quarta-feira, março 11, 2026

Autor: Redação

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Parceria entre Cecafé e Emater leva práticas sustentáveis ao campo


cecafe emater-mg
Foto: Emater-MG/Divulgação

A parceria entre o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) tem levado práticas sustentáveis diretamente aos produtores de café em Minas Gerais.

A iniciativa integra o programa Construindo Solos Saudáveis, que busca melhorar a qualidade do solo, reduzir custos de produção e fortalecer a sustentabilidade.

Criado por técnicos da Emater-MG, o programa surgiu da necessidade de recuperar a saúde do solo em lavouras de café, muitas vezes afetadas por práticas que deixam o terreno exposto à chuva, ao vento e à erosão.

Segundo o coordenador técnico da Emater, Bernardino Cangussu, nos últimos cinco anos, mais de 2 mil unidades demonstrativas foram implantadas em propriedades rurais.

A estratégia é apresentar aos produtores técnicas de manejo durante dias de campo, nos quais produtores visitam áreas experimentais e acompanham, na prática, o funcionamento das técnicas.

Nas unidades demonstrativas são cultivadas diferentes espécies de plantas de cobertura entre as linhas de café, permitindo que os produtores observem os resultados diretamente no solo e na lavoura. “Há uma troca de experiências no local, vendo em loco essas plantas e como elas agem no solo”, destaca Cangussu.

Benefícios

Entre os principais benefícios do uso dessas plantas está a redução da temperatura do solo, que pode chegar a uma diferença de até 12 °C a 15 °C em comparação com áreas descobertas. De acordo com Cangussu, o manejo também contribui para a reciclagem de nutrientes.

“As plantas também tiram nutrientes que estavam perdidos em profundidade do solo e trazem esses nutrientes para cima, fazendo uma reciclagem. Quer dizer, o produtor vai usar menos recurso para adubar e vai ter nutrientes disponíveis quase o ano todo”, explica.

Além disso, as raízes dessas espécies ajudam a formar canais naturais de infiltração de água, aumentam a matéria orgânica e favorecem a atividade de organismos como minhocas, que melhoram a estrutura e a porosidade do solo.

Outro benefício destacado pelo técnico é o aumento da presença de inimigos naturais de pragas, o que contribui para o equilíbrio biológico da lavoura.

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Boi gordo hoje: cotações seguem impactadas pela guerra; veja os preços da arroba


boi gordo preços no Brasil
Foto gerada por IA

O mercado físico do boi gordo apresenta pressão baixista no decorrer desta semana, com as indústrias sinalizando para maior conforto das suas escalas de abate.

O analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias lembra que as declarações do presidente Donald Trump ofereceram uma perspectiva de normalização do fluxo de embarques no Oriente Médio.

“No entanto, a logística global segue desnorteada, com relatos de problemas no escoamento da exportação de carne bovina e da carne ovina da Austrália. A expectativa é que no curtíssimo prazo os frigoríficos tentem realizar compras em patamares mais baixos”, disse.

Preços médios do boi gordo

  • São Paulo: R$ 345,33 — ontem: R$ 349,83
  • Goiás: R$ 330,18 — ontem: estável
  • Minas Gerais: R$ 344,41 — ontem: inalterado
  • Mato Grosso do Sul: R$ 335,80 — ontem: R$ 339,89
  • Mato Grosso: R$ 338,31 — ontem: R$ 338,04

Mercado atacadista

O mercado atacadista se depara com acomodação em seus preços ao longo da semana. Segundo Iglesias, mesmo a entrada dos salários na economia tem sido insuficiente para justificar novos reajustes dos preços da carne bovina.

“O fato é que a carne bovina já assumiu um patamar de preços que afasta boa parte dos consumidores brasileiros, em especial aquelas famílias que têm como renda entre um e dois salários-mínimos. Nessa faixa, a prioridade está no consumo de proteínas mais acessíveis, a exemplo da carne de frango, embutidos e ovos”, pontuou.

  • Quarto dianteiro: ainda é precificado a R$ 20,50 por quilo;
  • Quarto traseiro: segue cotado a R$ 27,00 por quilo;
  • Ponta de agulha: se mantém a R$ 20,50, por quilo.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão em queda de 0,15%, sendo negociado a R$ 5,1572 para venda e a R$ 5,1552 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,1328 e a máxima de R$ 5,1848.

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AgroNewsPolítica & Agro

5 estados em risco de alagamentos e transtornos nesta semana


A previsão do tempo indica o retorno de chuvas intensas e volumosas em áreas do Centro-Sul do país ao longo desta semana. As informações são do serviço meteorológico Meteored, que aponta risco de acumulados próximos de 200 milímetros até o fim da segunda semana de março.

Segundo a análise do Meteored, dois sistemas meteorológicos devem favorecer o aumento das precipitações: a atuação de uma frente fria e a presença de uma área de alta pressão atmosférica sobre o oceano. Esses sistemas devem manter condições para chuvas frequentes e, em alguns pontos, intensas, com potencial para provocar transtornos como alagamentos, inundações e deslizamentos de terra, especialmente em áreas urbanas.

A previsão para os próximos dias indica aumento das instabilidades em diversas regiões do país, com pancadas de chuva recorrentes que podem ocorrer acompanhadas de rajadas de vento e temporais. Essas condições ampliam o risco de alagamentos e movimentos de massa em estados do Centro-Oeste e do Sudeste.

Nesta terça-feira (10), a previsão aponta chuvas fracas a moderadas e possibilidade de pancadas isoladas entre o norte e o leste do Paraná e em grande parte do São Paulo. Durante a tarde, as instabilidades devem se intensificar, com precipitações localmente fortes no norte paranaense, em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais — com exceção do norte do estado — e em Mato Grosso do Sul. Pancadas pontualmente intensas também são previstas no Espírito Santo e em áreas do sul de Goiás e do Mato Grosso. À noite, ainda há possibilidade de instabilidades entre Mato Grosso do Sul, norte do Paraná e São Paulo.

Na quarta-feira (11) e na quinta-feira (12), o período da manhã deve começar com chuvas de intensidade fraca a moderada e possibilidade de pancadas isoladas mais fortes entre São Paulo, o sul de Minas Gerais e o sul do Rio de Janeiro. Ao longo da tarde, as precipitações tendem a se intensificar e se espalhar por praticamente todo o Sudeste, com exceção do norte mineiro, além de áreas de Mato Grosso do Sul, sul de Goiás, sul de Mato Grosso e regiões do norte e leste do Paraná. Também podem ocorrer trovoadas isoladas.

De acordo com o Meteored, essas chuvas devem ocorrer de forma localizada e irregular, com pancadas mais intensas em alguns pontos. Mesmo assim, há previsão de continuidade das instabilidades no período da noite em todos esses estados.

Na sexta-feira (13), as precipitações devem se formar principalmente durante a tarde, com intensidade moderada e trovoadas isoladas, concentrando-se sobretudo na Região Sudeste e em áreas do Centro-Oeste. No Paraná, a chuva deve ocorrer principalmente na faixa leste devido à circulação atmosférica.

Os acumulados previstos até a noite de sexta-feira podem superar 110 milímetros em áreas centrais do Mato Grosso do Sul, no norte do Paraná, no Triângulo e no sul de Minas Gerais, além de regiões de São Paulo e do sul do Rio de Janeiro. Em algumas áreas, os volumes podem variar entre 170 e 190 milímetros.

O alerta é para que a população acompanhe os avisos meteorológicos ao longo da semana, já que as chuvas podem ocorrer de forma persistente e concentrar volumes elevados em curto período, aumentando o risco de transtornos, principalmente em áreas mais vulneráveis.





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Países da América do Sul se reúnem para discutir soluções aos impactos climáticos


Homem agachado sobre terra seca
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural

Governos de nove países da América do Sul se reúnem em Brasília nesta quarta e quinta-feira (11 e 12), para buscar soluções conjuntas diante dos impactos da mudança do clima sobre a agricultura, o abastecimento de alimentos, a soberania alimentar e a segurança nutricional na região.

O encontro é promovido pela Rede de Sistemas Públicos de Abastecimento e Comercialização de Alimentos (Rede SPAA) na América Latina e Caribe, atualmente presidida pelo governo brasileiro, por meio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e coordenado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO/ONU).

O seminário Desafios e Soluções para as Mudanças Climáticas: impactos na agricultura e nos
sistemas agroalimentares do futuro terá início nesta quarta-feira (11), a partir das 9 horas, no Centro de Desenvolvimento de Recursos Humanos (CDRH) da Conab, no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA).

O evento reunirá representantes de governos do Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela, organismos internacionais e especialistas para discutir políticas públicas, instrumentos de abastecimento e estratégias capazes de tornar os sistemas agroalimentares mais resilientes aos eventos climáticos extremos.

Serviço

Desafios e soluções para as mudanças climáticas: impactos na agricultura e nos sistemas agroalimentares do futuro
Datas: Quarta-feira (11) e quinta-feira (12) de março de 2026
Horários: Quarta (11), de 9h às 18h | Quinta (12), de 08h30 às 18h
Abertura: Quarta-feira, 11 de março 2026, a partir das 9h
Encerramento: Quinta-feira, 12 de março de 2026, a partir das 17h
Local: Centro de Desenvolvimento de Recursos Humanos (CDRH) da Conab
Endereço: SIA Q 6 C – SIA, Brasília/DF – CEP: 71200-040

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Produtor fora do jogo? Soja tem dia travado no Brasil; confira os preços


mãos com grãos de soja
Foto: Pixabay

O mercado brasileiro de soja registrou uma terça-feira (10) de preços predominantemente mais baixos. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, o dia foi marcado por um mercado apenas nominal, com várias tradings fora de atividade e sem apresentar ofertas consistentes de preços.

“Foi um dia marcado por negócios da mão para a boca, poucos players no mercado. O produtor ficou de fora, querendo spreads melhores. Mas com a situação de aversão ao risco, o mercado seguiu travado”, comentou Silveira.

De acordo com ele, a Bolsa de Chicago teve volatilidade limitada, com as atenções voltadas para o relatório de oferta e demanda de março do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. O dólar e os prêmios registraram apenas pequenas alterações e não tiveram impacto relevante no mercado físico brasileiro.

Preços de soja no Brasil

  • Passo Fundo (RS): desceu de R$ 127,00 para R$ 124,50
  • Santa Rosa (RS): desceu de R$ 128,00 para R$ 125,50
  • Cascavel (PR): desceu de R$ 121,50 para R$ 120,00
  • Rondonópolis (MT): desceu de R$ 110,00 para R$ 109,00
  • Dourados (MS): permaneceu em R$ 110,00
  • Rio Verde (GO): subiu de R$ 110,00 para R$ 111,00
  • Paranaguá (PR): desceu de R$ 132,50 para R$ 131,00
  • Rio Grande (RS): desceu de R$ 133,00 para R$ 130,50

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago fecharam a terça-feira com alta para o grão e o farelo, enquanto o óleo recuou. A sessão foi marcada por forte volatilidade, com o mercado oscilando entre altas e baixas dentro de margens reduzidas.

Os investidores repercutiram o relatório de março do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, que reduziu em 1 milhão de toneladas a estimativa de produção mundial de soja para a safra 2025/26.

Ao final da sessão, prevaleceu a expectativa de novas compras de soja norte-americana por parte da China, diante da possibilidade de encontro entre representantes dos dois países no próximo final de semana, segundo informações da Dow Jones. A queda significativa do dólar frente a outras moedas também deu suporte às cotações.

USDA

O USDA projetou a safra mundial de soja em 2025/26 em 427,18 milhões de toneladas. Em fevereiro, a estimativa era de 428,18 milhões.

Para o Brasil, a projeção foi mantida em 180 milhões de toneladas para 2025/26, enquanto o mercado esperava 179,3 milhões. Para 2024/25, a estimativa permanece em 171,5 milhões de toneladas. Já a produção da Argentina em 2025/26 foi projetada em 48 milhões de toneladas, abaixo dos 48,5 milhões estimados em fevereiro. O mercado apostava em 48,1 milhões.

Nos Estados Unidos, a safra de soja em 2025/26 foi indicada em 4,262 bilhões de bushels, o equivalente a 116 milhões de toneladas, com produtividade de 53 bushels por acre, repetindo as projeções do relatório anterior.

Os estoques finais foram projetados em 350 milhões de bushels, ou 9,53 milhões de toneladas, também sem alterações. O mercado esperava 343 milhões de bushels, ou 9,33 milhões de toneladas.

Contratos futuros de soja

Os contratos da soja em grão com entrega em maio de 2026 fecharam a US$ 12,01 3/4 por bushel, alta de 5,50 centavos de dólar, avanço de 0,45%. A posição julho de 2026 encerrou a US$ 12,15 por bushel, ganho de 6,00 centavos ou 0,49%.

Nos subprodutos, o farelo para maio de 2026 fechou a US$ 314,50 por tonelada, alta de US$ 1,00 ou 0,31%. Já o óleo para maio terminou cotado a 65,62 centavos de dólar por libra peso, recuo de 0,48 centavo ou 0,72%.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão em queda de 0,15%, cotado a R$ 5,1572 para venda e R$ 5,1552 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,1328 e a máxima de R$ 5,1848.

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Estiagem reduz estimativa da safra de verão no RS; soja é a mais afetada


Chuva; estiagem, Soja
Foto: reprodução/Planeta Campo

A Emater atualizou, nesta terça-feira (10), os números da safra de verão 2025/2026 no Rio Grande do Sul. A nova estimativa indica queda na produção total de grãos no estado, com impacto da estiagem principalmente nas lavouras de soja. Os dados foram apresentados durante a Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque (RS).

Segundo o levantamento, a produção total das principais culturas de verão está estimada em 32,8 milhões de toneladas. O volume representa uma queda de 7,1% em relação à estimativa preliminar, quando eram projetadas cerca de 35,3 milhões de toneladas. Na prática, a redução corresponde a uma perda de aproximadamente 2,5 milhões de toneladas na safra gaúcha.

Cultura da soja

A soja, principal cultura do estado, foi a mais impactada pela falta de chuva. A produção está estimada em 19 milhões de toneladas, com recuo de 11,3% em relação à projeção inicial. De acordo com a Emater, a estiagem registrada em diversas regiões do Rio Grande do Sul comprometeu o desenvolvimento das lavouras e reduziu o potencial produtivo.

Milho

Já o milho, por outro lado, teve revisão positiva. A produção foi estimada em 5,96 milhões de toneladas, um aumento de cerca de 3% em relação ao levantamento preliminar.

Feijão e arroz

No caso do feijão, a primeira safra deve atingir 41 mil toneladas, com queda de 11,6%, enquanto a segunda safra está estimada em 11,6 mil toneladas, redução de 28,6%.

Já a produção de arroz está projetada em 7,8 milhões de toneladas, segundo dados do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), responsável pelo monitoramento da cultura no estado.

Total do RS

A área total cultivada com as principais culturas de verão no Rio Grande do Sul está estimada em 8,35 milhões de hectares, redução de 1,6% em relação à projeção inicial. De acordo com a Emater, a revisão dos números reflete principalmente os impactos da estiagem registrados em diferentes regiões do estado ao longo do ciclo da safra.

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Chuvas substituem neve na Antártica; fenômeno preocupa pesquisadores


Antartica
Foto: Pixabay

A ocorrência de chuva na Antártica está se tornando cada vez mais frequente, especialmente na Península Antártica, região que se projeta em direção à América do Sul. O fenômeno preocupa cientistas porque, tradicionalmente, a precipitação no continente ocorre na forma de neve, não de chuva.

Segundo o meteorologista, Arthur Müller, o aumento das chuvas está relacionado ao aquecimento dos oceanos e da atmosfera, que vem elevando as temperaturas na região. A Península Antártica, em particular, tem aquecido mais rapidamente do que outras áreas do continente e também acima da média global.

Com o clima mais quente, a precipitação que antes caía como neve passa a ocorrer em forma de chuva, alterando o equilíbrio natural da região. Essa mudança pode afetar o habitat de diversas espécies, como os pinguins, além de impactar diretamente as geleiras.

“As geleiras no outono e no inverno se expandem e na primavera e no verão contrai”, destaca Müller. No entanto, dados recentes mostram que, mesmo com a recuperação sazonal, a área de gelo tem apresentado retração nos últimos anos.

Efeitos a longo prazo

O estreito entre a ponta da América do Sul e a Península Antártica funciona como um corredor natural para a passagem de ciclones. Caso o aquecimento das águas e o derretimento do gelo avancem, há risco de alteração na rota desses sistemas.

Na prática, isso poderia modificar a circulação de massas de ar frio e até influenciar o regime de chuvas em outras regiões do planeta.

“Isso significa na prática que talvez possa ter menos incursão de ar frio e até alterar o regime de chuva. Isso tem um impacto direto em eventos climáticos extremos. Neste momento, não tem impacto nenhum, mas estamos acendendo esse alerta para o futuro”, explica Müller.

Mudanças visíveis

A tendência preocupa pesquisadores, que alertam para possíveis mudanças no ecossistema da região. Além disso, esse cenário também levanta dúvidas sobre a permanência de espécies adaptadas ao frio extremo, como os pinguins, que dependem da neve e do gelo para sobreviver.

“Vamos começar a ver uma Antártica cada vez mais verde e quem sabe nem mais os pinguins estejam lá, porque o pinguim é acostumado com a neve e não com a chuva gelada. Ou seja, preocupação”, alerta Müller.

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Recuo dos principais compradores já faz exportação de café baixar 22,6% na safra 25/26


saca de café
Foto: Unsplash

Relatório do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostrou que o país embarcou 2,618 milhões de sacas de 60 kg de todos os tipos do produto em fevereiro, com receita cambial de US$ 1,062 bilhão.

Em comparação com o mesmo mês de 2025, houve queda de 23,5% em volume e de 14,7% em valores.

Com esse desempenho, as exportações de café do Brasil chegaram a 26,038 milhões de sacas no acumulado dos oito primeiros meses do ano safra 2025/26, declínio de 22,6% em relação a idêntico intervalo anterior.

Já a receita cambial apresentou uma evolução de 5,3% entre julho do ano passado e fevereiro deste ano ante os oito primeiros meses da safra 2024/25, chegando a US$ 10,301 bilhões.

Exportações no ano civil

No primeiro bimestre de 2026, as remessas brasileiras de café ao exterior totalizam 5,410 milhões de sacas, volume que representa recuo de 27,3% frente aos dois primeiros meses do ano passado. Segundo o Cecafé, em valores, a perda é de 13%, com os ingressos de dólares no país saindo de US$ 2,575 bilhões para os atuais US$ 2,241 bilhões.

O presidente do Conselho, Márcio Ferreira, destaca que o cenário de baixa nas exportações, neste ano, ocorre, principalmente, com a variedade arábica, cujas cotações vêm sofrendo queda acentuada e rápida na Bolsa de Nova York.

Segundo ele, os fundos estão liquidando posições compradas substancialmente, antecipando uma disponibilidade bem maior do produto na próxima safra, cenário que, aliado ao recuo expressivo do dólar frente ao real e ao fato de os produtores, capitalizados, com remanescente ajustado da safra corrente, acaba por dosar a oferta brasileira a níveis não competitivos para novos negócios frente às demais origens.

“Essa tendência deve permanecer até a entrada da próxima safra, ocasionando perda de market share do Brasil para outras origens produtoras, o que, obviamente, não é favorável em médio e longo prazos”, comenta.

Ferreira completa que esse movimento pode se acentuar com as tensões geopolíticas no Oriente Médio e os gargalos logísticos.

“A tendência de recuperação é esperada a partir da próxima safra que se avizinha e já ocorre com o conilon, que conta com maiores estoques de passagem e cuja colheita comercializada a partir de maio será também importante. No caso arábica, a expectativa de recuperação dos embarques é aguardada a partir de junho, com a chegada da nova safra, com volume bem mais relevante que a que se encerrará”, pondera.

Principais destinos

Entre os principais destinos dos cafés brasileiros no primeiro bimestre de 2026, destacam-se:

  • Alemanha: importação de 786.589 sacas, equivalente a 14,5% do total (-20,1% na comparação com o acumulado entre janeiro e fevereiro de 2025);
  • Estados Unidos: 12,1% de representatividade, adquiriram 655.998 sacas (-45,8%);
  • Itália: compra de 568.598 sacas (+5,9%);
  • Bélgica: 331.747 sacas (-6,8%); e
  • Japão: 315.816 sacas (-34,5%).

Tipos de café

café solúvel
Foto: Pixabay

Em janeiro e fevereiro deste ano, o café arábica, com o envio de 4,423 milhões de sacas ao exterior, permaneceu como o mais exportado pelo Brasil. Esse montante equivale a 81,8% do total embarcado, apesar de representar queda de 28,9% frente ao primeiro bimestre de 2025.

Na sequência, com o equivalente a 573.301 sacas remetidas para fora do país, apareceu o segmento do café solúvel, com um declínio de 11,5% na comparação com os dois primeiros meses do ano passado. Esse tipo de produto respondeu por 10,6% das exportações totais no período atual.

Os cafés canéforas (conilon + robusta), com 408.446 sacas – recuo de 27,7% e 7,5% do total –, e o produto torrado e torrado e moído, com 5.572 sacas (-38,7% e 0,1% de representatividade), completam a lista.

Cafés diferenciados

Os cafés que possuem qualidade superior, certificados de práticas sustentáveis e/ou especiais responderam por 19,8% das exportações totais brasileiras no primeiro bimestre deste ano, com a remessa de 1,069 milhão de sacas ao exterior. Esse volume é 40,7% inferior ao registrado no agregado de janeiro e fevereiro de 2025.

A um preço médio de US$ 461,74 por saca, a receita cambial com os embarques dos cafés diferenciados foi de US$ 493,5 milhões, o que correspondeu a 22% do obtido com todos os embarques de café no primeiro bimestre do ano passado. No comparativo anual, o valor é 31,2% menor do que o registrado nos dois primeiros meses de 2025.

A Alemanha também liderou o ranking dos principais destinos dos cafés diferenciados, com a compra de 137.770 sacas, o equivalente a 12,9% do total desse tipo de produto exportado.

Fechando o top 5, aparecem EUA, com 132.179 sacas e representatividade de 12,4%; Bélgica, com 130.484 sacas (12,2%); Itália, com 124.249 sacas (11,6%); e Holanda (Países Baixos), com 86.253 sacas (8,1%).

Portos brasileiros

O Cecafé aponta que o Porto de Santos foi o principal exportador dos cafés do Brasil no primeiro bimestre, com 4,217 milhões de sacas e representatividade de 77,9% no total.

Na sequência, vieram o complexo portuário do Rio de Janeiro, que respondeu por 18,2% dos embarques ao remeter 983.890 sacas ao exterior, e o Porto de Paranaguá (PR), que exportou 66.954 sacas e teve representatividade de 1,2%.

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Bezerro segue acima de R$ 3 mil e acende alerta para custo da recria e engorda


programa de produção de bezerros acrimat, boi
Foto: Acrimat

O movimento de alta nos preços do bezerro não é novidade para quem acompanha o mercado. A pecuária vive uma mudança de ciclo, após o intenso abate de fêmeas registrado nos últimos anos. Com a maior retenção de matrizes e escassez de animais para reposição, a valorização da categoria era inevitável.

“Era esperado que o aumento do preço do bezerro já acontecesse no final de 2024 e, em 2025, ele começou a dar sinais mais claros”, afirma o diretor técnico da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Francisco Manzi. Segundo dados do Cepea, a categoria está sendo negociada acima dos R$ 3 mil na maior parte do país.

Manzi destaca que a reposição é um dos principais custos para o pecuarista que faz recria e engorda. Por isso, a alta nos preços de reposição impacta diretamente a rentabilidade da atividade.

Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, o bezerro acumula alta de mais de 20% em um ano, passando de R$ 2.682,98 em março de 2025 para R$ 3.252,70 em março de 2026.

Custo da reposição pesa mais para sistemas a pasto

De acordo com o diretor da Acrimat, os impactos da valorização do bezerro variam conforme os sistemas de produção.

“Para a pecuária feita totalmente a pasto, o impacto é maior, porque o bezerro está mais valorizado e o animal acaba permanecendo mais tempo na fazenda. Isso torna o custo da reposição mais expressivo”, diz Manzi.

Segundo ele, nos sistemas mais intensivos, o custo da alimentação um pouco mais baixo ajuda a aliviar parte da pressão. “Uma ração mais atrativa acaba compensando um pouco, mas ainda assim é um impacto importante.”

Mesmo com a valorização da arroba do boi gordo, Manzi avalia que a margem pode não ser a mesma registrada em períodos em que o bezerro estava mais barato.

Bezerro tem espaço para subir ainda mais

Sazonalmente, março e maio são os meses que apresentam os maiores patamares de preços de reposição. Isso porque esse é o período em que ocorre a maior parte das desmamas nas fazendas.

Apesar da maior oferta de animais nessa época do ano, a expectativa segue positiva para o mercado. “Os preços do bezerro devem continuar firmes e com valorizações. A expectativa é de uma oferta mais limitada de animais, o que abre espaço para o mercado subir”, afirma Hyberville Neto, diretor da HN Agro.

Ele ressalta, porém, que o comportamento da reposição também depende do desempenho do mercado do boi gordo. Neto explica que quando o mercado apresenta oscilações, a relação de troca pode se deteriorar e gerar mais cautela por parte de quem compra animais para recria e engorda.

Guilherme Tonhá, diretor comercial da Estância Bahia Leilões, também avalia que a oferta restrita de animais deve continuar sustentando o mercado.

“A tendência é manter os preços firmes porque a oferta está muito baixa, tanto nos leilões quanto nas negociações diretas nas fazendas”, diz.

O pecuarista, contudo, não deixará de investir na reposição por causa dos preços em alta. “Quando não tem oferta, o comprador acaba sendo obrigado a pagar mais caro”, reforça. Segundo ele, os valores já superam os patamares registrados no último pico do ciclo pecuário, em 2021.

Estratégia e controle de custos ganham peso

Apesar do cenário positivo para quem vende bezerro, os especialistas alertam que a reposição mais cara exige maior planejamento por parte dos pecuaristas que atuam na recria e engorda.

“Quando a reposição fica mais cara, o pecuarista precisa redobrar o cuidado para que a conta feche. A eficiência da porteira para dentro passa a ser ainda mais importante”, diz Tonhá.

O diretor técnico da Acrimat, Francisco Manzi, tem uma percepção semelhante. “Preço não é margem. O mais importante é o pecuarista ter noção exata de cada custo, desde a reposição e os insumos até mão de obra e impostos”, observa.

De acordo com ele, como a pecuária é uma atividade de longo prazo, decisões tomadas hoje podem impactar a rentabilidade apenas anos depois.

Por isso, Manzi reforça que a eficiência dentro da propriedade se torna cada vez mais decisiva. “Hoje não tem mais espaço para amador. O pecuarista precisa calcular bem cada decisão para que a conta feche no final.”

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