quinta-feira, julho 2, 2026

Autor: Redação

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Lula e Trump: o pragmatismo e a defesa da soberania no encontro em Washington


Trump e Lula postam foto sorrindo em encontro na Casa Branca
Foto: PR/ Ricardo Stuckert

O cenário político global acompanhou com atenção o encontro desta quinta-feira (7) entre o presidente Lula e o presidente Donald Trump, na Casa Branca. O que se viu foi uma reunião de peso, um encontro “Pedrão”, como se diz no bastidor político, realizada a portas fechadas, onde o protocolo deu lugar a uma conversa direta sobre os temas que realmente tensionam a relação entre as duas maiores economias das Américas.

O saldo principal não foi apenas um aperto de mãos, mas a vitória do pragmatismo e da defesa dos recursos naturais brasileiros.

O impasse das tarifas: Brasil e EUA definem prazo de 30 dias para evitar guerra comercial

O ponto mais sensível da pauta foi a questão comercial, especificamente a polêmica Seção 301. Para quem não está familiarizado com o termo, essa é uma legislação americana que permite investigar e aplicar tarifas pesadas contra países suspeitos de práticas comerciais desleais.

Havia um impasse nítido: Trump alega que o Brasil cobra taxas excessivas dos produtos americanos, enquanto o governo brasileiro sustenta que seus impostos estão dentro da média internacional.

Em vez de uma guerra tarifária imediata, o bom senso prevaleceu. Os presidentes estabeleceram um prazo de 30 dias para que seus ministros discutam os dados técnicos e cheguem a um consenso.

Na prática, o Brasil ganhou um tempo precioso para provar que joga limpo e evitar prejuízos bilionários às nossas exportações.

Mas o grande trunfo estratégico do Brasil na mesa de negociações foi o setor de minerais críticos e terras raras. Lula foi enfático ao apresentar o novo marco legal do setor, aprovado pelo Congresso na véspera da visita.

Ele deixou claro que o Brasil não aceitará ser um mero exportador de matéria-prima bruta. “Terras Raras: Brasil abre mercado para investimentos, mas exige industrialização em solo nacional.”

O mercado brasileiro está aberto para investimentos dos EUA

O Brasil quer parcerias para processar e industrializar esses minerais em solo nacional, e está disposto a negociar com americanos, chineses, europeus ou qualquer país que aceite o modelo de transferência de tecnologia e soberania. É o fim da era em que o Brasil apenas “mandava o ouro embora”.

Curiosamente, temas que geram barulho nas redes sociais, como o sistema PIX ou a classificação de facções criminosas como organizações terroristas, ficaram em segundo plano.

Lula confirmou que esses assuntos não avançaram simplesmente porque não foram o foco do interesse mútuo naquele momento. O foco real foi o “chão de fábrica” da diplomacia: economia e estabilidade.

Soberania em pauta: Lula pede respeito ao processo eleitoral brasileiro

No campo político, Lula ainda reforçou um pedido de não interferência nas eleições brasileiras, reafirmando que a democracia do país deve ser decidida soberanamente pelo seu povo, sem influências externas.

Ao final, a reunião mostrou que a relação entre Brasil e Estados Unidos é maior que os ocupantes momentâneos do poder. Lula e Trump demonstraram que, mesmo com visões de mundo opostas, é possível sentar à mesa e negociar prazos que evitem crises.

O Brasil sai de Washington com o dever de casa de resolver o nó das tarifas em um mês, mas com a imagem de um país que conhece o valor de suas riquezas naturais e que não abre mão de ser o dono do seu próprio destino econômico.

Para finalizar: Um detalhe curioso dos bastidores foi o pedido bem-humorado de Lula para que Donald Trump “saísse rindo nas fotos”. O pedido parece ter surtido efeito: nos registros oficiais após a conversa, o semblante carregado do americano deu lugar a sorrisos ao lado do presidente brasileiro, selando o clima de “química” política que marcou o dia.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Exportações de carne bovina batem recorde em abril e receita supera US$ 1,5 bilhão


pedaços de carne bovina
Foto: RastreIA

As exportações brasileiras de carne bovina in natura registraram novo recorde para o mês de abril, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (8) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e analisados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

De acordo com o levantamento, o Brasil embarcou 251,9 mil toneladas da proteína no mês passado. O volume supera o recorde anterior para abril, registrado em 2025, quando os embarques somaram 241,5 mil toneladas.

Outro destaque foi o avanço do preço médio da carne bovina exportada. O valor ultrapassou a marca de US$ 6 mil por tonelada, atingindo US$ 6.241,50 por tonelada, alta de 24,1% em relação a abril do ano passado.

Segundo o Cepea, esse patamar de preços havia sido registrado pela última vez em 2022, entre os meses de abril e agosto.

Com o avanço do volume exportado e dos preços internacionais, a receita obtida pelo Brasil com os embarques de carne bovina in natura alcançou US$ 1,57 bilhão em abril.

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Primeira onda de frio do ano provoca queda nas temperaturas e temporais no fim de semana


Imagem gerado por IA para o Canal Rural

O avanço de uma frente fria associada à formação de um ciclone extratropical deve provocar um fim de semana de tempo severo em parte do Brasil, especialmente na região Sul. Além da chuva forte, há previsão de rajadas intensas de vento, mar agitado e queda acentuada das temperaturas com a chegada da primeira onda de frio de 2026.

Nesta sexta-feira (8), as instabilidades ganham força no Rio Grande do Sul desde as primeiras horas do dia. A combinação entre a frente fria, o ciclone no oceano e a atuação de um cavado meteorológico favorece temporais, trovoadas, eventual queda de granizo e altos volumes de chuva no estado. O alerta é maior para áreas do norte e noroeste gaúcho, além do oeste de Santa Catarina e do Paraná.

As rajadas de vento podem chegar a 90 km/h em pontos do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. O mar também fica agitado no litoral gaúcho e catarinense. Com a entrada da massa de ar polar, as temperaturas despencam e o frio deve avançar por toda a região Sul até a próxima semana.

Sul terá chuva intensa e risco de geada

No sábado (9), a frente fria continua avançando pelo Sul do país. Paraná e Santa Catarina seguem com chuva moderada a forte, temporais e risco de acumulados elevados. Já no Rio Grande do Sul, o tempo começa a firmar em grande parte das áreas, mas o frio aumenta com o avanço da massa de ar polar.

No domingo (10), o ciclone segue atuando no oceano e mantém chuva forte principalmente no Paraná e no norte e leste catarinense. Enquanto isso, o Rio Grande do Sul terá predomínio de tempo firme, mas com frio intenso. Há possibilidade de geada nas áreas de serra e no sul gaúcho, além de chance de precipitação invernal nos pontos mais altos das serras gaúcha e catarinense entre a noite de sábado e a madrugada de domingo.

São Paulo terá virada no tempo durante o fim de semana

Em São Paulo, a sexta-feira ainda será marcada por calor e tempo firme na capital, com máxima de até 29°C. No entanto, a frente fria provoca aumento da chuva no oeste e sul paulista, com pancadas moderadas a fortes e trovoadas.

No sábado, as instabilidades avançam pelo interior, litoral sul e Baixada Santista. A chuva pode ganhar força ao longo da tarde e da noite. Na capital paulista, o tempo segue mais firme durante o dia, mas há possibilidade de chuva fraca à noite.

Já no domingo, a frente fria avança com mais intensidade e espalha chuva por grande parte do estado. Há risco de temporais na Grande São Paulo, interior e litoral, além de rajadas de vento. As temperaturas entram em declínio e o dia fica mais ameno, principalmente no centro-sul paulista. Existe ainda possibilidade de geada fraca em áreas de baixada próximas à divisa com o Paraná.

Sudeste terá chuva entre São Paulo, Rio e Espírito Santo

No restante do Sudeste, o fim de semana será marcado pela influência da frente fria e da circulação marítima. No sábado, áreas do Espírito Santo e do leste de Minas Gerais seguem com chuva fraca a moderada, enquanto o sul e interior paulista terão chuva mais intensa.

No domingo, as instabilidades avançam também sobre o Rio de Janeiro, Zona da Mata mineira e sul capixaba, com risco de temporais e acumulados elevados. O mar fica agitado no litoral paulista e fluminense.

Centro-Oeste terá temporais em Mato Grosso do Sul

No Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul concentra os maiores volumes de chuva do fim de semana. A frente fria provoca temporais, trovoadas e risco de acumulados elevados principalmente entre sábado e domingo, sobretudo nas regiões sul, oeste e sudoeste do estado.

Além da chuva, a massa de ar polar derruba as temperaturas no sul sul-mato-grossense. Já em Mato Grosso e Goiás, o tempo permanece mais firme na maior parte das áreas, com calor predominando.

Nordeste segue com chuva no litoral

No Nordeste, a circulação marítima e a atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) mantêm chuva frequente no litoral entre o Rio Grande do Norte e a Bahia ao longo do fim de semana.

Há risco de temporais e acumulados elevados principalmente entre Maranhão, Piauí, Ceará e parte do litoral nordestino. Nas demais áreas do interior, o tempo segue firme e quente.

Norte continua com temporais e sensação de abafamento

Na região Norte, a alta umidade mantém pancadas de chuva frequentes no Amazonas, Pará, Amapá e Roraima. O risco de temporais segue elevado durante o fim de semana, especialmente no norte do Amazonas, sul de Roraima e Amapá.

No Acre e em Rondônia, a chegada da massa de ar polar reduz as temperaturas no domingo, enquanto o restante da região continua com sensação de abafamento.

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Prova Brasileira de Produção de Leite a Pasto do Zebu Leiteiro realiza premiação no CTZL


A premiação da décima Prova Brasileira de Produção de Leite a Pasto do Zebu Leiteiro será realizada na quarta-feira (13), no Centro de Tecnologia para Raças Zebuínas Leiteiras (CTZL), localizado no Recanto das Emas, das 8h às 13h. Na ocasião, serão apresentados os resultados finais da prova e promovida uma visita ao campo para conhecer os animais participantes.

A Prova é um teste zootécnico realizado anualmente pelo CTZL, ambiente de inovação ligado à Embrapa Cerrados, em parceria com a Associação de Criadores de Zebu do Planalto (ACZP) e outras entidades. O objetivo é identificar as matrizes mais rentáveis para a produção de leite a pasto, com baixo custo, por meio da mensuração de lactações completas. Trata-se também de uma oportunidade para que produtores atestem o potencial genético de seus animais, com a chancela da Embrapa e da ACZP.

Animais de criadores de todo o Brasil são mantidos no CTZL em sistema de pastagem manejada sob lotação rotacionada, em uma área de 12 hectares dividida em 16 piquetes. A avaliação prioriza o bem-estar das matrizes e dos bezerros e busca promover o melhoramento genético das raças participantes, contribuindo para o aumento da produtividade e a sustentabilidade da pecuária leiteira no Brasil Central.

De acordo com o pesquisador Carlos Frederico Martins, coordenador da prova, a avaliação considera lactações completas de animais das raças Gir Leiteiro, Sindi, Guzerá e de cruzamentos, por meio do Programa PMGZ Leite Max, da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ). “As novilhas avaliadas são ranqueadas por meio de um índice ponderado, composto pelas seguintes características: produção de leite, intervalo do parto à concepção, idade ao primeiro parto, teores de gordura e proteína no leite, contagem de células somáticas, conformação racial e persistência de lactação”, explicou.

Os animais participantes desta edição foram inscritos entre junho e outubro de 2024, com inseminação ou monta realizada entre março e abril do mesmo ano. As novilhas ingressaram no CTZL em outubro, e os partos ocorreram entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025.

Acesse aqui a programação do evento.

Acesse o vídeo para mais informações sobre a Prova:

Faça um tour virtual para conhecer mais o CTZL:

https://virtual.my360.com.br/multi-tour/embrapa-brasilia-cerrados/index.html 





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Petróleo volta a ultrapassar a faixa dos US$ 100 e causa tensão no mercado global


PODCAST Diário Econômico

No morning call de hoje, a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, destaca que tensões no Oriente Médio devolveram volatilidade aos mercados após dois dias de alívio. O petróleo voltou à faixa dos US$ 100 com dúvidas sobre o Estreito de Ormuz, e o Ibovespa caiu 2,38% na maior queda diária desde março.

Dólar ficou estável em R$ 4,92, sustentado pelo superávit comercial recorde. Hoje, foco no payroll dos EUA e seus impactos sobre a política de juros do Fed.

Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.

Para mais conteúdos de mercado financeiro, acesse: Bom Dia Mercado!

Ariane Benedito, apresentadora do podcast Diário Econômico
Foto: divulgação

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Açúcar sobe com menor foco na produção


Os mercados de açúcar e etanol encerraram a semana com movimentos distintos, refletindo mudanças no mix produtivo, fatores energéticos e expectativas regulatórias. Segundo informações da StoneX, o contrato julho de 2026 do açúcar NY #11 avançou de US¢ 13,97 por libra-peso na segunda-feira para US¢ 14,95 por libra-peso na sexta-feira. O principal fator de sustentação foi a confirmação de um mix menos açucareiro no início da safra 2026/27 no Centro-Sul do Brasil, com usinas direcionando maior volume de cana para a produção de etanol diante da maior atratividade do biocombustível.

A perspectiva de elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para E32, com deliberação esperada no CNPE em maio, também reforçou a leitura de pressão estrutural sobre a oferta de açúcar. No campo técnico, o reposicionamento de fundos especulativos contribuiu para ampliar o movimento de alta, em um ambiente também influenciado pela valorização do petróleo Brent, pressionado pelo fechamento do Estreito de Ormuz.

Outro ponto observado foi o prêmio do açúcar branco, em torno de US$ 116 por tonelada, patamar que pode estimular a demanda por açúcar bruto por parte de refinarias indianas e do Norte da África. Esse cenário adiciona suporte ao mercado internacional, especialmente em um momento de atenção ao ritmo da safra brasileira e às decisões das usinas sobre a destinação da matéria-prima.

No etanol hidratado, o movimento foi oposto. Nas usinas de Ribeirão Preto, em São Paulo, os preços seguiram em queda ao longo da semana e ficaram entre R$ 2,82 e R$ 2,85 por litro, com impostos, neste início de semana. A pressão veio do avanço acelerado da colheita, favorecida pelo tempo seco, da entrada de novas unidades no mercado spot e da demanda mais retraída das distribuidoras, que adiaram reposições.

A reunião do CNPE marcada para 7 de maio deve concentrar as atenções do setor, diante da possibilidade de confirmação da elevação da mistura obrigatória para E32. Para o médio e longo prazo, a oferta crescente de etanol de milho permanece como variável relevante para o acompanhamento do mercado.

 





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ABCS promove 1ª reunião do Departamento de Integração e reforça segurança…


Encontro reuniu lideranças do setor para debater contratos, desafios práticos e fortalecimento das CADECs no país.

A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) realizou, nesta quarta-feira (16), a 1ª Reunião do Departamento de Integração, reunindo representantes de diferentes regiões do país em um encontro online voltado ao fortalecimento da relação entre produtores integrados e agroindústrias.

A abertura foi conduzida pelo presidente da ABCS, Marcelo Lopes, e pelo conselheiro de Integração e Cooperativismo da entidade, Alessandro Boigues. Ambos destacaram o papel estratégico do departamento para 2026 e reforçaram a importância da organização dos produtores por meio das Comissões para Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração (CADECs). Segundo Boigues, a ABCS está à disposição para apoiar demandas específicas das comissões, fortalecendo o diálogo e a troca de experiências entre os produtores.

“O distanciamento entre a alta gestão de algumas agroindústrias e a realidade enfrentada na base da produção é uma realidade. Por isso, aproximar esses dois níveis deve ser uma prioridade para avançarmos nas relações de integração no país”, destacou o conselheiro.

Contratos de integração exigem atenção técnica e jurídica

A primeira agenda teve como prioridade o debate sobre os contratos de integração, com base na Lei nº 13.288/2016. Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, a questão contratual é hoje um dos pontos mais sensíveis da suinocultura brasileira. “Precisamos garantir que os contratos reflitam, de fato, equilíbrio e transparência na relação entre produtores e agroindústrias. A Lei de Integração existe para dar segurança jurídica, mas ela só se efetiva quando é compreendida e aplicada na prática. O fortalecimento das CADECs é fundamental nesse processo, porque é na base que os desafios aparecem e precisam ser enfrentados com organização e diálogo”, destacou.

A reunião contou ainda com a participação da advogada da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Karoline Cord Sá, que reforçou a necessidade de maior clareza nos critérios técnicos que definem a remuneração dos produtores, além de alertar sobre cláusulas que podem gerar desequilíbrio contratual. O encontro foi encerrado com espaço para troca de experiências entre os participantes, reforçando a importância da atuação coletiva para garantir maior equilíbrio, transparência e segurança jurídica nas relações de integração.

A iniciativa marca o início de uma agenda estruturada do Departamento de Integração da ABCS para 2026, com foco em ampliar o protagonismo dos produtores e consolidar boas práticas nas relações contratuais do setor suinícola.

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Faesp anuncia curso inédito sobre NR-1


Palestra do ministro Breno Medeiros reúne lideranças rurais e reforça a urgência de adaptar saúde, segurança e relações de trabalho à nova realidade do campo

Na manhã desta terça-feira (05), o ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e Ouvidor-Geral da Justiça do Trabalho, Breno Medeiros, participou de uma palestra voltada a presidentes de sindicatos rurais e produtores, promovida pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), reforçando a importância da saúde e segurança no trabalho no campo. Durante o encontro foi anunciada a criação de um curso específico sobre a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), direcionado a lideranças sindicais e produtores rurais, com o objetivo de ampliar a conscientização e aprimorar práticas preventivas no setor.

Na abertura, o presidente da Faesp, Tirso Meirelles, lembrou que representantes de todas as regiões do estado de São Paulo estavam presentes, simbolizando a importância do tema para o homem do campo. Com uma dinâmica diferenciada, já que, na grande maioria das propriedades, o trabalho diário é feito pela família, além de poucos trabalhadores contratados, há uma necessidade de se conhecer a norma, que entrará em vigor no dia 26 de Maio, e adequá-la ao dia a dia dos produtores rurais.

“A qualidade das relações de trabalho sempre foi um tema caro à Faesp. Um exemplo disso foi o primeiro acordo coletivo aqui na capital paulista, uma ação da Federação, referendando o processo junto ao Tribunal Superior do Trabalho. Foi o primeiro acordo, o nosso presidente que era juiz, foi juiz classista, o Henrique Meirelles Severino, que é o nosso presidente do sindicato de Patrocínio Paulista. Então, realmente, nós temos, ministro, a noção e a responsabilidade dos deveres e dos direitos no processo trabalhista”, frisou Meirelles.

Em sua exposição, o ministro destacou que o principal desafio na aplicação da NR-1 no meio rural é consolidar uma cultura de prevenção. Segundo ele, acidentes de trabalho e doenças ocupacionais impactam diretamente a produtividade e a dignidade do trabalhador, além de gerar prejuízos sociais e econômicos. “A ideia é construir um ambiente de cooperação entre empregadores e trabalhadores, onde todos estejam comprometidos com a saúde e a segurança”, afirmou, ressaltando também o avanço das discussões sobre saúde mental, hoje uma das principais causas de afastamento do trabalho no país.

Outro ponto enfatizado foi a relevância do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) na rotina do campo. Medeiros explicou que a adoção de novas tecnologias e práticas produtivas exige avaliação constante dos riscos envolvidos, desde o uso de máquinas agrícolas até o manejo de animais e as relações interpessoais no ambiente rural. “Pequenas mudanças podem evitar acidentes e melhorar significativamente a qualidade de vida no trabalho”, destacou.

O ministro também abordou o nível de conscientização no setor, apontando que ainda há resistência à mudança em razão de práticas tradicionais. No entanto, ele ressaltou que o cenário vem se transformando com o acesso à informação e a novas demandas das gerações mais jovens. Nesse contexto, defendeu o diálogo permanente entre empregadores e trabalhadores como ferramenta essencial para adaptação às novas exigências de segurança e bem-estar.

Ao tratar do papel institucional do TST, Medeiros reforçou que a atuação da Justiça do Trabalho vai além da fiscalização. Segundo ele, a NR-1 deve ser compreendida como um instrumento de orientação e apoio, especialmente aos pequenos produtores rurais, contribuindo para a construção de um ambiente mais seguro e juridicamente estável. O magistrado chamou atenção para o crescimento dos casos de burnout, caracterizado pelo esgotamento físico e mental, inclusive no meio rural. Ele defendeu uma mudança de mentalidade nas relações de trabalho, com mais equilíbrio, respeito às individualidades e valorização do bem-estar psicológico dos trabalhadores. “Cuidar da saúde mental é uma questão de cidadania e deve fazer parte da rotina de qualquer atividade produtiva”, concluiu.





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Com Embrapa e lideranças, SRB analisa novo ciclo de pesquisa e inovação na cafeicultura


O Departamento de Café da Sociedade Rural Brasileira (SRB) realizou um novo encontro no dia 15 de abril com o tema “Novo Ciclo para a Pesquisa e Inovação da Cafeicultura Brasileira”. A principal apresentação foi feita por Rodolfo Osório de Oliveira, chefe-geral da Embrapa Café, que falou sobre uma reestruturação estratégica que visa transformar a gestão de projetos a fim de obter uma entrega de resultados de alto impacto no centro de pesquisa. A proposta, segundo ele, prioriza a resiliência climática, o aproveitamento de subprodutos e a criação de parcerias público-privadas para superar limitações orçamentárias da Embrapa.O presidente da SRB, Sérgio Bortolozzo, destacou a “longa tradição de proximidade” entre a entidade e a Embrapa e colocou a Rural à disposição para apoiar neste novo ciclo de pesquisa.

O presidente da Abic (Associação Brasileira da Indústria do Café), Pavel Cardoso, que participava do debate, enfatizou a importância da qualidade, da pesquisa e da agregação de valor como pilares para o futuro do setor. Ele lembrou que, na década de 80, o café no Brasil sofria com altos índices de impureza e fraude (cerca de 30%), o que derrubava o consumo. Graças à autorregulamentação da ABIC e ao Selo de Pureza criado em 1989, a qualidade melhorou e o consumo per capita subiu de 2 kg para mais de 6 kg por habitante/ano.

“Embora o Brasil produza 40% do café mundial, ele participa marginalmente da geração de riqueza global”, disse Cardoso.  Segundo ele, enquanto a cadeia do café nos EUA movimenta US$ 343 bilhões (gerando 155 mil dólares por empregado), o ecossistema brasileiro movimenta cerca de US$ 24 bilhões (gerando menos de 3 mil dólares por empregado).

Sobre a instabilidade orçamentária para a pesquisa do café no País, o chefe-geral da Embrapa explicou que o orçamento para pesquisa é discricionário do Ministério da Agricultura (MAPA), o que significa que não há um “carimbo” específico para o café. “Isso gera uma oscilação prejudicial: em um ano o recurso pode ser de R$ 15 milhões e, no outro, chegar a zero, o que inviabiliza projetos de longo prazo, como o desenvolvimento genético, que exige pelo menos 8 a 10 anos”, admitiu.Rodolfo de Oliviera revelou ainda que há conversas com o Mapa e parceiros para tentar “carimbar” os recursos, realizando uma avaliação técnico-jurídica que permita vincular especificamente o dinheiro que vai para a pesquisa cafeeira. Uma das alternativas sugeridas na reunião foi a utilização dos rendimentos de recursos de crédito do Funcafé que não são utilizados (cerca de 25% do fundo).Além dos nomes citados, participaram do debate o economista do Instituto de Economia Agrícola (IEA), Celso Vegro e o pesquisador do IAC, Sérgio Parreiras Pereira, sob a coordenação de Carlos Brando e Marcelo Vieira, responsáveis pelo Departamento do Café na SRB.

A reunião completa está disponível no Canal da SRB no YouTube





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Clima favorece culturas de inverno no Paraná


O avanço das lavouras de verão e o início do plantio das culturas de inverno marcaram o cenário agrícola do Paraná entre os dias 28 de abril e 4 de maio, segundo o boletim de Condições de Tempo e Cultivo divulgado pelo Departamento de Economia Rural, vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná. As informações foram reunidas a partir de relatórios enviados por técnicos dos Núcleos Regionais em todo o estado.

A colheita do arroz irrigado segue dentro do previsto em diferentes regiões, com bom andamento das operações no campo. Apesar disso, o mercado continua pressionado. “O cenário de mercado segue desfavorável, com preços considerados pouco atrativos frente aos elevados custos de produção”, aponta o boletim.

Nas culturas de inverno, o plantio da aveia preta e branca já começou em parte do estado e deve ganhar ritmo nos próximos dias, favorecido pela melhora da umidade do solo. As áreas já semeadas apresentam desenvolvimento inicial considerado satisfatório. Situação semelhante é observada no trigo, cujo plantio avança em várias regiões. Segundo o Departamento de Economia Rural, “há tendência de redução de área cultivada, influenciada por fatores de mercado e custos de produção”.

A batata da segunda safra apresenta desenvolvimento vegetativo beneficiado pelas chuvas recentes e pelas temperaturas mais amenas. Em algumas regiões, as condições climáticas também favoreceram a frutificação. No café, as lavouras seguem em bom estágio de frutificação e granação, enquanto a colheita começa de forma gradual em parte do estado.

A colheita da cana-de-açúcar também teve início em algumas regiões paranaenses, com produtividade considerada dentro da normalidade e sem impactos climáticos relevantes nas operações até o momento. Já o plantio da cevada ainda não começou na maior parte do Paraná, embora exista expectativa de ampliação de área em algumas regiões, dependendo das condições climáticas e de mercado.

No feijão da segunda safra, o retorno das chuvas contribuiu para melhora no desenvolvimento das lavouras, que variam entre condição regular e boa. A colheita começou em algumas áreas, mas com produtividade abaixo do esperado nas regiões mais afetadas pela estiagem. “Em outras áreas, as condições são mais favoráveis, embora sem expectativa de altos rendimentos”, informa o relatório.

As hortaliças apresentaram bom desenvolvimento nas últimas semanas, favorecidas pelo clima mais ameno e pela retomada das chuvas. O boletim destaca continuidade das colheitas e oferta regular de produtos como alface, brócolis, beterraba, couve, repolho e rúcula.

Na mandioca, a colheita mantém ritmo considerado satisfatório nas áreas de dois ciclos, enquanto os produtores realizam tratos culturais nas áreas mais novas. Apesar do bom desempenho produtivo, o setor enfrenta insatisfação com os preços pagos aos produtores, considerados baixos.

O milho da segunda safra apresenta desenvolvimento entre médio e bom, especialmente nas áreas em fase de floração e frutificação. “As chuvas recentes foram fundamentais para reduzir o estresse hídrico e favorecer o desenvolvimento”, destaca o boletim. Ainda assim, o relatório aponta perdas já consolidadas e limitação do potencial produtivo em algumas regiões. Também houve redução na pressão de pragas com o aumento da umidade, embora permaneçam registros pontuais de danos causados por lagartas.

As pastagens registraram recuperação após as chuvas, com aumento do vigor e da oferta de massa verde. Já a soja está praticamente toda colhida no estado, embora chuvas recentes tenham dificultado pontualmente a conclusão dos trabalhos. O Departamento de Economia Rural informa ainda que a produtividade apresentou grande variação entre as regiões devido às condições climáticas enfrentadas ao longo do ciclo, enquanto a comercialização segue lenta.





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