O Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPA/Cepea) recuou 9,52% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025, segundo cálculos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. O resultado indica queda nos preços recebidos pelos produtores agropecuários brasileiros ao longo dos seis primeiros meses do ano.
De acordo com o Cepea, a retração do IPPA ficou abaixo da registrada pelo índice internacional de alimentos do Fundo Monetário Internacional, o FMI Food & Beverage Index convertido em reais, que apresentou queda de 10,64% no mesmo intervalo. O centro de pesquisas destacou que a desvalorização doméstica foi menos intensa do que a observada no mercado internacional de alimentos.
Os pesquisadores do Cepea informaram que todos os subgrupos do índice registraram queda, mas o maior impacto veio do IPPA-Cana-Café/Cepea, que recuou 22,51%. Segundo o Cepea, o desempenho foi influenciado pelas quedas de 27,4% nos preços do café e de 19% nos preços da cana-de-açúcar.
Na análise do mercado de cafés, os pesquisadores do Cepea afirmaram que a baixa dos preços refletiu o otimismo em relação à oferta global para o ciclo 2026/27, impulsionado pelas projeções de uma boa safra brasileira. O centro destacou ainda que o início da colheita de arábica em maio reforçou a pressão sobre as cotações, embora as chuvas registradas em junho tenham gerado incertezas sobre a qualidade do grão e limitado uma queda mais acentuada.
O subgrupo de grãos também apresentou retração relevante. O IPPA-Grãos/Cepea caiu 9,49%, influenciado pela desvalorização de todos os produtos acompanhados no comparativo anual. O arroz registrou queda de 29,2%, seguido por trigo, milho, algodão e soja, todos com preços inferiores aos observados no primeiro semestre do ano passado.
O Cepea chamou atenção para a situação do arroz, que manteve um movimento de baixa iniciado em 2025. Segundo os pesquisadores, os valores negociados permaneceram em patamares reduzidos ao longo do primeiro semestre de 2026 e, atualmente, não são suficientes para recompor a rentabilidade da cultura.
No segmento de hortifrutícolas, o IPPA-Hortifrutícolas/Cepea recuou 4,7%. O resultado foi puxado principalmente pelas quedas nos preços da laranja e da uva, enquanto batata, tomate e banana registraram valorização no período, amenizando parte da retração do grupo.
Já o IPPA-Pecuária/Cepea caiu 4,34% em termos nominais. O Cepea atribuiu o resultado às desvalorizações do frango, do suíno, do leite e dos ovos, enquanto a arroba do boi gordo foi a única a apresentar valorização, com alta de 8,92% no comparativo entre os semestres.
O preparo de amostras de DNA de trigo passa a ser automatizado graças a uma nova plataforma de genotipagem da Embrapa Trigo. A tecnologia reduz um processo que era feito em dias para apenas cerca de 12 horas, diminuindo os custos da pesquisa e acelerando a identificação de marcadores genéticos ligados à produtividade e à resistência a doenças na cultura.
Esse avanço foi possível graças à evolução do processo de genotipagem — técnica que permite identificar variações no DNA de um indivíduo. “Em duas décadas, o protocolo foi modernizado, com a substituição das análises manuais em gel por sistemas de eletroforese — que usam campo elétrico para separar moléculas — e, mais recentemente, pelo sequenciamento, que permite a genotipagem em larga escala e com alta precisão”, conta o laboratorista Jordalan Muniz.
O sequenciamento de segunda geração foi incorporado à rotina do Laboratório de Biotecnologia da Embrapa Trigo com a chegada de dois novos equipamentos: o ION Chef, responsável pelo preparo das amostras, e o ION GeneStudio S5 Plus, que realiza o sequenciamento.
“Podemos dizer que o trabalho de um ano agora pode ser realizado em apenas uma semana. É um ganho de eficiência que reduz custos e acelera a obtenção de dados moleculares em apoio ao programa de melhoramento genético do trigo na Embrapa”, detalha o pesquisador Luciano Consoli.
Potencial de uso da plataforma
O genoma do trigo é cinco vezes maior do que o genoma humano. Com o sequenciamento do genoma dessa espécie em 2018, a partir de um consórcio internacional de instituições de pesquisa, foi possível avançar em novas ferramentas de apoio ao trabalho da biotecnologia.
Atualmente, a equipe de Genética Molecular da Embrapa Trigo dispõe de informações de 5 mil marcadores moleculares para o trigo e de 3.500 marcadores para cevada compatíveis com essa plataforma.
Segundo a laboratorista Tatiane Crespi, a identificação de marcadores moleculares, associados a genes de interesse, contribui para a seleção de linhagens com características agronômicas desejáveis.
Esse conhecimento resultou no desenvolvimento de um painel de marcadores para serem utilizados na cultura do trigo. Com o uso da plataforma de sequenciamento de segunda geração, é possível fazer a análise simultânea de 384 amostras com 202 marcadores, gerando aproximadamente 80 mil data points.
Além disso, a plataforma de genotipagem possibilita avaliar regiões específicas nas sequências de DNA. “O primeiro resultado do uso dessa tecnologia para a geração de dados moleculares de genotipagem é o aumento da eficiência do processo de geração de novas cultivares e na identificação de alelos ou partes de genes de interesse para os programas de melhoramento. Se antes tínhamos uma representação cartográfica, agora temos algo mais detalhado, com ruas e placas de sinalização”, afirma Consoli.
Avanços para o melhoramento genético
As cultivares ou linhagens de trigo analisadas, que possuem os marcadores moleculares de interesse, poderão ser utilizadas nos blocos de cruzamentos dos programas de melhoramento.
No caso do trigo, essas análises já vêm sendo conduzidas, como no trabalho para ampliar a base da resistência genética às doenças, a exemplo da brusone, uma das frentes de trabalho consolidadas com o uso de análises moleculares e seleção assistida na Embrapa Trigo.
“Identificada, numa determinada cultivar, a presença de um marcador molecular associado à resistência, como por exemplo à brusone, suas plantas podem ser incorporadas ao programa de melhoramento para a realização de cruzamentos”, pontua a pesquisadora Gisele Torres.
Porém, ela lembra que, no decorrer das avaliações a campo, é fundamental analisar a reação das plantas em condições de exposição ao fungo causador da doença.
“A simples presença de um determinado marcador, mesmo quando fragmentos do DNA são conhecidos por conferirem resistência, não é suficiente para que as plantas que o possuem sejam resistentes. O trabalho da biotecnologia é complementar ao trabalho do melhoramento. Assim, para verificar a efetividade de um determinado marcador molecular, é essencial que os melhoristas avaliem a reação das plantas frente ao patógeno a campo”, complementa Torres.
Outras potencialidades de uso prático da plataforma de sequenciamento de segunda geração estão sendo exploradas pela equipe. Em solos, por exemplo, é possível fazer a extração do DNA de uma amostra para identificar os microrganismos que podem beneficiar o cultivo do trigo numa determinada região.
Em outras palavras, identifica-se um perfil molecular daquele solo, o qual será, então, correlacionado com fatores de produção. No desafio de desenvolver trigos para celíacos, é possível caracterizar marcadores moleculares associados a genes codificadores de proteínas relacionadas à resposta imunológica ao glúten.
Os pesquisadores pretendem, ainda, explorar outras possibilidades de análises em expressão gênica por RNAseq, em sequenciamento de pequenos genomas (microrganismos), entre outras.
Consoli destaca o entusiasmo com o potencial de uso da ferramenta: “Antigamente utilizávamos uma lupa, passávamos para o microscópio e evoluímos para ver o que está dentro das plantas. Agora, conseguimos identificar todo tipo de variação presente nos fragmentos de DNA da planta que estão associados à defesa e ao uso de recursos do ambiente.”
O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) informou que os maiores volumes de chuva previstos entre os dias 20 e 27 de julho de 2026 devem se concentrar na Região Sul, em parte da Região Norte e no litoral da Região Nordeste. Segundo o modelo numérico do órgão, o Rio Grande do Sul poderá registrar acumulados de até 200 milímetros em algumas áreas, enquanto o litoral da Paraíba e do Rio Grande do Norte pode receber volumes próximos de 80 milímetros. No Norte do país, os maiores acumulados são esperados na faixa norte da região, com volumes em torno de 60 milímetros.
De acordo com o INMET, na Região Norte as chuvas mais intensas devem ocorrer no centro-oeste do Amazonas e em Roraima, com volumes que, pontualmente, podem ultrapassar 60 milímetros ao longo da semana. No litoral do Pará, no Amapá e no Acre, os acumulados devem ficar em torno de 30 milímetros. Já nas demais áreas da região, o órgão prevê precipitações pouco significativas, de até 5 milímetros, e destaca que o setor sul da Região Norte deve permanecer sem chuva.
Na Região Nordeste, o INMET prevê que as precipitações fiquem concentradas ao longo da faixa litorânea, especialmente entre os estados da Paraíba e do Rio Grande do Norte, onde os acumulados podem atingir até 80 milímetros durante a semana. Nas demais áreas do litoral nordestino, os volumes devem variar entre 5 e 40 milímetros. Em grande parte do Sertão Nordestino, a previsão indica ausência de chuva ao longo do período.
Para a Região Centro-Oeste, o instituto aponta predomínio de tempo firme durante a maior parte da semana no Distrito Federal, em Goiás e em Mato Grosso. A exceção é Mato Grosso do Sul, onde há previsão de pancadas de chuva, principalmente no centro-sul do estado. Segundo o INMET, a partir de quarta-feira (22), os acumulados podem chegar a cerca de 40 milímetros em alguns municípios sul-mato-grossenses.
Na Região Sudeste, o início da semana deve ser marcado por condições de estabilidade atmosférica devido à atuação de um sistema de alta pressão. O INMET informou que, na segunda metade do período, o avanço de um sistema frontal oceânico deve aumentar as instabilidades, sobretudo em São Paulo e no Rio de Janeiro, com acumulados que podem alcançar até 50 milímetros em determinadas localidades.
A Região Sul deve concentrar as condições mais instáveis do país ao longo da semana. Conforme o INMET, sistemas frontais devem manter a ocorrência de chuva em grande parte da região, com destaque para o Rio Grande do Sul, onde são esperados os maiores volumes do período e há possibilidade de transtornos em algumas localidades. Em Santa Catarina e no Paraná, também há previsão de chuva associada à atuação desses sistemas, porém com acumulados menores, variando entre 30 e 70 milímetros.
Cultivado em praticamente todos os estados brasileiros, o pimentão está presente em mais de 32 mil estabelecimentos rurais, responsáveis por uma produção estimada em 224 mil toneladas. São Paulo concentra 27% desse volume, seguido pela Bahia, com 14,7%, e por Minas Gerais, com 14,6%, conforme publicação da Embrapa Hortaliças divulgada em 2025.
A Embrapa Hortaliças destacou que o volume colhido, por si só, não garante rentabilidade ao produtor. Para que a produção se converta em receita, os frutos precisam apresentar características adequadas para classificação, transporte e comercialização, reduzindo as perdas entre a colheita e a chegada ao mercado.
O especialista em tomates e pimentões Thiago Teodoro afirmou que fatores como pegamento irregular, redução do calibre ao longo do ciclo, queimaduras provocadas pela exposição ao sol, problemas sanitários e danos durante a colheita podem aumentar o descarte e reduzir o aproveitamento comercial. “No campo, oscilações no pegamento e redução do calibre ao longo do ciclo podem comprometer a formação de lotes padronizados. Queimaduras provocadas pela exposição direta ao sol, problemas sanitários e danos durante a colheita também elevam o descarte e diminuem o aproveitamento comercial”, explicou.
Segundo Teodoro, a regularidade da produção também influencia o resultado econômico da lavoura. O especialista observou que longos intervalos entre as colheitas e a perda de padrão nas etapas finais do ciclo dificultam o planejamento da mão de obra, a organização das entregas e a manutenção de uma oferta constante aos compradores.
Na etapa pós-colheita, a firmeza e a durabilidade dos frutos passam a ter papel central. Teodoro lembrou que frutos mais sensíveis ao manuseio podem sofrer danos durante a classificação, o acondicionamento e o transporte, enquanto a falta de uniformidade dificulta a composição dos lotes e reduz o tempo disponível para comercialização.
Para o especialista, a escolha da cultivar deve considerar não apenas o potencial produtivo, mas também a capacidade de manter o padrão dos frutos ao longo das colheitas. “Por isso, a escolha da cultivar precisa considerar não apenas seu potencial produtivo, mas também a capacidade de manter o padrão dos frutos ao longo das colheitas. Quanto maior a proporção da produção que atende às exigências comerciais, maior tende a ser o aproveitamento da lavoura e o retorno obtido pelo produtor”, complementou.
No mercado desde 2020, o pimentão Cascadura híbrido Raquel, da linha Topseed Premium, foi desenvolvido para cultivo em campo aberto e reúne características voltadas à manutenção da qualidade comercial durante o ciclo.
Segundo a Topseed Premium, o material apresenta planta vigorosa, bom enfolhamento, pegamento sequencial e uniformidade dos frutos. A empresa informou que a cobertura foliar ajuda a reduzir a incidência direta do sol sobre os frutos, diminuindo a ocorrência de queimaduras que podem comprometer a aparência e aumentar o descarte.
A Topseed Premium também destacou que o pegamento contínuo contribui para reduzir oscilações entre as colheitas e preservar o padrão da produção até as etapas finais do ciclo, favorecendo a formação de lotes mais homogêneos e uma oferta mais constante ao mercado.
De acordo com a empresa, a parede espessa e a qualidade pós-colheita proporcionam maior resistência ao manuseio e ao transporte, ajudando a conservar os frutos durante a distribuição e ampliando o período disponível para venda.
Teodoro avaliou que o material reúne características agronômicas e comerciais relevantes para o desempenho da lavoura. “O pimentão Raquel F1 é uma opção consolidada para campo aberto”, afirmou.
Segundo o especialista, fatores como precocidade, padronização ao longo do ciclo e qualidade pós-colheita contribuem para uma produtividade mais consistente e para maior aproveitamento comercial da produção.
Para a Topseed Premium, a combinação de proteção foliar, pegamento sequencial, uniformidade e resistência pós-colheita mostra como a escolha da cultivar pode ajudar a preservar o valor da produção além do volume colhido, ampliando a proporção de frutos comercializáveis e reduzindo descartes.
A consultoria Argus atualizou as estimativas para a produção de trigo na Europa e na região do Mar Negro e projetou a safra da Ucrânia em 24,1 milhões de toneladas em 2026/27. O volume representa alta de 2% ante 2025, quando a colheita somou cerca de 23,6 milhões de toneladas. A revisão também traz novos números para França e Romênia, além de informações sobre produtividade, clima e qualidade do cereal.
Na Ucrânia, o rendimento médio nacional foi estimado em 4,73 toneladas por hectare, avanço de 6% sobre a média de cinco anos. No sul do país, em regiões como Odessa e Mykolaiv, a produtividade supera a média de 3,9 toneladas por hectare registrada no ano anterior.
No leste ucraniano, a produção de Kharkiv ficou projetada em patamar 11% acima da média de cinco anos, enquanto Dnipropetrovsk apresenta recuperação. Nas áreas central e oeste, os volumes permanecem próximos das máximas recentes, sustentados pelas chuvas e pela umidade do solo.
Segundo a Argus, o frio no início de maio atrasou o desenvolvimento das lavouras e a aplicação de fertilizantes na Ucrânia. As chuvas de junho elevaram os riscos de acamamento e de doenças fúngicas. A redução do uso de nitrogênio no sul e no leste também afeta a qualidade do grão.
Na França, a consultoria estimou a safra de trigo em 32,3 milhões de toneladas. A projeção foi reduzida após uma onda de calor de oito dias consecutivos em meados de junho, que atingiu lavouras do norte do país durante a fase de enchimento de grãos. Nas áreas ao leste de Paris, o rendimento pode ficar abaixo da média de sete anos.
Na Romênia, a produção foi estimada em cerca de 13,9 milhões de toneladas, sustentada por chuvas em maio e pelo derretimento de neve. A maior produção é esperada no leste e sudeste, em áreas como Constanta, Ialomita e Calarasi. No sudoeste, em regiões como Teleorman, Dolj e Olt, o rendimento varia conforme a distribuição das chuvas. A colheita no país registra atraso de pelo menos duas semanas por causa de baixas temperaturas e umidade.
A revisão da Argus mostra um quadro de recuperação da safra ucraniana, redução na estimativa francesa e manutenção de volume elevado na Romênia. No caso romeno, a priorização do rendimento diante dos custos com insumos amplia a participação do trigo destinado à ração animal, enquanto a alta do diesel eleva os custos de transporte.
Mark Carney, primeiro ministro do Canadá em conversa com Donald Trump. Foto: Divulgação Casa Branca
Não é apenas o Brasil que parece estar na mira de Donald Trump. Nesta segunda-feira (20), o presidente dos Estados Unidos anunciou que impôs tarifas adicionais de 50% sobre produtos do Canadá.
De acordo com o Republicano, a medida é uma “resposta ao tratamento discriminatório do Canadá em relação aos produtos americanos”.
Segundo apuração do UOL, Trump assinou três proclamações para impor as tarifas com base em uma lei comercial de 1930, a Seção 338 da Lei Tarifária, que permite ao governo a aplicação de tarifas de até 50% sobre importações de países específicos.
Em nota, a Casa Branca afirmou que a ação compensa o ônus e a desvantagem impostos ao comércio dos Estados Unidos e, assim, “está criando condições equitativas para exportações americanas cruciais, como automóveis, bebidas alcoólicas e laticínios.”
A sobretaxa deve entrar em vigor no dia 19 de agosto. Entre os produtos canadenses importados que serão atingidos pela cobrança adicional estão vinhos, tacos de hóquei, cimento, laticínios, piscinas, móveis, varas de pesca, sementes, roupas e até perucas.
A Seção 338 ainda aponta que as tarifas atingirão todos os produtos, independentemente de ele ser originário do Acordo de livre comércio entre Estados Unidos, México e Canadá.
Ainda conforme o UOL, os Estados Unidos acusam o Canadá de impor tarifas e cotas sobre carros estadunidenses importados, mas não sobre produtos de outros países. Além disso, diz que o vizinho do norte obriga as montadoras norte-americanas a investirem em território canadense e não em americano.
Os Estados Unidos também acusaram o Canadá de estabelecer cotas tarifárias para queijos norte-americanos, o que não acontece com os itens provenientes da União Europeia.
Procurado pela agência Reuters, o gabinete do primeiro-ministro canadense, Mark Carney, não respondeu a um pedido de comentário.
O mercado físico do boi gordo volta a se deparar com negociações acima da referência média, com os frigoríficos ainda encontrando dificuldade na composição de suas escalas de abate.
Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, o ritmo de embarques apresenta importante declínio no decorrer do mês, algo já esperado com o esgotamento precoce da cota de 1,1 milhão de toneladas de carne brasileira destinada à China.
“Já o mercado interno permanece fragilizado, com preços da carne ainda em perspectiva de recuo durante a segunda quinzena do mês”, disse o especialista.
Preço médio da arroba do boi
O Indicador do Boi Datagro mostra a média das cotações em nove estados. Confira:
São Paulo: R$ 337,17 — na sexta: R$ 332,74
Bahia: R$ 308,69 — na sexta: R$ 306,27
Goiás: R$ 322,40 — na sexta: R$ 314,27
Minas Gerais: R$ 323,73 — na sexta: R$ 317,32
Mato Grosso do Sul: R$ 334,59 — na sexta: R$ 333,92
Mato Grosso: R$ 319,72 — na sexta: R$ 319,74
Pará: R$ 320,44 — na sexta: R$ 321,68
Rondônia: R$ 313,74 — na sexta: R$ 312,91
Tocantins: R$ 314,97 — na sexta: R$ 314,54
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão com baixa de 0,41%, sendo negociado a R$ 5,0886 para venda e a R$ 5,0866 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,0816 e a máxima de R$ 5,1146.
O mercado brasileiro de bioinsumos consolida-se atualmente como o mais dinâmico do mundo no setor agrícola. Enquanto a média global de crescimento do segmento de biológicos gira em torno de 13% a 15% ao ano, o Brasil registra saltos consistentes superiores a 30% nas últimas safras. Essa expansão acelerada demonstra uma quebra profunda de paradigmas no campo, evidenciando que os defensivos e inoculantes biológicos deixaram de ser ferramentas exclusivas de nichos orgânicos para se integrarem definitivamente ao manejo das principais lavouras de commodities do país, como soja, milho e cana-de-açúcar.
A adoção massiva do controle biológico pelos produtores rurais responde a um desafio duplo e urgente da agricultura moderna. Por um lado, há a necessidade de contornar a crescente resistência de pragas e doenças aos ingredientes ativos químicos tradicionais. Por outro, o agricultor busca alternativas viáveis e de alto impacto para a regeneração da saúde do solo, visando garantir a longevidade produtiva e o aumento da rentabilidade por hectare em um cenário climático e econômico cada vez mais desafiador.
Essa liderança nacional não é apenas uma percepção visual de campo, mas uma realidade atestada em números por levantamentos recentes de mercado. Uma pesquisa global conduzida pela McKinsey revelou que o Brasil é o líder mundial isolado na adoção de biológicos, com mais de 55% dos agricultores utilizando essas tecnologias em suas propriedades, um índice consideravelmente superior ao registrado nos Estados Unidos e na Europa. Acompanhando esse volume de adoção, dados consolidados pela CropLife Brasil e pela consultoria Kynetec apontam que o faturamento do mercado interno de biodefensivos já ultrapassou a marca de R$ 4 bilhões nas últimas safras.
Dentro desse expressivo montante financeiro, os bionematicidas e os inoculantes representam fatias cruciais. Na cultura da soja, por exemplo, o uso de microrganismos como o Bacillus spp. tornou-se praticamente indispensável para proteger o sistema radicular das plantas e assegurar o teto produtivo das lavouras. Soma-se a isso a já tradicional tecnologia de Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN), historicamente chancelada pela pesquisa da Embrapa, que continua sendo um pilar de sustentabilidade, gerando uma economia anual estimada em mais de US$ 14 bilhões ao Brasil simplesmente por dispensar a aplicação massiva de fertilizantes nitrogenados sintéticos.
Para os especialistas em inteligência de mercado do agronegócio, essa guinada rumo aos bioinsumos é movida, primariamente, por eficiência agronômica e redução inteligente de custos. A integração dessas soluções ao Manejo Integrado de Pragas (MIP) oferece a vantagem estratégica de prolongar a vida útil das tecnologias convencionais. Ao rotacionar princípios ativos químicos com agentes biológicos — como fungos, bactérias e vírus entomopatogênicos —, o produtor dificulta que o alvo desenvolva resistência, preservando a eficácia das moléculas sintéticas que ainda estão disponíveis no mercado.
Outro fator determinante para essa rápida expansão é a revitalização do solo proporcionada pela aplicação contínua de produtos biológicos. O incremento direto na microbiota melhora a disponibilização de nutrientes que antes ficavam inertes na terra e aumenta significativamente a capacidade de retenção de água. Essa reestruturação biológica garante maior resiliência às plantas, especialmente durante períodos de veranicos e estresse hídrico agudo, eventos climáticos que têm se tornado cada vez mais frequentes durante o ciclo das safras.
Além dos ganhos porteira adentro, a adoção dos bioinsumos eleva o patamar de competitividade internacional do agronegócio brasileiro. Com a União Europeia e outros grandes mercados compradores exigindo níveis progressivamente mais baixos de resíduos químicos e a comprovação de práticas agrícolas alinhadas às rigorosas métricas ESG, o produtor que comprova o uso do manejo biológico ganha uma vantagem comercial imediata, facilitando o escoamento de sua safra e a inserção em mercados de alto valor agregado.
Apesar do cenário de forte alta e otimismo generalizado, a indústria e as entidades do setor produtivo alertam que o próximo passo da evolução exige avanços regulatórios concretos e céleres. A estruturação definitiva e a aprovação de um Marco Legal dos Bioinsumos robusto são apontadas como chaves essenciais para atrair novos investimentos estrangeiros em pesquisa e desenvolvimento, além de proporcionar a segurança jurídica necessária para combater a pirataria no interior do país. A garantia de que as soluções oferecidas possuam registro, procedência e eficácia comprovada será o alicerce fundamental para que a biotecnologia agrícola consolide, de vez, a biodiversidade como o maior trunfo do agronegócio tropical.
Um estudo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) identificou que o ruído de embarcações, parapentes e banhistas interfere na comunicação sonora entre peixes em áreas turísticas do litoral de Pernambuco. Publicado nesta segunda-feira (20) na revista científica Neotropical Ichthyology, o trabalho relaciona a poluição sonora a impactos sobre alimentação, reprodução e defesa de território de espécies recifais.
A pesquisa foi realizada nas praias de Carneiros, na Área de Proteção Ambiental (APA) de Guadalupe, e de Tamandaré, na APA Costa dos Corais. Os pesquisadores monitoraram sons produzidos pela atividade humana e, ao mesmo tempo, registraram os sons emitidos pelos peixes em pontos próximos à costa e em áreas abrigadas por recifes.
O trabalho de campo teve sessões de dez horas contínuas de gravação diária, com total de 80 horas de dados acústicos. Além do monitoramento subaquático, mergulhadores fizeram censo visual para contagem de peixes e espécies. Foram registradas de 18 a 23 espécies, e em Carneiros quase 1,4 mil peixes foram localizados. Os registros ocorreram em janeiro e fevereiro de 2022 e em abril de 2023.
O estudo identificou nove tipos de sons de peixes. Três deles deixaram de ser emitidos em locais expostos à presença de pessoas. Segundo Túlio Freire Xavier, do Laboratório de Pesquisa em Ictiologia e Ecologia de Recifes da UFPE, houve redução clara na ocorrência dos sons produzidos pelos peixes justamente nas áreas com maior presença de ruído causado pela ação humana.
De acordo com o pesquisador, muitos peixes usam sons em comportamentos ligados à reprodução, à alimentação e à defesa de território. O estudo também relacionou a poluição sonora à redução da complexidade acústica, indicador que mede a variação dos padrões sonoros ao longo do tempo.
Xavier afirmou que os peixes recifais são fundamentais para a saúde dos recifes de corais e para o equilíbrio das cadeias alimentares. Ele destacou ainda que esses ambientes sustentam atividades como o turismo e a pesca artesanal.
Os pesquisadores apontam que o conhecimento gerado pode contribuir para políticas públicas de manejo em áreas costeiras. Entre as medidas citadas por Xavier estão a organização de rotas de embarcações, a redução de velocidade em áreas sensíveis e a limitação da concentração de atividades sobre determinados recifes.
Fechamento da soja. Foto: Daniel Popov/ Canal Rural
O mercado brasileiro de soja registrou cotações mais firmes nesta segunda-feira (20), acompanhando a forte valorização dos contratos futuros na Bolsa de Chicago. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, a alta na bolsa norte-americana compensou os leves recuos do dólar e dos prêmios de exportação, garantindo melhora nos preços internos.
De acordo com Silveira, Chicago chegou a operar com valorização superior a 2% nos principais vencimentos. Com isso, as cotações da soja avançaram entre R$ 2,00 e R$ 3,00 por saca, dependendo da região. Nos portos, as indicações permaneceram firmes, embora com prazos de pagamento mais alongados.
O movimento favoreceu a realização de negócios por parte dos produtores, ainda que sem grandes volumes negociados. Para a safra nova, também houve comercialização, mas em ritmo mais cauteloso, já que os produtores seguem apostando em cotações ainda mais firmes.
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Cotações de soja no Brasil
Passo Fundo (RS): subiu de R$ 138,00 para R$ 140,00
Santa Rosa (RS): subiu de R$ 139,00 para R$ 141,00
Cascavel (PR): subiu de R$ 133,00 para R$ 134,00
Rondonópolis (MT): subiu de R$ 125,00 para R$ 127,00
Dourados (MS): subiu de R$ 125,00 para R$ 128,00
Rio Verde (GO): subiu de R$ 126,00 para R$ 129,00
Paranaguá (PR): subiu de R$ 144,00 para R$ 145,00
Rio Grande (RS): subiu de R$ 144,00 para R$ 146,00
Soja em Chicago
Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros da soja encerraram a sessão em alta, sustentados por sinais de demanda aquecida da China pela soja norte-americana e pelas preocupações com a previsão de clima seco e temperaturas elevadas em áreas produtoras dos Estados Unidos.
Os exportadores privados dos Estados Unidos informaram ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a venda de 264 mil toneladas de soja para a China, com entrega prevista para a temporada 2026/27. Também foi anunciada a venda de outras 110 mil toneladas para destinos não revelados, igualmente destinadas à safra 2026/27.
As inspeções de exportação de soja dos Estados Unidos totalizaram 296.972 toneladas na semana encerrada em 16 de julho, abaixo das 447.990 toneladas registradas na semana anterior.
As importações chinesas de soja dos Estados Unidos cresceram 20,6% em junho na comparação anual. O país importou 1,27 milhão de toneladas do produto norte-americano no mês. No acumulado do ano, porém, as compras somam 9,31 milhões de toneladas, volume 42,4% inferior ao registrado no mesmo período de 2025.
Já as importações de soja brasileira pela China alcançaram 12,08 milhões de toneladas em junho, alta de 13,7% sobre o mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano, o volume chega a 34,75 milhões de toneladas, avanço de 9,1% na comparação anual.
No fim da tarde, o mercado voltou as atenções para o relatório do USDA sobre as condições das lavouras norte-americanas. Os agentes avaliam se o recente comportamento do clima provocou impactos no desenvolvimento da soja no cinturão produtor dos Estados Unidos.
Contratos futuros de soja
Os contratos da soja para agosto fecharam cotados a US$ 12,26 por bushel, alta de 21,50 centavos de dólar, ou 1,78%. O vencimento novembro encerrou a US$ 12,26 1/4 por bushel, com ganho de 23,25 centavos, ou 1,93%.
Entre os subprodutos, o farelo de soja para agosto subiu US$ 3,30, ou 1,03%, para US$ 323,50 por tonelada. Já o óleo de soja para agosto recuou 0,13 centavo de dólar, ou 0,17%, encerrando a 74,68 centavos de dólar por libra-peso.
Câmbio
No mercado de câmbio, o dólar comercial fechou em baixa de 0,41%, cotado a R$ 5,0886 para venda e R$ 5,0866 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,0816 e a máxima de R$ 5,1146.