segunda-feira, março 16, 2026

Autor: Redação

AgroNewsPolítica & Agro

Preços registram movimentos distintos dentre as regiões



As cotações do feijão seguem registrando oscilações


Foto: Canva

As cotações do feijão seguem registrando oscilações distintas dentre regiões acompanhadas pelo Cepea. Enquanto o valor do carioca de melhor qualidade vem sendo mais pressionado, os de notas 8,0 e 8,5 encontram sustentação vinda da maior demanda por lotes sem defeitos.

No campo, os baixos preços do feijão e as condições climáticas desfavoráveis em algumas regiões desestimularam os produtores a cultivar o grão de primeira safra, levando a Conab a revisar para baixo suas estimativas de área e de oferta. Agora, a oferta agregada da temporada 2025/26 (considerando primeira, segunda e terceira safras), a ser colhida em 2026, é apontada em 3 milhões de toneladas, sendo 2,3% abaixo da estimada no relatório anterior e 1,8% inferior à da temporada 2024/25. 





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STF tem dois votos contra marco temporal de terras indígenas


STF
Foto: Marcello Casal Jr./ Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) registrou nesta segunda-feira (15) dois votos pela inconstitucionalidade do marco temporal para demarcação de terras indígenas.

Os votos foram proferidos pelos ministros Gilmar Mendes, relator, e Flavio Dino, durante sessão do plenário virtual da Corte que julga quatro processos sobre a questão.

Em sua manifestação, Mendes considerou o marco temporal inconstitucional. No entendimento do ministro, o Legislativo não pode reduzir direitos assegurados aos povos indígenas.

“A imposição do marco temporal implicaria restrição indevida ao princípio da vedação ao retrocesso e à proteção insuficiente dos direitos fundamentais”, afirmou.

O ministro também determinou que todas as demarcações de terras indígenas devem ser concluídas no prazo de dez anos.

Flávio Dino acompanhou o relator e disse que a proteção constitucional aos indígenas independe da existência de um marco temporal.

“Qualquer tentativa de condicionar a demarcação de terras indígenas à data da promulgação da Constituição de 1988 afronta o texto constitucional e a jurisprudência consolidada pelo Supremo Tribunal Federal”, completou.

A votação ficará aberta até quinta-feira (18), às 23h59. Faltam oito votos.

Julgamento do tema

Dois anos após a Corte declarar o marco inconstitucional, os ministros voltaram a analisar o tema. Em 2023, o STF considerou que o marco temporal é inconstitucional.

Além disso, o marco também foi barrado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que vetou parte da Lei 14.701/2023 , na qual o Congresso validou a regra. Contudo, os parlamentares derrubaram o veto de Lula.

Dessa forma, voltou a prevalecer o entendimento de que os indígenas somente têm direito às terras que estavam em sua posse no dia 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal, ou que estavam em disputa judicial na época.

Após a votação do veto presidencial, o PL, o PP e o Republicanos protocolaram no STF ações para manter a validade do projeto de lei que reconheceu a tese do marco temporal.

Por outro lado, entidades que representam os indígenas e partidos governistas também recorreram ao Supremo para contestar novamente a constitucionalidade da tese.

Em paralelo ao julgamento do Supremo, o Senado aprovou na semana passada a proposta de Emenda à Constituição (PEC) 48/23 que insere a tese do marco temporal na Carta Magna.

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Federarroz orienta produtor a participar de leilões da Conab


arroz brasileiro eua
Foto: Divulgação Mapa

A Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) está orientando os produtores do estado a aderirem aos leilões de apoio à comercialização e ao escoamento do cereal anunciados pelo governo.

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A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) realizará leilões de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro) e do Prêmio para Escoamento de Produto (PEP) para estimular a comercialização e garantir preço mínimo ao produtor.

Em nota, a Federarroz informa que a adesão dos produtores aos mecanismos “se apresenta como medida estratégica neste momento”. “A entidade avalia que se trata da última oportunidade de acesso a instrumentos dessa natureza antes do início da colheita da safra 2025/2026.”

Conforme a Federarroz, atualmente os produtores acumulam prejuízos médios entre R$ 20,00 e R$ 30,00 por saca comercializada.

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Boi gordo hoje: veja os preços da arroba neste início de semana


preços do boi
preço do boi

O mercado físico do boi gordo volta a apresentar preços predominantemente acomodados em grande parte do país no início desta semana, enquanto muitas indústrias permanecem ausentes da compra de gado.

De acordo com o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, a expectativa é que sejam realizadas algumas tentativas de compra em patamares mais baixos no decorrer dos próximos dias, quando muitas indústrias anunciam férias coletivas e realização de manutenção do parque fabril, algo normal para esse período do ano.

“Sob o prisma da demanda, o grande destaque está nas exportações, que mantém um ritmo acelerado de embarques”, disse.

Preço médio da arroba do boi gordo

  • São Paulo: R$ 321,53
  • Goiás: R$ 313,75
  • Minas Gerais: R$ 309,41
  • Mato Grosso do Sul: R$ 311,36
  • Mato Grosso: R$ 298,82

Mercado atacadista

O mercado atacadista abriu a semana apresentando firmeza em seus preços, ainda em um ambiente pautado por algum espaço para alta, considerando o bom momento de consumo no mercado interno pela entrada do 13º salário, festas de fim de ano e postos de trabalho temporários.

  • Quarto traseiro: precificado a R$ 26,25 por quilo;
  • Quarto dianteiro: cotado a R$ 18,50 por quilo;
  • Ponta de agulha: indicada a R$ 18,50 por quilo.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão com alta de 0,14%, sendo negociado a R$ 5,4193 para venda e a R$ 5,4173 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,3808 e a máxima de R$ 5,4253.

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Reta final do ano: soja ‘perde fôlego’ em Chicago e desacelera nos portos brasileiros


soja mãos
Foto: Pixabay

A última semana da soja foi marcada por forte pressão sobre os preços da soja na Bolsa de Chicago (CBOT). O contrato janeiro/26 rompeu um suporte psicológico relevante ao perder o patamar de US$ 11,00 por bushel e encerrou a sexta-feira (12) cotado a US$ 10,76/bushel.

Segundo a plataforma Grão Direto, o registro de vendas diárias da soja norte-americana, os volumes divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) foram considerados insuficientes para reduzir o excedente do país, frustrando a expectativa de uma reação mais consistente da demanda.

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Relatório do USDA

O relatório mensal de oferta e demanda do USDA, divulgado na terça-feira (9), manteve a estimativa de produção brasileira em 175 milhões de toneladas e a argentina em 48,5 milhões. Os números reforçaram a percepção de uma oferta global confortável para 2026.

Com o plantio praticamente concluído no Brasil e condições climáticas favoráveis na maior parte das regiões produtoras, o mercado retirou o prêmio de risco climático, passando a precificar um cenário de “safra cheia”, que deve ampliar a disponibilidade do grão a partir de janeiro.

Mercado brasileiro

No mercado físico brasileiro, a queda em Chicago reduziu o ritmo de comercialização. O câmbio, operando próximo de R$ 5,40, não foi suficiente para compensar as perdas externas. Nos portos, o comportamento dos preços mostrou uma divergência regional. O Índice Soja FOB Santos, da Grão Direto, encerrou a semana com leve alta de 0,35%, cotado a R$ 147,50, sustentado por demandas pontuais.

Já o Índice Soja FOB Rio Grande sentiu de forma mais intensa a pressão internacional, recuando 1,51% e fechando a semana anterior a R$ 145,18. Diante de margens mais apertadas e da volatilidade nos portos, o produtor optou por se retrair, resultando em baixa liquidez no mercado.

Clima e demanda no centro das atenções

Para os próximos dias, o mercado entra em modo de atenção máxima ao chamado “mercado de clima”. As previsões indicam chuvas irregulares e abaixo da média no Rio Grande do Sul e no Paraná durante a segunda quinzena de dezembro. Como as lavouras dessas regiões avançam para fases reprodutivas críticas, qualquer confirmação de estresse hídrico pode devolver rapidamente o prêmio de risco às cotações, abrindo espaço para repiques tanto em Chicago quanto nos prêmios de exportação.

Outro ponto decisivo será a demanda chinesa. O mercado aguarda a continuidade dos anúncios diários de vendas pelo USDA como uma espécie de “prova real” do compromisso de compra de 12 milhões de toneladas. Caso o fluxo de vendas perca força ou surjam notícias sobre gargalos logísticos na China, a pressão baixista sobre Chicago tende a persistir, com o mercado testando novos suportes técnicos.

Além disso, a proximidade das festas de fim de ano pode reduzir a liquidez. Fundos de investimento costumam ajustar posições neste período, o que pode aumentar a volatilidade sem a necessidade de fatos novos. O produtor deve manter atenção redobrada aos prêmios de exportação para fevereiro e março, que passam a ser o principal termômetro da competitividade brasileira na entrada da safra.

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Negócios de soja travam e apenas uma região registra alta nos preços; saiba qual


soja
Foto: Pixabay

O mercado brasileiro de soja iniciou a semana travado, com poucos negócios efetivos e cotações operando de forma mista e nominal. Segundo a consultoria Safras & Mercado, Rafael Silveira, o produtor está distante dos negócios, enquanto as tradings já possuem o programa de exportação fechado e a indústria não demonstra demanda adicional.

No cenário externo, a Bolsa de Chicago voltou a operar em baixa, com prêmios estáveis e dólar registrando pequenas altas.

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Confira os preços de soja no Brasil:

  • Passo Fundo (RS): caiu de R$ 136,00 para R$ 135,50
  • Santa Rosa (RS): caiu de R$ 137,00 para R$ 136,50
  • Cascavel (PR): caiu de R$ 136,00 para R$ 135,00
  • Rondonópolis (MT): subiu de R$ 123,00 para R$ 124,00
  • Dourados (MS): manteve em R$ 125,50
  • Rio Verde (GO): subiu de R$ 127,00 para R$ 129,00
  • Paranaguá (PR): caiu de R$ 142,00 para R$ 141,00
  • Rio Grande (RS): caiu de R$ 143,50 para R$ 141,50

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja fecharam mistos nesta segunda-feira (15) na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). O mercado foi pressionado por dúvidas quanto à demanda chinesa e pelo bom desenvolvimento das lavouras sul-americanas. Tentativas de reação técnica não alteraram os contratos mais próximos.

Dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA (CFTC) mostraram que fundos geridos de commodities haviam construído posição líquida comprada expressiva até meados de novembro, deixando o mercado mais suscetível à liquidação de posições compradas.

Esmagamento de soja

Segundo a Associação Norte-Americana dos Processadores de Óleos Vegetais (Nopa), o esmagamento de soja atingiu 216,041 milhões de bushels em novembro, ante 227,647 milhões no mês anterior, abaixo da expectativa de 220,285 milhões. Em novembro de 2024, foram 193,185 milhões.

Em relação às inspeções de exportação norte-americana, os números chegaram a 796.661 toneladas na semana encerrada em 11 de dezembro, ante 1.025.007 toneladas na semana anterior. Exportadores privados reportaram a venda de 136.000 toneladas à China, para entrega na temporada 25/26. As exportações líquidas dos EUA na temporada 2025/26 ficaram em 2.320 milhões de toneladas na semana encerrada em 20 de novembro.

Contratos futuros de soja

Na CBOT, os contratos da soja em grão com entrega em janeiro fecharam com baixa de 5,00 centavos de dólar a US$ 10,71 3/4 por bushel. A posição março caiu 5,50 centavos, cotada a US$ 10,81 1/4 por bushel. No farelo, janeiro subiu US$ 1,00 a US$ 303,50 por tonelada. No óleo, janeiro perdeu 0,59 centavo, fechando a 49,48 centavos de dólar.

Câmbio

O dólar comercial encerrou com alta de 0,14%, sendo negociado a R$ 5,4193 para venda e R$ 5,4173 para compra, com mínima de R$ 5,4110 e máxima de R$ 5,4235.

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Governo anuncia subvenção de R$ 167 milhões para equalização de preço de arroz e trigo


Indústria lança primeiro arroz rastreado com tecnologia da Embrapa
Foto: Paulo Lanzetta

O governo publicou, nesta segunda-feira (15), Portarias Interministeriais que estabelecem parâmetros para a concessão de subvenção econômica, na forma de equalização de preços, para o arroz em casca da safra 2024/25 e para o trigo em grãos da safra 2025/26, no valor de R$ 167 milhões.

A medida, enquadrada na Política de Garantia dos Preços Mínimos (PGPM), pretende garantir renda aos produtores, estimular o escoamento da produção nacional e contribuir para o equilíbrio do mercado agrícola, informou o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em comunicado.

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A subvenção será operacionalizada por meio do pagamento do Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural ou sua Cooperativa (Pepro) e do Prêmio para Escoamento de Produto (Pep), ofertados em leilões públicos a serem realizados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Para o arroz em casca, o montante de recursos destinado à política é de até R$ 100 milhões. Os preços mínimos vigentes foram fixados em R$ 63,64 por saca de 50 kg para os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, e em R$ 80,00 por saca de 60 kg para o estado do Paraná e para as regiões Centro-Oeste, Nordeste, Norte e Sudeste.

Em relação ao trigo em grãos, o volume total de recursos previsto é de até R$ 67 milhões, mas o benefício está condicionado ao escoamento do produto para fora da região produtora. Adicionalmente, a subvenção para o trigo será concedida apenas ao produto nacional e somente quando o preço de mercado estiver abaixo do preço mínimo vigente para a safra.

A participação nos leilões do Pepro é permitida a produtores rurais e cooperativas de produtores rurais. Já nos leilões do PEP, poderão participar, no caso do trigo, as indústrias moageiras e os comerciantes de cereais e, no caso do arroz, as indústrias e os comerciantes de cereais.

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Marco temporal: insegurança jurídica no campo e a falsa solução da ampliação de terras


marco temporal
Foto: Joédson Alves/ Agência Brasil

O Brasil voltou a conviver com um conflito institucional de alto impacto. De um lado, o Congresso Nacional tenta avançar com uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) para estabelecer o marco temporal, fixando a promulgação da Constituição de 1988 como limite para a demarcação de terras indígenas. De outro, o Supremo Tribunal Federal (STF) já iniciou julgamento no sentido oposto, com votos contrários ao marco temporal, ampliando o alcance das demarcações.

O resultado desse choque entre Legislativo e Judiciário é um só: insegurança jurídica.

Hoje, produtores rurais que ocupam e produzem legalmente suas terras vivem sob o risco permanente de perder áreas produtivas por decisões futuras, muitas vezes retroativas, baseadas em interpretações abertas sobre ocupação indígena. Isso não é um detalhe técnico. É um fator que paralisa investimentos, encarece crédito, reduz produtividade e cria um clima de instabilidade no campo.

O Congresso tenta resolver o problema por meio de uma PEC, elevando o marco temporal ao nível constitucional. Caso seja aprovada e sancionada, cria-se um novo patamar jurídico. Ainda assim, parte da comunidade jurídica argumenta que o Supremo poderia questionar essa mudança com base nas chamadas cláusulas pétreas da Constituição, alegando proteção a direitos fundamentais.

Esse cenário transforma o debate em um verdadeiro “nó jurídico”, em que ninguém sabe, de fato, qual regra vai prevalecer amanhã. E quando a regra do jogo muda durante a partida, o investimento simplesmente recua.

O peso do agro na economia brasileira

Essa insegurança não recai sobre um setor qualquer. O agronegócio é um dos pilares da economia brasileira, responsável por parcela significativa do PIB, do emprego e, sobretudo, do saldo comercial do país. Colocar uma “espada sobre a cabeça” do agro significa fragilizar justamente o setor que sustenta a economia em momentos de crise.

Nenhum país cresce punindo quem produz. Nenhuma nação se desenvolve criando dúvidas permanentes sobre o direito de propriedade.

Entendo que há um ponto central que costuma ser ignorado nesse debate: os povos indígenas já detêm cerca de 14% do território nacional. O problema enfrentado por essas comunidades não é, majoritariamente, a falta de terras.

O drama indígena hoje é outro. Em muitas áreas, aldeias são dominadas por garimpeiros ilegais, desmatadores, traficantes de armas e facções criminosas. Crianças sofrem com desnutrição, falta de atendimento médico, ausência de escolas e abandono do Estado. Isso não se resolve com mais hectares no papel, mas com presença efetiva do poder público.

Cidadania significa saúde, educação, segurança, proteção territorial real e integração produtiva. Sem isso, ampliar terras é apenas empurrar o problema para dentro da floresta, deixando populações vulneráveis à mercê do crime organizado.

Uma escolha que o Brasil precisa fazer

O debate sobre o marco temporal deveria ser uma oportunidade para o país buscar equilíbrio: proteger os direitos indígenas sem destruir a segurança jurídica e a capacidade produtiva do campo. Transformar essa discussão em uma guerra institucional só amplia a instabilidade e afasta soluções reais.

O Brasil precisa decidir se quer enfrentar os problemas com seriedade ou continuar apostando em decisões simbólicas, que parecem virtuosas no discurso, mas fracassam na prática.

Os povos indígenas precisam de cidadania. O campo precisa de segurança jurídica. E o país precisa de responsabilidade institucional. Sem isso, todos perdem.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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‘Inadimplência não é problema generalizado do agro’, diz Banco do Brasil


agronegócio
Foto: Weyne Sharp/Governo de RO

Se o agro pudesse escolher a maior preocupação neste ano, provavelmente as opções se dividiriam entre o aumento da inadimplência e dos pedidos de recuperação judicial. Com 2025 próximo do fim, as atenções se voltam para os impactos no crédito rural, que segue restrito, diante de um cenário de juros altos e margens apertadas no campo.

Contudo, o cenário não representa a realidade do agronegócio como um todo. Pelo menos essa é a avaliação do vice-presidente de agronegócios e agricultura familiar do Banco do Brasil, Gilson Bittencourt. Ele afirma que 94,7% dos clientes do banco estão adimplentes e a carteira da instituição continua saudável.

“O aumento da inadimplência tem sido localizado e não é um problema generalizado do agro brasileiro. Ele se concentra em alguns setores, regiões e, principalmente em crédito a taxas livres”, diz. Os números, por outro lado, mostram que o alerta não é infundado.

Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o atraso nas operações contratadas a taxas de mercado chegou a 11,4% em outubro. Esse é o maior patamar desde o início da série histórica, iniciada em 2011. Já as recuperações judiciais mais do que dobraram no trimestre encerrado em outubro, de acordo com dados da Serasa Experian. Foram 628 requisições, contra às 254 registradas no mesmo período de 2024.

Descompasso implica em mudanças no crédito

Sobre o aumento do endividamento no agro, Bitencourt explica que há um descompasso entre as receitas e os compromissos financeiros dos produtores, o que compromete o fluxo de caixa das propriedades.

“Essa redução na disponibilidade de recursos ocorre por causa de uma combinação de fatores, como investimentos feitos em máquinas com preços acima da média e aumento dos custos com arrendamento”, afirma. O vice-presidente do BB cita ainda a renegociação em decorrência de perdas de produção e o impacto dos juros altos nos custos.

Diante disso, o Banco do Brasil aposta em novas estratégias, como o aprimoramento dos modelos de risco e mudanças na qualificação de garantias. “Passamos a olhar por setor, região, perfil de produtor e a exigir garantias mais robustas onde o risco tem se mostrado mais elevado”, esclarece Bittencourt. Ele também admite que a instituição está mais rigorosa na forma de olhar a carteira de crédito.

Seguro rural é importante, mas não é solução

A ampliação da cobertura do seguro rural aparece entre as possíveis soluções para o cenário de crise. Porém, o quadro de inadimplência observado atualmente não decorre, em sua maioria, de perda de produção por clima.

“Seguro rural é sempre positivo. Quanto mais seguro, seja climático ou de preço, melhor para o produtor e para as instituições. Mas a origem principal está no fluxo de caixa”, reforça Bittencourt.

Sobre o Plano Safra 2025/26, o Banco do Brasil destaca que desembolsou R$ 87 bilhões em crédito rural e na cadeia de valor do agro, e que acompanha o andamento da produção no país. Conforme o último levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o país deve colher 354,4 milhões de toneladas de grãos, um aumento de 0,6% em relação ao ciclo anterior. 

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AgroNewsPolítica & Agro

Oferta mantém pressão sobre cotações pela 6ª semana



Demanda permaneceu enfraquecida, com mais empresas reduzindo o esmagamento


Foto: Canva

Apesar de chuvas terem limitado o avanço da colheita de mandioca no início da semana passada, a disponibilidade de matéria-prima seguiu elevada no período, aponta o Cepea. Produtores continuaram mostrando interesse na comercialização, visando se capitalizar ou com expectativas baixistas para o início de 2026, conforme explicam pesquisadores.

Por outro lado, a demanda permaneceu enfraquecida, com mais empresas reduzindo o esmagamento ou já em férias coletivas. Como resultado, levantamentos do Cepea mostram que os preços da raiz caíram pela sexta semana consecutiva. Entre 8 e 12 de dezembro, a média nominal a prazo da tonelada de mandioca posta fecularia foi de R$ 515,16 (R$ 0,8959/grama de amido), queda de 2,94% em relação ao intervalo anterior e de 8,4% no acumulado das últimas quatro semanas. 





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