segunda-feira, julho 6, 2026

Autor: Redação

AgroNewsPolítica & AgroSafra

Trigo recua em Chicago, mas segue sustentado por oferta global restrita


Mesmo com queda nos contratos futuros, fundamentos ainda dão suporte ao mercado; cenário exige atenção do produtor brasileiro à comercialização e custos de importação

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O mercado internacional de trigo encerrou o pregão desta quinta-feira (17), em queda na Bolsa de Chicago, com ajustes técnicos após recentes valorizações. Apesar do recuo, o cenário global ainda é de sustentação nos preços, o que mantém o alerta ligado para o produtor rural brasileiro.

No fechamento, o contrato de maio de 2026 foi cotado a US$ 5,91 por bushel, com recuo de 72 pontos. O vencimento julho de 2026 fechou a US$ 5,99 por bushel, também com baixa de 72 pontos. Para setembro de 2026, o contrato encerrou a US$ 6,11 por bushel, registrando queda de 64 pontos. 

O movimento negativo do dia está ligado principalmente à realização de lucros por parte dos investidores, após sessões consecutivas de alta. Esse tipo de ajuste é comum em mercados futuros e não altera, neste momento, os fundamentos mais amplos da commodity.

Segundo o analista e consultor de Safras & Mercado, Elcio Bento, o viés do mercado ainda é altista no médio prazo, sustentado por uma oferta global mais apertada e pela forte dependência de importação por países consumidores. Elcio destaca que problemas climáticos em regiões produtoras e limitações na expansão da área seguem no radar.

Para o Brasil, o cenário continua sensível. O país depende de importações, principalmente da Argentina, e qualquer oscilação em Chicago impacta diretamente a formação de preços internos. Mesmo com a queda desta sessão, o nível de preços ainda é considerado elevado.

Outro fator determinante é o câmbio. A valorização do dólar pode anular eventuais quedas externas, mantendo os custos altos para moinhos e pressionando toda a cadeia.

No campo, o produtor brasileiro precisa manter uma estratégia equilibrada. O momento pede atenção tanto às oportunidades de fixação de preços quanto aos riscos associados ao cenário internacional, que segue volátil.

O fechamento desta quinta-feira mostra que, embora o mercado tenha recuado no curto prazo, os fundamentos seguem firmes. Para o produtor rural, acompanhar Chicago continua sendo peça-chave para decisões mais assertivas na comercialização do trigo.





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Banco Central reduz Selic para 14,5% ao ano pela segunda vez seguida


Banco Central
Foto: Marcelo Casal Jr./Agência Brasil

Apesar das tensões em torno da guerra no Oriente Médio, o Banco Central (BC) cortou os juros pela segunda vez seguida. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Taxa Selic, juros básicos da economia, em 0,25 ponto percentual, para 14,5% ao ano. A decisão era esperada pelo mercado financeiro.

De junho de 2025 a março deste ano, a Selic ficou em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. O Copom voltou a cortar os juros na reunião passada, num cenário de queda da inflação. No entanto, a guerra no Oriente Médio, que se refletiu no aumento dos preços de combustíveis e de alimentos, dificulta o trabalho do Copom. 

O Copom estará desfalcado porque o mandato dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Paulo Pichetti, expirou no fim de 2025. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva até agora não encaminhou as indicações dos substitutos ao Congresso Nacional.

Na reunião deste mês, haverá mais um desfalque. Nesta terça-feira (28), o Banco Central anunciou que o diretor de Administração, Rodrigo Teixeira, se ausentará por causa do falecimento de um parente de primeiro grau.

Em nota, o Copom não deu pistas sobre a evolução dos juros. O texto informou que está monitorando a guerra no Oriente Médio e os efeitos de um possível prolongamento sobre a inflação.

“Nesse momento, as projeções de inflação apresentam distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária. Ao mesmo tempo, a incerteza acerca dessas projeções foi elevada consideravelmente, em função da falta de clareza sobre a duração dos conflitos e de seus efeitos sobre os condicionantes dos modelos de projeção analisados”, destacou o comunicado.

Inflação

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A prévia da inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) acelerou para 0,89% em abril. No acumulado de 12 meses, o índice acelerou para 4,37%, contra 3,9% em março.

Pelo novo sistema de meta contínua, em vigor desde janeiro de 2025, a meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior é 4,5%.

No modelo de meta contínua, a meta passa a ser apurada mês a mês, considerando a inflação acumulada em 12 meses. Em abril de 2026, a inflação desde maio de 2025 é comparada com a meta e o intervalo de tolerância. Em maio de 2026, o procedimento se repete, com apuração a partir de junho de 2025. Dessa forma, a verificação se desloca ao longo do tempo, não ficando mais restrita ao índice fechado de dezembro de cada ano.

No último Relatório de Política Monetária, divulgado no fim de março pelo Banco Central, a autoridade monetária elevou, de 3,5% para 3,6%, a previsão do IPCA em 2026, mas a estimativa será revista, por causa do comportamento do dólar e da inflação. A próxima edição do documento, que substituiu o antigo Relatório de Inflação, será divulgada no fim de junho.

As previsões do mercado estão mais pessimistas. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo BC, a inflação oficial deverá fechar o ano em 4,86%, acima do teto da meta, de 4,5%. Antes do início da guerra no Oriente Médio, as estimativas do mercado estavam em 3,95%.

Crédito menos caro

A redução da taxa Selic impulsiona a economia. Isso porque juros mais baixos barateiam o crédito e estimulam a produção e o consumo. Por outro lado, taxas menores dificultam o controle da inflação. No último Relatório de Política Monetária, o Banco Central manteve em 1,6% a previsão de crescimento da economia em 2026.

O mercado projeta crescimento um pouco melhor. Segundo a última edição do boletim Focus, os analistas econômicos preveem expansão de 1,85% do PIB em 2026.

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Ao reduzir os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação. Para cortar a Selic, a autoridade monetária precisa estar segura de que os preços estão sob controle e não correm risco de subir.

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CNA solicita redução da burocracia no crédito rural e mudanças em regras ambientais


Plano Safra da agricultura familiar será de R$ 77,7 bilhões; confira detalhes rural
Foto: Ministério da Agricultura

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) encaminhou propostas para o Plano Safra defendendo a redução da burocracia no acesso ao crédito rural e alterações em regras ambientais que, segundo a entidade, vêm dificultando o financiamento aos produtores.

Entre os principais pontos apresentados está a revisão de exigências consideradas entraves na liberação dos recursos, como mudanças recentes no Programa de Regularização Ambiental, que, na avaliação da CNA, têm restringido o acesso de produtores ao crédito.

A entidade argumenta que não é contrária às exigências ambientais, mas considera que obrigações relacionadas à fiscalização e regularização não devem ser transferidas às instituições financeiras, o que acaba ampliando a burocracia e atrasando a concessão de financiamentos.

“A questão do Prodes que recentemente foi alterado, o que tem dificultado o acesso aos produtores. Ninguém aqui é contra as questões ambientais. Só acreditamos que isso não deve ser imputado, um trabalho dos órgãos ambientais aos bancos”, destaca o diretor técnico da CNA, Bruno Lucchi.

Outro tema levado pela CNA ao governo é a situação de endividamento dos produtores rurais. A confederação defende ajustes em projetos de lei em tramitação para ampliar prazos, garantir fontes de recursos e permitir a recuperação financeira dos produtores.

“Temos aí um projeto de lei que está para ser votado, que precisa de algumas adequações, precisa realmente buscar fontes, adequar prazos para que o produtor possa recuperar a sua saúde financeira e aí sim aproveitar todos os benefícios do Plano Safra”, completa Lucci.

Segundo a CNA, essas medidas são fundamentais para que os agricultores consigam acessar os benefícios do próximo Plano Safra e tenham condições de manter os investimentos na produção.

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AgroNewsPolítica & Agro

Lista de peixes e invertebrados ameaçados de extinção é atualizada


A Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção para Peixes e Invertebrados Aquáticos foi atualizada nesta terça-feira (28). A revisão iniciada em 2024, incluiu novas 100 espécies e excluiu o mesmo número, mantendo 490 espécies classificadas.

Peixes, arraias, tubarões, estrelas-do-mar e mais centenas de espécies que vivem no continente e no mar brasileiro foram analisados em relação ao risco de extinção e, conforme a atual situação, foram classificados como Vulnerável (VU), Em Perigo (EN) e Criticamente em Perigo (CR).

Segundo o ministro de Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, a atualização é o resultado de uma robusta análise técnica para identificar a efetiva situação da fauna brasileira a partir de um esforço conjunto de governos, academia, sociedade civil e setor econômico.

“O objetivo, a partir desta iniciativa, é mobilizar ações para que as espécies atualmente pressionadas por diversos fatores tenham suas populações recuperadas”, reforça.

A nova lista substitui a versão de 2014 e foi revisada a partir de critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), adotados para a avaliação do tamanho das populações, distribuição geográfica, condições de conservação dos habitats e pressões como captura e poluição.

Além da lista, o Ministério do Meio Ambiente publicou também regras e restrições para proteção das espécies classificadas e recuperação de suas populações. São medidas como a proibição da captura, transporte, comercialização e armazenamento e, ainda, diretrizes para a elaboração de planos de recuperação.

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, já estão sendo revisados alguns planos de recuperação de espécies reclassificadas, como o pargo (Lutjanus purpureus), que passou de VU para EN, na lista.

Com o novo enquadramento, a espécie terá as medidas de proteção e manejo intensificadas com o objetivo de reduzir as pressões causadas pela sobrepesca e captura intensiva de indivíduos jovens.

Segundo Capobianco, esse é um esforço que terá gestão compartilhada como o Ministério da Pesca e Aquicultura, objetivando a recomposição das populações e a continuidade da atividade econômica.

“Quando falamos em sustentabilidade na pesca, falamos em garantir equilíbrio: proteger a espécie, respeitar a ciência e assegurar que a atividade pesqueira continue gerando alimento, renda e desenvolvimento para o Brasil. O pargo tem grande importância econômica, mas só haverá futuro para essa cadeia se houver responsabilidade no presente”, reforça o ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araujo.





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Escalas alongadas e menor capacidade de retenção seguem no foco do mercado do boi gordo


pará, boi, vaca louca - protocolo
Foto: Christiano Antonucci/Secom-MT

O mercado físico do boi gordo voltou a registrar tentativas de compra em patamares mais baixos nesta quarta-feira (29), refletindo a posição mais confortável das escalas de abate por parte dos frigoríficos. O movimento indica uma pressão mais recorrente sobre os preços, em linha com o comportamento sazonal do período.

De acordo com o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, a menor capacidade de retenção dos animais no campo, causada pela perda de qualidade das pastagens, segue como um dos principais fatores de pressão. Essa condição é mais evidente em estados como Goiás e Minas Gerais, enquanto Mato Grosso e regiões do Norte ainda apresentam pastagens mais vigorosas.

Outro ponto que permanece no radar é a progressão da cota chinesa, com expectativa de esgotamento em meados de junho, o que também influencia as estratégias do mercado.

Boi gordo no Brasil (preços):

  • São Paulo (SP): R$ 355,58 (modalidade a prazo)
  • Goiás (GO): R$ 340,89
  • Minas Gerais (MG): R$ 339,88
  • Mato Grosso do Sul (MS): R$ 350,34
  • Mato Grosso (MT): R$ 355,95

Atacado

No mercado atacadista, os preços permaneceram estáveis ao longo do dia. O ambiente de negócios ainda indica menor espaço para reajustes no restante do mês, refletindo o consumo mais fraco típico da segunda quinzena. Além disso, a carne bovina segue com menor competitividade frente a proteínas concorrentes, especialmente a carne de frango.

Os cortes seguem nos mesmos patamares, com o quarto dianteiro cotado a R$ 23,50 por quilo, o quarto traseiro a R$ 28,50 e a ponta de agulha a R$ 21,50 por quilo.

Câmbio

No câmbio, o dólar comercial encerrou o dia com alta de 0,39%, negociado a R$ 5,0014 para venda e R$ 4,9994 para compra, oscilando entre R$ 4,9793 e R$ 5,0138 ao longo da sessão.

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Futuro da alimentação global passa por produção sustentável e protagonismo brasileiro


Dia Mundial da Alimentação, alimentos, segurança alimentar
Foto: Freepik

Garantir alimento suficiente, acessível e produzido de forma sustentável para uma população global crescente é um dos maiores desafios da atualidade. Com cerca de 670 milhões de pessoas em situação de fome e mais de 2 bilhões vivendo algum grau de insegurança alimentar, o debate sobre segurança alimentar ganha cada vez mais urgência.

Além de aumentar a produção, especialistas defendem que será necessário ampliar a eficiência dos sistemas produtivos, reduzir desperdícios e investir em práticas sustentáveis.

Nesse cenário, o Brasil surge como protagonista, tanto pelo volume de alimentos que produz quanto pelo potencial de expandir a produção sem avançar sobre novas áreas.

“São nesses países, nessas nações, onde você tem a maior dependência de alimentos. Portanto, será obrigatório que esses países se desenvolvam também e passem a ter um agronegócio viável e sustentável. Nesse sentido, quem aprendeu a fazer isso no mundo foi o Brasil”, afirma o professor em agronegócio na Fecap, José Luiz Tejon.

Descarte de alimentos

Hoje, quase um terço de tudo o que é produzido no mundo não chega a ser consumido. Segundo estimativas da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), 13% dos alimentos se perdem entre a colheita e o varejo, enquanto outros 19% são descartados no consumo, em residências, restaurantes e supermercados.

Para especialistas, reduzir essas perdas é parte essencial da solução. A cadeia produtiva e o consumidor têm papel importante nesse processo, seja por meio da conscientização sobre o aproveitamento de alimentos, seja pela criação de alternativas para reutilizar produtos que perderam valor comercial, mas continuam próprios para o consumo.

“Maior parte desse desperdício, ela tá concentrada no consumidor e principalmente pela falta de conhecimento em relação ao que está se consumindo. Eu acho que também existem oportunidades de reutilização e reaproveitamento de produtos”, professor na Harven Agribusiness School, Vinícius Cambaúva.

De acordo com Cambaúva, algumas redes varejistas já adotam estratégias para reduzir o desperdício de alimentos, ajustando a comercialização conforme o estágio de conservação dos produtos.

Inicialmente, frutas, legumes e verduras são vendidos in natura, mas, à medida que avançam no processo de maturação e perdem atratividade para o consumidor, podem passar por um microprocessamento, sendo cortados e embalados para nova oferta.

Em estágios mais avançados, esses alimentos ainda podem ser aproveitados na produção de sucos, bebidas e outros itens processados, ampliando o aproveitamento e reduzindo perdas ao longo da cadeia.

População mundial

Atualmente, o planeta abriga cerca de 8,2 bilhões de pessoas e deve ultrapassar 9 bilhões nas próximas décadas, o que ampliará ainda mais a demanda por alimentos e a pressão sobre os sistemas produtivos.

Segundo a chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente, Paula Packer, o agro tem dado esses passos, um pouco mais lento em alguns setores e um pouco mais avançado em outros. Técnicas como agricultura de baixo carbono, uso de bioinsumos, sistemas integrados e manejo regenerativo do solo vêm ganhando espaço no campo

“Tudo isso hoje está em jogo para que realmente a agricultura do futuro seja a agricultura do Brasil. Não dá para pensar no verde se você estiver no vermelho, mas também tem um complemento. Se você não pensar no verde, você fica no vermelho”, alerta Packer.

Solo

Mesmo com o avanço da tecnologia, o campo segue com muitos desafios. O produtor lida com cenários de instabilidade que vão desde conflitos geopolíticos que afetam rotas comerciais e o custo de produção até eventos climáticos extremos, como secas e chuvas irregulares. Diante disso, é preciso se adaptar e é no solo que parte dessas soluções se constrói.

“Pela adoção das boas práticas, pela adoção da melhor genética, pela integração de um conjunto de soluções tecnológicas, nós podemos então trabalhar sistemas cujo o balanço de carbono é mais favorável comparativamente a outros sistemas que não adotam na plenitude essas boas práticas e essas tecnologias”, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, Clenio Pillon.

O solo é o ativo mais importante, um sistema vivo, dinâmico, onde diferentes organismos interagem e contribuem para uma produção de alimentos mais eficiente.

Agricultura regenerativa

A agricultura regenerativa tem se mostrado uma ferramenta importante para reduzir perdas e aumentar a resiliência das lavouras diante das adversidades climáticas

“A agricultura regenerativa está evitando você de perder no futuro. E isso já é perceptível em uma fazenda que aplica a prática para uma que não aplica. O jeito talvez de engajar o vizinho que não aplica é quando ele vê um veranico e vê que o milho do outro vizinho germinou, não perdeu produtividade e ele perdeu 50% da lavoura”, destaca a head de agricultura regenerativa da Nestlé Brasil, Bárbara Sollero.

Na agricultura regenerativa, cada planta utilizada no sistema desempenha uma função específica que contribui para a saúde do solo e para o aumento da produtividade.

Ao aproveitar essa inteligência natural de forma estratégica, o produtor consegue melhorar a fertilidade do solo, aumentar a resiliência da lavoura e sustentar altos níveis de produtividade, mesmo em cenários desafiadores.

“Temos cinco biomas, diferentes tipos de solo, diferentes tipos de clima. Lá fora, plantio direto, ninguém sabe o que é. Quando você fala de bioinsumos, muito menos. Quando você fala de sistemas integrados, então… nós estamos falando grego. Nós temos que trazer o que nós fazemos, mostrar realmente o que nós fazemos e de forma uníssona”, destaca Packer.

Relações comerciais

O país já ajuda a alimentar quase 1 bilhão de pessoas no mundo e se destaca entre os maiores exportadores globais de soja, milho, carnes, algodão, café, suco de laranja e açúcar.

De acordo com Cambaúva, nós estamos passando por um processo de desglobalização, onde os países que antes focavam muito em exportar relações comerciais estão cada vez mais olhando para si mesmos e para minha autossuficiência e deixando de participar mais ativamente do comércio global.

“Isso porque está ficando cada vez mais claro que esses conflitos têm trazido riscos, para as economias, para os negócios e talvez se proteger seja o melhor caminho. Ou seja, nós precisamos repensar muita coisa e talvez esse seja um grande desafio também” afirma.

Avanço

O Brasil ainda tem espaço para ampliar a produção sem avançar sobre novas áreas. São dezenas de milhões de hectares de pastagens degradadas que podem ser recuperadas e convertidas em áreas produtivas.

Essa transformação tá no centro do plano ABC+, coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A meta é produzir mais, com menos recursos e menor impacto ambiental. 

Atualmente, o Brasil possui cerca de 40 milhões de hectares de pastagens degradadas que podem ser recuperadas e convertidas em áreas produtivas. “Então, a ideia é ampliar a área plantada sem precisar desmatar nada, ou seja, manter todo esse todo esse grande programa que temos hoje intacto”, o professor emérito da FGV Agro, Roberto Rodrigues.

Para o futuro

A expectativa é que o futuro da segurança alimentar mundial dependa da capacidade de produzir mais com menos recursos, aliando inovação, preservação ambiental e eficiência. Nesse processo, o Brasil desponta como peça estratégica para garantir o abastecimento global nas próximas décadas.

“As estimativas do mundo apontam para 2032 o Brasil tendo uma área agrícola superior a dos Estados Unidos. Então, o Brasil no planeta Terra a médio prazo, é o único país que pode crescer de tamanho, não apenas na área, mas com os modelos agroambientais, como por exemplo, integração lavoura pecuária, integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF)”, completa Tejon.

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‘Hoje, não há Plano Safra adequado e nem seguro rural efetivo’, diz Tirso Meirelles, durante a Agrishow


crédito rural, Plano Safra
Foto: Mapa

Em Ribeirão Preto (SP), o presidente da Faesp e comentarista do Canal Rural, Tirso Meirelles, destacou os principais desafios enfrentados pelo produtor rural durante a Agrishow, em meio ao avanço da tecnologia no campo.

Para ele, a feira evidencia uma nova fase da agricultura, impulsionada pela inovação. “Ao longo destes dias, observamos dois pontos centrais, a inovação e a tecnologia no campo. Há tratores movidos a etanol, a biocombustíveis e a biometano, além de soluções que ampliam a produtividade do produtor rural”, afirmou.

Apesar desse cenário, Meirelles alertou para dificuldades econômicas que ainda limitam o desenvolvimento do setor. “O desafio é enfrentar uma taxa de juros elevada em um contexto de endividamento do produtor rural. Hoje, não contamos com um Plano Safra condizente com as necessidades do setor, nem com um seguro rural efetivo.”

Segundo ele, havia expectativa por definições mais concretas durante a abertura do evento, que contou com a presença de representantes do governo federal. O presidente pontuou que eram esperadas diretrizes claras, mas, até o momento, o que se observa são sinalizações ainda incertas sobre seguro rural e política agrícola.

Na avaliação do dirigente, a ausência de medidas práticas pode comprometer diretamente a permanência dos produtores na atividade. “Se não houver uma solução para o endividamento, torna-se difícil a permanência do homem e da mulher no campo”, conclui.

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Tirso Meirelles critica falta de plano safra e seguro rural efetivo


Tirso Meirelles, em recente declaração, criticou a falta de um plano safra adequado e de um seguro rural efetivo, ressaltando a preocupação com o endividamento dos produtores rurais.

Inovações no setor agrícola

Meirelles destacou a importância da inovação e da tecnologia na agricultura, mencionando:

  • Uso de tratores movidos a etanol
  • Implementação de biocombustíveis
  • Utilização de biometano

Essas inovações visam aumentar a produtividade do produtor rural, mas a situação financeira dos agricultores ainda é preocupante.

Desafios enfrentados pelos produtores

O especialista questionou como resolver a elevada taxa de juros e o endividamento do homem do campo, enfatizando:

  • A ausência de um plano safra condizente
  • Falta de seguro efetivo para o produtor rural

Meirelles ressaltou que, sem a resolução do endividamento, a permanência dos agricultores na atividade se torna insustentável.

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Encontro Mulheres do Agro em Ação reúne 600 produtoras e 3 pré-candidatos à Presidência da República


Encontro Mulheres do Agro em Ação
Foto: reprodução

A quarta edição do Encontro Mulheres do Agro em Ação reuniu cerca de 600 mulheres na 31ª Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), nesta quarta-feira (29), de acordo com a organização do evento.

Além de produtoras rurais e de palestrantes, a ação promovids pelo Sistema Faesp/Senar-SP contou com a presença de três pré-candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026: o ex-ministro Aldo Rebelo, do partido Democracia Cristã; o psiquiatra e escritor Augusto Cury, do Avante; e o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, do Partido Social Democrático (PSD).

Foto: Canal Rural

Os pré-candidatos abordaram temas como a segurança da mulher e seu papel na produção de alimentos.

“Mais de 80% dos feminicídios acontecem dentro de casa. É importante que a assistente social, que o agente comunitário de saúde, que a defensora pública, que o ministério público possam também avisar as autoridade para que eles tomem providências. Aí sim, você identifica o risco e aí não haverá omissão da polícia”, declarou Caiado.

“Precisamos dobrar a produção de alimentos, até porque, se a FAO [Fundo das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura] estiver correta, em 2050 nós precisaremos aumentar em 70% a produção agrícola. isso vai dar mais ou menos ‘seis Brasis’, o que não fecha a conta. Se a FAO estiver correta, vai haver problemas gravíssimos internacionais”, disse Cury.

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Alta em Chicago e dólar impulsionam negócios da soja; confira as cotações do dia


preço soja cotação - preços ao produtor agropecuário
Foto: Daniel Popov/Canal Rural

O mercado brasileiro de soja teve um dia mais aquecido, com avanço nas cotações e maior volume de negócios, especialmente nos portos. O cenário externo foi determinante para destravar as negociações, combinando alta na Bolsa de Chicago e o dólar voltando a operar próximo de R$ 5,00.

Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, a melhora veio, principalmente, da combinação entre câmbio e mercado internacional. Ele afirma que a valorização em Chicago e o dólar mais firme trouxeram sustentação aos preços internos. Os prêmios chegaram a recuar levemente, mas sem impacto relevante, contribuindo até para um ambiente mais favorável às negociações.

Com isso, houve registro de bons volumes ao longo da sessão, ainda que com condições de pagamento mais alongadas. O destaque ficou para os negócios via porto, onde os preços reagiram com mais intensidade diante do cenário externo positivo.

No mercado físico, os preços apresentaram variações regionais:

  • Passo Fundo (RS): subiu de R$ 124,00 para R$ 125,00
  • Santa Rosa (RS): avançou de R$ 125,00 para R$ 126,00
  • Cascavel (PR): alta de R$ 120,00 para R$ 121,00
  • Rondonópolis (MT): foi registrada queda de R$ 111,00 para R$ 110,00
  • Dourados (MS): os preços permaneceram em R$ 112,00
  • Rio Verde (GO): a saca passou de R$ 110,00 para R$ 111,00
  • Paranaguá (PR): aumento de R$ 130,00 para R$ 131,00
  • Rio Grande (RS): avanço de R$ 130,00 para R$ 131,00

Soja em Chicago

Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros da soja fecharam em alta para o grão e óleo, enquanto o farelo recuou. O mercado encontrou suporte na forte valorização do petróleo, impulsionada por tensões no Oriente Médio. O óleo de soja acompanhou esse movimento, diante da sua utilização na produção de biocombustíveis.

A demanda consistente por esmagamento nos Estados Unidos e atrasos pontuais no plantio por excesso de chuvas também contribuíram para a alta. Ainda assim, os ganhos foram limitados pela ampla oferta da América do Sul.

O mercado também repercutiu declarações do presidente Donald Trump sobre o Irã, aumentando a cautela dos investidores. Além disso, há expectativa em torno dos dados semanais de exportação dos Estados Unidos, com projeções entre 200 mil e 600 mil toneladas.

Contratos futuros

Entre os contratos, o vencimento maio de 2026 subiu 9,25 centavos de dólar por bushel, fechando a US$ 11,82 1/4. Já o contrato julho de 2026 avançou 7,75 centavos, encerrando a US$ 11,97 por bushel. No farelo, houve queda de US$ 3,60, para US$ 323,80 por tonelada. O óleo de soja subiu 1,60 centavo, fechando a 74,12 centavos de dólar por libra-peso.

Câmbio

No câmbio, o dólar comercial encerrou o dia com alta de 0,39%, cotado a R$ 5,0014 para venda e R$ 4,9994 para compra, oscilando entre R$ 4,9793 e R$ 5,0138 ao longo da sessão.

As informações são da Safras & Mercado.

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