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A equipe técnica da consultoria esteve em dois estados – Foto: Nadia Borges
A irregularidade das chuvas em abril reduziu o potencial produtivo do milho safrinha em parte das principais regiões produtoras do país, embora o quadro geral ainda não indique perdas severas. Segundo avaliação preliminar da Veeries, baseada em visitas de campo, dados de satélite e informações regionais, as lavouras do Paraná e de Mato Grosso do Sul sentiram os efeitos de um período de pouca umidade em fases consideradas críticas do desenvolvimento.
A equipe técnica da consultoria esteve nos dois estados na semana passada para uma leitura antecipada das condições das lavouras. Os primeiros dados indicam que algumas áreas foram afetadas, o que diminui as chances de a safrinha superar o desempenho do ciclo anterior, 2024/25. Em determinadas regiões, os resultados podem ficar ligeiramente abaixo dos observados na temporada passada.
Apesar disso, a avaliação não aponta um cenário ruim. A leitura é de uma safra sem surpresa positiva nos dois estados, mas ainda com desempenho dentro de uma faixa considerada razoável. No restante do país, as condições são melhores em parte importante de Mato Grosso, especialmente no Médio-Norte, Norte e Oeste, onde dados de satélite e relatos de campo mostram bom desenvolvimento das lavouras.
Por outro lado, a falta de chuva na segunda metade de abril comprometeu o potencial da safrinha no Sudeste e no Leste de Mato Grosso, além de áreas de Goiás e Minas Gerais. A Veeries informou que as estimativas serão ajustadas nos próximos roteiros de Crop Tour, alguns exclusivos e outros em parceria com tradings. O próximo levantamento está previsto para começar em 4 de maio, no Médio-Norte mato-grossense.
Marco histórico na expansão da soja enquanto produto comercial, a variedade Santa Rosa, conectou diferentes regiões do país e o Brasil ao mundo. Lançada em 1966, durante a 1ª Feira Nacional da Soja (Fenasoja), em Santa Rosa (RS), a cultivar é considerada a primeira soja genuinamente brasileira de importância comercial. Desde então importantes avanços científicos e tecnológicos foram registrados e, atualmente, o Brasil lidera a produção mundial de soja, com projeção de produção de 179,2 milhões de toneladas na safra 2025/26, segundo a Conab.
Inicialmente, o cultivo enfrentou dificuldades de adaptação, principalmente climáticas, sendo que até os anos 1960, havia uma dependência de cultivares importadas dos Estados Unidos. Como resposta a esses desafios, em 1966, ocorre o lançamento da cultivar Santa Rosa, durante a Fenasoja. Com isso, a cultivar e a feira, comemoram, em 2026, 60 anos de história.
Essa importância será reconhecida durante a feira deste ano, com a inauguração de um monumento em homenagem à cultivar. O ato ocorre no dia 4 de maio, às 17h, no Parque de Exposições de Santa Rosa, município oficialmente reconhecido como Berço Nacional da Soja.
Desde seu lançamento em 1966, outros avanços genéticos e resultados a campo foram observados. A ciência e a produtividade, com o surgimento de novas cultivares, permitiram um salto de 1000 quilos por hectare, para uma média de 4000 quilos por hectare, fazendo com que a cadeia da soja seja responsável por aproximadamente 6% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
O caso da família Daltrozo é um exemplo da conexão e dos avanços iniciados com a cultivar e que depois passaram por avanços. Quando nos anos 1970, os irmãos Daltrozo – sendo eles Osvaldo, Wilson, Luiz Carlos e Darci – saíram de Cruz Alta, município gaúcho a 141 quilômetros de Santa Rosa, levando consigo as sementes que permitiram que a família se tornasse uma das pioneiras na produção de soja na região de Primavera do Leste, no Mato Grosso. Hoje, segundo Lucas Daltrozo, neto de Wilson, a família segue o legado de resiliência, que levou a cultivar Santa Rosa à região, e de outras pessoas que abriram fronteiras agrícolas e contribuíram para que o Brasil se tornasse o maior produtor de soja do mundo. Atualmente, seguem cultivando soja em Primavera do Leste, um dos principais municípios produtores do país.
A partir dos anos 1970, o avanço da pesquisa agropecuária no Brasil, com a criação da Embrapa, permitiu o surgimento de variedades de soja adaptadas ao clima de diferentes regiões. Isso abriu caminho para a expansão da cultura em diferentes regiões, oportunizando que famílias como a Daltrozo, por exemplo, ampliassem os horizontes agrícolas no Cerrado.
Com o tempo, novas cultivares trouxeram mais produtividade e resistência a doenças. Nos anos 1990, surgiram variedades mais resistentes a doenças, como o cancro-da-haste. Já nos anos 2000, os avanços permitiram que diferentes regiões adotassem a segunda safra, com melhores resultados.
A partir de 2010, as tecnologias avançaram ainda mais, com plantas resistentes a pragas e doenças. Hoje, as cultivares mais modernas combinam alta produtividade, estabilidade e adaptação a diferentes regiões do país.
Santa Rosa, reconhecida como Berço Nacional da Soja, sedia nos próximos dez dias (1º a 10/05) a edição da Fenasoja que comemora os 60 anos do evento, no Parque de Exposições Alfredo Leandro Carlson. Integrando a programação da feira, foi realizado na manhã desta sexta-feira (1º/05) o ato que marca o Encerramento Nacional da Colheita da Soja, com a presença do vice-governador Gabriel Souza e diversas autoridades, oportunidade em que a Emater/RS-Ascar apresentou os dados relativos à segunda Estimativa da Safra 2025-2026 para a soja e o milho. Na região de Santa Rosa a colheita da soja já chegou a 77% do total cultivado, e no caso do milho esse percentual chega a 94%.
Os números, apresentados pelo presidente da Emater/RS, Claudinei Baldissera, mostram que na estimativa atual a área de produção de soja na regional é de 784.008 hectares. A produtividade esperada atualmente é de 2.350 kg/ha, com expectativa de colher 1.842.419 toneladas. “A safra de verão da soja, um importante componente da agricultura regional, demonstra sensibilidade às condições climáticas. Os dados revelam um cenário desafiador”, destacou o presidente.
Os trabalhos de colheita já alcançaram 77% da área cultivada na região, como mostra o último Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, divulgado na quinta-feira (30/04). Outros 14% estão em maturação, 8% em enchimento de grãos e 1% em floração. Fatores como a distribuição das chuvas, manejo e tipo de solo influenciam na variabilidade produtiva, com registros que vão de 1.200 a 4.200 kg/ha até o momento. “É importante ressaltar a heterogeneidade regional, com variações significativas, especialmente em função da escassez de chuvas, que impacta diretamente o desempenho das lavouras”, observou Baldissera.
No milho a produção deve ser 66.822 toneladas maior do que fora previsto inicialmente. No plantio era esperada a colheita de 1.133.008 toneladas e agora a projeção é de 1.199.830 toneladas. A área também foi revisada para cima, tendo sido registrados 12.703 hectares a mais, quando comparados os 137.501 ha da primeira estimativa com os 150.204 ha de agora. A produtividade média indicada pela estimativa atual é de 7.988 kg/ha, menos 3,1% do que os 8.240 kg/ha iniciais. “O milho tem demonstrado maior estabilidade na produção, especialmente quando cultivado dentro da janela adequada e com práticas de manejo apropriadas”, afirmou.
A colheita do milho já foi concluída em 94% das áreas plantadas na região, restando pequenas parcelas em floração (1%), enchimento de grãos (4%) e maturação (1%). As chuvas ocorridas recentemente favoreceram o desenvolvimento das lavouras, e não há registros relevantes de pragas ou doenças. Porém, há preocupação com a possibilidade de geadas precoces interferirem na finalização do ciclo. “Há uma preocupação constante com os eventos climáticos, e a possibilidade de geadas precoces pode interferir na fase final das lavouras”, alertou o presidente.
No Estado a área plantada com soja, pela estimativa, é de 6.624.988 hectares, com produtividade de 2.871 kg/ha e produção de 19.017.426 toneladas. A área do milho estimada no RS é de 803.019 hectares, com produtividade de 7.424 kg/ha, que devem resultar em uma produção final de 5.961.639 toneladas do cereal.
“A redução na produção e seus impactos financeiros são notáveis, com perdas expressivas, o que reforça a necessidade de avaliar a vulnerabilidade climática e avançar em políticas públicas voltadas à irrigação, manejo e conservação do solo e da água”, concluiu Baldissera.
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Foto: Redação Agrishow
A Agrishow divulgou nesta sexta-feira (1º) o balanço final de sua 31ª edição, com R$ 11,4 bilhões em intenção de negócios nos setores de máquinas agrícolas, irrigação e armazenagem. O resultado representa uma queda de 22% em relação ao ano anterior.
Ao longo dos cinco dias, o evento reuniu 197 mil visitantes, volume semelhante ao registrado na edição anterior. No último dia, feriado de 1º de maio, a organização antecipou a abertura dos portões para as 7h30 para atender à demanda de público.
De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, os números refletem o cenário atual do setor. Na quarta-feira (29), o presidente da Câmara de Máquinas e Implementos Agrícolas da entidade, Pedro Estevão, informou queda de 19,9% nas vendas internas de máquinas e equipamentos agrícolas no primeiro trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. “Este cenário é decorrente da alta taxa de juros, variação cambial e preço desfavorável das commodities”, diz Estevão.
O presidente da Agrishow, João Marchesan, destacou a continuidade dos investimentos no setor apesar do momento. “A Agrishow demonstra, mais uma vez, a competência e resiliência dos agricultores e fabricantes de máquinas agrícolas do Brasil. Muito embora nós estejamos vivendo, há três anos, um mercado desfavorável, continuamos investindo no que há de melhor para a agricultura tropical no Brasil. E para tanto, acreditamos que este país e o futuro dele vem do agronegócio. E não importa o momento que estamos vivendo, pois sabemos que a agricultura vive de ciclos e este é desfavorável, mas temos convicção que este e os próximos anos serão favoráveis. Estaremos preparados para continuar atendendo à demanda do mercado brasileiro”, afirma João Marchesan.
O mercado brasileiro de soja encerrou o mês de abril com preços estáveis e baixo volume de negociações, refletindo um período de cautela por parte dos produtores. Ao longo do mês, as vendas foram pontuais, com foco no encerramento da colheita e na expectativa por condições mais favoráveis de comercialização.
Entre os principais fatores que influenciam a formação de preços, o cenário foi misto. Na Bolsa de Mercadorias de Chicago, os contratos futuros apresentaram leve valorização, enquanto no Brasil o câmbio atuou de forma negativa, com a queda do dólar frente ao real pressionando os preços internos.
Preços no Brasil
No mercado físico, houve pequenas variações nas cotações. Em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos subiu de R$ 124,00 para R$ 125,00. Já em Cascavel (PR), o avanço foi de R$ 120,00 para R$ 121,00, enquanto em Rondonópolis (MT) os preços passaram de R$ 108,00 para R$ 110,00. No Porto de Paranaguá (PR), a cotação saiu de R$ 130,00 para R$ 131,00.
Contratos futuros de soja
Os contratos futuros com vencimento em julho, os mais negociados em Chicago, acumularam alta de 0,75% no mês, sendo cotados a US$ 11,95 por bushel no dia 30. O suporte veio, principalmente, da valorização do petróleo em meio às tensões no Oriente Médio e de sinais de retomada na demanda norte-americana.
Soja em Chicago
No cenário internacional, o mercado acompanha expectativas envolvendo os Estados Unidos e a China, com possíveis acordos comerciais que possam impulsionar as exportações da oleaginosa. Ainda assim, o ambiente segue pressionado pela ampla oferta global, com destaque para a safra recorde brasileira, boa produção na Argentina e perspectivas positivas para o plantio americano.
Câmbio
Internamente, o câmbio segue como fator limitante. O dólar operou abaixo de R$ 5,00 no fim de abril, sendo cotado a R$ 4,997 no dia 30, acumulando queda de 3,5% no mês. A entrada de capital estrangeiro, atraído pelos juros elevados no Brasil, contribuiu para a valorização do real e impactou negativamente a competitividade das exportações.
Os preços do milho se mantiveram estáveis no mercado brasileiro na última semana de abril, segundo análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário, referente ao período de 24 a 30 de abril. No Rio Grande do Sul, as principais praças seguiram com valores de R$ 57,00 por saca, enquanto nas demais regiões do país as cotações variaram entre R$ 52,00 e R$ 63,00.
Com o avanço da colheita da safra de verão, que atingiu 62% da área, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento, o mercado passa a concentrar atenção na segunda safra, cujo plantio já foi concluído. Nesse cenário, as condições climáticas têm gerado preocupação, com registro de tempo quente e seco em diferentes regiões produtoras, o que pode resultar em uma colheita inferior à do ciclo anterior.
No lado da demanda, o ritmo segue moderado. Consumidores têm priorizado o uso de estoques, o que reduz a pressão por novas compras. A expectativa de estoques de passagem mais elevados para o próximo ano também contribui para a postura cautelosa, com agentes aguardando possíveis recuos nos preços nas próximas semanas.
De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento, a safrinha apresentava, no fim de abril, 26,1% das lavouras em desenvolvimento vegetativo, 44,4% em floração, 29,2% em enchimento de grãos e 0,3% em maturação.
No comércio exterior, os embarques brasileiros registraram avanço no período. Dados da Secretaria de Comércio Exterior indicam que, nos primeiros 16 dias úteis de abril, foram exportadas 443.081 toneladas de milho, com aumento de 210,5% na média diária em relação a abril do ano anterior. Apesar do crescimento no volume, o preço médio recuou 6,5%, passando de US$ 272,00 por tonelada em abril de 2025 para US$ 254,30 em abril de 2026.
A 91ª Expozebu definiu, na manhã deste sábado (2), os grandes campeões das principais raças zebuínas do país. Ao todo, 44 animais foram consagrados entre campeões e reservados, em um dos momentos mais aguardados da programação do evento, realizado em Uberaba (MG).
Os resultados abrangem raças de corte e leite, com destaque para nelore, gir, guzerá, brahman e tabapuã, entre outras. A avaliação leva em conta critérios como padrão racial, conformação, funcionalidade e características produtivas.
Na raça brahman, MS Terra Verde 1911 FIV foi eleita Grande Campeã, enquanto MR Assu 1737 levou o título entre os machos.
No nelore, principal raça de corte do país, Courchevel FIV CBA conquistou o título de Grande Campeã. Já Stallone FIV Sausalito foi o Grande Campeão.
Entre os animais de aptidão leiteira, o gir leiteiro teve como campeões Betina FIV Irmãos Chiari (fêmea) e Teórico FIV (macho). No guzerá, os títulos principais ficaram com Patna FIV El Giza e Oriente FIV LBN.
Seleção genética e diversidade
O indubrasil teve domínio de um único expositor, com todos os títulos principais conquistados por animais da Fazenda Induberaba.
Na raça tabapuã, Origem FIV TJG foi a Grande Campeã, e Getúlio FIV de Tabapuã venceu entre os machos.
Os julgamentos também premiaram animais das raças gir dupla aptidão, guzerá leiteiro, sindi, nelore mocho e nelore pelagens, reforçando a diversidade genética e o avanço da seleção no rebanho brasileiro.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) registrou, neste mês de abril, o primeiro nascimento de filhotes de arara-vermelha-grande (Ara chloropterus) na Mata Atlântica, quase duzentos anos após a extinção da espécie nesse bioma.
O resultado foi alcançado pelo Projeto de Reintrodução da Arara-vermelha-grande na Mata Atlântica, iniciado em 2022, por meio do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama em Porto Seguro, no sul da Bahia.
Trata-se da primeira reintrodução documentada da espécie no bioma, com registro de filhotes nascidos na natureza após a sua extinção no litoral brasileiro, configurando um marco para a conservação da Mata Atlântica.
Originalmente, a arara-vermelha-grande possuía ampla distribuição geográfica, ocorrendo em quase todo o Brasil, exceto em alguns estados do Nordeste e do Sul. A espécie foi registrada na Mata Atlântica desde o ano de 1500, na Carta de Pero Vaz de Caminha, que a descreveu como “papagaios vermelhos, muito grandes e formosos”.
A presença dessas aves na Mata Atlântica baiana também foi descrita por viajantes como o príncipe Maximiliano de Wied-Neuwied, que registrou sua ocorrência entre o Rio Mucuri e Salvador.
Causas da extinção
Apesar de sua ampla distribuição histórica, o desmatamento e a captura ilegal levaram à extinção da arara-vermelha-grande em todo o litoral brasileiro.
Atualmente, as populações selvagens da espécie estão concentradas no interior do país, principalmente nas regiões Centro-Oeste e Norte. O projeto do Ibama busca reverter esse cenário, promovendo o retorno da espécie ao litoral brasileiro.
Ação realizada
Como não existem mais populações selvagens da espécie na Mata Atlântica, os indivíduos utilizados no projeto são oriundos de cativeiro, provenientes de doações de particulares ou apreensões realizadas em ações de combate ao tráfico de animais silvestres.
Ao chegarem ao Cetas Porto Seguro, as aves passam por identificação com microchips e anilhas metálicas, quarentena, avaliação clínica e comportamental e testes sanitários.
Foto: Cetas Porto Seguro/Ibama
Em seguida, são inseridas em viveiros de voo, onde passam por treinamento que inclui condicionamento físico, socialização e adaptação ao ambiente natural, com oferta de frutos nativos e instalação de caixas-ninho artificiais.
A área escolhida para a soltura do primeiro grupo de aves foi um fragmento de Mata Atlântica com cerca de 7 mil hectares em estágio avançado de regeneração, que inclui a Estação Veracel, maior Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) de Mata Atlântica no Nordeste, localizada em Porto Seguro. No local, foram instalados comedouros e caixas-ninho artificiais para facilitar a adaptação das aves.
Primeira soltura
O primeiro lote de araras foi solto em 2024. Embora estudos indiquem que o período para reprodução possa chegar a cinco anos, foi observado que algumas caixas-ninho já estavam ocupadas no primeiro ano após a soltura. Em 2026, casais passaram a defender essas estruturas, indicando comportamento reprodutivo.
Segundo a analista ambiental do Ibama e coordenadora do projeto, Ligia Ilg, o monitoramento identificou um casal permanecendo por longos períodos em uma das caixas-ninho. A equipe optou por acompanhamento à distância para não interferir no processo.
Foto: Cetas Porto Seguro/Ibama
Em seguida, foi confirmado o nascimento de dois filhotes, que já foram observados voando, sendo alimentados pelos pais e iniciando a exploração de alimentos de forma independente.
A experiência também contribui para desfazer a ideia de que aves mantidas em cativeiro não conseguem retornar à natureza.
Segundo Ligia Ilg, registros anteriores já haviam demonstrado a reprodução de papagaios-do-mangue e periquitos-rei na natureza, mesmo sendo oriundos de cativeiro. O comportamento natural pode ser recuperado por meio de treinamento e convivência com outros indivíduos da mesma espécie.
Sobre a espécie
A arara-vermelha-grande desempenha importante papel ecológico, alimentando-se de frutos e sementes e contribuindo para sua dispersão. Devido ao seu porte, a espécie é capaz de transportar sementes por longas distâncias, favorecendo a regeneração florestal e atuando como “engenheira de ecossistemas”, influenciando a biodiversidade e a dinâmica ambiental.
Soltura de aves
Os proprietários de aves adquiridas legalmente, os zoológicos, os centros de triagem e reabilitação animal e demais entidades de proteção ambiental que desejarem contribuir com o Projeto de Reintrodução da Arara-vermelha-grande na Mata Atlântica podem disponibilizar aves dessa espécie para o Cetas do Ibama em Porto Seguro.
Dessa maneira, os animais poderão integrar os novos grupos de aves que estão sendo treinados para soltura. Para isso, basta entrar em contato pelo e-mailligia.ilg@ibama.gov.br
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu, neste sábado (2), dois alertas laranja de perigo para chuvas intensas em áreas do Nordeste e da Região Sul, além de um terceiro aviso para ventos costeiros no Sul e no litoral sul de São Paulo.
Os avisos abrangem estados com previsão de elevados acumulados de chuva, ventos fortes e mudança nas condições do tempo ao longo do fim de semana.
No Nordeste, o alerta vale durante todo este sábado (2) e atinge áreas do Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte. Segundo o Inmet, os volumes podem chegar a 100 milímetros (mm) por dia, com ventos entre 60 e 100 quilômetros por hora (km/h).
Na Região Sul, o aviso começou às 10h deste sábado (2) e tem vigência de 24 horas. As áreas sob alerta estão no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná. Um terceiro aviso laranja, também iniciado às 10h, trata de ventos costeiros e alcança faixas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e o litoral sul paulista.
De acordo com o instituto, a instabilidade no Sul está associada à atuação de uma frente fria. No Rio Grande do Sul, há previsão de temporais, rajadas de vento e possibilidade de granizo até este sábado (2). No domingo (3), com o avanço do sistema, uma massa de ar seco deve ingressar no estado, derrubando as temperaturas mínimas para valores entre 0 grau Celsius (°C) e 4°C.
O Inmet informa ainda que as chuvas devem avançar para Santa Catarina, Paraná e o litoral de São Paulo e Rio de Janeiro, com acumulados de 60 mm por dia e pontos acima de 100 mm no Rio Grande do Sul.
No Norte e no Nordeste, os maiores volumes previstos ficam entre Rio Grande do Norte e Pernambuco e entre Amapá e Pará, em torno de 70 mm/dia. Na Paraíba, cidades como Campina Grande, Sapé e Areia podem registrar até 80 mm/dia. O governo do estado já decretou situação de emergência nas áreas afetadas.
Para as áreas centrais do país, que incluem Centro-Oeste e parte do Sudeste, o cenário é oposto. O Inmet não prevê chuva nos próximos dias e indica umidade relativa do ar entre 30% e 40% no período da tarde, com temperaturas máximas entre 34°C e 36°C, especialmente em Mato Grosso do Sul e no sul de Mato Grosso.
Brasil e Canadá realizaram uma nova rodada de negociações do acordo comercial entre o Mercosul e o governo canadense, com reuniões técnicas presenciais e híbridas, que ocorreram entre 27 e 30 de abril.
De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o ciclo mais recente ampliou o debate sobre temas centrais do tratado e deixou três capítulos próximos da conclusão. Novos encontros estão previstos para maio.
Segundo nota divulgada pelo Mapa nesta sexta-feira (1º), os grupos técnicos se reuniram para discutir comércio de bens, serviços e serviços financeiros, regras de origem, propriedade intelectual, barreiras sanitárias e fitossanitárias, além de comércio e desenvolvimento sustentável.
Também houve reuniões em formato híbrido sobre compras governamentais, barreiras técnicas ao comércio e comércio e trabalho. Esse conjunto de temas é considerado estruturante em acordos comerciais porque define as condições de acesso a mercado, critérios de certificação, exigências regulatórias e parâmetros para circulação de produtos e serviços entre os países.
O ministério informou ainda que, ao fim da rodada, três capítulos do acordo comercial se encaminharam para o encerramento. No entanto, a pasta não detalhou, na nota oficial, quais capítulos avançaram nem o estágio exato de consolidação de cada um.
A retomada das tratativas ocorre em um momento de ampliação da agenda externa do bloco. Na terça-feira (28), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou a promulgação do acordo entre Mercosul e União Europeia, que passou a valer nesta sexta-feira (1º). Na ocasião, o presidente citou o Canadá como parceiro estratégico em futuras negociações.
No caso do agronegócio, o avanço técnico tende a ser acompanhado com atenção porque capítulos sobre barreiras sanitárias e fitossanitárias, regras de origem e comércio de bens influenciam diretamente requisitos de exportação, certificações e previsibilidade regulatória.
Os impactos práticos, porém, dependem da conclusão formal do acordo e da divulgação de seus termos finais.
A próxima etapa será a rodada prevista para maio. Até lá, o ponto central será verificar se os capítulos em fase final serão efetivamente concluídos e se haverá definição sobre temas sensíveis para exportações, compras governamentais e exigências técnicas.