sábado, maio 2, 2026

Autor: Redação

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Campanha une entidades de peso em defesa do futuro do arroz com feijão


Sempre me pergunto: como o Brasil, um dos maiores produtores de feijão do mundo, pode conviver com a queda constante no consumo interno desse alimento? O feijão, base do nosso Prato Feito, símbolo de identidade cultural e nutricional, vem perdendo espaço para ultraprocessados.

É um contrassenso: temos um alimento completo, nutritivo, barato e democrático, que somado ao arroz fica perfeito, mas que ainda não recebem o valor que merecem. Por isso defendo, com convicção, que precisamos agir agora. Não é apenas sobre mercado, mas sobre saúde pública, economia e até soberania alimentar.

Em minha visão, nós não podemos mais nos limitar a ser apenas um observador do setor. O Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe) está se posicionando como um dos articuladores de uma causa maior: transformar o feijão e arroz e os alimentos de verdade em bandeira nacional.

E não estamos sozinhos. Já contamos com instituições de peso que entenderam a importância desse movimento, como a Associação dos Irrigantes (Aprofir), a Embrapa, o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR), o Instituto Terras Altas (TAA), o Good Food Institute (GFI) e a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Feijão. Essa união prova que a pauta não é apenas de produtores ou de acadêmicos, mas de toda a sociedade.

Defesa do Brasil real

O consumo regular de feijão cinco vezes por semana é capaz de reduzir riscos de doenças crônicas, melhorar a qualidade de vida e aliviar gastos do sistema de saúde. No campo econômico, significa renda para milhares de famílias produtoras, empregos na indústria e novas oportunidades de exportação.

Culturalmente, o Prato Feito — com arroz, feijão, proteína e salada — é talvez o maior símbolo da nossa identidade alimentar. Negligenciá-lo é abrir mão de um patrimônio nacional. Não me parece exagero dizer: defender o feijão é defender o Brasil real, o Brasil de verdade.

Se queremos que o feijão e arroz reassumam seu protagonismo, precisamos de mobilização social, de articulação política e de compromisso produtivo. Consumidores devem se conscientizar, escolas precisam reforçar a alimentação saudável e restaurantes podem valorizar o Prato Feito.

O setor público deve dar atenção ao tema e produtores têm de investir em qualidade, rastreabilidade, sustentabilidade e comunicação com o consumidor. O movimento Viva Feijão! mostra que já estamos no caminho. Ele nasce simples, mas com potencial para crescer e se tornar uma grande campanha nacional.

Eu acredito que o futuro do Prato Feito é também o futuro dos alimentos de verdade no Brasil. Não podemos aceitar que um alimento tão completo e acessível seja relegado a segundo plano. Temos instituições, temos parceiros e temos um legado cultural que nos obriga a agir. A hora é agora. Precisamos transformar o feijão e arroz em símbolo de saúde, orgulho e união nacional.

Deixo aqui meu convite: siga a campanha Viva Feijão, compartilhe esta mensagem e ajude a espalhar essa ideia. O Brasil precisa, e o arroz e feijão merecem.

*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.





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Exportações do agro crescem 1,5% em agosto



A exportação do agronegócio brasileiro alcançou US$ 14,29 bilhões em agosto de 2025, o que corresponde a um aumento de 1,5% em relação ao mesmo mês do ano passado. O resultado foi garantido pelo aumento de 5,1% no volume embarcado, que compensou a queda de 3,4% nos preços médios internacionais, conforme informações do Ministério da Agricultura e Pecuária.

Soja em grãos, carne bovina in natura e milho responderam pela maior parte do crescimento. A soja registrou embarques de 9,3 milhões de toneladas, 16,2% acima de agosto de 2024, proporcionando US$ 3,88 bilhões em receitas (+11%). A carne bovina alcançou 268 mil toneladas, alta de 23,5% em relação ao ano anterior, somando US$ 1,5 bilhão (+56%). Já o milho totalizou 6,8 milhões de toneladas, crescimento de 12,9%, movimentando US$ 1,36 bilhão (+17%).

Além dos produtos tradicionais da pauta exportadora, alguns itens alcançaram em agosto o melhor desempenho da série histórica, resultado da estratégia de diversificação de mercados.

O sebo bovino registrou exportações de 64,7 mil toneladas, alta de 17,2% em relação a agosto de 2024, que totalizaram US$ 74,1 milhões (+36,4%), maior valor e volume já embarcados para o mês. As sementes de oleaginosas (excluindo soja) atingiram 68,5 mil toneladas, crescimento de 10%, com receitas de US$ 71,3 milhões (+16,5%), ambos em patamar recorde.

Os feijões somaram 58,4 mil toneladas, crescimento de 29%, movimentando US$ 49,5 milhões (+27,5%). Já as rações para animais domésticos alcançaram US$ 35,9 milhões, crescimento de 22,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, também recorde para o mês.

Outro destaque foi o óleo de amendoim, que cresceu de 2,9 mil toneladas em agosto de 2024 para 13,3 mil toneladas em agosto de 2025, crescimento de 358%, com receita de US$ 20 milhões (+573,4%).

Expansão geográfica dos destinos

A China continua como a maior compradora de produtos agropecuários brasileiros, com US$ 5,12 bilhões, (alta de 32,9% em relação a agosto de 2024), o que representou 35,8% de toda a pauta exportadora do setor. Seguida pela União Europeia, com US$ 1,9 bilhão.

Já entre os mercados em expansão, destacam-se o México, com US$ 339 milhões, segundo maior parceiro comercial do Brasil na América Latina, que em relação a agosto de 2024, quase dobrou as importações (+91,9%), liderado principalmente pelas carnes, e o Egito, com US$ 342 milhões, alta de 14% nas compras, impulsionadas pelo milho. Vale mencionar ainda o crescimento das vendas para países da Ásia, como a Índia (+37,3%) e a Tailândia (+9,5).

Segundo o ministério, os resultados de agosto refletem a estratégia de abertura e diversificação de mercados. Somente em agosto de 2025 foram abertos 22 novos mercados e, desde agosto do ano passado, o número de destinos habilitados passou de 58 para 72. Esse avanço é resultado direto das 55 missões internacionais de negociação e promoção comercial realizadas em 2025, que têm ampliado o acesso para diferentes cadeias produtivas.



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agro lidera expansão do IBC-BR em 12 meses



O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) acumulou alta de 3,54% nos 12 meses encerrados em julho, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (15). O resultado do índice, conhecido como uma prévia do PIB, representa uma desaceleração em relação ao período anterior, quando o indicador avançou 3,96% (revisado de 3,94%).

O desempenho do setor agropecuário se manteve robusto, com crescimento de 13,08% no mesmo intervalo, levemente abaixo dos 13,35% registrados até junho. Excluindo o agro, o índice avançou 2,91%, frente a 3,34% no período anterior.

Agro lidera expansão, mas indústria e serviços desaceleram

Entre os segmentos, a indústria acumulou aumento de 2,53% em 12 meses, abaixo dos 2,98% registrados anteriormente. Os serviços avançaram 2,97%, enquanto a arrecadação de impostos subiu 3,38%, também em ritmo menor que nos meses anteriores. No acumulado de janeiro a julho, o IBC-Br total cresceu 2,91%, com a agropecuária liderando a expansão (14,80%), seguida por serviços (2,15%) e indústria (2,07%).

No trimestre móvel encerrado em julho e com ajuste sazonal, o IBC-Br total registrou queda de 1,0% em relação aos três meses anteriores. O indicador do agro recuou 6,85%, enquanto a indústria cedeu 0,91%. Os serviços tiveram leve alta de 0,19%, e a arrecadação de impostos caiu 1,03%. Já na comparação interanual do trimestre móvel, o crescimento foi de 1,97%, com destaque novamente para o setor agropecuário, que avançou 5,71%.

Julho mostra queda mensal e desaceleração interanual

No mês de julho, o IBC-Br recuou 0,53% ante junho, abaixo das expectativas do mercado, que projetavam baixa de 0,30%. O desempenho interanual também registrou desaceleração, com crescimento de 1,15%, puxado principalmente pelo agro, que subiu 3,48%. Serviços, indústria e impostos mostraram expansão mais moderada, refletindo o ritmo mais contido da economia fora do campo.



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Empresas anunciam joint venture para construção de usinas de etanol de milho em Mato Grosso



A Amaggi e a Inpasa confirmaram a criação de uma joint venture para a construção de pelo menos três usinas de etanol de milho no estado de Mato Grosso. O investimento marca um novo passo na estratégia das companhias de agregar valor à cadeia produtiva, com foco na industrialização de commodities e no avanço do setor de biocombustíveis.

A parceria deve unir a experiência da Amaggi na originação de grãos e na logística com a expertise da Inpasa, maior produtora nacional de etanol de milho e referência na área.

Cada uma das novas plantas terá capacidade inicial para processar cerca de 2 milhões de toneladas de milho por ano. A primeira unidade será construída em Rondonópolis, enquanto outras duas cidades, Campo Novo do Parecis e Querência, estão em fase avançada de estudos para receber os empreendimentos.

A formalização da joint venture ainda depende de aprovação das autoridades concorrenciais brasileiras, como determina a legislação vigente.

Demanda

O Brasil tem registrado forte expansão na produção de etanol de milho nos últimos anos, especialmente em Mato Grosso, estado líder nacional na fabricação do biocombustível. Além de atender à demanda interna, o setor também busca ampliar espaço no mercado internacional, em meio ao crescimento da agenda global de descarbonização e da transição energética.



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oferta limitada sustenta os preços



A última semana foi marcada por oferta restrita de mandioca em todas as regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). 

Segundo pesquisadores, esse cenário continua atrelado ao baixo interesse pela comercialização de raízes de 1º ciclo  devido à menor rentabilidade, e também ao clima seco, que chegou a interromper os trabalhos no campo em diversas áreas.

Como resultado, os preços seguiram em alta, registrando a maior elevação semanal desde outubro de 2021, conforme levantamentos do centro de pesquisas. 

Entre 8 e 12 de setembro, a média nominal a prazo da tonelada de mandioca posta fecularia foi de R$ 487,54 (R$ 0,8479/grama de amido), o maior valor em oito semanas, avanço de 4,3% em relação ao intervalo anterior.

Segundo dados do Cepea, a estimativa do esmagamento de mandioca nas fecularias atingiu 43,7 mil toneladas na semana passada, queda de 8% frente à anterior. No acumulado da primeira quinzena, o volume está 20% inferior ao observado em igual período de agosto. A ociosidade industrial aumentou, com média em 60,8% da capacidade instalada.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Preços do feijão-carioca seguem em alta frente à oferta restrita



A segunda semana de setembro foi marcada por valorizações no mercado de feijão. Isso é o que indicam os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

De acordo com o instituto, para o tipo carioca de melhor qualidade, a oferta bastante limitada nas principais regiões produtoras manteve os preços em alta.

Além disso, a combinação de clima adverso, de colheita finalizada em importantes regiões e de estratégias de armazenamento reforçaram o movimento de avanço dos preços deste feijão.

Quanto ao grão preto, o mercado apresenta sinais de recuperação, ainda que os valores permaneçam abaixo das médias históricas. Pesquisadores do Cepea indicam que o suporte aos preços vem da retomada pontual da demanda.

No campo, dados divulgados pela Conab no dia 11 apontam que a safra 2024/25 nacional de feijão deve somar 3,07 milhões de toneladas, recuo de 3,9% em relação ao ciclo anterior. Esse é o resultado da queda de 5,6% na área cultivada e do ganho parcial de 1,8% na produtividade.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Preços do milho seguem firmes, mesmo com previsão de aumento na produção



Mesmo com as estimativas indicando aumento na produção brasileira da safra 2024/25, os preços do milho ainda registram pequenos avanços na maior parte das regiões. Isso é o que mostram os dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). 

Segundo o instituto, o suporte vem da firme demanda interna e da posição mais cautelosa de vendedores, que limitam o volume disponível.

Quanto à produção, dados divulgados na última semana pela Conab indicaram aumento de 2% frente ao mês anterior e de 21% em relação à temporada passada (2023/24), somando 139,69 milhões de toneladas.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Óleo de soja se iguala ao farelo na indústria de esmagamento



A participação do óleo de soja nos lucros da indústria de esmagamento praticamente se igualou à do farelo na semana passada, configurando um cenário histórico. É isso o que indicam os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Pesquisadores explicam que o movimento reflete o avanço da demanda pelo óleo brasileiro, sobretudo por parte do setor de biodiesel. No último dia 11 de setembro, a participação do farelo na margem da indústria foi de 51% e a do óleo atingiu 49%.

A título de comparação, a participação média do farelo no ano passado atingiu 62,2% e a do óleo, 37,8%, tomando como base os preços da soja em grão, do óleo e do farelo em São Paulo levantados pelo Cepea.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Cafés especiais do Brasil têm queda de 79% nas vendas aos EUA



As exportações brasileira de cafés especiais para os Estados Unidos sofreram forte retração em agosto, após a adoção da tarifa de 50% pelo governo de Donald Trump. Segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o país embarcou 21.679 sacas no mês. O volume representa queda de 79,5% em relação a agosto de 2024 e de 69,6% frente a julho deste ano.

Queda muda posição dos EUA no ranking

Até agosto, os Estados Unidos lideravam o ranking de destino desses cafés em 2025. Diante das tarifas, no entanto, o país caiu para a sexta posição, atrás de Holanda, Alemanha, Bélgica, Itália e Suécia. A presidente da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), Carmem Lucia Chaves de Brito, alerta que, se o tarifaço permanecer, os norte-americanos podem perder a liderança no acumulado do ano.

Para Brito, o impacto imediato no setor ocorreu a partir da suspensão ou do cancelamento de contratos já firmados. “Com a taxação atual, o café brasileiro chega ao mercado norte-americano com preços inviáveis. Isso explica a queda expressiva dos embarques”, avalia.

Conforme as informações da entidade, parte das exportações ainda computadas corresponde a contratos assinados antes da tarifa de 50%. Com isso, esses embarques de cafés especiais seguem válidos porque pagam a taxação inicial de 10%, em vigor desde abril. O prazo, no entanto, termina em 5 de outubro.

Setor pede reação do governo brasileiro

O encarecimento do café também já é sentido no varejo norte-americano. “Há reflexo direto nos preços ao consumidor, com pressão inflacionária em um dos maiores mercados do mundo”, observa Brito. Dessa forma, os impactos atingem tanto produtores e exportadores brasileiros quanto a população dos EUA.

A BSCA defende que o governo brasileiro abra diálogo com Washington para tentar incluir o café na lista de exceções prevista na ordem executiva de setembro. Na semana passada, o Cecafé confirmou a inclusão do grão em uma “lista master” de potenciais exceções. “É fundamental que setor privado e governo atuem juntos para restabelecer o fluxo comercial em condições justas”, completa Brito.



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De olho na eleição de 2026, Lula manda recados para Trump em artigo no The New York Times


O presidente Lula publicou um artigo no The New York Times em que rebateu o aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos às exportações brasileiras e enviou um recado direto ao presidente Donald Trump: o Brasil não aceitará abrir mão de sua soberania e de sua democracia em negociações comerciais.

O texto combina tom diplomático com política. Lula afirma que está aberto ao diálogo e a soluções de benefício mútuo, mas deixa claro que certos princípios não estão em jogo. “A democracia e a soberania do Brasil não estão na mesa”, escreveu. Além disso, defendeu a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) nas condenações relacionadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, contrapondo-se à narrativa de perseguição política difundida nos EUA.

A análise do artigo sugere uma dupla camada de objetivos

Preocupação com o Brasil: Lula reage às tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, que atingem exportadores, empregos e empresas nacionais. Ao mesmo tempo, busca legitimar o sistema judicial brasileiro perante críticas externas e garantir respeito às instituições do país.

Construção de narrativa eleitoral: em um momento de forte polarização, Lula reforça a imagem de presidente firme, que não se dobra a pressões internacionais e que protege a democracia. Essa postura projeta autoridade e pode servir como ativo político para a eleição de 2026.

Na prática, a mensagem ao público externo se mistura com um discurso que pode ressoar internamente, apresentando Lula como defensor da pátria contra “inimigos externos”.

O impacto para o Brasil e para o agro

As tarifas impostas pelos EUA não são apenas questão diplomática: afetam cadeias produtivas brasileiras ligadas ao agro e à indústria. Se as medidas persistirem, haverá risco de retração de exportações, encarecimento de insumos e maior instabilidade para setores estratégicos da economia.

Ao internacionalizar o debate, Lula busca apoio da opinião pública global, mas também se expõe ao risco de escalada diplomática com Washington, especialmente em um cenário em que Trump adota políticas comerciais agressivas. Para o agro brasileiro, essa tensão significa incerteza: os mercados podem se fechar, enquanto alternativas em blocos como BRICS ou União Europeia ganham peso.

O artigo de Lula no NYT não é apenas uma defesa econômica e institucional do Brasil. Ele também funciona como peça política de alto valor simbólico: projeta imagem no exterior e, ao mesmo tempo, pretende fortalecer a narrativa doméstica de que Lula é o guardião da democracia e da soberania.

Em resumo, há um objetivo duplo: proteger os interesses do país diante das tarifas americanas e, ao mesmo tempo, pavimentar terreno para a reeleição em 2026. O desafio será equilibrar esse discurso sem comprometer a economia nacional, sobretudo setores exportadores como o agronegócio, que podem pagar a conta da escalada de tensões.

Miguel DaoudMiguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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