domingo, agosto 23, 2026

Autor: Redação

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Sistemas integrados cana-grãos potencializam a pegada de carbono favorável dos grãos



Na última terça-feira (27), ocorreu a 5ª Reunião do Grupo Fitotécnico IAC, no auditório principal do Centro de Cana IAC em Ribeirão Preto-SP. O evento contou com a participação de especialistas e representantes do setor sucroenergético, que discutiram temas relacionados à sustentabilidade e inovação na agricultura.

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Marcos Landell, coordenador do Grupo Fitotécnico IAC, abriu o evento, destacando a importância dos sistemas integrados de produção, que combinam o cultivo de cana-de-açúcar com grãos, como soja e amendoim, para potencializar uma pegada de carbono mais favorável dos grãos.

Vantagens ambientais e econômicas da integração cana-grãos

Nilza Patrícia Ramos, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente, apresentou uma palestra sobre a contabilidade de carbono em sistemas de cana-de-açúcar integrados com grãos. Segundo Ramos, a integração de culturas ocorre principalmente durante a reforma do canavial, período em que o solo fica livre para o cultivo de outras plantas. Ela explicou que essa prática não só proporciona uma receita adicional para os produtores, reduzindo os custos da implantação da cana, mas também permite o compartilhamento das emissões de gases de efeito estufa provenientes das operações de preparo da área.

Há também o potencial de entrada de carbono no solo pela permanência dos restos culturais dos grãos, dependendo da espécie plantada. A soja e o amendoim são duas dessas espécies“, destacou Ramos. A integração, portanto, não só melhora o uso da terra, mas também combate as mudanças climáticas ao promover um ciclo de carbono mais sustentável.

Outros temas discutidos no evento

O evento também incluiu palestras sobre os benefícios da inclusão do amendoim na reforma da cana-de-açúcar, com José Rossato, presidente da Câmara Setorial do Amendoim, e sobre soluções para o período vegetativo da cana, apresentadas por Aimêe Seleghim, especialista em cana-de-açúcar da Stoller, que falou sobre o Programa Promova ND.

Representantes de várias usinas, incluindo Usinas Santa Adélia, Nardini Agroindustrial, MGC Agroindustrial, Usina Cerradão, Grupo Alta Mogiana, e do sindicato rural de Jaboticabal, compartilharam suas experiências com a reforma de grãos, enfatizando as práticas bem-sucedidas e os desafios enfrentados.

Campanha beneficente e participação

Além das discussões técnicas, o evento também teve um caráter solidário. O coordenador do Grupo Fitotécnico IAC solicitou a doação de 1 kg de alimento não perecível como parte de uma campanha beneficente. As doações serão enviadas para instituições de caridade, fortalecendo o compromisso do setor agrícola com a responsabilidade social.

As inscrições para o evento foram realizadas pelo site oficial do Grupo Fitotécnico de Cana, e os organizadores esperam que as práticas discutidas contribuam para um setor mais sustentável e eficiente.



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Abertura oficial da 47ª Expointer exalta resiliência do povo gaúcho


A abertura oficial da 47ª Expointer, realizada na manhã desta sexta-feira (30), destacou a força da agricultura e da pecuária do Rio Grande do Sul, presenteando os visitantes com os principais destaques e campeões deste ano no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. A cerimônia, que teve a apresentação da banda da Brigada Militar e de músicos gaúchos, contou com os tradicionais desfiles dos campeões e uma programação dedicada a exaltar a resiliência do povo gaúcho após as enchentes.

Nomeada como a Expointer da Retomada e da Recuperação, a feira simbolizou o espírito de superação do Estado, demonstrando que o setor tem se reerguido após as inundações de abril e maio. A cerimônia foi aberta com a execução do Hino Nacional pela banda da Brigada Militar.

Em reconhecimento aos que trabalharam nos momentos críticos da enchente, membros da Defesa Civil e da Brigada Militar, agentes de saúde e da assistência social e voluntários das forças de segurança e da sociedade civil, que atuaram nas ações de salvamento, desfilaram pela Pista Central do parque. O desfile foi aberto pelo cavalo Caramelo, cujo resgate durante a calamidade causou grande comoção.

As apresentações musicais começaram com Wilson Paim interpretando “Ainda existe um lugar”, canção de sua autoria que celebra a cultura do Estado e a união do povo. Juliana Spavanello executou a icônica “Céu, sol, sul, terra e cor”, do compositor gaúcho Leonardo, acompanhada por uma apresentação de dança dos Centros de Tradição Gaúcha (CTGs) Rancho da Saudade, de Cachoeirinha, Gildo de Freitas, de Porto Alegre, e Sociedade Gaúcha Lomba Grande, de Novo Hamburgo. Daniel Torres encerrou as apresentações musicais com “Hino ao Rio Grande”, de Cristiano Quevedo, que exalta as características naturais e culturais da região.

O tradicional desfile de cavalos da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC) apresentou, além das bandeiras do Brasil, do Rio Grande do Sul e da própria ABCCC, uma do Estado com marcas de lama representando a enchente. A associação também realizou uma breve apresentação com cavaleiros-mirins.

O momento mais aguardado da cerimônia foi o desfile dos grandes campeões da Expointer, apresentado pelo diretor administrativo do Parque Assis Brasil, Éder de Azevedo. Criadores de diversas raças exibiram os animais premiados. Além disso, a Pista Central recebeu novamente os campeões do Pavilhão da Agricultura Familiar.

Em seu discurso, o governador Eduardo Leite destacou a resiliência do povo, enfatizando o papel do produtor na retomada da economia do Rio Grande do Sul. “O gaúcho mostra que supera dificuldades e se supera, enfrentando as limitações, empreendendo e comparecendo para fazer uma belíssima Expointer, que sem dúvida é uma alavanca para a retomada do Estado”, comemorou.

Leite também mencionou a presença do movimento SOS Agro, ressaltando a necessidade de agilizar o acesso aos recursos para os produtores afetados pelas calamidades. “No SOS Agro, vemos o clamor e a angústia, expressa por quem trabalha e empreende no campo, e que está sofrendo não apenas os efeitos da última calamidade, mas a sucessão de frustrações na sua produção em razão de outros eventos meteorológicos”, disse. “O movimento está mostrando o que não está suficiente e reforçando que é preciso mais agilidade e facilidade, com menos burocracia, para acessar os recursos.”

“Na Expointer, o Rio Grande do Sul mostrou sua força, coragem, resiliência e capacidade para se reerguer. Todo dia no campo, os produtores têm de se recuperar, seja após a seca ou as fortes chuvas. E não podemos ficar sem a feira, uma data que é um grande patrimônio do Estado”, afirmou o secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, Clair Kuhn.

O secretário de Desenvolvimento Rural, Vilson Covatti, frisou a importância da presença dos expositores no Pavilhão da Agricultura Familiar (PAF). “Muitos dos nossos agricultores que estão no pavilhão perderam casas, instalações e até membros de suas famílias, mas ainda assim juntaram forças e vierem oferecer o que há de melhor no setor. Esta é mais do que a Expointer da reconstrução, é também da esperança”, destacou.

Covatti ainda celebrou o sucesso do PAF, que já no primeiro fim de semana bateu recordes de vendas, com um aumento de 11% em relação a 2023, totalizando R$ 1,02 milhão em comercializações. Neste ano, o pavilhão também comemorou 25 anos de participação na Expointer.

Reconhecimento

No encerramento do evento, foi entregue a Medalha Assis Brasil, que reconhece personalidades de destaque na agricultura e pecuária.

Neste ano, os homenageados foram o presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul (Simers) e da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), Cláudio Bier; o produtor rural e presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Alexandre Velho; e o chefe-geral da Embrapa Trigo, Jorge Lemainski. Para fechar o evento, cantores gaúchos entoaram o Hino do Rio Grande do Sul, enquanto membros dos CTGs portavam bandeiras com as cores do Estado.





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Incêndios reduzem a qualidade do solo e aumentam os custos de produção


Na última semana, vários focos de incêndio foram registrados no estado de São Paulo. Muitos atingiram grandes proporções, causando morte de animais, perda de culturas agrícolas e prejuízos com infraestruturas rurais e urbanas.

Além do impacto econômico, social e ambiental, as queimadas afetam as propriedades físicas, químicas e biológicas dos solos. Grandes quantidades de carbono, nitrogênio, potássio e enxofre são perdidas para a atmosfera por volatilização durante a combustão.

De acordo com o pesquisador Alberto Bernardi, da Embrapa Pecuária Sudeste, especialista em solos, em longo prazo, essa alteração no solo causada pelo fogo tem consequências na biodiversidade e na manutenção de processos ecossistêmicos. 

Incêndios comprometem a produtividade

Pesquisas indicam que o fogo compromete a qualidade do solo e a produtividade no decorrer do tempo.

“A queima da cobertura vegetal deixa a área descoberta, levando a maior absorção da radiação solar, com ampliação da temperatura e do ressecamento ao longo do dia. Porém, à noite, ocorre a perda de calor pela exposição, elevando assim a amplitude das variações térmicas diárias”, afirma Bernardi.

Segundo ele, essas oscilações prejudicam a absorção de nutrientes e a biologia do solo. Outro problema é a erosão, pela ação do vento e o impacto da chuva, que leva à compactação ou selamento superficial. “O resultado é a menor infiltração de água e aumento do escoamento superficial”.

Recuperação do solo 

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Renovação natural da vegetação pós-incêndio tem efeito apenas temporário. Foto: Canal Rural MT

A recuperação do solo pode levar cerca de três anos, com custos elevados para os produtores, que precisam investir no fornecimento de nutrientes para restaurar a área afetada.

A renovação da vegetação logo após a queimada pode deixar uma impressão positiva, no entanto, o efeito é apenas temporário.

Essa brotação de novas plantas ocorre porque as cinzas são compostas por grande quantidade de nutrientes (cálcio, magnésio e potássio, principalmente) estocados na fitomassa e liberados na superfície do solo com o fogo.

As cinzas são alcalinas, ou seja, neutralizam a acidez superficial e favorecem o crescimento de plantas. Mas parte das cinzas será levada para fora do local de queima, seja pela ação do vento ou do escoamento superficial pela chuva.

Contudo, em longo prazo, o estoque de carbono do solo é perdido, porque a baixa disponibilidade de nutrientes levará a maior mineralização da matéria orgânica armazenada.

“Então, vários processos são prejudicados pela perda dessa matéria orgânica, entre eles a capacidade de troca catiônica (CTC), estabilidade dos agregados, porosidade, infiltração de água, atividade e diversidade de micro, meso e macrofauna do solo”, conta o especialista.

Para o pesquisador, um solo de qualidade, exercendo todas suas funções, auxilia no alcance de vários Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), tais como os relacionados à redução da fome (ODS 2) e à pobreza extrema (ODS 1 e 3), melhoria da proteção do meio ambiente (ODS 6, 11, 12, 14 e 15) e do combate às mudanças climáticas (ODS 13).


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estado assina termo de cooperação e libera R$ 12 milhões para construção de moradias rurais


O governador Eduardo Leite e o secretário da Habitação e Regularização Fundiária, Carlos Gomes, assinaram, nesta quinta-feira (29/8), um termo de cooperação com a Caixa Econômica Federal para complemento da construção de 600 moradias, a serem feitas pelo programa federal Minha Casa Minha Vida (MCMV), para agricultores atingidos pelas enchentes de setembro de 2023 no Vale do Taquari. O investimento é de R$ 12 milhões, equivalendo a R$ 20 mil para cada moradia. A Caixa será o agente financeiro para operar com as entidades beneficiadas.

“O Plano Rio Grande é a nossa bússola para a reconstrução do Estado, e grande parte desse trabalho diz respeito a questões habitacionais. Hoje estamos dando um passo importante para, em parceria com o governo federal, avançar no encaminhamento de soluções para que as pessoas tenham um lugar digno para viver”, afirmou Leite na solenidade, que ocorreu no evento de inauguração oficial do Pavilhão da Agricultura Familiar da Expointer.

Serão assinados convênios da Caixa com a Cooperativa Habitacional de Agricultura Familiar (Coohaf) e a Cooperativa Habitacional Camponesa (Cooperhab), que realizarão os trabalhos, respectivamente, em Canudos do Vale e em Planalto. “É uma alegria ver o Rio Grande do Sul proporcionar a construção de casas para aqueles que produzem alimentos aos gaúchos, que também perderam suas casas e hoje estão aqui fazendo o sucesso deste Pavilhão da Agricultura Familiar”, disse Gomes.

O  decreto 57.753/24, ampliou a participação do governo do Estado no programa MCMV, aumentando o valor do complemento financeiro oferecido pelo Estado, que passou de R$ 5 mil para R$ 20 mil. Os produtores rurais serão os primeiros beneficiados pela iniciativa. 

A ação do executivo estadual também integra a Política Estadual de Habitação de Interesse Social (Pehis), instituída em junho deste ano. Além de participar do MCMV, o executivo gaúcho desenvolve seu próprio programa habitacional – o A Casa É Sua, no qual custeia integralmente o valor das unidades habitacionais.

Também participaram do ato o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, e o ministro-chefe da Secretaria Extraordinária de Apoio à Reconstrução do Rio Grande do Sul, Paulo Pimenta. Representando as entidades beneficiadas, compareceu o coordenador-geral da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar do Rio Grande do Sul (Fetraf-RS), Carlos Joel da Silva.





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Arroz ainda está caro para o consumidor, diz ministro Paulo Teixeira



O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, voltou a afirmar que os preços do arroz praticados no mercado nacional estão acima do patamar considerado adequado pelo governo.

“Acho que o preço ao consumidor tem de melhorar. Está caro ainda“, disse Teixeira a jornalistas nos bastidores da Expointer, feira agropecuária realizada em Esteio, no Rio Grande do Sul.

Há uma semana, o ministro havia dito que o governo entende que o preço adequado do arroz no mercado nacional estaria em R$ 90 a R$ 100 por saca ao produtor. O indicador de preço pago ao produtor Cepea/Irga subiu 1,42% em um mês, atingindo na última sexta (30) R$ 118,14 por saca.

“Faremos nova reunião com produtores na semana que vem para manter o preço do arroz a um valor acessível”, afirmou o ministro.

Novo leilão de arroz?

Não está no “horizonte” do governo realizar novo leilão para compra pública de arroz, dado o acordo firmado de monitoramento de preços com produtores de arroz e indústria, diz Teixeira.

“Teremos um cenário de aumento da produção de arroz no Brasil no Centro-Oeste e até mesmo no Rio Grande do Sul”, destacou, citando uma nova cultivar da Embrapa.

Teixeira também comentou sobre a escolha de Arnoldo Campos para a Diretoria Executiva de Operações e Abastecimento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), chancelada na última quarta-feira pelo Conselho de Administração da companhia.

“Arnoldo é um grande técnico. Foi quem construiu no início o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e as compras institucionais. Talvez ele esteja entre os maiores especialistas em abastecimento do Brasil”, avaliou.

Segundo o ministro, a escolha de Campos foi uma decisão de consenso entre MDA, Ministério da Agricultura e direção da Conab.



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Nova cultivar de amoreira-preta aumenta em 30% a eficiência na colheita


A Embrapa acaba de desenvolver a sua terceira amoreira-preta sem espinhos, a BRS Karajá. A nova cultivar traz, entre as vantagens, o aumento da eficiência da colheita e na poda em, no mínimo, 30% em relação às cultivares com espinhos, diminuindo o tempo necessário para realizar os tratos culturais, a penosidade do trabalho e aumentando a disponibilidade de mão de obra para o manejo da cultura. Além disso, o seu fruto tem sabor menos amargo.

A coordenadora do programa de melhoramento genético em amoreira-preta, a pesquisadora da Embrapa Clima Temperado (RS) Maria do Carmo Bassols Raseira, conta que há uma economia no tempo dos tratos culturais, como condução, poda e colheita. “A BRS Karajá se destaca também pela acidez e amargor inferiores aos das frutas das cultivares sem espinhos anteriormente lançadas, o que lhe confere mais um atrativo ao mercado e a difere da cultivar BRS Xavante”, compara.

A nova amora é indicada para congelamento, processamento ou consumo fresco. Bassols relata que o mercado de frutas da amoreira para fins industriais ainda é o mais procurado. Segundo ela, as demais cultivares lançadas sem espinhos – BRS Ébano (em 1981) e BRS Xavante (em 2004) – apresentavam frutos de sabor amargo marcante. “Já a Karajá tem baixo amargor”, pontua. A denominação da BRS Karajá segue a tradição de identificar as cultivares de amoreira-preta com nomes de povos indígenas em homenagem aos primeiros brasileiros.

A princípio, o fato de não ter espinhos pode contribuir com aumento da eficiência da colheita. “Isso implica mais qualidade da fruta que será comercializada in natura, com maior agilidade na colheita e sem danos causados pelos espinhos, necessidade de menor número de colhedores (mão de obra), possibilidade de realizar a colheita em horários mais adequados, evitando picos de calor, e menor risco de lesões aos trabalhadores”, detalha o pesquisador Carlos Augusto Posser Silveira.

Além disso, ele destaca que, embora não se tenha dados a respeito, a condução da planta e a poda também seriam facilitadas. “É preciso salientar que esses parâmetros de eficiência das práticas de colheita e poda são influenciados enormemente por outros fatores, como tipo de condução da planta, manejo da adubação e da irrigação, potencial de produção da cultivar, além de experiência e agilidade dos colhedores e podadores. O fato de não ter espinhos facilita, com certeza, todas as atividades fitotécnicas do pomar”, declara.

A produção de amora no País, especialmente nas regiões produtoras, dobrou nos últimos dez anos. A produção de frutas gira em torno de 15 a 20 toneladas por hectare ao ano (t/ha/ano). A área plantada também cresceu, chegando a números próximos a 1,1 mil hectares.

Os principais estados produtores de amoreira estão localizados nas Regiões Sul e Sudeste, sendo eles Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo.

O melhoramento genético da amoreira-preta no Brasil começou no fim dos anos 1970 e  atualmente o País possui dez cultivares nacionais adaptadas às condições brasileiras, atendendo às necessidades do agricultor e do mercado.

A cultivar de amoreira-preta BRS Karajá, testada como seleção Black 223, foi obtida por polinização aberta da seleção Black 132, das flores da população obtida de um cruzamento realizado em 2003, entre as cultivares norte-americanas Brazos e Arapaho. A Brazos é uma cultivar originária do Texas, EUA, lançada em 1959, de baixa necessidade em frio, produtora de frutas grandes e de maturação precoce. A cultivar Arapaho foi desenvolvida pela Universidade do Arkansas, também nos EUA, obtida do cruzamento entre duas seleções do mesmo programa.

As frutas de BRS Karajá  são menores que aquelas produzidas pela cultivar BRS Xavante, mas têm melhor sabor. Em 2006, sementes foram extraídas de frutas da Black 132, obtidas por polinização aberta, originando plântulas que foram transplantadas, posteriormente, para dar prosseguimento à pesquisa no campo experimental da Embrapa Clima Temperado.

As plantas da BRS Karajá são de crescimento ereto. Tanto as hastes primárias como as secundárias não têm espinhos. A brotação inicia-se em agosto. “Nas condições de Pelotas, a floração se estende, geralmente, da primeira quinzena de setembro à segunda quinzena de outubro. As flores são grandes, brancas com matizes rosáceos, principalmente quando ainda em botão, e podem ter número de pétalas múltiplo de cinco, embora, em geral, sejam cinco pétalas”, conta o pesquisador Luis Eduardo Antunes, coordenador da pesquisa. A colheita tem início, geralmente, na segunda semana de novembro, estendendo-se até o fim de dezembro. Ela se inicia poucos dias antes das cultivares BRS Tupy e BRS Xavante, e em torno de 10 dias antes da BRS Cainguá.

Em coleção experimental, sem irrigação e sem suporte às plantas, mantendo-as com porte baixo, a produção foi em média pouco superior a 1,5 kg por planta. Mas em experimento com plantas conduzidas em espaldeira e com suprimento de água, a primeira produção já correspondeu a 2,5 kg por planta e a produção média nos três primeiros anos correspondeu a 2,73 kg por planta. A produção acumulada nos três primeiros anos foi de 54,67 t/ha, ou seja, pouco mais de 18 t/ha/ano.

O registro da BRS Karajá foi feito em março de 2023 no Ministério da Agricultura e o seu lançamento oficial será em 29 de agosto, durante a 47ª Expointer, em Esteio (RS), no Parque de Exposições Assis Brasil, no espaço institucional da Embrapa. Interessados podem ter acesso a mudas dessa cultivar com os dois viveiros licenciados: em Pelotas (RS), e em Ipuiuna (MG), nesta página. Após um ano de cultivo, os produtores terão as primeiras frutas de Karajá.





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Dívidas de produtores gaúchos serão prorrogadas por oito anos, diz Fávaro


O ministro da Agricultura e Pecuária (Mapa), Carlos Fávaro, anunciou novas medidas para as dívidas de produtores rurais gaúchos durante a abertura oficial da Expointer 2024 nesta sexta-feira (30), em Esteio, no Rio Grande do Sul.

As medidas prorrogam os débitos e atendem também demandas de cooperativas e cerealistas. O pacote de reconstrução para o estado será feito em dez anos.

Renegociação de dívidas

Segundo Fávaro, dívidas de produtores e cooperativas serão renegociadas no prazo de oito anos e de cerealistas em cinco, todas com carência para o pagamento.

Já a renegociação das dívidas com bancos anunciadas anteriormente seguem com prazo de quatro anos.

Por ora, a mudança está nas Cédulas de Produtor Rural (CPRS), que terão prazo de oito anos para pagar com juros de 9,5%.

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Foto: Reprodução Canal Rural

Contudo, bancos públicos têm o compromisso de tirar o risco da operação para que a taxa de juros caia para 7%, o que atende o pleito das entidades gaúchas.

“São várias fases de renegociação […]. Vamos fazer isso junto com os bancos e com as entidades representativas dos produtores, tirando dúvidas, organizando a retomada da reconstrução do Rio Grande do Sul para os produtores”, disse o ministro.

Ajustes na medida provisória

Também devem ser feitos ajustes na Medida Provisória 1247 para contemplar um maior número de produtores. Até a próxima segunda-feira estão programadas diversas reuniões para ouvir demandas e fazer ajustes necessários.

A expectativa é que essas mudanças constem na norma que será enviada para o Conselho monetário nacional na próxima terça-feira (3).

Produtores e entidades representativas relataram a necessidade de que as medidas sejam, de fato, efetivas, tendo em vista a proximidade da safra 2024/25.



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Rosetas da Expointer: do simbolismo aos negócios


As rosetas, ou escarapelas de premiação, foram criadas na década de 1950, pelo veterinário e jornalista Caio Poester, responsável pelo setor de informação e fomento da Secretaria de Agricultura da época.

Trazem as cores da bandeira do Rio Grande do Sul mescladas com branco, violeta e azul, que representam o arco-íris. Quanto mais importante o prêmio, mais cores compõem a roseta. Os adereços adornam os animais vencedores que disputam por categorias, campeonatos e, por fim, concorrem ao título de grande campeão. Os animais podem ter mais de uma premiação.

Elas representam um símbolo de vitória na Expointer, uma recompensa pelo trabalho árduo e pelo investimento do agropecuarista, mas também geram valorização e oportunidades de grandes negócios.

“São os prêmios dos melhores animais para o produtor. Ganhar uma roseta de grande campeão significa multiplicar o valor deste animal e da genética da cabana. Aqui está se escolhendo os melhores exemplares da genética do nosso país ou até mesmo do mundo, de acordo com algumas raças”, explica Pablo Charão, comissário geral da Expointer, da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).

“O produtor traz os animais aqui não só para participar do julgamento, mas para que tenha sua genética exposta para que o pessoal conheça e possa fazer futuros negócios. Porém, o impacto de uma roseta de grande campeão impacta em duas a três vezes no valor do animal”, complementa Pablo.

Flávio Humberto Tusinho, 71, agricultor e pecuarista, da cabanha Nova Esperança, de Glorinha (RS), foi laureado grande campeão adulto na raça Pardo Brasil, com o touro Brusque. Para Tusinho, a genética é a chave do negócio.

“Em 1991, eu comecei a criar o Pardo Suíço, mas, de 2014 para cá, comecei a trabalhar nesta nova raça que cruza sangue do zebu (Pardo Brasil). Este touro (Brusque) está com 2 anos e meio e pesa mil quilos. É um animal de ponta, de alta genética. E pode gerar negócios até em coleta de sêmen. Digamos: um animal de 10 mil reais chega a 20, 30 mil reais. Essa premiação mostra que eu estou no caminho, certo, né?”, se alegra Tusinho.

Paulo Roberto Pavin, 62, proprietário da Estância Renascer, da Barra do Quaraí (RS), estava vibrante com a vitória do touro Milei, como grande campeão da raça Red Brangus, com 2 anos e 800 quilos.

“A grande vitória é da raça Brangus. Este é um processo seletivo que é extremamente importante para toda pecuária nacional. Esse indivíduo (Milei) traz toda essa melhoria genética. Tem aval do título para se possa reproduzir ele através do sêmen. Isso, a roseta da Expointer agrega”, afirma Paulo Roberto.

Já o filho de Paulo Roberto, o médico veterinário Leonardo Pavin 35, é diretor comercial da empresa de biotecnologia, Renascer, de Uruguaiana (RS), uma das 20 centrais de inseminação artificial que atuam no Brasil.  A roseta mais que duplicou tanto o valor do animal (Milei) quando o do sêmen do touro: “As doses dele, comercializamos aqui nos três primeiros dias da Expointer por 35 reais. As doses pós-premiação chegaram a 78 reais”, diz Leonardo.

“Mas mais importante do que a premiação, é ver as pessoas comprando. O Rio Grande do Sul passando por estas coisas horríveis que aconteceram (por conta das enchentes de maio), a gente está aqui numa Expointer lotada. O cliente está vindo”, pondera o diretor comercial.

O relatório Index, do primeiro semestre de 2024, publicado pela Associação Brasileira de Inseminação Artificial (ASBIA) identifica 3.369 municípios, trabalhando no segmento de corte, e 3.489, no leite. Na aptidão de corte, por exemplo, o mercado de exportação de sêmens brasileiros chega a 11 países: Venezuela, Colômbia, Equador, Honduras, Guatemala, Panamá, Costa Rica, Bolívia, Paraguai, Angola e Paquistão. 

Fernando Veloso, 49, médico veterinário, é diretor do conselho da ASBIA, entidade criada em 1974, traçou uma estimativa do mercado de inseminação artificial no Brasil. “É um mercado que cresceu muito. Uma curva ascendente que vem superando a casa das 25 milhões de doses, por ano, alcançando mais de 20% do rebanho nacional. De cada 10 vacas, 2 são inseminadas artificialmente. No Rio Grande do Sul, há uma adesão maior: 30%”, afirma Veloso. Ele calcula que estimando um valor baixo (por cada dose, entre 20 a 50 reais), somando somente a comercialização de sêmen de corte e leite, o mercado chega a cerca de R$ 1 bilhão de reais por ano.

Mas nem só de grandes campeões se estrutura essa cadeia produtiva.

“O Reservado Grande Campeão Sênior Braford foi vendido aqui na exposição, após o julgamento, por R$ 160 mil reais. Antes, valia entre 15 a 20 mil reais. E ele sairá daqui para coleta de material de sêmen para estes investidores”, comenta diretor do conselho da ASBIA.

Veloso lembra o papel da área pública na criação deste mercado, através da atuação da Central de Reprodução e Inseminação Artificial, a CRIA, um serviço que foi criado em 1946.

“Foi muito estimulada pela nossa Secretaria da Agricultura. Uma das primeiras centrais do Brasil foi instalada aqui dentro do parque de exposições Assis Brasil, na década de 1970. A CRIA era uma empresa pública para o fomento”, lembra Veloso. Ele lembra que terminava a Expointer e os campeões, bovinos de corte e de leite, e os bubalinos, saíam do pavilhão e lá no fundo, perto do Portão 15, ali havia uma central pública, uma das grandes responsáveis pela difusão da técnica.

A confecção das rosetas

A fabricação das rosetas que desfilam com os grandes campeões da Expointer é feita por uma empresa familiar, a Eco Arte, de Triunfo (RS). Wilson Kuhn Garcia, o Júnior, 42, ao lado da esposa, Solange Abreu, 40, e do irmão, Leandro Garcia, toca os negócios da família, atendendo à demanda da Seapi e da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) para entregar o material para a feira.

“Aqui trabalham um total de 10 pessoas. Seis na fabricação dos troféus, pastas e medalhas, e quatro, na parte das rosetas. Começamos esta parte, em 2017. Trabalham aqui o pessoal da família e alguns funcionários. E, graças a Deus, a gente vai expandindo o mercado”, avalia Júnior.





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Veja como os preços da soja terminaram em agosto


O mercado brasileiro de soja registrou negócios nesta sexta-feira (30), ainda que em menor volume do que ontem. No geral, a comercialização é boa.

Os preços subiram em Chicago, assim como o dólar. No Brasil, as cotações ficaram de estáveis a mais altas. A alta foi mais tímida do que a da quinta-feira. A indústria esteve ativa,
buscando soja disponível.

Preços da soja no Brasil

  • Passo Fundo (RS): subiu de R$ 130 para R$ 132
  • Região das Missões: avançou de R$ 129 para R$ 131
  • Porto de Rio Grande: aumentou de R$ 137 para R$ 139
  • Cascavel (PR): valorizou de R$ 133 para R$ 134
  • Porto de Paranaguá (PR): cresceu de R$ 138 para R$ 139
  • Rondonópolis (MT): estabilizou em R$ 131
  • Dourados (MS): foi de R$ 127 para R$ 129
  • Rio Verde (GO): se manteve em R$ 130

Cotações na Bolsa de Chicago

Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) fecharam a sexta-feira em alta. Na virada do mês e antes do final de semana prolongado – segunda é feriado nos Estados Unidos, Dia do Trabalho.

Os agentes buscaram um melhor posicionamento de carteiras, cobrindo posições vendidas. Sinais de demanda aquecida nos Estados Unidos ajudaram no movimento.

Como resultado, a posição novembro, a mais negociada, subiu 2,8% na semana, praticamente zerando as perdas acumuladas ao longo de agosto.

As cotações fecharam abaixo das máximas do dia, devido à influência de outros mercados. O petróleo caiu forte e o dólar subiu frente a outras moedas, condições que prejudicam os negócios nas commodities agrícolas.

Os exportadores privados norte-americanos reportaram ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a venda de 132.000 toneladas de soja para a China, para entrega na temporada 2024/25.

Também foi registrada a venda de 100.000 toneladas de farelo de soja a Colômbia. O produto será entregue na temporada 2024/25.

Contratos futuros da soja

sojasoja
Foto: Mauro Osaki/Cepea

Os contratos da soja em grão com entrega em novembro fecharam com alta de 7,50 centavos de dólar, ou 0,75%, a US$ 10,00 por bushel. A posição janeiro teve cotação de US$ 10,17 por bushel, com ganho de 8,25 centavos ou 0,81%.

Nos subprodutos, a posição dezembro do farelo fechou com alta de US$ 2,10 ou 0,67% a US$ 313,00 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 42,01 centavos de dólar, com baixa de 0,12 centavo ou 0,28%.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão em alta de 0,18%, sendo negociado a R$ 5,6324 para venda e a R$ 5,6304 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,5753 e a máxima de R$ 5,6919. Na semana, a moeda teve valorização de 2,78%, enquanto no mês a desvalorização foi de 0,38%.



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