades.
Funciona da seguinte forma: por meio do RenovAgro, programa do governo federal focado em agricultura sustentável, o produtor que optar por investir na recuperação dos solos utilizados e transformar as pastagens degradadas, terá acesso a uma taxa de juros mais baixa de 8,5% ao ano – o número é bem menor quando comparado aos 12,5% cobrados no financiamento geral das grandes lavouras, previstas no novo programa.
No entanto, especialistas se dividem quanto aos efeitos dessa flexibilização. Na visão de Pedro Gonçalves, analista de mercado da Scot Consultoria, ampliar os recursos disponíveis não necessariamente significa que acontecerá o efeito esperado.
“O recurso tem que chegar para quem precisa usá-lo. Uma pecuária que diminui a quantidade de áreas degradadas é uma pecuária que dilui seu custo de produção com produtividade e, consequentemente, ganha mais. Melhorar a capacidade de suporte, melhorar a saúde do solo e da área, ganhar mais condições de desenvolvimento, engorda e terminação do gado, é o que a pecuária precisa”, aponta.
Ainda dentro da linha do RenovAgro, um outro destaque se refere ao prazo total de pagamento do crédito: 12 anos, sendo oito de carência. Ou seja, na prática, o pecuarista ou o agricultor que buscar financiamento para adequar a propriedade às exigências ambientais, terá praticamente uma década para produzir e colher os resultados antes mesmo de pagar a primeira parcela da dívida principal.
Mato Grosso pode ser um dos estados mais beneficiados
No caso de Mato Grosso, o maior polo de criação de gado do país, as novas condições do Plano Safra podem favorecer ainda mais o produtor. Por lá, segundo a Associação dos Criadores do Estado (Acrimat), há uma parcela expressiva de pastagens degradadas – não por desinformação do pecuarista, mas pela falta de capacidade de investimento que a atividade gera.
“Os solos de Mato Grosso respondem à correção e à adubação, e com isso certamente ficaremos ainda mais produtivos”, pontua Francisco Manzi, diretor técnico da Acrimat. Na sua visão, uma pastagem recuperada pode aumentar a capacidade de lotação ou a produção de carne por hectare em comparação com uma área degradada.
“O que vai limitar o incremento é o conhecimento do produtor, capacidade de investimento e mercado para absorver essa oferta maior”, acrescenta Manzi.
Recuperar pastagens pode elevar a lotação em até 250%, aponta Embrapa
Segundo estimativas da Embrapa Gado de Corte, a média anual das pastagens brasileiras é de uma taxa de lotação de um animal por hectare, com uma produtividade de cinco arrobas por hectare. Já as pastagens degradadas apresentam valores médios anuais em torno de 0,5 animal por hectare com produtividade inferior a 3 arrobas por hectare.
“Com a recuperação dessas pastagens, a depender do nível de degradação e do tipo de estratégia adotada na recuperação, as taxas de lotação e produtividades podem aumentar de 50 a 250% da média nacional, mostrando o potencial e a importância desta ação para a produção de carne brasileira”, ressalta Roberto Giolo, pesquisador em sistemas integrados de produção e pecuária de baixo carbono da Embrapa.
Neste sentido, a recuperação de uma pastagem degradada pode significar também um aumento na produção sem a necessidade de abrir novas áreas. Para Giolo, ampliar a produtividade de uma grande área já aberta, disponível e sem a necessidade de desmatamento da vegetação nativa é ‘o maior trunfo do agro brasileiro’.
“Com a recuperação destas áreas e o manejo adequado posterior (e isso é fundamental, pois não adianta recuperar e continuar no manejo anterior que levou à degradação), é possível uma pecuária mais eficiente, produtiva e rentável para o produtor, e ainda com menor impacto ambiental, em especial, com menor emissão de carbono”, destaca.
Carlos Cogo, sócio-diretor da consultoria Cogo Inteligência em Agronegócio, observa que uma pastagem bem manejada, com forrageira adaptada e solo corrigido, consegue suportar de duas a quatro vezes mais animais por hectare do que uma pastagem degradada.
“Na prática, dentro da fazenda, isso significa que o pecuarista pode aumentar o rebanho — ou intensificar o ciclo de terminação — sem precisar incorporar nenhuma área nova ao sistema produtivo”, destaca. Do ponto de vista ambiental, isso também é importante porque desvincula crescimento de produção de desmatamento.
“O Brasil é hoje pressionado por barreiras não tarifárias — especialmente o regulamento da União Europeia sobre desmatamento — e demonstrar que consegue crescer em produção pecuária sem abrir área nova é um diferencial competitivo que vai além do mercado doméstico”, acrescenta.
Quais investimentos trazem mais retorno ao pecuarista?
Para além das condições de crédito mais favoráveis para investimentos na recuperação e conversão de pastagens, especialistas apontam que o produtor deve ser estratégico, isto é, focar em investimentos que tragam maior retorno em produtividade e rentabilidade.
Giolo, da Embrapa, aponta que a prática de recuperação direta da pastagem é uma das mais adotadas pelos pecuaristas com o acesso a essa linha de financiamento do Plano Safra – e que pode trazer benefícios para a propriedade.
Segundo ele, a prática envolve a simples retirada de animais do pasto para permitir sua recuperação, como o uso de práticas mecânicas (subsolagem e retirada de cupinzeiros) e agronômicas (uso de insumos como defensivos agrícolas, corretivos, fertilizantes e sementes).
“De modo geral, quanto maior o nível de degradação da pastagem, maiores serão os custos com o processo de recuperação. Entretanto, é de suma importância que o manejo de manutenção da pastagem recuperada seja baseado nas boas práticas agropecuárias, em especial atenção ao manejo do pastejo, para se evitar o ciclo vicioso da degradação da pastagem”, destaca.
“Além disso, a escolha da forrageira adequada para a região e propriedade, genética animal, além da integração lavoura-pecuária, podem ser importantes em um segundo processo de intensificação da atividade”, acrescenta Gonçalves, da Scot Consultoria.
Especialista alerta para desafios no financiamento
A possibilidade de o produtor conseguir transformar o crédito do Plano Safra em ganho efetivo de produtividade ainda é um desafio – sobretudo em uma atividade em que, para investir em tecnologia, há a concorrência de outras áreas de investimento – aponta Gonçalves, da Scot.
“Uma taxa Selic alta, com uma taxa de juros que às vezes não se torna tão atrativa para o produtor em uma linha de crédito, pode ser um grande limitante de uso dessa fonte de recursos para melhorar o desempenho produtivo da propriedade. Você não investe em algo que pode acabar não dando retorno. Não é viável economicamente. Logo, torna-se inviável de produzir”, finaliza.
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As indústrias de Mato Grosso estão pouco cobertas – Foto: Nadia Borges
A soja atravessa julho com forte valorização no Centro-Oeste, acumulando alta próxima de R$ 10 no mês em meio à demanda firme e à menor disponibilidade de produto padrão. Segundo Samuel Martens, analista de inteligência de mercado, as compras no mercado spot seguem aquecidas no Centro-Oeste e no Matopiba, com relatos de negociação de grandes volumes ao longo da semana.
Na BR-163 e no oeste de Mato Grosso, os negócios foram reportados a US$ 24,00, com referência de +180su6. No sul do estado, os valores chegaram a US$ 26,00, com +190su6, enquanto Itaqui registrou US$ 28,50, com +170su6, para embarques entre setembro e outubro. O movimento mostra que a procura permanece consistente em diferentes praças.
As indústrias de Mato Grosso estão pouco cobertas e precisam de soja padrão, o que aumenta a disputa pelo grão disponível. Na exportação, alguns participantes reduziram o programa de milho no Arco Norte e ampliaram o de soja. A mudança estendeu para a janela entre agosto e outubro uma operação que normalmente termina em julho, elevando a dificuldade de encontrar produto dentro das especificações e pressionando os prêmios para cima.
Nos Estados Unidos, o balanço apertado também sustenta os contratos futuros em Chicago. Uma eventual redução de produtividade, combinada a margens de esmagamento consideradas muito favoráveis, tende a manter as cotações acima de US$ 12,00. O mapa do GFS para o período de 15 a 29 de julho de 2026 mostra a previsão de chuva acumulada em 15 dias, informação acompanhada pelo mercado diante da possibilidade de impacto climático sobre a produção americana.
Um cenário de alto risco meteorológico começa a se formar sobre a Região Sul do Brasil e deve provocar vários dias consecutivos de tempestades intensas, principalmente no Rio Grande do Sul, a partir desta quinta-feira (16). Segundo informações da Meteored, a combinação entre um Rio Atmosférico, um Jato de Baixos Níveis e uma intensa onda de calor favorecerá a ocorrência de chuva extrema e eventos severos.
De acordo com a previsão, um dos principais fatores responsáveis pela intensificação das instabilidades será o fortalecimento do Jato de Baixos Níveis, com ventos que podem superar 150 km/h nos próximos dias. Ao mesmo tempo, o calor intenso deve aumentar a instabilidade atmosférica. Entre sexta-feira (17) e segunda-feira (20), as temperaturas poderão ultrapassar os 32°C em diversos municípios da Região Sul. Na Região Metropolitana de Porto Alegre, a anomalia térmica poderá alcançar até 15°C acima da média.
A interação entre calor, grande disponibilidade de umidade e o fortalecimento do Jato de Baixos Níveis criará condições favoráveis para a formação de tempestades intensas no Rio Grande do Sul. Os temporais devem começar nesta quinta-feira (16), seguir até domingo (19) e podem continuar ao longo da próxima semana.
O sábado (18) é apontado como o período de maior preocupação. As projeções indicam elevado potencial para tempestades severas entre o sul do Rio Grande do Sul e o Uruguai, com possibilidade de granizo, rajadas destrutivas de vento, microexplosões e até mesmo tornados.
Nos próximos dez dias, os acumulados de chuva podem variar entre 200 e 300 milímetros em áreas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e sul do Paraná, sendo o território gaúcho o mais afetado. A previsão também não descarta volumes ainda maiores em pontos isolados, o que amplia o risco de impactos.
Com esse cenário, aumentam as chances de interrupções no fornecimento de energia elétrica, queda de árvores e galhos, danos em telhados, estruturas e lavouras provocados pelo granizo, além de transbordamento de rios, alagamentos e ocorrência de descargas elétricas.
A Meteored destaca ainda que um dos principais indicadores para previsão de eventos extremos, o Índice de Previsão Extrema (EFI) do modelo numérico ECMWF, aponta valores elevados para precipitação entre os dias 17 e 22 de julho sobre o Rio Grande do Sul e áreas vizinhas, incluindo partes de Santa Catarina, Uruguai e Argentina. O índice sinaliza uma elevada probabilidade de volumes de chuva excepcionalmente altos.
Outro fator de atenção é o Índice de Energia Potencial Convectiva Disponível (CAPE), que deve atingir valores extremamente elevados no sábado (18). Na prática, isso indica uma atmosfera muito instável e favorável à formação de tempestades de grande intensidade.
Segundo a análise da Meteored, não está descartada a possibilidade de que os impactos previstos durante a segunda quinzena de julho se aproximem das proporções observadas nas enchentes históricas registradas em 2024. Diante desse cenário, a recomendação é de atenção redobrada por parte das autoridades e da população para reduzir os riscos relacionados a transbordamentos, inundações, deslizamentos de terra e outros eventos severos.