domingo, maio 3, 2026

Autor: Redação

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Mercado global de grãos atento ao clima



No milho, a confirmação de uma safra cheia levou a quedas superiores a 4%



No milho, a confirmação de uma safra cheia levou a quedas superiores a 4%
No milho, a confirmação de uma safra cheia levou a quedas superiores a 4% – Foto: USDA

O mercado internacional de grãos atravessa semanas decisivas, marcado pelo chamado weather market, que se intensifica entre agosto e setembro, fase crítica para as lavouras americanas. Nos Estados Unidos, embora algumas regiões registrem clima mais seco, as chuvas regulares têm garantido bom desenvolvimento de milho e soja. O Pro Farmer Crop Tour 2025 confirmou produtividades superiores à última safra em estados como Indiana e Nebraska, mas ainda abaixo das estimativas oficiais do USDA, o que pode resultar em revisões nos balanços de oferta e demanda.

“Mais do que os números, o Crop Tour funciona como uma leitura prática de campo. Ele confirma produtividades consistentes, mas sinaliza que as estimativas do USDA podem estar superdimensionadas. Isso pode gerar revisões no balanço e impactar os estoques finais”, analisa.

No milho, a confirmação de uma safra cheia levou a quedas superiores a 4% nas cotações em Chicago, atingindo os menores níveis desde 2020. O aumento da produtividade pressiona os preços e limita movimentos de recuperação, mesmo em meio às oscilações da demanda global. Já a soja segue em direção oposta: a redução dos estoques no relatório mais recente do USDA apertou o balanço e sustentou os preços, mantendo a atratividade dos prêmios pagos pelo Brasil.

Para o Brasil, o cenário traz riscos e oportunidades. A forte demanda chinesa valoriza os prêmios da soja e estimula antecipações de venda, enquanto no milho a menor competitividade frente ao produto americano reduz exportações e direciona a oferta ao mercado interno, mantendo preços firmes mesmo com supersafra e câmbio mais baixo. “Uma seca prolongada ou chuvas excessivas poderiam comprometer a produtividade e até mesmo atrasar a colheita. Já vimos isso acontecer recentemente, quando a estimativa da soja foi cortada em função da redução na área cultivada, o que tornou o balanço interno mais apertado”, finaliza. 

 





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Arroba do boi gordo teve aumento de até 7,5% em agosto; setembro também promete altas


O mercado brasileiro de boi gordo chega no final de agosto registrando uma boa recuperação nos preços da arroba na comparação com os valores praticados no término de julho.

De acordo com o analista de Safras & Mercado Fernando Iglesias, a boa demanda voltada à exportação seguiu contribuindo para o avanço dos preços, especialmente na primeira quinzena do mês.

“Nos últimos dias os negócios andaram um pouco de lado, uma vez que os frigoríficos conseguiram boas ofertas para avançar nas escalas de abate. Contudo, para a primeira semana de setembro, é possível que haja espaço para alguma alta de preços, considerando a boa reposição entre o atacado e o varejo com a entrada dos salários na economia”, diz.

Preço da arroba em agosto x julho

Os preços da arroba do boi gordo na modalidade a prazo nas principais praças de comercialização do Brasil estavam assim no dia 28 de agosto:

  • São Paulo (Capital): R$ 310, alta de 3,33% frente aos R$ 300 do final de julho
  • Goiás (Goiânia): R$ 305, aumento de 7,02% frente aos R$ 285
  • Minas Gerais (Uberaba): R$ 305, valor 5,17% acima dos R$ 290
  • Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 315, alta de 3,28% frente aos R$ 305
  • Mato Grosso (Cuiabá): R$ 315, avanço de 6,78% ante os R$ 295
  • Rondônia (Vilhena): R$ 285, avanço de 7,55% frente aos R$ 265

Mercado atacadista

Iglesias comenta que o mercado atacadista conseguiu trabalhar com preços mais altos ao longo de agosto, em meio ao quadro de oferta mais equilibrado no cenário doméstico com a forte demanda registrada para a carne bovina na exportação.

O quarto do traseiro do boi foi cotado a R$ 22,90 o quilo, alta de 7,01% frente aos R$ 21,40 praticado no final de julho. Já o quarto do dianteiro do boi foi vendido por R$ 18,25 o quilo, aumento de 4,29% frente ao valor registrado no fechamento do mês anterior, de R$ 17,50 o quilo.

Exportações de carne bovina

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Foto: Pixabay

As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 1,192 bilhão em agosto até o momento (16 dias úteis), com média diária de US$ 74,550 milhões, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

A quantidade total exportada pelo país chegou a 212,925 mil toneladas, com média diária de 13,307 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 5.602,00.

Em relação a agosto de 2024, houve alta de 70,1% no valor médio diário da exportação, ganho de 34,7% na quantidade média diária exportada e avanço de 26,3% no preço médio. 



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Embrapa desenvolve variedades de banana resistentes à doença mais grave do mundo



A Embrapa desenvolveu duas cultivares brasileiras de banana, chamadas BRS Princesa e BRS Platina, que são altamente resistentes à forma mais devastadora da murcha de Fusarium, conhecida como raça 4 tropical (R4T). Essa é considerada a doença mais grave que atinge a cultura da banana no mundo.

A R4T ainda não foi detectada no Brasil, mas já está presente em países vizinhos: Colômbia (desde 2019), Peru (2020) e Venezuela (2023). Esse cenário mantém a cultura brasileira sob constante vigilância e alerta.

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As mudas das cultivares BRS Princesa e BRS Platina foram enviadas à Colômbia em janeiro de 2022. Após passarem por isolamento seguro (quarentena), foram submetidas ao fungo em ambiente controlado e, depois, plantadas em áreas de terra já infectadas, nas quais a doença está presente desde sua descoberta .

Após três ciclos de produção no campo, menos de 1% das plantas das duas variedades foram afetadas — um índice muito abaixo dos 5–8% considerados de alto risco. Por isso, os pesquisadores as classificam como resistentes.

Próximos passos

Além dos testes, a Embrapa já planeja lançar um dos híbridos comerciais resultantes dos estudos em 2026, mais um passo no programa de melhoria genética em parceria com a Colômbia . Outra frente de pesquisa investiga um “somaclone” (variação genética induzida) de Cavendish com possível resistência à R4T; resultados são esperados em breve.

O grande desafio agora é que essas variedades aliem resistência, produtividade e sabor — um equilíbrio essencial para agradar tanto produtores quanto consumidores.

Alívio para o produtor

A notícia traz esperança para regiões vulneráveis, como o Vale do Ribeira, um importante polo produtor de São Paulo, que poderia ser duramente afetado em caso de disseminação da R4T. “Ter variedades resistentes nos dá tranquilidade de saber que, se a R4T chegar, ainda poderemos produzir”, avalia Augusto Aranha, da Associação dos Bananicultores do Vale do Ribeira.

O Ministério da Agricultura e Pecuária reforçou que, mesmo com essa perspectiva promissora, a vigilância fitossanitária continua indispensável . Medidas como controle de entrada de solos, pessoas, equipamentos e mudas seguem fundamentais para prevenir a chegada da doença ao país .



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área de feijão deve cair 34% na safra 25/26



Feijão preto segue o preferido entre produtores do Estado




Foto: Canva

O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgou nesta quinta-feira (28) a primeira estimativa para a área de feijão da safra 2025/26 no Paraná. O levantamento indica 111 mil hectares a serem semeados, número 34% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando foram cultivados 168 mil hectares.

De acordo com o Deral, cerca de 1% da área já foi plantada, e o processo deve seguir até novembro. O órgão ressalta que a extensão final pode sofrer alterações conforme a conjuntura do mercado. “Se confirmada, a área será muito próxima à observada há dois anos, quando o cultivo atingiu 112 mil hectares”, informou o boletim.

O estudo destaca que a cultura do feijão vem perdendo espaço para a soja e, mais recentemente, também para o milho. A exceção foi a safra 2024/25, quando a área plantada cresceu de forma expressiva devido ao aumento das exportações. No entanto, segundo os analistas, esse movimento ainda precisa se consolidar como alternativa consistente para manter o interesse dos produtores.

A produtividade inicial é estimada em 2.000 quilos por hectare, o que pode resultar em 218 mil toneladas colhidas a partir do final deste ano, com pico em janeiro de 2026.

O boletim aponta que os preços estão em queda em razão das boas colheitas anteriores, especialmente do feijão preto, que foi o preferido pelos produtores no ciclo passado e deve manter essa posição. Contudo, há expectativa de que o feijão carioca recupere parte do espaço perdido, favorecido pelos preços mais atrativos e pelas variedades de escurecimento lento, que possibilitam maior tempo de armazenamento sem perda de qualidade.

Outro fator observado é a oferta de leilões de feijão pelo governo federal. Apesar de poderem dar mais liquidez ao mercado, os analistas avaliam que os efeitos devem ser limitados por conta do momento tardio em que as ações acontecem.





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Operação encontra mais de 2 toneladas de café impróprio para consumo no Rio de Janeiro


O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em parceria com o Procon-RJ, a Secretaria de Defesa do Consumidor do Estado do Rio de Janeiro (Sedcon) e a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, realizou, entre os dias 27 e 29 de agosto de 2025, uma operação de fiscalização em indústrias de café torrado e moído na região de Campos dos Goytacazes (RJ). O objetivo foi identificar e coibir práticas irregulares no processamento de café, especialmente o uso de grãos de baixa qualidade, como mofados e ardidos, e a presença de impurezas como cascas e paus de café.

Durante a ação, foram inspecionadas quatro fábricas, onde os auditores constataram lotes de café cru e torrado em desacordo com os padrões oficiais de qualidade previstos na Portaria SDA/Mapa nº 570/2022. Como resultado, 1.070 kg de café impróprio ao consumo humano foram destruídos no ato e 1.350 kg foram apreendidos para destinação adequada e análises laboratoriais. Também foram descaracterizadas três bobinas de rótulos irregulares de diferentes marcas.

Além da retirada imediata dos produtos irregulares, foram lavradas intimações com prazo de 90 dias para que as empresas adequem suas estruturas físicas, processos de higiene e controle de qualidade, bem como implantem procedimentos formais de classificação e rastreabilidade de matérias-primas.



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Planilha calcula custo de produção e tratamento da madeira na propriedade rural



A madeira tratada pode ter inúmeros usos no estabelecimento rural. Pensando nisso, a Embrapa Pecuária Sul (RS) e a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) disponibilizam ao produtor uma planilha exclusiva para o cálculo do custo de produção e do tratamento dessa matéria-prima. O objetivo é aprimorar o planejamento e a gestão do recurso nas propriedades.

A planilha auxilia no cálculo do volume de madeira a ser tratada; na obtenção da quantidade de insumos necessários; na inclusão de todos os custos envolvidos no tratamento e na obtenção do seu custo por peça tratada.

Caso o produtor tenha um plantio florestal na propriedade, a tecnologia também calcula o custo de produção com a opção de adicioná-lo ao custo envolvido no tratamento da madeira. Para fazer o download, clique abaixo:

Substituição de seiva

Um dos tratamentos recomendados pela Embrapa é o de substituição de seiva, considerado um procedimento simples para ser feito pelo produtor (veja Comunicado Técnico sobre). Para isso, é preciso dimensionar o volume da madeira a ser tratada e a quantidade de água e de produtos hidrossolúveis usados no processo.

Com a tecnologia, é possível fazer os cálculos automaticamente. “A planilha é um facilitador para o produtor rural calcular a quantidade de produto hidrossolúvel que será usado na sua solução preservativa. Em vez de estar fazendo uma série de cálculos, ele só vai inserir algumas informações na planilha e já vai ter automaticamente os resultados”, destaca o professor da UFPel e um dos responsáveis pela planilha, Leonardo Oliveira.

Conforme o pesquisador da Embrapa Hélio Tonini, também da equipe que desenvolveu a ferramenta, fazer esse tipo de tratamento na propriedade pode ser vantajoso, principalmente para produtores detentores de pequenas áreas florestais em monocultivos ou sistemas silvipastoris que necessitam de madeira tratada para a manutenção de cercas e demais construções rurais, reduzindo os custos com a compra de madeira e o frete até a propriedade.

Durabilidade da madeira na propriedade

Tonini conta que, décadas atrás, as tramas, mourões, palanques, postes etc. utilizados nas cercas das propriedades eram provenientes de espécies nativas, geralmente disponíveis no local, como o angico vermelho e a guajuvira, consideradas de alta durabilidade natural.

“A durabilidade era um fator determinante para a escolha do material utilizado, já que essas peças de madeira têm contato direto com o solo e são expostas às intempéries e a ação de fungos e insetos”, lembra o pesquisador.

“Com a escassez de madeiras nativas de alta durabilidade natural, passou-se a confeccionar essas peças a partir da madeira de eucalipto, normalmente de plantios mais jovens e mais suscetíveis à degradação por agentes decompositores e que necessitam de tratamento com substâncias químicas, capazes de protegê-la da biodegradação e de prolongar sua vida útil”, detalha.

Com o tratamento, a madeira tem durabilidade, no mínimo, cinco vezes maior. “Por exemplo, se nós colocarmos em contato com o solo, uma cerca com madeira de eucalipto sem nenhum tratamento vai durar de dois a três anos, no máximo, e vai se degradar. Entretanto, se fizermos o tratamento dessa peça, ela vai durar 15 anos ou mais. Portanto, a gente prolonga o uso e estende a vida útil desse material, e o produtor vai ter madeira com maior durabilidade dentro da sua propriedade” afirma.



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Vigilância Sanitária Animal reforça segurança e bem-estar dos pequenos animais que chegam à Expointer


O Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio, já recebeu cerca de 800 pequenos animais – galinhas e coelhos – para a 48ª Expointer, que abre os portões neste sábado (30/8). Para garantir a segurança sanitária e o bem-estar dos animais, bem como a proteção do público, 125 servidores do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal, entre médicos veterinários, zootecnistas e técnicos agrícolas, atuam desde domingo (24) na admissão sanitária e no controle zootécnico dos exemplares.

A diversidade é um dos destaques do Pavilhão dos Pequenos Animais: são 33 raças de aves, 28 de coelhos e quatro de pássaros em exposição. De acordo com o comissário-geral da feira, Pablo Charão, a estrutura montada neste ano é considerada a mais avançada do país em termos de biossegurança. “Um dos diferenciais é a separação total entre os animais internos, participantes da exposição, e os externos, como aves silvestres. Essa medida busca prevenir a circulação de doenças, incluindo a gripe aviária”, ressalta.

Segundo a fiscal estadual agropecuária Liège Araújo, a concentração de animais exige rigor no controle sanitário para impedir a entrada de exemplares doentes. Com novidade em 2025, o pavilhão recebeu barreiras físicas inéditas, com cortinas plásticas e telas que bloqueiam a entrada de aves de vida livre, sem impedir a circulação do público. Após dois anos de restrição à participação de aves por questões sanitárias, a medida reforça a prevenção contra doenças.

Produtor e galo estreantes

Entre os expositores está Rafael Arenhardt, criador de 200 aves de raça pura em Cerro Largo. Ele trouxe 65 galinhas de sete raças diferentes e participa pela primeira vez de uma feira. Um de seus exemplares, um galo da raça New Hampshire de 10 meses, já passou por julgamento e concorre ao título de grande campeão da categoria.

“É a primeira vez que participo de uma feira, e estrear logo na Expointer é uma honra”, declara Rafael, que cria aves de raça pura desde 2019. O produtor saiu de sua cidade às 8h30 do último domingo e chegou às 7h30 de segunda-feira ao Parque Assis Brasil.

Vigilância e bem-estar animal

A equipe técnica da vigilância também é responsável pela homologação dos julgamentos zootécnicos, realizados por jurados externos, que avaliam os animais inscritos. Esta mesma equipe também emite os documentos sanitários, como a Guia de Trânsito Animal (GTA), necessária para a movimentação dos exemplares. Os julgamentos ocorrerão ao longo de três dias, definindo os animais padrão da feira, com homologação oficial divulgada após as avaliações.

Os requisitos de admissão variam conforme a espécie. Para aves, são exigidos nota fiscal, GTA, atestado sanitário emitido por médico veterinário, aplicação de anilhas de identificação, protocolo vacinal contra as doenças de Newcastle e Marek, além de exame negativo para Salmonella. Para coelhos, é necessário apresentar o atestado sanitário com identificação por tatuagem, além da nota fiscal e da GTA.

Além das medidas de segurança sanitária, a preocupação com o bem-estar animal também é prioridade. Ventiladores foram instalados para reduzir os efeitos do calor nas aves, e a equipe permanece de prontidão durante todo o evento, monitorando constantemente os animais, acompanhando as vendas e prestando suporte na saída dos exemplares comercializados. “Em qualquer eventualidade, estamos preparados para agir e implementar as medidas necessárias”, afirma Liège Araújo.





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Ferramenta é capaz de ajudar a aquicultura no combate as mudanças climáticas



A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) lançou o Aqua-Adapt, ferramenta que apoia a criação de uma estratégia de adaptação da aquicultura às mudanças climáticas, orientando governos, produtores, pesquisadores e demais atores da cadeia produtiva.

A aquicultura, uma das atividades que mais cresce na produção de alimentos, enfrenta desafios cada vez maiores diante das mudanças climáticas. Ondas de calor, variações na salinidade, redução de oxigênio na água e o aumento de eventos extremos afetam diretamente espécies cultivadas.

Segundo a pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente, Fernanda Sampaio, a relevância do lançamento do Aqua-Adapt se amplia pelo fato de tratar de um tema sensível e ainda pouco explorado em termos de soluções práticas.

“Embora a vulnerabilidade da aquicultura às mudanças climáticas seja amplamente reconhecida, há escassez de ferramentas metodológicas que ajudem produtores, gestores e formuladores de políticas a transformar diagnósticos em planos de ação concretos”, diz.

De acordo com Fernanda Sampaio, o documento preenche uma lacuna essencial ao oferecer um roteiro estruturado, baseado em ciência e participação social, que traduz a complexidade do problema em etapas claras e aplicáveis em diferentes contextos.

A versão preliminar foi submetida a revisão internacional antes de ser testada em dois estudos de caso: a criação de salmão e a produção de mexilhão no Chile. Essas experiências ajudaram a refinar o quadro metodológico, garantindo sua aplicabilidade prática em diferentes contextos.

Seis etapas para enfrentar riscos climáticos

  • 1. Definir a unidade de adaptação: pode ser uma fazenda, uma espécie ou uma região, considerando sempre o contexto socioecológico.
  • 2. Selecionar projeções climáticas: escolher modelos e cenários que sirvam de base para o planejamento.
  • 3. Avaliar riscos e vulnerabilidades: identificar os principais perigos, níveis de exposição e capacidade adaptativa.
  • 4. Elaborar um plano de adaptação: definir ações de curto, médio e longo prazo, avaliando eficácia, custos, viabilidade técnica, benefícios adicionais e riscos de má adaptação.
  • 5. Implementar a estratégia: colocar em prática o plano de trabalho com a participação das partes envolvidas.
  • 6. Monitorar e avaliar continuamente: ajustar medidas de acordo com os resultados e novas informações disponíveis.

De acordo com a pesquisadora da Universidade de Concepción, Doris Soto, o grande diferencial da ferramenta é combinar análise de riscos com um processo participativo, que envolve desde produtores até gestores públicos, permitindo alinhar ciência e prática em prol da resiliência climática.

Orientação para políticas e investimentos

O documento final está organizado em três capítulos: uma revisão dos principais desafios da aquicultura frente ao clima; a descrição do processo de desenvolvimento e implementação do Aqua-Adapt; e os resultados da aplicação prática no Chile. Além disso, traz um anexo com resumo impresso do quadro metodológico, pensado para facilitar a consulta por técnicos, gestores e produtores.

O Aqua-Adapt é também uma ferramenta de apoio à formulação de políticas públicas e à definição de investimentos, uma vez que organiza o processo de adaptação de forma sistemática e comparável entre países.

Setor estratégico em transformação

A aquicultura é responsável por mais da metade do pescado consumido no mundo e desempenha papel crescente na segurança alimentar global. No entanto, sua alta vulnerabilidade a impactos climáticos exige estratégias urgentes e coordenadas.

Especialistas destacam que a resiliência do setor depende de esforços que integrem desde a escala local (fazendas, espécies e sistemas produtivos) até a governança nacional e internacional.



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Clima favorável deve impulsionar crescimento da produção de soja para a safra 2025/26



A produção de soja para a safra 2025/2026  deve atingir 75,5 milhões de toneladas, representando um crescimento de 3,1% em relação à safra anterior, segundo dados da Cog Consultoria. Esse aumento é impulsionado por uma combinação de fatores, como a recuperação da produtividade no Rio Grande do Sul, que superou um ciclo difícil de adversidades climáticas, e o crescimento da área plantada, especialmente nas regiões do Arco Norte.

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O aumento na área plantada será mais moderado em relação às temporadas anteriores, estimando um crescimento de cerca de 2%, o que corresponde a aproximadamente 900.000 hectares, Carlos Cogo, analista da Cog Consultoria. A expansão da soja será concentrada no Arco Norte, que inclui estados como Rondônia, Acre, e partes do Pará e Matopíba, além de uma substituição de arroz por soja no Rio Grande do Sul, que enfrenta um mercado negativo para o grão.

Clima favorável

Ao contrário de anos anteriores, a safra 2025/2026 se beneficiará de uma “neutralidade climática”, explica Arthur Müller, meteorologista do Canal Rural. Isso significa que o fenômeno El Niño, que causou grandes prejuízos no passado, não será um fator determinante nesta temporada. Müller diz que as chuvas deverão retornar no momento adequado para a maioria das regiões produtoras, o que favorece as colheitas no Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. A expectativa é que as condições climáticas, como a redução do calor excessivo, beneficiem a safra como um todo.

Geopolítica

Outro ponto crucial para a safra 2025/26 será o  impacto das tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China sobre o mercado global de soja. Cogo destacou que a guerra tarifária e o aumento das tarifas impostas pelos EUA à soja chinesa vêm gerando mudanças no fluxo de comércio. Em agosto, os EUA não conseguiram vender soja para a China, um mês tradicionalmente crucial para as encomendas. Esse cenário tem beneficiado o Brasil, que já exportou 75% de sua soja para o mercado chinês até julho deste ano, alcançando um recorde histórico.

Apesar disso, Cogo alerta que a evolução do mercado internacional dependerá de um eventual acordo entre os EUA e a China, o que poderia reverter as atuais condições comerciais. Caso a tarifa de 23% seja reduzida ou eliminada, as exportações dos EUA poderiam voltar a ser competitivas, afetando diretamente o preço da soja no Brasil.

Estoques e demanda

A alta demanda por soja não se limita ao mercado externo. A mistura de biodiesel, com 15% de biodiesel no óleo diesel a partir de agosto, tem aumentado a demanda interna por óleo de soja. O analista da COG Consultoria avalia que o Brasil pode enfrentar um estoque muito baixo de soja na virada da safra, com estoques quase zerados devido à intensa exportação e à crescente demanda interna. Em 2026, as exportações dependem do ritmo de colheita precoce, com a soja do Cerrado, por exemplo, podendo atender à demanda da China já em janeiro.



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