Para janeiro de 2026, a programação dos portos brasileiros, o line-up, projeta embarques de 2,274 milhões de toneladas de soja pelos portos brasileiros. O volume subiu de 1,103 milhão de toneladas em janeiro de 2025 para 2,274 milhões de toneladas, o que representa um aumento de aproximadamente 106,2%, conforme levantamento da Safras & Mercado.
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Para fevereiro de 2026, a programação indica embarques mais modestos, estimados em 98,095 mil toneladas.
Acumulado janeiro a fevereiro 2026
No acumulado de janeiro a fevereiro de 2026, o line-up prevê exportações de 2,372 milhões de toneladas. No mesmo período de 2025, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), os embarques somaram 10,690 milhões de toneladas, o que indica uma queda de cerca de 77,8% no comparativo anual.
Dezembro de 2025
Já em dezembro, a programação de embarques aponta exportações de 2,968 milhões de toneladas de soja, volume que subiu de 1,472 milhão de toneladas em dezembro de 2024 para 2,968 milhões de toneladas, representando um crescimento de aproximadamente 101,6%
A StoneX avalia que as tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Venezuela têm impacto pouco significativo na cadeia global de fertilizantes, especialmente os nitrogenados. Conforme a consultoria, a preocupação com preços e redução de oferta é menor, visto que a Venezuela tem participação limitada no comércio global de ureia.
Em nota, a consultoria destaca que, em 2024, a Venezuela ocupou a 18ª posição entre os maiores exportadores globais de ureia, com pouco mais de 560 mil toneladas embarcadas, o equivalente a cerca de 1% das exportações mundiais. A Rússia, em contrapartida, respondeu por aproximadamente 18% do comércio global do produto no mesmo período.
Embora tenha baixa relevância global, a Venezuela é exportadora de ureia para o Brasil, responsável por uma parcela pequena de 6% do produto importado pelo país. Em 2025, os principais fornecedores do insumo foram Nigéria (23%), Rússia (16%) e Catar (15%).
“Até o momento, não há indícios de impactos diretos sobre a capacidade produtiva ou exportadora de fertilizantes da Venezuela”, afirma na nota o analista de Inteligência de Mercado Tomás Pernías.
“O mercado observa, por ora, pressões pontuais nos custos logísticos, com relatos de fretes marítimos mais elevados em função do aumento das incertezas na região”, conclui.
As negociações envolvendo café começaram o ano bastante restritas, conforme informou o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). São poucos os compradores ativos no mercado spot nacional e os vendedores estão praticamente ausentes.
Segundo o indicador do café arábica Cepea/Esalq, a saca de 60 kg encerrou a segunda-feira (6) cotada a R$ 2.237,54, com alta diária de 2,08%. Já a saca de 60 kg do café robusta avançou 1,27% no dia, valendo R$ 1.265,99.
Os poucos lotes que estão sendo comercializados, entretanto, tiveram como objetivo o cumprimento de despesas no curto prazo por parte dos vendedores. A expectativa é que o mercado comece a ganhar maior dinamismo somente a partir da semana que vem.
O cenário de lentidão também afeta as negociações do café robusta. Apesar disso, os pesquisadores apontam que como a safra 2025/26 da variedade foi mais volumosa, os produtores contam com uma quantidade maior de produto disponível para comercialização frente ao arábica.
Outro destaque é que dados do Cepea mostram que os preços do robusta no decorrer de 2025 tiveram queda mais intenso que os do arábica, afastando os produtores do mercado. Com isso, eles acabam negociando apenas em momentos de necessidade de caixa.
As lavouras de soja na região de Cornélio Procópio, no norte do Paraná, apresentam ótimo desenvolvimento e condições consideradas dentro do esperado para este período da safra. O cenário positivo é resultado da combinação entre calor e chuvas regulares, fatores essenciais para o bom desempenho da cultura.
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Em entrevista exclusiva à Safras News, o técnico do Departamento de Economia Rural (Deral), Gustavo Graciola, explicou que, apesar das temperaturas elevadas no final do ano, o volume de chuvas foi suficiente para manter as lavouras em bom estado. Segundo ele, até o momento não houve registro de estiagem na região, o que contribuiu para o bom desenvolvimento das plantas.
Atualmente, cerca de 80% das áreas cultivadas estão na fase de floração. Aproximadamente 10% ainda se encontram em desenvolvimento vegetativo, enquanto entre 5% e 10% das lavouras já avançaram para a fase de frutificação, conforme detalhou o técnico.
Números de soja projetados para soja no PR
Para a safra 2025/26, a estimativa é de plantio de 341,43 mil hectares de soja na regional de Cornélio Procópio, com produção projetada em 1,212 milhão de toneladas. No campo, os produtores intensificam os tratos culturais, com aplicações de fungicidas e, à medida que a cultura entra em frutificação, também de inseticidas.
Mantidas as atuais condições climáticas, a expectativa é bastante positiva. “Se o clima continuar colaborando, a perspectiva é de uma supersafra”, avaliou Graciola.
Brasília (DF), 29/05/2023 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, no Palácio do Planalto. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro, abriu um novo capítulo de incertezas geopolíticas na América do Sul, mas, segundo o cientista político Leandro Gabiati, há sinais de continuidade institucional no país vizinho e impactos econômicos imediatos limitados para o Brasil.
A operação, considerada a mais intensa intervenção militar norte-americana na região em décadas, gerou forte reação internacional e foi classificada como uma violação da soberania venezuelana por países como Brasil, China e Rússia em reunião do Conselho de Segurança da ONU.
Continuidade política na Venezuela
Para Gabiati, mesmo diante de um cenário de instabilidade, a Venezuela teve um processo de transição política relativamente organizado no curto prazo.
“O que observamos nesses primeiros dias é uma certa continuidade político-institucional. A vice-presidente assumiu, parlamentares eleitos em 2025 foram empossados e os principais líderes do chavismo permanecem no poder”, afirmou o especialista, referindo-se aos movimentos institucionais após a operação americana na capital Caracas.
Segundo ele, isso indica que, apesar de choques no processo político, há forças internas que trabalham pela manutenção de alguma estabilidade imediata no país vizinho, pelo menos no curto prazo.
Impactos econômicos para o Brasil ainda são limitados
Sobre os efeitos econômicos dessa ação militar no Brasil, Gabiati avaliou que não devem ocorrer grandes mudanças de forma imediata no intercâmbio comercial bilateral ou na dinâmica de mercado entre os dois países.
“Apesar da instabilidade e da incerteza, preliminarmente no curto prazo não há grandes alterações para os produtores brasileiros”, disse o cientista político.
Soberania e nova postura dos Estados Unidos
O cientista político também chamou atenção para a questão da soberania e da atuação unilateral dos Estados Unidos na região. Ele destacou que a operação na Venezuela reflete um comportamento em que Washington age de forma independente em assuntos que tradicionalmente seriam mediadas por canais multilaterais.
“É evidente que os Estados Unidos passam a atuar na região de forma unilateral e podem tomar decisões similares em outros países, incluindo Colômbia e Cuba”, alertou o analista, sugerindo que o Brasil, apesar de ser uma grande democracia com posição diferente na região, não está imune a esse novo padrão geopolítico.
Direito internacional e instabilidade global
Gabiati criticou ainda o que chama de “letra morta” do direito internacional diante de ações unilaterais de grandes potências. Ele citou operações recentes, como a invasão russa à Ucrânia e a intervenção americana na Venezuela, além de outros episódios conflituosos, como o avanço de Israel em territórios disputados no Oriente Médio, como exemplos de um padrão geopolítico em que normas internacionais são desconsideradas.
“Esse novo padrão de atuação das grandes potências aumenta a imprevisibilidade e a incerteza, o que tende a ter efeitos negativos sobre a economia mundial”, afirma o especialista.
Cenário de incertezas
Para Gabiati, o Brasil, apesar de estar numa posição de maior estabilidade democrática e político-institucional, deve monitorar de perto os desdobramentos na Venezuela e a postura dos Estados Unidos na região, especialmente se houver novas intervenções ou expansões desse tipo de ação.
“Nesse novo cenário, aumentam tanto o nível de estabilidade quanto a incerteza”, disse.
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A limpeza vai além da simples retirada de resíduos visíveis – Foto: USDA
A eficiência na etapa pós-colheita tem papel decisivo na rentabilidade das principais culturas agrícolas, ao influenciar custos, qualidade e segurança do produto armazenado. Segundo Anderson Cesar Ferreira Gonçalves, especialista em gestão de projetos, a otimização dos processos de pré-limpeza e limpeza é uma operação de engenharia essencial para preservar o valor do grão e atender às exigências do mercado.
A limpeza vai além da simples retirada de resíduos visíveis e está diretamente relacionada à redução do teor de impurezas e de matéria estranha. Esses componentes interferem no consumo energético durante a secagem, já que palhas, pó e fragmentos retêm umidade que precisa ser eliminada antes do armazenamento. Quando esse material é removido antecipadamente, há economia de combustível ou eletricidade e maior eficiência operacional. Além disso, a presença de impurezas e grãos danificados favorece o desenvolvimento de fungos, pragas e micotoxinas, comprometendo a qualidade sanitária e a durabilidade do produto estocado.
O desempenho adequado das máquinas de limpeza depende do correto domínio dos princípios de separação por aspiração e por classificação. A aspiração utiliza o controle da velocidade e do volume de ar para retirar materiais mais leves, explorando diferenças de densidade e área superficial. Ajustes imprecisos podem resultar tanto na permanência de impurezas quanto na perda de grãos sadios, o que exige uniformidade no fluxo de alimentação para que a corrente de ar atue de forma eficaz. Já a classificação por peneiras requer a escolha adequada das aberturas, com retenção dos materiais grosseiros na peneira superior e separação do material miúdo na inferior. A inclinação das peneiras e a taxa de alimentação determinam o tempo de permanência do grão e o equilíbrio entre qualidade da limpeza e capacidade operacional.
O Brasil bateu novo recorde histórico de exportações de carne de frango em 2025. De acordo com dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as exportações de carne de frango do país somaram 5,324 milhões de toneladas ao longo do ano. O volume exportado em 2025 superou em 0,6% o total registrado em 2024, quando os embarques alcançaram 5,294 milhões de toneladas.
Dezembro consolida resultado anual
O desempenho anual foi consolidado pelos embarques realizados em dezembro. No último mês de 2025, o Brasil exportou 510,8 mil toneladas de carne de frango, volume 13,9% superior ao registrado no mesmo período de 2024, quando foram embarcadas 448,7 mil toneladas.
Em termos de receita, as exportações brasileiras de carne de frango somaram US$ 9,790 bilhões em 2025. Apesar do recorde em volume, o valor ficou 1,4% abaixo do registrado em 2024, quando o setor alcançou US$ 9,928 bilhões.
Somente em dezembro, a receita obtida com os embarques foi de US$ 947,9 milhões, resultado 10,6% superior ao observado no último mês de 2024, que havia sido de US$ 856,9 milhões.
Setor destaca resiliência após Influenza Aviária
Segundo o presidente da ABPA, Ricardo Santin, o desempenho de 2025 reflete a capacidade de reação do setor diante de adversidades sanitárias enfrentadas ao longo do ano.
“O ano foi marcado pela resiliência do setor e pela superação de um dos maiores desafios da história da avicultura nacional, com o registro de um foco, já superado, de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade em aves comerciais. Fechar o ano com resultados positivos é um feito a ser celebrado e reforça a perspectiva projetada para 2026”, avalia Santin.
De acordo com a entidade, a expectativa é de ampliação da presença brasileira no mercado global ao longo de 2026, em linha com o crescimento projetado da produção nacional.
Emirados Árabes lideram destinos das exportações
Os Emirados Árabes Unidos mantiveram a liderança como principal destino da carne de frango brasileira em 2025, com importações de 479,9 mil toneladas, volume 5,5% superior ao registrado em 2024.
Na sequência aparecem o Japão, com 402,9 mil toneladas (-9,1%), a Arábia Saudita, com 397,2 mil toneladas (+7,1%), a África do Sul, com 336 mil toneladas (+3,3%), e as Filipinas, com 264,2 mil toneladas (+12,5%).
Retomada de mercados sinaliza 2026 positivo
Segundo Santin, o restabelecimento dos embarques após os impactos da Influenza Aviária já se reflete em mercados estratégicos. Um dos destaques foi a União Europeia, que registrou crescimento de 52% nos volumes exportados em dezembro.
Outro movimento relevante foi a retomada das compras pela China, que importou 21,2 mil toneladas de carne de frango brasileira em curto período após a normalização dos embarques.
“São indicadores que projetam a manutenção do cenário positivo para o ano de 2026”, afirmou o presidente da ABPA.
‘O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia está bem encaminhado, disse nesta terça-feira (6) o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. Segundo ele, o governo brasileiro mantém uma postura otimista sobre a conclusão das negociações.
“O próximo acordo, fruto de um longo trabalho, mais de duas décadas, é Mercosul–UE. Está bem encaminhado. Quero reiterar que nós estamos otimistas e é muito importante para o Mercosul, para a União Europeia e para o comércio global que, no momento de guerras, de conflitos, de geopolítica instável, de protecionismo, será o maior acordo do mundo”, disse Alckmin em entrevista para anunciar o resultado da balança comercial brasileira de 2025.
Adiamento
A assinatura do tratado estava prevista para dezembro, durante a cúpula do Mercosul, mas acabou adiada diante da falta de consenso entre os países europeus. As principais resistências partiram de uma ala conservadora da Itália e, sobretudo, de agricultores da França, que pressionaram seus governos contra o avanço do acordo.
O presidente francês, Emmanuel Macron, declarou recentemente que a França não apoiará o tratado sem a inclusão de novas salvaguardas para proteger os produtores rurais do país. Atualmente, a França é o principal foco de oposição ao acordo dentro da União Europeia.
Apesar das dificuldades, a Comissão Europeia informou na segunda-feira (5) que houve avanço nas negociações para viabilizar a aprovação do tratado. Mesmo assim, não há confirmação oficial para a assinatura.
Mesmo após a eventual assinatura, o acordo precisará cumprir uma série de etapas formais. No Brasil, o texto deverá passar pelos trâmites internos do Executivo e do Legislativo, incluindo análise e votação no Congresso Nacional. Na Europa, será necessário o aval do Conselho Europeu e do Parlamento Europeu, além da ratificação pelos parlamentos nacionais dos 27 países-membros da União Europeia.
Importância estratégica
Em entrevista após a divulgação dos dados da balança comercial de 2025, Alckmin reforçou a importância estratégica do acordo em um cenário internacional marcado por conflitos, instabilidade geopolítica e avanço do protecionismo. Segundo ele, o tratado Mercosul–UE tende a se tornar o maior acordo comercial do mundo, fortalecendo o multilateralismo e o livre comércio.
O vice-presidente destacou ainda que a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é priorizar o diálogo e a negociação. Além do acordo com a União Europeia, o governo trabalha para avançar em novas parcerias em 2026, como o tratado entre Mercosul e Emirados Árabes Unidos e a ampliação de preferências tarifárias com Índia, México e Canadá.
Ao comentar o desempenho do comércio exterior, Alckmin ressaltou que as exportações brasileiras cresceram 5,7% em 2025, mais que o dobro da projeção de crescimento do comércio global, estimada em 2,4% pela Organização Mundial do Comércio (OMC). Ele também destacou a Argentina como o país com maior expansão nas compras de produtos brasileiros no ano passado, com alta de 31,4%, impulsionada principalmente pelo setor automotivo.
Nos últimos pregões, o dólar voltou a recuar frente ao real. O movimento não é aleatório nem meramente técnico. Ele reflete uma mudança relevante no cenário internacional: desaceleração do crescimento na China, sinais de arrefecimento da economia americana e pressão crescente para que o banco central dos Estados Unidos inicie um ciclo de redução de juros.
Nesse ambiente, o capital global busca mercados que ainda oferecem retorno elevado. O Brasil, com juros altos, volta a ser destino natural desse fluxo. O efeito imediato é a entrada de dólares e a valorização do real.
Para parte do mercado e da opinião pública, isso soa como boa notícia. Mas, para quem observa a economia real, especialmente o agronegócio e a indústria, o câmbio mais forte traz riscos concretos.
Exportar fica mais difícil
O agronegócio brasileiro é essencialmente exportador. Soja, milho, carnes, café e açúcar são negociados em dólar. Quando o real se valoriza, esses produtos ficam mais caros para o comprador externo. A competitividade diminui, os prêmios encolhem e a conversão da receita em reais perde força.
Na prática, o produtor continua produzindo a mesma quantidade, mas recebe menos ao transformar o dólar em moeda local. O problema é que os custos não acompanham essa queda na mesma velocidade.
Insumos caem menos do que a receita
É verdade que a valorização do real reduz o preço de insumos importados, como fertilizantes, defensivos e máquinas. Mas essa queda costuma ser parcial, lenta e, muitas vezes, absorvida ao longo da cadeia.
O alívio existe, mas raramente compensa integralmente a perda de receita provocada pelo câmbio mais baixo. Além disso, em um ambiente de crédito caro e seletivo, a redução da receita em reais pesa diretamente no caixa do produtor. As margens ficam mais apertadas justamente quando a gestão financeira precisa ser mais rigorosa.
O custo invisível do câmbio
Há um aspecto menos discutido, mas decisivo. O produtor rural brasileiro vende em dólar e paga a maior parte de seus compromissos em reais. Quando o câmbio se aprecia demais, a troca da moeda internacional pela moeda doméstica enfraquece o poder de pagamento, limita investimentos e aumenta a percepção de risco no campo.
Não por acaso, o ex-ministro da Fazenda Mário Henrique Simonsen sintetizou esse dilema em uma frase que atravessou décadas sem perder atualidade: A inflação se aleija e o câmbio mata.
A inflação corrói lentamente. O câmbio, quando mal calibrado, age de forma direta e devastadora: tira competitividade, elimina margens e inviabiliza setores inteiros da economia produtiva. Para um país fortemente dependente das exportações agrícolas, esse risco é ainda maior.
Ano eleitoral: o incentivo político ao real forte
Em 2026, esse debate ganha uma camada adicional. Trata-se de um ano eleitoral, e o câmbio valorizado costuma jogar a favor do governo no curto prazo.
O real forte aumenta o poder de compra da população, barateia produtos importados e estimula viagens ao exterior. Para a classe média urbana, isso se traduz em uma sensação imediata de bem-estar econômico.
Esse efeito psicológico é poderoso. Um dólar mais baixo ajuda a conter a inflação percebida, melhora a avaliação do custo de vida e cria um ambiente político mais favorável. Não é coincidência que governos, em anos eleitorais, tendem a tolerar — ou até estimular — um câmbio apreciado, mesmo que isso imponha custos relevantes aos setores produtivos.
Juros altos sustentam o câmbio
Esse movimento é reforçado pelo diferencial de juros. O próprio Banco Central do Brasil sinaliza que, ao final de 2026, a taxa básica dificilmente ficará abaixo de 12%.
Em um mundo que caminha para juros mais baixos, esse patamar segue extremamente atrativo para o capital financeiro internacional, mantendo o fluxo de dólares e sustentando a valorização do real.
O problema é que esse equilíbrio é artificial e frágil. Ele favorece o consumo e o humor do eleitor no curto prazo, mas cobra um preço alto do agronegócio exportador, da indústria nacional e da capacidade de crescimento no médio e longo prazo.
Um alerta necessário
A queda do dólar não deve ser comemorada de forma automática. Para o agronegócio, ela reduz competitividade. Para o produtor, aperta margens. Para a indústria, estimula importações e desestimula a produção interna.
Em um país exportador de commodities e dependente do campo para gerar divisas, real forte demais não é sinônimo de força econômica, é um risco silencioso.
Como ensinou Simonsen, a inflação machuca aos poucos. O câmbio errado, esse sim, pode matar.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
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A execução no campo aparece como etapa complementar – Foto: Divulgação
A liderança do Brasil no agronegócio mundial está associada a um conjunto de decisões estratégicas que vão além de fatores naturais e de escala produtiva. De acordo com análise de Fábio Morais, especialista em gestão de agronegócio, o protagonismo brasileiro na soja é resultado direto do uso consistente de dados na condução do negócio.
O país responde por cerca de 40% da produção global de soja, desempenho que reflete um modelo baseado em planejamento comercial estruturado e na leitura contínua de mercado. A organização entre oferta, demanda e janelas de comercialização permite maior previsibilidade e reduz riscos em um ambiente marcado por volatilidade de preços e competição internacional. Nesse contexto, a gestão estratégica ganha centralidade ao direcionar decisões com base em indicadores de margem, eficiência e participação de mercado.
A execução no campo aparece como etapa complementar e indissociável da estratégia. A integração entre tecnologia, insumos, logística e gestão de pessoas sustenta a capacidade de transformar planos em resultados concretos. O uso de dados ao longo de toda a operação permite ajustes rápidos, melhora a alocação de recursos e amplia o controle sobre custos e produtividade, elementos decisivos para manter competitividade.
Em mercados cada vez mais disputados, o desempenho não está apenas no volume produzido, mas na eficiência comercial e na capacidade de interpretar cenários. A visão de longo prazo, apoiada por informações confiáveis, contribui para equilibrar produtividade, sustentabilidade e posicionamento estratégico. O principal desafio para lideranças comerciais está em conectar inteligência de mercado, planejamento e gestão de equipes para capturar valor em todos os elos da cadeia agroindustrial.