A produção industrial brasileira registrou leve alta de 0,1% em outubro de 2025, na comparação com setembro, interrompendo a queda de 0,4% vista no mês anterior. Apesar da oscilação positiva, o setor ainda mostra dificuldade para ganhar tração.
Segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada nesta terça-feira (2) pelo IBGE, a indústria opera 2,4% acima do nível pré-pandemia, mas permanece 14,8% abaixo do recorde histórico alcançado em maio de 2011.
Na comparação com outubro de 2024, o setor voltou ao campo negativo e registrou queda de 0,5%. Mesmo assim, o acumulado de 2025 ainda é positivo: alta de 0,8% no ano e de 0,9% nos últimos 12 meses. O instituto ressalta, porém, que o crescimento perdeu força em relação aos meses anteriores.
Três das quatro grandes categorias econômicas e 12 dos 25 ramos industriais pesquisados avançaram na passagem de setembro para outubro.
O destaque foi o setor de indústrias extrativas, com alta de 3,6%. Segundo o gerente da pesquisa, André Macedo, o resultado foi impulsionado pelo aumento na extração de petróleo, minério de ferro e gás natural. “O avanço eliminou a perda de 1,7% acumulada entre agosto e setembro”, afirmou o pesquisador.
Outros setores que contribuíram para o desempenho positivo:
Produtos alimentícios: +0,9%
Veículos automotores, reboques e carrocerias: +2,0%
Produtos químicos: +1,3%
Informática, eletrônicos e ópticos: +4,1%
Confecção de vestuário: +3,8%
Farmacêuticos e derivados de petróleo pressionam negativamente
Entre os 13 setores que registraram queda, dois tiveram maior peso no resultado geral:
Coque, derivados de petróleo e biocombustíveis: –3,9%
Produtos farmoquímicos e farmacêuticos: –10,8%
Segundo Macedo, o recuo do setor de petróleo foi influenciado por paralisações em unidades produtivas, reduzindo a oferta de derivados. Já o setor farmacêutico acumula perda de 19,8% em dois meses, após forte expansão entre maio e agosto (+28,6%).
A produção de silagem por meio do consórcio de milho e capim, conhecido como Sistema Santa Fé, é uma estratégia altamente eficiente para a pecuária brasileira. Essa técnica garante volumoso para o período da seca e já estabelece a pastagem no mesmo ciclo.
A dúvida da fazendeira Hosana Gonçalves, de São Paulo, sobre quais culturas e manejos utilizar foi respondida pelo zootecnista Josmar Almeida. Ele detalhou os requisitos para o sucesso dessa técnica, recomendando o consórcio do milho com espécies de braquiárias.
Essa combinação é ideal porque a silagem de milho garante o aporte energético, enquanto a braquiária é o capim mais adequado para o estabelecimento da pastagem, que estará formada logo após a colheita do milho.
Confira:
Requisitos para o sucesso da técnica
O sucesso da silagem de milho e capim no Sistema Santa Fé depende de um requisito crucial na escolha da variedade do milho e do manejo do capim: é fundamental que a variedade de milho escolhida seja resistente ao glifosato.
O motivo é técnico: após a terceira ou quarta folha do milho, o produtor precisará aplicar o glifosato para reduzir o crescimento do capim e garantir um melhor estabelecimento da cultura de milho.
Embora a pergunta do criador tenha focado no milho e capim, o sorgo forrageiro e o milheto também são culturas indicadas para a produção de silagem. O sorgo é uma excelente opção para áreas com restrição hídrica, pois é mais resistente que o milho, enquanto o milheto é uma boa alternativa para a safrinha e para a produção de volumoso com ciclo curto.
Importância da silagem
A silagem deve ser vista como uma técnica de conservação que otimiza o uso da terra. A dica essencial é que, no consórcio (milho + braquiária), a silagem deve ser feita de um material que seja resistente ao glifosato.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) elevou a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil para 2025, mas vê perda de fôlego na virada do ano e mantém o alerta sobre inflação resistente e necessidade de aperto fiscal. Em relatório divulgado nesta terça-feira, 2, a entidade projeta expansão de 2,4% em 2025 e 1,7% em 2026, números ligeiramente maiores que os estimados em junho, de 2,1% e 1,6%, respectivamente. A melhora reflete sobretudo a forte safra agrícola, prevista para crescer 17%, e o impulso do consumo das famílias, apoiado pelo mercado de trabalho aquecido: o desemprego caiu a 5,6%, mínima histórica, e a renda real avança mais de 3%, pontua a OCDE.
Apesar disso, os dados recentes apontam desaceleração, destaca a entidade. O índice de atividade recuou 1,8% desde abril, e vendas do varejo e produção industrial voltaram a cair em setembro. A confiança empresarial também se enfraqueceu. Para a OCDE, o investimento deve perder força em 2026, pressionado por juros elevados, incerteza global e tarifas dos EUA sobre exportações brasileiras, cujo impacto ainda é limitado graças à diversificação de mercados.
Outro ponto ressaltado é a inflação, que segue acima da meta. O IPCA deve ficar em 5,1% em 2025, ante previsão anterior de 5,7%, recuando para 4,2% em 2026 (ante projeção anterior de 5%) e para 3,8% em 2027. Energia elétrica, alimentos e serviços continuam entre os principais vetores de pressão inflacionária, diz a OCDE. O documento destaca que expectativas para 2026 e 2027 permanecem acima do centro da meta, de 3%.
Com esse quadro, a política monetária permaneceu dura: o Banco Central levou a Selic a 15% em julho, de 11,25% no fim de 2024. A expectativa é que o afrouxamento comece apenas em 2026, com trajetória gradual até cerca de 10,5% em 2027, aponta a organização. O relatório destaca que um mercado de trabalho apertado e a combinação de salários em alta e déficit fiscal ainda pressionam preços, exigindo manutenção de uma postura “restritiva por mais tempo”.
No campo fiscal, a OCDE vê risco elevado ao cumprimento das metas. O déficit segue “expressivo”, e a dívida bruta – hoje em 77,7% do PIB – deve continuar crescendo. A organização projeta que o indicador avançará para 80,1% em 2026 e 82,2% em 2027. Em junho, as projeções já apontavam deterioração, mas em ritmo ligeiramente menor: a dívida subiria de 76,5% em 2024 para 78,2% em 2025 e 82,2% em 2026. A instituição reforça que será necessário esforço adicional de consolidação, sobretudo no controle de gastos obrigatórios, para manter a dívida em trajetória sustentável. Uma eventual frustração das metas poderia ampliar a incerteza e prejudicar o investimento.
O desenvolvimento de um novo ciclone no Sul do Brasil deve provocar um período de chuvas intensas e tempestades no início da semana, segundo informações do Meteored. De acordo com a previsão, “o mês de dezembro vai iniciar com a formação de um novo ciclone entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai”, cujo desenvolvimento está previsto entre a noite de segunda-feira, 1º de dezembro, e a madrugada de terça-feira, 2.
O sistema será acompanhado por uma frente fria e deve gerar riscos de precipitações fortes nas Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. No primeiro dia do mês, uma baixa pressão atmosférica começará a provocar instabilidades nos três estados do Sul, com exceção do extremo norte do Paraná, e também em áreas do Mato Grosso do Sul. Conforme o Meteored, “não há previsão de evento severo, mas sim riscos de tempestades isoladas” e possíveis transtornos, como alagamentos pontuais.
Durante a noite de segunda-feira, o ciclone passa a se organizar entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai, concentrando as chuvas no Sul, porém sem previsão de impactos significativos. Na manhã de terça-feira, já estabelecido sobre o oceano Atlântico e próximo à costa sul-brasileira, o sistema direciona as instabilidades para o sul da Região Centro-Oeste, São Paulo, sul de Minas Gerais e norte do Paraná. Nesses locais, as precipitações podem ocorrer com intensidade moderada e acompanhadas por temporais. No norte do Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, devem ocorrer apenas chuvas fracas e isoladas.
A intensidade aumenta no período da tarde, quando as chuvas passam a atingir também o Mato Grosso, o Mato Grosso do Sul, o sul de Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro, sul de Minas Gerais e o Paraná. O Meteored aponta risco de tempestades, queda de granizo e transtornos como alagamentos. No litoral catarinense, são previstas chuvas fracas e maior nebulosidade. À noite, as instabilidades perdem força, tornando-se mais restritas ao Centro-Oeste e a Minas Gerais.
Na quarta-feira, 3 de dezembro, a manhã deve registrar chuvas fracas a moderadas em pontos isolados do Centro-Oeste, São Paulo e Minas Gerais. No entanto, a partir da tarde, a frente fria aumenta a umidade na região central do país e reforça a ocorrência de precipitações intensas, sobretudo no Sudeste e Centro-Oeste. “Especialmente no Espírito Santo”, afirma o Meteored, há possibilidade de tempestades, queda de granizo e novos transtornos.
A Região Sul, porém, já não estará mais sob influência direta do sistema, com previsão de tempo firme, nebulosidade variável e períodos de sol, além de chuvas fracas apenas no litoral. A projeção de acumulados até a noite de quarta-feira indica volumes distribuídos pelo centro-sul do país, com maiores registros no Mato Grosso, no centro-sul do Mato Grosso do Sul e no sudeste de Minas Gerais, onde podem alcançar 80 milímetros.
Produtor! Abre o olho, porque o que eu vou te contar hoje não é achismo de WhatsApp nem previsão de guru de Instagram. É um número frio, vindo de quem acompanha o mercado de perto: IBGE, Cepea, Conab, Safras & Mercado, Itaú BBA e até o que o pessoal está falando nos leilões físicos e virtuais. E o recado é um só: nos próximos 4 a 6 meses, o boi gordo vai ficar mais caro. Muito mais caro.
E o melhor: você, pecuarista, tem o poder de lucrar como há muito tempo não se via, desde que entenda o jogo e não caia na armadilha de vender tudo agora achando que “já subiu bastante”.
Vamos por partes, como quem explica pro vizinho no bar do sindicato.
O ciclo virou, e virou de verdade durante quatro anos a gente abateu fêmea que nem louco. Resultado? Rebanho encolhendo e abate em 2025 já caindo 5,6% (quase 2 milhões de cabeças a menos). Em 2026, a queda prevista é de 7,5%. Traduzindo: tem menos boi gordo chegando no gancho todo santo dia. Quem segurou matriz e novilha em 2024 e 2025 está rindo à toa. Quem não segurou… vai ter que comprar bezerro entre R$ 3.800 e R$ $4.200 em 2026 para repor.
A China não largou o osso de janeiro a outubro exportamos 2,79 milhões de toneladas, 16,6% a mais que em 2024. Ela sozinha levou 53,7%. E sabe o que aconteceu com a tarifa americana de 50%? O boi que ia pros EUA foi redirecionado para a Ásia. Resultado: menos carne sobrando no mercado interno. Em 2026, a produção brasileira de carne bovina deve cair para 10,37 milhões de toneladas. Disponibilidade para brasileiro? Apenas 51,3 kg/ano. É o menor volume em anos.
A arroba já bateu R$ 340 e ainda tem fôlego Em São Paulo, a referência está entre R$ 335 e R$ 340 para o boi China. Tem região pagando R$ 345–R$ 350 no boi precoce. E o varejo? Cortes de primeira já passaram dos R$ 60/kg em várias capitais. O consumidor reclama, mas continua comprando, o emprego está baixo (5,4%) e o churrasco de fim de semana ainda é sagrado.
O que esperar de dezembro 2025 até março 2026?
Dezembro: tradicional alta de fim de ano + menor oferta de pasto = arroba testando R$ 350–R$ 360 em SP.
Janeiro/Fevereiro: período crítico de seca + abate de fêmeas menor = oferta ainda mais curta. Março: entrada da safra de pasto pode dar uma aliviada… mas só um pouco. A maioria dos analistas aposta em arroba entre R$ 370 e R$ 400 até o meio do ano.
O que você, pecuarista, precisa fazer AGORA :
a) Segure o boi gordo que tiver condição. Cada arroba a mais vale ouro nos próximos 90 a 120 dias.
b) Trave preço no mercado futuro ou faça parcerias com frigoríficos. Tem planta oferecendo bônus de R$ 15 a R$ 20 sobre a referência para entrega em fevereiro/março.
c) Continue segurando fêmea. O bezerro em 2027/2028 vai valer muito mais do que hoje.
d) Cuidado com o boi magro. O repasse da alta da arroba para o magro já começou. Quem comprar bezerro agora vai pagar caro e engordar caro.
Produtor, esse é aquele momento que aparece uma vez a cada 8 a 10 anos: o ciclo está do seu lado. Não é o governo, não é o frigorífico, não é o varejo que está mandando no preço agora. É a lei da oferta e da procura, e a oferta está minguando.
Então respira fundo, faz as contas no papel, conversa com seu técnico e com o comprador que você confia, e toma a decisão certa.
Porque, como diz o velho ditado da pecuária: “Quem vende boi no fundo do poço chora. Quem vende no topo do ciclo conta dinheiro até cansar.”
E o topo do ciclo, meu amigo, está chegando.
“O boi tá do seu lado, companheiro… agora é só não fazer aquele show de mágica clássico: pisar no próprio casco , dá três cambalhotas para trás, chutar o balde de dinheiro pro meio do curral e ainda levar um coice da vaca que você vendeu baratinho ano passado!”
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
Estimado usuário. Preencha o formulário abaixo para remeter a página.
Foto: Pixabay
A produção de rúcula mantém ritmo estável em propriedades da região administrativa da Emater/RS-Ascar de Lajeado, conforme aponta o Informativo Conjuntural divulgado na quinta-feira (27). Em Feliz, poucos produtores seguem investindo no cultivo em estufas para atender a um mercado já consolidado. Segundo o boletim, “são 10 ciclos de cultivo sucessivos por ano”, e o crescimento vegetativo está adequado devido às condições de clima ameno e úmido.
O excesso de umidade elevou a incidência de míldio e favoreceu a queima das folhas. Entretanto, o manejo preventivo e a ventilação das estufas têm assegurado a manutenção da qualidade. De acordo com o documento, “as folhas colhidas apresentam coloração verde intensa e boa aceitação de mercado”. A rúcula é comercializada em redes de supermercado e na Ceasa de Porto Alegre, com preços entre R$ 8,00 e R$ 10,00 a dúzia.
Em Vale Real, o cultivo também ocorre em ambiente protegido. A Emater/RS-Ascar relata que as plantas apresentam desenvolvimento adequado e condições fitossanitárias consideradas satisfatórias. A demanda permanece elevada, com registros de venda a R$ 15,00 a dúzia na Ceasa e entre R$ 25,00 e R$ 30,00 no comércio local.
No morning call de hoje, a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, comenta que o dólar fechou em R$ 5,35 com pressão sazonal por remessas e desempenho inferior do real frente a outras emergentes.
O Ibovespa recuou após realização no setor financeiro, apesar da alta do petróleo e minério. Lá fora, bolsas de NY caíram com bancos e criptomoedas, e o iene se valorizou após sinal do Banco do Japão. Hoje, destaque para a produção industrial no Brasil e inflação na Zona do Euro.
Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.
Uma frente fria decorrente de um ciclone extratropical deve levar chuva forte para áreas do Sul e Sudeste do país. Nas demais regiões, também haverá registro de precipitações, mas com tempo que permanece abafado. Confira:
Você quer entender como usar o clima a seu favor?Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.
Sul
A atuação de um ciclone na costa do Rio Grande do Sul e sua frente fria associadas provocam pancadas de chuva em boa parte da Região. A chuva é irregular, mas pode ocorrer com moderada a forte intensidade na serra e nordeste gaúcho, faixa leste de Santa Catarina e no leste e noroeste do Paraná. Nas demais áreas a chuva ocorre na forma de pancadas com menor intensidade. No oeste e na campanha gaúcha o tempo firme predomina. Rajadas moderadas de vento podem ocorrer a qualquer hora na metade leste dos três estados, enfraquecendo ao final do dia. As temperaturas ficam altas, especialmente no norte e noroeste paranaense.
Sudeste
A frente fria chega à costa da Região Sudeste, deixando o tempo mais nublado e com pancadas de chuva a qualquer hora em São Paulo, podendo ser mais forte a partir da tarde. No Rio de Janeiro e na metade sul de Minas Gerais, as pancadas ocorrem entre a tarde e a noite, com intensidade moderada a localmente forte. No Espírito Santo e nordeste mineiro, o sol predomina. As temperaturas vão seguir altas pela Região com sensação de abafamento.
Centro-Oeste
A chuva se espalha por todos os estados da Região. Em Mato Grosso do Sul e na metade oeste de Mato Grosso o tempo fica mais nublado e com chuva que pode ocorrer a qualquer momento, com moderada a forte intensidade; não se descarta a ocorrência de temporais isolados. Em Goiás, o sol aparece em alguns momentos, mas as pancadas estão previstas a qualquer hora podendo ser localmente fortes. As temperaturas permanecem altas pela Região.
Nordeste
Chove em forma de pancadas na metade sul do Maranhão e do Piauí, além do oeste da Bahia. Nessas áreas a chuva pode vir com até forte intensidade em pontos isolados. Nas demais áreas da Região, o dia será de sol entre poucas nuvens e temperaturas elevadas. A umidade do ar permanece atingindo níveis críticos no sertão e agreste nordestino. Pancadas rápidas e isoladas podem ocorrer no litoral do Ceará e do Rio Grande do Norte até Alagoas.
Norte
Sol alternando com períodos de chuva, que podem ser fortes no Acre, em grande parte do Amazonas, Rondônia, Tocantins e metade sul do Pará, onde não se descartam temporais isolados. No norte paraense e no Amapá, o predomínio é de tempo firme, enquanto em Roraima as pancadas são mais isoladas. A sensação de abafamento persiste em toda a Região.
O Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar na quinta-feira (27) aponta avanço uniforme no desenvolvimento dos vinhedos no Rio Grande do Sul, com variações conforme a região e a finalidade produtiva.
Na área administrativa de Caxias do Sul, a Emater informa que os vinhedos da variedade Vênus cultivados na Costa do Rio das Antas, em Bento Gonçalves, estão na fase inicial de maturação. Segundo o boletim, “a previsão de início de colheita dos primeiros cachos para o consumo in natura é em início de dezembro”. A instituição destaca que a sanidade dos parreirais é considerada satisfatória, embora haja registros pontuais de míldio e botritis. Os agricultores concentram o manejo na desfolha e na poda verde, sobretudo nas variedades voltadas à produção de vinhos.
Em Frederico Westphalen, as videiras apresentam diferentes estágios. De acordo com o informativo, a variedade Vênus está “em plena maturação e colheita”, enquanto cultivares como Bordô, Niágara Rosada e Niágara Branca encontram-se em compactação de cachos. Outras variedades, como Seyve Villard, Carmem, Lorena e Itália, estão entre a fase de baga “ervilha” e o início da compactação. A Emater ressalta que há monitoramento constante de doenças típicas da primavera, como míldio, oídio e podridão-da-uva-madura. A variedade Vênus é comercializada a R$ 6,00 o quilo.
Na região de Santa Rosa, a cultura apresenta carga elevada de cachos e bagas bem formadas. O informativo registra ocorrência de antracnose e míldio, especialmente na Niágara Branca. Conforme a Emater, produtores experientes realizaram controle de inverno com calda sulfocálcica e seguem com aplicações de fungicidas e produtos cúpricos. A expectativa regional é de boa safra.
Na área de Soledade, as videiras estão em formação de bagas, com manejos voltados ao controle de antracnose e escoriose, favorecidas pelas noites frias. Em Encruzilhada do Sul, os vinhedos destinados à produção de vinhos finos e espumantes apresentam alto potencial produtivo. Segundo o boletim, isso ocorre “em razão das condições climáticas favoráveis”. O manejo fitossanitário segue calendário rigoroso, principalmente para as uvas europeias, mais suscetíveis a doenças fúngicas.
Um estudo inédito da Embrapa Cerrados (DF) revelou que ajustar o momento da irrigação no trigo pode reduzir pela metade as emissões de gases de efeito estufa (GEEs) sem comprometer a produtividade. A pesquisa identificou que o ponto de equilíbrio ideal ocorre quando as plantas utilizam 40% da água disponível no solo, resultado que promete transformar o manejo do trigo irrigado em regiões tropicais, especialmente no Cerrado — área estratégica para a expansão da cultura no Brasil.
Publicado na revista Sustainability (MDPI), o estudo avaliou pela primeira vez como diferentes estratégias de irrigação afetam a produtividade do trigo, o uso da água, a emissão de gases como óxido nitroso (N₂O) e metano (CH₄), além da atividade biológica do solo.
O trabalho oferece um novo caminho para tornar a produção irrigada mais eficiente e ambientalmente responsável em um cenário de mudanças climáticas.
O ponto ideal: 40% da água do solo
Durante dois anos de experimentos, os pesquisadores compararam quatro níveis de depleção de água no solo: 20%, 40%, 60% e 80%. A reposição da água após o uso de 40% da capacidade de água disponível (CAD) mostrou-se o ponto de equilíbrio — garantindo a maior produtividade (6,8 t/ha) e as menores emissões de óxido nitroso, gás quase 300 vezes mais potente que o CO₂.
Segundo a pesquisadora Alexsandra Oliveira, responsável pelo estudo, essa faixa de umidade no solo proporcionou “o melhor índice de Potencial de Aquecimento Global (PAG)”, reduzindo em 41% as emissões quando comparada ao cenário de irrigação após o uso de 60% da CAD, que apresentou o maior pico de N₂O e o PAG mais elevado (1.185,8 kg de CO₂ equivalente).
“Irrigar no momento certo altera radicalmente a intensidade das emissões de gases de efeito estufa”, afirma Oliveira. “Manter a umidade intermediária, próxima dos 40%, oferece o melhor equilíbrio entre produtividade e sustentabilidade ambiental.”
Por que irrigar tarde aumenta emissões?
A explicação está nos chamados ciclos de reumidificação do solo. Quando a terra seca demais e depois recebe uma carga grande de água, ocorre um estímulo às reações microbianas que produzem óxido nitroso. Por isso, irrigar apenas após depleções de 60% ou 80% aumenta significativamente as emissões.
Para explicar bem o experimento, a Embrapa propõe comparar o solo a uma caixa d’água subterrânea. Quando os pesquisadores falam em “depleção de 60%”, significa que essa caixa foi esvaziada em 60%. Irrigar demais desperdiça água, irrigar de menos causa estresse nas plantas.
“O segredo é monitorar a água do solo como se fosse uma caixa d’água subterrânea”, afirma o pesquisador Jorge Antonini. “Quando ela fica muito vazia, as plantas sofrem. Quando enchemos demais, desperdiçamos água e estimulamos emissões.”
Produtividade alta com menor impacto
Os dados mostram que, ao respeitar o limite dos 40%, é possível manter produtividades próximas a 7 t/ha, com melhor uso dos insumos e menor impacto climático. Para Antonini, isso reforça a necessidade da agricultura tropical avançar em precisão hídrica.
“Não é irrigar mais ou menos, é irrigar com precisão. O Cerrado pode produzir trigo competitivo e de baixo impacto climático”, resume.
Metano vira aliado no Cerrado
Outro achado importante do estudo foi o comportamento do metano. Em vez de emitir CH₄, o solo do Cerrado atuou como um dreno natural, absorvendo o gás da atmosfera nas condições ideais de irrigação — algo raro em sistemas irrigados.
Isso ocorre porque os solos tropicais apresentam boa drenagem, alta aeração e ausência de encharcamento, favorecendo microrganismos que consomem metano.
Como o estudo foi conduzido
O experimento ocorreu entre 2022 e 2024 em Planaltina (DF), em sistema de plantio direto com sucessão soja–trigo, modelo comum entre produtores da região. O monitoramento da umidade foi feito com sondas instaladas a 70 cm de profundidade, enquanto as emissões foram quantificadas por câmaras estáticas, método adotado pelo IPCC.
As cultivares usadas foram BRS 4782 RR (soja) e BRS 264 (trigo), amplamente adotadas no Cerrado.
Impactos para a agricultura sustentável
O trigo irrigado já ocupa mais de 30 mil hectares no Cerrado e é uma alternativa para reduzir a dependência das importações. Segundo os pesquisadores, a descoberta reforça que é possível combinar alta produtividade com baixa emissão, marcando um passo importante para a agricultura tropical de baixo carbono.
“Ajustar o momento da irrigação otimiza o uso da água e do nitrogênio, garantindo rendimento elevado e menor impacto ambiental”, destaca Oliveira.
A equipe continuará avaliando o efeito da irrigação em outras culturas tropicais — como milho, café e soja — para ampliar a adoção de práticas clim smart no campo.