sábado, abril 25, 2026

Autor: Redação

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Após alta no preço, Trump diz que EUA estão sentindo falta do café brasileiro



Durante conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na segunda-feira (6), Donald Trump reconheceu que os Estados Unidos estão “sentindo falta” de alguns produtos brasileiros afetados pelo tarifaço, segundo reportagem da BBC News Brasil. O presidente americano teria mencionado o café.

O preço da bebida nos EUA vem subindo desde que o governo impôs, em agosto, uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros. Em setembro, o café registrou a maior alta mensal em 14 anos, com avanço de 3,6%, e acumula alta anual de 20,9%, bem acima da inflação média de 2,9%. Foi o maior aumento em um ano desde 1997.

Analistas de mercado já diziam que a tarifa teria impacto direto sobre o bolso do consumidor americano. “O fato de o café não ter entrado na lista de exceções causou muita surpresa, porque não faz sentido dentro do atual cenário. O principal prejudicado com a imposição da tarifa é o consumidor norte-americano”, afirmou Gil Barabach, analista da Safras & Mercado.

“O Brasil representa cerca de 30% das importações de café verde dos Estados Unidos. Essa substituição por outro país não pode ser feita rapidamente, ao menos não no mesmo volume. Diante disso, há uma perspectiva concreta de que, nas próximas semanas, o café passe a integrar a lista de exceções”, complementou Barabach.

Em entrevista à CNN, no final de agosto, o diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos, também alertou que a continuidade da sobretaxa geraria “um grande desarranjo no mercado global”.

“Se não houver avanço nas negociações, o prejuízo será enorme e o mercado internacional ficará cada vez mais desregulado, com preços em alta e imprevisibilidade para toda a cadeia global do café”, afirmou.

Matos destacou ainda que o impacto já é perceptível nos EUA. “O café é a bebida mais emblemática das famílias americanas. A inflação já está sendo detectada na xícara do consumidor. Desde o anúncio das tarifas, os preços na bolsa subiram de uma faixa de US$ 2,70–2,80 para quase US$ 3,60 por libra-peso, refletindo a pressão e o desequilíbrio no mercado.”

Maior consumidor do mundo

Os Estados Unidos são o maior importador e consumidor de café do mundo e o principal destino das exportações brasileiras. De acordo com a Associação Nacional de Café dos EUA, dois terços dos adultos americanos bebem café diariamente, com consumo médio de três xícaras por pessoa. Desde 2020, o consumo geral cresceu 7%, enquanto o de cafés gourmet aumentou 18%.

Mas o país não tem produção suficiente para atender à demanda. O café é uma fruta tropical que só se desenvolve em regiões próximas ao Equador. Nos EUA, ele é cultivado apenas em Havaí, Porto Rico e pequenas áreas do sul da Califórnia, o que está longe de suprir as cerca de 450 milhões de xícaras consumidas diariamente pelos americanos.



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Oito MEIs de Piracicaba vão expor de graça na Feira do Empreendedor 2025


O Sebrae/SP selecionou oito Microempreendedores Individuais (MEIs) da região de Piracicaba para expor seus produtos na Feira do Empreendedor 2025 (FE25).

O evento, que será realizado entre 15 e 18 de outubro, no São Paulo Expo, é considerado um dos maiores encontros de empreendedorismo do país.

No entanto, os empreendedores selecionados se inscreveram no edital no início de setembro, seguindo requisitos pré-estabelecidos. Os selecionados vão ter acesso gratuito ao espaço Sebrae Comunidades: Shopping Compre do Pequeno, que valoriza a identidade regional e cria oportunidades de negócios. 

Dessa forma, além de ampliar a visibilidade, a ação busca fortalecer marcas locais e aproximar os MEIs de novos consumidores e parceiros.

  • Participe do Porteira Aberta Empreender: envie perguntas, sugestões e conte a sua história de empreendedorismo pelo WhatsApp

Cada empreendedor vai contar com um nicho para exposição dos produtos. São negócios que atuam com artesanato, produtos ligados à cultura africana, beleza e bem-estar, plantas e outras categorias que estejam alinhadas com os objetivos da FE25.

“Participar do ‘Compre do Pequeno’ é uma oportunidade muito boa, uma chance única de ampliar mercados, vender mais e fortalecer a marca. É também importante para levar produtos das nossas cidades para pessoas de outras regiões”, afirma Cinthia Campos, analista de negócios do Sebrae/SP.

Porteira Aberta Empreender

Quer saber mais sobre a FE25? Assista ao programa Porteira Aberta Empreender, uma parceria entre o Sebrae e o Canal Rural, que traz dicas, orientações e mostra histórias reais de micro e pequenos produtores de todo o país.

Às sextas-feiras, às 18h, no Canal Rural. | Foto: Arte Divulgação



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Conversa entre Trump e Lula é boa para o agro


O gesto partiu de Donald Trump. Numa ligação de cerca de meia hora, o presidente americano telefonou a Luiz Inácio Lula da Silva para discutir o futuro das relações entre Brasil e Estados Unidos.

O tom foi amistoso e pragmático. Ao final, os dois trocaram telefones pessoaisum gesto raro, que sinaliza a intenção de manter contato direto e abrir uma nova fase de diálogo entre as maiores economias do continente.

Lula aproveitou a conversa para pedir a retirada das tarifas adicionais e das sanções aplicadas por Washington a autoridades brasileiras, classificando-as como um obstáculo político que não contribui para o fortalecimento da parceria bilateral. Trump ouviu o pedido com atenção e respondeu que “os dois países têm muito a ganhar se voltarem a cooperar”.

O telefonema representa um recomeço

Mesmo com estilos distintos, Lula e Trump parecem entender que Brasil e Estados Unidos se complementam, não se competem:

  • O Brasil é potência em alimentos, energia e minerais, elementos que sustentam a economia americana.
  • Os Estados Unidos são líderes em tecnologia, inovação e capital, pilares que impulsionam o desenvolvimento brasileiro.

Essa combinação faz das duas nações parceiros naturais, cuja cooperação pode gerar ganhos concretos para o comércio, o agronegócio e o investimento produtivo.

A iniciativa de Trump foi interpretada como um sinal de reaproximação

Para os americanos, o Brasil é um mercado de consumo e estratégico para suas empresas; para o Brasil, a relação com os EUA é porta de acesso à tecnologia e crédito mais competitivo.

O pedido de Lula sobre as sanções têm um peso simbólico: ele coloca a diplomacia acima das divergências ideológicas e busca reconstruir a confiança.
Ao trocar contatos pessoais, ambos os líderes demonstram que querem falar diretamente, sem intermediários e sem ruído político.

Para o agronegócio, a notícia é positiva: a retomada do diálogo pode reduzir incertezas, atrair investimentos e abrir novos canais de exportação, especialmente em biocombustíveis, proteínas, café e grãos processados.

A conversa também resultou em um acordo preliminar:

  • Lula deverá visitar Washington nos próximos meses, e Trump planeja vir ao Brasil,  uma vez que foi convidado por Lula, inclusive para sua vinda para a COP30.
  • As duas visitas devem servir para assinar acordos de cooperação em energia limpa, bioeconomia e infraestrutura logística, setores de interesse mútuo.

O telefonema e a troca de números pessoais mostram que as pontes entre Brasil e Estados Unidos podem ser reconstruídas quando o interesse nacional fala mais alto que a ideologia.
Ao pedir o fim das sanções e propor uma agenda de cooperação, Lula sinaliza pragmatismo, e Trump, reciprocidade.

Se ambos mantiverem o tom e concretizarem as visitas, a reaproximação poderá marcar o início de um novo ciclo de prosperidade continental, com reflexos diretos no campo, na indústria e na economia real.

Em tempos de fragmentação global, ver dois líderes opostos se entenderem pelo telefone é mais do que diplomacia, é um raro ato de lucidez política.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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Passagem de frente fria temperaturas caírem no país, veja a previsão do tempo



A terça-feira (7) será marcada por mudanças no tempo em várias regiões do país, com chuva forte no Sul, aumento da nebulosidade no Sudeste e queda de temperatura em áreas do Centro-Oeste.

No Sul do Brasil, a circulação de umidade e perturbações na atmosfera mantêm o tempo instável entre Paraná e Santa Catarina. Logo nas primeiras horas do dia, núcleos de chuva ganham força e se espalham, provocando pancadas fortes acompanhadas de raios e ventos. Em Curitiba, o céu deve ficar encoberto durante todo o dia, com risco de alagamentos e enxurradas.

Em Santa Catarina, a chuva perde força ao longo da manhã. Já no Rio Grande do Sul, as precipitações se concentram entre a madrugada e a manhã, especialmente no norte e na serra, mas o tempo abre à tarde com o avanço de uma massa de ar polar, que derruba as temperaturas e pode provocar geada nas áreas mais altas.

Enquanto no Sudeste, a frente fria alcança o litoral paulista e muda o tempo em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. O dia será marcado por chuva isolada e moderada em partes do interior paulista, com maior intensidade no litoral, onde os volumes podem ser mais altos. No centro-norte de São Paulo, o sol ainda predomina e o calor segue intenso, com chance de pancadas rápidas no fim do dia.

No Rio de Janeiro e em áreas do sul e da Zona da Mata de Minas Gerais, há previsão de pancadas a partir da tarde. No Espírito Santo, a umidade do oceano pode provocar chuva leve em cidades do litoral.

Já Centro-Oeste, a aproximação da frente fria traz instabilidades para Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, com pancadas localmente fortes, raios e rajadas de vento — especialmente no nordeste sul-mato-grossense e no sul de Goiás. No Distrito Federal e em parte de Goiás, o tempo continua firme e quente, com umidade do ar em níveis críticos. Os ventos de sul começam a soprar e amenizam o calor em parte do Mato Grosso do Sul e de Mato Grosso.

No Nordeste, os ventos úmidos mantêm a chuva na faixa litorânea, sobretudo no litoral da Bahia, enquanto o interior segue seco e muito quente, com baixa umidade e risco para queimadas.

E no Norte do país, o calor e a umidade favorecem pancadas de chuva frequentes entre Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima, que podem vir acompanhadas de temporais localizados. O noroeste do Pará também tem previsão de chuva forte, enquanto Tocantins segue com tempo firme e seco.



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Expansão do etanol de milho pode sustentar preços internacionais do grão



O avanço do milho destinado à produção de etanol na América do Sul deve ganhar força e sustentar os preços do grão na Bolsa de Chicago (CBOT). A avaliação é do analista Vlamir Brandalizze, que alerta para um crescimento acelerado no uso do cereal para biocombustível no Brasil, Argentina e Paraguai.

Segundo Brandalizze, essa nova demanda tende a reduzir a oferta global, já que os três países são importantes exportadores. “Nós estamos avançando a demanda de milho de maneira exponencial, e isso vai afetar a oferta, porque esses países são exportadores”, destaca. Ele acrescenta que a China também está ampliando a produção de etanol de milho, o que reforça o cenário de maior consumo mundial.

Brandalizze reforça que o cenário de déficit ocorrido no ano agrícola 2024/25 deve se repetir. “Tivemos um déficit de cerca de 32 milhões de toneladas, consumidas a mais do que produzidas. A nova safra, ao que tudo indica, terá déficit novamente, de mais de 10 milhões de toneladas”, afirma.

Shutdown nos EUA: impacto limitado no milho

Com o apoio dos embarques internacionais, a tendência é que os preços se mantenham firmes agora em outubro. Na avaliação do analista, esse fator ajuda a sustentar o mercado mesmo em período de colheita de safra norte-americana, uma vez que Brasil e Estados Unidos, os principais exportadores de milho, não disputam destinos e seguem vendendo bem.

Sobre o shutdown, que mantém parte do governo dos Estados Unidos paralisado, Brandalizze afirma que os reflexos nas cotações devem ser limitados. “A paralisação pode atrasar a divulgação do relatório de oferta e demanda do USDA, mas o impacto seria limitado, já que a safra está definida e em plena colheita”, diz.

De acordo com o analista, o mercado consegue se basear apesar do “apagão” de dados do Departamento de Agricultura norte-americano porque empresas privadas vêm fornecendo dados sobre produtividade e andamento dos trabalhos no campo, o que tem orientado os investidores. A safra por lá, segundo ele, pode superar 430 milhões de toneladas.

Tendências para o mercado interno

No mercado brasileiro, os prêmios para milho começaram a melhorar a partir do bom volume de embarques nos portos em setembro e outubro. “Os preços do milho nos portos melhoraram no começo de outubro. Nas posições de novembro, estão entre R$ 66 e R$ 67, e até R$ 68 em dezembro no Porto de Santos”, analisa Brandalizze.



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Real ganha força com trégua diplomática: confira os destaques econômicos do dia


PODCAST Diário Econômico

No morning call de hoje, a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, comenta que o prolongamento do shutdown nos EUA elevou os rendimentos dos Treasuries e sustentou o dólar global.

No Brasil, conversa entre Lula e Donald Trump reduziu tensões e fortaleceu o real, com o dólar à vista caindo a R$ 5,31. Ibovespa recuou 0,41% a 143 mil pontos. Hoje, destaque para o IGP-DI de setembro e discursos de dirigentes do Fed.

Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.

Para mais conteúdos de mercado financeiro, acesse: Bom Dia Mercado!

Ariane Benedito, apresentadora do podcast Diário Econômico
Foto: divulgação

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Frente fria afeta três regiões do país e leva temporais com raios e ventania



Frente fria muda o tempo e leva chuva, com possibilidade de temporais, no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Confira a previsão do tempo para todo o Brasil nesta terça-feira (7):

Você quer entender como usar o clima a seu favor? Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.

Sul

O tempo segue instável entre Santa Catarina e o Paraná, com chuva associada ainda ao deslocamento da frente fria sobre a costa e à entrada de umidade sobre a região. As pancadas seguem irregulares, mas podem cair localmente fortes, com raios e rajadas de vento – não sendo descartados temporais. No Rio Grande do Sul, a chuva segue restrita ao planalto e serra gaúcha, variando entre fraca e moderada intensidade.

Sudeste

A frente fria se aproxima da costa do estado de São Paulo, conduzindo o avanço de instabilidades sobre o interior e leste paulista. As pancadas continuam irregulares, mas podem cair com maior intensidade no oeste, sul e litoral. Na Grande São Paulo e nas demais áreas da faixa leste, o céu permanece mais encoberto e chove fraco a qualquer hora. A chuva avança ao final do dia sobre o Rio de Janeiro, sul e zona da mata de Minas Gerais. O Espírito Santo segue com tempo mais aberto.

Centro-Oeste

O deslocamento da frente fria estimula o escoamento do fluxo de umidade vindo da região norte, favorecendo assim a formação de nuvens carregadas em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. As pancadas de chuva seguem irregulares, mas podem cair localmente fortes. Chove também no sul de Goiás. No Distrito Federal, tempo firme, calor intenso e baixa umidade do ar durante a tarde.

Nordeste

Os ventos úmidos que sopram do oceano ainda mantêm as pancadas de chuva sobre alguns pontos da costa leste. O litoral da Bahia e de Sergipe concentram os episódios mais significativos. Nas demais regiões do interior nordestino, o predomínio ainda será de tempo aberto, com sol, calor e baixa umidade do ar.

Norte

O calor e o aporte de umidade presentes na atmosfera local vão realizar a manutenção das instabilidades entre o Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima, com risco de chuva forte e até mesmo temporais localizados. Chove forte também no noroeste do Pará. Amapá com condições para pancadas isoladas. Já o Tocantins segue com padrão de tempo firme.



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Fungos no prato: micélio avança como proteína do futuro


Por décadas, a base proteica da dieta mundial esteve concentrada na carne, no leite e nos ovos. No entanto, um novo candidato começa a disputar espaço nesse cenário: os fungos. Graças a avanços em engenharia genética e técnicas de fermentação de precisão, o micélio — estrutura responsável pela sustentação dos fungos — tem se mostrado promissor para a produção de micoproteínas.

Esses compostos apresentam alto valor nutricional, textura semelhante à da carne e menor impacto ambiental, segundo cientistas brasileiros. Projeções de mercado indicam que esse segmento pode ultrapassar US$ 32 bilhões até 2032, consolidando-se como um dos pilares da alimentação sustentável.

Biotecnologia transforma fungos em “fábricas celulares”

De acordo com André Damasio, pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o avanço da engenharia genética, aliado ao uso da técnica CRISPR-Cas9, permite transformar fungos filamentosos e leveduras em verdadeiras “fábricas celulares”. Esses organismos são capazes de produzir proteínas recombinantes, semelhantes às encontradas em produtos de origem animal, mas com impacto ambiental reduzido.

Empresas como Meati, Quorn e Enough já operam em escala industrial, priorizando modelos de negócios B2B e oferecendo soluções para a indústria alimentícia. “A produção de micoproteínas exige menos terra, consome menos água e emite menos gases de efeito estufa que a pecuária convencional. Esse modelo pode mitigar efeitos como o desmatamento e o esgotamento de recursos hídricos”, afirma Damasio.

André Damasio, pesquisador da Unicamp. Foto: Vilson Smanhoto

Desafios técnicos e regulatórios

Apesar do potencial, ainda existem barreiras a superar para que as micoproteínas ganhem espaço definitivo nas prateleiras. O micélio tem propriedades únicas, como alto teor de fibras e composição nutricional distinta das proteínas vegetais e animais. Isso exige adaptações tecnológicas para melhorar sabor, textura e funcionalidade.

Gabriel Mascarin, engenheiro agrônomo da Embrapa Meio Ambiente, destaca que, além da aceitação do consumidor, é fundamental avançar em pesquisas clínicas. “Ainda precisamos entender a biodisponibilidade dos aminoácidos presentes, os efeitos sobre a saciedade e a saúde humana a longo prazo. Também é urgente padronizar valores nutricionais e garantir normas rigorosas contra toxinas e metais pesados”, afirma.

Ferramentas de biologia sintética e tecnologias “ômicas” — como proteômica e transcriptômica — têm acelerado a criação de linhagens mais produtivas e resilientes, mas o escalonamento industrial e o processamento downstream continuam sendo gargalos importantes.

Complemento à carne animal

Para a pesquisadora Paula Cunha, também da Unicamp, o objetivo não é substituir a carne animal, mas oferecer alternativas que diversifiquem a dieta e reduzam o impacto ambiental. “Integrar micoproteínas às cadeias alimentares existentes fortalece a segurança alimentar e aumenta a resiliência frente às mudanças climáticas”, conta.

Essa complementaridade pode transformar os fungos em peça-chave de sistemas agroindustriais mais sustentáveis e inclusivos.

Investimentos crescentes e aceitação do mercado

Nos últimos cinco anos, os investimentos em fermentação de biomassa fúngica superaram os da carne cultivada, somando 628 milhões de euros contra 459 milhões de euros. A atratividade se deve à menor complexidade tecnológica e à rápida entrada no mercado.

Micoproteínas derivadas do micélio, como as produzidas pela Quorn e pela Meati, oferecem até 48% de proteína, são ricas em fibras e têm sabor neutro, facilitando a incorporação em produtos análogos à carne ou híbridos que misturam proteína animal, vegetal e fúngica.

Ainda assim, limitações permanecem. O micélio apresenta baixa solubilidade, dificultando sua aplicação em alimentos líquidos. Algumas empresas, como a Nature’s Fynd, já iniciaram testes com iogurtes à base de micélio, abrindo novas frentes de mercado.

Mercado bilionário e sustentabilidade

Atualmente, o setor de análogos de carne com micélio é avaliado em US$ 7,2 bilhões e cresce a uma taxa anual de 10,78%. Já os substitutos de laticínios com base em micélio devem atingir US$ 32,38 bilhões até 2032, com crescimento ainda mais acelerado.

O cultivo do micélio tem baixa emissão de carbono, menor consumo de água e aproveitamento de subprodutos como substratos, o que fortalece sua circularidade. Apesar do gasto energético elevado, especialmente na fermentação submersa, o impacto ambiental é menor que o da pecuária tradicional.

Do ponto de vista nutricional, as micoproteínas são fontes de aminoácidos essenciais e minerais como zinco e selênio. Estudos já apontam benefícios como redução do colesterol, melhora da saciedade e controle da glicemia. No entanto, especialistas alertam para a necessidade de mais estudos sobre digestibilidade e potenciais reações alérgicas.

Futuro da alimentação

Produtos derivados de micélio ainda são classificados como “novos alimentos” e precisam de aprovações regulatórias específicas. Embora liberados pela FDA desde 2001, não existem diretrizes claras sobre ingestão diária e há restrições para crianças menores de três anos.

Empresas de biotecnologia seguem investindo em cepas seguras, escalonamento e diversificação de produtos. A Rhiza, micoproteína desenvolvida pela The Better Meat Co., já possibilita desde linguiças até carnes vegetais secas.

Se os avanços tecnológicos e regulatórios continuarem, os fungos poderão consolidar seu papel como protagonistas no futuro da alimentação global, oferecendo nutrição de qualidade com menor impacto ambiental.



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