O governo brasileiro concluiu negociação sanitária para exportar carne bovina, produtos cárneos e miúdos bovinos para São Vicente e Granadinas, nação do sul do Caribe composta por uma cadeia de ilhas, com cerca de 100 mil habitantes.
“A abertura faz parte da estratégia do governo brasileiro de diversificação de parcerias comerciais”, diz o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em nota.
Segundo a pasta, em 2024, o Brasil exportou mais de US$ 288 milhões em produtos agropecuários para países da Comunidade do Caribe (Caricom), de que São Vicente e Granadinas é membro.
Com este anúncio, o agronegócio brasileiro alcança 403 aberturas de mercado desde o início de 2023.
O governo federal detalhou nesta sexta-feira (22) a Portaria Conjunta nº 17/2025, que estabelece critérios de priorização para os beneficiários das medidas de apoio do Plano Brasil Soberano, previsto na Medida Provisória nº 1.309/2025, e define regras de acesso às garantias do Programa Emergencial de Acesso a Crédito (PEAC-FGI Solidário). As medidas têm como objetivo mitigar os efeitos da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros em 30 de julho.
Segundo o texto, poderão acessar os benefícios pessoas jurídicas de direito privado e pessoas físicas que exportem para os Estados Unidos, desde que devidamente registradas nos sistemas oficiais de comércio exterior. Também será exigida regularidade fiscal junto à Receita Federal e à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. Empresas em recuperação judicial ou falência ficam impedidas, exceto quando houver plano aprovado pela Justiça.
A identificação dos beneficiários será feita com base nos dados da Receita Federal. “O acesso às medidas será dado com prioridade às empresas que tenham registrado, entre julho de 2024 e junho de 2025, no mínimo 5% do faturamento total proveniente de exportações de produtos impactados pelas tarifas adicionais dos EUA”, diz o informativo.
Empresas cujo faturamento bruto decorrente dessas exportações seja igual ou superior a 20% poderão acessar condições mais favoráveis, especialmente micro, pequenas e médias. Apenas companhias com receita anual de até R$ 300 milhões poderão contar com as garantias do PEAC-FGI Solidário.
O BNDES será o agente financeiro da linha de crédito, que contará com R$ 30 bilhões do Fundo de Garantia à Exportação como fonte de recursos. As linhas incluem capital de giro, aquisição de bens de capital e investimentos em adaptação produtiva, inovação e adensamento de cadeias. Os prazos de pagamento variam de cinco a dez anos, com carência entre 12 e 24 meses.
A Portaria nº 1.863/2025 também disciplina operações do Programa Brasil Soberano com foco em micro e pequenas empresas exportadoras. O Fundo Garantidor de Operações (FGO) assegurará até 100% de cada contrato, limitado a 40% da carteira de cada instituição. As operações terão carência de até 24 meses e prazo máximo de 72 meses para pagamento, prorrogáveis por até 84 meses.
Além disso, a Portaria nº 1.862/2025 estabelece prioridade para restituição e ressarcimento de créditos tributários a empresas afetadas, bem como prorrogação de prazos de tributos federais e de débitos em dívida ativa. Os vencimentos de agosto foram transferidos para outubro, e os de setembro para novembro.
O acesso às medidas está condicionado ao compromisso de manutenção ou ampliação de empregos. “Essa cláusula de compromisso é requisito para as condições mais favoráveis nos contratos de financiamento”, informou o governo. Os dados serão aferidos pelo eSocial, e o descumprimento resultará em encargos calculados pela taxa Selic.
Entre as demais medidas já em vigor estão o fortalecimento do seguro de crédito à exportação e, em breve, serão publicadas novas normas, incluindo prorrogação de regimes especiais e um novo Reintegra para estimular a competitividade das exportações.
O mercado de soja encerrou esta sexta-feira (22) com negócios fracos na safra disponível. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, a demanda para a safra atual entra em fase de menor liquidez, com menor necessidade de compras pelas indústrias e de embarques.
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Em relação à safra nova, surgiram bons reportes em Minas Gerais, e a tendência é que o foco siga cada vez mais voltado para frente, destacou o analista.
Nos preços, houve recuos de forma geral, mas sem firmeza em todas as praças. Silveira comentou que a pressão sobre os valores veio da queda dos prêmios e da forte baixa do câmbio, que reduziu o suporte da alta em Chicago.
No geral, o mercado segue lento, com spreads altos entre comprador e vendedor, e ofertas entrando de forma estratégica e cadenciada.
Soja no Brasil (em R$)
Passo Fundo (RS): manteve em 135,50 para 135,00
Santa Rosa (RS): caiu de 136,50 para 136,00
Rio Grande (RS): caiu de 143,00 para 142,00
Cascavel (PR): caiu de 138,00 para 137,00
Paranaguá (PR): caiu de 141,00 para 140,00
Rondonópolis (MT): caiu de 129,00 para 127,00
Dourados (MS): manteve em 127,00
Rio Verde (GO): caiu de 127,00 para 126,00
Chicago
Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) fecharam o dia em alta, apoiados em rumores de compras da oleaginosa americana pela China. O óleo disparou e voltou a liderar os ganhos, após decisão sobre biocombustíveis. Os agentes também aguardam os números finais da crop tour da Profarmer.
A Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) iniciou a análise de pedidos de pequenas refinarias para isenção das leis de biocombustíveis. Foram deferidos 63 pedidos, 28 negados e 77 parcialmente aprovados. O processo envolve 5,34 bilhões de créditos de conformidade (RINS). Ainda restam 13 solicitações pendentes desde 2016.
Contratos futuros de soja
Os contratos da soja em grão com entrega em setembro fecharam em US$ 10,36 por bushel, alta de 2,00 centavos (0,19%). A posição novembro terminou a US$ 10,58 1/2 por bushel, com avanço de 2,50 centavos (0,23%).
Nos subprodutos, o farelo para dezembro recuou US$ 2,70 (0,91%), a US$ 291,50 por tonelada. O óleo para dezembro avançou 1,45 centavo (2,69%), a 55,32 centavos de dólar por libra-peso.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão em queda de 0,95%, negociado a R$ 5,4253 para venda e R$ 5,4233 para compra. Na semana, a moeda acumulou valorização de 0,49%.
Os riscos de incêndio continuam como destaque na previsão do tempo desta semana. A falta de chuvas no Brasil Central mantém o alerta elevado para produtores de soja e moradores da região.
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Com o solo extremamente seco em pleno período de preparação da safra 2025/26, em setembro, a preocupação aumenta. Por isso, a orientação é que seja evitado qualquer tipo de manejo com fogo, já que as condições atuais favorecem a propagação rápida de incêndios.
Tempestades e chuvas volumosas
A atenção se volta especialmente para este fim de semana em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, onde tempestades podem prejudicar os trabalhos em campo. A previsão indica chuva volumosa, rajadas de vento intensas e até queda de granizo.
Próximos dias
Nos próximos cinco dias, a previsão do tempo aponta chuvas no Sul do país e um leve aumento da umidade no sul do Mato Grosso do Sul. No entanto, o volume não será suficiente para reverter o déficit hídrico. Entre os dias 28 de agosto e 1º de setembro, estão previstos acumulados de 15 a 20 milímetros, que devem apenas aliviar o risco imediato de queimadas.
O tempo no início de setembro
Para a primeira semana de setembro, não há grandes mudanças no cenário: o tempo continuará quente e seco. A expectativa é que a chuva só comece a se espalhar de forma mais significativa a partir da segunda quinzena de setembro, especialmente após o dia 15, quando sistemas mais organizados devem alcançar boa parte do país.
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A maior agricultura do mundo, com o maior nível de suporte e subsídios, a norte-americana, está pedindo “Help” ao presidente dos Estados Unidos. Uma carta formal da American Soybean Association (ASA), maior concorrente do Brasil, tem em parte do seu texto um tom de súplica: “Senhor presidente, o senhor tem apoiado fortemente os agricultores e os agricultores tem apoiado fortemente o senhor. Precisamos da sua ajuda.”
Nesse pedido, a ASA afirma: “os produtores de soja estão sob extrema pressão financeira. Os preços continuam caindo e, ao mesmo tempo, nossos agricultores estão pagando significativamente mais por insumos e equipamentos”.
O presidente da entidade norte-americana, Caleb Ragland, continua: “os produtores de soja dos EUA não podem sobreviver a uma disputa comercial prolongada com nosso maior cliente”, se referindo à China. Os norte-americanos falam de um “precipício comercial e financeiro”.
E aí chegamos no Brasil. O USDA projeta que o Brasil produziu 42% mais soja que os Estados Unidos em 2024/25. E que atendemos hoje perfeitamente toda a demanda chinesa. As análises das entidades norte-americanas informam que Pequim já contratou recordes de volume do Brasil para os próximos meses.
E acrescentam que hoje o quadro para os Estados Unidos pode ser ainda pior do que aquele de 2018/19, na primeira guerra comercial de Trump, onde os Estados Unidos perderam cerca de US$ 9,4 bilhões por ano de exportações, e afirmam nesse documento distribuído a todas autoridades públicas: “agora o quadro pode ser ainda pior, pois a China demonstra disposição de manter a dependência do fornecedor brasileiro”.
A entidade agrícola norte-americana cobra que o presidente Trump, em Washington, consiga um acordo que reabra o mercado chinês, seja pela eliminação de tarifas retaliatórias ou obtendo cotas pontuais específicas de importação da China. Trump, dias atrás, vociferou nas redes: “China, comprem 4 vezes mais da nossa soja americana”. Agricultores aplaudiram, porém a ASA enfatizou que até neste instante não há nenhum contrato firmado com o país asiático.
Portanto, leitoras, leitores, vejam que situação: o maior agribusiness planetário, os Estados Unidos, onde somente o valor bruto da produção total agrícola desse país somada é 10 vezes maior do que a nossa; onde o tamanho do PIB norte-americano é cerca de 15 vezes maior do que o nosso, agora pedem ao seu presidente Trump, o “imperador das guerras comerciais”, que os salvem de um concorrente aqui da faixa tropical do planeta, o Brasil, onde o crescimento e a competitividade de vários produtos agropecuários, dentre eles a soja, não contou com nenhum programa maravilhoso de Estado, com suporte extraordinário de capital favorecido e com uma proteção espetacular como a rede que cuida, envolve, e protege agricultores dos Estados Unidos, com suas estruturas de logística, armazenagem, infraestrutura, seguro e agroindustrialização com diplomacia mundial impecáveis.
Porém, há um pecado no comércio de alimentos que jamais pode ser cometido e quando o cometer, dificilmente haverá perdão: “confiança”.
O poeta português Camões escrevia: “quem faz o comércio não faz a guerra”. O Brasil cresceu seu agronegócio com sangue, suor e lágrimas, e inteligência de tropicalização tecnológica e humana, com cooperativismo, empreendedorismo com heroínas e heróis que desbravaram terras inóspitas e fracas. E aqui construímos o que hoje assusta nosso maior concorrente, na expressão eterna de Alysson Paolinelli: “o que trouxe o mundo até agora foi a agricultura de clima temperado, daqui para frente será a tropical”.
Não sei se Trump conseguirá ter credibilidade e confiança por parte do governo chinês, que tem na sua história recente o preço da fome e faz da sua segurança alimentar e energética um princípio inegociável. Alimentos não estão na mesma cesta de barganhas da outra guerra de big techs, chips, e dos “ali babás” da vida.
Missão brasileira, diplomacia brasileira, fundamental continuar a ser o que sempre fomos, um fornecedor parceiro e confiável do mundo, independente das preferências ideológicas de presidentes das suas repúblicas que passam com o tempo, mas que suas nações permanecem. E o Brasil é a nação de todas as nações, com o maior “melting pot” (caldeirão cultural) humano da terra.
Os Estados Unidos também precisam do Brasil, assim como nós precisamos deles. A palavra doravante não é mais “multilateralismo”, é agroconsciente, agrocidadania.
Senhoras e senhores agricultores dos Estados Unidos, admiramos vocês, somos amigos, jamais inimigos. O mundo precisa de todos nós para enfrentarmos juntos os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS). Help 4 all Mr. Trump, stop commercial war (Ajude a todos, Sr. Trump, a parar a guerra comercial).
*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
Um La Niña de fraca intensidade deve se formar a partir de novembro e pode criar condições favoráveis para o plantio antecipado da soja na safra 2025/26, disse o agrometeorologista Marco Antônio dos Santos, sócio fundador da Rural Clima, em entrevista ao podcast Prosa Agro, do Itaú BBA.
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O fenômeno terá características distintas do registrado na safra anterior e pode beneficiar o calendário agrícola em boa parte do país. “Os modelos sinalizam que o pico da La Niña ocorrerá em novembro, um mês antes do que aconteceu na safra passada”, disse Santos. No ciclo 2024/25, o pico do fenômeno se deu entre dezembro e janeiro, provocando estiagem prolongada no verão e resultando em nova quebra de safra no Rio Grande do Sul.
A expectativa é de que a estiagem fique concentrada no fim da primavera. “Caso ocorra essa estiagem, ela não seria no verão, mas seria na segunda metade da primavera, abrangendo final de novembro, dezembro e início de janeiro”, disse o especialista.
No Rio Grande do Sul, a mudança no regime de chuvas pode até trazer algum benefício. O estado plantou trigo mais tarde neste ano, com colheita prevista para novembro. Se a estiagem se confirmar nesse período, o cereal será colhido em condições mais secas, o que favorece a qualidade, e a soja será semeada num ambiente de menor umidade. “O plantio da soja vai se dar num ambiente mais seco, o que não é ruim. E quando voltarem as chuvas, na segunda quinzena de janeiro, é quando a soja vai começar a entrar numa fase que o déficit hídrico é prejudicial”, avaliou Santos.
Outro ponto destacado é a antecipação das chuvas no país. Em 2024, a regularização só ocorreu na segunda metade de outubro. Neste ano, há previsão de precipitações já em setembro. “Isso vai fazer com que o plantio da nova safra de soja ocorra mais cedo este ano”, disse.
Com a semeadura adiantada, haverá soja nova disponível ainda em dezembro e, principalmente, em janeiro de 2026. “Já no comecinho do ano teremos soja disponível para comercialização, seja interna ou externa”, projetou Santos.
No Cerrado, a tendência é de maior volume de chuvas. “Como você tem uma condição de La Niña, você coloca muita pressão de chuvas para a região central e norte do Brasil”, afirmou o agrometeorologista. Esse cenário pode levar a safra de soja a atingir até 180 milhões de toneladas. “Difícil atingir esse número? Difícil. Impossível? Não”, disse, lembrando do incremento de área em 1,5% e da perspectiva de uma safra mais equilibrada no Rio Grande do Sul.
Segundo Santos, a faixa mais provável é entre 170 milhões e 180 milhões de toneladas, mesmo com eventuais quebras em São Paulo e no norte do Paraná. “Hoje, cogitar uma produção de 170, 180 milhões de soja para esse ano está muito fácil”, avaliou.
O alerta, contudo, permanece para o Sul, que pode enfrentar o quinto ano seguido de adversidades. Além do risco de estiagens, há a possibilidade de geadas e ondas de frio atingirem lavouras precoces. “Este é um ano que esse plantio muito cedo de milho pode ser prejudicado por ondas de frio”, alertou.
Culturas perenes
No caso das culturas perenes, o cenário é de otimismo. O café deve se beneficiar de chuvas regulares após seis meses de estiagem no ano passado, embora haja risco de floradas múltiplas que podem comprometer a qualidade do produto. A cana-de-açúcar tende a crescer em produtividade em 2026, mas o excesso de chuvas pode reduzir os dias úteis de moagem. Já a laranja tem boas perspectivas, com floradas favorecidas pela umidade.
“Otimismo é a palavra que resume o cenário, com exceção da preocupação que fica de novo este ano com o Sul”, disse Santos no podcast.
Um abatedouro clandestino de frangos que funcionava em condições precárias foi interditado na manhã desta sexta-feira (22).
A Polícia Civil, junto à Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo (Decon), promoveu a desarticulação no bairro Los Angeles, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.
A ação foi realizada em conjunto com fiscais da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) e da Vigilância Sanitária Municipal.
No local, as equipes constataram a ausência de qualquer prática de manipulação prevista na legislação sanitária, o que representava grave risco à saúde do consumidor, já que os produtos seriam comercializados sem inspeção.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu nesta sexta-feira (22) um alerta vermelho, que indica grande perigo, em razão da baixa umidade do ar que atinge os estados de Mato Grosso, Goiás, Tocantins, parte de Minas Gerais e da Bahia, além do Distrito Federal.
Você quer entender como usar o clima a seu favor?Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.
Nesta região, a umidade relativa do ar deve ficar abaixo 12% na tarde de hoje.
O alerta entrou em vigor às 13h e se encerra às 18h. O aviso cobre todo o Distrito Federal, além o Leste, Centro, Norte e Noroeste de Goiás. Estão sob alerta ainda o extremo Oeste da Bahia, o Noroeste de Minas, as regiões Oriental e Ocidental do Tocantins, além do Nordeste mato-grossense. Confira no mapa abaixo:
Foto: Inmet Divulgação
Alerta Laranja
Há ainda um alerta laranja em vigor, também relativo à baixa umidade, que indica perigo. Neste caso, as regiões afetadas deverão enfrentar uma umidade relativa variando entre 20% e 12%, desde às 13h até as 20h de hoje.
O aviso do Inmet atinge, além dos estados já cobertos pelo alerta vermelho, parte de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Confira no mapa abaixo:
Foto: Inmet Divulgação
O Inmet alerta que, em caso de baixa umidade, há risco potencial de incêndios florestais e à saúde das populações nesta região.
Para a saúde, os efeitos adversos incluem ressecamento da pele, dor de cabeça, risco de doenças pulmonares, desconforto nos olhos, boca e nariz. Assim, a recomendação é beber bastante líquido, não se expor ao sol nas horas mais quentes, umidificar os ambientes e hidratar a pele.
O maior rodeio da América Latina abriu oficialmente as porteiras nesta quinta-feira (21), em Barretos (SP). Tradição, cultura e emoção marcaram o primeiro dia da 70ª edição da Festa do Peão de Boiadeiro, que promete movimentar o interior de São Paulo até o próximo dia 31 de agosto.
No Estádio do Rodeio, localizado no Parque do Peão, cerca de 3.500 competidores disputam nove modalidades, concorrendo a R$ 1 milhão em prêmios e vagas em torneios internacionais. A expectativa da organização é reunir mais de 1 milhão de visitantes ao longo do evento, que também contará com mais de 100 atrações musicais nos palcos montados no complexo.
Entre os milhares de fãs que acompanham a festa está Amália Bérgamo Ferreira, de 81 anos, moradora de Franca (SP), que frequenta o rodeio desde as primeiras edições. “Eu tinha 11 anos quando a festa nasceu. Vale muito a pena, aconselho quem puder que venha mesmo, porque é maravilhoso. Agora vou curtir um show até o fim. Vai ser minha última vez aqui”, contou emocionada.
A 70ª edição da Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos está sendo transmitida pelo BR IN TV, do grupo Canal Rural, em parceria com a BRTVMAX, até 31 de agosto de 2025.
O público pode acompanhar a programação pelas TVs conectadas Samsung (canal 2080), LG (canal 137) e TCL (canal 3380).
Encostado em um tronco de uma árvore, enquanto a fogueira aquece a noite silenciosa do interior do interior. Do outro lado, um homem de camisa xadrez, jeans, cinto e fivela dedilha a viola: “Sou caipira, pira, pira pora, Nossa Senhora de Aparecida”. Seria essa a representação do que é ser caipira? A simplicidade retratada em personagens como Chico Bento, dos quadrinhos? Um homem do campo, de vida modesta, marcado pelo falar arrastado e pelo jeito descomplicado de ver o mundo? Ou será que vai além, como um verdadeiro estilo de vida?
O Soja Brasil conversou com o cantor, compositor e ator Almir Sater, que também é produtor rural. Ele pratica a integração lavoura-pecuária, com culturas como soja e milho em conjunto com a criação de gado. Sater conta um pouco mais sobre o que acredita significar o termo caipira.
“Ser caipira quer dizer morador do mato, e sou, mas com muito orgulho. Para mim, não há nada melhor do que estar perto do ar puro, dos pássaros e da natureza. Tenho honra de me considerar caipira e não vejo nada de pejorativo. O caipira sabe apreciar e conviver com aquilo que existe de mais bonito no Brasil. E eu defendo cada vez mais isso: nossa mata, nossa natureza”, comenta o cantor.
Ele acrescenta que a vida do caipira pode servir de inspiração. ”Eu não vejo problema. É só olhar para nossas matas conservadas. O caipira contribui muito para isso. Melhor se inspirar nele do que nas grandes cidades, que têm muita poluição. Nós temos muito o que ensinar sobre conservação”, diz.
O compositor também defende a viola caipira como símbolo cultural. “Quando escuto uma viola tocando, me transporto para o interior do Brasil, me sinto no meio de uma mata virgem, perto de um riacho cristalino. A viola caipira tem esse poder. Essa é a bandeira brasileira.”
E por falar em viola, Almir Sater eternizou em suas canções a essência da vida no campo. Em uma de suas composições mais conhecidas, ele compara a jornada do homem à de um velho boiadeiro que conduz a boiada pela longa estrada da vida. Nos versos, fala sobre conhecer as manhas e as manhãs, o sabor das massas e das maçãs. Isso retrata a simplicidade, a sabedoria e a beleza da vida rural.
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O caipira também tem outro significado?
Para Ireneu Orth, produtor de soja e presidente da Aprosoja Rio Grande do Sul, o agricultor atual não se enquadra mais no estereótipo. “O produtor rural de hoje não é mais caipira, de modo geral. Só aquele bem simples, pequeno produtor que não teve acesso à comunicação. Hoje temos agricultores de alto nível, muita gente com curso superior, pessoas esclarecidas. Então, nesse sentido, não considero caipiras, e sim pessoas evoluídas”, afirma Orth.
Ele reconhece que o termo pode carregar preconceito e, por isso, evita usá-lo. “Preconceito, claro que existe, porque se você chama alguém de caipira sem conhecer, está julgando mal a pessoa. Para mim, é alguém com pouca instrução ou conhecimento. Se for usado nesse sentido, é diminuir o outro. Eu mesmo nunca fui chamado e também nunca chamei ninguém assim, porque acho que a pessoa pode se ofender. Quando é usado, geralmente é só em tom de brincadeira.”
Pés na cidade e coração no campo
Giovani Ferreira, diretor de jornalismo do Canal Rural Sul, natural de Piraí do Sul, compartilha sua visão sobre crescer no interior e o que isso lhe ensinou. Ele saiu da cidade aos 14 anos para estudar em um colégio interno. Até então, aprendeu que nada vem de graça e que é preciso ter foco, determinação e muito trabalho. Disciplina não seria a palavra mais correta, mas ele aprendeu que, para ser alguém na vida, é preciso se dedicar em casa, na escola e no trabalho.
Sobre o que significa ser caipira, ele afirma: “Não diria que sou. Nasci e vivi na cidade, mas sempre com um pé no rural. De qualquer forma, tenho muita gratidão à minha origem, por nascer e passar parte da infância e juventude no interior. Aprendi muito sobre respeito e humildade. Piraí é uma cidade pequena, onde todos se conhecem, e petulância e arrogância são duramente condenadas. Quando eu nasci, tinha apenas 15 mil habitantes; hoje são 25 mil, mas todos continuam se conhecendo.”
Ele aponta como valores centrais da cultura do interior a honestidade e a solidariedade, e como hábitos, a simplicidade: “Pouco saímos em bares e restaurantes. Gostamos de receber pessoas em casa e visitar amigos. Viver com pouco, com o suficiente, qualquer alegria nos diverte. Não é questão financeira, mas de escolha: fazer as coisas com simplicidade. Se não consegue fazer o ideal, faça o possível.”
Giovani recorda momentos em que sofreu preconceito por ser do interior: “Sim, discriminação houve, chamando de caipira ou colono, mas isso nunca me atingiu de fato. Meu círculo de amigos sempre foi majoritariamente do interior, então tudo bem. A virada veio quando plantar, colher e produzir passou a ser sinônimo de economia. O agro se tornou determinante no PIB e na balança comercial. Ser do interior, caipira ou colono passou a ser quase um status desejado pelo urbano.”
Ele finaliza destacando a importância de preservar esse legado. “A origem do Brasil é agro, rural, caipira. Esse legado deve ser sinônimo de orgulho e não de desprezo. Hoje, isso também significa ter bons recursos e manter seus valores. Meus pais, mesmo com poucos recursos, nos ensinaram a dignificar o trabalho. Se isso é ser caipira, quero morrer Chico Bento”, finaliza.