Atenção: Esse conteúdo foi produzido pela equipe do canal Agro e Prosa e gentilmente cedido para republicação no site Notícias Agrícolas
A UPL, uma das líderes globais no setor agroquímico, vem consolidando sua posição no Brasil com uma estratégia focada em inovação e sustentabilidade. Luciano Scalabrin, diretor de negócios da UPL, compartilhou em entrevista ao programa Agro e Prosa as diretrizes que têm guiado a atuação da empresa, especialmente no que se refere ao desenvolvimento de soluções biológicas para o campo.
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Os preços globais dos alimentos apresentaram uma leve queda em agosto, conforme comunicado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). A diminuição nos valores do açúcar, carne e cereais compensou os aumentos observados nos óleos vegetais e laticínios. O Índice de Preços Alimentares da FAO, que monitora os preços internacionais de diversos alimentos, alcançou 120,7 pontos, uma pequena redução em comparação a julho e 1,1% abaixo do nível de agosto de 2023.
Em relação aos cereais, houve uma redução de 0,5% nos preços em agosto, puxada pela queda nos preços de exportação de trigo, resultado de uma oferta competitiva no Mar Negro e colheitas menores na Argentina e nos Estados Unidos. Por outro lado, o milho teve uma leve alta, influenciada pelas ondas de calor na Europa e EUA, enquanto o arroz subiu 0,6%, impulsionado pela valorização das moedas de países exportadores e pela oferta limitada de variedades não indica.
O índice referente aos óleos vegetais avançou 0,8%, alcançando seu maior patamar em 20 meses, graças ao aumento nos preços do óleo de palma, que superou a queda nas cotações de soja, colza e girassol. No setor de laticínios, a alta foi de 2,2%, refletindo o aumento no preço do leite em pó integral, causado pela maior demanda de importação, além da elevação nos preços de queijo e manteiga, influenciados pela incerteza sobre a oferta de leite na Europa Ocidental.
Já o índice de carnes caiu 0,7%, com retração nos preços da carne suína, de aves e ovina, devido à menor demanda de importação, enquanto a carne bovina teve uma leve valorização. O açúcar, por sua vez, registrou uma queda de 4,7%, atingindo seu menor nível desde outubro de 2022, favorecido por melhores previsões de colheitas na Índia e Tailândia e pela baixa nos preços do petróleo. No entanto, o preço subiu no final do mês, em resposta às preocupações com incêndios em áreas de cultivo no Brasil.
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Estudo ficou em segundo lugar no concurso internacional Genome to Fields – Foto: Pixabay
Um novo modelo de aprendizado de máquina para prever o rendimento das culturas, usando dados ambientais e informações genéticas, pode transformar o desenvolvimento de novas variedades agrícolas com maior produtividade.
Igor Fernandes, mestrando em estatística e análise na Universidade de Arkansas, trouxe sua experiência em ciência de dados e agronomia, adquirida como assistente de graduação na Embrapa, para criar uma abordagem inovadora. Com a orientação de Sam Fernandes, professor associado de estatística agrícola e genética quantitativa, Igor desenvolveu um modelo focado em dados ambientais que recentemente foi publicado na revista Theoretical and Applied Genetics. O estudo, intitulado “Usando aprendizado de máquina para combinar dados genéticos e ambientais para previsões de rendimento de grãos de milho em testes multiambientais,” destacou-se ao obter o segundo lugar no concurso internacional Genome to Fields.
O trabalho demonstra que, apesar de a abordagem baseada apenas em dados ambientais ter superado as expectativas, existe potencial para aprimorar a comparação com modelos tradicionais de previsão genômica. O melhoramento genômico utiliza apenas o DNA para selecionar candidatos para testes de campo, economizando tempo e recursos. Segundo Sam Fernandes, a previsão genômica permite estimar o rendimento das plantas com base no DNA e em dados anteriores sem necessidade de plantio, otimizando o processo de desenvolvimento de novas variedades adaptadas a condições específicas, como a seca. Os coautores do estudo incluem Caio Vieira, professor associado de melhoramento de soja, e Kaio Dias, professor de biologia geral na Universidade Federal de Viçosa.
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Nesse cenário, O Boticário se destacou ao incorporar a quinoa – Foto: Fabiano Marques Dourado/ Embrapa
O mercado de cosméticos tem registrado um crescimento notável nos últimos anos, impulsionado pela crescente demanda por produtos naturais e sustentáveis. De acordo com um estudo da Statista, o mercado de alimentos saudáveis e bem-estar superou 23,5 bilhões de dólares em 2023 e deverá atingir 38,5 bilhões até 2033. Essa tendência também reflete no setor de beleza, onde consumidores estão cada vez mais interessados em produtos que oferecem benefícios funcionais, como hidratação e melhora na elasticidade da pele.
Nesse cenário, O Boticário se destacou ao incorporar a quinoa, um dos superalimentos mais poderosos, em sua linha de cuidados corporais. Desde 2017, a marca tem utilizado o óleo de quinoa em sua linha Nativa SPA, aproveitando suas propriedades nutricionais e benefícios para a pele. Pesquisas indicam que o óleo de quinoa pode estimular a produção de colágeno em até 77%, o que contribui para uma pele mais firme e jovem. Essa inovação foi reconhecida globalmente pela Mintel, que destacou O Boticário como pioneiro no uso do superalimento.
Bruna Nunes, diretora da categoria Corpo & Banho do Grupo Boticário, comenta que a tecnologia patenteada de extração e purificação do óleo de quinoa proporciona um produto até 530 vezes mais nutritivo que o óleo de coco. O óleo de quinoa melhora a elasticidade da pele, oferece ação antioxidante e promove uma hidratação intensa, ajudando a prevenir estrias e a proteger a pele contra danos externos.
Nativa SPA, com mais de 170 produtos, combina o óleo de quinoa com outros ingredientes para potencializar a hidratação e a nutrição da pele. A marca oferece uma variedade de loções e texturas, todas enriquecidas com o bioéster de quinoa, proporcionando uma experiência de cuidado corporal incomparável.
O mercado físico do boi gordo registrou preços em alta ao longo da semana. Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, o ambiente de negócios ainda sugere pela continuidade deste movimento no curto prazo.
Isso acontece em linha com a atual posição das escalas de abate, que seguem encurtadas em grande parte do país, com uma média de seis a sete dias úteis.
Em relação à demanda de carne bovina, o mercado segue bastante aquecido, com forte ritmo de exportação, em um ambiente em que o Brasil é o grande fornecedor de proteínas de origem animal em escala global. “A demanda doméstica também está aquecida neste momento”, destaca Iglesias.
Preços da arroba do boi na semana
Os preços médios da arroba do boi gordo na modalidade a prazo nas principais praças de comercialização do país estavam assim no dia 6 de setembro:
São Paulo: R$ 251,43, contra R$ 243,28 em 30 de agosto, alta de 1,37%
Goiás: R$ 239,36, ante R$ 235,75 (+0,78%)
Minas Gerais: R$ 235,94, sobre R$ 234,41 (+2,33%)
Mato Grosso do Sul: R$ 250,25, contra R$ 248,55 (+1,1%)
Mato Grosso: R$ 218,72, ante R$ 216,30 (+2,2%)
Exportações de carne bovina
Foto: Ministério da Agricultura
As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 964,233 milhões em agosto (22 dias úteis), com média diária de US$ 43,829 milhões, de acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex)..
A quantidade total exportada pelo país chegou a 217,458 mil toneladas, com média diária de 9,649 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 4.434,10.
Segundo a Secex, em relação a agosto de 2023, houve alta de 15,4% no valor médio diário da exportação, ganho de 17,4% na quantidade média diária exportada e desvalorização de 1,7% no preço médio.
O Informativo Conjuntural da Gerência de Planejamento, divulgado na quinta-feira (5), trouxe atualizações sobre a citricultura nas regiões do Rio Grande do Sul. Em Caxias do Sul, a Emater/RS-Ascar informou que foram realizadas vistorias de Proagro nas áreas atingidas pelos temporais de maio. A laranja continua com problemas de granulação e cristalização devido à lixiviação dos nutrientes pelo excesso de chuvas nos últimos meses. Os pomares estão com uma grande quantidade de flores e a colheita da bergamota Montenegrina está em aceleração.
Os citricultores estão adotando práticas culturais como remoção de galhos e limpeza para melhorar a saúde das plantas. Os preços atuais variam entre R$ 1,50 e R$ 1,75/kg para laranja (para suco) e entre R$ 1,20 e R$ 1,85/kg para bergamota, com possíveis aumentos para a variedade Montenegrina nas próximas semanas.
Em Passo Fundo, as geadas de agosto causaram danos nas brotações novas, mas a produtividade não deverá ser afetada gravemente devido ao estágio inicial da floração. O manejo fitossanitário é essencial para manter a qualidade dos frutos, com preços de laranjas Valência a R$ 1,86/kg e bergamota Montenegrina a R$ 1,55/kg.
Na região de Frederico Westphalen, a colheita está praticamente concluída com 90% da área já colhida. A nova safra apresenta boas perspectivas com brotações e floração abundantes. A laranja de suco está sendo vendida entre R$ 2.000,00 e R$ 2.200,00 por tonelada, e a laranja umbigo varia de R$ 2,50 a R$ 2,80/kg.
Em Lajeado, com 3.724 hectares de bergamota e 1.146 hectares de laranja, a colheita está em andamento e beneficiada pelo clima. Os preços da laranja Valência são de R$ 1.830,00/t para a indústria e cerca de R$ 50,00/cx de 25 kg para mesa. A bergamota Montenegrina tem preços de R$ 1.400,00/t para a indústria e entre R$ 70,00 e R$ 80,00/cx de 25 kg para o mercado de mesa.
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Foto: Divulgação
A Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo reuniu-se nesta quinta-feira (05/09) com a parceria público-privada Rede ILPF para dar início a um ambicioso projeto voltado à recuperação de pastagens degradadas no estado. A iniciativa visa promover a sustentabilidade e o desenvolvimento regional, focando em áreas críticas como o noroeste paulista, o Vale do Paraíba e o Pontal do Paranapanema, onde aproximadamente 6 milhões de hectares estão comprometidos, conforme informações divulgadas pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo,
Segundo a Secretaria de Agricultura, o projeto faz parte do Projeto Integra SP, que busca estabelecer um novo ciclo de desenvolvimento sustentável no interior paulista. “Levamos segurança jurídica ao Pontal do Paranapanema. Agora, precisamos recuperar as áreas degradadas em parceria com as empresas que fazem parte da Rede ILPF, utilizando a expertise dos nossos institutos e o financiamento do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP),” declarou o secretário de Agricultura, Guilherme Piai.
Além das ações de recuperação, o projeto poderá incluir novas iniciativas, como o cultivo de macaúba para produção de diesel renovável e o desenvolvimento de sementes de cana-de-açúcar para impulsionar o setor sucroenergético. O objetivo é estabelecer regiões exemplares em boas práticas de manejo do solo, que servirão como referência para outras áreas do interior paulista.
Amostras de milho ainda não totalmente domesticado encontradas em cavernas no Vale do Peruaçu, em Minas Gerais, foram determinadas como as mais distantes já encontradas do centro de origem da planta, o México.
Os resultados foram divulgados na quarta-feira (4) na revista Science Advances, em trabalho liderado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Descoberta feita longe do México
A descoberta reforça achados do grupo publicados em 2018, na revista Science, que mostrava evidências genéticas, em plantas atuais, de que o milho poderia ter finalizado sua domesticação também na América do Sul.
Faltava encontrar amostras de indivíduos semidomesticados no continente, que se revelaram em espigas, palha e grãos encontrados em escavações arqueológicas realizadas no Vale do Peruaçu em 1994, por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
“A princípio, essas amostras foram consideradas apenas exemplares de milho domesticado que não cresceram o suficiente”, explica a primeira autora do estudo realizado durante doutorado e pós-doutorado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP, Flaviane Malaquias Costa.
“A partir da evidência genética de que o processo final de domesticação poderia ter ocorrido na América do Sul, reavaliamos o material e encontramos diversas características em comum com a planta que originou o milho no México, 9 mil anos atrás, e a que chegou no sudoeste da Amazônia, 6 mil anos atrás”, completa.
A distância do México para o Vale do Peruaçu é de cerca de 7.150 km, enquanto do sudoeste da Amazônia, atuais Rondônia e Acre, em torno de 2.300 km. Portanto, as amostras são as mais distantes do centro de origem da planta já encontradas com essas características primitivas.
Embora as evidências arqueológicas registrem entre 10 mil e 9 mil anos atrás a presença de populações humanas no Vale do Peruaçu, o milho parece ter chegado à região apenas cerca de 1.500 anos atrás. As amostras da planta semidomesticada encontradas no local vão de 1.010 até cerca de 500 anos atrás, quando os europeus aportaram no continente.
“Isso mostra a importância das populações indígenas do passado, que selecionaram, manejaram e fixaram características que deram origem às raças de milho atuais da América do Sul. Seus descendentes continuam realizando esse trabalho ainda hoje, contribuindo para mantermos nossos recursos genéticos”, conta o pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e coautor do estudo, Fábio de Oliveira Freitas.
Foto: Flaviane Malaquias Costa
A partir da análise de diversas características do milho encontrado nas cavernas no Peruaçu, os pesquisadores determinaram um parentesco com a raça brasileira Entrelaçado, presente nos estados do Acre e de Rondônia.
“Esta foi uma das raças que se originaram na América do Sul a partir da seleção de outras populações, cujas variedades atuais encontramos durante nosso projeto de pesquisa. Nele, rastreamos milhos em vários locais do Brasil e Uruguai”, lembra a professora da Esalq-USP, Elizabeth Ann Veasey, que orientou o doutorado de Costa e coordenou projeto apoiado pela Fapesp.
Fileiras ancestrais
Para diferenciar milhos domesticados daqueles que não tiveram esse processo concluído, os pesquisadores examinaram uma série de marcadores, características morfológicas que ajudam a determinar a distância da planta de sua versão selvagem.
Um desses traços é o número de fileiras de grãos, sendo abaixo de oito considerado de uma planta primitiva. Essa é a quantidade encontrada no teosinto, espécie forrageira (popularmente conhecida como dente-de-burro) que teria dado origem ao milho no México cerca de 9 mil anos atrás.
Enquanto raças de milho atuais de terras baixas na América do Sul podem ter de oito a 26 fileiras de grãos, as amostras arqueológicas do Peruaçu apresentam entre quatro e seis fileiras. As análises foram realizadas num total de 296 amostras, incluindo espigas, palha e grãos.
“Fizemos uma viagem no tempo que vai de um passado distante até os dias de hoje, dos vestígios arqueológicos às raças e variedades mantidas e ainda sendo diversificadas pelos povos tradicionais, os protagonistas dessa história”, reforça Costa.
As amostras agora passam por análises arqueogenéticas com parceiros internacionais, realizadas por meio de um conjunto de técnicas de última geração que, se bem-sucedidas, poderão sequenciar o genoma completo do milho encontrado no Peruaçu e determinar com precisão seu parentesco.
As cavernas do Vale do Peruaçu são algumas das poucas no mundo com pinturas rupestres de espécies cultivadas. Além de ilustrado nas paredes, o milho foi encontrado em cestos enterrados, provavelmente como oferenda aos mortos sepultados naqueles sítios.
A descoberta também tem um desdobramento geopolítico. Uma vez que se estabelece que raças de milho terminaram o processo de domesticação aqui no Brasil, esses recursos genéticos podem ser considerados não mais exóticos, o que implica a necessidade de esforços para sua conservação e direitos em tratados internacionais sobre o tema.
Estudo inédito conduzido pela Embrapa está testando o uso do farelo de mamona destoxificado como substituto ao farelo de soja em dieta para bovinos de corte, assim como seu potencial para redução de emissão de metano.
A pesquisa é realizada em Bagé, na Embrapa Pecuária Sul, em parceria com a Embrapa Algodão e a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), e busca avaliar o consumo, a digestibilidade e a segurança do uso do coproduto na dieta dos animais.
Isso porque a mamona apresenta originalmente em sua composição a ricina, um componente tóxico. No entanto, a partir da destoxificação realizada na indústria, o farelo de mamona tem grande potencial de nutrição de ruminantes, principalmente por conter teor de proteína bruta de até 45%, cerca de 10% a mais do que o farelo de soja, e por ser mais barato.
Foto: Ray Shrewsberry/Pixabay
Testes prévios com pequenos ruminantes já demonstraram a inexistência de efeito nocivo do farelo de mamona destoxificado na alimentação destes animais, considerados poligástricos.
Animais monogástricos, como aves, peixes e suínos, não têm tolerância ao farelo de mamona, e não podem consumir o coproduto.
Conforme a zootecnista responsável pelos estudos em sua tese de doutorado, Bruna Machado, o farelo de mamona está sendo testado para ser introduzido de forma segura no mercado pecuário brasileiro.
“Esperamos chegar às condições adequadas e seguras para uso do farelo de mamona nas dietas dos ruminantes, tendo como finalidade a suplementação dos animais a campo e também em ambiente de confinamento”, destacou.
De acordo com pesquisador da Embrapa Algodão que trabalha com mamona há cerca de 20 anos, Liv Severino, há um avanço significativo nos testes conduzidos com bovinos de corte, com grande expectativa da indústria da mamona do mundo todo.
“A Índia é a grande produtora e a China a segunda [maior] produtora no mundo, e nenhum desses países consegue utilizar o farelo de mamona na alimentação animal. Então realmente esse passo que estamos dando é uma novidade mundial”, destaca o pesquisador.
Metodologia empregada
A tese de doutorado tem como título “Uso seguro do farelo de mamona como alimento para animais ruminantes e para a redução das emissões de metano entérico”.
O projeto conta com a colaboração do Laboratório de Pastos e Suplementos da UFSM. Ao todo, 20 fêmeas da raça Brangus de um ano de idade, divididas em quatro grupos de cinco, têm acesso à alimentação disponível em um determinado tratamento. A orientação da pesquisa é realizada, na Embrapa, pela pesquisadora Cristina Genro, e, na UFSM, pela professora Luciana Pötter.
Os animais recebem dieta base para todos os tratamentos, composta de 1% de concentrado e 2% de pré-secado de aveia, com oferta à vontade.
Os tratamentos são de diferentes níveis de inclusão de mamona destoxificada em substituição ao farelo de soja. Os níveis de substituição são de 10, 20 e 30%, além do tratamento controle, sem adição do farelo de mamona.
“Cada animal tem acesso somente a um dos quatro cochos da baia com seu respectivo tratamento de nível de inclusão de mamona. Isso só é possível pois cada animal tem uma identificação por meio de um chip de identificação implantado na orelha, possibilitando ter acesso ao cocho, que libera a entrada somente do animal previamente cadastrado”, explica Bruna.
Nova dieta e redução da emissão de metano
Foto: Giro do Boi
Um dos potenciais do farelo de mamona testado no estudo é a redução da produção e emissão do metano entérico pelos bovinos de corte. Este é um dos fatores que vêm sendo avaliados, além da nutrição dos ruminantes, com o objetivo de tornar a pecuária cada vez mais competitiva e sustentável.
“Uma das principais fontes que contribui para a emissão desse gás é o processo de fermentação entérica em ruminantes, sendo o metano um gás muito relevante para o objetivo de reduzir o aquecimento global. Como o Brasil apresenta um dos maiores rebanhos bovinos do mundo, um dos caminhos para que o país cumpra os compromissos assumidos internacionalmente de reduzir a emissão de metano é através do manejo e formulação de dietas mais eficientes”, destaca Machado.
Além de usar a nutrição animal como ferramenta de diminuição das emissões de metano, a pecuária pode contribuir de forma significativa para o sequestro de carbono, a partir de práticas como o manejo correto das pastagens.
Destoxificação da mamona
A mamona é cultivada com o objetivo de extração do óleo da semente. O farelo sobra como resíduo, e até então era usado apenas como fertilizante orgânico, devido a sua toxicidade relacionada à presença da ricina em sua composição.
A proteína tóxica é capaz de inativar os ribossomos, prejudicando a síntese proteica e causando morte celular. No entanto, é possível alcançar de forma eficiente a destoxificação do farelo de mamona na indústria de extração de óleo, possibilitando o seu uso para alimentação de animais ruminantes.
Sendo submetido ao processo adequado, o insumo pode ser usado como substituto do farelo de soja na dieta de ruminantes, aproveitando o seu alto teor de proteína bruta e o custo mais baixo.
O fechamento emergencial de 80 unidades de conservação localizadas na região metropolitana e no interior paulista, anunciado pelo governo de São Paulo, tem o objetivo de proteger a população e direcionar 100% do corpo de funcionários para o monitoramento e eventuais ações de combate a incêndios florestais.
A decisão foi tomada em resposta ao crescente risco de incêndios, que colocam em perigo tanto os visitantes como as áreas de preservação. As unidades são geridas pela Fundação Florestal, órgão vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) do Estado.
“A importância de fechar os parques é para que possamos envolver toda a equipe de campo no monitoramento do perímetro das unidades. Assim, em eventuais incêndios nesse perímetro, conseguimos identificar de forma rápida e dar uma pronta resposta”, explica Jônatas Trindade, subsecretário de Meio Ambiente da Semil.
Além disso, em regiões mais sensíveis a grandes incêndios, a presença de público dentro das unidades coloca em risco a segurança dos presentes e ainda aumenta a chance de queimadas causadas por ação de algum visitante no interior do parque.
O fechamento seguirá até 12 de setembro, podendo ser ampliado de acordo com condições climáticas e os riscos associados.
Ampliação de brigadistas nas unidades
O monitoramento dos focos é feito tanto por via terrestre como por meio de drones. “As equipes ficam circulando no entorno das unidades, que são grandes, com focos naquelas de maior risco. Além disso, são acompanhadas pelos brigadistas contratados e bombeiros civis, para fazer, além do trabalho preventivo, o ataque aos incêndios identificados”, afirma Trindade.
Nesta segunda-feira (2), a Fundação Florestal assinou um aditivo de contrato disponibilizando mais 15 equipes de campo de bombeiros civis para atuar nas unidades, que se somam às 19 equipes já existentes.
“Para esse incremento, fizemos a avaliação com alguns critérios: a sensibilidade ambiental da área, a fragilidade ou a maior incidência de incêndios no território, o tamanho e a importância biológica das unidades”, relata o subsecretário. Além disso, equipes que ficam no litoral, onde há menor tendência de incêndios, foram deslocadas para também fazer o atendimento nas regiões mais sensíveis.
O governo de São Paulo também tem chamado a iniciativa privada para somar esforços nas ações de prevenção às queimadas. “Conseguimos apoio de empresas do setor florestal, que têm uma rede de monitoramento nas unidades produtivas delas, mas que têm um alcance fora”, diz Jonatas Trindade.
As torres com câmeras podem ter um alcance de até 100 km, a depender da topografia. “As empresas conseguem monitorar e identificar focos de incêndio no entorno das unidades produtivas que têm interface com unidades de conservação. Com isso, podem nos comunicar de imediato para termos uma pronta resposta”.
Nesta terça-feira (3), o governo paulista anunciou uma ampliação das ações de enfrentamento às queimadas em parceria com a iniciativa privada, com a disponibilização das estruturas de monitoramento e combate de entidades de setores florestais, produtores de açúcar, energia elétrica, gás, água, empresas florestais e concessionárias de rodovias.
A cooperação ocorre em momento de agravamento das condições climatológicas favoráveis aos incêndios. O número de focos de calor cresceu 386% entre janeiro e agosto deste ano na comparação com 2023. Além disso, cerca de 8.049 propriedades rurais foram afetadas pelos incêndios em 317 municípios.
“Temos um planejamento muito bem estabelecido aqui no estado, com um plano de curto, médio e longo prazo. E para robustecer isso cada vez mais, ficou acordado que cada um vai mandar as informações de suas infraestruturas, principalmente do que chamamos de infraestruturas críticas. Vamos agregar os mapeamentos para termos esse planejamento articulado dentro do nosso gabinete de crise”, afirma a secretária do Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende.
A União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Única), por exemplo, conta com 10 mil brigadistas e 2 mil caminhões pipa disponíveis para combater incêndios nos canaviais. Já a Florestar, associação do setor produtor de florestas plantadas, reúne empresas que podem oferecer infraestrutura e tecnologia para atuar em conjunto com o governo para o monitoramento de Unidades de Conservação afetadas pelas chamas.
Previsão para os próximos dias
A situação das queimadas no estado de São Paulo se agravou entre 2 de agosto e 3 de setembro, período em que 245 municípios foram atingidos pela incidência de fogo, 48 deles em alerta máximo. Além disso, a estiagem ainda persiste no estado fazendo de setembro um mês crítico e propiciando piora no cenário dos incêndios.
De acordo com a meteorologista da Defesa Civil Desiree Brant, a previsão pelo menos para os primeiros 20 dias de setembro é de tempo seco. Uma massa de ar seco deve impedir a chuva, favorecer temperaturas elevadas, reduzir a umidade do solo e aumentar o risco de fogo.