sábado, abril 4, 2026

Autor: Redação

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Lula prevê solução entre Brasil e EUA nos próximos dias



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (27) que o Brasil e os Estados Unidos estão próximos de um acordo para encerrar as tarifas impostas sobre produtos brasileiros. Segundo ele, as tratativas avançaram após a reunião com o presidente norte-americano, Donald Trump, na Malásia.

“Estou convencido de que, em poucos dias, teremos uma solução definitiva entre Estados Unidos e Brasil”, declarou Lula, em coletiva à imprensa em Kuala Lumpur. O presidente destacou que entregou a Trump um documento com os principais pontos de interesse do governo brasileiro nas negociações.

Avanço nas negociações

Lula afirmou ter insistido que os Estados Unidos mantêm superávit comercial com o Brasil, o que, segundo ele, não justificaria a manutenção das tarifas. O presidente norte-americano, disse Lula, se comprometeu a buscar um acordo de “boa qualidade” entre os dois países.

De acordo com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, equipes técnicas de ambos os governos devem iniciar, nas próximas semanas, reuniões para definir os termos do entendimento. “Vamos construir um acordo satisfatório para as duas partes, com foco nos setores mais afetados pelas tarifas”, afirmou.

O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Rosa, também avaliou que o diálogo está em ritmo positivo. Segundo ele, a pauta agora é exclusivamente comercial, sem interferências políticas.

Clima, Venezuela e novas parcerias

Durante o encontro, Lula disse ainda ter se colocado à disposição para mediar negociações sobre a crise na Venezuela. “O Brasil não tem interesse em conflitos na América do Sul. Nossa guerra é contra a fome e a pobreza”, afirmou.

O presidente também reforçou o convite para que Trump participe da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada em novembro, em Belém. Lula destacou a importância da presença do líder norte-americano no debate climático, mesmo diante de divergências sobre o tema.

Além da agenda com os Estados Unidos, a comitiva brasileira destacou o interesse em ampliar as relações comerciais com países do Sudeste Asiático, como Indonésia e Malásia. Segundo o ministro Mauro Vieira, a região é vista como estratégica para a diversificação de parcerias e atração de investimentos.

Lula completou 80 anos nesta segunda-feira e encerrou a coletiva afirmando estar “no melhor momento da vida”, com disposição para seguir à frente das negociações internacionais.



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Frente fria traz chuva para várias regiões do Brasil



A segunda-feira (27) começa com tempo instável em várias regiões do Brasil. A passagem de uma frente fria e a presença de sistemas de baixa pressão ajudam a espalhar as chuvas, enquanto o calor ainda predomina em boa parte do país. Em algumas áreas, o risco é de temporais isolados; em outras, o destaque é a baixa umidade e as altas temperaturas.

Confira a previsão do tempo em cada região do país:

Sul

As pancadas de chuva seguem restritas entre o norte do Rio Grande do Sul e o Paraná, se espalhando ainda durante a madrugada, entre moderada e forte intensidade. Nos dois estados, não estão descartados eventuais temporais isolados. No decorrer do dia, conforme os sistemas começam a se deslocar, a chuva vai gradativamente perdendo força no estado gaúcho e catarinense.

No Paraná, até o final da noite, ainda haverá condições para pancadas de chuva, que podem cair com até forte intensidade, pontualmente, acompanhada por raios e trovoadas. Na metade sul gaúcha, o tempo segue mais aberto ao longo de todo o dia. 

Sudeste

No Sudeste, as instabilidades associadas ao cavado meteorológico começam a ganhar força a partir do período da tarde em São Paulo. O dia ainda amanhece abafado no estado, mas as temperaturas já não sobem tanto quanto no fim de semana. As pancadas de chuva variam entre fraca e moderada intensidade, mas não está descartada a ocorrência de chuva forte localizada.

Ainda na parte da tarde, as instabilidades ganham força no sul de Minas Gerais e no Rio de Janeiro, condicionando a ocorrência de pancadas de chuva com raios e trovoadas. Nas demais regiões do estado mineiro e no Espírito Santo, o predomínio ainda será de tempo firme, com calor intenso presente e alerta para baixa umidade do ar nas áreas interioranas. 

Centro-Oeste

No Centro-Oeste, a presença da frente fria deve continuar orientando o fluxo de umidade sobre parte da região, e as pancadas de chuva seguem avançando sobre o Mato Grosso do Sul, oeste e sul de Mato Grosso. Os temporais podem ocorrer ainda pela manhã, de forma mais localizada, ganhando força e se espalhando no período da tarde.

Nas demais regiões de ambos os estados, além de Goiás e no Distrito Federal, o predomínio ainda será de tempo mais aberto, com sol e calor permanecendo como destaque. Na parte da tarde, a umidade segue em níveis críticos, variando entre limiares de atenção e alerta. 

Nordeste

No Nordeste, a chuva segue associada ao ingresso de umidade marítima sobre áreas da costa leste, e as pancadas devem cair irregularmente, variando entre fraca e moderada intensidade. Entre Alagoas e Pernambuco, pode chover localmente forte em alguns momentos do dia.

Nas demais regiões do interior nordestino, o predomínio será de tempo firme durante o dia. Sendo assim, o destaque deverá girar em torno do calor e do ar seco, que ganham força no decorrer das horas. No período da tarde, a umidade volta a sofrer queda acentuada e os índices devem permanecer em níveis críticos.

Norte

No Norte, a circulação de umidade e algumas perturbações em níveis mais elevados da atmosfera vão continuar sustentando a formação de áreas de instabilidade no Amazonas, Acre e Rondônia. Nessas áreas, há risco de chuva forte ou até mesmo temporais localizados. Pode chover de forma isolada no oeste do Pará.

Nas demais regiões, como no Amapá e no Tocantins, o predomínio será de tempo firme durante o dia, com calor intenso e céu aberto.

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Queda da inflação avança e reforça confiança dos investidores; ouça o podcast


No morning call desta segunda-feira (27), a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, comenta que os mercados globais subiram com balanços fortes e expectativa de novos cortes de juros nos EUA.

No Brasil, IPCA-15 e núcleos de inflação vieram abaixo do esperado, reforçando apostas em cortes já no início de 2026. Destaque para possível redução de 25 pontos-base pelo Fed, manutenção de política pelo BCE e Banco do Japão, além de indicadores de atividade e fiscal no Brasil.

Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.

Para mais conteúdos de mercado financeiro, acesse: Bom Dia Mercado!

Ariane Benedito, apresentadora do podcast Diário Econômico
Foto: divulgação



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AgroNewsPolítica & Agro

Explosão de recuperações judiciais expõe crise


O agronegócio brasileiro enfrenta um momento de forte tensão financeira. De acordo com dados da Serasa Experian e de institutos de análise jurídica, os pedidos de recuperação judicial de produtores rurais somaram 700 apenas no primeiro semestre de 2025, um aumento de 45% em relação ao mesmo período de 2024.

O primeiro trimestre já havia sinalizado o agravamento da crise, com 389 pedidos — alta de 44,6% frente a 2024 e de 21,5% em relação ao fim do ano anterior. O avanço é resultado de fatores como o aumento dos custos de insumos, juros elevados, eventos climáticos extremos e a desvalorização das commodities, que comprometeram a liquidez das operações e pressionaram as margens de lucro.

“O modelo de expansão agrícola baseado em crédito e alavancagem, sem o devido preparo técnico e jurídico, criou uma armadilha para muitos produtores. O que parecia um ciclo de prosperidade se converteu rapidamente em uma crise de liquidez”, afirma Rodrigo Totino, advogado e sócio do escritório Tríade Administração Judicial.

O endividamento crescente se reflete na inadimplência. Dados do Banco do Brasil indicam que 3,49% da carteira agrícola estava inadimplente no segundo trimestre de 2025 — recorde histórico, frente a 2,45% em 2024 e 0,96% em 2023. Embora muitos produtores ainda tentem renegociar dívidas antes de recorrer à Justiça, a recuperação judicial tem se tornado a principal alternativa para manter as atividades.

A crise é mais visível no Norte e no norte do Mato Grosso, regiões que passaram da pecuária para o cultivo de grãos, exigindo investimentos altos e garantias frágeis. A queda dos preços das commodities e a instabilidade cambial ampliaram a vulnerabilidade dos produtores, reforçando a necessidade de reorganização financeira e gestão mais profissional no campo.  

“Ela não é sinônimo de falência, mas de reorganização. Ao entrar em RJ, o produtor é obrigado a se profissionalizar, estruturar seu modelo de negócio e renegociar com os credores. É um processo que, embora doloroso, pode representar um recomeço sólido e sustentável”, conclui.

 





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AgroNewsPolítica & Agro

Entenda como surgem plantas daninhas resistentes



A planta resistente, por sua vez, sobrevive à aplicação


A planta resistente, por sua vez, sobrevive à aplicação
A planta resistente, por sua vez, sobrevive à aplicação – Foto: Julio Bogiani

Compreender o comportamento das plantas daninhas frente aos herbicidas é um dos pilares para o manejo eficiente e sustentável das lavouras. Segundo o Comitê de Ação à Resistência aos Herbicidas (HRAC-BR), entender a diferença entre suscetibilidade, tolerância e resistência é essencial para manter a eficácia dos produtos e preservar a produtividade agrícola a longo prazo.

A planta suscetível é aquela que morre após a aplicação do herbicida em doses normais e sob condições favoráveis. Nesses casos, o produto atua conforme o esperado, eliminando a planta daninha de forma eficaz. Já a planta tolerante, também chamada de não-suscetível, possui uma capacidade natural de sobreviver e se reproduzir mesmo após o uso do herbicida na dose recomendada. Essa característica é inata à espécie e não resulta de exposição prévia ao produto, ou seja, não representa resistência adquirida.

A planta resistente, por sua vez, sobrevive à aplicação de um herbicida que antes era eficaz no controle da espécie. Essa condição surge por meio da seleção natural: indivíduos que, por características genéticas, suportam a aplicação do produto acabam se multiplicando e dominando a área. Esse processo torna o controle químico mais difícil e aumenta a necessidade de estratégias de manejo integradas.

Distinguir suscetibilidade, tolerância e resistência é fundamental para orientar práticas agrícolas que evitem o uso excessivo ou inadequado de herbicidas, promovendo a sustentabilidade e a eficiência do controle de plantas daninhas. As informações foram divulgadas recentemente.

 





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AgroNewsPolítica & Agro

Feijão-carioca inicia safra em SP com qualidade promissora


A colheita dos primeiros lotes de feijão-carioca nota 9 e 10 começou nas regiões de Itaí e Paranapanema, no estado de São Paulo. Segundo o Instituto Brasileiro do feijão e Pulses (Ibrafe), ainda há algumas ressalvas quanto à qualidade, devido às chuvas registradas no último final de semana. A expectativa, porém, é de que o clima firme nas próximas semanas permita a manutenção da boa qualidade dos grãos e um mercado mais disputado entre compradores.

A safra paulista está estimada em cerca de 15 mil hectares e, conforme dados da Conab, poderá alcançar até 38 mil toneladas — o equivalente a aproximadamente 630 mil sacas até meados de dezembro. Se as condições climáticas permanecerem favoráveis, os preços tendem a se manter firmes ou até subir, impulsionados pela demanda. Nesta semana, negócios pontuais chegaram a R$ 270 por saca, mas compradores ainda testam valores menores para medir a reação dos produtores.

De acordo com o relatório CEPEA Feijão, as cotações seguem com comportamento misto entre as praças. No Noroeste de Minas, o Feijão-carioca nota 9 teve leve alta diária de 0,31%, enquanto Sorriso (MT) recuou 4,73% na semana. O Leste Goiano apresentou avanço semanal de 1,71%. No acumulado do mês, prevalecem quedas de 6% a 10%. Para o Feijão-carioca 8–8,5, Itapeva (SP) caiu 1,58% no dia, mas outras regiões mineiras registraram leves altas.

Já o Feijão-preto T-1 enfrenta pressão vendedora no Sul. Curitiba teve queda de 2,72% no dia e 3,66% na semana; o Oeste Catarinense também registrou retração. No Paraná, a metade sul manteve estabilidade diária (+0,18%), mas acumula baixa semanal de 3,40%.

O Ibrafe avalia que a atual oferta mantém os compradores cautelosos, testando preços mais baixos, especialmente nos padrões médios. Os lotes extras, de maior qualidade, seguem mais disputados e com menor flexibilidade. Para o produtor, a recomendação é manter disciplina comercial, aproveitando oportunidades de venda e evitando concentrar negociações em uma única janela.

 





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Preços do boi gordo sobem em parte do país com redução nas escalas de abate



O mercado físico do boi gordo apresentou reajustes positivos em diversas regiões do país ao longo desta semana, impulsionado pela redução nas escalas de abate dos frigoríficos. Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, unidades do Pará, Tocantins, Goiás e Mato Grosso do Sul registraram elevação nas cotações diante da menor disponibilidade de animais prontos para o abate.

Em São Paulo, os preços permaneceram estáveis, já que os frigoríficos de maior porte seguem com escalas mais confortáveis e boa oferta proveniente de parcerias.

No dia 22 de outubro (quarta-feira), os valores da arroba do boi gordo na modalidade a prazo foram os seguintes:

  • São Paulo (Capital) – R$ 315,00 a arroba, alta de 1,61% frente aos R$ 310,00 da semana anterior
  • Goiânia (GO) – R$ 305,00 a arroba, avanço de 1,67% frente aos R$ 300,00
  • Uberaba (MG) – R$ 305,00 a arroba, aumento de 1,67%
  • Mato Grosso do Sul (Dourados) – R$ 330,00 a arroba, elevação de 1,54%
  • Mato Grosso (Cuiabá) – R$ 300,00 a arroba, estável
  • Rondônia (Vilhena) – R$ 290,00 a arroba, valorização de 3,57% frente aos R$ 280,00 da semana passada

Mercado atacadista

O mercado atacadista também mostrou firmeza, com melhor equilíbrio entre atacado e varejo. Segundo Iglesias, o pagamento do 13º salário, a abertura de vagas temporárias e as confraternizações de fim de ano devem estimular o consumo interno de carne bovina nas próximas semanas.

O traseiro bovino foi cotado a R$ 25,00/kg, estável, enquanto o dianteiro subiu 1,10%, chegando a R$ 18,20/kg.

Exportações

As exportações brasileiras de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada somaram US$ 1,108 bilhão em outubro até o momento (13 dias úteis), com média diária de US$ 85,28 milhões. O volume exportado atingiu 201,3 mil toneladas, com preço médio de US$ 5.506,30 por tonelada.

Na comparação com outubro de 2024, houve alta de 48,9% no valor médio diário exportado, 26,1% no volume médio diário e 18,1% no preço médio. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).



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Hortas circulares apoiam agricultura familiar em Minas Gerais


Já imaginou uma horta em círculo? Essa técnica está sendo repassada para agricultores familiares de diferentes regiões de Minas Gerais, por meio da Empresa de Pesquisa Agropecuária do estado (Epamig).

O funcionamento com curvas de nível faz com que toda água que cai na horta permaneça dentro dela. Desse modo, é possível reduzir a erosão, em locais com mais declives, e aproveitar melhor a água da irrigação, em locais planos. 

A ideia é fomentar uma nova fonte de renda e incrementar a oferta de alimentos

A ação integra o projeto “Expansão e fortalecimento da cadeia produtiva de arroz em Minas Gerais, com foco em sustentabilidade e segurança alimentar”, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

A coordenadora dos trabalhos e pesquisadora da Epamig, Janine Guedes, explica que o projeto do arroz inclui uma linha de ação para fortalecer a agricultura familiar como um todo.

Assim, o trabalho com hortas, que já era desenvolvido pela pesquisadora Polyanna Oliveira, passou a fazer parte do projeto como uma de suas ações.

O processo envolve a implementação de hortas, a realização de treinamentos e, posteriormente, a introdução de unidades de arroz sequeiro em períodos chuvosos.

“Trabalhamos junto à Emater e às prefeituras municipais para que os produtores possam fornecer a produção das hortas e o arroz para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE)”, acrescenta a pesquisadora.

Um novo modelo de horta

As hortas agroecológicas circulares consistem em uma estratégia para melhorar a qualidade de vida de pequenos agricultores, bem como proporcionar novas fontes de renda.

O sistema, não só é sustentável e agro ecológico, mas também é facilmente replicável em diferentes espaços e condições de solo.

Além disso, o modelo pode receber diversos tipos de hortaliças, leguminosas e frutíferas. “A escolha do que colocar na horta depende da disponibilidade de área, de água e do interesse do produtor”, enfatiza a pesquisadora Polyanna Oliveira.

Em Perdões, no Sul de Minas, serão sete unidades demonstrativas de arroz e seis hortas circulares.

“Fiquei sabendo desse projeto e fiz contato com a equipe da Epamig. A partir da parceria, conseguimos implantar três hortas e outras três já estão acertadas”, conta a secretária de Agricultura do município, Luciana Arriel.

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Foto: Epamig/Erasmo Reis

Impacto social

Uma das hortas, por exemplo, já em fase de produção, pertence ao Projeto Vida Nova, que atende 85 meninos de 8 a 18 anos em situação de vulnerabilidade social e oferece atividades como música, esportes, noções de preservação ambiental e de plantio das hortas. 

“Essa horta ajuda muito. Já estamos usando beterraba, alface, tudo. Enriqueceu muito nossa alimentação”, avalia a diretora da instituição, Cleuza Maria Augusto Oliveira.

Produtores de hortaliças há sete anos, Dulcineia Carvalho Ribeiro da Silva e Wilson Antônio Ferreira da Silva iniciaram o cultivo circular há dois meses e já notaram algumas diferenças.

“As plantas ficaram mais bonitas e é mais fácil de irrigar”, comenta Dulcineia. “Nossa ideia é ampliar o plantio circular”, completa Wilson.

Além de fornecerem alimentos para a merenda escolar, por meio do PNAE, os agricultores também vendem a produção na feirinha municipal, na associação e de forma individual. 

“Temos acompanhado de perto e visto que o pessoal está gostando do modelo. O sentido circular ajuda na questão da umidade e na prevenção dos insetos predadores de pragas”, destaca Luciana Arriel.

O plantio das Unidades Demonstrativas de Arroz em Perdões terá início no mês de novembro. “Das sete unidades previstas, teremos cultivo solteiro (apenas arroz) e outras consorciadas ao café”, detalha Janine Guedes.

Ela lembra que a palha do arroz pode auxiliar na adubação do solo: “Recomendamos ao produtor usar essa palha nas hortas, visto que ela é rica em nutrientes, em especial, nitrogênio”.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Presidente Lula, o leite virou símbolo do abandono rural


O senhor sabe o que significa ver o leite virar prejuízo? Significa assistir a milhares de famílias empobrecendo em silêncio, enquanto o governo comemora indicadores macroeconômicos que não chegam ao interior.

O litro de leite pago ao produtor familiar vale hoje menos do que custa produzir. São mais de 5 milhões de brasileiros, entre produtores e familiares, que sobrevivem dessa atividade. E, no entanto, essa crise crônica vem há um bom tempo empurrando esses produtores para o bolsa família ou para fora do campo.

Não se trata de mercado, Presidente. Trata-se de gente.

A produção de leite familiar precisa ser tratada como questão social e de segurança alimentar, não como um número de planilha.

Em outubro de 2025, o preço médio nacional pago ao produtor foi de R$ 2,22 por litro, contra R$ 2,66 há um ano.

Em estados como o Paraná, há produtores recebendo menos de R$ 2,00, quando o custo de produção ultrapassa R$ 2,20.

Resultado: famílias endividadas, tanques vazios e propriedades sendo vendidas, é o êxodo rural silencioso.

Por que o leite brasileiro ficou sem valor

  1. Custos em alta: ração, energia e logística dispararam.
  2. Consumo interno estagnado: a inflação apertou o bolso do consumidor urbano.
  3. Importações predatórias: leite em pó argentino e uruguaio entram no país muito acima da capacidade produtiva declarada desses países, derrubando os preços locais.

Essa triangulação dentro do Mercosul virou porta aberta para dumping disfarçado — e o Brasil continua fingindo que é livre comércio.

A omissão do governo é parte do problema

O Ministério do Desenvolvimento (MDIC) abriu investigação sobre dumping em dezembro de 2024, mas decidiu não aplicar medida provisória em agosto de 2025.

A justificativa técnica, de que leite em pó e leite in natura não concorrem diretamente, é um equívoco cruel.

Quem vive da ordenha sabe: é o leite em pó que baliza o preço do leite fresco. Quando ele entra barato, o produtor nacional afunda.

O que o governo poderia fazer agora

  • Acelerar o antidumping e aplicar tarifas de defesa comercial.
  • Fiscalizar a origem e o volume real das importações.
  • Ativar compras públicas emergenciais (via Conab e MDS) para retirar excedentes do mercado.
  • Usar o PNAE e o PAA para garantir demanda pelo leite da agricultura familiar.
  • Ajustar o ICMS dos importados e proteger o produtor local.

Nada disso exige novos impostos, apenas vontade política.

A queda no preço do leite não barateia a vida de ninguém.

Ela destrói pequenos produtores, enfraquece municípios e rompe o elo entre o campo e a cidade.

Cada fazenda que fecha representa menos emprego, menos arrecadação e mais miséria.

Presidente, o senhor precisa usar sua prerrogativa de chefe da nação para solucionar esse  problema gravíssimo.

O país precisa decidir se quer importar leite barato ou preservar sua dignidade rural.

Miguel DaoudMiguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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Nota técnica aponta mais de 400 obstáculos ao estudo de cannabis



Em paralelo à repressão ao seu comércio como uma droga ilegal, a cannabis é, cada vez mais, percebida internacionalmente como uma fonte de riqueza, cobiçada por setores produtivos que vão da agricultura ao setor farmacêutico. 

Só no Brasil estima-se que 670 mil pessoas utilizem fármacos à base de cannabis para tratar problemas como esclerose múltipla, epilepsia refratária e dor crônica. Porém, a falta de regulamentação atravanca a atuação de universidades, empresas e outros interessados na pesquisa científica sobre a planta.

Nesse sentido, algumas iniciativas estão em andamento para reverter este quadro. Uma delas foi a divulgação, em setembro, de uma nota técnica elaborada por um grupo de trabalho listando 481 empecilhos burocráticos e regulatórios enfrentados por quem conduz, ou deseja conduzir, estudos com a cannabis.

A proposta de regulamentação

O chamado Grupo de Trabalho (GT) de Regulamentação Científica da Cannabis criado pela Embrapa compreende 31 instituições de ensino e pesquisa.

O relatório agrupa esses tópicos em sete eixos:

  • as autorizações para pesquisa;
  • o acesso a insumos padronizados;
  • as restrições ao cultivo para fins científicos;
  • o fluxo de materiais entre instituições;
  • as incertezas quanto ao uso de coprodutos e derivados;
  • a falta de protocolos claros para pesquisas com animais de produção. 

O documento foi encaminhado ao Ministério da Saúde e à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgãos responsáveis por regulamentar a investigação e o comércio de substâncias consideradas de controle especial.

André Gonzaga dos Santos, docente da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da Unesp em Araraquara e integrante do GT que elaborou a nota, diz que o documento evidencia o interesse de diversas instituições em desenvolver estudos sobre o tema e expressa os entraves que têm impedido esses avanços. 

Gonzaga ainda ressalta o enorme potencial do Brasil para lucrar com a planta. O Anuário da Cannabis Medicinal estima que o mercado brasileiro para fins farmacêuticos possa movimentar R$ 9,4 bilhões por ano.

“Precisamos de uma regulamentação que garanta a autonomia das universidades para realizar pesquisa. Isso não significa que não deve ter controle, ele deve existir. Mas precisamos garantir a autonomia”, afirma o pesquisador. 

Os principais obstáculos 

Ainda que, em tese, existam caminhos legais que permitam as pesquisas, o grupo de trabalho da Embrapa identificou diversos entraves que, na prática, impedem avanços sólidos na área.

O principal deles é a burocracia para obtenção das autorizações, que, de acordo com a nota técnica, envolve prazos indefinidos, falta de transparência nas etapas de análise e ausência de critérios padronizados de avaliação.

“Eu tentei importar do Uruguai e Paraguai. Pedi seis amostras de canabinoides, com um miligrama cada. Elas demoraram mais de um ano para chegar e custaram mais de R$ 20 mil”, conta André Santos, da FCF em Araraquara.

A importação também não garante a padronização dos insumos, já que eles vêm de países com diferentes padrões de qualidade e de plantas com diferentes genomas, o que compromete a consistência e reprodutibilidade dos resultados. 

Além disso, o pesquisador afirma que um interesse importante da comunidade científica é entender como a cannabis cresce especificamente nos solos e condições climáticas do Brasil.

“Estudar produtos importados não vão contribuir em nada para desenvolver a cadeia produtiva nacional, porque a planta se comporta completamente diferente aqui”, diz.

O cenário atual

Assim, o grupo de trabalho defende a criação de normas específicas para as pesquisas com cannabis no país, que tornem os processos mais ágeis e transparentes.

“Precisamos de uma regulamentação que garanta autonomia, ainda que com controle e registro de todas as atividades. Isso traria segurança para os pesquisadores”, ressalta o pesquisador.

Essa regulamentação ajudaria a padronizar os procedimentos científicos e beneficiaria os setores farmacêutico e agrícola — além de reduzir os custos das pesquisas e, consequentemente, o preço final dos medicamentos quando eles chegam às gôndolas.

Medicamentos à base de canabinoides que custam até R$ 2 mil nas versões importadas têm equivalentes nacionais fabricados por associações canábicas que alcançam só 40% desse valor.

Além disso, o cânhamo industrial — nome que se dá a variedades de cannabis com baixo teor de THC cultivadas para obtenção de fibra — tem grande potencial econômico para a indústria têxtil e a produção de papel. 

*Com informações do Jornal da Unesp/Nathan Sampaio



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