A colheita da safra 2025/26 de soja em Mato Grosso avançou e já alcança 96,42% da área cultivada no estado. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (13) pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).
Na semana anterior, em 6 de março, os trabalhos estavam em 89,15%, o que indica um avanço expressivo no ritmo das operações no campo. Apesar disso, o índice ainda permanece ligeiramente abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, quando a colheita já havia atingido 97,33% da área.
Com o avanço da retirada da oleaginosa das lavouras, os produtores também aceleram o plantio da segunda safra de milho. Segundo o Imea, a semeadura do cereal chegou a 99,20% da área prevista para a safra 2025/26.
Na semana anterior, o plantio estava em 93,68%. Em comparação com o mesmo período do ciclo passado, no entanto, o ritmo atual também aparece um pouco abaixo, já que naquele momento a semeadura alcançava 99,48% da área cultivada.
As medidas adotadas pelo governo federal para reduzir o preço do diesel podem ajudar a amenizar os impactos imediatos do aumento do combustível no Brasil. No entanto, a duração desse alívio dependerá da evolução do conflito no Oriente Médio e das oscilações do mercado internacional de petróleo.
A avaliação é do economista Francisco Vila, que analisou os efeitos da decisão do governo de zerar as alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel e conceder subsídios temporários ao combustível.
Segundo ele, a iniciativa é positiva no curto prazo, especialmente em um momento sensível para o agronegócio brasileiro, que está em plena fase de colheita.
“O governo reagiu bem ao reduzir impostos e conceder subsídio. Essas medidas ajudam a aliviar o impacto imediato no preço do combustível”, afirma.
Diesel mais caro pressiona transporte e custos do agro
Para o economista, a alta recente do diesel tem origem principalmente no cenário internacional, impulsionado pela escalada do conflito no Oriente Médio, que elevou os preços do petróleo.
Ele lembra que o valor do barril passou por oscilações intensas nos últimos meses.
“O diesel subiu por causa da guerra e da alta do petróleo. O barril chegou a sair de cerca de US$ 80 para perto de US$ 120 e depois recuou novamente”, explica.
Esse movimento tem impacto direto sobre o agronegócio, principalmente nos custos logísticos.
O diesel é o principal combustível do transporte rodoviário de cargas no Brasil, utilizado tanto no escoamento da produção agrícola quanto na distribuição de alimentos.
“Tem impacto no transporte da safra, no custo dos fertilizantes e em várias etapas da produção. No final, isso chega até a mesa do consumidor”, diz Vila.
Colheita amplia sensibilidade do agro aos preços do combustível
O economista destaca que o momento atual aumenta a sensibilidade do setor ao preço do diesel. Isso porque o Brasil está no período de colheita, quando grandes volumes de grãos precisam ser transportados rapidamente.
Segundo ele, a falta de capacidade de armazenagem nas propriedades intensifica essa pressão.
“Estamos na fase da colheita e grande parte da produção precisa ser transportada rapidamente porque não temos silos suficientes para armazenar no campo”, afirma.
Com isso, a produção precisa ser enviada para armazéns ou portos, elevando a demanda por transporte rodoviário e, consequentemente, pelo consumo de diesel.
Além disso, o aumento do combustível também afeta os custos de exportação.
“Os grãos vão para os portos e os navios também passam a cobrar mais. Isso pode aumentar o preço final em até 10% ou 15%”, avalia.
Medidas são temporárias e dependem do cenário externo
Apesar de considerar a reação do governo adequada, Vila ressalta que as medidas são temporárias e têm custo fiscal elevado.
Segundo ele, o pacote de redução de impostos e subsídios pode representar cerca de R$ 30 bilhões, valor que terá impacto nas contas públicas.
“Essas medidas são emergenciais. Alguém vai pagar essa conta, direta ou indiretamente”, afirma.
Para o economista, o cenário ainda é incerto e depende da evolução do conflito no Oriente Médio.
“Hoje ninguém sabe exatamente como essa guerra vai evoluir. Isso cria um ambiente de muita incerteza”, diz.
Logística é gargalo
Além da crise atual, Vila destaca que o aumento do diesel também expõe um problema estrutural da economia brasileira: a dependência excessiva do transporte rodoviário.
Diferentemente de países como os Estados Unidos, que possuem sistemas logísticos mais diversificados, o Brasil depende fortemente do transporte por caminhões.
“Transportamos quase tudo por rodovias, usando diesel. Os Estados Unidos têm navios e ferrovias muito mais desenvolvidos”, afirma.
Segundo ele, ampliar o uso de ferrovias e hidrovias é essencial para reduzir a vulnerabilidade do país às oscilações no preço dos combustíveis.
O economista também aponta oportunidades para melhorar a logística de exportação brasileira.
Um exemplo é o avanço da rota bioceânica, que conecta estados como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul aos portos do Pacífico, facilitando o comércio com a Ásia.
Segundo ele, essa alternativa pode reduzir significativamente o tempo de transporte até mercados como a China.
“A nova rota pode reduzir em cerca de 14 dias o tempo de transporte para a China”, afirma.
Conflitos e clima ampliam incertezas
Para Vila, além da guerra, outro fator que deve continuar pressionando o setor agropecuário é a instabilidade climática.
Ele avalia que eventos climáticos cada vez mais imprevisíveis têm afetado o planejamento agrícola.
“Hoje o clima é muito mais instável. Lugares onde sempre chovia agora enfrentam seca, e regiões onde não chovia passam a ter excesso de chuva”, afirma.
Transição energética ganha importância
Diante desse cenário, o economista destaca que investimentos em biocombustíveis e transição energética podem ajudar a reduzir a dependência de combustíveis fósseis.
Para ele, essa mudança será fundamental para garantir estabilidade de custos no longo prazo.
“Investir em biocombustíveis é um caminho importante para reduzir a vulnerabilidade da economia a choques externos”, conclui.
Colheitadeiras de soja em fazenda no oeste da Bahia. Foto: Jefferson Aleffe
A segunda estimativa para a safra baiana de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2026 passou a ser, em fevereiro, de que a produção chegará ao recorde de 12.887.308 toneladas neste ano. Isso representa um crescimento de 0,4% (ou mais 47.731 t) em relação ao recorde anterior, registrado em 2025 (12.839.577 t).
Segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada nesta sexta-feira (13), houve uma revisão para cima, de 5,3%, frente aos dados da safra em janeiro (de 12.235.097 toneladas), o que equivale a mais 652.211 toneladas. Isso se deveu a novas previsões para as produções de soja,algodão herbáceo e feijão 1ª safra.
Soja
A soja é o principal produto agrícola da Bahia, representando pouco mais de dois terços da safra de grãos no estado (67,6%).
Em 2026, a previsão é que haja uma produção recorde de 8.708.171 toneladas, 1,2% acima do colhido em 2025 (mais 102,0 mil toneladas) e com alta de 7,3% na passagem de janeiro para fevereiro (mais 593,5 mil toneladas).
O aumento da previsão da soja, entre um mês e outro, se deveu a uma maior área plantada, que deve chegar a 2.182.499 hectares, 8,1% superior ao previsto em janeiro.
Algodão
A Bahia deve produzir, em 2026, 1.550.520 toneladas de algodão, 13,6% a menos do que em 2025 (menos 243,5 mil toneladas), porém, 4,7% a mais do que o previsto em janeiro (mais 70,1 mil toneladas).
A variação positiva na estimativa, entre janeiro e fevereiro, também se deveu a um crescimento da área plantada, que passou de 338 mil para 354 mil hectares.
O estado é o 2º maior produtor nacional de algodão e deverá ser responsável por 17,5% da safra brasileira, em 2026, abaixo apenas de Mato Grosso, que deve colher 6.311.280 toneladas, ou 71,4% do total nacional (8,8 milhões de toneladas).
Entre janeiro e fevereiro, também houve, na Bahia, revisão para cima na estimativa de produção do feijão 1ª safra, de 13,6% ou mais 15.950 toneladas.
Com isso, essa safra deve somar 132.850 toneladas em 2026, ficando 53,8% maior (mais 46,5 mil toneladas) do que o registrado em 2025 (86,4 mil toneladas).
Apesar da previsão de recorde na produção de grãos na Bahia em 2026, no país como um todo, a estimativa ainda é de queda frente a 2025.
Safra nacional
A safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas deve totalizar 344,1 milhões de toneladas em 2026. Trata-se de um valor 0,6% menor (menos 2,0 milhões de toneladas) do que o de 2025 (346,1 milhões de toneladas).
Na comparação com janeiro, porém, a estimativa registrou alta de 0,4%, um acréscimo de 1,4 milhão de toneladas.
Mantendo-se essa previsão positiva, em 2026 a Bahia deve sustentar a sétima maior safra de grãos do país, respondendo por 3,7% do total nacional. Mato Grosso continua na liderança (30,2%), seguido por Paraná (13,9%) e Rio Grande do Sul (11,7%).
A área de secagem e armazenagem de grãos da Emater/RS-Ascar na 26ª Expodireto Cotrijal apresenta alternativas técnicas voltadas à autonomia e à redução de custos nas propriedades rurais. A feira ocorre até sexta-feira (13/03), em Não-Me-Toque, com visitação das 9h às 18h.
A principal solução preconizada pela Emater/RS-Ascar para os produtores de grãos é o silo secador. De acordo com o extensionista rural Idanir Bianchetti, o equipamento recebe essa denominação por realizar, no mesmo local, os processos de secagem e armazenagem, dispensando a necessidade de movimentação do produto entre estruturas distintas.
“A secagem no silo secador é realizada com ar natural e em temperatura ambiente, caracterizando um sistema ecologicamente correto, por utilizar energias renováveis e limpas e eliminar o uso de lenha ou outras fontes de calor. A secagem em temperatura ambiente também contribui para a preservação da qualidade dos grãos”, explica Bianchetti.
No espaço, são apresentadas alternativas que abrangem desde a elaboração do projeto até os modelos construtivos e o manejo do sistema. Entre as principais vantagens estão o baixo custo de instalação, em função da disponibilidade de materiais no mercado; o rápido retorno do investimento; a possibilidade de melhores preços na comercialização; a redução de custos com transporte, secagem e armazenagem; e a maior autonomia do agricultor, tanto para comercialização futura quanto para uso dos grãos na alimentação animal na propriedade.
“Na região de Passo Fundo tem municípios que se destacam na utilização dessa tecnologia, principalmente para armazenamento de milho, mas muitos agricultores já estão utilizando para armazenamento de soja, feijão, ou mesmo outras culturas”, afirma Bianchetti.
Também é apresentado um sistema de automação elétrica e um sistema de aquecimento do ar por meio de resistências elétricas, com o objetivo de proporcionar maior agilidade na secagem, além de equipamentos utilizados na movimentação e limpeza dos grãos.
Segundo Bianchetti, a proposta é contribuir para a melhoria da renda e da qualidade de vida do agricultor, ampliando alternativas de gestão da produção na propriedade.
O agricultor que tiver interesse deve procurar um escritório da Emater/RS-Ascar e levar algumas informações, como o tipo de energia que possui na propriedade e a quantidade que deseja armazenar.
A produção brasileira de grãos na safra 2025/26 está estimada em 353,4 milhões de toneladas, segundo o 6º Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Se confirmada, a colheita representará crescimento de 0,3% em relação ao ciclo anterior e marcará novo recorde na série histórica da estatal.
O avanço ocorre mesmo com desafios climáticos em parte das regiões produtoras. A área plantada deve crescer 1,7%, alcançando 83,2 milhões de hectares, enquanto a produtividade média nacional está projetada em 4.250 quilos por hectare.
A colheita da soja avança pelo país e já alcança 50,6% da área semeada. Fevereiro foi considerado um mês desafiador para os produtores, com excesso de chuvas no Centro-Oeste e no Sudeste, especialmente em Goiás e Minas Gerais, além de irregularidade climática no Rio Grande do Sul.
No início de março, o excesso de precipitações também passou a prejudicar os trabalhos de campo nas regiões Norte e Nordeste.
Apesar das dificuldades, as condições climáticas ao longo do ciclo favoreceram o desenvolvimento da cultura. A estimativa da Conab é de produção recorde de 177,8 milhões de toneladas.
Milho tem plantio da segunda safra mais tardio
As chuvas que atrasaram a colheita da soja também impactaram o plantio do milho segunda safra, que ocorre logo após a retirada da oleaginosa. Em alguns estados, como Goiás, Maranhão e Minas Gerais, já há indicação de redução na área destinada ao cereal.
A segunda safra de milho deve ocupar 17,7 milhões de hectares, com produção estimada em 108,4 milhões de toneladas.
Já o milho de primeira safra apresenta crescimento de área e produção, com cultivo estimado em 4,1 milhões de hectares e colheita projetada em 27,4 milhões de toneladas.
Somando as três safras cultivadas ao longo da temporada, a produção total de milho no país pode chegar a 138,3 milhões de toneladas.
Arroz e feijão têm queda na produção
A colheita do arroz atinge 19,1% da área semeada, percentual acima da média dos últimos cinco anos. Ainda assim, a produção deve cair para 11,2 milhões de toneladas, 12,4% abaixo da safra passada, refletindo a redução da área plantada.
No Rio Grande do Sul, principal produtor nacional, os dias com maior radiação solar favoreceram o desenvolvimento e a sanidade das lavouras.
Para o feijão, considerando as três safras cultivadas no país, a produção total está estimada em 2,9 milhões de toneladas, queda de 4,7% frente ao ciclo anterior. A primeira safra registra redução de 11,2% na área, totalizando 807,2 mil hectares, com produção projetada em 954 mil toneladas.
Mesmo com a retração, o volume previsto é considerado suficiente para garantir o abastecimento interno.
Algodão tem leve redução de área
O plantio do algodão já foi concluído e a maior parte das lavouras está em fase de desenvolvimento vegetativo.
A área cultivada deve alcançar cerca de 2 milhões de hectares, queda de 3,5% em relação à safra anterior. A produção de pluma está estimada em 3,8 milhões de toneladas.
Em Santa Catarina, produtores de soja têm mostrado que é possível unir produtividade e cuidado com o meio ambiente. No oeste do estado, um grupo de agricultores aposta há quase 30 anos em práticas conservacionistas de manejo do solo, e os resultados já aparecem nas lavouras.
A Expedição Soja Brasil chegou a Chapecó, no extremo oeste catarinense, onde a soja vem ganhando cada vez mais espaço. A região, conhecida pela forte produção de proteínas animais, demanda grandes volumes da oleaginosa para a fabricação de ração.
Entre os produtores está o agricultor Francisco Sedovski, que cultiva cerca de 50 hectares e sempre manteve um olhar atento à qualidade do solo. Ele lembra que o início da adoção das práticas foi desafiador. “Começamos devagar, com bastante dificuldade. Regular a plantadeira, fazer a semeadura dos mixes e até conseguir as sementes era complicado. No começo não vamos dizer que perdemos safras, mas colhemos menos porque ainda não sabíamos o manejo correto”, relata.
Junto com outros 14 produtores, ele criou o grupo Amigos do Solo. Após visitas técnicas em outros estados, os agricultores trouxeram para a região o sistema de plantio direto, que com o tempo se expandiu entre as propriedades.
Os ganhos foram expressivos ao longo dos anos. “Na época em que começamos, a produtividade ficava na faixa de 30 a 50 sacas por hectare. Hoje já dobramos esse número. Temos áreas com 75, 80 e até mais de 90 sacas por hectare por causa do manejo e da cobertura do solo feita há 30 anos”, afirma.
O trabalho do grupo vai além do plantio direto. Os produtores também investem em coberturas verdes no inverno e adotam o chamado plantio direto no verde, prática que mantém o solo protegido e melhora sua estrutura.
Para especialistas, esse tipo de manejo é essencial para aumentar a resiliência das lavouras. “Muitas vezes é preciso fazer o básico, como melhorar a qualidade do solo, que é o substrato onde a planta vai se desenvolver. Quando se prioriza o manejo e a saúde do solo, ele se torna mais resiliente às intempéries climáticas e a safra tende a oscilar menos de um ano para outro”, explica o especialista em solo da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina, Júlio Ramos.
Depois de décadas cuidando da terra, o desafio agora é transmitir esse conhecimento para as próximas gerações no campo. “Hoje a sucessão tem um olhar diferente. O sucessor muitas vezes pensa mais no curto prazo. Mas estamos trabalhando para mostrar que esse cuidado com o solo precisa continuar”, diz Sedovski.
Quando o plantio de soja começou, em meados de setembro do ano passado, secas prolongadas e precipitações abaixo da média desafiaram os agricultores do Centro-Oeste. No Rio Grande do Sul, onde a semeadura ocorreu mais tarde, a estiagem vem consolidando perdas reais na safra mês a mês.
“O final da lavoura é só quando o grão está no armazém. Enquanto está no campo não quer dizer nada, só está indicando que pode ter uma boa produção”, afirma Mauro Osaki, pesquisador do Cepea.
Até o momento, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indica que 50,6% da área de soja 2025/26 em todo o Brasil já foi colhida. Segundo Osaki, a falta de estrutura de armazenagem no país também aumenta a vulnerabilidade da produção, especialmente em períodos de clima instável.
“O Brasil cresce muito no campo, mas não consegue crescer na parte estrutural. Falta armazém, e muitas vezes a produção fica exposta”, diz.
Tendências para o mercado de soja se mantêm
No mercado agrícola, os números caminham próximos das projeções feitas anteriormente pelo Cepea. Para Osaki, o comportamento dos preços e da produtividade indica um cenário semelhante ao esperado no estudo divulgado no ano passado.
“A gente projetava, por exemplo, um preço médio para março em torno de R$ 101 a saca em Sorriso. Hoje estamos falando [de um valor] muito próximo disso”, pontua.
De acordo com ele, mesmo com preços abaixo do esperado em alguns momentos, a produtividade um pouco maior pode ajudar a compensar parte das perdas. “Então, em termos de receita bruta, uma coisa acaba compensando a outra”, observa Osaki.
Em termos de rentabilidade, o pesquisador destaca que a tendência é que os produtores consigam saldar os custos operacionais efetivos.
Guerra no Irã pode mexer com o cenário
Além dos fatores internos, o cenário internacional também adiciona incerteza ao mercado agrícola.
No fim de fevereiro, um ataque coordenado de Israel e Estados Unidos contra o Irã escalou para intensos bombardeios no Oriente Médio. Um dos impactos mais fortes inclui o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% de todo o petróleo do mundo.
Segundo Osaki, conflitos geopolíticos podem afetar diretamente custos logísticos, energia e o comportamento dos compradores no comércio global de grãos.
“Cada dia aparece uma notícia diferente sobre o conflito. Isso significa menor oferta de petróleo e de gás natural, o que pode levar a uma energia mais cara”, afirma.
Na avaliação do pesquisador, essa alta tende a se refletir no custo dos combustíveis e do transporte, pressionando toda a cadeia. A preocupação mais latente se concentra no potencial aumento do diesel, que é amplamente utilizado na produção agrícola.
Contudo, segundo Osaki, os impactos não devem aparecer na safra que está sendo colhida neste momento. Além disso, a incerteza também pode afetar o ritmo de compras no mercado internacional.
“Para essa soja que está sendo colhida agora, o impacto ainda é pequeno. A maior parte do combustível já estava planejada”, diz.
Alerta segue para o Rio Grande do Sul
Apesar de a safra brasileira caminhar para bons volumes em várias regiões, o cenário segue preocupante no Rio Grande do Sul. Na avaliação de Osaki, a estiagem recorrente tem pressionado a rentabilidade dos produtores.
“São vários anos seguidos de problemas climáticos, e isso vai deteriorando a situação financeira do produtor”, aponta.
Segundo o pesquisador, a sequência de perdas tende a acelerar um processo de reorganização no setor, com maior concentração da produção nas mãos de produtores que conseguem sustentar os investimentos.
Pequenos e médios agricultores, por outro lado, podem não conseguir se manter na atividade.
O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avalia suspender temporariamente as exigências da centenária lei sobre transporte marítimo, conhecida como Jones Act, para garantir que as remessas de energia e agrícolas possam circular livremente entre os portos dos EUA, disse a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, nesta quinta-feira.
A medida seria uma tentativa de combater as interrupções de fornecimento relacionadas à guerra dos EUA e de Israel com o Irã.
“No interesse da defesa nacional, a Casa Branca está considerando suspender a Jones Act por um período limitado de tempo para garantir que produtos vitais de energia e produtos agrícolas essenciais fluam livremente para os portos dos EUA”, disse Leavitt em um comunicado.
“Essa ação ainda não foi finalizada”, acrescentou.
O anúncio de uma isenção de 30 dias poderia ser feito já nesta quinta-feira, disseram à Reuters duas fontes familiarizadas com a iniciativa, e teria como objetivo combater a alta dos preços dos combustíveis e outras interrupções desde o início da guerra.
Os altos preços da gasolina acarretam riscos políticos significativos para Trump e seus pares republicanos, que há muito argumentam que suas políticas de energia manteriam o combustível acessível para os consumidores norte-americanos.
Um aumento sustentado nos preços nas bombas poderia minar essa mensagem e alimentar as críticas dos democratas de que o governo não conseguiu proteger as famílias dos custos mais altos, principalmente porque os eleitores continuam sensíveis à inflação antes das eleições legislativas de meio de mandato em novembro.
Os preços médios nacionais de varejo da gasolina nos EUA atingiram US$ 3,60 o galão nesta quinta-feira, pela primeira vez desde maio de 2024, enquanto os preços do diesel atingiram US$ 4,89 o galão, o mais alto desde dezembro de 2022, segundo dados da associação de motoristas AAA.
Trump tem analisado ideias para domar os preços da energia, mas analistas e especialistas em energia dizem que ele tem poucas opções significativas enquanto o Irã continuar a atacar navios petroleiros no Estreito de Ormuz, a estreita via navegável na costa do Irã pela qual cerca de um quinto do petróleo do mundo normalmente flui.
De acordo com a Jones Act, as mercadorias transportadas entre portos dos EUA devem ser levadas por embarcações construídas e com bandeira dos EUA e, em sua maioria, de propriedade dos EUA. Essa exigência limita drasticamente o número de navios-tanque disponíveis para remessas domésticas.
A isenção temporária da regra permitiria que navios estrangeiros transportassem combustível entre os portos dos EUA, o que poderia reduzir os custos de transporte e acelerar as entregas.
A isenção da Jones Act não terá um grande impacto sobre os preços da gasolina, mas poderá ajudar a desacelerar os aumentos em regiões que dependem de importações, como a Costa Oeste e o Nordeste, de acordo com Patrick De Haan, analista da GasBuddy, empresa de monitoramento de preços de combustíveis.
A Petrobras informou nesta sexta-feira (13) que vai reajustar o preço de venda do diesel A para as distribuidoras a partir deste sábado (14). O aumento será de R$ 0,38 por litro.
Considerando a mistura obrigatória de 85% de diesel A e 15% de biodiesel, o reajuste corresponde a R$ 0,32 por litro sobre o diesel B vendido nos postos.
Após o ajuste, o preço médio do diesel A comercializado pela companhia para as distribuidoras passará a R$ 3,65 por litro. A participação da Petrobras no valor do diesel B vendido ao consumidor final será, em média, de R$ 3,10 por litro.
Segundo a empresa, o último ajuste no preço do diesel para as distribuidoras ocorreu há 311 dias, em 6 de maio de 2025, quando houve redução.
O último aumento havia sido registrado em 1º de fevereiro de 2025.
Mesmo com a atualização anunciada, a Petrobras afirma que, no acumulado desde dezembro de 2022, o preço do diesel A vendido às distribuidoras apresenta redução de R$ 0,84 por litro. O recuo corresponde a 29,6%, considerando a inflação do período.
Tributos federais
De acordo com a companhia, o impacto do reajuste para o consumidor é atenuado pela desoneração de tributos federais.
O Governo Federal do Brasil zerou as alíquotas de PIS e Cofins sobre a comercialização de diesel.
A exportação de ovos brasileiros em fevereiro teve uma pequena queda em relação ao mês anterior, segundo o Cepea, o recuo foi de 5%. Apesar disso, o segundo mês de 2026 registrou volumes superiores aos do mesmo período de 2025. Os números indicam crescimento de 16% em relação ao ano anterior e representam o maior volume para esse intervalo desde 2013.
A queda de um mês para o outro neste início de ano não chega a preocupar o mercado, já que o desempenho das exportações é considerado acima da média para o período. Os volumes registrados nos últimos dois meses são considerados históricos, com resultados que não eram observados há mais de uma década.