sábado, maio 2, 2026

Autor: Redação

AgroNewsPolítica & Agro

Agricultura familiar ganha protagonismo com novas soluções em mecanização na Expointer


Modelos compactos de tratores voltados para pequenas propriedades são destaque na feira gaúcha, refletindo mudanças no perfil da mecanização no Brasil.

A Expointer 2025, realizada em Esteio (RS), abriu espaço para um debate no agronegócio brasileiro: como viabilizar mecanização acessível e eficiente para a agricultura familiar? A resposta tem sido dada por fabricantes que apostam em tratores de menor porte e alta versatilidade, desenvolvidos sob medida para pequenas propriedades, produção de arroz, fruticultura e pecuária de leite.

Um dos destaques deste ano foi a apresentação de modelos com potência entre 25 e 65 cavalos, voltados para produtores que atuam em áreas reduzidas, terrenos irregulares ou sistemas diversificados. “Hoje em dia, a produção precisa ser mecanizada. Sem isso, a propriedade fica restrita à subsistência”, afirma Astor Kilpp, consultor de produto e marketing, em entrevista ao Agrolink News durante a feira.

Expansão com foco no pequeno produtor

Com capacidade instalada para produzir até 5 mil tratores por ano, uma das fabricantes presentes reforçou sua estratégia de crescimento ancorada na agricultura familiar. A planta industrial brasileira é a única fora da Ásia, reflexo da importância estratégica do Brasil para o segmento.

“A decisão de abrir uma fábrica aqui levou três anos de estudos. O mercado brasileiro tem uma base sólida de pequenos produtores que precisam de equipamentos acessíveis, robustos e com assistência técnica próxima”, explica Kilpp. O executivo destaca ainda que o próprio país de origem da empresa, a Coreia do Sul, tem tradição em propriedades de menor escala, o que moldou o DNA dos produtos.

Mecanização sob medida

Na feira, o portfólio apresentado inclui tratores com alta capacidade de manobra, compatíveis com implementos utilizados em horticultura, culturas permanentes e produção leiteira. As máquinas prometem atender demandas como plantio, pulverização, adubação e colheita em ambientes onde grandes equipamentos não operam com eficiência.

Segundo Kilpp, o diferencial está na combinação entre tecnologia simplificada e custo-benefício. “O pequeno produtor é exigente. Ele quer uma máquina que funcione bem, consuma pouco e tenha manutenção simples”, ressalta.

Relevância para o setor

Dados do Censo Agropecuário do IBGE apontam que mais de 77% dos estabelecimentos rurais no Brasil são classificados como agricultura familiar. Esse universo é responsável por 23% do PIB agropecuário, o que reforça o papel das pequenas propriedades na segurança alimentar, no emprego rural e na produção diversificada.

O estímulo à mecanização nesse segmento também tem ganhado força nas políticas públicas. Programas como o Mais Alimentos (Pronaf) e incentivos estaduais buscam facilitar o acesso a financiamentos para aquisição de tratores compactos.

Próximos passos e impacto

A presença de tecnologias específicas para pequenos agricultores na Expointer marca um novo momento do setor. Se antes a mecanização era privilégio de grandes produtores, hoje ela se torna condição de competitividade para todas as escalas de produção.

Para Kilpp, a tendência é de expansão contínua: “O pequeno produtor brasileiro é resiliente, sabe o que precisa, e agora começa a ter mais opções adequadas ao seu dia a dia.”





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Pasto e boi: por que a boca do gado é a melhor roçadeira na transição para as águas


Pecuaristas, a tão esperada transição da seca para as águas é um período crucial que exige um manejo de pastagens preciso. Para garantir a produtividade e a saúde do seu pasto, a zootecnista Janaína Martuscello, professora da Federal Mineira, alerta que “a melhor roçadeira para o pasto é a boca do boi!“, e não um maquinário. Assista ao vídeo abaixo e confira.

Em entrevista ao programa Giro do Boi, diretamente de São João Del-Rei, no estado de Minas Gerais, a doutora em zootecnia e consultora explicou que a conscientização sobre o manejo de pastagens tem mudado a pecuária, tornando-a mais rentável e competitiva.

No entanto, é preciso estar atento a erros comuns que podem comprometer o resultado da fazenda.

Pasto na transição: evite os extremos

Bovinos em área de pastagem. Foto: Reprodução
Bovinos em área de pastagem. Foto: Reprodução

Na transição da seca para as águas, o pecuarista enfrenta duas situações extremas e problemáticas, ambas prejudiciais à pastagem:

  • Pasto rapado: A falta de planejamento leva a pastos sem reserva de forragem, o que atrasa a rebrota na estação das águas e abre espaço para as plantas daninhas se desenvolverem e competirem com a forrageira principal.
  • Pasto passado (macega): A macega, que pode ter sido útil na seca, impede a rebrota e o surgimento de novos perfilhos, promovendo o sombreamento. Além disso, a palhada alta pode gerar fungos que, se consumidos, podem intoxicar os bezerros.

A roçada estratégica é uma ferramenta importante, mas deve ser feita com cautela. A roçada deve ser liberada apenas uma vez no ano, na transição, para permitir que o pasto rebrote a partir da base, com folhas de maior qualidade.

O ciclo dos veranicos e a adubação

Bovinos em área de pastagem. Foto: Reprodução
Bovinos em área de pastagem. Foto: Reprodução

Janaína Martuscello alerta que há uma tendência de veranicos no próximo período chuvoso. Por isso, o produtor deve estar preparado para essa variação climática.

O manejo de pastagem, que é capaz de fazer a pecuária ser mais rentável e competitiva, também precisa se adaptar a esse cenário.

Em relação à adubação, a recomendação é não adubar na transição. A adubação deve ser feita no período chuvoso, após a chuva se firmar (com 50 a 70 mm acumulados).

Adubar antes disso é jogar dinheiro fora, pois a falta de chuva impede o estímulo de crescimento da forrageira e a absorção dos nutrientes, o que resulta em desperdício de insumos.

Planejamento e novas tecnologias

Dossel foliar de capim-Tamani (Panicum maximum cv. BRS Tamani) em pequenas parcelas. Foto: Allan Kardec Braga Ramos/Embrapa Cerrados
Dossel foliar de capim-Tamani (Panicum maximum cv. BRS Tamani) em pequenas parcelas. Foto: Allan Kardec Braga Ramos/Embrapa Cerrados

A professora Janaína Martuscello destaca a importância do planejamento, da taxa de lotação e da suplementação para o sucesso na transição.

O planejamento de lotação, por exemplo, pode ajudar a diminuir a macega, evitando a necessidade de roçar e de ter capim cortado em cima do broto, que pode gerar fungos e prejudicar a saúde dos animais.

A zootecnista acaba de lançar a terceira edição de sua trilogia de livros, com o título “No pasto é mais barato”, que é um guia para a intensificação e o manejo eficiente de pastagens em menores áreas.

O livro, que será disponibilizado em pré-venda, traz um passo a passo para que o pecuarista possa produzir de forma eficiente e sustentável.



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Receita com exportação de grãos na Argentina cai 25% em agosto



As exportações argentinas de grãos e derivados resultaram em receita de US$ 1,818 bilhão em agosto. O montante representa queda de 55% ante o mês anterior e de 25% na comparação com agosto de 2024.

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No acumulado do ano, a receita soma US$ 21,34 bilhões, aumento de 32% na comparação com igual período do ano anterior. Os dados foram divulgados pela Câmara da Indústria Oleaginosa da República Argentina (Ciara) e pelo Centro de Exportadores de Cereais (CEC), entidades que representam 48% das exportações totais argentinas.

De acordo com as entidades, o mês de agosto se caracteriza por menores vendas para exportação e por uma queda nos registros de embarques em relação aos meses de plena colheita. O principal produto exportado pelo setor é o farelo de soja, seguido pelo óleo de soja e pelo milho.



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Governo investe em robô colhedor de açaí para aumentar produção do fruto na floresta amazônica



Técnica tradicional transmitida por gerações, a colheita de açaí é realizada pelos produtores conhecidos como peconheiros, que retiram os cachos escalando os caules dos açaizeiros uma técnica tradicional transmitida por gerações. Para modernizar e ampliar essa produção, Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) tem investido na aquisição dos açaí bots, robôs desenvolvidos especialmente para a colheita do fruto na floresta amazônica.

A novidade foi apresentada na última segunda-feira (1º), durante a programação da 54ª Expofeira Agropecuária do Amapá, evento voltado à exposição e comercialização de produtos de manejo da sociobioeconomia, do agronegócio sustentável, da energia e transição energética, e de mercados inovadores como startups e tecnologias limpas.

O açaí bot pesa apenas 8 quilos, é operado por controle remoto e pode colher cachos de até 14 quilos. Em um único turno, o equipamento é capaz de retirar mais de 100 cachos, dez vezes mais que o método tradicional.

O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, reforçou que o investimento integra as ações do Governo Federal para fortalecer a Rota do Açaí — projeto do MIDR voltado a agregar valor ao fruto por meio de capacitação, financiamento e criação de polos produtivos na Amazônia.

“Este equipamento foi testado pelos peconheiros nas ilhas do Amapá e do Pará, em parceria com o ministério e as cooperativas. É uma tecnologia que oferece mais segurança e traz muitos outros ganhos para a produção do açaí”, declarou o ministro.



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O financiamento rural está repleto de fragilidades: é necessário modernizá-lo


A retração registrada no Plano Safra 2024/25, com desembolso de R$ 373,2 bilhões frente aos R$ 421 bilhões do ciclo anterior, evidencia fragilidades importantes no modelo atual de financiamento do agronegócio brasileiro.

Apesar de o governo ter anunciado um volume recorde de recursos, apenas 78,3% do total programado foi efetivamente aplicado, revelando entraves de acesso, execução parcial do orçamento e limitações na estrutura de crédito. Esse cenário coloca em debate a sustentabilidade do modelo vigente e aponta para a necessidade de modernização dos instrumentos de financiamento rural.

Um dos principais pontos críticos é a forte dependência de linhas de crédito subsidiadas, que acabam restritas pelo teto fiscal e pelas condições orçamentárias do governo federal. Em anos de restrição fiscal ou alta nas taxas de juros, como ocorreu recentemente, a capacidade de atender à demanda dos produtores é comprometida, gerando frustração nas expectativas do setor.

Essa limitação afeta tanto o pequeno produtor, que precisa de capital de giro imediato para o custeio, quanto o grande, que busca financiamento para expansão e modernização tecnológica. Além disso, a burocracia e a lentidão no acesso ao crédito representam gargalos que desestimulam os produtores. Muitos enfrentam dificuldades em atender às exigências documentais e garantias impostas pelas instituições financeiras, especialmente agricultores familiares e cooperativas.

Esse quadro cria desigualdades dentro do próprio setor agropecuário, privilegiando os grandes grupos já estruturados e dificultando a inserção plena de pequenos e médios produtores nas cadeias de valor.

Outro aspecto que evidencia a fragilidade do modelo atual é a falta de diversificação das fontes de financiamento. Embora o crédito rural oficial seja um instrumento essencial, ele não tem sido suficiente para atender ao crescimento do agronegócio.

A baixa integração com mecanismos de mercado de capitais, fundos privados, seguros agrícolas e títulos verdes limita a capacidade de mobilizar recursos em larga escala e de forma contínua. Essa concentração torna o sistema mais vulnerável a crises fiscais e políticas, prejudicando o planejamento de longo prazo no campo.

A retração também aponta para a urgência de alinhar o financiamento com os novos paradigmas de sustentabilidade e inovação. Muitos produtores têm buscado investir em agricultura de baixo carbono, energias renováveis e práticas conservacionistas, mas a falta de linhas específicas, com juros acessíveis e prazos compatíveis, trava avanços mais significativos.

Uma coisa é certa: sem incentivos claros, o Brasil corre o risco de perder competitividade frente a países que já articulam crédito verde e fundos internacionais voltados para a produção sustentável.

A retração no desembolso do crédito rural não pode ser vista apenas como um efeito conjuntural, mas como um sinal das fragilidades estruturais do modelo de financiamento vigente. Para garantir a continuidade da liderança do agronegócio brasileiro, será fundamental ampliar as alternativas de crédito, simplificar o acesso, estimular parcerias público-privadas e integrar de forma mais efetiva o setor financeiro às demandas do campo.

Somente com um sistema de financiamento robusto, diversificado e inovador será possível sustentar o crescimento produtivo, a modernização tecnológica e a transição para uma agricultura cada vez mais sustentável e competitiva.

Tirso Meirelles, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp)Tirso Meirelles, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp)

*Tirso Meirelles é presidente do Sistema Faesp/Senar-SP. Economista e produtor rural, atua há décadas no fortalecimento da produção paulista


O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação



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Preço do etanol cai em 15 Estados e no DF, diz ANP



Os preços médios do etanol hidratado caíram em 15 Estados e no Distrito Federal na semana de 24 a 30 de agosto, subiram em 5 e ficaram estáveis em 6 Estados. Os dados são da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)

Nos postos pesquisados pela Agência em todo o país, o preço médio do etanol recuou 0,48% na comparação com a semana anterior, a R$ 4,15 o litro.

Em São Paulo, principal estado produtor, consumidor e com mais postos avaliados, o preço subiu 0,25% na comparação semanal, a R$ 3,98 o litro.

´A maior queda porcentual na semana, de 6,41%, foi registrada em Goiás. A maior alta no período, no Acre, foi de 13,66%.

O preço mínimo registrado na semana para o etanol em um posto foi de R$ 3,19 o litro, em São Paulo.

O maior preço, de R$ 6,49, foi observado em Pernambuco. Já o menor preço médio estadual, de R$ 3,86, foi registrado em Mato Grosso do Sul, enquanto o maior preço médio foi verificado no Acre, de R$ 5,99 o litro.



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Cotação do boi gordo sobe em São Paulo e Maranhão



Na Bahia, a oferta de bovinos esteve reduzida




Foto: Canva

De acordo com análise divulgada nesta terça-feira (2) no informativo Tem Boi na Linha, da Scot Consultoria, o mercado do boi gordo registrou alta nas cotações em São Paulo. O preço da arroba do boi gordo e da novilha avançou R$ 1,00, enquanto as demais categorias permaneceram estáveis em relação ao dia anterior.

Segundo o levantamento, “o cenário esteve dividido em dois movimentos. De um lado, ficaram os compradores, que anteciparam negócios para suprir as escalas de abate e negociar a preços mais favoráveis. De outro, a oferta de gado esteve justa, o que contribuiu para uma melhor margem de negociação para pecuaristas e sustentou os preços”. As escalas de abate atenderam, em média, a nove dias. Todos os preços foram brutos e com prazo.

Na Bahia, a oferta de bovinos esteve reduzida, a demanda seguiu firme e os preços ficaram sustentados. Na região Sul, o boi gordo teve alta de R$ 3,00/@, enquanto as fêmeas mantiveram os mesmos valores. No Oeste do estado, não houve alterações. O “boi China” não teve cotação. Em ambas as regiões, as escalas de abate atenderam, em média, a 13 dias, com preços brutos e a prazo.

No Maranhão, região Oeste, a menor disponibilidade de capim e a limitação das pastagens reduziram a oferta de bovinos. Houve registro de capim apenas em áreas beneficiadas por chuvas esporádicas em julho e agosto. Nesse cenário, a cotação do boi gordo subiu R$ 3,00/@, a da novilha avançou R$ 5,00/@ e a da vaca permaneceu estável. Não houve cotação do “boi China”. As escalas de abate atenderam, em média, a sete dias úteis. Todos os preços foram brutos e com prazo.





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Estado de Mato Grosso poderá plantar soja a partir deste sábado



Em Mato Grosso, o vazio sanitário da soja safra 25/26 vai até o dia 6 de setembro. Nesse período, o plantio é proibido para prevenir a ferrugem-asiática e, a partir dessa data, os produtores poderão iniciar a semeadura, conforme o calendário estabelecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Confira todas as datas aqui.

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Vai ter chuva para ajudar o plantio de soja?

O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) destacou que a reposição do déficit hídrico no estado é essencial para que os trabalhos a campo comecem de forma adequada. Segundo informações do NOAA, nas próximas duas semanas, o volume de chuvas deverá ser insuficiente para viabilizar a semeadura imediatamente após o fim do vazio sanitário em grande parte do território mato-grossense.

O cenário se assemelha ao do ano passado, quando o início das precipitações também foi atrasado, mas houve normalização ao final de setembro. A previsão para o fenômeno El Niño–Oscilação Sul (Enos) aponta neutralidade, condição que tende a favorecer uma melhor distribuição das chuvas no estado.

O Imea alertou que um atraso maior nas chuvas pode provocar concentração das áreas tanto na semeadura quanto na colheita, aumentando os riscos de atraso no ciclo agrícola. Para a safra 2025/26, a projeção é de 13,01 milhões de hectares plantados com soja.



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Antaq aprova píer flutuante no Amazonas que facilita escoamento de soja e milho



A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) aprovou, por unanimidade, a autorização para que o Super Terminais opere um píer flutuante em Itacoatiara (AM), município localizado a 175 quilômetros de Manaus. O projeto tem como objetivo atender ao transbordo de granéis sólidos, principalmente soja e milho, fortalecendo a logística da região amazônica e ampliando as alternativas de escoamento de cargas do país.

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O processo foi relatado por Wilson Pereira de Lima Filho, que concluiu que o terminal proposto é juridicamente adequado, tecnicamente viável, atende às normas ambientais e não gera conflitos concorrenciais ou operacionais. O voto foi acompanhado pelos demais diretores da agência reguladora: Caio César Farias Leôncio, Alber Furtado de Vasconcelos Neto e Flavia Morais Lopes Takafashi.

A nova unidade foi enquadrada como TUP (Terminal de Uso Privado), considerando que a estrutura será utilizada para escoamento de cargas por via marítima, com previsão de atendimento a navios graneleiros do tipo Panamax. Esses navios, de grande porte, já operam na região e terão no porto flutuante de Itacoatiara um ponto de apoio para a movimentação de grãos.

O píer flutuante será semelhante ao modelo utilizado emergencialmente para contêineres durante a seca de 2024. A diferença está na dimensão e no objetivo: com 240 metros de extensão, 18 metros de largura e área total de 4.320 metros quadrados, a estrutura contará com três guindastes, cada um com capacidade de até 2.100 toneladas por hora. O píer ficará fixado no leito do Rio Amazonas, exatamente no ponto onde funcionou o porto provisório durante a estiagem que afetou a navegação no ano passado.

A previsão é que o Porto Verde entre em operação em janeiro de 2026. A atividade será exclusivamente dedicada ao transbordo de granéis sólidos entre navios graneleiros e barcaças, sem necessidade de armazenagem das cargas.

Investimento

O investimento total previsto é de R$ 150 milhões. Com a construção e operação do novo píer, a expectativa é de criação de 130 empregos diretos e 250 indiretos em Itacoatiara e municípios próximos. Além da geração de postos de trabalho, a operação deve contribuir para dinamizar a economia local e consolidar a cidade como um polo logístico estratégico do Arco Norte.

Segundo o diretor do Super Terminais, Marcello Di Gregorio, a iniciativa reforça a busca da empresa por eficiência e pela ampliação das rotas de exportação. “Nosso objetivo é levar para Itacoatiara o padrão de eficiência operacional que já é marca registrada do Super Terminais, além de gerar empregos, movimentar a economia do município e impulsionar as exportações de granéis do arco norte, revolucionando as operações tradicionais.”

A cidade já abriga operações portuárias de grande porte e, com a entrada em funcionamento do Porto Verde, ampliará sua capacidade de atender à crescente demanda de exportação de soja e milho. O acesso ao Oceano Atlântico pelo Rio Amazonas fortalece a integração da produção agrícola nacional aos mercados internacionais, principalmente Europa e Ásia.



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Produção industrial recua 0,2% em julho, aponta IBGE



A produção da indústria no país recuou 0,2% na passagem de junho para julho. Com esse resultado, o setor chega a quatro meses seguidos sem crescimento, o que é explicado pelo ambiente de juro alto.

O resultado foi divulgado nesta quarta-feira (3) pela Pesquisa Industrial Mensal, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De abril a julho, a indústria acumula perda de 1,5%, sendo quedas em abril (-0,7%) e maio (-0,6%) e estabilidade em junho (0%). A última vez que o parque industrial brasileiro somou quatro meses sem expansão foi entre novembro de 2022 e fevereiro de 2023. Em relação a julho de 2024, a produção da indústria nacional mostra avanço de 0,2%. Nos últimos 12 meses, o setor apresenta expansão de 1,9%.

O resultado de julho deixa o setor 1,7% acima do patamar pré-pandemia de covid-19 (fevereiro de 2020) e 15,3% abaixo do nível recorde já alcançado, de maio de 2011. Em relação ao patamar final de 2024, o setor teve expansão de 0,3%.

Efeito do juro alto

De acordo com o gerente da pesquisa, André Macedo, o cenário predominante negativo desde abril é explicado pela política monetária restritiva, ou seja, os juros altos, ferramenta do Banco Central (BC) para tentar conter a inflação.

“Em termos conjunturais, destacam-se os efeitos de uma política monetária mais restritiva – que encarece o crédito, eleva a inadimplência e afeta negativamente as decisões de consumo e investimentos. Esses fatores contribuíram para limitar o ritmo de crescimento da produção industrial no período, refletindo-se em resultados mais moderados frente aos meses anteriores”, analisa Macedo.

Atualmente, a taxa básica de juros, a Selic, está em 15% ao ano, o patamar mais alto desde julho de 2006. Os juros altos têm o efeito de desestimular o consumo e o investimento para esfriar a economia e diminuir a procura por bens e serviços, consequentemente, tirando força da inflação.

Em julho, a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), mostrou acúmulo de 5,23% em 12 meses, fora da meta do governo ─ 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, ou seja, indo até 4,5%.

A taxa está acima do teto desde setembro de 2024 (4,42%). Em abril, chegou a 5,53%, o ponto mais alto desde então.

Setores

Na passagem de junho para julho, o IBGE identificou queda em 13 das 25 atividades industriais. Os destaques negativos foram:

  • metalurgia (- 2,3%)
  • outros equipamentos de transporte (-5,3%)
  • impressão e reprodução de gravações (-11,3%)
  • bebidas (-2,2%)
  • manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (-3,7%)
  • equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-2%)
  • produtos diversos (-3,5%)
  • produtos de borracha e de material plástico (-1%)

Entre as atividades com alta na produção, os principais impactos positivos vieram de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (7,9%), alimentícios (1,1%), indústrias extrativas (0,8%) e produtos químicos (1,8%).

Em relação às grandes categorias, bens de consumo duráveis (-0,5%) e bens de capital (-0,2%) registraram altas na passagem de junho para julho. Bens de capital são máquinas e equipamentos.

Por outro lado, bens intermediários, ou seja, que serão transformados em outros produtos, cresceram 0,5% e bens de consumo semi e não duráveis aumentaram 0,1%.

Tarifaço

De acordo com André Macedo, o resultado de julho teve reflexos também do tarifaço americano, que só começou na primeira semana de agosto. Isso se explica pelo fato de que a ameaça de taxação das exportações brasileiras para os Estados Unidos mexeu com expectativas e decisões futuras de empresários, principalmente os que têm atividades voltadas para o mercado externo.

Macedo ressalta que a predominância negativa desde abril é fundamentada pela política de juros. “Dentro do resultado geral, [o tarifaço] não tem muita importância no momento”, disse.



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