quarta-feira, março 18, 2026

Autor: Redação

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Mesa Brasileira da Pecuária propõe sistema de rastreabilidade inclusivo, eficiente e competitivo


Boi
Foto: Reprodução/Giro do Boi.

A obrigatoriedade da rastreabilidade individual de bovinos e búfalos no Brasil será implementada de forma gradual até 2032, dentro do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB).

Em meio a essa transição, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável (MBPS) divulgou um estudo que propõe diretrizes para um modelo de rastreabilidade inclusivo, eficiente e competitivo, com foco especial no estado do Pará.

A gerente executiva da MBPS, Michele Borges, destacou que o avanço da rastreabilidade ocorrerá por etapas, acompanhando a complexidade territorial e o tamanho do rebanho brasileiro. “Com a extensão territorial e com o tamanho do rebanho não dá para fazer de uma hora para outra. Então será um processo faseado”, explica.

Segundo a gerente, a MBPS atua no grupo de trabalho de rastreabilidade, que contribuiu com subsídios técnicos para a formulação do PNIB. Dentro desse contexto, o novo estudo busca orientar o setor sobre como ampliar a adoção da rastreabilidade, respeitando as particularidades de cada bioma.

Pará como laboratório de oportunidades

Segundo Michele, o Pará foi escolhido para receber um recorte específico no levantamento devido ao protagonismo do estado na busca por sistemas de rastreabilidade individual. “O estudo mostra que a rastreabilidade deve ser vista como uma espinha dorsal que conecta incentivos financeiros, políticas públicas e eficiência produtiva”, afirmou.

O relatório aponta que o estado reúne grande potencial de reinserção e inclusão de pequenos e médios produtores, fortalecendo o acesso a crédito, novos mercados e certificações. Isso porque a rastreabilidade gera dados qualificados capazes de atender às exigências de instituições financeiras e compradores internacionais.

Plataforma integrada

Entre as propostas, a MBPS defende a criação de uma plataforma integrada de rastreabilidade que reúna informações hoje dispersas entre bases públicas e privadas. O objetivo é padronizar e centralizar dados, facilitando o monitoramento e ampliando o alcance dos incentivos.

“A plataforma seria um meio de estar facilitando o acesso à mesma informação e fazer com que o produtor continue sendo mantido como o foco principal”, destacou Michele Borges.

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AgroNewsPolítica & Agro

Santa Catarina lança programa para aquicultura e pesca


O Governador Jorginho Mello lançou no dia 8 de dezembro, em Florianópolis, o Programa de Fortalecimento Aquícola e Pesqueiro, que será desenvolvido pela Epagri em parceria com a Secretaria Executiva da Aquicultura e Pesca (SAQ). Com investimento superior a R$4,7 milhões, o programa marca a ampliação da Assistência Técnica e Extensão Pesqueira e Aquícola (ATEPA) e das pesquisas em pesca, que colocam Santa Catarina na vanguarda científica do setor.

Na oportunidade foram também foram entregues 14 kits de despesca, cada um no valor de R$ 59.541,00, e 18 tratores, avaliados em R$ 196.250,00 cada, para apoiar a pesca artesanal em diferentes regiões.

O presidente da Epagri, Dirceu Leite, reforçou o papel estratégico da empresa no novo ciclo de desenvolvimento da aquicultura e pesca catarinense. “Por meio desse programa vamos levar conhecimento e tecnologia para ajudar o pescador artesanal e o aquicultor a ampliar a renda da família, mas também mostrar que o estado é um grande produtor. Santa Catarina tem potencial para dobrar sua produção aquícola e ampliar de forma expressiva a maricultura, e esses investimentos são o primeiro passo para transformar esse potencial em realidade”, diz ele.

O programa está estruturado em três eixos: ampliação do quadro técnico, modernização da infraestrutura e capacitação contínua das equipes. Sua execução reforça o papel da Epagri como instituição central na produção de conhecimento, inovação e apoio direto aos pescadores e aquicultores. Só em 2026, a empresa deve contratar 33 novos profissionais: 29 extensionistas, dois pesquisadores e dois assistentes de pesquisa para ampliar a presença técnica no território catarinense.

Os investimentos incluem ainda quatro escritórios contêineres para uso municipal (R$1 milhão), 18 veículos novos (R$ 2 milhões), equipamentos eletrônicos (R$ 457 mil) e embarcações com motor e carreta para apoio à maricultura. Também será destinado R$1,64 milhão para modernizar duas unidades de pesquisa da Epagri: o Cedap, em Florianópolis, e o Cepit, em Itajaí.

Com o reforço dos investimentos, a Epagri amplia também sua atuação em pesquisa e inovação. Na aquicultura marinha, os trabalhos avançam no controle sanitário de moluscos, desenvolvimento de novas espécies, análises ambientais e sistemas de cultivo. Já na aquicultura continental, os pesquisadores investem no melhoramento genético da tilápia, na criação de protocolos de reprodução e em sistemas superintensivos de produção. As pesquisas em pesca fornece ao Estado a base científica necessária para orientar políticas de manejo e sustentabilidade.

Os impactos econômicos projetados são expressivos. Na maricultura, Santa Catarina possui hoje 542 áreas de cultivo registradas, das quais 279 estão produtivas. Com o fortalecimento da ATEPA, o Estado espera reativar 263 áreas, resultando em mais de 8 mil toneladas anuais de produção adicional e impacto econômico de R$ 40 milhões por ano. Na piscicultura, o objetivo é ampliar o percentual de produtores tecnificados de 7% para 20% e dobrar a produção estadual de 50 mil para 100 mil toneladas/ano, o que pode gerar impacto econômico extra de R$ 450 milhões anuais.

 





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‘CPF dos imóveis’: reforma tributária inaugura novo controle sobre a propriedade no Brasil


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Foto: Pixabay

A reforma tributária começou a sair do papel e, junto com ela, nasce uma das mudanças mais profundas na forma como o Estado enxerga, e tributa, o patrimônio dos brasileiros: o Cadastro Imobiliário Brasileiro (CIB), apelidado de “CPF dos imóveis”.

A proposta é simples na teoria e gigantesca na prática: unificar, em uma única base nacional, informações de todos os imóveis do país, urbanos e rurais, públicos e privados. A meta inicial é alcançar cerca de 100 milhões de unidades cadastradas.

Trata-se de um movimento sem precedentes. Hoje, os dados de imóveis estão espalhados em dezenas de sistemas: cartórios, prefeituras, Incra, Receita Federal, SPU e órgãos ambientais. Cada um com suas regras, formatos, lacunas e inconsistências. A reforma tributária decidiu virar essa chave: o CIB será o “ponto único da verdade”, capaz de dizer onde fica o imóvel, quem é o dono, qual é o valor de referência e como ele se relaciona com o novo modelo de tributação.

Por que isso está sendo feito agora?

Com a criação do IVA dual (IBS e CBS), o Brasil adotará regras novas para operações imobiliárias, compra, venda, locação, incorporação, reformas e até demolições. Para que tudo funcione com segurança jurídica, o governo precisa de um cadastro limpo, padronizado e nacional. Daí a criação do CIB, operado pela Receita Federal dentro do Sinter, o Sistema Nacional de Gestão de Informações Territoriais.

O cadastro reunirá informações vindas de três grandes fontes:

  • Cadastros municipais de IPTU (imóveis urbanos);
  • CNIR – Cadastro Nacional de Imóveis Rurais, do Incra;
  • Cartórios de Registro de Imóveis, responsáveis pela matrícula e pela titularidade.

A integração será feita automaticamente, sem que o proprietário tenha de fazer um novo cadastro. Porém, na prática, quem tem imóvel vai sentir os efeitos quando a reforma tributária começar a operar completamente a partir de 2027.

O que muda para o contribuinte?

A primeira mudança é a unificação de informações: cada imóvel ganhará um código nacional único. Isso permitirá:

  • rastrear operações com mais precisão;
  • calcular o valor de referência atualizado;
  • controlar o uso de redutores de alíquota na venda de imóveis;
  • cruzar dados entre prefeituras, cartórios, Estado e União.

Ao mesmo tempo, o CIB dará ao Estado um nível de clareza territorial que nunca existiu. Em vez de dezenas de cadastros fragmentados, passará a existir um mapa único, integrado e georreferenciado.

E os temores?

A promessa oficial é de simplificação e justiça fiscal. Mas, entre especialistas, prefeituras, setor imobiliário e produtores rurais, há uma preocupação evidente: um cadastro nacional tão completo pode abrir caminho para aumento de impostos patrimoniais.

Em cidades, isso significa risco de revisão de IPTU. No campo, reacende o debate sobre atualização de parâmetros do ITR, cruzamento com produtividade, CAR e dados ambientais. Em outras palavras: tudo o que for mapeado com precisão pode virar argumento para governo e municípios elevarem arrecadação.

Há também críticas sobre a centralização excessiva das informações nas mãos da União. Para alguns analistas, o CIB oferece segurança jurídica; para outros, cria um “supercadastro” que amplia o poder fiscalizatório do governo.

Impacto para o agro

No caso rural, a mudança é particularmente sensível. O CNIR já reúne informações sobre área, georreferenciamento, confrontações e titularidade. Mas no CIB esses dados serão fundidos com registros cartoriais e informações de operações econômicas, criando uma visão muito mais completa do imóvel rural — seu valor, seu uso e sua capacidade produtiva.

Isso pode ter efeitos positivos, como:

  • maior facilidade de usar a terra como garantia;
  • redução de incerteza em financiamentos;
  • expansão de seguros rurais com risco mensurável.

Mas também pode significar:

  • maior exposição a cobranças tributárias;
  • fiscalização automatizada de inconsistências;
  • exigências mais rígidas em questões ambientais e produtivas.

Um “Google Maps fiscal” do Brasil

Em termos práticos, o CIB transforma o Estado em um observador privilegiado do território brasileiro. Um grande “Google Maps fiscal” que integra informações tributárias, fundiárias e territoriais, com potencial para facilitar transações, reduzir fraudes, aumentar a transparência, e, ao mesmo tempo, oferecer munição para futuras revisões tributárias.

Essa é a ambiguidade central do novo cadastro: ele é ao mesmo tempo uma promessa de modernização e um instrumento de poder. Como será usado depende do governo, das prefeituras e da capacidade da sociedade de acompanhar a implementação com espírito crítico.

O “CPF dos imóveis” é uma das peças mais ousadas, e menos compreendidas, na reforma tributária. Seu sucesso dependerá de dois fatores:

  1. integrar com precisão milhões de registros, hoje incompletos ou contraditórios;
  2. garantir que a busca por eficiência não vire plataforma para aumento de impostos indiscriminados.

O Brasil nunca teve um mapa fiscal tão completo. Agora terá. A pergunta que fica: quem vai ganhar mais com isso, o contribuinte, ou o Estado?

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Fiscais recolhem 15 toneladas de pescado irregular em operação


Pesca ilegal
Foto: divulgação/Ibama

Fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) apreenderam cerca de 15 toneladas de pescado durante a Operação Mar Territorial, realizada no Rio Grande do Sul.

A ação ocorreu entre 24 e 28 de novembro, em parceria com a Brigada Militar Ambiental, na região da Lagoa dos Patos, nos municípios de Pelotas, Rio Grande e São José do Norte.

A operação teve como objetivo combater a pesca ilegal da corvina (Micropogonias furnieri), especialmente o uso de equipamentos proibidos, como redes pesadas puxadas por embarcações, que causam forte impacto no ambiente aquático e aumentam a pressão sobre a espécie, já em alto nível de exploração.

A fiscalização também atuou para impedir que a corvina capturada irregularmente fosse direcionada às indústrias locais, evitando a comercialização e a tentativa de “esquentar” a origem do pescado.

Durante a operação, agentes do Ibama flagraram pescadores usando equipamentos proibidos e identificaram um barco que já havia sido lacrado pelo órgão por pesca irregular. Outras embarcações também operavam sem autorização.

Uma empresa pesqueira de grande porte foi autuada por comprar e armazenar pescado de origem irregular. Segundo o Ibama, as quantidades apreendidas eram muito superiores à capacidade de captura, armazenamento e transporte das embarcações envolvidas, incluindo um barco sem permissão para atuar na região, o que indica tentativa de “lavagem de origem” do pescado ilegal.

Ao todo, 12 embarcações foram inspecionadas, e 11 autos de infração foram emitidos, somando R$ 618 mil em multas. Todo o pescado apreendido foi doado ao Programa Mesa Brasil do Sesc, beneficiando famílias em situação de insegurança alimentar. Os registros criminais foram encaminhados à Polícia Federal em Pelotas (RS).

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Exportadores dos EUA reportam vendas de 467 mil t de soja à China e outros países


lavoura de soja nos Estados Unidos
Foto: Pixabay

Os exportadores privados dos Estados Unidos reportaram novas vendas de 467 mil toneladas de soja e 120 mil toneladas de farelo de soja para entrega no ano comercial 2025/2026, informou o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) nesta quarta-feira (10).

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Do volume total de soja, 136 mil toneladas foram destinadas à China, enquanto 331 mil toneladas tiveram como destino países não revelados. Já o farelo de soja, totalizando 120 mil toneladas, será enviado para a Polônia.

Segundo as regras do USDA, exportadores norte-americanos devem reportar qualquer venda diária de 100 mil toneladas ou mais de uma commodity, ou operações de 200 mil toneladas ou mais para um mesmo destino, até o dia útil seguinte à negociação.

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Ciclone gera ventania e faz prefeitura de São Paulo fechar parques e suspender eventos de Natal


Foto: Secom – Prefeitura de São Paulo

A passagem de um ciclone extratropical pelo Sudeste vem provocando uma série de transtornos em São Paulo desde terça-feira (9). Só na Região Metropolitana, 1,2 milhão de clientes ficaram sem energia elétrica, segundo a Enel. Rajadas de vento que chegaram a 96,3 km/h derrubaram árvores, interromperam serviços e levaram a Prefeitura da capital a fechar todos os parques municipais nesta quarta-feira (10).

Você quer entender como usar o clima a seu favor? Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.

1,2 milhão de pessoas sem energia e mais de 500 quedas de árvores

A Enel informou que as fortes rajadas de vento lançaram galhos e objetos sobre a rede elétrica, além da queda de árvores sobre estruturas e vias. Somente nesta manhã, o Corpo de Bombeiros registrou 514 chamados para queda de árvores em diferentes pontos da capital e Grande São Paulo.

Para restabelecer o fornecimento, a concessionária mobilizou 1,3 mil equipes em campo. A Defesa Civil estadual reforçou o alerta para rajadas intensas ao longo do dia e destacou que os ventos seguem acima da média devido à influência do ciclone.

Ocorrências foram registradas em municípios como Vera Cruz, Guareí, Ribeirão Bonito, Caieiras, Ferraz de Vasconcelos, Araçatuba, Matão, Redenção da Serra, Vargem Grande Paulista, Fernandópolis, Osasco, Guaratinguetá, Botucatu, Santa Cruz do Rio Pardo, Elisiário, Ibaté, Biritiba Mirim, Guapiara, Oscar Bressane e Barra Bonita.

Prefeitura fecha todos os parques e suspende atividades do Natal Iluminado

Com ventos variando entre 50 km/h e 90 km/h, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), a Prefeitura decidiu fechar todos os parques municipais nesta quarta-feira para evitar acidentes. A medida segue protocolos da Portaria nº 038/SVMA/2024, que define ações de segurança em eventos climáticos extremos.

A previsão é de que os parques sejam reabertos nesta quinta-feira (11), mas a retomada poderá ser revista caso novas rajadas intensas sejam registradas.

Eventos do Natal Iluminado na região do Largo São Bento e Praça da Sé também foram suspensos, incluindo apresentações e atrações como a Pista de Patinação e a Casa do Papai Noel. A reabertura ocorrerá assim que as condições meteorológicas permitirem.

Defesa Civil mantém alerta e reforça cuidados à população

Desde o início da semana, com o avanço do ciclone extratropical, a Defesa Civil estadual e municipal vêm emitindo alertas sobre tempestades, ventos fortes e risco de quedas de árvores. O órgão reforça que a população evite áreas arborizadas e mantenha distância de estruturas metálicas, fios partidos e locais alagados.

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PIB deve crescer 1,8% em 2026 e agro deve ficar estável, projeta CNI


banco mundial - pib - brasil - banco central
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deve crescer 1,8% em 2026, segundo projeção divulgada nesta quarta-feira (10) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) no relatório Economia Brasileira 2025-2026. O avanço será impulsionado principalmente pelo setor de serviços, com alta estimada de 1,9%, enquanto a indústria deve crescer apenas 1,1% e a agropecuária permanecer praticamente estável.

A entidade atribui o ritmo mais fraco da economia aos juros elevados e ao enfraquecimento do mercado de trabalho.

“Com juros nesse patamar, a economia vai desacelerar ainda mais, prejudicando todos os setores produtivos, em especial a indústria”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.
“É necessário que o Banco Central inicie o ciclo de cortes na Selic o quanto antes.”

Selic deve terminar 2026 em 12%; juros reais seguem entre os mais altos do mundo

A CNI projeta que a taxa Selic encerrará 2026 em 12%, enquanto a inflação ficará em 4,1%. Mesmo com a perspectiva de queda gradual, os juros reais devem permanecer em torno de 7,9%, nível que continuará limitando investimentos e atividade industrial.

A indústria de transformação deverá ter o pior desempenho entre os segmentos industriais em 2026, com crescimento de apenas 0,5%, pressionada por demanda interna fraca e avanço das importações.

Construção deve crescer 2,5% e indústria extrativa avança com petróleo e minério

Apesar da pressão dos juros, o setor da construção tem perspectiva positiva para 2026, com alta prevista de 2,5%, sustentada por novas linhas de crédito imobiliário, aumento do teto de financiamento do SFH e programas de reforma de moradias de baixa renda.

Já a indústria extrativa deve crescer 1,6%, favorecida pela manutenção de um forte ritmo de produção de petróleo e minério de ferro.

Serviços seguirão liderando o crescimento com digitalização e renda maior

Mesmo com a desaceleração do mercado de trabalho, os serviços devem continuar crescendo acima dos demais setores. A CNI estima que:

a taxa de desemprego fechará 2026 em 5,6%;

a massa de rendimento real terá aumento de 3,4%.

O setor de serviços é impulsionado pela transformação digital e pelo aumento das despesas federais, previsto para crescer 4,6% acima da inflação no próximo ano.

Além disso, medidas de desoneração do Imposto de Renda para rendas até R$ 7,5 mil devem ampliar a renda disponível para consumo.

Agro deve ficar estável com safra menor que a de 2025

Após uma safra recorde em 2025, a agropecuária deve apresentar crescimento modesto em 2026, influenciada pelas primeiras projeções de uma colheita menos expressiva.

Comércio exterior: exportações desaceleram e superávit deve subir para US$ 66,2 bi

A CNI projeta que as exportações brasileiras alcançarão US$ 355,5 bilhões em 2026, alta de apenas 1,6%. O resultado será afetado por:

tarifas impostas pelos Estados Unidos,

provável retração da economia argentina,

menor demanda global por petróleo,

produtividade agrícola mais baixa.

As importações devem totalizar US$ 289,3 bilhões, queda de 1,4%. Com isso, o superávit comercial deve subir para US$ 66,2 bilhões, cerca de 17% acima de 2025.

CNI eleva projeção do PIB de 2025 para 2,5%, puxado pelo agronegócio

Para 2025, a CNI revisou para cima a projeção de crescimento do PIB, de 2,4% para 2,5%. O avanço será fortemente influenciado pela agropecuária, cujo PIB deve subir 9,6%, devido à safra recorde e ao bom desempenho da produção animal.

Os serviços devem crescer 2%, enquanto o PIB industrial deve avançar 1,8% — abaixo dos 3,3% registrados em 2024.

A CNI alerta para a perda de ritmo da indústria de transformação, projetada para crescer só 0,7% em 2025, reflexo dos juros altos e do avanço das importações.

Inflação no teto da meta e Selic mantida em 15% até o fim de 2025

A entidade projeta inflação de 4,5% em 2025, no limite superior da meta, e manutenção da Selic em 15% na última reunião do ano. A queda dos juros deve começar apenas em 2026.

O crédito deve crescer 3,6%, bem abaixo dos 10,7% de 2024, impactado pela política monetária contracionista.

Balança de 2025 melhora com exportações à China e Europa, apesar do tarifaço

O relatório mostra que o aumento das exportações brasileiras para:

  • China,
  • Reino Unido,
  • Itália,
  • Argentina, entre agosto e novembro de 2025 compensou parte do impacto das tarifas impostas pelos EUA.

As exportações devem terminar 2025 em US$ 350 bilhões, alta de 3% sobre 2024, enquanto as importações devem crescer 7,1%, atingindo US$ 293,4 bilhões. O superávit comercial deve ser de US$ 56,7 bilhões, queda de 14%.

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‘O plantio foi bem estressante. Tinha previsão de chuva, mas não veio’, diz sojicultor de MT


soja
Foto: Aprosoja MT

As dificuldades durante o plantio marcaram o início da safra 2025/26 em diversas regiões de Mato Grosso. A falta de chuvas regulares, longos períodos de estiagem e atrasos no desenvolvimento das lavouras têm preocupado produtores e podem afetar também a janela ideal de plantio do milho segunda safra.

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A Aprosoja MT acompanhou nesta terça-feira (09) a realidade dos municípios de Rondonópolis, Juscimeira e Campo Verde, onde delegados, produtores e técnicos relataram um cenário de grande insegurança climática e impactos diretos no estande e na produtividade.

Em Rondonópolis, o delegado coordenador Valdir Ciomar Martini conversou com o representante da Agropecuária Guarita, Everton Mann Appelt, que descreveu um início de safra desafiador. “O plantio foi bem estressante. Apesar do histórico de chuva sempre na mesma época, neste ano havia previsão, mas não vinha. Esta área foi a primeira que plantamos, tinha umidade e a soja nasceu bem, mas em novembro, a chuva cortou de vez”, explicou o engenheiro agrônomo.

Everton relatou que parte das lavouras não conseguiu se desenvolver adequadamente. “Tem uma parte das áreas que está bem atrasada, sofreu bastante, ficou bastante seca e não se desenvolveu bem como era para se desenvolver durante essa época.” Ele também destacou que o atraso pode impactar o milho em toda a região.

Valdir acrescentou que, apesar das dificuldades, as chuvas voltaram nos últimos dias. “Hoje a chuva normalizou. Faz cinco dias que vem chovendo constantemente e dá para perceber que mudou o desenvolvimento da soja, até porque ela tem uma facilidade de recuperação muito grande. Espero que seja uma safra boa, porque já viemos de um ano difícil em que os produtores não fecharam a conta pelos custos.”

Em Juscimeira, o produtor Gabriel Berwanger relatou que o início do plantio foi prejudicado pela estiagem prolongada. “O plantio foi um pouco complexo, com muito atraso devido à seca prolongada. No início de setembro, houve algumas chuvas, mas logo cortou”, disse.

A falta de umidade e as altas temperaturas reduziram o estande em cerca de 20%. “O atraso no plantio e a falta de chuva vai dar muito impacto na produção e na produtividade das áreas aqui do município de Jaciara e Juscimeira devido ao estande ter ficado muito baixo”, explicou Gabriel, que também prevê parte do milho fora da janela ideal.

Em Campo Verde, a delegada do núcleo, Vitória Cimadon, relatou que o plantio começou com atraso de quase 30 dias. “Iniciamos dia 20 de outubro, quando teve um volume bom de chuva, e fizemos um plantio acelerado para tentar conseguir uma janela boa para o milho safrinha.”

O produtor Bruno Librelotto destacou que o estande foi um dos pontos mais afetados pela estiagem. “Esse ano foi bem atípico. Sofremos com a falta de chuva no começo do plantio. O estande ficou comprometido, com falha e muitas plantas com ciclos diferentes, por causa do plantio e da umidade.” Segundo ele, a área destinada ao milho também deve ser reduzida.

Vitória avaliou que o desempenho não deve repetir o forte resultado da safra anterior. “A expectativa é que vai ter um pouco de redução comparado ao ano passado, em que foi muito boa a produção, porque a lavoura teve uns dias de estresse, essas plantas emergiram mas ficaram até dez dias sem chuva.”

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AgroNewsPolítica & Agro

Preços do trigo divergem entre estados



No Paraná, as cotações seguem em queda



Foto: Canva

De acordo com dados divulgados pelo Cepea, o mercado de lotes de trigo — que envolve negociações entre empresas — apresenta movimentos contrastantes. No Paraná, as cotações seguem em queda, pressionadas principalmente pelo aumento da disponibilidade interna do grão. Já em estados como São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, os preços estão mais firmes, sustentados pela demanda do mercado consumidor.

No mercado de balcão, que considera os valores pagos diretamente aos produtores, a tendência é de baixa em quase todas as regiões acompanhadas, com exceção de Santa Catarina, onde os preços permanecem relativamente estáveis.

As movimentações internas são acompanhadas de alterações também no comércio exterior. Com o fim da colheita nacional, o Brasil retomou as exportações de trigo em novembro. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), foram exportadas 121,16 mil toneladas no mês — o maior volume desde março de 2025.

Por outro lado, as importações apresentaram retração. Em novembro, chegaram aos portos brasileiros 414,56 mil toneladas de trigo, o que representa uma queda de 22,4% em relação a outubro deste ano e de 2,6% frente ao mesmo período de 2024. É o menor volume registrado desde dezembro de 2023.

A dinâmica do mercado é reflexo de fatores sazonais e estruturais. De um lado, a disponibilidade doméstica amplia a pressão sobre os preços pagos ao produtor em algumas regiões. De outro, a demanda do setor moageiro sustenta as cotações em praças mais industrializadas.

 





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AgroNewsPolítica & Agro

Exportações do agro registram queda de 22%


As exportações do agronegócio do Rio Grande do Sul somaram US$ 1,31 bilhão em novembro de 2025, uma retração de 22% em relação ao mesmo mês de 2024. Em volume, a queda foi de 20%, totalizando 1,92 milhão de toneladas embarcadas. Os dados foram divulgados pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) nesta quarta-feira (9/12).

Segundo a Farsul, o principal fator para a redução foi a menor oferta de soja em grão, severamente afetada pela estiagem que atingiu o Estado. Em novembro de 2024, haviam sido embarcadas 2,4 milhões de toneladas, com receita de US$ 1,69 bilhão.

Apesar do recuo, o agronegócio segue como o principal setor exportador do Estado, respondendo por 71% do valor total exportado e por 88% do volume. No acumulado entre janeiro e novembro de 2025, as exportações do agro somaram US$ 13,6 bilhões, retração de 4,1% na comparação anual.

A guerra comercial com os Estados Unidos também continua pesando sobre o desempenho das exportações gaúchas. Houve queda generalizada nas vendas de produtos como carne bovina in natura (100%), carne industrializada (menos 52% em valor e 62% em volume), além de recuos expressivos em couros, pescados, produtos apícolas e madeira serrada.

No total dos produtos afetados pela tensão comercial, a redução foi de 60% no valor e 43% no volume. Entre os destaques negativos, o fumo teve perda de US$ 107,3 milhões apenas nas vendas para o Egito, que foram zeradas em novembro.

Entre as carnes, a bovina foi a única a apresentar crescimento, puxada pelas vendas para a China, Rússia e Índia. O mercado dos Estados Unidos segue restritivo, mas houve recuperação parcial com os embarques para México e Canadá. Já a carne de frango teve retração no Oriente Médio, impactada por atrasos logísticos, o que também afetou a carne suína, apesar do bom desempenho nas Filipinas.

O arroz gaúcho encerrou novembro com queda de 43% no valor exportado, mas com volume praticamente estável (redução de apenas 2%). A situação é semelhante à do fumo e reflete margens mais apertadas para o setor em 2026. Em contrapartida, o trigo teve desempenho positivo, com US$ 21 milhões exportados – valor nulo no mesmo mês de 2024.

A Ásia segue como principal destino do agro gaúcho, com US$ 746 milhões exportados em novembro, seguida pela Europa (US$ 287 milhões) e América do Sul (US$ 86 milhões). A China lidera entre os países compradores, com participação de 33% no valor total exportado pelo setor.





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