segunda-feira, maio 11, 2026

Autor: Redação

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aumento da mistura de etanol na gasolina pressiona preços



No Brasil, os preços internos permaneceram firmes




Foto: Divulgação

O mercado de açúcar encerrou julho com preços em alta, reflexo direto do aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, que entrou em vigor a partir de agosto. A mudança para o B15 elevou a demanda pelo biocombustível, impactando o mix de produção das usinas e sustentando as cotações do adoçante.

Segundo o relatório Agro Mensal Itaú BBA, a maior destinação da cana para produção de etanol reduziu a oferta de açúcar no mercado, pressionando os preços internacionais. A volatilidade do petróleo e a incerteza geopolítica global também contribuíram para a oscilação das cotações.

No Brasil, os preços internos permaneceram firmes, apoiados pela competitividade das exportações. O real mais fraco frente ao dólar favoreceu os embarques, garantindo margens atrativas para o setor sucroenergético.

No cenário internacional, a demanda por açúcar brasileiro segue elevada, especialmente por parte de países asiáticos e do Oriente Médio. A redução da oferta de alguns concorrentes, como Índia e Tailândia, ampliou o espaço para o produto nacional no mercado global.

O clima favorável nas regiões produtoras de cana-de-açúcar ajudou a manter um bom ritmo de moagem, mas a expectativa é de que as usinas continuem priorizando o etanol enquanto a paridade de preços se mantiver vantajosa.

Para os próximos meses, o setor seguirá atento às variações cambiais e à evolução da demanda global, com projeções que indicam continuidade de preços sustentados até o encerramento da safra 2025/26.





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AgroNewsPolítica & Agro

mercados seguem em direções opostas no Brasil



O óleo de soja foi beneficiado pela alta nos preços internacionais




Foto: Divulgação

O mercado de farelo e óleo de soja manteve trajetórias distintas em julho. Enquanto o farelo registrou a sexta queda mensal consecutiva em Chicago, recuando 6,2%, o óleo teve valorização expressiva de 9%, impulsionado pela firme demanda e pelo aumento do mandato de biodiesel no Brasil.

Segundo o relatório Agro Mensal Itaú BBA, a oferta elevada de farelo no mercado global, resultado do aumento do esmagamento, continua pressionando as cotações. No Brasil, a concorrência com o produto argentino intensificou a queda dos preços e reduziu a rentabilidade das indústrias esmagadoras.

O óleo de soja, por sua vez, foi beneficiado pela alta nos preços internacionais e pela entrada em vigor do B15, que elevou as expectativas de consumo interno. No Mato Grosso, a cotação subiu 4% em julho, atingindo R$ 5.955/t.

As margens de esmagamento nos Estados Unidos e na China seguem positivas, sustentadas por custos mais baixos e demanda firme. No Brasil, porém, os custos mais altos da matéria-prima e a pressão sobre o farelo têm reduzido a atratividade da operação.

A Abiove revisou para cima a estimativa de esmagamento de soja para 2025, projetando 57,8 milhões de toneladas, 3,6% acima de 2024. A expectativa é que o óleo siga com suporte da demanda, enquanto o farelo dependerá do ritmo das exportações para evitar novas quedas.

No cenário de médio prazo, a indústria brasileira busca estratégias para equilibrar o impacto da pressão externa sobre o farelo com as oportunidades geradas pela expansão do mercado interno de biodiesel.





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Derrubada de dois vetos da lei do licenciamento ambiental é inegociável, considera FPA



A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) retomou nesta quarta-feira (13) as reuniões semanais pós-recesso do Congresso. Entre os temas que foram discutidos pela bancada estiveram os 63 vetos à Lei do Licenciamento Ambiental assinados pelo presidente Lula na última sexta-feira (8).

Para o deputado Zé Vitor, relator da matéria, o governo desmontou completamente a ideia da lei, sendo que o setor produtivo não deve abrir mão de dois pontos prioritários: a volta da autonomia dos estados para definir regras para licenças; e acabar com a exigência de Cadastro Ambiental Rural (CAR) para liberar licenças simplificadas.

“O projeto de lei apresentado por eles, o projeto sancionado com os vetos, eles não se conversam. Se de repente tudo o que está aí hoje se mantém como está, nós não teremos uma lei de licenciamento ambiental no Brasil. Não há nenhuma sinergia em tudo isso que foi apresentado”, diz.

Segundo ele, o próprio governo está contando com a atuação do Congresso para corrigir tais incongruências. “Do contrário, não tem obra que sai no Brasil, não tem escola que sai no Brasil, não tem creche que sai no Brasil, vamos continuar sem rodovias pavimentadas, enfim, a gente só continua a alimentar a máquina da burocracia”, enfatizou.

Sobre o CAR, cujo veto do presidente Lula foi sobre a permissão de emissão de licença ambiental sem o documento, o deputado ressalta que é comum o produtor rural entregar toda a documentação necessária para uma obra e ter de esperar muito tempo para aprovação por conta da morosidade de análise dos órgãos ambientais.

Já o senador Jayme Bagattoli considera que os vetos do governo são um retrocesso, haja vista que o Código Florestal brasileiro já é considerado por muitos como o mais rígido do planeta.

Até sexta-feira, a FPA pretende divulgar um documento com pontos em que pretende negociar com o governo e outros, como os relacionados ao CAR e a autonomia dos estados na emissão de licenças, que entende como inegociáveis.



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Abrafrutas classifica como avanço o pacote de socorro a empresas afetadas por tarifaço



A Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) classificou como “avanço” o pacote apresentado nesta quarta-feira (13) pelo governo federal de socorro às empresas brasileiras prejudicadas pelo tarifaço estadunidense.

Segundo a Abrafrutas, as medidas anunciadas estão alinhadas com as demandas da entidade.

“A abertura de R$ 30 bilhões em linhas de crédito, a prorrogação de prazos no drawback [regime aduaneiro especial], o diferimento de tributos e a concessão de créditos tributários específicos para exportadores estão alinhados com alguns dos pleitos já apresentados pela entidade”, diz a nota da associação.

A Abrafrutas também considerou positivas as iniciativas que ampliam o acesso a seguros de crédito à exportação e a possibilidade de compras públicas para absorção da produção afetada, “medida que poderá mitigar parte das perdas imediatas”.

Pequenos produtores

A entidade ressalvou, no entanto, que o conjunto de ações apresentado ainda não contempla plenamente a cadeia produtiva da fruticultura.

“O pequeno produtor, que comercializa sua produção para empresas exportadoras, corre o risco de ficar desamparado, uma vez que os instrumentos anunciados priorizam diretamente o exportador direto. Sem medidas que cheguem efetivamente à base da produção, há risco de retração nas compras e prejuízo à renda e à permanência desses produtores no campo.”

O governo federal lançou nesta quarta-feira um pacote de medidas para apoiar o setor produtivo afetado pelo tarifaço de 50% imposto pelo governo dos Estados Unidos. O plano de apoio prevê R$ 30 bilhões em crédito e será viabilizado por meio de uma medida provisória.

Os recursos para as medidas de ajuda virão por meio de crédito extraordinário ao Orçamento, usados em situações de emergência fora do limite de gastos do arcabouço fiscal. Esse sistema foi usado no ano passado para socorrer as vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul.



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BNDES já aprovou R$ 10 bilhões do Plano Safra 2025/2026



O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) atingiu R$ 10 bilhões em aprovações de crédito do Plano Safra 2025/2026 em menos de um mês desde a abertura das linhas. Os recursos começaram a ser liberados em 17 de julho e já beneficiaram agricultores familiares, médios e grandes produtores, além de cooperativas, em praticamente todo o país.

As aprovações envolvem recursos equalizados de programas agropecuários do governo federal, como Pronaf, Pronamp, PCA e Moderfrota, além do BNDES Crédito Rural, que somou R$ 812 milhões.

Custeio e investimento no Plano Safra

Nas linhas de custeio, abertas no dia 17, foram consumidos R$ 2,68 bilhões. Já nas linhas de investimento — destinadas a instalações e máquinas e liberadas no dia 24 — foram aprovados R$ 7,37 bilhões.

Do total, R$ 9,1 bilhões foram direcionados a agricultores familiares, micro, pequenos e médios produtores e cooperativas. As 39 mil operações registradas até agora foram distribuídas entre 24 agentes financeiros credenciados, cobrindo mais de 20 linhas de financiamento.

Cerca de 70% dos recursos (R$ 6,9 bilhões) foram operados por bancos cooperativos e cooperativas de crédito. Segundo o BNDES, o modelo de atuação por meio de instituições parceiras garante a descentralização dos recursos, que já chegaram a 93% dos municípios brasileiros.

Alta demanda e maior orçamento da história

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou que o desempenho reflete a elevada demanda do setor e a capacidade de resposta do banco.

“São recursos que atendem grandes e pequenos agricultores e mostram o nosso compromisso com o setor agropecuário sustentável e inovador. Dos R$ 10 bilhões aprovados até agora, cerca de R$ 3,3 bilhões foram para a agricultura familiar”, afirmou.

Para o Plano Safra 2025/2026, o BNDES terá R$ 70 bilhões disponíveis até 30 de junho de 2026 — o maior orçamento da história do banco para o setor, 5% acima do ciclo anterior e 180% maior que o de 2022/2023.

Condições de crédito

Do total, R$ 39,7 bilhões serão recursos equalizáveis acessados via Programas Agropecuários do Governo Federal. Deste montante:

  • R$ 26,3 bilhões para médios e grandes produtores, com juros entre 8,5% e 14% ao ano;
  • R$ 13,4 bilhões para pequenos produtores da agricultura familiar, com juros entre 0,5% e 8% ao ano.

Na agricultura empresarial, o BNDES oferece crédito via programas como Moderfrota, Pronamp, Renovagro, Inovagro, Proirriga, Prodecoop e PCA. Já a agricultura familiar conta com diversas linhas do Pronaf, que receberá R$ 13,4 bilhões, 9% a mais que no ciclo anterior.



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B3 fortalece crédito e gestão de riscos no campo



“Nosso papel é oferecer um ecossistema completo”



“Nosso papel é oferecer um ecossistema completo"
“Nosso papel é oferecer um ecossistema completo” – Foto: Pixabay

A B3 vem se consolidando como infraestrutura essencial para o financiamento e a gestão de riscos do agronegócio. Dados recentes indicam um crescimento expressivo dos instrumentos de mercado de capitais destinados ao setor, que já se apresentam como alternativas robustas e complementares ao crédito tradicional.

Segundo a B3, o estoque de Cédulas de Produto Rural (CPRs) ultrapassou R$ 418 bilhões em junho de 2025, um avanço superior a 40% em relação ao mesmo período do ano anterior. Outros títulos importantes, como os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), também cresceram significativamente, alcançando, respectivamente, R$ 160 bilhões e R$ 587,5 bilhões em estoque. Esses números refletem o amadurecimento do setor, que cada vez mais incorpora o mercado de capitais em seu planejamento de longo prazo.

“Nosso papel é oferecer um ecossistema completo que atenda o produtor e a indústria em todas as suas necessidades, desde a proteção de preço da safra com derivativos de soja, milho e boi gordo, até o financiamento de longo prazo via CRAs e Fiagro. O objetivo é desmistificar essas ferramentas e mostrar que elas trazem previsibilidade, segurança e acesso a capital de forma eficiente, contribuindo diretamente para a competitividade do agronegócio brasileiro”, afirma Luiz Masagão, vice-presidente de Produtos e Clientes da B3.

Além do crescimento dos instrumentos financeiros, a B3 vem impulsionando inovações para ampliar o acesso das empresas do setor ao mercado, com destaque para o novo regime FÁCIL da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a agenda de finanças sustentáveis. Produtos como a CPR Verde e os Créditos de Descarbonização (CBIOs) ilustram como o mercado de capitais pode estimular práticas mais produtivas e ambientalmente responsáveis no campo.





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Preços da arroba do boi gordo continuam aumentando; veja as cotações



O mercado físico do boi gordo apresenta preços moderadamente mais altos nesta quarta-feira (13).

De acordo com o analista de Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, a expectativa ainda é de reajustes no curtíssimo prazo.

“No entanto, em um movimento mais compassado, sem a agressividade de momentos anteriores. Sob o prisma da demanda, o destaque segue nas exportações que permanecem contundentes apesar do adicional tarifário recentemente imposto pelos Estados Unidos que dificultaram as exportações brasileiras”, disse.

  • São Paulo: R$ 316,33 — ontem: R$ 315,25
  • Goiás: R$ 300,54 — R$ 299,64
  • Minas Gerais: R$ 302,94 — sem alteração
  • Mato Grosso do Sul: R$ 318,86 — R$ 318,41
  • Mato Grosso: R$ 307,36 — R$ 303,11

Mercado atacadista

O mercado atacadista volta a se deparar com preços mais altos para a carne bovina. Segundo Iglesias, o ambiente de negócios sugere por menor apelo para reajustes no decorrer da segunda quinzena do mês, considerando o perfil mais comedido de consumo no período.

“Além disso, a carne de frango segue mais competitiva se comparado as demais, em especial à carne bovina”, informa.

O quarto traseiro do boi foi precificado a R$ 23,30 por quilo, alta de R$ 0,30. O quarto dianteiro foi cotado a R$ 18,00 por quilo, alta de R$ 0,20. A ponta de agulha apresentou alta de R$ 0,20 e foi precificada a R$ 17,20.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão em alta de 0,25%, sendo negociado a R$ 5,4008 para venda e a R$ 5,3988 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,3802 e a máxima de R$ 5,4112.



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JBS cresce 8,9% em receita e lucra 60,6% mais no 2º trimestre de 2025



A JBS encerrou o segundo trimestre de 2025 com receita líquida recorde de US$ 21 bilhões, alta de 8,9% na comparação anual, e lucro líquido de US$ 528 milhões, avanço de 60,6% sobre o mesmo período de 2024. O resultado foi impulsionado pelo bom desempenho de unidades como Pilgrim’s Pride, Seara e JBS Austrália, que compensaram desafios enfrentados na operação de carne bovina nos Estados Unidos.

A empresa também concluiu, em junho, a listagem dupla de suas ações, passando a negociar papéis na Bolsa de Nova York (NYSE) e BDRs na B3. Segundo a companhia, o movimento amplia o acesso a investidores globais e abre caminho para inclusão em índices internacionais.

Desempenho por unidade de negócio

  • Pilgrim’s Pride: registrou o maior EBITDA de sua história, com US$ 817,7 milhões e margem de 17,2%, crescimento de 4,5% sobre 2024.
  • Seara: manteve margens elevadas (18,1%) mesmo com impactos da gripe aviária, somando US$ 391,8 milhões em EBITDA, alta de 1,2%.
  • JBS Austrália: faturou US$ 1,97 bilhão, alta de 19,4% no ano, com margem EBITDA de 14,7%, avanço de 1 p.p.
  • JBS Brasil: receita de US$ 3,58 bilhões, 20,2% acima de 2024, com EBITDA de US$ 228,6 milhões e margem de 6,4%, recuo de 1,2 p.p. no ano.
  • JBS Beef América do Norte: receita de US$ 6,8 bilhões (+13,6%), mas EBITDA negativo de US$ 233 milhões e margem de -3,4%, queda de 3,9 p.p.
  • JBS USA Pork: receita de US$ 2,06 bilhões, retração de 4,8%, e EBITDA de US$ 253,6 milhões, alta de 5,6%, com margem de 12,3% (+1,2 p.p.).

Principais resultados por unidade de negócio – 2º trimestre de 2025 (IFRS)

Unidade de negócio Receita líquida (US\$ bi) Var. anual (%) EBITDA ajustado (US\$ mi) Var. anual (%) Margem EBITDA (%) Var. anual (p.p.)
Pilgrim’s Pride 4,75 +4,4 817,7 +4,5 17,2 0,0
Seara 2,17 -2,5 391,8 +1,2 18,1 +0,7
JBS Austrália 1,97 +19,4 290,2 +28,5 14,7 +1,0
JBS Brasil 3,58 +20,2 228,6 +1,0 6,4 -1,2
JBS Beef América do Norte 6,81 +13,6 -233,0 -3,4 -3,9
JBS USA Pork 2,06 -4,8 253,6 +5,6 12,3 +1,2
Consolidado 21,00 +8,9 1.753,6 -7,4 8,4 -1,4

Fonte: JBS, resultados do 2º trimestre de 2025 (IFRS)

Indicadores financeiros

O EBITDA ajustado consolidado foi de US$ 1,75 bilhão, queda de 7,4% frente a 2024, com margem de 8,4% (-1,4 p.p.). O retorno sobre o patrimônio (ROE) atingiu 25,7%, avanço de 15,7 p.p., enquanto o ROIC subiu para 17% (+5 p.p.). A alavancagem fechou o trimestre em 2,27 vezes.

Durante o período, a JBS emitiu US$ 3,5 bilhões em títulos (Senior Notes), incluindo uma inédita tranche de 40 anos, e recomprou US$ 2,2 bilhões em dívidas. No Brasil, a Seara captou cerca de R$ 900 milhões via Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA).

Fluxo de caixa e investimentos

O fluxo de caixa operacional somou US$ 773 milhões no trimestre, mas o fluxo de caixa livre foi negativo em US$ 55 milhões, impactado por aumento de estoques, efeito de hedge na compra de gado e aves, acordos antitruste e maior desembolso com impostos.

O Capex totalizou US$ 449,5 milhões, sendo 40% destinado a expansão e modernização e 60% à manutenção. Entre os projetos anunciados, está a construção de uma nova planta de produção de salsichas em Iowa (EUA), com capacidade anual de 130 milhões de libras.



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AgroNewsPolítica & AgroSafra

Brasil tem superávit comercial de US$7,075 bi em julho, acima do esperado


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BRASÍLIA (Reuters) – A balança comercial brasileira registrou um superávit de US$7,075 bilhões em julho, uma queda de 6,3% sobre o saldo apurado no mesmo mês do ano passado, mas acima do esperado por economistas, mostraram dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços nesta quarta-feira.

As exportações somaram US$32,310 bilhões, valor recorde para o mês e uma alta de 4,8% em relação a julho de 2024. As importações, por outro lado, cresceram 8,4% no mesmo período, totalizando US$25,236 bilhões, também as mais elevadas para julho.

Economistas consultados pela Reuters previam superávit de US$5,600 bilhões de dólares no mês.

No acumulado dos sete primeiros meses do ano, o saldo comercial foi de US$36,983 bilhões, uma queda de 24,7% em relação ao observado no mesmo período de 2024. As exportações somaram US$198,011 bilhões (+0,1%) no ano, e as importações, US$161,029 bilhões (+8,3%).

Questionado sobre possíveis mudanças nas dinâmicas comerciais com os Estados Unidos como resultado da imposição de tarifas mais elevadas sobre produtos brasileiros pelo presidente norte-americano, Donald Trump, o diretor de Estatísticas e Comércio Exterior do MDIC, Herlon Brandão, disse que houve crescimento recente dos embarques de vários produtos para os EUA que parece estar associado a um movimento de antecipação de vendas, pontuando que a dinâmica já era esperada.

“Sabemos que teve efeito de antecipação porque isso foi relatado pela própria imprensa”, disse. “O que é natural. A gente observa isso também quando o Brasil adota alguma medida comercial.”

Apesar desse movimento, o déficit do Brasil com os EUA tem crescido, refletindo a alta mais acelerada das importações brasileiras. Em julho, o saldo do comércio bilateral foi negativo em US$559,6 milhões para o Brasil, ante um déficit de US$38,9 milhões no mesmo mês de 2024. No período, as exportações brasileiras para os EUA cresceram 3,8% e as importações, 18,17%. No acumulado do ano, o déficit chegou a US$2,3 bilhões para o Brasil, de US$318,6 milhões no mesmo período do ano passado.

Brandão argumentou que o déficit com os EUA é estrutural e destacou que as importações e exportações brasileiras ao país têm crescido.

“O Brasil tem esse déficit estrutural com os Estados Unidos há cerca de 15 anos, então é difícil reverter uma tendência. Isso faz parte da composição da estrutura produtiva dos países. O Brasil demanda mais bens dos Estados Unidos em relação com o que os Estados Unidos demandam do Brasil”, disse.

Nesta quarta-feira entraram em vigor as tarifas de 50% sobre boa parte dos produtos brasileiros exportados para os EUA. A taxação maior havia sido anunciada por Trump em 9 de julho.

SETORES

A indústria de transformação foi o setor que teve maior aumento de exportações no mês frente a julho do ano passado, de 7,4%, para US$17,577 bilhões, seguida pela indústria extrativa, com alta de 3,6%, para US$7,418 bilhões. Já as exportações do setor agropecuário cresceram 0,3%, para US$7,189 bilhões.

As importações do setor de transformação saltaram 11,1% e as do setor de agropecuário avançaram 3,8%, enquanto as do setor extrativo caíram 29,2%.

O coordenador-geral de Estatísticas de Comércio Exterior do MDIC, Saulo de Castro, relacionou a forte queda das importações da indústria extrativa ao recuo dos preços de petróleo, gás natural e carvão, que, segundo ele, compõem quase a totalidade de importações do setor, enquanto Brandão destacou que o país tem importado menos petróleo conforme aumenta a produção nacional.

(Por Victor Borges)





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