O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, reconheceu nesta terça-feira (2), durante evento realizado na Associação Comercial de São Paulo, que o principal desafio nas negociações com a União Europeia será reverter as restrições impostas à carne bovina brasileira.
Segundo o ministro, há expectativa de que o bloco europeu recue das restrições relacionadas a ovos, aves, mel e pescado. No entanto, o “gargalo” das negociações estaria concentrado na carne bovina.
Utilizando uma expressão popular nordestina, André de Paula afirmou que a União Europeia “embarcou o bode” ao incluir mel, aves, ovos e outros produtos no mesmo pacote de restrições, sugerindo que o foco principal das exigências europeias é a carne bovina brasileira.
Mesmo diante das dificuldades, o ministro afirmou acreditar em um entendimento entre Brasil e União Europeia para manutenção das exportações de carne ao bloco.
“Esse bloqueio não se faz sentir. Essa é uma grande oportunidade de chover no molhado. Nós temos uma defesa agropecuária robusta e de credibilidade. Nós exportamos para mais de 170 países”, afirmou.
O ministro disse ainda que o governo trabalha para atender às exigências europeias e continuar as exportações ao bloco.
Brasil foi excluído da lista de exportações
No início de maio , a Comissão Europeia definiu a exclusão do Brasil da lista de países autorizados a exportar animais vivos e produtos de origem animal para o bloco europeu.
A decisão foi motivada pelo não cumprimento integral do Regulamento Delegado (UE) 2023/905, que estabelece critérios rigorosos sobre o uso de antimicrobianos na produção pecuária.
A medida entra em vigor em 3 de setembro de 2026 e afeta as exportações de bovinos, equinos, aves, ovos, mel e envoltórios.
Ao portal europeu Euractiv, a porta-voz da Comissão Europeia para Saúde e Segurança Alimentar, Eva Hrncirova, afirmou que a medida não representa um fechamento definitivo do mercado europeu ao Brasil, mas uma exigência técnica.
“A União Europeia mantém um diálogo construtivo e contínuo com as autoridades brasileiras. No entanto, a inclusão nesta lista exige garantias robustas de que os padrões sanitários relativos ao uso de antimicrobianos sejam equivalentes aos nossos. A autorização poderá ser restabelecida assim que o Brasil apresentar as evidências de conformidade exigidas pelos nossos sistemas de auditoria”, afirmou Hrncirova.
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Foto: Canva
Após uma sequência de fortes valorizações em maio, o mercado de feijão encerrou o mês com retração da demanda compradora. De acordo com pesquisadores do Cepea, a entrada de lotes comerciais provenientes do Paraná pressionou principalmente os preços do feijão carioca, enquanto o feijão preto encontrou maior sustentação.
O movimento de cautela observado na última semana do mês ocorreu depois de um período de forte escalada nas cotações. Segundo o Centro de Pesquisas, o feijão carioca renovou recordes nas médias mensais, refletindo a intensidade das altas registradas ao longo de maio. Já o feijão preto manteve trajetória de valorização mais firme, sustentado por condições distintas de mercado. Mesmo com a desaceleração das compras na reta final do mês, a categoria seguiu com suporte, diferentemente do carioca, que sentiu de forma mais direta a pressão da entrada de novos lotes.
De acordo com a série histórica do Cepea/CNA, iniciada em setembro de 2024, tanto o feijão carioca quanto o feijão preto registraram em maio as maiores variações mensais já apuradas. O desempenho reforça a intensidade do movimento recente, mas também ajuda a explicar a postura mais cautelosa dos compradores no fim do período.
Para o setor, o cenário indica um mercado dividido entre os efeitos das altas acumuladas e a chegada de novos volumes comerciais. A evolução da oferta, especialmente no Paraná, e o comportamento da demanda devem seguir no centro das negociações nos próximos dias.
Durante evento realizado nesta terça-feira (2) na Associação Comercial de São Paulo, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou que o governo trabalha para que o próximo Plano Safra alcance R$ 550 bilhões. Segundo ele, o programa deve ser anunciado oficialmente em 1º de julho.
O valor representaria um aumento de aproximadamente 10% em relação ao Plano Safra atual, que somou R$ 516 bilhões.
Apesar da expectativa em torno do volume de recursos, o ministro ressaltou que a principal preocupação do governo é garantir juros mais acessíveis ao produtor rural.
“O mais importante do que o número é proporcionar uma taxa de juros que caiba no bolso do produtor”, afirmou.
A expectativa do setor é que as taxas fiquem em um patamar de um dígito, possibilidade já mencionada anteriormente pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, durante a Agrishow 2026.
Crédito rural e Prodes
Durante o evento, André de Paula também comentou o adiamento da medida do Conselho Monetário Nacional (CMN) que vinculava o acesso ao crédito rural a critérios relacionados ao Programa de Cálculo do Desmatamento da Amazônia (Prodes).
Segundo o ministro, houve atuação do Ministério da Agricultura junto ao governo para prorrogar a implementação da regra, atendendo a uma demanda do setor produtivo.
“Era algo muito danoso para o setor”, disse.
China reconhece Brasil livre de aftosa
O ministro também comemorou o reconhecimento do Brasil como país livre de febre aftosa pela China. Para ele, a decisão representa uma vitória importante para o agronegócio brasileiro e fortalece a imagem sanitária do país no mercado internacional.
Ainda sobre a relação com os chineses, André de Paula afirmou que o governo brasileiro solicitou à China uma ampliação na oferta de fertilizantes ao Brasil. Segundo ele, o governo também vem mapeando novos países fornecedores para reduzir a dependência externa do insumo.
O ministro destacou ainda os investimentos em novas fábricas de fertilizantes no país e afirmou que o Brasil deverá alcançar capacidade para produzir cerca de 35% da ureia consumida internamente.
União Europeia e exportações brasileiras
Questionado sobre as restrições anunciadas pela União Europeia às exportações brasileiras, André de Paula minimizou os impactos das medidas.
“Esse bloqueio não se faz sentir. Essa é uma grande oportunidade de chover no molhado. Nós temos uma defesa agropecuária robusta e de credibilidade. Nós exportamos para mais de 170 países”, afirmou.
O ministro disse ainda que o governo trabalha para atender novamente às exigências europeias e retomar plenamente as exportações ao bloco a partir de setembro.
A colheita de soja no Brasil alcançou 99,7% da área, segundo a Companhia Nacional do Abastecimento (Conab). O índice representa um avanço em relação aos 99,0% registrados na semana anterior, com progresso semanal de aproximadamente 0,71%.
Na comparação com o mesmo período do ano passado, quando os trabalhos atingiam 99,8% da área, o ritmo atual apresenta um atraso de cerca de 0,10%.
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Já em relação à média dos últimos cinco anos, de 98,8%, a colheita da safra 2025/26 está 0,91% adiantada.
Colheita de soja por estado
Entre os estados brasileiros, os trabalhos já foram concluídos em Tocantins, Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, todos com 100% da área colhida.
Dos estados que ainda não finalizaram a colheita, o Piauí apresenta o maior avanço, com 99% da área colhida, seguido por Santa Catarina, com 98,7%, e Maranhão, com 92%.
Vista aérea de confinamento de bovinos de corte. Foto: Reprodução
A pecuária intensiva brasileira deve atingir um novo recorde em 2026, com 9,78 milhões de cabeças confinadas. Esse total representa um aumento de 5,7% frente às 9,25 milhões de cabeças registradas em 2025. Os dados constam no Censo de Confinamento, divulgado nesta terça-feira (2) pela dsm-firmenich, empresa do setor de nutrição animal, e pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
O avanço dá continuidade a uma tendência observada nos últimos anos. Em 2017, o Brasil confinava 4,9 milhões de bovinos. Desde então, o número praticamente dobrou, chegando a 9,3 milhões de cabeças em 2025. Considerando toda a série histórica, iniciada em 1998, quando o país registrava 1,6 milhão de animais confinados, o crescimento médio anual é de cerca de 7%.
Cinco estados respondem por 70% do total confinado no país
Entre os estados com maior volume de animais confinados, Mato Grosso lidera com previsão de 2,4 milhões de cabeças, crescimento de 7,7% sobre o ano passado. Na sequência aparecem São Paulo e Goiás, ambos com 1,4 milhão de animais. Mato Grosso do Sul deve alcançar 900 mil cabeças, enquanto Minas Gerais deve chegar a 800 mil.
Juntos, os cinco estados respondem por cerca de 70,6% do total estimado para o país.
Grandes confinamentos concentram quase metade do rebanho
Os dados apresentados mostram que os maiores confinamentos do país seguem ampliando sua participação na atividade. Segundo o levantamento, os 100 maiores confinamentos concentram 48% de todo o rebanho monitorado.
As propriedades com capacidade para mais de 50 mil animais somam cerca de 2,45 milhões de cabeças distribuídas em apenas 30 unidades. Já os confinamentos com capacidade entre 10 mil e 25 mil animais reúnem aproximadamente 2,18 milhões de cabeças em 153 propriedades.
Na outra ponta, os confinamentos com menos de mil animais representam o maior número de operações, com 1.131 propriedades, mas concentram cerca de 369 mil cabeças.
Tecnologia ganha espaço e puxa alta do confinamento
Além do crescimento do número de animais confinados, o levantamento aponta uma pecuária cada vez mais apoiada em ferramentas de gestão e análise de dados.
Segundo especialistas, cresce o uso de tecnologias voltadas ao acompanhamento de indicadores produtivos e econômicos das fazendas, movimento que reflete a busca dos pecuaristas por maior eficiência operacional e rentabilidade.
A avaliação é que, diante de margens mais apertadas e de sistemas cada vez mais intensivos, decisões baseadas em dados tendem a ganhar importância dentro das propriedades.
Tour de Confinamento mostra resultados
Realizado em oito propriedades distribuídas por oito estados, o levantamento foi realizado com apoio de mais de mil técnicos e parceiros de campo.
Nesse contexto, os resultados mostram a continuidade da expansão da atividade, impulsionada pela busca por maior eficiência produtiva e rentabilidade.
Entre os principais indicadores observados estão ganho médio de 7,22 arrobas em 98 dias, peso médio de entrada de 12,7 arrobas e peso médio de saída de 19,92 arrobas.
O retorno sobre o investimento (ROI) médio foi de 16,31%, podendo chegar a 26,8% em algumas operações avaliadas.
Neste contexto, o mercado de farinha também permanece pressionado
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Foto: Canva
A necessidade de capitalização dos produtores continua influenciando as decisões de comercialização da mandioca. Como resultado, a oferta tem aumentado em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea, mantendo a pressão sobre os preços e levando a média a registrar a 8ª queda consecutiva, na semana passada.
De acordo com pesquisadores do Cepea, a expectativa de novas quedas nos preços da raiz, aliada à demanda enfraquecida e ao maior rendimento industrial, resulta em baixa liquidez no mercado de fécula, com as negociações concentradas no cumprimento de contratos já estabelecidos, enquanto as operações envolvendo terceiros seguem reduzidas.
Neste contexto, o mercado de farinha também permanece pressionado, refletindo as cotações mais baixas e o ritmo moderado das vendas. Segundo o Cepea, as negociações concentram-se em compradores habituais, mantendo a liquidez reduzida e a demanda pelo derivado enfraquecida.
No morning call desta terça-feira (2), a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, destaca que a suspensão das negociações entre Irã e EUA disparou o petróleo e elevou a tensão nos mercados.
No Brasil, a curva de juros precifica Selic terminal em 14,25%, com o mercado apostando em apenas mais um corte em 2026. O Ibovespa caiu 0,91% aos 172 mil pontos, enquanto o dólar recuou a R$ 5,02 sustentado pela alta do petróleo. Hoje, foco no JOLTS nos EUA e na prévia da inflação na Zona do Euro.
Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.
Após o anúncio da recomendação de aplicação de tarifas adicionais de 25% sobre determinados produtos brasileiros, a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) divulgou uma nota afirmando que a decisão ainda é preliminar e pode ser revertida por meio das negociações entre os dois países.
“O relatório não é final e reforça que ainda há tempo para evitar a adoção de novas tarifas. O setor empresarial espera que os dois governos intensifiquem seus esforços nas próximas semanas e alcancem uma solução que enderece as questões em discussão, preservando as condições necessárias para a evolução do comércio e dos investimentos nos dois países”, afirmou Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.
A entidade também destacou que o documento divulgado pelo governo norte-americano sinaliza disposição para manter o diálogo e buscar uma solução negociada para os impasses comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
“O relatório reconhece os avanços do diálogo entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos, intensificado nas últimas semanas após o encontro entre os presidentes dos dois países em 7 de maio, e sinaliza interesse na continuidade das negociações até a decisão final prevista para 15 de julho. Trata-se de uma janela concreta para a busca de soluções que possam evitar ou revisar as medidas tarifárias propostas”, destacou a Amcham em nota.
Por fim, a entidade reforçou a importância de uma solução negociada para evitar impactos mais severos às exportações brasileiras.
“Nesse contexto, torna-se ainda mais relevante buscar uma solução negociada na investigação 301 envolvendo o Brasil, de forma a evitar um tratamento tarifário mais oneroso para as exportações brasileiras no mercado norte-americano em relação a seus concorrentes de outros países”, concluiu a nota.
Investigação provocou decisão
O governo dos Estados Unidos propôs a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, mas parte importante do agronegócio ficou de fora da medida. A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (1º) pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), que concluiu uma investigação comercial aberta contra o Brasil em 2025.
Apesar do endurecimento nas relações comerciais entre os dois países, o documento divulgado pelos norte-americanos prevê uma lista de exceções que inclui diversos produtos ligados ao agronegócio brasileiro, como carnes, frutas, café, chá, cereais, sementes, frutos oleaginosos, plantas medicinais e fertilizantes.
Segundo o USTR, a proposta ainda será submetida a consulta pública antes da adoção das medidas definitivas. O prazo legal para a implementação das chamadas “medidas corretivas” termina em 15 de julho de 2026.
O anúncio da Representação de Comércio dos Estados Unidos (USTR) abriu um dos capítulos mais delicados da relação entre Brasília e Washington nos últimos anos.
A proposta de impor tarifas de 25% sobre uma ampla gama de produtos brasileiros ultrapassa a discussão tradicional sobre balança comercial. A medida ocorre em um momento em que o Brasil busca ampliar sua presença internacional, fortalecer parcerias estratégicas e consolidar instrumentos próprios de política econômica.
Por isso, a discussão vai muito além das exportações.
O comércio é apenas uma parte da história
A investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial americana reúne temas que, à primeira vista, pouco teriam relação entre si.
O relatório menciona o Pix, decisões do Judiciário brasileiro envolvendo plataformas digitais, questões ambientais, regras comerciais e até aspectos relacionados à segurança pública.
A amplitude dos temas levanta uma questão inevitável: estamos diante apenas de uma disputa comercial ou de um movimento mais amplo de pressão política e econômica?
Essa segunda interpretação vem ganhando espaço entre analistas que enxergam na iniciativa americana uma tentativa de ampliar sua influência sobre decisões consideradas estratégicas para o Brasil.
O Pix virou alvo. E isso chama atenção.
Um dos pontos mais curiosos da investigação envolve o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.
O Pix se tornou uma referência internacional ao reduzir custos de transação, ampliar a inclusão financeira e aumentar a concorrência no sistema bancário.
O questionamento americano sugere que o modelo pode criar desequilíbrios competitivos para empresas privadas que atuam no setor de pagamentos.
Para críticos da medida, porém, o debate revela algo maior: o desconforto de parte do sistema financeiro internacional diante de uma solução desenvolvida fora dos grandes centros financeiros globais.
Independentemente da interpretação adotada, o fato é que o Pix deixou de ser apenas uma ferramenta de pagamentos para se transformar em um tema de relevância geopolítica.
A disputa também passa pelas Big Techs
Outro ponto sensível envolve decisões de tribunais brasileiros relacionadas a plataformas digitais como X, Meta e Google.
O relatório americano argumenta que determinadas medidas judiciais criam insegurança regulatória e afetam empresas sediadas nos Estados Unidos.
Do lado brasileiro, a interpretação é diferente.
As decisões são apresentadas como exercício legítimo da soberania nacional e da aplicação das leis brasileiras dentro do próprio território.
O episódio revela uma tendência crescente no mundo: a disputa entre governos nacionais e grandes empresas de tecnologia já não é apenas jurídica. Ela também se tornou econômica e geopolítica.
Meio ambiente e agronegócio entram novamente na discussão
As críticas relacionadas ao desmatamento ilegal também aparecem no relatório.
Embora a preservação ambiental seja uma preocupação legítima e global, setores do agronegócio frequentemente argumentam que a pauta ambiental pode ser utilizada como instrumento de proteção comercial por países desenvolvidos.
O debate não é novo.
Há anos, questões ambientais vêm sendo incorporadas a negociações comerciais, muitas vezes misturando preocupações legítimas com interesses econômicos.
Para um país cuja competitividade está fortemente ligada ao agronegócio, essa combinação exige atenção permanente.
O cronograma favorece Washington
Ao contrário de medidas anunciadas por decreto, a Seção 301 segue um rito formal previsto na legislação americana.
Isso confere maior robustez jurídica ao processo e reduz as possibilidades de reversão rápida.
O calendário também é apertado:
22 de junho: prazo para solicitar participação na audiência pública;
1º de julho: encerramento do recebimento de manifestações por escrito;
6 de julho: audiência pública em Washington;
15 de julho: decisão final sobre a aplicação das tarifas.
Na prática, o governo brasileiro terá poucas semanas para organizar sua defesa diplomática e mobilizar setores afetados.
Quando a segurança entra na mesa, a geopolítica aparece
O contexto ganhou novos contornos após a decisão americana de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Sob a ótica da segurança pública, a medida amplia instrumentos de combate financeiro e cooperação internacional.
Mas seus efeitos ultrapassam essa dimensão.
A classificação aumenta o nível de escrutínio sobre operações financeiras, empresas, cadeias logísticas e transações que possam, direta ou indiretamente, estar relacionadas a atividades ilícitas.
Em um ambiente global cada vez mais sensível ao risco, decisões dessa natureza podem influenciar a percepção de investidores e instituições financeiras internacionais.
O que está realmente em jogo?
A soma desses fatores sugere que o debate não se limita ao comércio exterior.
Pix, Big Techs, meio ambiente, segurança pública e tarifas aparecem reunidos em uma mesma investigação.
É difícil ignorar o componente estratégico dessa combinação.
Isso não significa que todas as alegações americanas sejam infundadas nem que todas as posições brasileiras estejam automaticamente corretas.
Significa apenas que a disputa parece refletir algo maior: a crescente competição por influência econômica, tecnológica e regulatória em um mundo cada vez mais fragmentado.
O desafio brasileiro
Nas próximas semanas, o Brasil terá de responder simultaneamente em três frentes: diplomática, comercial e política.
A defesa dos interesses nacionais exigirá capacidade técnica, articulação internacional e diálogo com os setores afetados.
Mais do que discutir tarifas, o país será chamado a defender sua autonomia regulatória, suas escolhas econômicas e sua posição no cenário internacional.
O resultado dessa disputa poderá dizer muito sobre o espaço que o Brasil pretende ocupar no mundo nas próximas décadas.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
Contando com importantes discussões técnicas e científicas, o 14º Congresso Nacional de Pesquisa do Feijão (Conafe) encerrou a sua programação nesta sexta-feira (29). O evento, referência nacional no âmbito dos estudos sobre a cultura do feijão, começou na última quarta-feira (27), na Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves (CAMG), em Belo Horizonte. A realização é da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), com apoio da Embrapa Arroz e Feijão.
Nesta edição, o congresso ampliou as discussões ao destacar o feijão como alimento promotor da saúde, norteando debates que conectaram desde o melhoramento genético até os impactos diretos no bem-estar do consumidor final.
“O nosso tema central está muito ligado ao que é considerado um dos maiores desafios da cultura, a diminuição no consumo. Em função disso, buscamos, no 14º Conafe, ter uma diversidade de discussões. Falamos de produção, da confecção dos pratos e intimamente do campo, tratando ao máximo aspectos que perpassam por esse recuo”, ressaltou Fábio Aurélio Martins, pesquisador da Epamig e um dos organizadores do evento.
Segundo Fábio, a pluralidade de participantes e palestrantes, vindos de diferentes localidades, foi, também, um fator agregador para os debates.
“O feijão é um alimento essencial para a África e para o mundo. Sou grato pelos aprendizados adquiridos no evento sobre essa cultura. Também agradeço a oportunidade de estar no Brasil e estudar em um país que representa tanta esperança no campo da agricultura”, afirmou Covenant Lje Egbaji, da Nigéria, estudante da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF).
Durante o último dia do evento, os participantes acompanharam os painéis temáticos 6 e 7, que abordaram aspectos como políticas públicas, agricultura familiar, sistemas de cultivo e o cenário da produção de sementes.
Ao longo dos três dias, o público também pôde visitar a área de apresentação de trabalhos científicos, com estudos submetidos por pesquisadores e estudantes de diferentes instituições, previamente avaliados pela Comissão Científica do evento.
Para Trazilbo de Paula, diretor de Pesquisa e Inovação da Epamig, o evento cumpre, mais uma vez, o seu papel de conectar diferentes atores da cadeia produtiva do feijão.
“Tivemos conexões e ensinamentos voltados à importância do feijão na saúde humana. Além disso, vimos como o tema “produção” ganha destaque, despertando o interesse de melhoristas, estudantes, pesquisadores e agricultores que passaram pelo evento”, enfatiza.
“Diante das discussões, percebemos como todos esses aspectos, que já estão sendo tratados nos últimos anos, ganham um realce novo, a partir de experiências adquiridas pelos novos pesquisadores e instituições tradicionais”, acrescenta.
O encerramento do evento contou ainda com a premiação dos melhores trabalhos científicos e homenagens aos profissionais e instituições que contribuíram para a realização do congresso.
A 14º edição do Conafe contou com o patrocínio de Bayer, Crescent Seeds, Syngenta e apoio institucional do Sistema Ocemg.