Uma produção robusta em 2025 e condições climáticas estáveis em 2026 que permitam outra safra volumosa devem manter os preços do milho e do trigo sob pressão, segundo a Hedgepoint Global.
“A safra de milho da América do Sul para 2025/26 está em desenvolvimento e, se o clima for favorável, podemos ver aumentos no Brasil e na Argentina, dado o avanço das áreas plantadas com o cereal nesta nova temporada”, afirmou a empresa em nota.
A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indica que a semana será marcada por extremos climáticos no Brasil, com destaque para chuvas intensas no Sul e acumulados elevados em áreas do Norte e do Centro-Oeste, enquanto grande parte do Nordeste e do Sudeste segue sob tempo seco e baixa umidade do ar.
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No Sul do país, a passagem frequente de sistemas transientes deve provocar tempestades ao longo de toda a semana. No Rio Grande do Sul, especialmente nas faixas oeste e central do estado, os acumulados de chuva podem ultrapassar os 200 mm em sete dias, com possibilidade de volumes ainda maiores em pontos isolados. Santa Catarina também deve registrar chuvas significativas, com acumulados que podem chegar a 150 mm no período. O Inmet alerta para o risco de tempo severo, com raios, rajadas de vento, trovoadas e queda de granizo, principalmente entre os dias 23, 25 e 26, quando há previsão de acumulados superiores a 100 mm em poucas horas em áreas do território gaúcho. No Paraná, o cenário é mais seco, com chuva fraca e isolada.
Norte e Centro-Norte
Na Região Norte, a confluência de umidade favorece chuvas volumosas principalmente no sul e leste do Amazonas, sudoeste do Pará, norte do Amapá e áreas de transição entre Amazonas, Mato Grosso e Pará. Nessas regiões, os acumulados podem variar entre 80 mm e 150 mm em sete dias, com destaque para o sudeste do Amazonas e o sudoeste do Pará. No nordeste do Amapá, a proximidade da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) também contribui para volumes elevados.
Por outro lado, no sul do Amapá, norte do Pará e em Roraima, a previsão é de pouca chuva ao longo da semana, com apenas pancadas rápidas e localizadas. A umidade relativa do ar permanece elevada na maior parte da Região Norte, acima de 60%, mas pode cair para níveis entre 40% e 50% no norte do Pará e em Roraima.
Nordeste segue com tempo seco
Em praticamente todo o Nordeste, a semana será de ausência de chuvas, com exceção de áreas do Maranhão, Piauí e do centro-sul da Bahia, onde podem ocorrer pancadas isoladas e de baixo volume. A região também deve enfrentar baixos índices de umidade relativa do ar, especialmente no interior do Piauí, Ceará, Paraíba e Pernambuco, com valores entre 15% e 30% e, pontualmente, abaixo de 15%, o que exige atenção para a saúde e para o risco de incêndios.
Centro-Oeste
No Centro-Oeste, a previsão aponta para chuvas mais volumosas em Mato Grosso, sobretudo no norte do estado e em áreas próximas à divisa com o Amazonas e o Pará, onde os acumulados podem superar 100 mm em sete dias. Também há previsão de chuva significativa no oeste de Goiás, principalmente nos primeiros dias da semana. Nas demais áreas de Mato Grosso e Goiás, os volumes devem ficar entre 20 mm e 50 mm. Em Mato Grosso do Sul, o tempo segue mais seco, sem previsão de chuva expressiva.
A umidade relativa do ar tende a ficar mais elevada nas áreas com chuva, entre 70% e 85%, enquanto em Mato Grosso do Sul e no sudeste de Goiás, incluindo o Distrito Federal, os índices podem cair para a faixa de 30% a 50%.
Sudeste com calor e baixa umidade
No Sudeste, o Inmet prevê predomínio de tempo seco ao longo da semana, com ausência de chuvas significativas, exceto por pancadas isoladas e de curta duração. A atuação de uma área de alta pressão em níveis médios e altos da atmosfera dificulta o avanço de frentes frias e inibe a formação de nuvens de grande desenvolvimento vertical.
Esse padrão favorece a elevação das temperaturas e a redução da umidade relativa do ar, que deve variar entre 30% e 45% na maior parte da região. Apenas o extremo norte do Espírito Santo pode registrar índices acima de 50% nos primeiros dias da semana.
A recomendação do Inmet é de atenção redobrada nas áreas com previsão de chuvas intensas, especialmente no Sul do país, e de cuidados com a baixa umidade do ar nas regiões mais secas.
O Brasil concluiu negociações fitossanitárias que ampliam o acesso de produtos do agronegócio a quatro mercados estratégicos: Marrocos, Iraque, Singapura e Argentina. As autorizações envolvem feno, destinado à alimentação animal, e bulbos de cebola, fortalecendo a presença brasileira na África, na Ásia e na América do Sul.
As negociações foram conduzidas de forma conjunta pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE). Com os novos anúncios, o país soma 525 aberturas de mercado desde o início de 2023, segundo dados oficiais do governo federal.
As liberações são resultado de acordos técnicos entre autoridades sanitárias brasileiras e dos países importadores. O processo envolveu análise de risco, definição de protocolos e alinhamento regulatório para garantir a segurança dos produtos exportados.
Feno amplia presença em mercados dependentes de forragem
Marrocos, Iraque e Singapura autorizaram a importação de feno brasileiro. O produto é utilizado como insumo básico na alimentação animal e tem papel estratégico em sistemas pecuários que dependem de oferta regular de forragens.
Esses mercados já mantêm fluxo relevante de comércio com o Brasil. Em 2024, as exportações brasileiras para os três destinos somaram cerca de US$ 3,8 bilhões. O Iraque respondeu pela maior parcela desse total, com compras próximas de US$ 1,78 bilhão em produtos do agronegócio.
A liberação do feno amplia o portfólio exportado e cria novas oportunidades para produtores e empresas brasileiras voltadas ao fornecimento de insumos pecuários, especialmente em regiões com limitações climáticas para produção local de forragem.
Bulbos de cebola avançam no mercado argentino
No caso da Argentina, a autorização se refere à exportação de bulbos de cebola. A aprovação fitossanitária permite o envio do material para o país vizinho, ampliando o comércio de insumos agrícolas entre os dois mercados.
A Argentina já figura entre os destinos relevantes das exportações agropecuárias brasileiras. O país importou mais de US$ 1,5 bilhão em produtos do setor, com destaque para cacau e derivados, café e carnes.
A abertura para os bulbos de cebola reforça a integração regional e cria alternativas comerciais para produtores brasileiros, especialmente em períodos de maior oferta interna.
A semeadura de soja no Brasil atingiu, no sábado, 20 de dezembro, 97,6% da área prevista para a safra 2025/26, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O avanço foi de 3,5 pontos porcentuais em relação à semana anterior, quando o plantio estava em 94,1%.
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Em comparação ao mesmo período da safra 2024/25, quando 97,8% da área já havia sido plantada, há um ligeiro atraso de 0,2 ponto porcentual, mas frente à média dos últimos cinco anos, de 94,9%, os trabalhos estão adiantados.
Plantio de soja por estado
Entre os estados, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná e Goiás já concluíram praticamente 100% do plantio, seguidos por Tocantins, Bahia e Minas Gerais com 99%, Santa Catarina com 91%, o Rio Grande do Sul com 96,6%, o Piauí com 95% e o Maranhão ainda apresenta 54% da área semeada.
Os preços do trigo no mercado brasileiro permaneceram estáveis ao longo da semana de 12 a 18 de dezembro, segundo análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema), divulgada na quinta-feira (18). No Rio Grande do Sul, as principais praças continuaram negociando o cereal entre R$ 54,00 e R$ 55,00 por saca, enquanto no Paraná os valores oscilaram de R$ 64,00 a R$ 66,00. No mesmo período do ano passado, o trigo gaúcho era comercializado entre R$ 65,00 e R$ 66,00, e o paranaense, em torno de R$ 72,00 por saca.
O cenário internacional segue pressionando as cotações. A Ceema aponta uma tendência de ampla disponibilidade de trigo no mercado mundial para a safra 2025/26, o que dificulta movimentos de alta nos preços externos. Além disso, o crescimento do consumo ocorre em ritmo mais lento, contribuindo para a elevação dos estoques globais.
No mercado interno, o relatório de dezembro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisou levemente para cima a estimativa da colheita brasileira recém-encerrada, que passou para 7,9 milhões de toneladas. A área cultivada no país totalizou 2,444 milhões de hectares, o que representa uma redução de 20,1% em relação à safra anterior. Em contrapartida, a produtividade média avançou 26,3%, alcançando 3.257 quilos por hectare, o equivalente a 54,3 sacas por hectare.
De acordo com a Conab, a produção de trigo no Rio Grande do Sul atingiu 3,66 milhões de toneladas, queda de 6% em comparação com a safra passada. A área semeada no estado foi de 1,155 milhão de hectares, recuo de 13,7%, enquanto a produtividade média chegou a 3.172 quilos por hectare, ou 52,9 sacas, crescimento de 8,5% sobre o ciclo anterior. No Paraná, a produção finalizou em 2,778 milhões de toneladas, volume 16% superior ao registrado na safra de 2024. A área cultivada foi de 819 mil hectares, com retração de 28,6%, mas a produtividade saltou 62,5%, atingindo 3.392 quilos por hectare, ou 56,5 sacas.
Apesar da melhora nos rendimentos, a Ceema ressalta que parte do trigo colhido nesta safra apresenta novamente problemas de qualidade, o que limita seu uso para panificação e impacta a formação de preços em determinados mercados.
O IPCA-15, considerado a prévia da inflação, avançou 0,25% em dezembro, conforme dados divulgados nesta terça-feira (23) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou acima do registrado em novembro, quando o índice havia subido 0,20%. Na comparação anual, a taxa também supera a observada em dezembro de 2024, que foi de 0,34%.
Em 2025, o IPCA-15 acumula alta de 4,41%. Com isso, a inflação termina o ano de 2025 dentro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Já o IPCA-E, que corresponde ao índice acumulado no trimestre, foi de 0,63% entre outubro e dezembro, abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior.
Dos nove grupos pesquisados, sete apresentaram alta em dezembro. O principal impacto veio de Transportes, que subiu 0,69% e respondeu pela maior contribuição ao índice mensal.
O resultado foi influenciado, principalmente, pelo aumento das passagens aéreas, que tiveram o maior impacto individual no mês. Também houve pressão do transporte por aplicativo e dos combustíveis, com destaque para o etanol e a gasolina.
Em sentido oposto, os preços do ônibus urbano, metrô e trem recuaram. O movimento reflete políticas de gratuidade aos domingos e feriados e reduções tarifárias em capitais como Belém, Brasília, Curitiba e São Paulo.
O grupo Vestuário também avançou 0,69%, com altas nas roupas infantis, femininas e masculinas, contribuindo de forma moderada para o resultado geral.
Alimentos mantêm comportamento desigual
O grupo Alimentação e bebidas subiu 0,13% em dezembro. A alimentação no domicílio recuou pelo sétimo mês consecutivo, com quedas nos preços do tomate, do leite longa vida e do arroz.
Por outro lado, carnes e frutas registraram aumento e limitaram uma desaceleração mais intensa do grupo. Já a alimentação fora do domicílio apresentou alta, puxada pelos reajustes nos preços das refeições e dos lanches.
Habitação e serviços no radar
O grupo Habitação avançou em dezembro, influenciado por reajustes no aluguel residencial, na água e esgoto e no gás encanado. A energia elétrica residencial apresentou queda, beneficiada pela mudança da bandeira tarifária, apesar de reajustes regionais.
Em Despesas pessoais, houve desaceleração frente a novembro, embora serviços como cabeleireiro, empregado doméstico e pacotes turísticos tenham mantido pressão de alta. Artigos de residência voltou a registrar queda, com recuos em eletrodomésticos e equipamentos eletrônicos.
Inflação regional
Dez das onze áreas pesquisadas apresentaram alta em dezembro. Porto Alegre registrou a maior variação, influenciada por passagens aéreas e energia elétrica. Belém teve o menor resultado, com quedas concentradas em hospedagem e higiene pessoal.
O IPCA-15 considera famílias com renda de um a 40 salários mínimos e utiliza metodologia semelhante à do IPCA, diferenciando-se pelo período de coleta e pela abrangência geográfica.
A raça Santa Gertrudis registrou, em 2025, aumento de 20% na presença de touros em centrais de inseminação no Brasil. O crescimento indica maior procura por genética utilizada na pecuária de corte, especialmente em sistemas de cruzamento industrial.
Ao longo dos últimos meses, novas contratações foram realizadas por centrais, ampliando a oferta de sêmen da raça no mercado nacional.
Destaques genéticos do ano
Entre os animais contratados em 2025 está o Viking 53, da Cabanha 53, de Ruy Barreto, incorporado ao portfólio da CORT Genética Brasil. O touro é mocho natural, foi Reservado Grande Campeão da Expointer 2025 e integra o Top 0,5% do Programa Embrapa Geneplus.
Outro destaque é o Mr. Atalla, da Fazenda Malagueta, de Pedro Mello. Grande Campeão da Expointer e bicampeão nacional, o touro manteve presença nas centrais ao longo do ano e segue como referência da raça.
Segundo o presidente do Conselho Técnico da Associação Brasileira de Santa Gertrudis, Anderson Fernandes, a ampliação do número de touros nas centrais acompanha o movimento do mercado.
“As centrais não contratam um touro apenas por indicação ou por vontade da associação. Elas contratam quando existe procura. Se hoje temos mais touros Santa Gertrudis em central, é porque o mercado está buscando esse sêmen, que vem se destacando principalmente no cruzamento industrial”, afirma.
Ele explica que, além da demanda, os animais precisam atender critérios técnicos definidos pelas centrais. “São touros com avaliação genética positiva, bons índices no programa de melhoramento genético (Geneplus), dados de carcaça, participação em provas de desempenho e características que interessem ao produtor. É a combinação entre demanda e consistência técnica”, diz.
Trabalho de longo prazo
Para o presidente reeleito da Associação Brasileira de Santa Gertrudis para o biênio 2026/2027, Antônio Roberto, os resultados observados em 2025 refletem ações desenvolvidas ao longo dos últimos anos.
“Esse crescimento mostra que o Santa Gertrudis está cada vez mais presente nas decisões dos pecuaristas. A raça entrega produtividade, adaptação e resultado no campo. Seguimos trabalhando para ampliar esse espaço, fortalecer a genética nacional e oferecer soluções reais para a pecuária de corte brasileira”, afirma.
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Entre 2029 e 2032 acontece a transição do ICMS e do ISS para o IBS – Foto: USDA
A discussão sobre quando a reforma tributária começa a afetar efetivamente o arroz e os itens da cesta básica tem ganhado espaço no setor, diante das mudanças previstas no sistema de impostos sobre o consumo. De acordo com análise de Sergio Cardoso, diretor de operações na Itaobi Representações, os efeitos práticos ainda estão distantes e seguem um cronograma gradual definido pela própria reforma.
Até 2026, segundo o cenário atual, nada se altera na tributação do arroz, permanecendo em vigor PIS, Cofins, ICMS e as distorções já conhecidas ao longo da cadeia. Em 2026 ocorre apenas um período de teste, no qual a CBS e o IBS aparecem de forma simbólica, sem cobrança efetiva e sem impacto sobre preços ou margens. A mudança concreta começa em 2027, com a entrada em vigor da CBS federal. Caso o arroz esteja incluído na lista oficial da cesta básica nacional, a alíquota prevista será zero.
Entre 2029 e 2032 acontece a transição do ICMS e do ISS para o IBS. Nesse intervalo, a alíquota zero aplicada à cesta básica passa a valer de forma gradual também no novo imposto estadual e municipal. Somente em 2033 o sistema estará totalmente implementado, com CBS e IBS substituindo integralmente os tributos atuais e, se confirmado o enquadramento do arroz na cesta básica nacional, a tributação sobre o consumo será efetivamente zerada.
O ponto central do debate está no fato de que a Constituição permite a isenção, mas a definição dos produtos da cesta básica depende de uma lei complementar que ainda será aprovada. Para a indústria, o novo modelo pode reduzir distorções entre estados, diminuir créditos acumulados e trazer maior previsibilidade na formação de preços. No varejo, a expectativa é de simplificação estrutural, enquanto para o produtor o efeito tende a ser indireto, condicionado ao repasse ao longo da cadeia.
A produção de carne de frango em Santa Catarina cresceu 2,5% em 2025 na comparação com 2024, consolidando o estado como um dos principais pilares da avicultura brasileira. O avanço ocorreu mesmo em um cenário econômico adverso, marcado por juros elevados e aumento de custos, além de desafios sanitários enfrentados pelo setor no mercado internacional.
De acordo com a Associação Catarinense de Avicultura (ACAV), o desempenho positivo da produção foi acompanhado por um crescimento ainda mais expressivo da receita, que avançou 6,3% no ano. O resultado ajudou a compensar, em parte, a alta de 6,5% nos custos de produção, pressionados principalmente pela logística. Segundo a entidade, a taxa básica de juros em torno de 15% também representou um fator limitante para investimentos e capital de giro ao longo de 2025.
O estado respondeu por 26,3% do volume total de carne de frango exportado pelo Brasil e por 22,8% da receita obtida com as vendas externas do produto. Enquanto o cenário nacional foi marcado por produção recorde, estimada em cerca de 15,4 milhões de toneladas, com crescimento próximo de 3%, as exportações brasileiras recuaram cerca de 2%, impactadas por embargos temporários após a confirmação de um foco de influenza aviária em maio.
Exportações mantêm protagonismo
Mesmo diante desse contexto, Santa Catarina manteve posição de destaque no mercado internacional. Arábia Saudita, Japão, Países Baixos, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido estiveram entre os principais destinos da carne de frango catarinense. Ao longo do ano, Reino Unido e México se consolidaram como mercados relevantes, ampliando a diversificação geográfica das exportações e reduzindo riscos comerciais.
Segundo o diretor executivo da ACAV, Jorge Luiz de Lima, a rápida resposta sanitária adotada pelo Brasil após o caso de influenza aviária no Rio Grande do Sul foi determinante para preservar mercados. “O controle da situação e a reconhecida biosseguridade do sistema produtivo brasileiro permitiram a manutenção e a reabertura de mercados, beneficiando diretamente Santa Catarina”, afirmou.
Consumo interno e cenário nacional
No mercado interno, o consumo de carne de frango permaneceu elevado em 2025, impulsionado pelo produto como a proteína de menor custo para o consumidor. A ACAV destaca que o setor encerrou o ano com preços estáveis e margens consideradas favoráveis, mesmo diante das pressões de custos e das incertezas econômicas.
Com pouco mais de um quarto das exportações brasileiras de carne de frango e crescimento consistente da produção, Santa Catarina reforça sua posição estratégica na avicultura nacional. A avaliação da entidade é de que o desempenho em 2025 sustenta perspectivas positivas para 2026, tanto em volume produzido quanto na ampliação e consolidação de mercados internacionais.
A ceia de Natal de 2025 chega marcada por pressão nos preços das proteínas, repetindo um cenário observado nos dois últimos anos. Dados da Scanntech, empresa de inteligência de mercado que acompanha o consumo a partir dos check-outs do varejo alimentar, indicam que os preços das carnes típicas do período seguem em alta nas duas primeiras semanas de dezembro, com impactos diretos no volume vendido.
Na primeira semana do mês, o faturamento total das categorias comemorativas caiu 8,2%. O recuo foi resultado da combinação entre queda média de preços (-3,0%) e redução do volume vendido (-5,3%). Apesar do desempenho negativo, o movimento ainda era considerado moderado, sustentado principalmente pelas carnes suínas, que respondem por cerca de 67% do faturamento do segmento. Mesmo com preços em queda naquele momento, os suínos ainda registraram crescimento de volume de 1,6%.
O cenário mudou na segunda semana de dezembro. O aumento de 6,9% nos preços das aves natalinas e do peru teve efeito imediato sobre o consumo. O volume de aves despencou 30,9%, enquanto o do peru caiu 27,9%. Mesmo com preços médios praticamente estáveis no agregado das categorias comemorativas, o volume total recuou 17,8%, levando o faturamento a uma queda de 18,0%.
Compras concentradas na reta final
Segundo a Scanntech, mais da metade das vendas de carnes comemorativas em dezembro do ano passado ocorreu entre a terceira e a quarta semana do mês, com pico no período da tarde da véspera de Natal. A expectativa é que esse comportamento se repita em 2025.
“O consumidor está mais estratégico. Ele espera o momento certo para comprar, compara canais e ajusta o mix da ceia conforme os preços”, afirma Matheus Tavares, gerente de Inteligência de Mercado da Scanntech.
Tendência já vista em 2024 e 2023
O comportamento de 2025 segue o padrão observado nos últimos Natais. Entre novembro e dezembro de 2024, as proteínas registraram aumentos de preços de dois dígitos na comparação com 2023, o que levou à retração do volume na maioria das carnes. O frango foi a única proteína que conseguiu ampliar o consumo, reforçando seu papel central na mesa do brasileiro.
Em dezembro do ano passado, as aves comemorativas se tornaram as carnes mais consumidas no Natal, superando o pernil e o lombo suíno. Juntas, aves e pernil responderam por quase 80% do volume total das carnes típicas da data. Já a carne bovina perdeu espaço à medida que os preços avançaram.
“Quando o preço sobe demais, o consumidor reage rapidamente. Em 2024, as aves ganharam espaço justamente por permitirem manter a tradição da ceia com menor impacto no orçamento”, explica Tavares.