Contando com importantes discussões técnicas e científicas, o 14º Congresso Nacional de Pesquisa do Feijão (Conafe) encerrou a sua programação nesta sexta-feira (29). O evento, referência nacional no âmbito dos estudos sobre a cultura do feijão, começou na última quarta-feira (27), na Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves (CAMG), em Belo Horizonte. A realização é da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), com apoio da Embrapa Arroz e Feijão.
Nesta edição, o congresso ampliou as discussões ao destacar o feijão como alimento promotor da saúde, norteando debates que conectaram desde o melhoramento genético até os impactos diretos no bem-estar do consumidor final.
“O nosso tema central está muito ligado ao que é considerado um dos maiores desafios da cultura, a diminuição no consumo. Em função disso, buscamos, no 14º Conafe, ter uma diversidade de discussões. Falamos de produção, da confecção dos pratos e intimamente do campo, tratando ao máximo aspectos que perpassam por esse recuo”, ressaltou Fábio Aurélio Martins, pesquisador da Epamig e um dos organizadores do evento.
Segundo Fábio, a pluralidade de participantes e palestrantes, vindos de diferentes localidades, foi, também, um fator agregador para os debates.
“O feijão é um alimento essencial para a África e para o mundo. Sou grato pelos aprendizados adquiridos no evento sobre essa cultura. Também agradeço a oportunidade de estar no Brasil e estudar em um país que representa tanta esperança no campo da agricultura”, afirmou Covenant Lje Egbaji, da Nigéria, estudante da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF).
Durante o último dia do evento, os participantes acompanharam os painéis temáticos 6 e 7, que abordaram aspectos como políticas públicas, agricultura familiar, sistemas de cultivo e o cenário da produção de sementes.
Ao longo dos três dias, o público também pôde visitar a área de apresentação de trabalhos científicos, com estudos submetidos por pesquisadores e estudantes de diferentes instituições, previamente avaliados pela Comissão Científica do evento.
Para Trazilbo de Paula, diretor de Pesquisa e Inovação da Epamig, o evento cumpre, mais uma vez, o seu papel de conectar diferentes atores da cadeia produtiva do feijão.
“Tivemos conexões e ensinamentos voltados à importância do feijão na saúde humana. Além disso, vimos como o tema “produção” ganha destaque, despertando o interesse de melhoristas, estudantes, pesquisadores e agricultores que passaram pelo evento”, enfatiza.
“Diante das discussões, percebemos como todos esses aspectos, que já estão sendo tratados nos últimos anos, ganham um realce novo, a partir de experiências adquiridas pelos novos pesquisadores e instituições tradicionais”, acrescenta.
O encerramento do evento contou ainda com a premiação dos melhores trabalhos científicos e homenagens aos profissionais e instituições que contribuíram para a realização do congresso.
A 14º edição do Conafe contou com o patrocínio de Bayer, Crescent Seeds, Syngenta e apoio institucional do Sistema Ocemg.
O governo dos Estados Unidos propôs a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, mas parte importante do agronegócio ficou de fora da medida. A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (1º) pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), que concluiu uma investigação comercial aberta contra o Brasil em 2025.
Apesar do endurecimento nas relações comerciais entre os dois países, o documento divulgado pelos norte-americanos prevê uma lista de exceções que inclui diversos produtos ligados ao agro brasileiro, como carnes, frutas, café, chá, cereais, sementes, frutos oleaginosos, plantas medicinais, além de fertilizantes.
Segundo o USTR, a proposta ainda será submetida a consulta pública antes da adoção das medidas definitivas. O prazo legal para a implementação das chamadas “medidas corretivas” termina em 15 de julho de 2026.
Investigação mira práticas comerciais do Brasil
A investigação foi aberta em julho de 2025 por determinação do presidente Donald Trump, com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. O relatório final aponta que políticas e práticas brasileiras seriam “irrazoáveis” e estariam restringindo o comércio norte-americano.
Entre os principais pontos criticados estão questões ligadas ao comércio digital, funcionamento do Pix, proteção de propriedade intelectual, combate à corrupção, desmatamento ilegal e acesso ao mercado de etanol.
No caso do etanol, os EUA alegam que o Brasil deixou de oferecer tratamento tarifário equilibrado ao combustível americano desde 2017. Já sobre o desmatamento, o relatório afirma que o país possui legislação ambiental, mas falha na aplicação efetiva das regras.
Agro escapa de parte das tarifas
Mesmo com a proposta de sobretaxa generalizada, a exclusão de itens agrícolas foi interpretada como um sinal de cautela dos EUA diante da relevância do Brasil no fornecimento global de alimentos e matérias-primas.
Além dos produtos do agro, também ficaram de fora aeronaves e peças de aeronaves, terras raras, produtos farmacêuticos, químicos orgânicos e materiais informativos.
A avaliação é que a retirada de produtos agrícolas da lista ajuda a evitar impactos mais severos sobre cadeias produtivas estratégicas e sobre a inflação de alimentos nos próprios Estados Unidos.
Negociações continuam sem avanço
A decisão do USTR ocorre em meio às negociações entre Brasil e Estados Unidos para tentar evitar novas barreiras comerciais. Um grupo de trabalho foi criado após encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizado em maio deste ano na Casa Branca.
Apesar das conversas recentes, integrantes das negociações afirmaram que ainda não houve avanços suficientes para encerrar o impasse comercial entre os dois países.
A terça-feira (2) será marcada por chuva forte em áreas do litoral do Sudeste e do Nordeste, enquanto a região Sul segue sob influência de uma massa de ar frio, com possibilidade de geada em pontos de serra entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Sul
O tempo permanece firme na maior parte dos estados. Apenas áreas do litoral do Paraná, faixa litorânea de Santa Catarina e litoral norte gaúcho seguem com previsão de chuva fraca a moderada ao longo do dia por causa da circulação de umidade vinda do oceano. Também há chance de chuva isolada no litoral médio do Rio Grande do Sul.
Nas demais áreas da região, o predomínio é de sol entre poucas nuvens. As temperaturas seguem baixas durante a madrugada e o início da manhã, principalmente nas áreas de serra e no interior gaúcho e catarinense. Segundo a Climatempo, há possibilidade de geada pontual entre as serras dos dois estados.
Ainda no Rio Grande do Sul, a atuação de uma massa de ar polar mantém o tempo agradável ao longo do dia. As rajadas de vento podem variar entre 40 e 50 km/h em áreas do sul, sudeste, litoral e interior do estado.
Sudeste
A combinação entre ventos úmidos vindos do oceano e a atuação de um cavado meteorológico favorece a formação de chuva moderada a forte em diferentes áreas da região. Os maiores acumulados devem ocorrer no litoral e sul de São Paulo, onde a infiltração marítima mantém o tempo carregado ao longo do dia.
Também há previsão de chuva mais intensa entre o litoral e interior do Rio de Janeiro, Espírito Santo e áreas da Zona da Mata e interior de Minas Gerais. Já no restante da região, o tempo segue mais estável, com sol entre nuvens.
As temperaturas permanecem mais baixas no centro-sul paulista, Rio de Janeiro, sul capixaba e sul mineiro devido à maior cobertura de nuvens e à entrada de ar frio. Em contrapartida, o extremo noroeste paulista e o Triângulo Mineiro seguem com baixa umidade relativa do ar, que pode ficar abaixo dos 30% durante a tarde.
Centro-Oeste
O tempo firme predomina em Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal e grande parte de Mato Grosso do Sul. O sol aparece entre poucas nuvens e as temperaturas continuam elevadas durante a tarde.
Apenas pontos isolados do leste de Goiás podem registrar chuva fraca e passageira devido ao calor e à presença de umidade. A umidade relativa do ar segue baixa em diversas áreas da região, especialmente no interior de Mato Grosso e Goiás.
Nordeste
A faixa litorânea continua com chuva frequente por causa da umidade vinda do oceano. Os maiores acumulados devem ocorrer entre Salvador e o sul da Bahia, além do litoral de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.
Há risco de temporais entre o litoral norte baiano e a região de Ilhéus, além da faixa litorânea do Maranhão e do litoral norte de Pernambuco. Já no interior nordestino, o tempo segue seco e quente, com umidade abaixo dos 30% em áreas do oeste e norte da Bahia, sul do Piauí e centro-sul do Maranhão.
Norte
A região Norte continua concentrando as instabilidades mais expressivas do país. A combinação entre calor, umidade elevada e a atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) favorece pancadas fortes de chuva em Roraima, Amapá, Amazonas e Pará.
Segundo a Climatempo, há risco de temporais no sul de Roraima, nordeste amazonense e no noroeste e litoral do Pará. Em alguns municípios, os acumulados podem provocar transtornos localizados.
Já Acre, Rondônia, Tocantins e o extremo sul do Amazonas e do Pará seguem com tempo mais firme e predomínio de sol. Em grande parte do Tocantins, a umidade relativa do ar também pode ficar abaixo dos 30%.
Programa Patrulha Rural contempla Buritizal, Cristais Paulista, Itirapuã e Jeriquara com entrega de tratores e motoniveladoras em pacote de anúncios do governo paulista para a região
Nesta quinta-feira (28/05), durante a Caravana 3D em Franca, o Governo de SP, por meio da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, realizou a entrega de máquinas agrícolas para municípios da Região Administrativa de Franca. Ao todo, serão destinados cerca de R$ 1,8 milhão em investimentos, contemplando tratores e motoniveladoras para quatro municípios da região.
A iniciativa é fruto de convênios assinados por meio do programa Patrulha Rural, voltado ao fortalecimento da infraestrutura e da produção no campo por meio da entrega de máquinas e equipamentos agrícolas aos municípios paulistas.
Entre os municípios beneficiados estão Buritizal, que recebeu um trator com investimento de cerca de R$ 200 mil, Cristais Paulista, contemplado com uma motoniveladora e um trator, em investimentos que somam aproximadamente R$ 708 mil, Itirapuã, que também recebeu uma motoniveladora e um trator, totalizando cerca de R$ 708 mil, além de Jeriquara, beneficiado com um trator no valor aproximado de R$ 200 mil. Ao todo, os investimentos destinados à região somam cerca de R$ 1,8 milhão, com foco no fortalecimento da infraestrutura rural e na ampliação do apoio aos municípios paulistas.
“Esses maquinários têm impacto direto na vida de quem vive e produz no campo. Estradas rurais em melhores condições significam mais segurança, mais eficiência no escoamento da produção, menos custo para o produtor e melhores condições de acesso para famílias, estudantes, transporte de pacientes e serviços públicos no meio rural. É um investimento que fortalece a produção agropecuária, mas também melhora a cidadania e a qualidade de vida no campo”, destacou o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Geraldo Melo Filho.
Patrulha Rural
Desde 2023, o Governo de São Paulo já investiu cerca de R$ 240 milhões no programa Patrulha Rural, com a entrega de aproximadamente 640 máquinas e equipamentos agrícolas para mais de 340 municípios paulistas, ampliando a capacidade operacional das prefeituras e fortalecendo o atendimento ao produtor rural.
O objetivo do programa é ampliar a capacidade das prefeituras na manutenção de estradas rurais, apoio logístico ao produtor e execução de serviços que favoreçam o escoamento da produção agropecuária, especialmente para pequenos e médios produtores rurais.
Caravana 3D
A Caravana 3D é uma iniciativa do Governo de São Paulo que percorre as regiões do estado para levar políticas públicas com foco nos três pilares da gestão: desenvolvimento, dignidade e diálogo. A proposta é fortalecer a articulação com os municípios, promovendo entregas e investimentos que considerem as necessidades locais e contribuam para a melhoria da qualidade de vida da população. A ação já passou pelo ABC, Alto Tietê, Ribeirão Preto, Campinas, Vale do Paraíba, São José do Rio Preto, Araçatuba, Marília, Sorocaba, Presidente Prudente e Itapeva.
A Caravana reforça o compromisso do governo paulista com uma atuação mais próxima e integrada, baseada na escuta do cidadão e no diálogo com lideranças locais. Em cada etapa, são realizadas visitas aos municípios e anúncios de ações concretas nas áreas de saúde, educação, habitação, infraestrutura e segurança.
Contratos futuros recuaram nesta segunda-feira (1º), enquanto o mercado interno segue firme diante da baixa liquidez e da escassez de trigo disponível para comercialização
O mercado do trigo encerrou a sessão desta segunda-feira (1º) em baixa na Bolsa de Chicago. A pressão veio principalmente da evolução favorável das lavouras nos Estados Unidos, do avanço da colheita em importantes regiões produtoras do Hemisfério Norte e de movimentos técnicos dos fundos de investimento.
No fechamento, o contrato julho/26 foi cotado a 608,6 cents por bushel, com recuo de 16 pontos. O setembro/26 encerrou a sessão a 621,2 cents por bushel, queda de 22 pontos. Já o dezembro/26 fechou em 640,4 cents por bushel, baixa de 24 pontos.
Segundo análises divulgadas ao longo do dia, o mercado acompanhou previsões climáticas favoráveis para áreas produtoras norte-americanas, fator que reduz preocupações com a oferta da nova safra e contribui para pressionar as cotações internacionais. Além disso, a competitividade do trigo da região do Mar Negro continua sendo um elemento importante para limitar avanços mais expressivos em Chicago.
Apesar da retração externa, o cenário brasileiro segue apresentando fundamentos distintos. De acordo com análise da Safras & Mercado, maio terminou com preços firmes no mercado doméstico, mesmo diante da baixa liquidez dos negócios. A consultoria destaca que a oferta disponível continua restrita, enquanto produtores permanecem cautelosos nas negociações.
A sustentação dos preços internos também está relacionada à necessidade de abastecimento dos moinhos e à limitada disponibilidade de trigo de qualidade no Mercosul. O mercado segue acompanhando o desenvolvimento da nova safra brasileira, especialmente nas regiões produtoras do Sul do país, onde as condições climáticas continuam sendo determinantes para o potencial produtivo.
Outro fator observado pelos agentes do setor é a evolução da safra argentina. O país permanece como principal fornecedor externo do cereal para o Brasil, e qualquer alteração nas perspectivas de produção ou exportação influencia diretamente a formação de preços no mercado nacional.
Com a semeadura avançando no Sul do Brasil e os estoques remanescentes da safra passada cada vez mais ajustados, o mercado deve continuar acompanhando de perto as condições climáticas, o comportamento da demanda industrial e as oscilações das bolsas internacionais nas próximas semanas.
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A proposta foi lançada pela pesquisadora Mariangela Hungria – Foto: Pixabay
A redução da densidade de plantas na soja voltou a ganhar espaço no debate sobre custos de produção. A ideia é testar, em condições reais de lavoura, se populações menores podem manter a produtividade e, ao mesmo tempo, diminuir gastos com sementes e insumos usados na semeadura.
A proposta foi lançada pela pesquisadora Mariangela Hungria, da Embrapa Soja, que defende a realização de um grande ensaio nacional com a participação de produtores. Reconhecida internacionalmente, premiada em nível mundial e apontada pela Times como uma das pessoas mais influentes do mundo, ela afirma que os resultados desse trabalho não tiveram a visibilidade esperada quando os insumos eram mais abundantes e baratos.
O estudo citado por Mariangela avaliou soja inoculada com Bradyrhizobium elkanii em diferentes densidades de plantas. O material mostra que, em densidades menores, há menos competição por luz e maior disponibilidade por planta. Essa condição favorece a fotossíntese, aumenta a oferta de carbono para os nódulos e estimula a fixação biológica de nitrogênio.
Nos ensaios, a redução da densidade não significou, na maior parte dos casos, perda de produtividade. A produção de grãos foi semelhante entre as densidades avaliadas, com exceção da menor população, de 40 mil plantas por hectare, que apresentou redução de produtividade e alterações no teor de proteína e óleo dos grãos.
A leitura do estudo é que a soja consegue ajustar a fotossíntese e a fixação biológica de nitrogênio para compensar reduções moderadas na densidade de plantas. Para Mariangela, o cenário atual de preços e escassez de insumos torna o tema mais urgente. O desafio aos produtores é separar parcelas nas fazendas, comparar áreas, registrar as observações e enviar os resultados. Se a resposta for confirmada em larga escala, a prática pode representar uma mudança importante nos custos da semeadura.
Marcelo Abdo passa a integrar o Conselho e a representar a companhia institucionalmente
A Ourofino Agrociência anuncia uma evolução em sua estrutura de liderança dentro de um processo planejado de sucessão, alinhado às melhores práticas de governança corporativa e aos planos de crescimento sustentável da organização. A partir de 1º de junho de 2026, Alessandro Flamini assume oficialmente o cargo de CEO da empresa, enquanto Marcelo Abdo passa a atuar como Conselheiro Administrativo e Diretor Institucional.
A mudança reforça a continuidade da estratégia construída ao longo dos anos e representa mais um passo na consolidação institucional da Ourofino Agrociência, uma das mais tradicionais marcas do agronegócio brasileiro, que mantém o capital nacional em sua base de operação.
Com sede em Ribeirão Preto (SP), a Ourofino Agrociência conta atualmente com mais de 640 colaboradores, além de escritórios na Índia e China. Seu portfólio contempla soluções voltadas à proteção de cultivos estratégicos como soja, milho, cana-de-açúcar, algodão, café e citrus.
Em Uberaba (MG), a empresa mantém uma fábrica considerada uma das mais modernas do setor, com 50 mil metros quadrados, equipamentos automatizados e capacidade produtiva de 200 milhões de quilos/litros por ano. Também possui estações experimentais, a maior delas em Guatapará (SP), voltada à pesquisa e desenvolvimento de novas soluções agrícolas, com áreas credenciadas pelo Ministério da Agricultura (MAPA) para testes de eficácia, resíduo e fitotoxicidade.
A transição acontece em um cenário de expansão do portfólio e avanço da Ourofino Agrociência em inovação. Nos últimos anos, intensificou investimentos em tecnologias desenvolvidas para as condições da agricultura tropical, ampliando sua presença em culturas prioritárias do agronegócio brasileiro.
Desde 2011, Alessandro Flamini participa diretamente da construção da trajetória da companhia, tendo atuado nos últimos anos como diretor financeiro e, posteriormente, como CFO. Agora, após contribuir para o direcionamento estratégico do negócio, o até então vice-presidente assume o novo cargo, passando a ser o principal executivo da operação, responsável pela estratégia e pelo posicionamento da companhia junto a clientes, mercado, investidores e entidades de classe.
Formado em Administração de Empresas, Alessandro Flamini possui mais de 24 anos de experiência no agronegócio, com trajetória construída em companhias nacionais e multinacionais. Ao longo da carreira, atuou nas áreas financeira, administrativa e operacional, com experiência em planejamento estratégico, gestão de risco, controladoria, supply chain, inovação e tecnologia da informação. O executivo também cursou programas voltados à gestão de negócios e finanças.
“Recebo com grande responsabilidade o desafio de acelerar a nossa evolução e conduzir a Ourofino Agrociência para o futuro. Sempre preservando a nossa essência de uma empresa de origem brasileira, com entendimento real das necessidades do agricultor e foco na resolução desses desafios. Inovação, excelência operacional e proximidade com clientes e parceiros seguirão como pilares da nossa atuação, sempre com responsabilidade e visão de longo prazo”, afirma Alessandro Flamini.
Por sua vez, Marcelo Abdo passa a atuar de forma mais próxima ao Conselho de Administração, contribuindo estrategicamente em sua dinâmica e na representação institucional junto a órgãos governamentais e demais entidades ligadas ao setor agro, fortalecendo a credibilidade corporativa da companhia. “Essa transição é resultado de um processo sólido, estruturado e alinhado à maturidade que a Ourofino Agrociência alcançou ao longo de sua trajetória. Sinto-me honrado por fazer parte dessa história desde o início das operações da companhia e muito feliz em seguir contribuindo para o seu desenvolvimento como Conselheiro e Diretor Institucional, apoiando o avanço consistente e sustentável da empresa no setor”, destaca Marcelo Abdo.
A nova estrutura acompanha também os novos ciclos, sustentados pela robustez do portfólio, pelo fortalecimento do market share em culturas-chave e pelas metas estabelecidas para os próximos anos.
Fundada pelos empresários Norival Bonamichi e Jardel Massari, a Ourofino Agrociência consolidou, ao longo dos anos, parcerias internacionais de alto nível e participação relevante no mercado nacional de defensivos agrícolas. Com o propósito institucional “reimaginar a agricultura brasileira”, investe no desenvolvimento de tecnologias adaptadas às necessidades do produtor rural e aos desafios climáticos e agronômicos do país, priorizando aspectos como maior adesividade, tolerância às chuvas, fotoproteção, absorção e compatibilidade dos produtos no campo.
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A cultura da cevada deve registrar uma redução superior a 30% na área cultivada no Rio Grande do Sul na safra 2026. A informação consta no Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar na quinta-feira (28), que atribui a retração principalmente ao aumento da percepção de risco climático associado à possível atuação do fenômeno El Niño durante o inverno e a primavera.
Segundo a entidade, a diminuição da área ocorre mesmo com a manutenção da oferta de contratos vinculados à indústria cervejeira, tradicional destino da produção gaúcha. A expectativa é de que parte dos produtores opte por reduzir investimentos na cultura diante das incertezas climáticas para o próximo ciclo.
Apesar da perspectiva de retração no plantio, as áreas já implantadas apresentam bom desempenho. Conforme o levantamento da Emater/RS-Ascar, o estabelecimento inicial das lavouras e o desenvolvimento vegetativo ocorrem dentro da normalidade, sem registros de problemas significativos até o momento.
A área total destinada à cultura em 2026 ainda está em fase de levantamento. Na safra de 2025, o Rio Grande do Sul cultivou 32.010 hectares de cevada, alcançando produtividade média de 3.622 quilos por hectare.
No mercado, o produto destinado à indústria de malte apresentou preço médio de R$ 80 por saca de 60 quilos na região de Erechim, de acordo com os dados de comercialização acompanhados pela Emater/RS-Ascar.
A combinação entre cautela dos produtores e incertezas climáticas deve seguir influenciando as decisões de plantio nas próximas semanas, enquanto o setor aguarda a consolidação das estimativas para a safra 2026.
Os mercados agrícolas iniciam a semana com movimentos mistos, em um ambiente marcado por fatores climáticos, geopolíticos e ajustes técnicos nas bolsas internacionais. Segundo a TF Agro Econômica, na abertura dos mercados desta segunda-feira, trigo e soja operavam em alta em Chicago, enquanto o milho registrava leve queda.
No trigo, os contratos futuros avançavam após perdas relevantes na semana anterior. O vencimento julho de 2026 era cotado a US$ 614,00, com alta de 3,50 pontos, enquanto dezembro de 2026 subia para US$ 646,00. A recuperação tem apoio em movimentos de proteção técnica dos fundos e nas chuvas previstas para regiões produtoras de trigo de inverno nos Estados Unidos, cenário que pode atrasar a colheita. Ao mesmo tempo, as perspectivas favoráveis para a safra russa de 2026/2027, estimada por analistas privados em cerca de 90 milhões de toneladas, limitam ganhos mais fortes. No Brasil, os preços físicos no Paraná e no Rio Grande do Sul se aproximam, com diferença reduzida a R$ 26,37, favorecendo o trigo gaúcho.
Na soja, o mercado começou a semana em alta, com o contrato julho de 2026 em Chicago a US$ 1.192,00, avanço de 5,25 pontos. A reação acompanha o aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã e a valorização do petróleo, que voltou a influenciar o complexo de oleaginosas por meio da relação entre energia, biocombustíveis e óleo de soja. O óleo de soja julho subia para US$ 78,02, enquanto o farelo também avançava. Apesar disso, as condições climáticas nos Estados Unidos seguem majoritariamente favoráveis, sem ameaças relevantes às lavouras no curto prazo. A China permanece como ponto de atenção, diante da possibilidade de novas compras de soja norte-americana.
O milho, por sua vez, operava em leve baixa em Chicago, com julho de 2026 a US$ 446,00. As chuvas previstas para as Grandes Planícies Centrais dos Estados Unidos, a falta de novidades sobre compras chinesas e a incerteza sobre a aprovação do E-15 durante todo o ano pressionam as cotações. No Brasil, a consultoria avalia que os preços ainda podem recuar até julho.
A agricultura brasileira possui cerca de 11 milhões de hectares irrigados, mas o potencial é de quintuplicar essa área, chegando a 55 milhões de hectares, conforme análise da Rede Nacional da Agricultura Irrigada (Renai).
Os números atualizam o último levantamento do Atlas de Irrigação da Agência Nacional de Águas (ANA), publicado em 2021 e que projetava que o país atingiria 10 milhões de hectares apenas em 2030.
Tal expansão antecipada tende a transformar o país em líder global de mercado nos próximos dez anos. A aposta é do CEO da Lindsay no Brasil, Claudio Lima. A empresa que comercializa em todos os continentes já enxerga o país como o seu principal polo de vendas do mundo em um futuro não tão distante por conta da ainda pequena quantidade de propriedades com pivôs e demais sistemas de irrigação de Norte a Sul.
“No estado do Paraná, por exemplo, grande produtor de soja, apenas 0,2% das lavouras são irrigadas. Já em Mato Grosso, líder do agronegócio nacional, esse percentual é de somente 2%, então existem possibilidades de enorme crescimento. A irrigação no Brasil ainda está engatinhando, mas certamente será a maior do mundo, algo que também ouvimos dos nossos concorrentes”, destaca.
Segundo ele, estudos da empresa mostram que o Brasil conta com, aproximadamente, 35 mil pivôs instalados, sendo que apenas no estado de Nebraska, nos Estados Unidos, berço da Lindsay e o terceiro maior produtor de milho daquele país, existem em torno de 75 mil.
Lima ressalta que, por enquanto, a principal operação da empresa é justamente o mercado norte-americano, responsável por cerca de 50% das receitas da companhia no globo. “Mas logo após os Estados Unidos, o Brasil já é a nossa operação internacional mais relevante.”
Já o conselheiro da Renai e pesquisador da Embrapa Cerrados, Lineu Neiva Rodrigues, ressalta que o motivo da disparidade entre o Brasil e as demais potências agrícolas quando o assunto é índice de irrigação reside no fato de, historicamente, a necessidade nunca ter sido tão premente quanto agora.
“Nossa produção em sistema de sequeiro costumava produzir bem em comparação com outros países, mas agora os sinais mostram que o clima está ficando mais incerto e a produção, mais instável. Diante desse contexto, a irrigação se torna o melhor ansiolítico para o produtor”, considera.
Aquecimento do mercado
É justamente a necessidade por mais estabilidade produtiva que tem levado ao aquecimento do mercado. O executivo da Lindsay conta que a rede de 22 distribuidores da companhia no Brasil nunca experimentou volume tão grande de procura em seus 24 anos de atuação no país.
“É certamente o período com o maior número de emissão de propostas para os clientes. Estamos, inclusive, enfrentando problemas com a falta de mão de obra porque o pivô não é um produto de prateleira, é um projeto que exige levantamento topográfico, licença ambiental, outorgas de águas”, declara.
De acordo com Lima, a empresa notou durante a 31ª Agrishow, que aconteceu entre 27 de abril e 1 de maio, que haviam mais visitantes interessados em tecnologias de irrigação. “Percebemos que os produtores que nos procuraram durante a feira estavam realmente entusiasmados, fazendo cálculos e buscando opções de crédito. Os agricultores que precisam semear em setembro ou outubro e estavam aguardando por uma redução da Selic não podem esperar mais, afinal, um projeto de irrigação precisa de tempo para a elaboração e instalação.”
Os números mostram que o setor vem, realmente, tendo desempenho superior ao de outros segmentos da indústria de máquinas, ou, melhor dizendo, “menos piores”. A Câmara Setorial de Equipamentos de Irrigação da Abimaq aponta que a venda de pivôs teve retração de aproximadamente 8% ao longo de 2025, enquanto outras áreas experimentaram queda de até 15%.
Na média do mercado, Lima conta que um grande pivô com cerca de 900 metros de vão e capaz de cobrir áreas de até 350 hectares, como os utilizados em Mato Grosso e na Bahia, o custo para o produtor gira em torno de R$ 22 mil reais por hectare. “Quanto maior a máquina e maior a área irrigada, menor o investimento em infraestrutura porque se dilui o custo da captação da água e da energia”, aponta.
Crescimento ano a ano
Rodrigues conta que levantamentos da Renai apontam que, atualmente, a média de incremento de área irrigada no Brasil gira entre 200 mil e 300 mil hectares ao ano.
“Uma boa margem seria de 400 mil hectares anuais, o que é possível em um futuro próximo. No entanto, acredito que a taxa de crescimento desse setor deve ser ditada não pelo mercado, mas pela sociedade porque é ela que precisa dizer o quanto de alimento precisamos”, considera.
Relatório de 2013 da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) já mostrava que a produção global de alimentos precisará crescer ao menos 70% até 2050 para garantir a segurança alimentar de uma população mundial projetada em cerca de 10 bilhões de habitantes.
“Hoje em dia já existem estudos que apontam que precisaremos aumentar a produção em 100%, ou seja, dobrar a quantidade de alimentos disponíveis. Apenas a irrigação nos permitirá alcançar essa marca de forma sustentável. Do contrário, só desmatando ou recuperando áreas degradadas, sendo que essa última alternativa, mesmo sendo ambientalmente correta, não garante estabilidade produtiva porque, de qualquer forma, o problema central é a falta de regularidade da chuva”, constata.
Rodrigues também salienta que cerca de 20% da área agrícola mundial é irrigada, sendo responsável por, aproximadamente, 40% dos alimentos consumidos em todo o globo.
Especificamente no Brasil, além da questão do crédito caro e dos juros altos, o especialista detalha que a estabilidade energética em regiões produtivas mais remotas e a legislação que dificulta a criação de barragens suficientes para o armazenamento de água são os principais empecilhos.
“No Brasil, temos medo de transportar água, sendo que é algo comum porque não é possível desenvolver uma região sem ela”, declara.
O pesquisador cita o caso do Vale de San Joaquin, na Califórnia, importante produtor de frutas, nozes, laticínios e vegetais dos Estados Unidos, como exemplo. Trata-se de uma extensa área plana de pântanos drenados e pradarias cultivadas no leste do estado, sendo considerada uma das regiões agrícolas mais produtivas do mundo, mas cujos poços também enfrentam períodos de seca. “Aquela região só existe porque transportaram água para lá. No Brasil, a transposição do [Rio] São Francisco deu muito trabalho, uma burocracia que se arrastou por décadas”, pontua.
De acordo com ele, a lei 9.433/1997, a Lei das Águas, peca em não enxergar o valor econômico e fonte de melhoria de vida das pessoas. “A nossa outorga é muito restritiva, a lei nos permite usar muito pouca água, um fator que dificulta bastante o crescimento de nossa agricultura irrigada.”
Por fim, Rodrigues acredita que há uma questão cultural que precisa ser remediada para que o país avance no setor. “O agricultor precisa olhar os sinais trazidos pelas mudanças climáticas, mas ele costuma demorar para perceber isso, para entender que as secas estão aumentando e ele está enfrentando mais problemas de quebra de safra. Toda vez que há uma grande quebra, o interesse pela irrigação aumenta, mas nessa hora já é tarde. É preciso planejar. O produtor está sempre atento, mas é muito reativo, enquanto precisa ser preventivo”.
Entretanto, o especialista acredita que à medida que o país tenha mais segurança jurídica, a tendência é que o agricultor adote mais a irrigação por enxergar nela sua única saída para a tão sonhada estabilidade produtiva.