
A guerra entre Israel e Irã já começa a se refletir no planejamento da próxima safra de soja brasileira. Segundo análise da StoneX, a instabilidade na região, que abriga importantes produtores e exportadores de fertilizantes, elevou os preços da ureia nos mercados internacionais e acendeu o sinal de alerta para quem ainda não garantiu os insumos.
O Irã, um dos principais fornecedores globais de nitrogenados, reduziu sua produção diante das incertezas. No Egito, outro ponto relevante, a interrupção do fornecimento de gás por Israel paralisou a fabricação de ureia. Como reflexo imediato, diversas ofertas foram retiradas do mercado e os preços subiram nos Estados Unidos, no Oriente Médio e também no Brasil.
De acordo com Tomás Pernías, analista da StoneX, ”o mercado reagiu rapidamente às notícias da guerra, interpretando o cenário como um fator de alta. O momento é desfavorável para quem ainda precisa comprar fertilizantes, especialmente com a aproximação da safra de soja.”
O impacto vai além dos preços dos fertilizantes. A alta do petróleo, intensificada pelas tensões no Oriente Médio, pode elevar os custos de frete marítimo e seguros internacionais, fatores que pesam diretamente sobre o custo de importação para o Brasil, país fortemente dependente de insumos externos.
Com o calendário de plantio da soja se aproximando, a recomendação é clara: produtores devem redobrar a atenção ao mercado de nitrogenados. A volatilidade geopolítica pode dificultar negociações e pressionar ainda mais os custos da próxima safra.

A tributação de títulos agrícolas, proposta pelo governo federal na medida provisória 1.303/2025, vai “fechar as portas” do crédito rural. A avaliação é do vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), José Mário Schreiner.
“Quando o governo recorre à tributação dos títulos agrícolas para tapar furo de déficit fiscal, ele praticamente fecha as portas do crédito rural”, disse Schreiner.
“O governo dá um sinal ruim ao mercado de quem não está nem aí e não faz o seu dever de casa”, criticou.
Ele destaca que os recursos públicos para subvenção do Plano Safra estão cada vez mais escassos, ao mesmo tempo que o setor recorre ao mercado privado por meio dos títulos agrícolas para cobrir o financiamento da agropecuária.
“A cada ano, os recursos para equalizar o Plano Safra são menores e mais direcionados à agricultura familiar. Nesse cenário, os médios e grandes produtores buscam acessar mais os títulos agrícolas. Quando há dificuldade cada vez maior de orçamento para recursos do crédito público para financiamento agropecuário e o governo interfere a colher no mercado privado, ele está fechando as portas do crédito rural”, disse o vice-presidente da CNA.
A proposta do governo prevê a tributação, a partir de 2026, em 5% sobre rendimentos de títulos que até então eram isentos. Essa medida afetará Certificado de Depósito Agropecuário (CDA), Warrant Agropecuário (WA), Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA), Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA), Cédula de Produto Rural (CPR), Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros, admitidos à negociação em bolsa ou mercado de balcão organizado).
As LCAs, tradicionalmente, representam a principal fonte de recursos para o financiamento do crédito rural, respondendo por cerca de 40% do financiamento do setor.
Na avaliação da CNA, a tributação dos títulos, até então isentos para pessoas físicas, vai diminuir a atratividade aos investidores e reduzir as emissões dos títulos, diminuindo assim o volume de crédito disponível através deles para o agronegócio.
“No ano passado, quando o Conselho Monetário Nacional aumentou de 90 dias para nove meses os prazos das LCAS, já houve uma diminuição absurda nas emissões”, ponderou.
Agora, a entidade vê efeito imediato da medida, mesmo que entre em vigor em 2026, com impactos já no Plano Safra 2025/26. “A tributação afasta os investidores, porque para o mercado é um sinal ruim de que o governo está disposto a qualquer coisa para minimizar o déficit fiscal sem cortar na carne. O mercado quer segurança e previsibilidade e não quebra de confiança.”
Para Schreiner, a medida de tributação dos títulos, vai aumentar a dificuldade dos produtores rurais de acessar o crédito. “É um desestímulo à diversificação de funding e às alternativas de financiamento. O crédito rural ficará mais caro, mais escasso, os juros vão subir e vai reduzir a competitividade do agronegócio, podendo afetar a inflação de alimentos e a geração de divisas ao País”, observou o vice-presidente da CNA.
O crédito mais caro e escasso ao produtor acarretaria, segundo Schreiner, em menor uso de tecnologia na atividade agropecuária, afetando a produtividade e a produção nacional de alimentos. “Isso pode pressionar a inflação de alimentos. É uma consequência possível em decorrência do maior curso de produção e do provável menor uso de tecnologia”, apontou Schreiner.
Ex-deputado federal por Goiás, Schreiner espera que o Congresso corrija a “distorção” gerada pela MP sobre as fontes de financiamento de crédito rural. “Há um equívoco muito grande na política econômica do governo ao não buscar enxugamento e sim taxação. Esperamos que o Congresso Nacional retire os trechos ou deixe a MP caducar”, diz.
Encerrada no último sábado (14), a 19ª edição da Bahia Farm Show 2025 reuniu 162.370 pessoas em seis dias de programação no município de Luís Eduardo Magalhães, no Oeste baiano, de acordo com a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), idealizadora e organizadora do evento. O público pôde conferir de perto as inovações e o potencial do agronegócio regional na maior feira de tecnologia agrícola do Norte e Nordeste do Brasil.
A movimentação nos corredores do complexo foi aumentando no decorrer dos dias de evento e contou com presença de produtores rurais, empresários, autoridades e visitantes em geral. Para muitos, uma oportunidade única de acompanhar de perto as novidades do setor.
“A feira é gigante, tô até com meus pés doendo porque realmente tem muita coisa pra ver, mas tá muito bacana”, contou a enfermeira Valquíria Fernandes.
Já o corretor de imóveis Ângelo Patrício, disse que a feira é importante para a economia da cidade: “Mesmo sendo corretor de imóveis, participar de uma feira como essa agrega valor. O agro é a força econômica da região, e isso reflete no nosso comércio também”, destacou.


Entre os destaques que chamaram a atenção do público estava um robô com inteligência artificial, programado para responder dúvidas sobre o campo.
O simulador de deriva, também exposto no evento, reforça a importância da irrigação e aplicação corretas.
“Nosso objetivo é instruir as equipes que fazem as aplicações nas fazendas. A gente para o pulverizador, verifica bicos, vazão e orienta conforme o tipo de produto utilizado”, explicou Renato Matos, gerente de marketing de uma empresa expositora.
O tema da edição — “Agro inteligente, futuro sustentável” — foi assunto principal de várias discussões e palestras que destacaram o protagonismo do oeste baiano e do estado que é dos maiores produtores de energias renováveis do país.
Além disso, a proposta reforçou o papel do Oeste da Bahia como um dos protagonistas da agricultura regenerativa brasileira.


Durante o evento, a Secretaria de Sustentabilidade de Luís Eduardo Magalhães apresentou um projeto para ampliar a destinação correta de pneus usados na cidade e no campo, ambrangendo também as propriedades rurais da região.
“Já conseguimos retirar dois barracões cheios de pneus da cidade. Agora o desafio é levar essa ação para as propriedades rurais, onde há pneus maiores e mais difíceis de descartar”, explicou o secretário Kenni Henke.
A tecnologia esteve presente em todos os espaços da feira. Drones, uma aeronave agrícola 100% elétrica e autônoma em operação no Brasil, pulverizadores e balanças integradas a sistemas digitais são apenas alguns exemplos.


Segundo André Luiz Siqueira Cardoso, analista de produtos, essas soluções reduzem falhas operacionais e aumentam a eficiência logística nas propriedades.
“A integração entre balança rodoviária e granel já determina o peso ideal de carga no caminhão, com mínima intervenção humana”, detalhou.
Com recorde de público, a organização da Bahia Farm Show já anunciou as datas da próxima edição: de 8 a 13 de junho de 2026.
“Alcançamos metas importantes voltadas para o ESG. A Bahia Farm Show evolui a cada ano e traz, além da inovação, uma discussão social e ambiental relevante para o setor”, afirmou o presidente do evento, Moisés Schmidt.
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Em latim, Corpus Christi significa Corpo de Cristo. Trata-se de uma festa religiosa da Igreja Católica que celebra a presença de Jesus Cristo na Eucaristia, ou seja, no pão (corpo) e no vinho (sangue) consagrados durante a missa.
Em 2025, esse dia é comemorado na próxima quinta-feira (19), marcando exatamente 60 dias após o fim da Páscoa. Esse intervalo é respeitado em todos os anos.
No Brasil, o governo federal classifica a data como ponto facultativo. Assim, os servidores públicos são dispensados do trabalho sem prejuízo no sálario, enquanto as empresas privadas (de 12 capitais) não são obrigadas a abrir mão de seus colaboradores.
Entretanto, a lei determina que cada município tem autonomia para decretar o Corpus Christi como feriado religioso. Desta forma, das 27 capitais brasileiras, 15 decretaram a data como feriado, ao passo que 12 adotaram o ponto facultativo:

O relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) trouxe mudanças tímidas para a safra 2024/25 de milho. O órgão manteve estimativas de produção para as lavouras norte-americanas (377,63 milhões de toneladas), brasileiras (130 milhões de toneladas) e argentinas (50 milhões de toneladas).
Quanto ao mercado, em Chicago, o contrato de milho para julho de 2025 encerrou a US$ 4,45 por bushel, com leve alta de 0,68% na semana. Na B3, o vencimento do mesmo mês caiu 1,97%, encerrando a R$ 63,30 por saca. As negociações físicas seguiram as pressões de baixa, com recuos na maior parte das regiões.
Análise da plataforma Grão Direto destaca o que esperar do mercado do cereal para o curto prazo. Atenção a possível queda de importações por parte do Irã, o principal destino do milho brasileiro no primeiro semestre deste ano. Confira os principais pontos:
No cenário atual, as cotações do milho devem continuar sendo pressionadas pela evolução da colheita no Brasil. Por outro lado, a demanda interna atuará como um fator de equilíbrio, ajudando a estabilizar os preços. No mercado internacional, o monitoramento do desenvolvimento da safra norte-americana continuará sendo crucial, com o potencial de gerar volatilidade nas cotações.
A COCERAL, associação europeia de comércio agrícola, divulgou sua terceira estimativa para a safra de grãos da UE-27 mais Reino Unido em 2025, prevendo uma colheita de 300,7 milhões de toneladas. O volume representa um aumento de 4,6 milhões de toneladas em relação à projeção anterior, feita em março, e supera em mais de 20 milhões de toneladas, ou 7%, o total colhido no ano passado. Segundo a entidade, as condições climáticas favoráveis em regiões como sudeste da Europa, Espanha e França foram determinantes para a revisão positiva dos números.
No caso do trigo (excluindo o trigo duro), a produção estimada saltou para 143,1 milhões de toneladas, acima das 137,2 milhões previstas em março e bem acima das 126,3 milhões de toneladas colhidas no ano passado. Essa recuperação expressiva reforça o otimismo de produtores e comerciantes europeus diante de um cenário climático mais estável e de boas perspectivas de produtividade para as principais áreas produtoras.
A produção de cevada para 2025 também foi ajustada para cima, chegando a 59,2 milhões de toneladas, levemente superior aos 58,8 milhões projetados anteriormente e acima das 57,1 milhões de toneladas colhidas em 2024. Já a safra de milho, embora apresente aumento em relação a 2024 — passando de 59,7 milhões para 60,6 milhões de toneladas — teve uma leve redução em comparação à estimativa anterior de 63,3 milhões. Essa revisão reflete uma área plantada menor do que a inicialmente prevista e a opção de muitos agricultores por sementes de girassol.
Por fim, a colheita de colza deverá alcançar 20 milhões de toneladas, recuperando-se dos 17,9 milhões do ano passado. Esse aumento é atribuído, principalmente, ao retorno do plantio normal em países como Romênia e Bulgária, além da melhora da produtividade na França e na Alemanha. A previsão para a colza permanece inalterada desde março, consolidando a expectativa de um ano promissor para o grão oleaginoso na Europa.
Todas as frentes seguem alinhadas ao Movimento Pró-Feijão
Agrolink
– Leonardo Gottems

Todas as frentes seguem alinhadas ao Movimento Pró-Feijão – Foto: Canva
Segundo informações do Instituto Brasileiro de feijão e Pulses (IBRAFE), o setor de feijão e Gergelim vive um momento de consolidação nacional, deixando para trás a atuação isolada de produtores para se estruturar como uma frente unificada, com representação política, apoio institucional e base técnica sólida.
Nesta semana, em Brasília, lideranças do IBRAFE reuniram-se com os deputados Zé Vitor (MG) e Marussa Boldrin (GO), que manifestaram total apoio às principais demandas do segmento, como a Campanha Nacional de Estímulo ao Consumo de Feijão, a criação do Fundo Nacional do Feijão, o estabelecimento do Dia Nacional do Feijão, a inclusão do grão na merenda escolar, além de avanços em rastreabilidade, logística, certificações e escoamento da produção.
Minas Gerais, por meio da IRRIGANOR e com o apoio do deputado Zé Vitor, se torna peça chave nesse movimento de valorização do Feijão e do Gergelim. A articulação nacional já conta com o engajamento de outros estados estratégicos, como Paraná, representado pelo deputado Pedro Lupion; Goiás, com Marussa Boldrin; Mato Grosso, com a SEDEC e a APROFIR (liderada por Hugo Garcia e Afrânio Migliari); São Paulo, com Frederico D’Avila; além de Tocantins e Bahia, que avançam na mobilização local. A Sociedade Rural Brasileira (SRB) também reforça o compromisso de liderar ações em todo o país.
Todas essas frentes seguem alinhadas ao Movimento Pró-Feijão, aprovado na Câmara Setorial do Feijão e Pulses e lançado durante o 9º Fórum Brasileiro do Feijão. O documento norteia desde campanhas para aumentar o consumo até estratégias de acesso a novos mercados internacionais, consolidando diretrizes para o fortalecimento de toda a cadeia produtiva. Outro marco importante foi a conquista de um assento do IBRAFE no IPA – Instituto Pensar Agro, o principal fórum técnico da Frente Parlamentar da Agropecuária, com apoio da ABRAFRUTAS, ABINS e da RENAI, representada por João Carlos De Carli.

O mercado de soja apresentou leve valorização nas bolsas internacionais, reflexo da combinação de fatores climáticos, geopolíticos e econômicos. Segundo a plataforma Grão Direto, enquanto a produção global mantém estabilidade, o Brasil segue como protagonista com previsão de safra recorde, ao mesmo tempo em que o excesso de chuvas nos Estados Unidos levanta preocupações sobre o plantio.
O relatório de oferta e demanda divulgado nesta semana não trouxe grandes alterações. Nos Estados Unidos, a produção e os estoques finais de soja permaneceram inalterados. O mesmo ocorreu com as previsões para Brasil e Argentina, que tiveram apenas um ajuste positivo nos estoques finais.
Já no Brasil, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elevou sua estimativa para a safra 2024/25 para 169,6 milhões de toneladas, um recorde. O número representa crescimento de 14,8% em relação à temporada anterior, prejudicada pela seca.
O ataque militar de Israel ao Irã agitou os mercados na sexta-feira (13), impulsionando os preços do petróleo. A alta da commodity energética refletiu também sobre os derivados da soja, especialmente o óleo.
Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros da oleaginosa reagiram positivamente. O vencimento de julho de 2025 subiu 0,95% na semana, encerrando a US$ 10,68 por bushel. Já o contrato de março de 2026 avançou 1,98%, fechando a US$ 10,81.
No Brasil, o dólar caiu 0,54% e fechou a R$ 5,54, favorecendo ligeiras altas no mercado físico da soja em diversas regiões produtoras.
Apesar da redução temporária das tarifas de importação da soja norte-americana, de 125% para 10%, a China limitou suas compras a volumes simbólicos. As vendas semanais dos Estados Unidos para o país asiático caíram ao menor patamar do ano: 61,4 mil toneladas, 74% abaixo da média das últimas quatro semanas.
Com isso, a Indonésia passou a ser o principal destino da soja dos EUA. O Brasil, por sua vez, segue como o maior fornecedor para a China, responsável por 72% das exportações do grão destinadas ao país.
O clima voltou ao centro das atenções. No cinturão agrícola dos EUA (Corn Belt), as chuvas intensas atrapalham o avanço do plantio em estados como Iowa, Illinois e Indiana. Se as precipitações persistirem até 20 de junho, áreas ainda não semeadas podem ser abandonadas, reduzindo a área total cultivada.
Além disso, após essa data, produtores perdem a cobertura de seguro, o que aumenta os riscos financeiros. As previsões indicam volumes acumulados de até 150 mm até o dia 18, o que deve manter os campos alagados e dificultar o uso de maquinário. Com isso, agricultores podem recorrer a culturas de ciclo mais curto, menos rentáveis.
No Brasil, cresce a preocupação com a proposta de taxação das Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA), atualmente isentas de Imposto de Renda para pessoas físicas. Caso a medida avance, o setor teme aumento no custo de captação de recursos, tornando o crédito mais caro e reduzindo o apelo dessas opções de investimento.
A mudança pode impactar o financiamento da produção e da infraestrutura agrícola, além de comprometer a competitividade brasileira no mercado internacional.
As cotações da soja devem continuar sensíveis aos desdobramentos do conflito entre Israel e Irã, bem como aos efeitos do novo acordo comercial entre China e Estados Unidos. O dólar, pressionado, pode romper a barreira de R$ 5,50 nos próximos dias.
Já em Chicago, espera-se que os preços sigam com viés positivo, sustentados pelas incertezas climáticas nos EUA e pelo apetite contínuo da China pela soja brasileira.

O mercado financeiro melhorou suas expectativas com relação à inflação e ao crescimento da economia brasileira para 2025. Trabalha também com a previsão de desvalorização do dólar, até o final do ano. É o que indica o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (16) pelo Banco Central (BC).
Com relação ao Produto Interno Bruto (PIB, a soma das riquezas produzidas no país), o mercado aumentou pela segunda semana consecutiva as expectativas de crescimento. Há uma semana, projetava crescimento de 2,18% ao final de 2025 com um crescimento de 2,18% – percentual que subiu para 2,20% na pesquisa divulgada hoje.
Há quatro semanas, a expectativa de crescimento da economia do país estava em 2,02%. Para os anos subsequentes, espera-se um PIB de 1,83%, para 2026; e de 2% em 2027.
Puxada pela agropecuária, no primeiro trimestre de 2025 a economia brasileira cresceu 1,4%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2024, o PIB fechou com alta de 3,4%.
O resultado representa o quarto ano seguido de crescimento, sendo a maior expansão desde 2021 quando o PIB alcançou 4,8%.
A expectativa do mercado para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, é que, em 2025, fique em 5,25%, ante aos 5,44% projetados há uma semana; e aos 5,5% projetados há quatro semanas.
Para 2026 e 2027, as projeções de inflação do mercado financeiro permanecem estáveis, em 4,5% e 4%, respectivamente.
Em maio, a inflação oficial do país ficou em 0,26%, taxa inferior às observadas em abril deste ano (0,43%); e em maio do ano passado (0,46%). Segundo o BC, a inflação oficial acumula taxas de 2,75% no ano; e de 5,32% em 12 meses.
O grupo de despesas que mais impactou na inflação de maio foi o de habitação, com uma alta de preços de 1,19%, influenciada principalmente pelo aumento da energia elétrica residencial (3,62%).
Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida em 14,75% ao ano.
A alta do preço dos alimentos e da energia e as incertezas em torno da economia global fizeram o BC aumentar mais uma vez os juros em 0,5 ponto percentual na última reunião, mês passado. Foi o sexto aumento seguido da Selic em um ciclo de contração na política monetária.
Em comunicado, o Comitê de Política Monetária (Copom) não deu pistas sobre o que deve ocorrer na próxima reunião, prevista para iniciar nesta terça-feira (17). Afirmou apenas que o clima de incerteza permanece alto e exigirá prudência da autoridade monetária, tanto em eventuais aumentos futuros como no período em que a Selic deve ficar em 14,75% ao ano.
A expectativa do mercado financeiro é de que este percentual seja o mesmo ao final de 2025, caindo para 12,5% em 2026; e 10,5% em 2027.
Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida. Isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.
Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas. Dessa forma, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia.
Quando a taxa Selic é reduzida, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.
Com relação ao câmbio, a expectativa do mercado financeiro é que o dólar, atualmente cotado a R$ 5,51, termine 2025 custando R$ 5,77.
O valor está abaixo da projeção divulgada há uma semana, quando o boletim indicava que a moeda norte-americana fecharia 2025 cotado a R$ 5,80. Há quatro semanas a expectativa apresentava valor ainda mais alto: R$ 5,82.
Para os anos seguintes (2026 e 2027), a projeção do mercado é que o dólar fechara o ano cotado no mesmo valor, de R$ 5,80.