O mercado de milho no Sul e em Mato Grosso do Sul segue marcado por ritmo lento nos negócios, diferenças de preços entre compradores e vendedores e avanço da colheita e da safrinha sob influência do clima. Segundo a TF Agroeconômica, esse quadro combina baixa liquidez no mercado spot com sustentação pontual das cotações em algumas praças.
No Rio Grande do Sul, a comercialização continua restrita, com preços entre R$ 56,00 e R$ 62,00 por saca e média estadual perto de R$ 58,00. A oferta mais limitada em algumas regiões, a recomposição de estoques e a disputa por fretes ajudam a evitar quedas mais fortes. Na safra 25/26, a colheita da primeira safra chegou a 93% da área, avanço discreto sobre a semana anterior, mas ainda acima da média histórica.
Em Santa Catarina, o mercado permanece travado pelo descompasso entre pedidas e ofertas. As indicações seguem em torno de R$ 75,00 por saca, enquanto a demanda trabalha perto de R$ 65,00. No Planalto Norte, os negócios ocorrem entre R$ 70,00 e R$ 75,00. A colheita alcança 97,6% da área, acima da semana passada, embora as áreas mais tardias já apresentem perda de qualidade.
No Paraná, a reta final da colheita da primeira safra convive com chuvas irregulares e com o foco crescente sobre a segunda safra. As pedidas giram em torno de R$ 70,00 por saca, enquanto a demanda se posiciona perto de R$ 60,00 CIF. A colheita atingiu 96% da área, e a safrinha apresenta, em geral, boas condições, apesar da preocupação com temperaturas elevadas em parte do estado.
Em Mato Grosso do Sul, os preços reagiram após semanas de maior pressão, com cotações entre R$ 57,00 e R$ 59,00 por saca. O setor de bioenergia segue como um dos principais sustentadores do mercado, embora a liquidez ainda seja limitada. A semeadura da safrinha chegou a 99% da área, com lavouras em boas condições, mesmo sob chuvas esparsas e aumento de lagartas em algumas regiões.
Mais uma vez as atenções do mundo se voltam para o papel do Brasil no processo de transição energética. Durante a Feira Industrial de Hannover, na Alemanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o país possui vantagens competitivas na produção de biocombustíveis e, consequentemente, de energias limpas.
“O Brasil tem um potencial imenso para crescer nesse aspecto”, reforça Francisco Turra, ex-ministro da Agricultura. Ele também é presidente do Conselho de Administração da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio). Hoje, cerca de 90% do biodiesel brasileiro vem da soja.
Nesse contexto, Turra lembra que o país colhe em torno de 170 milhões de toneladas da oleaginosa, mas apenas cerca de 25 milhões de toneladas são destinadas ao biodiesel. “Isso mostra que ainda há um grande potencial de expansão no uso da soja para esse fim”, completa.
Apesar disso, o processo para reduzir o uso de combustíveis fósseis, como o petróleo, ainda é lento. “Combustíveis fósseis e carvão representam cerca de 20% do consumo, mas respondem por 40% das emissões de CO2”, diz. De acordo com ele, esse é um ponto central quando se fala em transição energética.
O que falta para o Brasil avançar?
Na avaliação do ex-ministro, o processo esbarra também em questões internas, como o percentual de mistura de biodiesel ao diesel ainda muito abaixo do ideal. Atualmente, o mandato em vigência no Brasil é o B15, com 15% de mistura. Entidades do setor produtivo, por outro lado, afirmam que há capacidade para atender a uma mistura de até 21,6%.
Para Turra, o avanço dos biocombustíveis no Brasil também depende de ações do Executivo. “Falta o governo ter condições de acompanhar, fiscalizar e aprimorar, permitindo que a iniciativa privada faça a sua parte. Não se fala em subsídios nem favores, mas em o governo criar a infraestrutura necessária”, afirma.
Segundo ele, o próprio cumprimento da Lei do Combustível do Futuro ainda enfrenta entraves. “Não se cumpre o que a lei indica justamente por falta de equipamentos e pessoal”, conclui.
Turra também aponta que o país ainda utiliza uma parcela pequena do potencial disponível de matérias-primas para biodiesel. De acordo com ele, além da soja, fontes como canola, óleo de palma e gordura animal poderiam ampliar a produção.
Europa e os biocombustíveis
Na Alemanha, o presidente Lula também criticou propostas europeias sobre biocombustíveis. Entre elas, ele citou um mecanismo de cálculo de carbono que desconsidera o baixo nível de emissões do processo produtivo brasileiro baseado em fontes renováveis.
O posicionamento ocorre dias antes do acordo entre Mercosul e União Europeia entrar em vigor, a partir de 1 de maio.
Nessa mesma linha, Turra alerta para uma alegação da Europa sobre o biodiesel feito a partir de soja.
“Na Europa, o biodiesel de gordura animal é o principal importado, sob a justificativa de que o biodiesel de soja competiria com a alimentação humana”, explica. “Isso não é verdade, porque, sem o biodiesel, haveria excesso de óleo de soja e não teríamos o atual nível de produção”, conclui.
O agronegócio brasileiro está à frente da chamada “segunda onda” da inteligência artificial. Essa é a opinião do gerente regional da ELO Digital Office Espanha, Rodny Coronel. Segundo, a ferramenta já tem ganhado contornos mais concretos e imediatos no país.
“O agronegócio brasileiro não está mais testando IA. Está começando a incorporá-la nos processos-chave, e isso muda completamente o jogo competitivo”, afirma.
De acordo com estudo da empresa de software, cerca de 40% das empresas brasileiras já adotam ferramentas de inteligência artificial, o que coloca o Brasil em linha com os mercados mais avançados da Europa. Nesta esfera, os impactos já são mensuráveis: 95% relatam aumento de receita e 96% ganhos de produtividade.
No agro, esses números se traduzem em eficiência operacional, maior controle de processos e capacidade ampliada de resposta às exigências de mercado, em especial em cadeias altamente reguladas, como soja e carne e na exportação dessas e de outras commodities.
Coronel ressalta que a digitalização de contratos agrícolas, a automação de pedidos de compra, a rastreabilidade documental e o uso de análise preditiva já fazem parte da rotina de grandes players e começam a se expandir para médias empresas. “O Brasil demonstra, na prática, como a IA pode sair do discurso e gerar resultado financeiro direto no agro”, destaca.
O que foi a ‘primeira onda’?
O especialista afirma que a primeira fase da transformação digital no agro brasileiro foi marcada pela digitalização de processos. Agora, com a IA, o setor evolui para um novo patamar: a inteligência operacional.
Aplicações como análise de linguagem natural e automação de fluxos de trabalho já impactam áreas críticas, incluindo compliance, gestão de fornecedores, certificações internacionais e controle de qualidade, considerados pontos sensíveis para empresas exportadoras.
Coronel afirma que no contexto brasileiro, onde a cadeia agroindustrial é extensa e fragmentada, a IA resolve um problema estrutural: a dispersão de informações.
“Do contrato com o produtor ao embarque no porto, há uma enorme quantidade de dados desconectados. A IA permite integrar, interpretar e ativar essas informações em escala”, detalha.
‘A segunda onda’
Agora, o onceito de “segunda onda” marca uma mudança estratégica. Se antes a IA era aplicada de forma pontual, como em ferramentas isoladas, agora o foco é a automação de ponta a ponta dos processos de negócio.
No agronegócio brasileiro, isso significa integrar a IA em toda a cadeia documental e operacional: desde o recebimento de insumos até a comercialização e exportação, passando por certificações, faturamento, logística e conformidade regulatória.
“A vantagem competitiva não está em automatizar tarefas, mas em orquestrar processos completos com IA”, resume o gerente regional da ELO Digital Office Espanha.
Para ele, esse ponto é decisivo, visto que embora a maioria das empresas já utilize IA em alguma função, poucas conseguem capturar valor financeiro relevante. As que conseguem são justamente aquelas que redesenham seus fluxos operacionais de forma integrada.
Gestão documental inteligente
Nesse cenário, a gestão documental deixa de ser uma função administrativa e passa a ocupar posição estratégica no agro brasileiro. Coronel destaca que algumas plataformas já permitem automatizar a captura de documentos, extrair dados com IA, gerenciar fluxos de trabalho dinâmicos e acessar informações por meio de linguagem natural.
“O ganho é direto: processos que levavam dias passam a ser concluídos em horas, com total rastreabilidade”, conta.
Para o agronegócio, isso impacta diretamente operações como a gestão de contratos com produtores, cooperativas e tradings, o controle de certificações e exigências internacionais, a integração com sistemas ERP e CRM, a otimização de compras e vendas e a redução de erros operacionais e riscos regulatórios.
“Em um setor de margens pressionadas e alta complexidade operacional, esses ganhos são decisivos”, defende o especialista.
Pressão regulatória
Coronel visualiza que o ambiente regulatório global, especialmente para exportações, impõe desafios adicionais ao agro brasileiro. Rastreabilidade, compliance ambiental e segurança de dados são cada vez mais exigidos por mercados internacionais.
Nesse contexto, ele enxerga a IA não apenas como uma ferramenta de eficiência, mas um instrumento de conformidade e gestão de risco. “A tecnologia permite atender às exigências regulatórias sem comprometer a velocidade e a escala das operações”, afirma.
De acordo com o executivo, a mensagem para o setor é clara: o Brasil já entrou na fase de implementação real da IA. E isso tende a se intensificar ao longo de 2026.
Isso porque com um agronegócio altamente competitivo, orientado à exportação e pressionado por eficiência, a adoção estratégica da IA deixa de ser opcional. “O Brasil tem uma vantagem: escala, complexidade e pressão competitiva. Isso acelera a adoção de tecnologias que realmente geram valor”, afirma.
Para o especialista, a “segunda onda” da IA representa mais do que uma evolução tecnológica. Trata-se de uma mudança estrutural no modelo de operação do agronegócio.
O campo brasileiro já é referência global em produtividade. Agora, o diferencial passa a ser outro: a inteligência na gestão de dados. Nesse novo cenário, quem dominar a informação dominará o mercado.
O agronegócio brasileiro está à frente da chamada “segunda onda” da inteligência artificial. Essa é a opinião do gerente regional da ELO Digital Office Espanha, Rodny Coronel. Segundo, a ferramenta já tem ganhado contornos mais concretos e imediatos no país.
“O agronegócio brasileiro não está mais testando IA. Está começando a incorporá-la nos processos-chave, e isso muda completamente o jogo competitivo”, afirma.
De acordo com estudo da empresa de software, cerca de 40% das empresas brasileiras já adotam ferramentas de inteligência artificial, o que coloca o Brasil em linha com os mercados mais avançados da Europa. Nesta esfera, os impactos já são mensuráveis: 95% relatam aumento de receita e 96% ganhos de produtividade.
No agro, esses números se traduzem em eficiência operacional, maior controle de processos e capacidade ampliada de resposta às exigências de mercado, em especial em cadeias altamente reguladas, como soja e carne e na exportação dessas e de outras commodities.
Coronel ressalta que a digitalização de contratos agrícolas, a automação de pedidos de compra, a rastreabilidade documental e o uso de análise preditiva já fazem parte da rotina de grandes players e começam a se expandir para médias empresas. “O Brasil demonstra, na prática, como a IA pode sair do discurso e gerar resultado financeiro direto no agro”, destaca.
O que foi a ‘primeira onda’?
O especialista afirma que a primeira fase da transformação digital no agro brasileiro foi marcada pela digitalização de processos. Agora, com a IA, o setor evolui para um novo patamar: a inteligência operacional.
Aplicações como análise de linguagem natural e automação de fluxos de trabalho já impactam áreas críticas, incluindo compliance, gestão de fornecedores, certificações internacionais e controle de qualidade, considerados pontos sensíveis para empresas exportadoras.
Coronel afirma que no contexto brasileiro, onde a cadeia agroindustrial é extensa e fragmentada, a IA resolve um problema estrutural: a dispersão de informações.
“Do contrato com o produtor ao embarque no porto, há uma enorme quantidade de dados desconectados. A IA permite integrar, interpretar e ativar essas informações em escala”, detalha.
‘A segunda onda’
Agora, o onceito de “segunda onda” marca uma mudança estratégica. Se antes a IA era aplicada de forma pontual, como em ferramentas isoladas, agora o foco é a automação de ponta a ponta dos processos de negócio.
No agronegócio brasileiro, isso significa integrar a IA em toda a cadeia documental e operacional: desde o recebimento de insumos até a comercialização e exportação, passando por certificações, faturamento, logística e conformidade regulatória.
“A vantagem competitiva não está em automatizar tarefas, mas em orquestrar processos completos com IA”, resume o gerente regional da ELO Digital Office Espanha.
Para ele, esse ponto é decisivo, visto que embora a maioria das empresas já utilize IA em alguma função, poucas conseguem capturar valor financeiro relevante. As que conseguem são justamente aquelas que redesenham seus fluxos operacionais de forma integrada.
Gestão documental inteligente
Nesse cenário, a gestão documental deixa de ser uma função administrativa e passa a ocupar posição estratégica no agro brasileiro. Coronel destaca que algumas plataformas já permitem automatizar a captura de documentos, extrair dados com IA, gerenciar fluxos de trabalho dinâmicos e acessar informações por meio de linguagem natural.
“O ganho é direto: processos que levavam dias passam a ser concluídos em horas, com total rastreabilidade”, conta.
Para o agronegócio, isso impacta diretamente operações como a gestão de contratos com produtores, cooperativas e tradings, o controle de certificações e exigências internacionais, a integração com sistemas ERP e CRM, a otimização de compras e vendas e a redução de erros operacionais e riscos regulatórios.
“Em um setor de margens pressionadas e alta complexidade operacional, esses ganhos são decisivos”, defende o especialista.
Pressão regulatória
Coronel visualiza que o ambiente regulatório global, especialmente para exportações, impõe desafios adicionais ao agro brasileiro. Rastreabilidade, compliance ambiental e segurança de dados são cada vez mais exigidos por mercados internacionais.
Nesse contexto, ele enxerga a IA não apenas como uma ferramenta de eficiência, mas um instrumento de conformidade e gestão de risco. “A tecnologia permite atender às exigências regulatórias sem comprometer a velocidade e a escala das operações”, afirma.
De acordo com o executivo, a mensagem para o setor é clara: o Brasil já entrou na fase de implementação real da IA. E isso tende a se intensificar ao longo de 2026.
Isso porque com um agronegócio altamente competitivo, orientado à exportação e pressionado por eficiência, a adoção estratégica da IA deixa de ser opcional. “O Brasil tem uma vantagem: escala, complexidade e pressão competitiva. Isso acelera a adoção de tecnologias que realmente geram valor”, afirma.
Para o especialista, a “segunda onda” da IA representa mais do que uma evolução tecnológica. Trata-se de uma mudança estrutural no modelo de operação do agronegócio.
O campo brasileiro já é referência global em produtividade. Agora, o diferencial passa a ser outro: a inteligência na gestão de dados. Nesse novo cenário, quem dominar a informação dominará o mercado.
A produção brasileira de soja para a safra 2025/26 deverá alcançar 178,11 milhões de toneladas, segundo estimativa da consultoria Safras & Mercado. O volume representa um crescimento de 3,7% em relação ao ciclo anterior, que totalizou 171,84 milhões de toneladas, consolidando um novo recorde nacional.
O avanço é sustentado tanto pela expansão da área plantada, estimada em 48,48 milhões de hectares, alta de 1,8%, quanto pelo aumento da produtividade média, que deve passar de 3.625 para 3.692 quilos por hectare.
De acordo com o analista Rafael Silveira, apesar de ajustes pontuais em algumas regiões, o cenário geral segue consistente e confirma o Brasil como principal fornecedor global da commodity. As revisões mais recentes refletem o avanço da colheita, que já ultrapassa 90% da área cultivada.
No Rio Grande do Sul, houve novo corte na estimativa de produção, agora projetada em 20,2 milhões de toneladas, devido à restrição hídrica durante o verão, que limitou o potencial produtivo. Ainda assim, o impacto foi menor do que o registrado em 2025.
Em contrapartida, o Centro-Oeste apresenta resultados positivos. Mato Grosso mantém uma safra robusta de 49,6 milhões de toneladas, enquanto Mato Grosso do Sul deve atingir um recorde de 16,7 milhões de toneladas, beneficiado por condições climáticas favoráveis.
No Sudeste, Minas Gerais também se destaca, com produção estimada em 9,8 milhões de toneladas e elevada produtividade. Já na região do Matopiba, o cenário permanece favorável, com ajustes positivos na Bahia e poucas mudanças no volume total previsto.
Ribeirão Preto (SP) recebe, no dia 26 de abril, o Agrotalk Show, encontro que reúne lideranças do agronegócio, da política e da economia para discutir o papel do setor no desenvolvimento do país. O evento acontece na semana que antecede a Agrishow e deve antecipar temas que estarão no centro das discussões do agro nos próximos dias.
O fórum principal terá como tema “Soberania Econômica e Transformação Estratégica: o agro liderando a construção do novo Brasil”. A proposta é analisar o setor como parte estruturante da economia brasileira e sua inserção em cadeias produtivas globais.
Segundo a organização, a programação busca integrar diferentes áreas, ampliando o debate além da produção agrícola. A iniciativa reúne representantes também do esporte, turismo e automobilismo, em um esforço de conectar o agronegócio a outros segmentos econômicos.
Entre os participantes confirmados estão o ex-ministro de Minas e Energia Adolfo Sachsida e a pesquisadora Mariângela Hungria, reconhecida internacionalmente por suas contribuições à agricultura.
Evento antecipa discussões da Agrishow
O Agrotalk Show será realizado no FBF Collezione, espaço que abriga uma coleção de carros antigos em Ribeirão Preto. O ambiente foi escolhido para combinar conteúdo e experiência em um mesmo local, com foco em convidados e lideranças estratégicas.
A realização ocorre poucos dias antes da Agrishow, considerada uma das principais feiras de tecnologia agrícola do mundo. Por isso, o encontro deve funcionar como um termômetro das pautas que devem ganhar força durante o evento.
Agro no centro das discussões nacionais
A proposta do Agrotalk Show é reforçar o papel do agronegócio nas discussões econômicas e políticas do país. Em um cenário de eventos relevantes, como eleições e competições internacionais, o setor é apontado como estratégico para o Brasil.
Dados do setor ilustram essa relevância. Um exemplo citado pela organização é o mercado de suco de laranja: a cada dez copos consumidos durante uma Copa do Mundo, oito têm origem no Brasil.
Plataforma amplia integração entre setores
O Agrotalk Show faz parte de uma plataforma mais ampla de encontros e iniciativas voltadas à conexão entre diferentes áreas da economia. O projeto surgiu a partir do Agrotalk Meeting e inclui também os programas Agrotalk Business e Agrotalk Mind.
As ações têm como foco a troca de conhecimento, o fortalecimento de relações institucionais e a geração de negócios, reunindo lideranças políticas, empresariais e formadores de opinião em eventos estratégicos.
Com apoio de entidades do setor e do governo paulista, o encontro reforça a tendência de ampliar o diálogo entre o agronegócio e outras áreas, em um momento de transformações no cenário econômico nacional e internacional.
O Giro do Boi destacou nesta quarta-feira (22) o grande potencial da irrigação para transformar a produtividade do agronegócio brasileiro. Segundo Fernando Mendonça, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (ESALQ-USP), a adoção de sistemas de irrigação não é apenas uma alternativa para enfrentar a seca, mas o caminho definitivo para verticalizar a produção.
De acordo com o especialista, a tecnologia permite que a produtividade por área seja de duas a quatro vezes superior ao sistema de sequeiro, consolidando a irrigação como uma ferramenta estratégica para a modernização das pastagens tropicais.
O dado mais impactante apresentado por Mendonça revela a ineficiência do uso atual das terras no Brasil devido à baixa adoção tecnológica. Se todo o rebanho brasileiro fosse criado em sistemas irrigados, ele ocuparia menos de 20 milhões de hectares, enquanto a pecuária atualmente utiliza mais de 150 milhões de hectares.
Confira:
Potencial de crescimento da irrigação
O Brasil possui cerca de 8 milhões de hectares irrigados, mas o potencial de crescimento é de 55 milhões de hectares, sendo que 26 milhões destes estão em áreas de pastagens. Atualmente, apenas cerca de 100 a 120 mil hectares de pastagens são irrigados no país, um número considerado “infinitamente insignificante” diante das oportunidades de ganho de produtividade.
Diferente do que muitos pensam, a irrigação atua como um seguro produtivo durante todo o ano, e não apenas nos meses sem chuva. A tecnologia protege a produção contra faltas de chuva repentinas durante o período das águas, mantendo o crescimento do capim constante. Além disso, o pecuarista que irriga elimina a dependência da chuva para aplicar fertilizantes nitrogenados, como a ureia, maximizando o aproveitamento dos nutrientes.
Em sistemas intensivos irrigados, a capacidade de suporte pode saltar de 1 ou 2 Unidades Animal por hectare (UA/ha) para até 12 a 15 UA/ha. O Brasil é referência no uso de sistemas de alta eficiência, que garantem que a água chegue ao destino com o menor desperdício possível. O uso de pivô central para grandes áreas e o gotejamento subterrâneo, que leva água direto à raiz, são tendências fortes para 2026.
Fernando ressalta que a irrigação é uma tecnologia de “meio para frente”. Primeiro, o produtor deve corrigir o solo e garantir genética de ponta, tanto de forragem quanto de rebanho, para que a planta e o animal consigam responder ao investimento. O investimento costuma se pagar entre 2 e 6 anos. Em pequenas propriedades de leite, irrigar apenas 10% da área já é suficiente para transformar o resultado financeiro.
Com o cenário climático de 2026 exigindo cada vez mais resiliência, a irrigação oferece a estabilidade necessária para a produtividade de alta performance. Como resumiu o professor Mendonça, o Brasil possui terra e água em abundância, mas precisa converter esse potencial em infraestrutura e manejo para elevar o patamar da pecuária nacional.
Minas Gerais vive um momento positivo na produção de ovos, destacando-se como o segundo maior produtor do Brasil, superando o Paraná. Os investimentos na atividade e a busca por práticas mais sustentáveis têm impulsionado o crescimento do setor.
Crescimento da produção
O estado registrou um aumento significativo na produção, com um crescimento de cerca de 8% em 2025, enquanto a média nacional foi de 5,6%. Isso demonstra a importância de Minas Gerais na agricultura de postura.
Exportações em alta
Minas Gerais também se destaca nas exportações, ocupando a terceira colocação no Brasil. Nos primeiros meses de 2025, as exportações de ovos cresceram 15,7%, totalizando 1.000 toneladas embarcadas.
Expectativas para o futuro
A expectativa para 2026 é de um crescimento de 2,5% na produção, conforme projeções da CONAB. O aumento no consumo de ovos, considerado um alimento saudável e completo, contribui para um mercado promissor.
Minas Gerais é o segundo maior produtor de ovos do Brasil.
Crescimento de 8% na produção em 2025.
Exportações de ovos aumentaram 15,7% nos primeiros meses do ano.
Expectativa de crescimento de 2,5% na produção para 2026.
O comitê de sustentabilidade da Sociedade Rural Brasileira (SRB) promoveu, na manhã de hoje, um debate sobre a regulamentação do mercado de carbono brasileiro. O encontro teve como objetivo mapear as oportunidades e desafios desse mecanismo econômico que abrange diversos setores.
Resultados do debate
Eduardo Bastos, CEO do Instituto Equilíbrio, destacou que o saldo da reunião foi positivo, especialmente pela presença de representantes do Ministério da Fazenda e da Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono. Ele enfatizou a importância de entender as próximas etapas do mercado regulado e a necessidade de integrar o agro à agenda ambiental.
Papel da SRB
Marissa Vilela, coordenadora do comitê de sustentabilidade da SRB, ressaltou que a construção do mercado regulado de carbono é complexa, exigindo metodologias reconhecidas para a medição e verificação das emissões. Ela mencionou que a Lei 15.042, que entra em vigor em 2024, estabelece prazos para a definição das normas necessárias até 2026.
Desafios e oportunidades
A velocidade da implementação de boas práticas agrícolas é um dos principais obstáculos.
O financiamento de práticas sustentáveis é vital para acelerar a transição no setor.
Práticas como o plantio direto e a integração lavoura-pecuária-floresta podem gerar créditos de carbono.
A aproximação entre o Ministério da Fazenda e o setor agrícola é fundamental para trazer mais recursos.
O processo para gerar créditos de carbono traz benefícios como aumento de produtividade e acesso a mercados especiais.
O debate continuará, com o objetivo de trazer mais informações e promover a integração entre o setor agropecuário e as políticas ambientais.
O plenário da Câmara dos Deputados está concentrado na discussão do projeto de lei que cria a política nacional de minerais críticos e estratégicos. A proposta, que é considerada sensível por envolver a política industrial e de mineração do país, inclui incentivos fiscais e benefícios para setores estratégicos.
Pontos principais do projeto
Inclusão do setor em regime especial de incentivos para desenvolvimento da infraestrutura.
Benefícios fiscais para reduzir custos em setores como energia, transporte, exportos, saneamento e irrigação.
Tratamento de substâncias como terras raras, essenciais para tecnologias como carros elétricos e turbinas eólicas.
Discussão no plenário
O deputado Arnaldo Jardim, relator da proposta, destacou a importância da inclusão de fertilizantes, como nitrogenados, fosfatados e potássicos, na lista de minerais críticos. Essa inclusão visa incrementar a produção desses insumos fundamentais para o setor agropecuário.
Próximos passos
A proposta será discutida no plenário da Câmara a partir das 14 horas, com a expectativa de que o governo apresente observações relevantes. O andamento do projeto é considerado crucial para o futuro da política mineral no Brasil.