O Plenário da Câmara dos Deputados pode votar, entre terça-feira (19) e quinta-feira (21), projetos relacionados à alta dos combustíveis, ao endurecimento de penas para crimes sexuais previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e ao incentivo à produção nacional de fertilizantes. Segundo a pauta da Casa, as propostas tratam de preços, regras fiscais e subsídios a setores considerados estratégicos.
Entre os textos previstos está o Projeto de Lei (PL) 1625/26, de autoria do Poder Executivo. A proposta cria um crime específico contra as relações de consumo para punir o aumento abusivo de preços de combustíveis. O parecer favorável do relator, deputado Merlong Solano (PT-PI), prevê detenção de 2 a 5 anos e multa de 100 a 500 dias-multa. O projeto considera irregular o reajuste sem justa causa, isto é, sem fundamento em fatores econômicos legítimos, como variação de custos de produção.
Também pode ser analisado o Projeto de Lei Complementar (PLP) 114/26, apresentado pelo líder do governo, deputado Paulo Pimenta (PT-RS). O texto vincula a arrecadação federal extraordinária obtida com a alta do barril de petróleo exportado a medidas de estabilização dos preços dos combustíveis. De acordo com a proposta, esse excedente poderá dar suporte fiscal a renúncias tributárias futuras.
No setor de insumos, a Câmara pode votar ainda o PL 699/23, vindo do Senado. O projeto prevê até R$ 7,5 bilhões em subsídios em cinco anos para novas fábricas de fertilizantes ou ampliação das atuais, com limite de R$ 1,5 bilhão por ano. Segundo o texto, o Brasil importa de 80% a 90% do fertilizante que consome, cenário que amplia a exposição do agro às oscilações internacionais.
Na mesma pauta está o PL 3066/25, relatado pela deputada Rogéria Santos (Republicanos-BA), que aumenta penas para crimes de natureza sexual no ECA e os classifica como hediondos.
Se aprovados, os projetos sobre combustíveis e fertilizantes podem alterar instrumentos de controle de preços e de estímulo à produção doméstica de insumos, temas acompanhados pelo setor agropecuário por causa do peso do diesel e dos adubos nos custos de produção. A definição final dependerá da votação do Plenário e da tramitação posterior das propostas.
Em um contexto de pressão sobre a suinocultura brasileira, marcado por elevada oferta, demanda doméstica fragilizada e preços em níveis mais baixos, o mercado externo voltou a se destacar como principal vetor positivo em abril.
A exportação brasileira de carne suína totalizou 135,993 mil toneladas (in natura + industrializado) em abril, avanço de 11,13% em relação a igual mês do ano passado, quando somou 122,370 mil toneladas. Houve uma desaceleração em relação a março, mesmo assim, é o quarto maior volume mensal da história.
As vendas do mês geraram US$ 324,1 milhões em receita a partir de um preço médio por tonelada de US$ 2.383. O preço da tonelada ficou praticamente estável ao longo do primeiro quadrimestre, indicando equilíbrio entre oferta e demanda no mercado global.
O principal destaque do período foi o desempenho das Filipinas, com 34,262 mil toneladas, correspondendo a 25,19% de todo o volume exportado no mês, consolidando-se como o maior destino da carne suína brasileira.
Na sequência aparecem Japão com 16,605 mil toneladas e participação de 12,21%, China com 11,829 mil toneladas e participação de 8,70%, Chile com 11,106 mil toneladas e participação de 8,17%. Juntos, esses quatro mercados concentram mais da metade das vendas externas, um indicativo claro de dependência comercial.
Peso em ton; preço em US$. Fonte: Safras & Mercado/ Secex
A forte presença de países asiáticos entre os principais compradores não é casual. A região permanece como o principal motor da demanda global por proteína suína, impulsionada por fatores como crescimento populacional, urbanização e mudanças nos padrões de consumo alimentar.
Os dados mostram que nem todos os mercados pagam o mesmo valor pela carne suína brasileira. O Japão, por exemplo, apresenta um preço médio de US$ 3.318 por tonelada em abril, bem acima da média geral de US$ 2.383, refletindo um padrão de consumo mais exigente e voltado a cortes de maior qualidade.
Já países como China e Filipinas, embora fundamentais em volume, operam com preços médios mais baixos, próximos de US$ 2.200 a US$ 2.300 por tonelada. O cenário indica a coexistência de duas estratégias claras:
Mercados de volume, que absorvem grandes quantidades com menor valor agregado;
Mercados premium, que compram menos, mas pagam mais por qualidade e especificidade
Outro aspecto relevante é a composição da pauta exportadora. A carne suína congelada representa cerca de 83% do volume total. Em números absolutos, isso correspondeu a mais de 113 mil toneladas em abril. Outras categorias aparecem com participação bem menor:
Miúdos: cerca de 10%
Pedaços: aproximadamente 5%
Carcaças: apenas 2%
Embora os miúdos tenham menor peso no total, eles desempenham papel estratégico, especialmente em mercados asiáticos e africanos, onde há maior aceitação desses produtos.
No consolidado do primeiro quadrimestre, o Brasil embarcou 516,4 mil toneladas entre janeiro e abril, um avanço de aproximadamente 15,8% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram exportadas 445,8 mil toneladas.
Em termos financeiros, o desempenho também foi positivo. A receita acumulada chegou a US$ 1,229 bilhão, ante US$ 1,059 bilhão no ano anterior, o que representa um aumento de cerca de 16,1%. O avanço simultâneo de volume e faturamento indica um cenário de expansão consistente, ainda que sustentado principalmente por ganhos de escala.
O grande destaque de 2026 é o salto das exportações para as Filipinas, que ampliaram significativamente sua participação. O volume exportado ao país asiático passou de 95,9 mil toneladas em 2025 para 155,5 mil toneladas em 2026, um crescimento de aproximadamente 62%.
Com isso, as Filipinas passaram a representar 30,11% de todo o volume exportado em 2026, contra 21,52% no ano anterior, reforçando sua posição como principal destino da carne suína brasileira. Em receita, o avanço foi igualmente expressivo, com alta de cerca de 67%, atingindo US$ 356,8 milhões.
Apesar do resultado positivo, o movimento acende um alerta: o aumento da dependência de um único mercado pode elevar a vulnerabilidade do setor diante de oscilações externas. Outro destaque relevante é o crescimento das vendas para o Japão, tradicional mercado premium. O volume exportado saltou de 34,1 mil toneladas para 59,9 mil toneladas, uma alta de aproximadamente 75% — o maior avanço entre os principais destinos.
Em valor, o crescimento foi ainda mais significativo, passando de US$ 118,4 milhões para US$ 199,2 milhões, consolidando o Japão como um dos mercados mais rentáveis para a carne suína brasileira. O desempenho reforça a importância da diversificação para mercados de maior valor agregado, capazes de elevar a receita mesmo sem depender exclusivamente do aumento de volume.
Na contramão dos resultados positivos, dois importantes destinos asiáticos apresentaram quedas expressivas: China com recuo de aproximadamente 35,7% no volume (de 68,5 mil para 44,1 mil toneladas) e Hong Kong com queda de cerca de 29,5% (de 46,8 mil para 33 mil toneladas). Em valor, o movimento também foi negativo.
A China reduziu sua participação na receita total de 14,21% para 7,99%, enquanto Hong Kong caiu de 10,97% para 5,90%. A retração nesses mercados está associada a demanda interna enfraquecida e forte produção local. Vale destacar que os preços na China estão pressionados, tanto que o governo do país anunciou que comprará carne suína congelada para reserva estatal. Além disso, está orientando produtores a reduzirem o rebanho de matrizes.
O cenário global é desafiador, mas a perspectiva é de continuidade de bons resultados da exportação brasileira ao longo de 2026, considerando a necessidade de compras das Filipinas, que ainda não consegue avançar produção de maneira contundente por conta dos efeitos da peste suína africana (PSA), enquanto a demanda local cresce.
Além disso, a Espanha. que contou com casos de PSA recentemente, deve perder um pouco de espaço no mercado global. Assim, a expectativa é que o Brasil capture vendas para o Japão, Coreia do Sul (mesmo que volumes discretos). Além disso, a carne suína brasileira conta com excelente qualidade e preços competitivos no cenário internacional.
*Allan Maiaé analista da consultoria Safras & Mercado e economista com pós-graduação em Mercado Financeiro, com experiência de dez anos no setor carnes, com enfoque no setor suinícola
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A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) realizou, nesta sexta-feira (15), uma agenda de lançamentos e pré-lançamentos durante o quarto dia da 26ª Feira Agrotecnológica do Tocantins (Agrotins), em Palmas. A programação, no estande da empresa, incluiu quatro publicações técnicas, uma tecnologia para alimentação de tilápia e dois cursos em fase de pré-lançamento, além de um software de gestão para a pecuária de corte previsto para o segundo semestre de 2026.
Entre os materiais lançados está o livro O peixe vai à aula: receitas para a inserção do pescado na alimentação escolar, elaborado em parceria com a Universidade Federal do Tocantins (UFT). A publicação reúne 12 formulações à base de carne mecanicamente separada (CMS) de peixe para uso no ambiente escolar. Segundo a pesquisadora da Embrapa Pesca e Aquicultura, Hellen Kato, a proposta busca oferecer uma alternativa sem espinhas, de preparo prático e com aceitação entre estudantes.
Também foram lançadas a cartilha Principais doenças e boas práticas sanitárias na criação de tambaqui e a publicação Inclusão produtiva rural na piscicultura familiar. De acordo com Diego Sousa, coautor dos materiais, os conteúdos foram estruturados para orientar piscicultores familiares sobre prevenção sanitária e acesso ao mercado formal, com ênfase na organização coletiva da produção.
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Na área de produção aquícola, a Embrapa apresentou ainda a Tabela de alimentação para a engorda da tilápia-do-nilo em tanques-rede no Tocantins. Conforme a empresa, a tecnologia pode reduzir em 10% o consumo de ração e em 7% os custos gerais de produção.
Houve ainda o pré-lançamento do software de gestão de pecuária de corte módulo ABC Corte/Agro 365, desenvolvido em parceria com a empresa Agro 365. A ferramenta deve reunir controle financeiro, estoque, produção, centro de custos e relatórios gerenciais. Na área de capacitação, foram anunciados os cursos Produção de Peixes em Tanques-Rede e Aquacompete 3: Inteligência comercial e exportação na aquicultura. Segundo o chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa, Pedro Alcântara, a plataforma E-campo já soma mais de 170 treinamentos, dos quais 85% são gratuitos.
Os lançamentos ampliam a oferta de instrumentos técnicos voltados à gestão, à sanidade e à comercialização na aquicultura e na pecuária. A disponibilização do software e dos novos cursos, prevista para os próximos meses, deve definir o alcance prático dessas soluções junto a produtores e técnicos.
O Conselho Monetário Nacional oficializou a destinação de R$ 290 milhões do superávit financeiro do Funcafé ao Fundo Nacional sobre Mudança do Clima. O valor, que será aplicado em projetos de transição energética e adaptação climática até 2030, gerou debates no setor produtivo.
Debate sobre a destinação de recursos
A destinação dos recursos do Funcafé ao Fundo Clima tem gerado preocupação, especialmente em relação à autonomia financeira do setor. O presidente do Conselho Nacional do Café, Silas Brasileiro, destacou a importância do fundo para os 330 mil produtores de café no Brasil.
Importância do Funcafé
O Funcafé foi criado para atender as demandas da cadeia produtiva do café e é considerado um recurso intocável pelos produtores. Segundo Brasileiro, a retirada de recursos pode deixar os produtores desprotegidos em momentos de dificuldades climáticas.
Preocupações com o futuro
Os produtores expressaram preocupação com a possibilidade de que a retirada de recursos comprometa a renda no campo, levando a um êxodo para as cidades e impactando a estrutura urbana. Brasileiro enfatizou que a preservação do fundo é crucial para garantir a segurança e a sustentabilidade do setor.
A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados aprovou, nesta sexta-feira (15), um projeto de lei que cria regras de afastamento entre agressor e vítima quando ambos atuarem no serviço público. A proposta altera a Lei Maria da Penha para disciplinar a movimentação funcional do agressor e, em casos específicos, permitir trabalho remoto, enquanto durar a medida protetiva.
O texto aprovado prevê a aplicação da regra quando a vítima, ou parentes próximos dela, e o agressor trabalharem no mesmo órgão público. A medida também valerá quando a mulher precisar frequentar o local de forma habitual por razões profissionais.
Pela proposta, a administração pública deverá afastar o agressor do convívio com a vítima por meio de instrumentos como remoção, redistribuição, cessão ou requisição. Segundo a relatora, deputada Delegada Adriana Accorsi (PT-GO), a redação busca compatibilizar a proteção da servidora com a continuidade do serviço público.
Quando a movimentação funcional não for possível, por falta de vagas, inexistência de órgão disponível ou necessidade do serviço, a vítima poderá escolher se ela ou o agressor exercerá as atividades em regime de trabalho remoto. O texto também proíbe qualquer relação de chefia entre agressor e vítima, inclusive no teletrabalho.
A comissão aprovou o substitutivo já acatado pela Comissão de Administração e Serviço Público ao Projeto de Lei 3396/24, de autoria da deputada Camila Jara (PT-MS). Em relação ao texto original, a versão atual ampliou o alcance da medida para as esferas federal, estadual e municipal, o que estende a aplicação da futura regra a toda a administração pública.
A proposta ainda será analisada, em caráter conclusivo, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisará ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, além de ser sancionada pela Presidência da República.
A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados aprovou, nesta sexta-feira (15), um projeto de lei que cria a Política de Transparência e Monitoramento da Reconstrução Educacional. A proposta estabelece regras para acompanhar a aplicação de recursos públicos na recuperação de escolas e do ensino em áreas afetadas por desastres e calamidades. O texto ainda segue em tramitação conclusiva na Casa.
Pelo substitutivo aprovado, caberá ao Ministério da Educação (MEC) coordenar a política em conjunto com estados e municípios atingidos. A proposta determina que o poder público publique, em site de acesso livre, informações sobre a reestruturação da rede escolar.
Entre os dados obrigatórios, deverão constar a relação de danos aos prédios escolares e ao processo de ensino, os valores investidos na recuperação e a origem dos recursos, além da identificação das escolas e comunidades atendidas. Também deverão ser informados os planos para reposição das aulas e recuperação da aprendizagem.
O texto aprovado é o parecer da relatora, deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP), ao Projeto de Lei (PL) 3134/25, de autoria da deputada Fernanda Melchionna (Psol-RS) e outros parlamentares. Segundo a relatora, a versão inicial previa um sistema nacional de dados novo e autônomo, mas a mudança buscou evitar sobreposição com plataformas já existentes no governo.
“A criação de um novo sistema nacional autônomo pode gerar sobreposição com estruturas já existentes. A solução proposta preserva o mérito da iniciativa, que é a transparência, e evita a criação de sobreposições institucionais”, afirmou Sâmia Bomfim no parecer.
Na prática, a regra pode condicionar o envio de recursos federais à divulgação atualizada das informações por estados e prefeituras. O projeto, no entanto, não detalha valores, prazos operacionais nem quais plataformas já existentes serão usadas para consolidar os dados.
A proposta será analisada agora pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisará ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.
O endividamento rural do Paraná chegou a R$ 10,8 bilhões em janeiro deste ano, segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP. Esse número é o chamado “saldo problemático”: a soma das dívidas em atraso (de até 90 dias), das inadimplentes (com atraso acima de 90 dias) e daquelas que foram prorrogadas ou renegociadas.
“Os índices de janeiro são preocupantes por si só, mas estimamos que o número atual de endividamento já possa estar alcançando o dobro desse valor, ultrapassando os R$ 20 bilhões”, afirma Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema FAEP.
O Paraná tinha, em janeiro, aproximadamente R$ 99 bilhões em empréstimos com instituições financeiras que operam crédito rural. Logo, o saldo problemático do Estado representa 11% do total de empréstimos — um indicador considerado alto para o setor, que tem um padrão histórico de baixa inadimplência.
As circunstâncias se repetem no panorama nacional. Em janeiro, de acordo com o mesmo levantamento, o Brasil somava cerca de R$ 881 bilhões em empréstimos rurais, com saldo problemático de aproximadamente R$ 153,6 milhões — equivalente a 17,4% do total.
A inadimplência entre produtores rurais foi recorde em 2025, conforme as Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas pelo Banco Central. O índice de operações vencidas há mais de 90 dias foi de 6,5% no ano passado. O valor representa um salto em relação aos anos de 2024 e 2023, que registraram inadimplência de 2,3% e de 1,1%, respectivamente.
O quadro de endividamento é resultado de um conjunto de fatores: sucessivas quebras de safras devido a intempéries climáticas; juros elevados que dificultam a quitação de empréstimos; aumento dos custos de produção (como a elevação dos preços de fertilizantes e diesel); queda nos preços das commodities (provocando aperto na margem de lucro do produtor); além da falta de recursos para contratar seguro rural, o que garantiria maior estabilidade ao produtor mesmo frente a instabilidades.
Fatores como esses levaram Luiz Flamengo, avicultor do município de Paranacity, no Noroeste do Estado, a contrair uma dívida de cerca de R$ 450 mil. Ele trabalha com o manejo de frango de postura, no regime de integração.
“Na avicultura, os custos operacionais crescem em uma ascendência vertiginosa”, afirma. “Vimos aumento na tarifa de energia elétrica e aumento dos insumos de manutenção e manejo avícola, como cal virgem, peças de manutenção de equipamentos, lenha para aquecimento e mão de obra terceirizada para manutenção mecânica e elétrica”, relata.
Por outro lado, a remuneração por ave segue apenas o percentual de reajuste da inflação, sem considerar o aumento dos custos de produção. Vendo sua margem de lucro se dissipar, Flamengo chegou a vender um veículo para quitar uma dívida passada.
“O endividamento nos impede de honrar os compromissos financeiros assumidos com fornecedores e agentes financeiros”, diz o produtor.
Medidas urgentes
O Sistema FAEP alerta que o endividamento coloca em risco a atividade rural, assim como a segurança alimentar e o desenvolvimento econômico do Estado.
“Com margem reduzida e dívidas em atraso, o produtor não tem acesso ao crédito rural e, consequentemente, não tem recursos para investir no cultivo de uma nova safra. Isso afeta a produção de alimentos, gerando uma redução na oferta de produtos no mercado, o que inevitavelmente pressiona os preços para cima e compromete a segurança alimentar da população”, afirma o presidente do Sistema FAEP.
“É urgente um programa de renegociação de dívidas, por parte do governo federal, incluindo a abertura de novas linhas de crédito para o produtor”, defende.
Na próxima terça-feira, será votado no Senado o Projeto de Lei (PL) 5.122/23, que permite a renegociação de dívidas rurais por meio de financiamento com recursos do Fundo Social do Pré-Sal. Desde o início da tramitação do projeto, o Sistema FAEP tem dialogado com parlamentares, levando informações sobre os desafios dos produtores rurais e a necessidade da implementação de medidas para sanar o endividamento.
A bolsista Sandy Cruz Santos, da área de nutrição animal, conquistou o primeiro lugar no 16º Seminário de Iniciação Científica da Embrapa Tabuleiros Costeiros, em Sergipe. O resultado foi divulgado após a apresentação de oito projetos de pesquisa na quarta-feira (13), com avaliação de banca formada por especialistas da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Segundo a unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), esta é a segunda vitória consecutiva da estudante na competição.
O trabalho vencedor foi “Avaliação da produtividade e qualidade bromatológica da silagem de clones de capim-elefante”, orientado pelo pesquisador Evandro Neves Muniz. Em 2025, Sandy já havia alcançado a primeira colocação com estudo sobre o mesmo tema, também voltado à avaliação da produtividade e da qualidade bromatológica da silagem.
A 16ª edição do seminário reuniu bolsistas do programa da Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec/SE). A abertura do evento contou com palestra do professor Arthur Domingos de Melo, da UFS Campus Itabaiana e coordenador do Laboratório de Biologia Floral e Ecologia Reprodutiva (LaBiFloR), sobre polinização como serviço ecossistêmico. Ele também integrou a banca avaliadora ao lado da professora Renata Silva Mann, do Departamento de Engenharia Agronômica da UFS.
Na classificação final, o segundo lugar ficou com “Microclima e consumo de água por ovinos: sensação térmica”, apresentado por João Pedro Oliveira de Sousa Leão, com orientação do pesquisador Ubiratan Piovezan. Em terceiro, ficou “Avaliação da eficácia dos parâmetros seminais do exame andrológico na seleção de carneiros para a reprodução”, de Rafael Pinheiro da Silva Diniz, orientado por Hymerson Costa Azevedo.
Os trabalhos apresentados abrangeram temas como agricultura digital, ciência de dados, ecologia, produção animal, recursos forrageiros e reprodução de pequenos ruminantes. Na prática, o seminário funciona como etapa de formação técnica, ao ampliar a divulgação de resultados de pesquisa e aproximar estudantes de pesquisadores e avaliadores externos. A Embrapa não divulgou as notas individuais dos projetos apresentados.
De acordo com a Embrapa Tabuleiros Costeiros, o seminário integra as ações de formação de novos pesquisadores e de fortalecimento da pesquisa aplicada no ambiente acadêmico. A tendência é de manutenção desse modelo de incentivo, com foco na apresentação pública de resultados e no intercâmbio entre diferentes áreas da ciência agropecuária.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) concluiu, nesta terça-feira (12), a destinação final de cerca de 1.500 pacotes de café apreendidos no Paraná. O material, considerado irregular após fiscalização oficial, foi encaminhado para compostagem em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), no Campus Botânico, em Curitiba. A medida integrou o processo de descarte controlado para impedir o retorno do produto à cadeia de consumo.
O lote era de café torrado e moído da marca “Made in Brazil” e havia sido adquirido pela UFPR para consumo interno. A comercialização foi suspensa após inspeção do Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal no Paraná (Sipov/PR), que identificou impurezas e matérias estranhas acima dos limites permitidos pela legislação.
Após a apreensão, o produto permaneceu armazenado até a definição da destinação ambientalmente adequada. Segundo o Mapa, o café foi incorporado a leiras de compostagem com aparas de grama, folhas secas, esterco bovino e água. As embalagens foram separadas e encaminhadas para reciclagem.
De acordo com o ministério, o composto orgânico gerado poderá ser utilizado em atividades de manejo e recuperação de solo realizadas pela própria universidade. A operação foi acompanhada por auditores fiscais federais agropecuários.
O caso ocorre em um contexto de reforço da fiscalização sobre a cadeia do café no estado. Até o momento, o Mapa informa ter realizado 194 coletas oficiais de amostras no Paraná. Nos casos de não conformidade, as medidas adotadas incluem autuações, multas, apreensões e auditorias em estabelecimentos torrefadores e embaladores.
Recentemente, mais de 21 toneladas de café irregular também foram apreendidas em compras públicas realizadas em Curitiba, segundo o ministério. Não foram divulgados, no material oficial, os detalhes sobre o volume total de lotes fiscalizados no estado nem a proporção de amostras reprovadas.
A destinação por compostagem atende ao objetivo de retirar definitivamente o produto irregular do mercado e dar tratamento técnico ao material apreendido. Para o setor, a continuidade das coletas e auditorias tende a manter o foco sobre a conformidade dos produtos de origem vegetal comercializados no Paraná.
A Embrapa Café realiza, na sexta-feira (22), a partir das 10h, duas palestras no estande da instituição durante a AgroBrasília 2026, em Brasília (DF). A programação integra as ações alusivas ao Dia Nacional do Café, celebrado no domingo (24), e terá foco na valorização da cafeicultura brasileira, com ênfase em inovação, diversidade regional e inserção dos cafés nacionais no mercado internacional.
A primeira apresentação será conduzida por Renata Silva, chefe de Inovação e Negócios da Embrapa Café, com o tema Cafés do Brasil: ciência, saberes, diversidade e inovação que transformam territórios. Segundo a pesquisadora, a proposta é detalhar a diversidade da produção brasileira, a expansão territorial da cultura e as estratégias de inovação desenvolvidas em diferentes regiões produtororas.
De acordo com a Embrapa Café, a exposição também abordará a conexão entre sustentabilidade, qualidade e valorização territorial, além de iniciativas de integração entre produtores, instituições e mercados. Outro ponto previsto é o protagonismo feminino na cafeicultura.
Acompanhe os preços das principais commodities do agro, como soja, milho e boi, com atualização direta das principais praças do Brasil: acesse a página de cotações do Canal Rural!
Na sequência, a barista Juliana Morgado, de Brasília, apresentará a palestra De Brasília para o Mundial: os sabores dos cafés do Brasil. Campeã brasileira da Brewers Cup na categoria de café filtrado, ela representará o país no 2026 World Brewers Cup, programado para o período de quarta-feira (25) a sexta-feira (27) de junho, em Bruxelas, na Bélgica.
A apresentação incluirá a trajetória profissional da barista, a relevância dos campeonatos para a cadeia do café, tendências de consumo e degustação de cafés brasileiros. A entrada é gratuita, segundo os organizadores.
A AgroBrasília 2026 ocorre de terça-feira (19) a sábado (23), no Parque Tecnológico Ivaldo Cenci, no PAD-DF. A feira reúne produtores, pesquisadores, empresas, cooperativas e instituições públicas em programação voltada à inovação, sustentabilidade, transferência de tecnologia e geração de negócios no campo.
A participação da Embrapa Café insere o Dia Nacional do Café em uma agenda técnica de difusão de conhecimento e promoção do setor. Na prática, a iniciativa amplia a visibilidade de temas como inovação, qualidade e posicionamento dos cafés brasileiros em diferentes mercados, dentro de um ambiente voltado à adoção de tecnologias e à articulação entre pesquisa e produção.