O mercado físico do boi gordo volta a se deparar com queda das cotações. Em Rondônia, por exemplo, as negociações da arroba passaram a acontecer abaixo de R$ 270 a prazo.
Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, as escalas de abate estão confortáveis, justificando a adoção desse tipo de estratégia por parte da indústria frigorífica.
“A demanda segue como um limitador para movimentos mais contundentes de queda, considerando o ótimo ritmo de embarques, somado a boa propensão ao consumo durante a primeira quinzena do mês”, disse.
O mercado atacadista segue com preços acomodados para a carne bovina, mas mantém perspectiva positiva para a semana do Dia das Mães.
O quarto traseiro ainda é precificado a R$ 25,00 por quilo, o dianteiro segue no patamar de R$ 20,50 por quilo e a ponta de agulha ainda é cotada a R$ 18,50, por quilo.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão em alta de 0,58%, sendo negociado a R$ 5,7439 para venda e a R$ 5,7419 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,6981 e a máxima de R$ 5,7636.
O mercado brasileiro de soja registrou preços firmes nesta quarta-feira (7), com cotações variando entre estáveis e mais altas. Segundo o consultor da Safras & Mercado, Rafael Silveira, houve uma movimentação um pouco melhor do que a observada na terça-feira, mas ainda considerada lenta em relação a abril.
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Silveira destaca que o produtor segue vendendo de forma pontual, com foco na necessidade imediata e pouca disposição para avançar em novas negociações. “No geral, o produtor está bem capitalizado. Temos grandes volumes já negociados”, afirma o consultor. Além disso, os prêmios cederam levemente no dia, o que também contribuiu para a cautela do mercado.
Preços por região
Passo Fundo (RS): subiu de R$ 126,00 para R$ 127,00
Santa Rosa (RS): subiu de R$ 127,00 para R$ 128,00
Porto de Rio Grande (RS): subiu de R$ 131,00 para R$ 133,00
Cascavel (PR): subiu de R$ 127,00 para R$ 128,00
Porto de Paranaguá (PR): subiu de R$ 133,00 para R$ 134,00
Rondonópolis (MT): subiu de R$ 114,00 para R$ 115,00
Dourados (MS): subiu de R$ 118,00 para R$ 119,00
Rio Verde (GO): manteve em R$ 115,00
Soja em Chicago
Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) encerraram a quarta-feira com preços mistos. As primeiras posições recuaram, enquanto os contratos mais distantes permaneceram no campo positivo.
O mercado se apoiou, ao longo do dia, nas notícias sobre o avanço das negociações comerciais entre China e Estados Unidos. Os dois países anunciaram conversas para o final de semana, na Suíça. No entanto, fatores como o bom ritmo do plantio norte-americano, a demanda ainda enfraquecida pela soja dos EUA, a queda do petróleo e a valorização do dólar limitaram os ganhos.
Contratos futuros da soja
Os contratos da soja em grão com entrega em julho fecharam com baixa de 2,00 centavos de dólar (0,19%), cotados a US$ 10,39 1/4 por bushel. A posição novembro encerrou a US$ 10,22 por bushel, com alta de 2,75 centavos (0,26%).
Nos subprodutos, o farelo com vencimento em julho teve alta de US$ 2,00 (0,68%), para US$ 295,00 por tonelada. Já o óleo fechou a 47,33 centavos de dólar por libra-peso, com recuo de 1,02 centavo (2,10%).
Câmbio
O dólar comercial encerrou o dia com alta de 0,58%, negociado a R$ 5,7439 para venda e a R$ 5,7419 para compra. Ao longo do dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,6981 e a máxima de R$ 5,7636.
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Foto: Pixabay
A colheita de caqui avança na região de Caxias do Sul, impulsionada pelas condições climáticas favoráveis, segundo o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar na quarta-feira (30). Conforme o levantamento, os caquizeiros apresentam boa sanidade e os frutos chegam ao mercado com calibre, sabor e coloração adequados.
A variedade Fuyu, também conhecida como “chocolate branco”, registrou frutos de maior calibre nesta safra, mas com menor volume disponível para venda. “O descolamento do cálice, uma anomalia fisiológica, compromete parte da produção, tornando o caqui impróprio para comercialização e resultando no descarte ainda nos pomares”, informa o relatório.
A alta oferta da fruta reflete diretamente na queda dos preços, com a variedade Fuyu sendo comercializada a R$ 2,00 o quilo a granel. Em contrapartida, a produção de caqui Kioto está mais restrita, o que eleva o valor de mercado dessa variedade.
Alguns produtores, com o objetivo de prolongar o período de venda e buscar melhores preços, estão optando por armazenar os frutos em ambientes refrigerados. “Essa estratégia aumenta o custo de produção, mas permite o escalonamento da oferta no mercado”, destaca a Emater/RS-Ascar.
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) completa 52 anos nesta quarta-feira (7) e celebra a data com uma programação voltada ao enfrentamento das mudanças climáticas e à promoção de uma agricultura mais sustentável. A solenidade na sede da Embrapa, em Brasília, marca o início da Jornada pelo Clima, iniciativa que busca debater e apresentar soluções para uma produção agrícola de baixo carbono, inclusiva e resiliente.
Um dos destaques da jornada é a série Diálogos pelo Clima, um circuito de sete encontros que percorrerá todos os biomas do país até outubro. Os eventos vão reunir representantes do governo, universidades, ONGs, setor privado e lideranças do agro para discutir estratégias e desafios da agricultura frente às mudanças climáticas, tendo como pano de fundo a COP30, que acontecerá em novembro, em Belém (PA).
As contribuições colhidas ao longo do percurso serão consolidadas em um documento que será entregue ao presidente da conferência, embaixador André Corrêa do Lago.
Durante a cerimônia de aniversário também serão lançadas novas tecnologias, entre elas três cultivares, sete ferramentas digitais, uma prática agropecuária e um modelo de produção. A Embrapa apresentará ainda a Vitrine de Tecnologias pelo Clima, um espaço virtual com 150 soluções sustentáveis para o campo.
Outro destaque é a publicação Recupera Rural RS, que traz um diagnóstico sobre a vulnerabilidade da Serra Gaúcha a eventos extremos, com propostas para reduzir riscos climáticos. A obra foi produzida por equipes da Embrapa em parceria com instituições locais.
O evento também marca a apresentação do novo Balanço Social da Embrapa, que aponta um aumento de 17% no lucro social gerado pela empresa em 2024, na comparação com o ano anterior.
O Ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, que está em missão na Angola, parabenizou a Embrapa e destacou o trabalho da empresa no desenvolvimento do agro brasileiro.
A programação de aniversário segue na quinta-feira (8) com reunião dos gestores da empresa e homenagem no Congresso Nacional.
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Esse período é tradicionalmente caracterizado por alta volatilidade – Foto: Emerson Peres
Segundo informações da StoneX, as cotações da soja na Bolsa de Chicago (CBOT) encerraram a semana passada com leve baixa, refletindo um cenário de incertezas comerciais e início da safra norte-americana. No fechamento do dia 2 de maio, o contrato com vencimento em julho ficou em 1.058 centavos de dólar por bushel, registrando queda de 0,1% em sete dias. Apesar da ausência de avanços concretos nas negociações entre Estados Unidos e China, o mercado reagiu positivamente aos recentes gestos diplomáticos entre as duas potências.
Nos próximos dias, a atenção dos investidores e agentes do setor estará voltada a dois fatores principais nos Estados Unidos. O primeiro é a expectativa de que o governo anuncie aumentos nos mandatos de mistura de biodiesel e diesel renovável, medida que pode impulsionar a demanda por óleo de soja. O segundo ponto de interesse é o avanço do plantio da nova safra americana de soja, que marca o início do chamado “mercado climático”.
Esse período é tradicionalmente caracterizado por alta volatilidade, pois o desempenho da safra depende fortemente das condições meteorológicas. Qualquer alteração climática significativa pode impactar a produtividade e, consequentemente, os preços internacionais da oleaginosa.
Diante desse cenário, o mercado deve manter um comportamento cauteloso, monitorando tanto os desdobramentos das negociações comerciais quanto o progresso do plantio nos EUA. Ambos os fatores terão papel central na definição da tendência dos preços da soja nas próximas semanas. As informações foram divulgadas nesta semana.
Acumulados de chuva que podem ultrapassar os 300 mm entre esta quarta-feira (7) e a próxima sexta (9). É o que mostram os modelos climáticos para o Rio Grande do Sul.
Diversas regiões do estado (veja mapa abaixo) devem ser afetadas. Além disso, os acumulados tendem a ser acompanhados por granizo e ventos intensos.
A Climatempo enfatiza que os maiores acumulados de chuva no período se concentram na faixa oeste e na Região das Missões, com previsão superior a 300 mm nas áreas em azul escuro no mapa.
Foto: Climatempo
Na imagem acima, é possível notar que os volumes nas regiões gaúchas devem ser os seguintes:
Região de Uruguaiana: variam entre 200 mm e 300 mm;
Campanha e no sul do estado: de 100 mm a 200 mm
Faixa centro-norte, incluindo a Região Metropolitana de Porto Alegre: entre 50 mm e 100 mm
“A situação é de tempo severo, com potencial para granizo, ventos que podem ultrapassar os 90 km/h e até ocorrência de microexplosões — eventos localizados com rajadas de vento muito intensas em curto período de tempo”, diz nota da Climatempo.
Previsão de chuva nas cidades
A Climatempo informa que na quinta-feira (9), os maiores volumes de chuva estão previstos para cidades do oeste e sul do estado:
Uruguaiana: 201 mm estimados;
Quaraí: 167 mm;
Barra do Quaraí: 138 mm;
São Gabriel: 94 mm
Rosário do Sul: 85 mm;
Bagé: 80 mm;
Santana do Livramento: 71 mm;
Dom Pedrito: 64 mm;
São Lourenço do Sul: 60 mm; e
Canguçu: 59 mm
Já na sexta-feira (10), os acumulados mais expressivos migram para o sul e centro do estado:
São Lourenço do Sul: 191 mm previstos;
Camaquã: 175 mm;
Arambaré: 163 mm;
Caçapava do Sul: 154 mm
Mostardas: 146 mm;
São Sepé: 144 mm;
Canguçu: 140 mm;
Encruzilhada do Sul: 137 mm;
Tapes: 123 mm;
São Gabriel: 114 mm
Tendência para o fim de semana
É importante destacar que, para o mês de maio, a média histórica de chuva no Rio Grande do Sul varia entre 140 mm e 180 mm. Isso significa que em apenas dois dias, diversas localidades do estado poderão acumular mais chuva do que o esperado para o mês inteiro.
A tendência para o final de semana é de diminuição dos volumes de chuva, com o avanço de uma massa de ar mais fria, que deve trazer também a queda nas temperaturas.
O que motiva o grande volume de chuva?
A Climatempo lembra que desde o início da semana, uma forte massa de ar seco se estabeleceu sobre a região central do Brasil. Esse sistema, ao impedir o avanço das frentes frias para o Sudeste e Centro-Oeste, acaba “empurrando” essas instabilidades para o Sul do país.
Com isso, as frentes frias que tentam cruzar o Rio Grande do Sul acabam ficando bloqueadas e se deslocam lentamente. Isso favorece a formação de grandes nuvens carregadas, uma vez que o ar frio — mais pesado — interage com a massa quente instalada sobre o estado, promovendo a ascensão do ar e o desenvolvimento de temporais.
Além disso, ventos quentes e úmidos que sopram da faixa norte do Brasil contribuem para o aumento da umidade disponível na atmosfera gaúcha, reforçando as instabilidades.
Duas tragédias no interior de silos de grãos foram registradas nesta semana em diferentes regiões do Brasil, o que reforça sobre os riscos enfrentados por trabalhadores do setor agrícola e a necessidade urgente de medidas rigorosas de segurança no meio rural.
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No último domingo (4), Fabrício Fabiano Moraes, de 34 anos, morreu após cair em um silo de beneficiamento de soja na localidade de Pinheiro, no interior de Candelária, no Vale do Rio Pardo (RS). Segundo os Bombeiros Voluntários de Candelária, ele realizava atividades operacionais quando caiu e foi rapidamente soterrado pelos grãos.
Durante o ocorrido, colegas de trabalho tentaram socorrê-lo, mas ele já estava sem sinais vitais quando as equipes de resgate chegaram. A grande quantidade de soja armazenada dificultou os trabalhos, exigindo um longo esforço para a remoção do corpo. A Polícia Civil apura o caso.
Dois dias depois, nesta terça-feira (6), Lucas Kauan Palhari dos Santos, de apenas 18 anos, também perdeu a vida em circunstância semelhante em uma fazenda na Comunidade Ouro Branco, em Nova Canaã do Norte (MT), a 696 km de Cuiabá. De acordo com a Polícia Civil, o rapaz conseguiu pedir ajuda e a máquina foi desligada rapidamente, mas os ferimentos foram fatais.
A necessidade de segurança
De acordo com o Tribunal Superior do Trabalho (TST), o setor agrícola enfrenta desafios na prevenção de acidentes, especialmente devido à falta de dados atualizados sobre ocorridos em silos. Isso dificulta a formulação de medidas eficazes, enquanto o número insuficiente de fiscais não acompanha o crescimento acelerado do agronegócio no Brasil.
Engolfamento e soterramento em silos
O TST identifica dois tipos principais de acidentes em silos: engolfamento, quando o trabalhador é tragado pelos grãos devido a um vácuo no armazenamento, e soterramento, como nos casos recentes, em que placas de grãos caem sobre os trabalhadores.
Os trágicos episódios evidenciam a urgência de reforçar as medidas de segurança nas unidades de armazenamento. O uso rigoroso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) é essencial para proteger os trabalhadores contra riscos como asfixia, explosões e soterramentos, comuns em ambientes com alta concentração de poeira de grãos e outros perigos.
A surpreendente confirmação de um encontro bilateral entre os Estados Unidos e a China nesta semana, em Genebra, reacende as expectativas — e também as incertezas — sobre o futuro das relações comerciais entre as duas maiores potências econômicas do planeta. O encontro, que será realizado a partir da sexta-feira (9), colocará frente a frente o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng.
Mais do que um gesto diplomático, a reunião pode significar o início de uma reviravolta nas análises que vinham sendo feitas até agora sobre o redesenho do comércio internacional. Após semanas de escalada nas tensões, com tarifas norte-americanas chegando a 145% sobre produtos chineses — uma ofensiva promovida diretamente pelo presidente Donald Trump —, o gesto de diálogo em solo neutro pode representar uma mudança radical de rota.
Do lado chinês, a retaliação também foi dura: tarifas de até 125% sobre produtos norte-americanos, num claro sinal de que Pequim não aceitaria a ofensiva sem reação. Ambos os lados endureceram o discurso nas últimas semanas, indicando que não haveria concessões. Agora, no entanto, o encontro entre Scott Bessent e He Lifeng, acompanhado do representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, promete redesenhar esse cenário.
China – EUA: um encontro, muitos impactos
Apesar da falta de detalhes sobre a agenda ou os termos esperados da conversa, o simples fato de ela ocorrer já sacode o tabuleiro geopolítico e econômico global. O mundo observava uma tendência clara de fragmentação comercial, com cadeias produtivas sendo redirecionadas, empresas relocalizando fábricas e países do sul global sendo alvos de novas disputas por influência econômica.
A depender do tom e dos resultados do encontro, analistas poderão ser obrigados a rever projeções sobre o comportamento do comércio internacional para os próximos anos. Um eventual alívio tarifário entre as duas potências reduziria o custo de insumos industriais, mudaria as decisões de investimento e poderia impactar inclusive a inflação global — especialmente nos Estados Unidos.
Brasil e agronegócio: alerta ligado!
Para o Brasil e, em especial, para o agronegócio brasileiro, as negociações ganham relevância imediata. A guerra comercial entre EUA e China, iniciada ainda no governo Trump, abriu oportunidades para exportadores brasileiros — sobretudo de soja, carne e algodão. A redução dessas tensões pode reconfigurar novamente os fluxos de exportação, exigindo rápida adaptação de produtores e governos.
Além disso, se um acordo efetivo vier a ser firmado, ele pode reduzir a pressão inflacionária nos EUA, o que teria efeitos indiretos sobre as taxas de juros globais — incluindo as brasileiras — e o apetite por commodities.
Conclusão
Este encontro em Genebra pode ser mais do que um gesto diplomático: pode representar uma virada de página em um dos capítulos mais tensos do comércio internacional nas últimas décadas. A depender de seus desdobramentos, o cenário global poderá caminhar para mais previsibilidade e cooperação — ou decepcionar e aprofundar as divisões.
A análise de cada gesto e declaração nos próximos dias será fundamental para entender se o mundo caminha para uma nova ordem comercial ou para mais um capítulo de confrontos. Para o Brasil, não basta apenas assistir — é preciso antecipar cenários, posicionar-se estrategicamente e proteger seus mercados.
Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (Capadr) recebeu, nesta terça-feira (6), o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, para prestar esclarecimentos sobre as ações conduzidas pela pasta. Entre os assuntos discutidos no encontro, a reforma agrária foi um dos mais debatidos.
Além disso, deputados da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) expressaram preocupação com o aumento das invasões de terras promovidas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) durante a gestão atual. Eles também questionaram a participação de pessoas ligadas ao movimento em comitês dedicados à promoção da paz no campo.
Segundo o presidente da Capadr e coordenador da Comissão de Seguro Rural da FPA, deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS), os dados indicam um crescimento expressivo nas invasões de terras desde 2023, o que levanta dúvidas sobre a relação entre o governo federal, o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e movimentos sociais.
“Só no primeiro ano da atual gestão, foram registradas 72 invasões — número superior ao total entre 2019 e 2022. Resta-nos questionar se algo está sendo feito, porque o que vemos é uma conivência e omissão absurda por parte do governo”, afirmou Nogueira.
O deputado Evair de Melo (PP-ES), coordenador de Direito de Propriedade da FPA, afirmou que termos como “reforma agrária” e “agricultura familiar” teriam sido apropriados ideologicamente pelo MST. “Reforma agrária não tem relação com o MST, nem com o PT ou com o MDA. Onde ela é feita de forma justa e legal, o MST não aparece”, declarou. Reforma agrária em debate
A deputada Carolina de Toni (PL-SC) também cobrou explicações do ministro e disse que as famílias assentadas continuam vivendo em condições precárias, aguardando títulos provisórios ou definitivos para garantir autonomia. Segundo ela, até 2016, grupos clandestinos decidiam quais terras seriam ocupadas e quem seria beneficiado.
“O MST, um grupo terrorista, escolhia mediante violência quais terras seriam tomadas e quem seriam os beneficiários. Essa é a reforma agrária que o atual governo defende? A moralização veio em 2019, com exigência de critérios legais, mas tudo isso acabou em 2023”, criticou.
De Toni destacou que o Brasil tem 87 milhões de hectares destinados à reforma agrária, mais do que os 61 milhões utilizados para o cultivo de grãos. “A produção dessas famílias não chega a um salário mínimo por mês, em média. Isso é indignidade. Quem não obedece às regras impostas pelo MST é punido e excluído. Parece um projeto de clientelismo político”, acusou.
Resposta do ministro sobre a reforma agrária invasões do MST
Paulo Teixeira rebateu as acusações e criticou o que chamou de “criminalização das organizações do campo”. Segundo ele, o Programa Nacional de Reforma Agrária (PNRA) está amparado pela Constituição.
“As ocupações foram protestos, não permanentes. Se houver violação do direito de propriedade, a Justiça deve ser acionada. O programa de reforma agrária está sendo executado rigorosamente dentro da lei”, garantiu. Inflação dos alimentos
O ministro também foi questionado sobre a alta no preço dos alimentos. Ele afirmou que várias áreas do governo estão monitorando a inflação e apontou queda recente nos preços de arroz e feijão, impulsionada pelo aumento da produção. Produtos como ovos, milho e óleo também registraram deflação. No entanto, o cenário da carne ainda é instável, influenciado, segundo ele, por fatores externos, como a guerra tarifária iniciada nos Estados Unidos durante o governo Trump.
“O preço dos alimentos começou a ceder, mas ainda precisa cair mais”, disse Teixeira.
A resposta não convenceu o deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES), que criticou a análise do ministro. “Ela é tecnicamente rasa e não reflete a realidade no campo. Alimento barato para quem consome às custas de quem produz é a miséria do agricultor”, rebateu.
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que também estava prevista para prestar esclarecimentos à Comissão nesta quarta-feira (7), informou que não poderá comparecer.
O Banco do Brasil concluiu sua participação na 30ª edição da Agrishow na última sexta-feira (2) com R$ 4,75 bilhões em propostas de financiamento acolhidas durante os cinco dias de evento.
O volume é mais de 50% superior à estimativa inicial de R$ 3 bilhões e representa o maior valor já alcançado pelo BB em todas as participações na maior feira de agronegócios da América Latina.
“Esse resultado reafirma o protagonismo do Banco no agro brasileiro, com soluções completas para pequenos, médios e grandes produtores e produtoras de todas as regiões do país”, afirma Luiz Gustavo Braz Lage, vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do Banco do Brasil.
A instituição é a única do setor financeiro a participar de todas as edições da Agrishow desde sua criação, em 1994, e foi homenageada pela organização da feira neste ano pelas 30 edições consecutivas.