No morning call de hoje, a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, destaca que sinais de acordo entre EUA e Irã derrubaram o petróleo em 6% e ofuscaram a ata hawkish do Fed.
O Ibovespa subiu 1,77% aos 177 mil pontos e o dólar recuou a R$ 5,00. Hoje, PMIs europeus e dados de emprego nos EUA definem o tom dos mercados.
Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.
As bolsas europeias operavam majoritariamente em alta na manhã desta quinta-feira (21), enquanto o petróleo devolvia parte dos ganhos da madrugada em meio às incertezas sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã. Por volta das 7h, no horário de Brasília, o índice pan-europeu Stoxx 600 avançava 0,36%, aos 622,55 pontos. O movimento ocorre em um ambiente de desaceleração da atividade econômica na Europa e de maior volatilidade nos preços de energia.
No mesmo horário, o petróleo Brent recuava cerca de 0,9%, após ter avançado durante a madrugada. O mercado reagia a declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, feitas na quarta-feira (20), de que as negociações com o Irã estariam em fase final. Ao mesmo tempo, Trump afirmou que o país poderá sofrer “outro grande golpe” caso não haja acordo com Washington para encerrar a guerra no Oriente Médio.
Entre os principais mercados da região, às 7h15, no horário de Brasília, a Bolsa de Londres subia 0,04%, Paris avançava 0,39% e Frankfurt ganhava 0,52%. Milão, Madri e Lisboa registravam altas de 0,36%, 0,08% e 0,33%, respectivamente.
Os dados de atividade reforçaram o quadro de cautela. O índice de gerentes de compras (PMI) composto da zona do euro caiu para 47,5 em maio, segundo levantamento preliminar, atingindo o menor nível em 31 meses. No Reino Unido, o PMI recuou para 48,5, abaixo da marca de 50, que separa expansão de retração.
Diante da pressão nos preços de energia, a Comissão Europeia revisou suas estimativas para a zona do euro. A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 foi reduzida de 1,2% para 0,9%, enquanto a inflação prevista subiu de 1,9% para 3%. A meta oficial do Banco Central Europeu (BCE) é de 2%.
Para o setor agropecuário, oscilações no petróleo e na inflação internacional são acompanhadas por seu efeito potencial sobre combustíveis, frete e custos logísticos. O conteúdo disponível, no entanto, não detalha impactos específicos por cadeia produtiva.
O mercado segue atento à evolução das negociações entre Estados Unidos e Irã e aos próximos indicadores de atividade e inflação na Europa. Sem novas definições geopolíticas, a tendência de curto prazo é de manutenção da volatilidade no petróleo e nos ativos europeus.
Suinocultores do Mato Grosso do Sul (MS) podem obter incentivos financeiros com base no cumprimento de protocolos de sustentabilidade, produção, biossegurança e bem-estar animal. A bonificação acontece por meio do programa Leitão Vida, executado pela Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação do MS (Semadesc). Detalhes foram apresentados na reunião da Comissão Técnica de Suinocultura do Sistema FAEP, nesta segunda-feira (18), com o objetivo de analisar a possibilidade de implementação de iniciativa similar no Paraná.
“Nosso Estado é destaque na produção de suínos, com cerca de 1 milhão de matrizes. É necessário pensarmos em políticas que valorizem o suinocultor, que o incentivem a elevar os padrões de produção e que disponibilizem recursos para investir em infraestrutura e inovação”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette.
Atualmente, o Paraná é vice-líder na produção de suínos no Brasil, com 12,9 milhões de animais abatidos em 2025, equivalente a 21% dos abates no país.
Deborah de Geus, presidente da Comissão Técnica de Suinocultura do Sistema FAEP, diz que a reunião abriu portas para estudar a viabilidade técnica e prática do modelo sul-mato-grossense e entender como ele contribui para o desenvolvimento rural.
“Vemos que o produtor utiliza essa verba para melhorar a própria atividade. Assim ele consegue se desenvolver e conquistar melhores resultados”, pontua.
Leitão Vida
Para participar do programa, o suinocultor precisa cumprir uma série de requisitos classificados em seis pilares: sustentabilidade social, sustentabilidade econômica, sustentabilidade ambiental, biossegurança, bem-estar animal e produção.
De modo geral, quanto mais critérios o produtor preencher, maior será a bonificação que ele receberá por cada animal abatido. A verificação do cumprimento dos protocolos é feita por meio de auditorias nas propriedades rurais. O procedimento fica sob responsabilidade da Associação Sul-mato-grossense de Suinocultores (Asumas), que emite os atestados de nível de qualificação.
“O auditor faz a visita in loco, entra na granja, sempre respeitando o ciclo de visitas. O produtor acompanha a auditoria, e o responsável técnico também pode participar”, explica Renato Leandro Spera, presidente da Asumas.
Lucas Ingold, diretor executivo da associação, diz que o incentivo tem o intuito de elevar o patamar da atividade pecuária no Estado.
“Os produtores têm se empenhado em aprimorar seu status sanitário, governança e requisitos ambientais”, relata.
Rômulo Gouveia, representante da Semadesc, celebra os frutos da ampla adesão ao Leitão Vida.
“O programa está aí há 30 anos, provando que os produtores estão, de fato, sempre buscando implementar melhorias”, afirma.
Certificado de Cadastro de Imóveis Rurais está disponível para preenchimento no site
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Foto: Divulgação
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) alerta os produtores rurais para o prazo de preenchimento e emissão do Certificado de Cadastro de Imóveis Rurais (CCIR), que está disponível no site do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
O prazo para quitar a Taxa de Serviços Cadastrais, que valida o CCIR de 2026, começou na terça (19) e termina no dia 17 de junho. O pagamento é obrigatório e o valor varia conforme o tamanho e a localização das terras. Após a data limite serão aplicados multa e juros.
O CCIR 2026 substitui o documento do ano anterior e com ele é possível transferir, arrendar, hipotecar, desmembrar ou partilhar o imóvel rural, além de dar acesso ao produtor ao crédito rural.
A CNA orienta que a emissão do CCIR garante aos proprietários a conformidade cadastral do imóvel e por isso é importante estar com o certificado atualizado no ano corrente.
Para obter a emissão do documento, é necessário pagar a taxa de serviço cadastral, por meio de pix, cartão de crédito ou boleto bancário.
Cinco unidades de pesquisa da Embrapa integram capacidades para desenvolver soluções científicas que ampliem a contribuição da agricultura brasileira na descarbonização da economia.
O desafio central é investir em ações de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) para transformar biomassa e resíduos agroindustriais em energia, combustíveis renováveis e insumos de base biológica, com ganhos ambientais e competitividade.
Essa estratégia liderada pela Embrapa Agroenergia, faz parte do projeto “Centro temático para desenvolvimento de soluções integradas voltadas à transição energética a partir da agricultura” o Bioinova, que conta com aporte de R$ 14 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para modernizar o parque de equipamentos e fortalecer a infraestrutura.
A iniciativa, com duração de 36 meses, visa alcançar 10 metas voltadas à geração de tecnologias para produção sustentável de energia e materiais renováveis.
Segundo o chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agroenergia, Bruno Laviola, o Bioinova é estratégico pela integração de competências de cinco unidades para enfrentamento de desafios reais da transição energética. Além das 10 metas técnicas, o projeto prevê modernizar e ampliar a infraestrutura multiusuária da Empresa.
“Com isso, vamos aumentar a nossa capacidade de gerar evidências, qualificar processos e acelerar a entrega de soluções em rotas como combustível sustentável de aviação (SAF, sigla em inglês), biohidrogênio, biometano, etanol e em tecnologias associadas ao desenvolvimento de matérias-primas e bioinsumos”, diz.
Sustentabilidade
Laviola explica que o Bioinova trabalha com uma lógica integrada de economia circular em biorrefinarias tropicais. A ideia é aproveitar resíduos da própria cadeia de biocombustíveis para reduzir emissões na produção das biomassas desenvolvidas no projeto.
“Essas biomassas, por sua vez, podem gerar novos biocombustíveis e bioprodutos mais sustentáveis, buscando reduzir emissões e ampliar a sustentabilidade em toda a cadeia”, complementa.
O líder do projeto e pesquisador da Embrapa Agroenergia Guy de Capdeville pontua que, para o alcance das metas, o Bioinova atuará em diferentes frentes para ampliar as matérias-primas e rotas de conversão e produzir bioinsumos para nutrição, bioestimulação e controle de pragas de interesse energético.
Para isso, o projeto vai contemplar áreas sujeitas a estresses abióticos, seca e salinidade e ferramentas de sustentabilidade, inteligência e biotecnologia avançada, além da viabilidade econômica de tudo isso.
Atuação em rede
O Bioinova vai mobilizar grande parte das equipes técnicas das cinco unidades da Embrapa envolvidas. “O Bioinova foi concebido para acelerar soluções integradas e aplicáveis, conectando o campo às rotas tecnológicas de biocombustíveis e bioprodutos. Além de gerar resultados científicos e tecnológicos, o projeto fortalece a infraestrutura necessária para responder aos desafios atuais e futuros da transição energética”, destaca Capdeville.
Metas voltadas a geração de tecnologia
Entre as principais frentes previstas no projeto, destacam-se o desenvolvimento de:
Canola tropicalizada para ampliar a oferta sustentável de óleo e apoiar rotas para biodiesel, diesel renovável e combustível sustentável de aviação (SAF);
Três bioinsumos a partir de resíduos agroindustriais, contribuindo para redução de emissões e maior eficiência produtiva;
Microbiomas semiartificiais (engenharia de microbiomas) e de um processo agropecuário para produção sustentável de biomassa voltado à bioenergia em áreas marginais sujeitas a estresses hídrico e salino;
Composto derivado de lignina (a partir de resíduos agroindustriais) para uso agrícola;
Processos para produção de etanol a partir de matérias-primas amiláceas, ampliando alternativas e diversificação;
Processos para produção de biohidrogênio e biometano via biodigestão, visando aumentar a disponibilidade de energia para pequenas e médias propriedades;
Processo para obtenção de hidrocarbonetos utilizáveis como SAF a partir de óleos, incluindo canola e macaúba;
Avaliação de sustentabilidade ambiental e econômica, inventários e modelagem para estimar impactos das tecnologias desenvolvidas no projeto;
Implementação de uma plataforma multifuncional com biologia integrativa, inteligência artificial e biotecnologias para acelerar soluções em culturas energéticas e microrganismos voltados a bioinsumos;
Obtenção de extratos biocidas de baixa emissão voltados ao controle de nematoides em cultivos associados à bioenergia.
Foto: Simone Favaro/Embrapa
Modernização e ganhos
Além das entregas técnicas, o Bioinova prevê aquisição e atualização de equipamentos estratégicos para ampliar a capacidade experimental e analítica, apoiar rotas de conversão e aumentar a robustez das evidências de desempenho e sustentabilidade.
A infraestrutura terá caráter multiusuário, ampliando o alcance institucional e a capacidade de atender demandas de projetos internos, parcerias e cooperação técnico-científica.
Para viabilizar os trabalhos, Capdeville adianta que a contratação de pessoal também está entre as previsões do projeto. “Pelo menos 30 outros profissionais, de graduação e pós- graduação e cientistas já formados estarão entre as contratações”, reforça.
Além de aporte para manutenção de infraestrutura já existente, serão disponibilizados recursos para pesquisas em campo e para compra e manutenção de equipamentos.
“Sabemos o quanto é importante trabalharmos com garantias tanto para aquisição quanto para manutenção ao longo de três anos de projeto. Trata-se de um projeto amplo, que foca não apenas na infraestrutura da Embrapa, mas também de parceiros”, destaca o pesquisador.
Laviola conta que a atualização da infraestrutura é decisiva para reduzir o tempo de desenvolvimento, qualificar resultados e acelerar a conexão com o setor produtivo.
Energia, baixo carbono e competitividade
A expectativa é ampliar o portfólio de soluções da Embrapa em biocombustíveis avançados (incluindo SAF), biogás e biometano, bioinsumos e novas matérias-primas, de forma a contribuir para a descarbonização de cadeias agroenergéticas; diversificar fontes renováveis e reduzir riscos de suprimento; com maior competitividade e previsibilidade para investimentos em rotas industriais, além de apoio técnico e científico a políticas públicas e estratégias setoriais.
“Ao final, esperamos entregar um conjunto consistente de processos e tecnologias, com evidências de desempenho e sustentabilidade. Tais informações nos permitirão apoiar decisões de investimento, formular políticas públicas, aprimorar cadeias produtivas e ampliar o papel da agricultura na oferta de energia renovável e de baixo carbono”, conclui Capdeville.
Com a projeção de mais de 1,26 milhão de desembarques nos aeroportos gaúchos entre junho e agosto de 2026 — um crescimento estimado de 18,7% em relação ao mesmo período do ano anterior —, o Vale dos Vinhedos se prepara para viver mais uma intensa temporada de inverno, consolidando seu posicionamento como principal destino de enoturismo do Brasil. Inserido no movimento de recuperação e fortalecimento do turismo gaúcho apresentado pelo Governo do Estado durante o lançamento oficial da Temporada de Inverno 2026, o território reforça sua vocação para receber visitantes em experiências que unem vinho, gastronomia, paisagem, cultura e hospitalidade. A expectativa é de que mais de 120 mil pessoas passem pelo Vale dos Vinhedos entre os meses de junho, julho e agosto, impulsionando a ocupação hoteleira e o fluxo turístico na região.
Dados oficiais do Sindicato Empresarial de Gastronomia e Hotelaria (SEGH) embasam a expectativa positiva para a temporada de inverno no Vale dos Vinhedos. Os meios de hospedagem localizados no território já registram taxa média de reservas próxima de 61% nos finais de semana do período, enquanto a expectativa do setor é superar os 80% de ocupação ao longo da temporada de 2026, refletindo o aquecimento da procura pelo destino durante a estação. “O Vale dos Vinhedos hoje é um destino completo, preparado para receber diferentes perfis de visitantes. Temos uma diversidade muito grande de experiências que integram vinho, gastronomia, cultura, paisagem, hospitalidade e bem-estar. O visitante consegue viver o território de muitas formas diferentes, e isso faz com que o Vale permaneça atrativo em todas as épocas do ano, especialmente no inverno”, destaca o presidente da Aprovale, André Larentis.
Reconhecido como o destino do vinho brasileiro, o Vale dos Vinhedos vive o inverno de forma particular. É a estação em que o território revela outra atmosfera: os vinhedos adormecidos, o frio característico da Serra Gaúcha, o vinho servido ao redor da mesa, as experiências mais intimistas e a gastronomia de conforto transformam o destino em um convite à permanência. Mais do que um roteiro de vinícolas, o Vale oferece ao visitante um território completo, onde diferentes formas de viver o vinho convivem em uma mesma paisagem.
Ao longo dos últimos anos, o Vale dos Vinhedos ampliou sua oferta turística e consolidou uma diversidade de experiências capaz de atender diferentes perfis de visitantes — dos apreciadores iniciantes aos consumidores mais especializados. Degustações técnicas, harmonizações simples e complexas, piqueniques entre vinhedos, wine bars, experiências ao ar livre, jantares autorais, cursos, passeios culturais, hospedagens de charme, trilhas, espaços contemplativos e experiências ligadas ao bem-estar convivem com a tradição das cantinas familiares e das grandes vinícolas do território. Entre as novidades que reforçam essa nova fase do destino está a recém-inaugurada Ciclovia Vale dos Vinhedos, um pleito histórico da comunidade e da Aprovale construído ao longo de mais de 20 anos de mobilização. A obra amplia a conexão do visitante com a paisagem, qualifica a mobilidade e fortalece a proposta de um turismo mais contemplativo, seguro e integrado ao território.
“O Vale dos Vinhedos é um território vivo, que evoluiu junto com o enoturismo brasileiro, sendo referência para outras regiões produtoras. Hoje oferecemos uma experiência muito mais ampla, madura e diversa, capaz de integrar vinho, cultura, paisagem, gastronomia e acolhimento em todas as épocas do ano. O inverno potencializa isso porque convida o visitante a viver o território com mais tempo, profundidade e conexão”, destaca o presidente da Aprovale, André Larentis.
Primeira Denominação de Origem de vinhos e espumantes do Brasil, o Vale dos Vinhedos reúne empreendimentos dos municípios de Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul, formando um dos territórios enoturísticos mais reconhecidos da América Latina. Mais do que origem geográfica, o Vale se consolidou como um território moldado pelo vinho — pela cultura construída ao redor dele, pelas relações que sustentam sua identidade e pelas experiências que nascem desse encontro entre tradição e contemporaneidade.
A expectativa positiva para a temporada acompanha também o movimento percebido pelo setor turístico regional. O fortalecimento da malha aérea, a retomada da imagem do Rio Grande do Sul como destino turístico e, principalmente, do enoturismo, e a ampliação do interesse internacional pelo Estado refletem diretamente no fluxo esperado para a Serra Gaúcha e para o Vale dos Vinhedos, que historicamente concentra parte importante da demanda turística durante o inverno.
Como os grandes vinhos, o Vale dos Vinhedos encontrou na maturidade a sua melhor expressão — e chega ao inverno de 2026 reafirmando sua posição como um dos destinos mais completos, autênticos e desejados do turismo brasileiro.
Os preços da ureia seguem em queda nos portos brasileiros, refletindo o enfraquecimento da demanda global e os impactos logísticos provocados pelo conflito no Oriente Médio. A avaliação é de Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, que aponta um movimento de retração nas cotações nas últimas quatro semanas.
Segundo o analista, a ureia acumula desvalorização de 14% no período, com indicações de preços abaixo de US$ 700 por tonelada. “Pela quarta semana consecutiva, os preços da ureia recuaram nos portos brasileiros. Esse movimento baixista recente está diretamente associado a uma demanda significativamente enfraquecida em diversos países, incluindo o Brasil”, afirma Tomás Pernías.
Apesar da retração recente, as cotações ainda permanecem em patamar elevado quando comparadas ao período anterior ao conflito no Oriente Médio. De acordo com a análise da StoneX, os preços seguem cerca de 43% acima dos níveis observados antes do agravamento das tensões na região.
Para Pernías, a queda recente ainda não foi suficiente para neutralizar os impactos provocados pela alta registrada após o início do conflito. “Esse cenário evidencia que a correção recente ainda está longe de compensar o forte impacto altista provocado pelo conflito”, destaca.
O mercado global de nitrogenados também continua pressionado por restrições na oferta e dificuldades logísticas. Segundo o analista, o fechamento praticamente total do Estreito de Ormuz segue afetando o fluxo internacional do produto. “Correções mais profundas, por sua vez, tendem a ser limitadas pelas atuais condições do mercado global de nitrogenados. A oferta segue restrita, uma vez que o Estreito de Ormuz permanece praticamente fechado, enquanto os entraves logísticos associados ao conflito continuam afetando o fluxo global do produto”, explica.
Mesmo com a redução nas cotações, o volume de negociações internacionais permanece limitado. De acordo com a análise, as relações de troca continuam entre as mais desfavoráveis dos últimos anos, reduzindo o interesse dos compradores em ampliar aquisições neste momento.
A postura mais cautelosa dos consumidores também reflete os preços ainda elevados no mercado internacional. “Além disso, os elevados níveis de preços ainda observados têm levado os compradores a adotar uma postura defensiva, marcada por cautela e pela preferência em adiar decisões de compra”, afirma Pernías.
No Brasil, o adiamento das compras ainda é considerado viável no curto prazo, já que o pico sazonal de demanda por nitrogenados ocorre tradicionalmente no segundo semestre. Ainda assim, o analista alerta que essa estratégia não poderá ser mantida indefinidamente.
Segundo a StoneX, a tendência é de retorno gradual dos compradores ao mercado nos próximos meses, seja para recomposição de estoques ou para garantir insumos destinados às próximas aplicações agrícolas. “Dessa forma, por enquanto, a recente queda das cotações ainda não configurou o cenário esperado pelos compradores que optaram por postergar suas negociações desde o início do conflito no Oriente Médio”, conclui Tomás Pernías.
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) participou nesta quarta-feira (20) do Dia Internacional da AgroBrasília 2026, no Parque Tecnológico Ivaldo Cenci, no Distrito Federal, com palestra do chefe-geral da Embrapa Cerrados, Jorge Werneck, e exposição de tecnologias voltadas à produção agropecuária. Segundo a organização, o encontro reuniu mais de 100 embaixadores e adidos agrícolas e comerciais de cerca de 30 países, além de representantes de organismos internacionais.
Durante a apresentação, Werneck destacou a evolução da agricultura brasileira desde a década de 1970, associando o avanço da produção ao uso de ciência, tecnologia, capacitação e políticas públicas. Segundo ele, em 48 anos, a produção agropecuária brasileira foi multiplicada em mais de cinco vezes, enquanto a área cresceu 2,4 vezes, com ganho de produtividade próximo de três vezes.
O dirigente afirmou que esse aumento de eficiência reduziu a necessidade de expansão territorial. De acordo com a Embrapa, para produzir o volume atual com a tecnologia disponível há 50 anos, seria necessária a incorporação de mais 120 milhões de hectares ao sistema produtivo. Werneck também informou que, em 2025, cada real investido na empresa retornou R$ 27 à sociedade, dado apresentado pela instituição durante o evento.
Na AgroBrasília 2026, a Embrapa lançou duas cultivares de trigo tropical, BRS Cracker e BRS Savana, e uma cultivar de cebola, BRS Belatriz. Também fez o pré-lançamento da soja convencional BRS 7583, descrita pela empresa como material de alta produtividade e resistência a nematoides. A vitrine tecnológica ainda reuniu materiais de arroz, feijão, café, girassol, sorgo, forrageiras, hortaliças, maracujá e pitaya, além de bovinos de corte e leite com melhoramento genético.
O evento foi promovido pela Cooperativa Agropecuária da Região do Distrito Federal (Coopa-DF) e incluiu participação de representantes da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF), da Secretaria de Relações Internacionais do Distrito Federal e do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Para o setor, a agenda reforça a conexão entre pesquisa, assistência técnica e adoção de tecnologias com potencial de elevar produtividade e adaptação dos sistemas de produção.
A programação também indicou prioridade para temas como sustentabilidade, transição energética, mudanças climáticas e inclusão digital no campo. O efeito prático dessas tecnologias sobre produtividade, custo e adoção em larga escala dependerá do desempenho dos materiais nas diferentes regiões e das estratégias de transferência de tecnologia aos produtores.
Duas novas espécies de minhocas foram identificadas na Fazenda Canchim, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Pecuária Sudeste, em São Carlos (SP), em áreas de sistemas integrados de produção, pastagens e milho irrigado sob plantio direto. A descrição foi publicada em abril na revista Zootaxa. Segundo os pesquisadores, o registro amplia o inventário da fauna nativa brasileira e ajuda a relacionar a biodiversidade do solo à intensidade do manejo agrícola.
As espécies descritas são Fimoscolex bernardii sp. nov. e Glossoscolex canchim sp. nov., ambas da família Glossoscolecidae. O trabalho foi assinado por Marie Luise Carolina Bartz, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), George Brown, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Florestas, e Lilianne Maia Bruz, da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
A coleta ocorreu em áreas com integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), integração lavoura-pecuária (ILP), integração pecuária-floresta (IPF), pastagem extensiva, pastagem intensiva e cultura anual sob plantio direto. Os exemplares foram retirados manualmente, contados, separados e analisados com base em características externas e estruturas anatômicas internas.
De acordo com os autores, as minhocas são bioindicadoras da qualidade e da saúde do solo por serem sensíveis a mudanças no manejo. Esses organismos atuam na abertura de canais, na fragmentação de resíduos vegetais, no transporte de microrganismos e na mistura de matéria orgânica com minerais, processos ligados às propriedades físicas, químicas e biológicas do solo.
Segundo George Brown, espécies nativas costumam estar associadas a ambientes menos perturbados, enquanto formas exóticas tendem a predominar em solos manejados. Por isso, o registro de espécies nativas em sistemas integrados e em áreas de produção é considerado relevante para o monitoramento da sustentabilidade a longo prazo.
O Brasil tem cerca de 336 espécies de minhocas descritas, mas estimativas apontam a possibilidade de mais de 1.400 espécies no país. Os pesquisadores destacam que a composição taxonômica da fauna nativa ainda é pouco documentada, especialmente em áreas de transição entre Mata Atlântica e Cerrado, como a região de São Carlos.
Para a pesquisa, a presença dessas espécies em áreas produtivas indica que sistemas conservacionistas, como integração de lavoura e pecuária e plantio direto, podem favorecer a manutenção da biodiversidade edáfica. Os autores ressaltam, no entanto, que são necessários estudos de longo prazo para acompanhar a persistência dessas populações e detalhar sua relação com o uso da terra e o manejo do solo.
A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (20), o Projeto de Lei 1625/26, que cria um crime específico contra as relações de consumo para punir o aumento abusivo de preços de combustíveis. A proposta, de autoria do Poder Executivo, prevê detenção de 2 a 4 anos e multa para quem elevar os valores de forma artificial e sem justa causa, com objetivo de obter vantagem econômica indevida. O texto segue agora para o Senado.
O projeto foi aprovado na forma de um substitutivo do relator, deputado Merlong Solano (PT-PI). Pela redação aprovada, será considerado sem justa causa o aumento dissociado de fundamentos econômicos verificáveis, como custos de produção, distribuição, importação, reposição, comercialização, logística, tributos e regras regulatórias.
A proposta também vincula a caracterização da conduta a práticas anticoncorrenciais previstas na Lei de Defesa da Concorrência. Para a apuração do delito, o Ministério Público deverá firmar acordos de cooperação com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), com compartilhamento de subsídios técnicos.
As penas poderão ser aumentadas de um terço até a metade se a prática ocorrer em contexto de calamidade pública, crise de abastecimento ou for cometida por agente com posição dominante no mercado. Pela Lei 12.529/11, essa posição é presumida quando empresa ou grupo controla 20% ou mais do mercado relevante, percentual que pode ser alterado pelo Cade conforme o setor.
Durante o debate, o relator afirmou que a medida busca preservar a formação de preços em ambiente de mercado, mas permitir responsabilização em situações manifestamente abusivas. Parlamentares da oposição criticaram o texto e apontaram ausência de um percentual objetivo para definir quando o reajuste se torna abusivo.
Para o setor agropecuário, o tema tem relação direta com custos operacionais e logísticos. O próprio relatório menciona efeito difuso dos combustíveis sobre transporte, alimentos e serviços. No caso do diesel, citado no debate, cerca de 30% da demanda é atendida por importações, o que mantém a formação de preços sensível ao mercado internacional e à logística de abastecimento.
Como o texto ainda será analisado pelo Senado, os efeitos práticos da proposta dependem da tramitação legislativa. Pelas informações disponíveis, o projeto cria um enquadramento penal e critérios gerais de avaliação, mas não fixa um percentual objetivo de reajuste para caracterizar abuso, o que tende a manter a análise vinculada ao contexto econômico e à apuração técnica de cada caso.