A Friboi, do grupo JBS, foi eleita pela terceira vez consecutiva a marca de picanha preferida dos paulistanos. O reconhecimento veio na pesquisa Datafolha divulgada na publicação “O Melhor de São Paulo Gastronomia 2025”, da Folha de S.Paulo.
“Estar nas mesas dos paulistanos e ser reconhecido por um público tão exigente é motivo de orgulho. Esse prêmio é um reflexo do nosso compromisso com a qualidade, e da paixão que colocamos em cada corte”, destaca a diretora de Marketing da JBS, Anne Napoli.
A pesquisa Datafolha, ouviu paulistanos de todas as regiões da cidade entre abril e maio de 2025, também revelou as marcas favoritas em 49 categorias de produtos culinários.
Além de premiar as marcas na publicação anual, a Folha de S.Paulo organizou uma premiação para os bares e restaurantes vencedores da edição de 2025 na última segunda-feira (18), na Pinacoteca.
O evento, que teve o patrocínio da JBS, reuniu grandes nomes da gastronomia para celebrar os destaques da cena culinária da capital paulista.
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Foto: Pixabay
Durante este fim de semana, uma frente fria avança sobre o Sul do Brasil e deve provocar fortes instabilidades, com possibilidade de chuvas intensas em diversos pontos da região. Após os acumulados de até 70 milímetros, a previsão indica queda acentuada nas temperaturas, o que pode resultar em geadas no Rio Grande do Sul no início da próxima semana, especialmente na segunda-feira (25).
Segundo informações divulgadas pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o sistema também deve se deslocar em direção ao Centro-Oeste. No Mato Grosso do Sul, a queda nas temperaturas será sentida já no sábado (23), enquanto no Mato Grosso o declínio ocorre no domingo (24). As capitais dos dois estados devem registrar máximas entre 25°C e 30°C. A metade oeste do Mato Grosso será a área mais afetada, com os menores valores previstos.
O Inmet alerta que a massa de ar frio terá efeitos também na região Norte. Na segunda-feira (25), os estados de Rondônia e Acre devem sentir a influência do fenômeno, com mínimas em torno de 20°C nas capitais Porto Velho e Rio Branco. O declínio previsto é de 5°C em Porto Velho e de 3°C em Rio Branco.
No Amazonas, as temperaturas podem chegar a 3°C abaixo do normal no sul do estado, reforçando a intensidade do fenômeno. Essa condição caracteriza o sétimo episódio de friagem registrado em 2025, reforçando o impacto da massa de ar frio na região amazônica.
O cenário climático deve afetar diretamente a rotina da população, tanto no campo quanto nas cidades. Agricultores do Sul devem se preparar para a possibilidade de geadas, que podem comprometer lavouras mais sensíveis às baixas temperaturas. Já no Centro-Oeste e Norte, o frio repentino pode alterar a demanda por energia e serviços, além de surpreender moradores pouco acostumados a temperaturas tão baixas.
A 10ª edição do programa AgroBrazil, iniciativa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), que promove intercâmbio de diplomatas e representantes de organismos internacionais para apresentar práticas do agronegócio brasileiro, reuniu participantes para conhecer o setor e a sustentabilidade no estado do Pará.
Em visitas a propriedades rurais, cooperativas e agroindústrias em Belém, Paragominas e Tomé-Açu, o programa destacou o compromisso do agro com práticas sustentáveis e a integração entre produção de alimentos, preservação ambiental e geração de renda.
Inovação e sustentabilidade
Durante seis dias, a comitiva acompanhou projetos que unem inovação e sustentabilidade, como fábricas de chocolate de cacau nativo, agroindústrias de dendê que recuperam áreas degradadas, sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) e colheita de açaí com robôs. Também visitaram indústrias de madeira que operam só com matéria-prima reflorestada e experiências de agricultura familiar que integram lavouras e espécies florestais.
Fernanda Maciel, diretora adjunta de Relações Internacionais da CNA, destacou que o intercâmbio reforça a imagem do agronegócio brasileiro como referência em sustentabilidade e segurança alimentar. “Mostramos aos diplomatas a força da agricultura tropical sustentável e o papel essencial do produtor rural para alimentar o mundo preservando o meio ambiente”, afirmou.
Os visitantes observaram ainda a diversidade produtiva, desde monoculturas de grãos e reflorestamento de eucalipto até sistemas agroflorestais e cooperativos. Para Felipe Spaniol, coordenador de Inteligência Comercial da CNA, o intercâmbio evidenciou a geração de renda para pequenos produtores e a integração da produção com a preservação ambiental. “Mostramos ao mundo que o Brasil produz com diversidade, sustentabilidade e inclusão”, disse.
O Congresso da Aviação Agrícola do Brasil 2025 encerrou-se nesta quinta-feira (21), após três dias de intensa programação, marcando um importante momento para o setor aeroagrícola nacional. Realizado no Aeroporto Executivo de Santo Antônio do Leverger, em Mato Grosso, o evento contou com a presença de autoridades políticas, empresários, pesquisadores e pilotos, consolidando-se como espaço estratégico de debates, networking e inovação tecnológica.
Segundo informações divulgadas pelo próprio Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (SINDAG), o congresso coincidiu com a comemoração do Dia Nacional da Aviação Agrícola, celebrando os 78 anos da atividade no país. A solenidade de abertura, realizada na noite de terça-feira (19), marcou o lançamento oficial do evento, com discursos que destacaram a importância histórica e econômica do setor para Mato Grosso e para o Brasil.
A presidente do Sindag, Hoana Almeida Santos, ressaltou a relevância da aviação agrícola e os avanços alcançados nos últimos anos. “É com muita honra que damos início a mais uma edição do Congresso da Aviação Agrícola do Brasil, aqui no coração do agro. Declaro aberto o evento”, afirmou. Hoana ainda destacou o aumento da participação feminina no setor, os desafios econômicos enfrentados e a necessidade de combate aos mitos sobre a atividade. Ela anunciou que 2025 seria o Ano da Segurança na Aviação Agrícola, enfatizando o compromisso com a qualificação e o profissionalismo do segmento.
Durante o congresso, foi entregue a Medalha Mérito Aviação Agrícola, maior honraria do setor, em reconhecimento às contribuições de profissionais e empresas que se destacaram na atividade. O auditório, lotado durante os três dias, recebeu palestras, debates, apresentações científicas e a mostra tecnológica, que evidenciou o porte e a ambição da edição deste ano.
Um dos principais temas discutidos foi o impacto da taxação americana sobre equipamentos aeronáuticos. O economista Claudio Junior Oliveira Gomes, diretor operacional do SINDAG, moderou debates sobre o assunto, destacando que a aplicação da Lei de Reciprocidade pelo Brasil poderia afetar diretamente a compra de aeronaves e a prestação de serviços. “A taxação impacta indiretamente o setor aeroagrícola, pois ele atende setores que são afetados”, explicou. Gomes lembrou que, na fase inicial, a expectativa era de um recuo de US$ 500 milhões, mas ajustes ainda eram necessários devido à exclusão de alguns produtos da taxação.
O setor aeroagrícola brasileiro apresenta crescimento consistente, segundo o SINDAG. Nos últimos 14 anos, a frota nacional aumentou de 1.560 para 2.722 aeronaves, com Mato Grosso concentrando 749 aviões. Para 2025, o faturamento anual do setor deve chegar a R$ 8 bilhões, e a projeção é que a frota alcance 3.400 aviões em 2028, atendendo 170 milhões de hectares em todo o país.
O congresso, que se consolidou como referência no setor, deixou claro que a aviação agrícola brasileira busca crescimento sustentável, inovação tecnológica e fortalecimento da segurança.
O ‘tarifaço’ promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra parceiros comerciais é considerado ineficaz até mesmo para os americanos, segundo o economista da Universidade de Harvard Dani Rodrik. Para ele, as sucessivas taxações sobre produtos importados não estimulam a economia nem garantem melhores empregos aos norte-americanos. “Há uma boa chance de que, no final das contas, isso seja autodestrutivo”, afirma Rodrik. As informações são da Agência Brasil.
O economista participou do seminário Globalização, Desenvolvimento e Democracia, realizado pelo BNDES e Open Society Foundations no Rio de Janeiro. Rodrik criticou a política de Trump, dizendo que os objetivos de reconstrução industrial e fortalecimento da classe média não serão alcançados com tarifas. “O problema com a América de Trump não é o nacionalismo econômico, é que Trump não está adotando políticas que sejam nacionalistas o suficiente. Na verdade, não está servindo ao interesse econômico americano”, afirma.
O impacto do tarifaço
Produtos brasileiros estão entre os alvos das tarifas. Em 6 de agosto, entrou em vigor a taxação de 50% sobre parte das exportações para os EUA, o que afetou 35,9% das mercadorias enviadas, cerca de 4% do total das exportações brasileiras. Para reduzir o impacto, o governo lançou o Plano Brasil Soberano, enquanto cerca de 700 produtos foram excluídos da sobretaxa.
Lucros não significam mais empregos
Rodrik destaca que tarifas podem aumentar a arrecadação ou lucro de empresas, mas isso não significa que haverá mais empregos de qualidade ou investimentos em inovação. “As tarifas apenas aumentam a lucratividade de certos segmentos da manufatura. Agora, quando algumas empresas se tornam mais lucrativas, elas necessariamente inovam mais? Elas investem mais em seus trabalhadores? Todas essas coisas boas não estão diretamente ligadas ao fato de que estão ganhando mais dinheiro”, explica.
Mais críticas ao tarifaço
Alex Soros, presidente do Conselho da Open Society, também criticou as políticas de Trump, citando cortes da Usaid que afetaram ações humanitárias globais. “Falando como um americano, isso não é um interesse americano”, disse. A Open Society anunciou ainda um plano de investimentos de oito anos na América Latina, incluindo Brasil, para apoiar populações historicamente marginalizadas, com foco em acesso a serviços, empregos de qualidade e políticas públicas inclusivas.
O Sistema Antecipasto, validado a cerca de um ano atrás, já trouxe resultados expressivos para propriedades rurais no bioma do Cerrado. O sistema desenvolvido pela Embrapa Agropecuária Oeste, se consolida como um aprimoramento da Integração Lavoura-Pecuária. Neste modelo, o produtor pode semear o capim cerca de 20 dias após a semeadura da soja sem comprometer o seu desenvolvimento.
Dessa forma, a tecnologia antecipa em até 60 dias a formação da pastagem no ciclo da soja, garantindo disponibilidade de forragem mesmo em períodos de estiagem e solos com baixa fertilidade. Em alguns casos, o sistema pode elevar em até 50% a produção de carne por hectare.
A antecipação da semeadura do capim em meio ao ciclo da soja é estratégica uma vez que, ao invés de esperar a colheita da oleaginosa, a formação da pastagem ocorre simultaneamente. Assim, a entrada dos animais no pasto é precoce, ocorrendo logo após a colheita.
Com isso, o Sistema Antecipasto vem contribuindo também para a recuperação de pastagens degradadas no bioma do Cerrado. A tecnologia intensifica a pecuária e reduz a idade média de abate dos bovinos, assim também vem sendo apontada como uma forma de reduzir as emissões de metano.
A medida é um dos ativos tecnológicos que fazem parte da Jornada pelo Clima, iniciativa da Embrapa que reúne esforços da ciência, governo e parceiros para promover soluções para a agricultura de baixo carbono em preparação para a COP30 em Belém (PA).
Resultados no pasto
Essa tecnologia vem causando impactos práticos em áreas comerciais. O engenheiro agrônomo Carlos Eduardo Barbosa, responsável por duas estâncias técnicas onde se implementa o sistema a mais de cinco anos confirma os benefícios. Segundo Barbosa, a área de pastejo aumentou de 100 para 150 dias por ano, e a lotação de 2,5 para 3,0 unidades de animal por hectare.
“Com o Antecipasto, os animais ganham de 700 a 800 gramas de peso por dia, contra os 500 a 700 gramas registrados no modelo convencional. São de 3 a 5 arrobas líquidas durante a estação seca. Isso muda o patamar de desempenho na pecuária”, explica.
Além dos benefícios relacionados ao aumento da produtividade, o Antecipasto também apresenta maior resistência contra variações climáticas extremas. Barbosa explica que nas áreas onde o sistema foi adotado, foi possível manter disponibilidade de pasto e a lotação de bovinos. Por outro lado, no sistema convencional, o engenheiro relata falhas significativas ou até mesmo a ausência completa de forragem.
“Em dois dos últimos cinco anos, os pastos de inverno só se formaram nos talhões que utilizavam o Antecipasto. Nos demais, o sistema convencional simplesmente não respondeu à semeadura ou responderam de forma parcial e limitada em baixíssimas lotações”, relata.
“Mesmo em solos com apenas 15% a 20% de argila, conseguimos bons resultados. O que mostra que o sistema é versátil e pode ser adaptado a diferentes condições produtivas”, afirma o engenheiro agrônomo.
Os benefícios não se limitam à produção. Com a menor permanência dos amimais no pasto, também se reduzem as emissões de metano, contribuindo, assim, para práticas mais sustentáveis na pecuária. “O modelo não compete com o cultivo da soja nem com o milho safrinha, respeita o calendário agrícola e ainda pode ajudar o Brasil a cumprir as metas de redução de desmatamento e de emissão de gases de efeito estufa”, destaca Barbosa.
Carolina Pimenta sempre teve o campo como referência, mas construiu sua trajetória profissional bem longe dali. Formada em farmácia, trabalhava em São Paulo, onde vivia com o marido e os filhos. A rotina era estável e estruturada, até que a pandemia de 2020 trouxe reflexões sobre futuro e propósito. Em 2021, veio a decisão que mudaria tudo: deixar a capital para iniciar uma nova vida no interior.
Vida no Campo: Toda sexta-feira, às 11h30 da manhã, tem episódio novo no Interligados
“No começo foi desafiador, são dois mundos muito diferentes. Mas eu não queria passar o resto da vida fechada em salas de reunião”, conta Carolina. Durante os meses de isolamento, a fazenda da família se tornou refúgio. E logo virou também palco de um recomeço. “A vida tem mais a oferecer, e eu fui sortuda de ter essa chance”, completa.
Avicultura como escolha e oportunidade
Com apoio do marido, dos pais e de dois funcionários contratados por meio das redes sociais, ela ergueu dois aviários com capacidade para 80 mil aves. A parceria com a integradora foi fundamental para suprir a falta de experiência, oferecendo suporte técnico e treinamentos. “Sozinha, não teria conseguido. Mas com uma equipe comprometida, tudo ganhou forma”, afirma.
Além da avicultura, a Fazenda São Lucas mantém outras atividades. Há cana-de-açúcar, uma pequena produção de leite artesanal, horta, pomar e até um vinhedo em desenvolvimento.
Toda a energia elétrica dos galpões é gerada por uma mini usina fotovoltaica, reforçando o cuidado com a sustentabilidade.
Gestão, liderança e primeiros resultados
Foto: Interligados – Canal Rural
Mesmo sem atuar diretamente no manejo diário, Carolina faz questão de entender os processos. “Se não conhecemos minimamente a operação, não conseguimos resolver os problemas”, explica. Para ela, gerir uma granja vai muito além de cuidar das aves: envolve finanças, pessoas e processos — algo que já praticava no setor farmacêutico.
O esforço deu resultado. Em pouco tempo, a granja foi premiada entre as melhores do ano na categoria macho e fêmea. “O mérito é coletivo. Os colaboradores são muito comprometidos e fazem tudo com dedicação”, reconhece.
Mais do que negócios, a avicultura trouxe um aprendizado pessoal. “Ela me ensinou a ter esperança e a não ter medo de recomeçar”, reflete. Para outras mulheres que sonham em liderar no campo, deixa um recado: “Assuma seus sonhos, mesmo sem saber tudo no início. Peça ajuda e siga em frente. Lugar de mulher é onde ela quiser — inclusive na granja.”
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É nesse cenário que acontece a The smarter E South America 2025 – Foto: Pixabay
A transição energética no Brasil e na América Latina ganha força com debates sobre geração distribuída, armazenamento de baterias, sistemas híbridos e o papel do hidrogênio verde. O setor busca integração entre eletricidade, calor e transporte para construir soluções mais sustentáveis e de longo prazo.
É nesse cenário que acontece a The smarter E South America 2025, entre 26 e 28 de agosto, no Expo Center Norte, em São Paulo. Considerada a maior plataforma de energias renováveis da América Latina, a feira reúne 680 expositores de 14 países e deve receber cerca de 58 mil visitantes. O objetivo é acelerar soluções integradas de energia e conectar empresas, especialistas e lideranças do setor.
A programação inclui o Congresso Intersolar South America, voltado ao setor solar; o ees South America, sobre armazenamento de energia; o Power2Drive South America, dedicado à eletromobilidade; e o Eletrotec+EM-Power South America, que discute eficiência e sistemas elétricos. Em comum, todos oferecem um espaço para troca de conhecimento e apresentação de tendências.
Além das feiras e congressos, a edição de 2025 terá palcos de inovação, treinamentos técnicos, painéis sobre equidade de gênero na energia solar e encontros para fomentar a cooperação entre Brasil e Alemanha em novos modelos de negócios. A expectativa é consolidar o evento como referência na construção de um futuro energético mais limpo e eficiente para a região.
“A série de exposições e congressos The smarter E South America propõe uma integração entre todos os elos da cadeia de valor, a fim de criar um ambiente onde negócios, tecnologia e conhecimento se encontram. Nossa missão é trazer à tona os desafios e inovações mais importantes da indústria de renováveis e conectar os principais atores do setor para, juntos, construirmos o melhor caminho rumo à transição energética no Brasil e na América Latina”, afirma Florian Wessendorf, Diretor Executivo da Solar Promotion International.
Estudo mostra que o uso de técnicas baseadas em laser é capaz de medir com precisão os níveis de carbono no solo em áreas agrícolas do Cerrado, Mata Atlântica e Pampa. Os pesquisadores identificaram no Cerrado um aumento de até 50% dos estoques de carbono nos solos em propriedades privadas com práticas de manejo sustentável, como o plantio direto, em relação às áreas nativas.
O estudo foi liderado por pesquisadores da Embrapa em parceria com a multinacional Bayer pesquisa tem implicações diretas para o combate às mudanças climáticas e o fortalecimento do mercado de créditos de carbono no país.
Realizada no modelo on-farm, a pesquisa teve o objetivo de produzir resultados mais confiáveis em áreas tropicais e subtropicais, fornecendo suporte e incentivo para que os agricultores adotem e aprimorem sistemas conservacionistas, em linha com o Plano de Adaptação e Baixa Emissão de Carbono na Agricultura (ABC+) e o programa PRO Carbono, liderado pela Bayer para apoiar os produtores rurais na adoção de práticas regenerativas.
É no âmbito do PRO Carbono que o estudo foi conduzido nos último cinco anos em 11 fazendas comerciais, com sistema de produção baseado em soja, milho e algodão sob plantio direto no Cerrado, Mata Atlântica e Pampa.
Foto: divulgação Embrapa
Cerrado estoca mais carbono
O estudo empregou duas técnicas principais: a espectroscopia de plasma induzido por laser, utilizada para quantificar o carbono, e a espectroscopia de fluorescência induzida por laser (LIFS), aplicada para identificar as características e a origem do material orgânico do solo.
O pós-doutorando com formação em Química, Vitor da Silveira Freitas, explica que, em áreas do Cerrado, a pesquisa apontou aumento de até 50% no estoque de carbono com variação média de 250 toneladas por hectare mostrando.
Esse resultado representa importante elevação no conteúdo da matéria orgânica do solo comparada à vegetação nativa, 155 toneladas, em pelo menos três fazendas dos biomas analisados.
Em propriedades da Mata Atlântica houve redução de carbono devido à mudança no uso da terra, de vegetação nativa para agricultura, enquanto no Pampa o estoque de carbono se manteve.
Para Adriano Anselmi, líder técnico do negócio de carbono da Bayer, mensurar o carbono com métricas de baixo custo, e dados passíveis de certificação, é importante para estimular a mitigação das emissões dos gases do efeito estufa (GEE) a fim de enfrentar as mudanças climáticas.
Técnicas rápidas e precisas
O estudo se destaca por trazer como diferencial análises em áreas agrícolas e de vegetação nativa de fazendas comerciais. Com dados de campo reais é possível otimizar protocolos e dar suporte a boas práticas de manejo, a fim de melhorar o sequestro de carbono do solo em regiões tropicais. A maioria dos experimentos de campo de longo prazo no Brasil é conduzido em fazendas experimentais por instituições públicas.
Em estudos complementares sobre a dinâmica e estabilidade química da matéria orgânica do solo (MOS), associado ao tempo de vida do carbono no solo, a espectroscopia de fluorescência induzida por laser (LIFS) analisou mais de mil amostras das 11 fazendas monitoradas.
Foto: divulgação Embrapa
Para Martin Neto e Freitas, a conclusão é de que o uso combinado das técnicas fotônicas (que usam a energia de fótons oriundos de lasers), aplicadas em sistemas de produção, como o plantio direto e sistemas integrados, são capazes de avaliar com precisão, de forma limpa e rápida, o conteúdo e o grau de estabilidade química do carbono retido no solo.
“Na prática, indica que o LIBS substituiu muito bem o método de referência internacional de quantificação de carbono, o Analisador Elementar CHN, com vantagens de menor custos das análises e menor tempo de aquisição e processamento dos dados, mais adequado ao monitoramento de extensas áreas agrícolas, como temos no Brasil, e para o mercado de créditos de carbono no solo”, atesta a pesquisadora da Embrapa Débora Milori, que liderou o desenvolvimento da tecnologia LIBS para solos.
Técnicas com laser reduzem tempo e custo
De acordo com Martin Neto, os solos brasileiros, particularmente no bioma Cerrado, apresentam potencial significativo para sequestro de carbono, principalmente se forem consideradas práticas efetivas de manejo do solo, porque podem melhorar as propriedades físico-químicas dos solos, levando ao aumento do acúmulo de matéria orgânica do solo e dos estoques de carbono.
Para o cientista, pesquisas em fazendas em solos tropicais e subtropicais brasileiros representam um desafio significativo para quantificar o carbono do solo e entender a dinâmica de sua matéria orgânica.
Isso se dá a diversos desafios como o tamanho das fazendas, plantio de mais de uma cultura agrícola por ano, espécies variadas e os diversos biomas em todo o vasto território brasileiro.
Foto: divulgação Embrapa
Ele lembra que os custos com a logística de coletas de solos, inclusive em profundidade com necessidade de abertura de trincheiras, e das medidas laboratoriais para atender a demanda de certificadoras dentro do conceito MRV (monitoramento, relato e verificação), exigem inovações, como o caso com o uso do LIBS para reduzir custos de análises de carbono e aumentar a velocidade das análises.
Na última semana, um dia de campo promovido pela Embrapa Agropecuária Oeste e pela Cooperalfa reuniu produtores e técnicos em Dourados, no Mato Grosso do Sul. O encontro apresentou resultados de pesquisas, dados de mercado e práticas que reforçam o potencial da cultura do trigo na região, em especial no Cerrado.
Especialistas lembraram que o estado já chegou a cultivar cerca de 400 mil hectares de trigo na década de 1980, mas hoje a área não passa de 40 mil hectares. Para o chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa, Auro Otsubo, o desafio é ampliar a produção de forma integrada. ”Não se trata de olhar o trigo isoladamente, e sim de adequá-lo dentro do sistema produtivo”, diz.
Representantes da cooperativa reforçaram a necessidade de trabalhar nichos de mercado, como o fornecimento de trigo para nutrição infantil, melhoradores e panificação. O diretor Claudiney Turmina lembrou que o Brasil ainda importa cerca de 40% do trigo consumido e defendeu a expansão no Cerrado: “É inevitável avançar rumo à autossuficiência. O trigo precisa fazer parte de um sistema produtivo sustentável”.
Impacto na soja
Outro ponto de destaque foi o impacto positivo da cultura sobre a soja. De acordo com a Cooperalfa, áreas que recebem trigo podem ter aumento de até 20% na produtividade da oleaginosa plantada em seguida. “O trigo melhora o solo, contribui para a ciclagem de nutrientes e reduz a pressão de plantas daninhas. Isso se reflete diretamente no ganho da soja”, explicou o agrônomo Luan Pivatto.
Pesquisadores também destacaram a evolução genética das cultivares, mais tolerantes à seca e a doenças como a brusone, além de estudos em andamento sobre a adubação nitrogenada. Para o analista Bruno Lemos, da Embrapa Trigo, “o trigo é um ótimo negócio, desde que respeitadas as janelas de plantio”. A avaliação dos técnicos é de que a cultura pode voltar a ocupar espaço relevante no Mato Grosso do Sul, fortalecendo o abastecimento interno e ampliando as oportunidades de renda para o produtor.