A mediana do relatório Focus para a cotação do dólar no fim de 2026 permaneceu em R$ 5,20 pela quinta semana seguida, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (20) pelo Banco Central (BC). Considerando apenas as 32 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a projeção intermediária também ficou em R$ 5,20.
Para o fim de 2027, a mediana das estimativas seguiu em R$ 5,28. Quatro semanas antes, a projeção estava em R$ 5,27.
No horizonte de 2028, a estimativa passou de R$ 5,34 para R$ 5,30. Há um mês, a mediana também era de R$ 5,30.
Para 2029, a projeção foi mantida em R$ 5,40 pela quinta semana consecutiva.
O Banco Central informa que a projeção anual de câmbio publicada no Focus é calculada com base na média da taxa no mês de dezembro. O critério substitui a metodologia anterior, usada até 2020, que considerava o valor projetado para o último dia útil de cada ano.
Com isso, o relatório Focus manteve estável a projeção para o dólar em 2026, 2027 e 2029, enquanto a estimativa para 2028 recuou para R$ 5,30.
O economista Paul Krugman criticou nesta segunda-feira (20) a decisão do governo de Donald Trump de impor tarifas ao Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Em análise publicada no mesmo dia, o vencedor do Nobel de Economia afirmou que a medida busca punir o sucesso do Pix, mas avalia que ela dificilmente atingirá seu objetivo. Na avaliação dele, o alcance econômico da decisão sobre produtos brasileiros tende a ser limitado.
Krugman questionou a classificação do Pix como prática comercial desleal. Segundo ele, o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos se consolidou por oferecer transações gratuitas para pessoas físicas e de baixo custo para empresas. Para o economista, a exigência de que bancos brasileiros ofereçam o Pix é comparável à obrigação de instituições financeiras americanas aceitarem depósitos e realizarem saques em dólares.
Na análise, Krugman sustenta que a principal preocupação por trás das críticas ao Pix estaria no impacto sobre empresas americanas de meios de pagamento, como Visa e Mastercard. Ele também cita, em menor grau, o receio de que sistemas públicos de pagamento possam desafiar, no futuro, a predominância internacional do dólar.
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Ao tratar dos efeitos das tarifas, Krugman afirmou que Washington terá alcance limitado para elevar taxas sobre produtos como café, suco de laranja e carne bovina. Segundo ele, esse movimento elevaria o risco de pressionar preços nos Estados Unidos. O economista também mencionou a avaliação de Monica de Bolle, do Peterson Institute for International Economics, de que o redirecionamento do comércio global provocado pelas tarifas americanas acabou fortalecendo a posição exportadora do Brasil.
Krugman ainda comparou a reação ao Pix à postura do governo Trump em relação às energias renováveis, ao afirmar que, nos dois casos, interesses ligados aos setores de criptomoedas e de combustíveis fósseis rejeitam inovações que ameacem seus modelos de negócio.
Na conclusão da análise, Krugman afirmou que as tarifas dificilmente alcançarão o resultado pretendido. No campo econômico, ele citou limites para encarecer produtos brasileiros no mercado americano, incluindo café, suco de laranja e carne bovina.
A semana começa com alerta para chuva volumosa e temporais no Rio Grande do Sul. Segundo a Climatempo, a atuação de uma frente fria e de áreas de baixa pressão mantém o risco de ventania, alagamentos e elevação dos níveis dos rios no estado.
Enquanto isso, o bloqueio atmosférico prolonga o veranico no Sudeste e no Centro-Oeste, favorecendo temperaturas acima da média e baixa umidade do ar.
Confira a previsão do tempo região por região:
Sul
Nesta segunda-feira (20), a atuação de uma frente fria, associada a um sistema de baixa pressão no interior do continente, à formação de outra baixa pressão sobre o oceano, próxima à costa do Uruguai, e ao intenso transporte de umidade promovido pelo Jato de Baixos Níveis mantém o tempo instável na Região Sul.
O principal destaque continua sendo o Rio Grande do Sul, onde a chuva permanece persistente e volumosa, especialmente na metade sul, nas Missões, no oeste, nos Vales, na região central do estado e na Região Metropolitana de Porto Alegre.
Com isso, aumenta o risco de alagamentos, enxurradas e elevação dos níveis dos rios.
As instabilidades ocorrem desde as primeiras horas do dia na metade sul, na faixa oeste, no noroeste e na Região Metropolitana de Porto Alegre, com chuva de moderada a forte intensidade, trovoadas e temporais isolados.
Ao longo do dia, as pancadas continuam nessas áreas. Conforme a frente fria avança, as instabilidades também alcançam a metade norte do estado até o fim do dia, enquanto diminuem nas demais áreas da região.
Em Santa Catarina e no Paraná, a aproximação da frente fria e o escoamento de umidade provocam aumento da nebulosidade ao longo do dia, com chance de pancadas isoladas no extremo oeste catarinense e no sudoeste paranaense.
Em grande parte da Região Sul, as temperaturas permanecem elevadas, principalmente no norte, noroeste e oeste do Paraná, que continuam sob influência do veranico.
Nessas localidades, as temperaturas ficam acima da média para julho, com baixos índices de umidade relativa do ar durante parte do dia.
Também são esperadas rajadas de vento moderadas a fortes pela região. Na metade sul gaúcha, no entanto, a semana já começa com temperaturas mais baixas, evidenciando o forte contraste térmico.
Sudeste
No Sudeste, o bloqueio atmosférico, associado a uma massa de ar seco e a um sistema de alta pressão sobre o Atlântico Sul, próximo à costa da região, continua predominando e impede o avanço das instabilidades.
O veranico permanece atuando sobre São Paulo, áreas do Triângulo Mineiro, sul de Minas Gerais e centro-sul do Rio de Janeiro.
Essa condição mantém uma sequência de dias ensolarados, temperaturas acima da média climatológica e baixos índices de umidade relativa do ar durante a tarde.
Nas demais áreas de Minas Gerais, a umidade também permanece baixa.
Apenas o litoral do Espírito Santo e o nordeste mineiro continuam com possibilidade de chuva fraca e isolada devido à circulação de umidade marítima.
O litoral de São Paulo e do Rio de Janeiro, além do sul paulista, ainda pode registrar ventos moderados a fortes.
Centro-Oeste
No Centro-Oeste, a atuação de uma massa de ar seco, reforçada pelo bloqueio atmosférico, mantém o tempo firme em praticamente toda a região.
O veranico continua estabelecido sobre Mato Grosso do Sul e nas faixas sul de Goiás e de Mato Grosso, favorecendo dias ensolarados, temperaturas acima da média para julho e baixos índices de umidade relativa do ar durante a tarde.
Nas demais áreas do Centro-Oeste, as temperaturas também aumentam ao longo do dia, enquanto a umidade relativa do ar permanece baixa.
Também são esperadas rajadas de vento moderadas a fortes em Mato Grosso do Sul e no sul de Mato Grosso.
Nordeste
No Nordeste, o transporte de umidade do oceano continua favorecendo chuva persistente entre o litoral da Bahia e a faixa litorânea que se estende de Sergipe ao Rio Grande do Norte.
A chuva pode ocorrer com intensidade moderada a forte, com risco de transtornos em alguns pontos.
No litoral entre Maranhão, Piauí e Ceará, também há previsão de pancadas de chuva isoladas e ocasionais.
Já no interior da região, a atuação da massa de ar seco mantém o predomínio de sol, as temperaturas elevadas e os baixos índices de umidade relativa do ar.
Também são esperadas rajadas de vento moderadas e, pontualmente, mais fortes em áreas do interior e do litoral.
Norte
No Norte, o calor e a elevada disponibilidade de umidade mantêm condições para pancadas de chuva na metade norte do Amazonas, em Roraima, no Amapá e nas faixas norte, noroeste e litorânea do Pará, com risco de temporais isolados.
Em pontos do Acre e no sul e oeste do Amazonas, a chuva ocorre de forma fraca.
Já em Rondônia, nas demais áreas do Acre, no leste e interior do Amazonas, nas demais áreas do Pará e no Tocantins, predomina o tempo firme, com temperaturas elevadas e baixos índices de umidade relativa do ar durante a tarde, especialmente na metade sul paraense e no Tocantins.
No morning call desta segunda-feira (20), a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, destaca que o petróleo disparou mais de 14% na semana com o bloqueio do Estreito de Ormuz após ataques entre EUA e Irã. A escalada geopolítica pressiona a inflação global e eleva a probabilidade de alta de juros pelo Fed.
No Brasil, juros futuros subiram 35 pontos-base nos vértices longos e o Ibovespa caiu 2,33% na semana. Hoje, foco no Boletim Focus e na balança comercial semanal.
Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.
O mercado da soja encerrou a sexta-feira com alta em Chicago, sustentado pela demanda externa, pela valorização do óleo e pelo avanço do petróleo. Segundo a TF Agroeconômica, o contrato de agosto subiu 0,79%, para US$ 12,0450 por bushel, enquanto setembro avançou 0,70%, a US$ 11,9350.
O óleo de soja para agosto ganhou 3,29%, a 74,81 centavos de dólar por libra-peso, enquanto o farelo caiu 0,84%, para US$ 320,20 por tonelada curta. O movimento recebeu apoio de grandes vendas confirmadas pelo USDA, com 340 mil toneladas destinadas à China, 256,6 mil ao México e 110 mil toneladas para destinos não revelados, todas da safra 2026/27. As previsões de pouca chuva no Cinturão Agrícola dos Estados Unidos também deram suporte, em um cenário no qual 18% da área de soja enfrenta seca.
No Brasil, os preços seguiram firmes em parte das regiões, mas a comercialização permaneceu seletiva. No Rio Grande do Sul, o porto de Rio Grande chegou a R$ 141 por saca, enquanto o interior variou entre R$ 135 e R$ 136. A limitação de espaço nos silos aumentou com o avanço do trigo e da canola, ao mesmo tempo em que os fretes continuaram elevados.
Em Santa Catarina, os negócios ficaram lentos e a falta de armazenagem própria limitou a retenção por produtores familiares. No Paraná, Paranaguá manteve R$ 141 por saca, mas a disputa por espaço com o milho safrinha aumentou a pressão sobre os estoques. Em Mato Grosso do Sul, as cotações oscilaram entre R$ 122,50 e R$ 126, com vendas restritas a lotes estratégicos. Já em Mato Grosso, os preços ficaram entre R$ 117 e R$ 122, sustentados pela demanda das indústrias, embora o recorde do milho intensifique o gargalo de armazenagem e mantenha os fretes em níveis altos.
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Foto: Divulgação
Os preços da erva-mate permaneceram estáveis nas principais regiões produtoras do Rio Grande do Sul, enquanto produtores seguem com atividades de manejo e preparação de mudas para o plantio. As informações constam no Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar na quinta-feira (16), que também destaca a programação da Feira da Erva-Mate (Femate), marcada para setembro em Arvorezinha.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Lajeado, os preços se mantiveram inalterados no último mês. A arroba da erva-mate convencional variou entre R$ 12,00 e R$ 17,00, enquanto a erva-mate nativa foi negociada a R$ 19,00 por arroba e a nativa sombreada alcançou R$ 20,00 por arroba. Já a erva-mate orgânica praticamente não registrou comercialização. Entre os dias 10 e 13 de setembro, Arvorezinha sediará a Femate, que contará com programação voltada ao setor ervateiro. Segundo a Emater/RS-Ascar, o Seminário da Erva-Mate, previsto para 11 de setembro, às 8h30, no CTG Jango Borges, abordará o controle biológico de pragas na cultura e promoverá um painel de debates sobre as perspectivas do segmento. O evento também reunirá expositores de diferentes elos da cadeia produtiva, incluindo indústrias, fornecedores e empresas com novos produtos voltados ao setor.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Passo Fundo, as mudas em fase de aclimatação seguem sendo encaminhadas para o plantio definitivo no campo. A procura por novas áreas de cultivo continua reduzida em razão do baixo valor pago pela arroba da erva-mate, embora a comercialização permaneça dentro da normalidade e com um dos melhores preços praticados no país. Também está em fase final a semeadura das plantas de cobertura do solo para o período de outono e inverno. O monitoramento da broca-da-erva-mate, conhecida como ampola, continua sendo realizado por meio da coleta quinzenal das armadilhas instaladas nas lavouras. Na região de Machadinho, a erva-mate é comercializada a R$ 16,00 por arroba entregue na indústria, enquanto a cultivar Cambona 4 alcança R$ 18,00 por arroba. A matéria-prima destinada à industrialização pelo sistema barbaquá é negociada a R$ 20,00 por arroba. Em Mato Castelhano, a erva-mate folha destinada ao mesmo sistema também é comercializada por R$ 20,00 a arroba.
A demanda chinesa por soja deverá continuar crescendo na temporada 2026/27, mas o mercado brasileiro terá outro comprador cada vez mais relevante disputando o grão: a indústria de esmagamento instalada dentro do próprio país.
Em seu relatório de julho, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos elevou a projeção das importações chinesas de soja de 114 milhões para 115 milhões de toneladas em 2026/27. Para 2025/26, a estimativa atual é de 113 milhões de toneladas.
O USDA também aumentou a previsão das exportações brasileiras de soja para 118 milhões de toneladas, justificando a alteração pela maior demanda da China.
Ao mesmo tempo, o esmagamento de soja no Brasil deverá atingir 65 milhões de toneladas em 2026/27, crescimento de 3,5 milhões de toneladas em relação à temporada anterior.
Segundo o USDA, a expansão é sustentada pela combinação de uma grande oferta de soja, novos investimentos industriais e aumento da demanda por óleo e farelo. A capacidade ativa de esmagamento foi estimada em 77 milhões de toneladas em 2025, quase 30% acima do nível de 2020.
Isso significa que o mercado brasileiro passará a depender de dois grandes canais de consumo: exportação do grão, especialmente para a China e processamento interno para produzir farelo, óleo e matéria-prima para biodiesel.
O USDA projeta que as exportações brasileiras de farelo de soja alcancem o recorde de 26,9 milhões de toneladas em 2026/27, aumento de 1,9 milhão de toneladas.
A demanda mundial de importação de farelo deverá crescer 4%, puxada por mercados como União Europeia, Indonésia, Vietnã, México e Tailândia.
Esse movimento é importante porque permite ao Brasil ampliar a participação no comércio de produtos processados, e não apenas no embarque do grão in natura.
Outro fator de sustentação é o biodiesel. O USDA destaca que o óleo de soja representa parcela majoritária das gorduras e dos óleos utilizados na produção brasileira do biocombustível.
O consumo industrial de óleo de soja pode chegar a 7,3 milhões de toneladas em 2026/27, 300 mil toneladas acima da temporada anterior.
O avanço cria demanda mais constante para as esmagadoras, embora a intensidade desse efeito dependa das regras de mistura, do preço do óleo e da concorrência de outras matérias-primas.
Uma safra grande pode atender simultaneamente exportadores e processadores. No entanto, a expansão dos dois canais tende a tornar mais relevante a disputa por soja em determinadas regiões e épocas do ano.
A intensidade dessa concorrência dependerá de fatores como:
tamanho efetivo da safra brasileira;
localização das novas unidades de esmagamento;
capacidade de armazenagem;
custos de transporte até portos e indústrias;
prêmios de exportação;
câmbio;
margem obtida com farelo e óleo.
Quando o preço pago pela indústria supera a paridade de exportação, o lote pode permanecer no mercado doméstico. Quando porto, câmbio e prêmio oferecem remuneração maior, a exportação ganha competitividade.
Para o produtor, a expansão da indústria pode representar maior número de compradores e novas referências regionais de preço.
Mas isso não garante valorização automática. Uma produção acima da demanda, problemas logísticos ou recuo nos preços internacionais podem limitar o movimento.
A principal mudança é que o Brasil continuará fortemente dependente da China para escoar soja em grão, mas terá uma indústria doméstica com capacidade crescente de absorção e agregação de valor.
Uma doença que costuma aparecer no final do ciclo do algodão, a ferrugem, tem preocupado produtores que investem em lavouras de alta produtividade. A boa notícia é que decisões simples no manejo — como o espaçamento entre as linhas de plantio e a quantidade de adubo aplicada — podem ajudar a reduzir o problema, segundo publicações técnicas sobre o tema. A ferrugem é causada por um fungo chamado Phakopsora gossypii e costuma surgir quando a planta começa a florescer, ficando mais evidente na fase em que os frutos do algodoeiro, as chamadas maçãs, estão se formando.
Ela se desenvolve melhor em lavouras “fechadas” — ou seja, quando as plantas estão muito próximas umas das outras e suas folhas formam uma espécie de teto denso sobre o solo. Esse ambiente retém mais umidade, e a combinação de calor com folhas molhadas por mais tempo é perfeita para o fungo se espalhar.
De acordo com o Manual de Fitopatologia, de Bernardes e outros autores (2016), esse “fechamento” acontece com mais facilidade quando o produtor planta as linhas muito próximas e usa uma quantidade grande de adubo, já que isso deixa as plantas mais vigorosas e frondosas. O problema é que, quanto mais fechada a lavoura, mais tempo o orvalho da madrugada ou a água da chuva demoram para secar nas folhas — e é justamente esse tempo de folha molhada que favorece a infecção pelo fungo.
Segundo a Embrapa Algodão, o fungo sobrevive de uma safra para outra em restos de plantas que ficam no solo e em plantas que nascem sozinhas na lavoura, fora da época de plantio. Do vento e da chuva, ele se espalha para as folhas vizinhas. Os primeiros sinais aparecem como pequenas manchas amareladas na parte de cima da folha; depois, na parte de baixo, surgem pontinhos alaranjados, que são as estruturas do fungo liberando novos esporos. Quando a infestação é grande, as folhas caem antes da hora — o que é ruim, porque a planta perde justamente as folhas que ainda estariam produzindo energia para engordar as maçãs.
Apesar de raramente ser a maior vilã entre as doenças do algodão, a ferrugem contribui para reduzir a produtividade, principalmente quando aparece junto com outros problemas foliares. O maior risco está em lavouras muito adubadas, com plantas vigorosas, e onde as fileiras de plantio estão muito próximas umas das outras.
Espaçamento: nem muito perto, nem muito longe
O espaçamento entre as linhas de plantio é um dos fatores que mais pesam nessa equação. Fileiras muito próximas fecham o dossel — o “telhado” formado pelas folhas — mais cedo, o que retém umidade e favorece o fungo. Já fileiras mais espaçadas deixam a lavoura mais arejada, o que ajuda a secar mais rápido o orvalho e a água da chuva.
Mas atenção: a Embrapa Algodão alerta que aumentar demais o espaçamento também traz problemas, porque a planta aproveita menos a luz do sol e a produtividade pode cair. Ou seja, não adianta simplesmente afastar as fileiras para fugir da doença — o ideal é ajustar esse espaçamento levando em conta a variedade de algodão plantada, a fertilidade do solo e o histórico de doenças naquela área.
O papel do adubo
A adubação, principalmente com nitrogênio, também interfere bastante. Segundo Sousa e Lobato (2004), quando o produtor aplica mais nitrogênio do que o necessário, a planta cresce demais, produz muitas folhas e mantém-se verde por mais tempo — o que parece bom à primeira vista, mas na prática deixa a lavoura mais fechada e úmida, facilitando a vida do fungo. Por outro lado, adubar de menos também prejudica, já que reduz a área de folhas e o potencial produtivo da lavoura.
Outros nutrientes também importam. O potássio ajuda a planta a resistir melhor a situações de estresse, enquanto cálcio e magnésio fortalecem a estrutura dos tecidos, de acordo com Silva (2009). Micronutrientes como boro, zinco e manganês também contribuem para deixar a planta mais resistente a doenças.
O que os especialistas recomendam
A orientação técnica é que qualquer decisão sobre espaçamento e adubação seja baseada em análise de solo e no histórico da própria área, sempre com acompanhamento de um engenheiro agrônomo. Além disso, o ideal é combinar esses ajustes com outras práticas, como rotação de culturas, eliminação de plantas voluntárias e escolha de variedades mais adaptadas, sem deixar de monitorar a lavoura regularmente. Quando necessário, o uso de fungicidas deve seguir rigorosamente as instruções da bula e o receituário agronômico.
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Foto: Pixabay
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, cumprirá agenda em Pernambuco na próxima terça-feira (21), com visitas técnicas às unidades da Lactalis, em Bom Conselho, e da Masterboi, em Canhotinho. As atividades serão voltadas ao acompanhamento dos processos industriais e dos procedimentos adotados pelas empresas nas áreas de produção, qualidade e segurança dos alimentos.
A primeira agenda ocorrerá na unidade da Lactalis, em Bom Conselho, onde o ministro conhecerá as etapas do processo produtivo, os sistemas de controle de qualidade e as operações industriais da empresa. Em seguida, André de Paula seguirá para a unidade da Masterboi, em Canhotinho, para acompanhar o funcionamento do frigorífico, incluindo as etapas de produção, os procedimentos de inspeção e os padrões utilizados para assegurar a segurança dos alimentos.
Após cada uma das visitas técnicas, o ministro concederá entrevista à imprensa para comentar as atividades realizadas durante a agenda em Pernambuco.
Os profissionais de imprensa interessados em acompanhar a programação deverão solicitar credenciamento por meio do e-mail [email protected], informando nome completo, veículo de comunicação, cargo e a agenda que pretendem acompanhar.
A visita à unidade da Lactalis está marcada para as 9h, na Rodovia PE-218, km 46, Zona Rural de Bom Conselho. Já a agenda na unidade da Masterboi ocorrerá às 12h30, na Rodovia PE-177, nº 869, Zona Rural de Canhotinho.
A safra brasileira de soja 2026/27 deve registrar crescimento na área cultivada e na produção, mesmo diante de um cenário de desafios relacionados ao clima e aos custos de produção. A avaliação é do analista e consultor da Safras & Mercado, Rafael Silveira.
Segundo o especialista, o Centro-Oeste deve continuar liderando a expansão da cultura. Mato Grosso, principal produtor nacional, tem expectativa de ampliar a área cultivada em aproximadamente 1,5%. “É o caso de Mato Grosso, que mantém uma expectativa de expansão de aproximadamente 1,5% na área cultivada”, afirma.
Silveira explica que, apesar das margens mais apertadas, as elevadas produtividades registradas nas últimas safras melhoraram a relação entre custos e receitas, mantendo a atividade economicamente viável, ainda que com menor rentabilidade. “Goiás segue uma dinâmica semelhante, embora a situação dos produtores seja mais fragilizada”, destaca.
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Clima preocupa
O principal fator de atenção para a próxima temporada é o comportamento do clima. De acordo com o consultor, a expectativa de um El Niño mais intenso pode afetar o desenvolvimento das lavouras justamente em fases decisivas para a definição do potencial produtivo.
“Caso esse cenário se confirme, poderá haver impacto negativo sobre os níveis de produtividade”, ressalta.
Apesar da preocupação, a Safras & Mercado não trabalha com projeções antecipadas de quebra de safra. “No entanto, nossa expectativa é de produtividades potenciais inferiores às observadas na última temporada para a maioria das regiões”, afirma.
Além das incertezas climáticas, Silveira lembra que os custos de produção continuam elevados, principalmente em função da alta dos fertilizantes registrada no primeiro semestre. Segundo ele, esse cenário pode levar parte dos produtores a reduzir os investimentos em tecnologia e manejo, limitando o potencial produtivo da próxima safra.
Produção
A Safras & Mercado projeta um avanço de aproximadamente 1,2% na área plantada de soja no Brasil, que deve alcançar 49,107 milhões de hectares na safra 2026/27. A expansão deverá ser puxada principalmente pelos estados do Centro-Oeste, com contribuição também da região Sudeste.
Com isso, a produção brasileira está estimada em 180,089 milhões de toneladas, acima dos 178,3 milhões de toneladas projetados para a safra 2025/26.
A produtividade média é estimada em 3.686 quilos por hectare, o equivalente a 61,43 sacas por hectare, praticamente estável em relação ao ciclo anterior, quando a média foi de 3.692 quilos por hectare, ou 61,54 sacas por hectare.