domingo, março 15, 2026

Autor: Redação

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O Natal do produtor rural brasileiro


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O Natal chega de forma diferente no campo. Não vem com pausa total, nem com a sensação de dever cumprido. Vem com silêncio, com céu observado em detalhe, com contas feitas mentalmente e com a esperança de que o próximo ciclo seja um pouco menos duro do que o último. No campo, até o Natal carrega responsabilidade.

O produtor rural brasileiro não escolheu uma vida fácil. Escolheu uma vida real. Uma vida em que o trabalho começa antes do sol e termina quando ele já se foi. Uma vida em que não existe inimigo claro para enfrentar, porque os desafios não têm rosto. Eles vêm na forma de uma seca inesperada, de uma chuva fora de hora, de juros que sufocam, de um câmbio que muda o jogo no meio da partida, de estradas ruins, portos caros e leis que parecem escritas longe demais da porteira.

Não há contra quem lutar. Só há o que suportar. E é justamente aí que mora a grandeza do produtor rural. Ele não grita, não se vitimiza, não abandona o campo. Ele recalcula. Ele ajusta. Ele insiste. Planta mesmo sem garantia. Investe mesmo com medo. Segue em frente quando a lógica diria para parar. Isso não é teimosia. É coragem.

O Brasil muitas vezes esquece disso. Esquece que a comida não nasce no supermercado, que o superávit não cai do céu, que a estabilidade econômica tem raízes profundas fincadas no solo. Quando tudo falha, quando o país tropeça em seus próprios erros, é o campo que continua entregando. Sem discurso. Sem aplauso.

Neste Natal de 2025, a mensagem precisa ser menos técnica e mais humana. Precisa reconhecer o cansaço, a solidão de muitas decisões tomadas sozinho, a pressão de carregar riscos que não cabem em planilhas. Precisa dizer, com clareza: o produtor rural brasileiro é um valente. Não por bravura exibida, mas por resistência diária.

Que este Natal não prometa milagres. Que traga, ao menos, respeito. Que traga um pouco de paz para quem vive em alerta o ano inteiro. Que renove a força de quem sustenta o país sem pedir nada além de condições justas para trabalhar.

Aos homens e mulheres do campo, fica a homenagem sincera. Vocês seguem quando muitos recuam. Produzem quando tudo aperta. E mantêm o Brasil de pé mesmo quando o Brasil parece esquecer disso.

Feliz Natal.
Do fundo do campo, onde a esperança não é discurso, é necessidade.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Chuva forte atinge estados e regiões litorâneas do Brasil; veja a previsão do tempo


chuva ventania
Foto: Pixabay

Sul

As instabilidades seguem concentradas principalmente na região Sul do Brasil nesta terça-feira (23), segundo a Climatempo. A atuação de uma área de baixa pressão entre o Paraguai e o norte da Argentina mantém as pancadas de chuva desde as primeiras horas do dia em grande parte do Rio Grande do Sul.

Ao longo da tarde, a chuva ganha força e se espalha por mais áreas do território gaúcho, além de avançar sobre Santa Catarina e o sudoeste do Paraná. Nesses locais, a previsão indica chuva de moderada a forte intensidade, com risco de temporais. No oeste e sul do Paraná, também pode chover de forma mais intensa, enquanto no norte catarinense e em áreas do interior e do leste paranaense, as pancadas tendem a ser mais fracas.

Apesar da chuva, as temperaturas continuam elevadas no Sul. O calor predomina especialmente no Paraná e no norte de Santa Catarina, áreas que seguem sob a influência de uma nova onda de calor. As rajadas de vento variam entre 40 e 50 km/h em grande parte da região, podendo chegar a 70 km/h no norte e noroeste do Rio Grande do Sul, oeste e sul de Santa Catarina e sudoeste do Paraná.

Sudeste

No Sudeste, um bloqueio atmosférico mantém o tempo mais firme e dificulta o avanço de frentes frias. Ainda assim, há previsão de chuva fraca a moderada no noroeste e na faixa leste de Minas Gerais, além de pontos do Espírito Santo. No extremo nordeste mineiro e no norte capixaba, as pancadas podem ser moderadas a fortes.

Em São Paulo e no restante de Minas Gerais, o dia segue com tempo firme e temperaturas elevadas. O estado paulista, o sul e o Triângulo Mineiro, além da metade sul do Rio de Janeiro, continuam enfrentando calor acima da média, também associado a uma nova onda de calor. Rajadas de vento entre 40 e 50 km/h são esperadas no oeste paulista, Triângulo Mineiro e no litoral do Rio de Janeiro e sul do Espírito Santo, podendo alcançar 70 km/h em trechos do litoral fluminense.

Centro-Oeste

No Centro-Oeste, as instabilidades atuam desde cedo em Mato Grosso e no noroeste de Mato Grosso do Sul. A combinação de baixa pressão, calor e umidade favorece pancadas de chuva de moderada a forte intensidade, com risco de temporais e volumes elevados, principalmente no norte e oeste de Mato Grosso e no noroeste sul-mato-grossense.

Em Goiás, a chuva também ocorre de forma moderada a forte no norte e oeste do estado, além de grande parte de Mato Grosso do Sul. As temperaturas seguem elevadas em toda a região, com calor acima da média no leste e sudeste de Mato Grosso do Sul e no sul de Goiás. As rajadas de vento variam entre 40 e 50 km/h em boa parte da região.

Nordeste

No Nordeste, as chuvas ganham força em áreas do sul, oeste e norte da Bahia, com pancadas de moderada a forte intensidade. Também há previsão de chuva no Ceará, Maranhão, Piauí e oeste de Pernambuco. Entre Salvador e o sul da Bahia, além do oeste da Paraíba e do Rio Grande do Norte, as precipitações tendem a ser mais fracas. No interior da região, o tempo permanece mais firme e quente. As rajadas de vento podem chegar a 50 km/h em diversos pontos.

Norte

Na Região Norte, as instabilidades aumentam e elevam o risco de temporais. Amazonas, Pará, Rondônia e Amapá podem registrar chuva forte, acompanhada de raios e ventos. Há risco de volumes elevados no sudeste do Amazonas e no sudoeste e sul do Pará, onde a situação é considerada de perigo. No Acre, Roraima e Tocantins, as pancadas ocorrem de forma moderada, com momentos pontualmente mais intensos.

Mesmo com a chuva, as temperaturas permanecem elevadas na maior parte do Norte, mantendo a sensação de tempo abafado.

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Nova tecnologia aumenta eficiência de biofertilizantes



As plantas apresentaram crescimento mais rápido


As plantas apresentaram crescimento mais rápido
As plantas apresentaram crescimento mais rápido – Foto: Pixabay

Pesquisadores desenvolveram uma tecnologia de microagulhas dissolúveis capaz de aplicar biofertilizantes diretamente nos tecidos das plantas, substituindo a prática tradicional de aplicação no solo. A proposta busca aumentar a eficiência do uso de microrganismos benéficos, reduzindo perdas comuns provocadas por condições ambientais adversas e pela competição com outros organismos presentes no solo.

Em testes realizados em estufa com culturas de folhas verdes, as plantas apresentaram crescimento mais rápido e uniforme. Foram observados ganhos em peso, área foliar e altura, mesmo com uma redução de cerca de 15% na quantidade de biofertilizante utilizada em comparação aos métodos convencionais, o que indica melhor aproveitamento dos insumos agrícolas.

De acordo com os pesquisadores da National University of Singapore, a aplicação direta nas folhas ou nos caules permite superar limitações frequentes da inoculação no solo. A abordagem foi inspirada na forma como microrganismos se deslocam no corpo humano, partindo da hipótese de que, ao serem inseridos diretamente nos tecidos vegetais, poderiam alcançar as raízes com mais eficiência e atuar de maneira mais eficaz no desenvolvimento das plantas.

As microagulhas são produzidas a partir de um polímero biodegradável e se dissolvem cerca de um minuto após a aplicação, liberando bactérias ou fungos benéficos sem causar danos relevantes. Os testes indicaram que as plantas se recuperam rapidamente e mantêm seu funcionamento normal após o procedimento.

Os ensaios também confirmaram que os microrganismos aplicados nas folhas conseguem se deslocar até as raízes, onde contribuem para melhorar o microbioma e a eficiência no uso de nutrientes. A tecnologia apresentou ainda resultados positivos quando associada a fungos benéficos.

 





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SPRLEM 2025: agro mais forte com formação, mulheres em destaque e celebrações ao homem do campo


Instalações do Sindicato dos Produtores Rurais de Luís Eduardo Magalhães
Instalações do Sindicato dos Produtores Rurais de Luís Eduardo Magalhães | Imagem: Felipe Pires/Canal Rural Bahia

O ano de 2025 foi mais um ano de consolidação do Sindicato dos Produtores Rurais de Luís Eduardo Magalhães (SPRLEM) como um dos principais polos de formação e representatividade do agro no oeste baiano. Em um cenário de muitos desafios para o campo, o SPRLEM manteve o foco em qualificação, informação e defesa dos interesses dos produtores rurais, fortalecendo cada vez mais sua atuação institucional.

Na área de capacitação, o Sindicato, por meio do Senar, realizou 178 cursos de Formação Profissional Rural, atendendo às demandas das propriedades e preparando trabalhadores para as exigências técnicas e de segurança no campo. Ao longo do ano, mais de 2.300 estudantes foram impactados com capacitações voltadas à área rural, incluindo jovens, colaboradores e produtores que buscaram atualização e novas oportunidades no agronegócio.

Essa atuação só é possível graças à parceria sólida com o Sistema CNA/Senar e com a Faeb, que, junto ao SPRLEM, viabiliza programas estruturados de formação e apoio ao produtor rural. Em 2025, além das formações profissionais rurais, tiveram destaque as turmas do Programa Jovem Aprendiz e os cursos técnicos da rede e-Tec, que aproximam educação de qualidade da realidade do campo num sistema híbrido – Ead e presencial. Para 2026, o Sindicato se prepara para um marco na qualificação da região: a primeira turma do curso técnico em Segurança do Trabalho da Bahia, ampliando ainda mais o leque de oportunidades para quem vive e trabalha no agro.

Entre os eventos de destaque, o I Fórum das Mulheres Agroparceiras do Oeste Baiano reuniu produtoras, sucessoras, profissionais do agro e grandes nomes do setor em um espaço de debate sobre liderança, gestão, sucessão familiar, crédito, comunicação e protagonismo feminino.

Evento Fórum das Mulheres Agroparceiras do Oeste Baiano
Imagem: Reprodução/Canal Rural Bahia

O encontro reforçou o papel das Agroparceiras como diretoria feminina dentro do SPRLEM e mostrou que as mulheres estão cada vez mais presentes nas decisões dentro e fora da porteira. Em 2026, o Fórum já tem data marcada: 20 de março, com a expectativa de ampliar ainda mais o público e a rede de conexões entre mulheres do agro.

Outra marca de 2025 foi o sucesso da edição especial do evento “Homens do Campo”, evento realizado em conjunto com a Aprosoja Bahia, que reuniu mais de 1.200 pessoas, em sua maioria produtores rurais, em uma grande celebração dedicada a quem constrói diariamente a força econômica da região.

Evento Homens do Campo organizado pelo Sindicato dos produtores rurais de Luís Eduardo Magalhães; SPRLEM
Imagem: Reprodução

Em um ambiente de homenagens, confraternização e fortalecimento de laços institucionais, o evento valorizou histórias de pioneirismo, trabalho e dedicação ao agro. A próxima edição já está confirmada para 1º de agosto de 2026, consolidando o encontro no calendário oficial do agronegócio local.

Com ações estruturadas em formação, eventos e representatividade, o SPRLEM encerra 2025 com a certeza de que está mais próximo do produtor, mais forte institucionalmente e mais preparado para os desafios dos próximos anos. O compromisso segue o mesmo: ser a casa do homem e da mulher do campo, trabalhando todos os dias para que o agro de Luís Eduardo Magalhães continue crescendo com solidez, profissionalismo e união.


Você também pode participar deixando uma sugestão de pauta. Siga o Canal Rural Bahia no Instagram e nos envie uma mensagem.

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AgroNewsPolítica & Agro

Mercado de startups segue cauteloso



Esse movimento também influencia o mercado de startups


Esse movimento também influencia o mercado de startups
Esse movimento também influencia o mercado de startups – Foto: Pixabay

O ambiente empreendedor atravessa um período de maior cautela diante das incertezas políticas e econômicas, mas segue oferecendo espaço para inovação e acesso a recursos. Em um cenário mais competitivo, soluções com resultados rápidos, voltadas à eficiência operacional e à redução de custos, ganham relevância e se tornam decisivas para a sobrevivência e o crescimento das startups.

Após anos de forte expansão, o ecossistema empreendedor desacelerou e passou a adotar uma postura mais seletiva. No agronegócio, essa mudança é evidente. A redução das margens do produtor rural nos últimos anos impactou diretamente a disposição para investir em novas tecnologias. Regiões que antes operavam com margens mais confortáveis passaram a registrar índices significativamente menores, o que aumenta o rigor na tomada de decisão e favorece soluções de aplicação imediata. “Isso significa que algumas estruturas já operam no prejuízo”, afirma Pompeo Scola, CEO da Cyklo Agritech, aceleradora de startups e especialista em inovação.

Esse movimento também influencia o mercado de startups, especialmente aquelas ligadas ao agro. Com margens mais apertadas, cresce a demanda por tecnologias capazes de gerar ganhos rápidos, como automação de processos e racionalização de custos. Diante desse contexto, aceleradoras passaram a priorizar negócios alinhados a essa nova realidade, com modelos mais resilientes e menos dependentes de mercados específicos.

Ao mesmo tempo, a busca por inovação se amplia para outros setores. A escassez de mão de obra na indústria, especialmente em estados com baixo desemprego, impulsiona investimentos em automação, logística inteligente e robotização de funções operacionais. “Essa é uma tendência natural para fortalecer o empreendedor e motivá-lo. Além do recurso próprio da aceleradora, ele passa a ter acesso a um ambiente com mais possibilidades e menor concorrência”, finaliza.

 





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Nova frente fria e baixa pressão do Paraguai devem causar temporais


tempo - nuvens carregadas - inmet frente fria - chuva
Foto: Inmet/Reprodução

Terça-feira de instabilidades na maior parte do país. Frente fria sobre o Sul e fenômeno climático vindo do Paraguai são os destaques do dia. Confira a previsão feita pelos meteorologistas da Climatempo:

Você quer entender como usar o clima a seu favor? Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.

Sul

As instabilidades associadas a uma nova frente fria seguem bloqueadas na Região Sul do país, e as pancadas de chuva devem ocorrer desde o começo do dia no Rio Grande do Sul. Ao longo do dia, as precipitações se espalham mais pelo estado, provocando chance de temporais. Também chove em áreas da metade leste de Santa Catarina e do Paraná, além do leste catarinense, de maneira fraca a moderada.

Sudeste

A atuação de um bloqueio atmosférico na Região segue garantindo um tempo mais firme em grande parte da Região. Com a atmosfera mais aquecida, há chance de chuva em algumas áreas, além da influência marítima. No noroeste e leste de Minas Gerais, além de grande parte do Espírito Santo, chove de maneira fraca a moderada intensidade ao longo do dia. As temperaturas seguem elevadas nos quatro estados.

Centro-Oeste

As instabilidades seguem ocorrendo desde o início do dia pelos estados, e à tarde as pancadas de chuva ganham força. A presença de uma baixa pressão sobre o Paraguai deve favorecer as instabilidades em algumas áreas. Chove de maneira moderada a forte intensidade pelo Mato Grosso, grande parte de Goiás e metade oeste de Mato Grosso do Sul, e há chance de temporais em alguns pontos.

Nordeste

As instabilidades devem diminuir significativamente no Maranhão e no Piauí, e a chuva deve ocorrer de maneira mais fraca a moderada intensidade, além do oeste da Bahia. No Ceará, também há chance de chuva em grande parte do estado, além do oeste de Pernambuco e da Paraíba. No sul do território baiano e ao longo da faixa litorânea, chove de maneira mais fraca, enquanto no restante da Região o tempo segue mais firme.

Norte

O tempo volta a ficar mais instável pela Região. No Amazonas e no Acre, as pancadas de chuva devem aumentar em relação ao dia anterior, além de Rondônia e da metade oeste do Pará, onde pode chover de maneira moderada a forte intensidade. No Amapá e no Tocantins, as instabilidades seguem ocorrendo, e em Roraima o dia deve seguir com tempo mais aberto na maior parte da Região.

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Produção de leite ganha diretrizes da Embrapa para reduzir emissões e ampliar sequestro de carbono


Novos protocolos da Embrapa estabelecem práticas de baixo carbono na pecuária de leite
Foto: Gisele Rosso/Embrapa

A produção de leite no Brasil acaba de ganhar um conjunto de ferramentas estratégicas para enfrentar um dos maiores desafios do agro contemporâneo: a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE). A Embrapa desenvolveu três protocolos técnicos que atuam diretamente nos principais pontos de geração de emissões da atividade leiteira, ao mesmo tempo em que estimulam o sequestro de carbono no solo.

Os protocolos tratam de boas práticas para a mitigação da emissão de metano dos bovinos; para a redução da emissão de amônia e óxido nitroso no solo; e de manejo de solos para acúmulo de carbono.

Eles integram a publicação lançada pela Embrapa Pecuária Sudeste e são resultado de anos de pesquisa científica aplicada. As diretrizes abordam desde o manejo dos animais até a gestão do solo e do uso de fertilizantes, com foco em eficiência produtiva, sustentabilidade ambiental e viabilidade econômica para o produtor rural.

Segundo estimativas do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, com base em dados de 2022, o setor agropecuário responde por 30,5% das emissões brasileiras de GEE. Do total, 19% são emissões de metano, gás com elevado potencial de aquecimento global. Desse volume, 97% têm origem nos bovinos, sendo 86% do rebanho de corte e 11% da pecuária leiteira.

Diante desse cenário, a pesquisadora Patrícia Perondi Anchão Oliveira, da Embrapa Pecuária Sudeste, destaca que a atividade leiteira já enfrenta desafios produtivos e econômicos relevantes. A agenda climática, segundo ela, passa a integrar a tomada de decisão nas propriedades, especialmente diante de consumidores e mercados cada vez mais atentos à origem dos alimentos e ao impacto ambiental da produção.

Mitigação do metano começa no manejo do rebanho

O primeiro protocolo reúne boas práticas para reduzir a emissão de metano pelos bovinos. Esse gás é liberado majoritariamente durante a digestão dos ruminantes, por meio da eructação, e está diretamente relacionado à eficiência produtiva do animal.

Entre as estratégias recomendadas estão a melhoria dos índices zootécnicos, o ajuste nutricional das dietas, o uso de aditivos, o avanço no manejo das pastagens, a oferta de água de qualidade, o cuidado com a sanidade e a promoção do bem-estar animal. Animais saudáveis e produtivos diluem melhor a emissão de metano por litro de leite produzido.

Estudos conduzidos pela Embrapa mostram, por exemplo, diferenças significativas entre raças. Vacas holandesas puras em pastagens de alta qualidade emitem cerca de 18,4 gramas de metano por litro de leite, enquanto girolandas chegam a 25,3 gramas por litro. A maior produtividade explica essa diferença.

Simulações realizadas com uma calculadora em desenvolvimento pela Embrapa indicaram que a adoção de índices reprodutivos inadequados pode elevar as emissões em até 22% por quilo de leite corrigido para gordura e proteína, reforçando a importância da gestão técnica do rebanho.

Foto: Juliana Sussai/Embrapa

Solo bem manejado reduz perdas e emissões

O segundo protocolo foca na redução das emissões de amônia e óxido nitroso no solo, gases associados ao uso de fertilizantes nitrogenados e dejetos animais. O óxido nitroso tem potencial de aquecimento global quase 300 vezes superior ao dióxido de carbono e pode permanecer na atmosfera por mais de um século.

Entre as práticas recomendadas estão o uso de leguminosas consorciadas com gramíneas, que fixam nitrogênio biologicamente e reduzem a necessidade de fertilizantes químicos. A Embrapa estima que, para cada quilo de fertilizante evitado, deixam de ser emitidos 5,42 quilos de CO₂ apenas no processo de fabricação.

Outras medidas incluem a distribuição mais uniforme dos dejetos animais, a adoção de sistemas de lotação rotativa, o uso de fertilizantes de eficiência aumentada e técnicas que diminuem a volatilização da ureia, como incorporação ao solo e aplicação antes de chuvas ou irrigação.

Sequestro de carbono fortalece a sustentabilidade

O terceiro protocolo trata do manejo do solo para o acúmulo de carbono, elemento central na estratégia de mitigação das mudanças climáticas. Práticas conservacionistas, como plantio direto, adubação verde, recuperação de pastagens, sistemas integrados e uso de bioinsumos, ampliam o estoque de carbono no solo por longos períodos.

Pastagens tropicais bem manejadas têm elevado potencial de sequestro, com acúmulo de carbono em profundidades superiores a um metro. Em sistemas integrados com árvores, o efeito é ainda maior. De acordo com a Embrapa, o crescimento de 52 eucaliptos pode compensar, em um ano, a emissão de uma vaca produzindo 26 quilos de leite por dia.

Para o chefe-geral da Embrapa Pecuária Sudeste, Alexandre Berndt, o principal entrave para a adoção dessas práticas ainda é o investimento inicial. No entanto, ele ressalta que o aumento da eficiência produtiva e da rentabilidade ao longo do tempo permite novos aportes tecnológicos.

Políticas públicas como o Plano ABC+, além de arranjos locais envolvendo cooperativas e indústrias de laticínios, são apontadas como fundamentais para acelerar a transição para uma pecuária leiteira mais sustentável.

Livro sistematiza conhecimento para o produtor

As diretrizes estão reunidas no livro Protocolos de boas práticas para a mitigação de gases do efeito estufa em sistemas de produção de bovinos, lançado em novembro de 2025. A obra apresenta protocolos voltados especialmente a produtores de leite interessados em descarbonizar suas propriedades em condições tropicais.

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Pragas pressionam produtividade da cana-de-açúcar



Entre os principais estão o bicudo-da-cana e a cigarrinha


Entre os principais estão o bicudo-da-cana e a cigarrinha
Entre os principais estão o bicudo-da-cana e a cigarrinha – Foto: Pixabay

A cana-de-açúcar é uma das bases da economia agrícola brasileira, com papel relevante na produção de açúcar, etanol e energia renovável. Para a safra 2025/2026, a produção nacional é estimada em 663,4 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Apesar desse desempenho, a cultura segue exposta a desafios fitossanitários que comprometem produtividade e rentabilidade, especialmente o ataque de insetos-praga.

Entre os principais estão o bicudo-da-cana e a cigarrinha, capazes de causar perdas expressivas. O bicudo ataca o sistema radicular e o rizoma, reduzindo o vigor das plantas e a brotação da soqueira, o que limita o número de cortes ao longo do ciclo. Seu controle é dificultado pelo ciclo longo e pela proteção oferecida pela palha, além da disseminação por mudas e máquinas. Dados da Embrapa indicam prejuízos de até 30 toneladas por hectare ao ano, o equivalente a quase 40% de uma produtividade média.

Nesse contexto, é possível afirmar que a cigarrinha também afeta o desempenho do canavial em diferentes fases. As ninfas comprometem as raízes, enquanto os adultos reduzem a fotossíntese ao sugar a seiva das folhas, provocando queda de vigor, redução de sacarose e favorecendo o surgimento de fungos. “O Sphenophorus é uma das pragas mais agressivas da cana. Suas larvas atacam o sistema radicular e o rizoma, interrompendo o fluxo de seiva e reduzindo o vigor da planta. Além disso, esse inseto dificulta a brotação da soqueira, diminuindo o número de cortes viáveis do cultivo”, segundo Leandro Valerim, gerente de inseticidas da UPL Brasil.

 





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Mercado de feijão mantém preços apesar de oferta restrita



No feijão-preto tipo 1, as cotações também mostraram estabilidade


No feijão-preto tipo 1, as cotações também mostraram estabilidade
No feijão-preto tipo 1, as cotações também mostraram estabilidade – Foto: Canva

O mercado de feijão encerra a semana mantendo preços estáveis nas principais praças produtoras, apesar de sinais claros de restrição de oferta e de um volume reduzido de negócios. Dados do Instituto Brasileiro de feijão e Pulses mostram que, mesmo com pouca disponibilidade de lotes, as cotações seguem nos mesmos patamares recentes, mascarando um aperto que tende a se tornar mais evidente nos próximos dias.

Na variedade carioca nota 9 a 10, os preços permaneceram praticamente inalterados em regiões como Curitiba, Leste Goiano e São Paulo, enquanto algumas praças registraram leves ajustes semanais e mensais, tanto positivos quanto negativos. No Noroeste de Minas e em Sorriso, as variações semanais foram de alta, refletindo a escassez pontual de produto, ainda que o mercado não reaja de forma mais contundente. Para o carioca nota 8 a 8,5, o comportamento foi semelhante, com pequenas oscilações diárias e semanais e destaque para ganhos mensais em regiões do Centro-Oeste, indicando um equilíbrio frágil entre oferta e demanda.

No feijão-preto tipo 1, as cotações também mostraram estabilidade, com leves avanços em algumas regiões do Paraná, mas sem sinalizar mudança estrutural no mercado. Esse cenário ocorre em um momento em que empacotadoras se aproximam do encerramento das atividades, com o último dia de funcionamento das máquinas confirmado por mais empresas, o que reduz ainda mais a liquidez. No interior de São Paulo e em Minas Gerais, a percepção é de que o mercado “anda” sem expor totalmente a falta de produto.

A situação é sentida de forma direta por empacotadores que perderam o momento ideal de compra e agora operam com estoques abaixo do desejado. Em Prudentópolis, região que sozinha produz feijão suficiente para alimentar cerca de 3,3 milhões de consumidores por um ano, discute-se a valorização dessa origem, destacando identidade e história como forma de agregar valor em um contexto de oferta limitada e mercado aparentemente estável.

 





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Entregas de fertilizantes avançam no mercado brasileiro


O mercado brasileiro de fertilizantes apresentou crescimento consistente ao longo de 2025, refletindo maior demanda do setor agropecuário e avanço no volume de entregas ao produtor. Dados divulgados pela Associação Nacional para a Difusão de Adubos (ANDA) indicam que o desempenho positivo foi observado tanto no resultado mensal quanto no acumulado do ano.

Em setembro de 2025, as entregas ao mercado somaram 5,38 milhões de toneladas, volume 11,3% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado de janeiro a setembro, o total entregue chegou a 35,86 milhões de toneladas, alta de 9,3% em comparação com igual período de 2024, quando foram contabilizadas 32,80 milhões de toneladas.

Mato Grosso manteve a liderança no consumo nacional de fertilizantes, concentrando 22,5% do total entregue no país, o equivalente a 8,08 milhões de toneladas. Na sequência apareceram Paraná, com 4,51 milhões de toneladas, São Paulo, com 3,74 milhões, Rio Grande do Sul, com 3,54 milhões, Goiás, com 3,53 milhões, Minas Gerais, com 3,22 milhões, e Bahia, com 2,43 milhões de toneladas.

A produção nacional de fertilizantes intermediários também apresentou avanço. Em setembro de 2025, o volume produzido alcançou 713 mil toneladas, crescimento de 6,3% frente ao mesmo mês de 2024. No acumulado dos nove primeiros meses do ano, a produção totalizou 5,57 milhões de toneladas, aumento de 6,6% em relação às 5,23 milhões de toneladas registradas no mesmo intervalo do ano anterior.

As importações somaram 3,91 milhões de toneladas em setembro de 2025, redução de 7,4% na comparação anual. De janeiro a setembro, porém, o volume importado atingiu 31,49 milhões de toneladas, expansão de 8,4% frente às 29,05 milhões de toneladas de 2024. O Porto de Paranaguá consolidou-se como principal porta de entrada do insumo, com oito milhões de toneladas importadas no período, o que representou 25,5% do total desembarcado nos portos brasileiros.

 





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