sábado, maio 2, 2026

Autor: Redação

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Mercosul e Europa se aproximam enquanto Trump isola os EUA


As arbitrariedades de Donald Trump no comércio internacional, com tarifas que chegam a 50% sobre produtos brasileiros, estão afastando parceiros históricos e provocando uma reconfiguração das relações econômicas globais. Nesse vácuo de confiança, o Mercosul — com destaque para o Brasil — se torna peça central no fortalecimento de uma nova aliança com a União Europeia.

Após 25 anos de negociações, o acordo Mercosul-UE ganhou impulso e apoio explícito no Parlamento Europeu. A proposta prevê a eliminação progressiva de tarifas sobre até 92% das exportações, tornando-se um pacto capaz de compensar as perdas impostas pelo protecionismo norte-americano e de reduzir a dependência europeia em relação à China.

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Para o Brasil, o avanço significa mais do que acesso a mercados: representa um reposicionamento estratégico. Estimativas indicam que o tratado poderá gerar um impacto de até R$ 37 bilhões no PIB até 2044, ao mesmo tempo em que amplia a diversificação de destinos para as exportações nacionais. A presença ativa do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em articulações diplomáticas demonstra a aposta do governo brasileiro em consolidar esse acordo ainda em 2025.

A lógica é clara: enquanto os EUA fecham portas e alimentam tensões comerciais, a Europa busca abrir novos canais de cooperação. O Brasil, nesse cenário, emerge como parceiro confiável, estratégico e capaz de suprir demandas por alimentos, energia limpa e matérias-primas de forma competitiva.

Mais do que um tratado comercial, o acordo Mercosul-UE é um gesto político de resistência ao isolacionismo. Um passo que pode marcar a transição para um mundo multipolar, no qual a América do Sul deixa de ser apenas fornecedora de commodities e passa a atuar como protagonista nas grandes decisões globais.

O cenário internacional mostra que a postura protecionista dos Estados Unidos está custando caro à sua credibilidade e à sua liderança comercial. Em contrapartida, abre-se para o Brasil e para o Mercosul uma janela histórica: ocupar o espaço deixado por Washington e consolidar-se como elo vital entre Europa, Ásia e América Latina.

Se o país souber aproveitar esse momento, poderá transformar a adversidade em oportunidade, garantindo mais força econômica e política no tabuleiro global.

Miguel DaoudMiguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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Acordo entre Mercosul e União Europeia avança e segue para análise do parlamento



A Comissão Europeia validou, na quarta-feira (3), o texto final do tratado Mercosul-União Europeia. A redação agora seguirá para análise dos estados-membros e do Parlamento Europeu, com expectativa de assinatura em dezembro, em Brasília, durante a cúpula do Mercosul. Com um PIB combinado de US$ 22 trilhões e uma população de 720 milhões de pessoas, Mercosul e União Europeia caminham para consolidar um dos maiores acordos comerciais do mundo.

A entrada em vigor do acordo pode trazer mais de US$ 7 bilhões em exportações adicionais para o Brasil. Esse potencial decorre da desgravação tarifária em centenas de produtos estratégicos, que vão desde commodities como café, milho e suco de laranja até itens industrializados de maior valor agregado, como aviões, calçados e móveis de madeira.

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“Quem sabe até o final do ano nós poderemos ter, aqui no Brasil, quando o presidente Lula presidir a reunião do Mercosul, a assinatura desse acordo, que já tem 20 anos de negociação. Esta é uma ótima notícia, nós nunca chegamos a um nível tão elevado como hoje com o envio para o Conselho da União Europeia, e não estamos falando de qualquer acordo”, afirmou o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana.

A União Europeia é hoje o terceiro maior parceiro comercial do Brasil. Em 2024, o valor total das exportações brasileiras para o bloco cresceu, em média, 10%, alcançando US$ 48,3 bilhões. Esse desempenho posicionou o país como o 14° maior fornecedor da UE e líder no fornecimento de café não torrado (36,3%) e farelos de soja (34,3%). Além disso, nos últimos seis anos, quase todos os grupos de produtos exportados, como café, petróleo, soja e cobre, registraram crescimento médio anual positivo.



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Na véspera da chegada de uma nova frente fria, estados enfrentam calor e temporais



Uma nova frente fria se desloca sobre a região Sul nesta quinta-feira (4), avançando agora também sobre Santa Catarina e parte do Paraná. Todo o estado do Rio Grande do Sul deve contar com fortes pancadas de chuva desde o período da madrugada – com risco considerável para temporais seguidos por fortes ventos, raios e queda de granizo –, e que começam a avançar até o final do dia.

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Em Porto Alegre, o cenário é de perigo para temporais com volumes elevados no decorrer das horas. Em Santa Catarina, as instabilidades associadas ao sistema devem alcançar a altura do estado já em meados do período da tarde, condicionando a ocorrência de pancadas de chuva com fraca a moderada intensidade, não sendo descartado algum episódio de chuva mais forte já entre o fim da tarde e o período da noite. Em Florianópolis, a chuva chega já no período da noite, em forma de pancadas com fraca a moderada intensidade.

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No Paraná, o dia deve seguir ainda com predomínio de tempo firme, bastante sol e calor marcando boa parte da quinta-feira. Apenas na parte da noite, algumas cidades do sul e sudoeste paranaense podem contar com a ocorrência de pancadas de chuva isoladas, não sendo descartada também a ocorrência de chuva forte acompanhada por raios e trovoadas.

No Sudeste, a chuva perde força e a tendência é de que o tempo siga firme em praticamente todos os estados da região. A circulação de ventos quentes e secos que partem do interior do país deve estimular o disparo dos termômetros ao longo do dia, sobretudo em São Paulo, boa parte de Minas Gerais e Rio de Janeiro. Na parte da tarde, o ar seco ganha força e derruba os índices de umidade relativa do ar, que devem entrar em níveis de atenção e alerta entre os três estados.

No Espírito Santo, ainda deve haver certa influência dos ventos que sopram do oceano e estimulam a maior presença de nebulosidade e umidade, além de manter as temperaturas mais amenas durante o dia. Algumas cidades costeiras podem contar com a ocorrência de chuva fraca isolada.

Enquanto no Centro-Oeste, algumas instabilidades associadas ao avanço da frente fria que se desloca sobre a região sul podem provocar a ocorrência de pancadas de chuva isoladas entre o oeste e o sul de Mato Grosso do Sul, além de áreas do oeste de Mato Grosso. Não estão descartados episódios de chuva forte localizada. Ainda assim, o destaque para ambos os estados continua sendo o calor intenso, que ganha força conforme o passar do dia. Além disso, a umidade relativa do ar deve continuar atingindo níveis críticos na parte da tarde.Calor e baixa umidade do ar também são destaque entre Goiás e o Distrito Federal, que seguem com predomínio de tempo firme ao longo das horas.

Já no Nordeste, a circulação de ventos marítimos vindos do oceano e trazendo umidade para o continente deve seguir realizando a manutenção da chuva sobre parte da costa leste da região. No litoral da Bahia, haverá condições para pancadas de chuva com fraca a moderada intensidade ao longo do dia. Entre Aracaju e o Rio Grande do Norte, não estão descartados episódios de chuva forte isolados. Chove também de maneira isolada em algumas áreas do agreste nordestino.

Nas demais regiões, o tempo já deve seguir mais estável, apenas com algumas variações de nebulosidade no decorrer das horas. O calor segue bastante intenso no sertão e meio-norte nordestino, com máximas ainda bastante elevadas e risco para queda acentuada dos índices de umidade relativa do ar.

E no Norte, o fluxo de umidade que transita sobre a região deve seguir favorecendo a formação de áreas de instabilidade sobre o Amazonas, Rondônia e Roraima. Ao longo do dia, haverá condições para fortes pancadas de chuva, não sendo descartada também a ocorrência de temporais isolados. Pode chover de maneira isolada também no extremo noroeste e oeste do Pará.

No Amapá e no Tocantins, será observado um maior predomínio de sol e tempo firme, sem chuva. As temperaturas seguem bastante elevadas e o calor continua intenso durante o dia.



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AgroNewsPolítica & Agro

Fundos ampliam vendas de açúcar a nível recorde



O comportamento do mercado de açúcar reflete um movimento mais amplo



O comportamento do mercado de açúcar reflete um movimento mais amplo
O comportamento do mercado de açúcar reflete um movimento mais amplo – Foto: Pixabay

O mercado global de açúcar bruto vem passando por um momento de grande volatilidade, com a comunidade especulativa ampliando suas posições de venda em níveis recordes dos últimos anos. Apesar de estoques globais cada vez mais apertados, os preços têm se mantido relativamente estáveis em Nova York, refletindo uma mistura de fatores de oferta, demanda e estratégias de hedge.

De acordo com a DATAGRO, os fundos e pequenos especuladores aumentaram sua posição de venda líquida no mercado de açúcar de 125.081 lotes em 29 de julho para 151.004 lotes em 5 de agosto, a maior desde novembro de 2019. O movimento ocorre em paralelo a sinais preocupantes sobre a safra 25/26 no Centro-Sul do Brasil, como atraso na moagem, níveis de ATR abaixo do esperado e entrega de açúcar ainda lenta pelas usinas da região.

Mesmo diante de estoques globais baixos — com a relação estoque/consumo estimada em 41% no final do ano comercial 24/25, menor nível em 15 anos — o mercado segue sem direção clara em NY. A capacidade do Brasil de exportar 3 a 3,5 milhões de toneladas por mês tem mitigado a urgência dos compradores, mas prolongar a estabilidade de preços pode levar as usinas a ajustarem o mix de produção, impactando ainda mais o equilíbrio global.

O comportamento do mercado de açúcar reflete um movimento mais amplo entre commodities agrícolas. Até 5 de agosto, fundos de hedge reduziram posições compradas em cobre, petróleo e diesel diante de ajustes na oferta e tarifas internacionais. Nos grãos, clima favorável nos EUA, Europa e Mar Negro manteve expectativas de safras robustas, reforçando vendas especulativas em trigo, milho e soja. No conjunto, a posição de venda líquida em commodities agrícolas monitoradas subiu 12,4% na semana, indicando cautela generalizada entre investidores.

 





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Frente fria se espalha, baixa temperaturas e leva temporais



Antes restrita ao Rio Grande do Sul, a frente fria também deve atingir áreas de Santa Catarina e Paraná nesta quinta-feira (4). Confira a previsão para todo o Brasil:

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Sul

A frente fria avança pelo Rio Grande do Sul, provocando pancadas de chuva em todo o estado, com queda de temperaturas e risco de temporais nas áreas centrais. A instabilidade também atinge Santa Catarina e o oeste do Paraná. Os territórios gaúcho e catarinense ficam sob bastante nebulosidade, enquanto no extremo norte paranaense o tempo firme e seco predomina, com os termômetros lá em cima.

Sudeste

A chuva ainda atinge o litoral do Espírito Santo, nordeste de Minas Gerais e norte do Rio de Janeiro. A nebulosidade estará maior em território capixaba, norte fluminense e faixa leste mineira, enquanto nas demais áreas o sol aparece entre algumas nuvens. As temperaturas permanecem elevadas em boa parte do Sudeste, com destaque para o oeste paulista e Triângulo Mineiro.

Centro-Oeste

Áreas de instabilidades avançam para o extremo sudoeste de Mato Grosso do Sul e o oeste de Mato Grosso. A nebulosidade estará maior nessas áreas, enquanto no restante da região predomina o tempo firme, com o sol aparecendo entre nuvens. As temperaturas ficam elevadas em toda a região e a umidade relativa do ar continua baixa.

Nordeste

Pancadas de chuva ainda podem ocorrer ao longo da faixa litorânea do Nordeste até o Rio Grande do Norte, além do noroeste do Maranhão. A nebulosidade será maior no litoral e no norte maranhense, enquanto nas demais áreas o tempo firme predomina. As temperaturas ficam altas em quase toda a região, mas entre Porto Seguro e Salvador, ambos na Bahia, as máximas não se elevam muito à tarde. A umidade relativa do ar permanece baixa em grande parte do Nordeste, com exceção da faixa litorânea.

Norte

Áreas de instabilidades continuam sobre Amazonas, Rondônia, Acre, Roraima, Amapá e norte do Pará, com risco de temporais. As temperaturas seguem elevadas em toda a região, com destaque para a umidade relativa do ar baixa em Tocantins e no sul paraense. Em boa parte dos territórios amazonense, roraimense e paraense, o tempo fica mais fechado. Nas demais áreas, o sol aparece entre nuvens, mas com temperaturas altas e tempo seco.



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AgroNewsPolítica & Agro

projeção aponta recorde em oferta e estoque



Imea eleva projeção de pluma no Mato Grosso




Foto: Pixabay

Segundo análise semanal divulgada pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) nesta segunda-feira (1º), em setembro de 2025 houve aumento na expectativa de Oferta e Demanda de pluma de algodão da safra 2024/25 em Mato Grosso.

A oferta foi estimada em 3,50 milhões de toneladas, alta de 1,12% em relação ao relatório de agosto, impulsionada pela expectativa de maior produção. Com esse resultado, o volume projetado ficou 15,14% acima do registrado na safra anterior.

A demanda total do ciclo foi projetada em 2,72 milhões de toneladas, crescimento de 0,29% frente a agosto e de 11,25% em comparação ao ciclo passado. O incremento mensal decorreu da elevação de 23,20% na estimativa de consumo em Mato Grosso, resultado da ampliação da capacidade de uma indústria fiadora instalada no estado.

A projeção de exportação permaneceu em 2,06 milhões de toneladas, volume 12,43% superior ao observado na safra passada, sendo este o principal fator de aumento da demanda no comparativo anual.

Mesmo diante da expectativa de maior demanda, o estoque final da safra 2024/25 foi elevado em razão da maior oferta, alcançando 780,66 mil toneladas de pluma, o maior volume de toda a série histórica.





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AgroNewsPolítica & Agro

Feira amplia oportunidades para pequenos produtores na Expointer


O governo do Estado, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), lançou, na terça-feira (2/9), na 48ª Expointer, a Feira Digital Sabor Gaúcho, plataforma que moderniza a comercialização de produtos da agricultura familiar e fortalece a gestão dos empreendimentos rurais.

A iniciativa conecta produtores a outros mercados, amplia a visibilidade das agroindústrias e contribui para a profissionalização do setor. A plataforma oferece atualização de preços, logística e meios de pagamento, além de cursos e capacitações em marketing digital e gestão comercial.

No Pavilhão da Agricultura Familiar, um espaço permanente oferece orientação prática aos produtores sobre cadastro, logística e vendas online, garantindo o início da comercialização de produtos para restaurantes, bares e distribuidores. A expectativa é que a plataforma também permita vendas diretamente ao consumidor final, ampliando ainda mais o alcance das agroindústrias familiares.

A força do mercado digital

Entre os produtos disponíveis estão queijos artesanais, polpas de frutas, vinhos, geleias, doces, salames e outros itens típicos das agroindústrias familiares gaúchas. A feira digital possibilita que os empreendimentos continuem vendendo mesmo após o fim da Expointer, aumentando o alcance dos produtos e fortalecendo a presença no mercado digital, segundo o proprietário da agroindústria Estrelat em Estrela, Roberto Oliveira.

O titular da SDR, Vilson Covatti, ressaltou que a plataforma é um marco para a inovação e a sucessão rural, aumentando a visibilidade de produtos que muitas vezes não chegam a canais mais amplos e preparando as novas gerações para administrar os negócios rurais em uma era digital.

Conforme a diretora-executiva da Produtores Gaúchos Unidos, Aline Barili Alves, a iniciativa não é apenas uma vitrine online. A plataforma organiza o dia a dia dos empreendimentos, ao facilitar cadastro, logística e meios de pagamento, e ainda prepara os produtores para expandirem suas vendas no mercado digital.

O diretor-geral da SDR, Romano Scapin, destacou a importância da governança conjunta das secretarias e a conexão da feira digital com o Centro de Inteligência do Agronegócio (Centro Agro), pontuando que o Pavilhão da Agricultura Familiar valoriza tradição, dedicação e visibilidade dos empreendimentos familiares.

Parcerias para fortalecimento da agricultura familiar

A iniciativa envolve parcerias da SDR com a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), a Secretaria Extraordinária de Inclusão Digital e Apoio às Políticas de Equidade (Seidape), a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RS-Ascar), a Invest RS, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag), e a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf), garantindo suporte técnico, capacitação e fortalecimento da agricultura familiar em todo o Estado.

O lançamento contou com a presença de autoridades e parceiros estratégicos, entre eles o presidente da Invest RS, Rafael Prikladnicki, o presidente da Emater/RS-Ascar, Luciano Schwerz, além do secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Edivilson Brum.





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AgroNewsPolítica & Agro

Governo irá repassar R$ 71,3 milhões para programa de eletrificação rural


O governo do Estado, por meio da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), lançou, nesta quarta-feira (3/9), a quinta fase do Programa Energia Forte no Campo (EFC). Na ocasião, o governador Eduardo Leite anunciou o repasse de R$ 71,3 milhões, o maior valor já disponibilizado pelo governo gaúcho ao programa.

Executado em parceria com as cooperativas de eletrificação rural do Rio Grande do Sul, o programa busca qualificar as redes de distribuição no meio rural, sobretudo por meio da implantação de redes trifásicas. A iniciativa viabiliza investimentos por meio da contrapartida financeira do Estado, fortalecendo a produção agropecuária, as agroindústrias e melhorando a qualidade de vida no campo.

Fortalecer a base produtiva gaúcha

Durante o lançamento, na casa da Organização das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul (OCERGS) na Expointer, o governador Eduardo Leite destacou a importância do programa para transformar a realidade das comunidades rurais e fortalecer a base produtiva gaúcha. “Estamos dando hoje um passo histórico para o desenvolvimento do campo. O repasse de R$71,3 milhões, o maior já feito pelo Estado ao Programa Energia Forte no Campo, é um investimento no futuro das famílias que vivem e produzem no interior. Se hoje temos condições de realizar esse aporte é porque, lá atrás, tivemos coragem de fazer as reformas que colocaram as contas em dia e abriram espaço para novos investimentos. Esse é o resultado de escolhas responsáveis, que agora se transformam em obras concretas e em mais qualidade de vida para os gaúchos”, disse Leite.

O decreto que regulamenta a nova etapa, também amplia a participação do Estado de 20% para 35% em projetos de instalação ou melhoria das redes de distribuição de energia elétrica. O aporte estadual abrange custos com transformadores, postes, fios e demais componentes das redes, além de projetos de subestações transformadoras e conexões associadas, neste último caso, limitado a R$ 5 milhões por cooperativa de eletrificação. 

“A inclusão de subestações no escopo do programa faz parte do nosso modelo de governo, que tem uma escuta ativa das necessidades da população e dos empreendedores gaúchos para que as políticas públicas tenham o melhor desenho e a maior efetividade. O Energia Forte no Campo já mostrou resultados expressivos nas quatro fases anteriores e, agora, damos um passo além. Ampliamos o escopo e o volume de investimentos para que cada vez mais famílias e empreendimentos rurais sejam beneficiados”, afirmou a titular da Sema, Marjorie Kauffmann.

Investimentos previstos na nova fase

Em abril de 2025, a Sema realizou uma consulta junto às cooperativas de eletrificação para identificar projetos de linhas de transmissão e de subestações aptos a integrar a quinta fase do programa. Como resultado, 13 cooperativas apresentaram propostas, que somam um investimento estimado em R$ 369 milhões, dos quais R$ 71,3 milhões serão aportados pelo Estado.

A ampliação do programa se justifica pelos resultados positivos alcançados até agora e pela necessidade de reforçar a resiliência do sistema elétrico diante dos eventos meteorológicos extremos que têm atingido o Rio Grande do Sul, especialmente as enchentes de 2024.

Resultados já alcançados

Desde sua criação, o Energia Forte no Campo já beneficiou 10.717 consumidores, com impacto direto no desenvolvimento econômico e na melhora da qualidade de vida das comunidades rurais. A expansão da rede trifásica tem favorecido a produção, incentivado as agroindústrias e garantido maior conforto às famílias.

“O que celebramos hoje é a certeza de que o campo gaúcho, que alimenta o Brasil e o mundo, terá condições ainda melhores para crescer, inovar e resistir. Energia forte no campo é sinônimo de Estado forte, economia forte e um futuro de esperança para todos”, destacou o governador.

Nas quatro primeiras fases do programa, foram contemplados 345 projetos, totalizando 973 km de linhas trifásicas, em 122 municípios. O investimento do Estado somou R$ 19,9 milhões, que possibilitaram a alavancagem de R$102 milhões em obras realizadas em parceria com as cooperativas. 





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AgroNewsPolítica & Agro

Presidente do Simers, Claudio Bier, projeta vendas mais retraídas na Expointer


O presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Rio Grande do Sul (Simers), Claudio Bier, manifestou preocupação quanto aos impactos das tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Segundo ele, a medida, adotada pela gestão de Donald Trump, pode repercutir diretamente nos negócios do setor, criando um ambiente de incertezas entre os produtores rurais.

De acordo com Bier, a principal consequência imediata não está apenas nos números da economia, mas no comportamento dos agricultores diante do cenário. “É uma questão mais psicológica, que faz com que os produtores acabem se retraindo para comprar”, avaliou, em entrevista ao programa Agrolink News – Especial Expointer.

O dirigente observa que o chamado “tarifaço” somado a outros fatores conjunturais amplia a cautela dos clientes e compromete o ritmo das negociações. Entre os elementos citados, ele destacou os efeitos das adversidades climáticas registradas ao longo do ano e a elevação dos juros, que aumentam o custo do crédito e limitam a capacidade de investimento dos produtores.

Mesmo diante das dificuldades, Bier mantém expectativa positiva em relação à Expointer, embora reconheça que o otimismo será menor do que em edições anteriores. “Acreditamos em bons negócios durante a feira, mas é natural que o volume seja mais contido. O produtor está inseguro, e essa postura reflete no setor”, disse.

A avaliação do presidente do Simers reforça a importância da Expointer como vitrine estratégica para o agronegócio brasileiro. A feira, considerada a maior a céu aberto da América Latina, concentra lançamentos, inovação tecnológica e debates sobre os rumos da agricultura e da pecuária. Neste ano, no entanto, o ambiente externo mais hostil e os entraves domésticos criam um pano de fundo desafiador para a indústria de máquinas e implementos.

Apesar da conjuntura adversa, Bier enfatiza que o setor segue resiliente e aposta na força de recuperação do agronegócio. Para ele, superar as barreiras dependerá de equilíbrio entre políticas públicas, estratégias comerciais e capacidade de adaptação dos produtores e das empresas.





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Estados Unidos atacam agro brasileiro, CNA reage com dados


Associações ligadas ao agronegócio dos Estados Unidos apresentaram ao USTR (Representante Comercial dos EUA) uma série de documentos que acusam o Brasil de práticas desleais em diferentes cadeias produtivas.

O movimento faz parte da investigação aberta pela Casa Branca sob a Seção 301 da Lei de Comércio, dispositivo que pode embasar novas tarifas contra produtos brasileiros.

Entre os pontos mais duros, entidades como a National Pork Producers Council (suínos), a National Cattlemen’s Beef Association (bovinos) e a American Farm Bureau Federation (agricultura e etanol) alegam que o Brasil impede, com barreiras tarifárias e exigências sanitárias excessivas, a entrada de carne suína e bovina dos EUA, além de manter tarifas sobre o etanol norte-americano.

Também atacam a imagem do país ao citar o desmatamento e supostos riscos sanitários como justificativa para uma postura mais dura de Washington.

Em resposta, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) assumiu a linha de frente em Washington. Durante audiência pública, a entidade rebateu as acusações e apresentou argumentos apoiados em dados oficiais:

  • Competitividade legítima: a força do agro brasileiro decorre de recursos naturais abundantes, clima favorável e investimentos contínuos em tecnologia, e não de práticas comerciais desleais.
  • Normas rigorosas: exportações brasileiras seguem padrões sanitários e ambientais entre os mais exigentes do mundo.
  • Tarifas e reciprocidade: apenas 5,5% das exportações agropecuárias brasileiras contam com preferências tarifárias; mais de 90% das importações seguem o princípio da Nação Mais Favorecida, em linha com a OMC.
  • Etanol: o Brasil, longe de ser protecionista, é um grande cliente dos EUA — em 2024, importou 17 vezes mais etanol americano do que da Índia.
  • Sustentabilidade ambiental: o Código Florestal brasileiro é um dos mais rigorosos do mundo; hoje, 66% do território nacional mantém cobertura nativa, metade dela preservada em áreas privadas de produtores rurais.
  • Interdependência bilateral: os EUA são o terceiro destino das exportações do agro brasileiro, ao mesmo tempo em que o Brasil compra mais de US$ 1,1 bilhão em insumos e máquinas agrícolas de empresas americanas.

“A competitividade do agro brasileiro decorre de fundamentos legítimos, como os recursos naturais e investimentos contínuos em inovação, e não por práticas desleais de comércio”, afirmou Sueme Mori, diretora de Relações Internacionais da CNA.

Essas disputas ocorrem em meio à escalada da crise comercial entre Brasil e EUA. Desde abril, o governo norte-americano adotou tarifas iniciais de 10% sobre exportações brasileiras, ampliadas para 50% em julho sob justificativa política. O presidente Donald Trump vinculou diretamente a medida ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, num gesto que o governo Lula classificou como intromissão inaceitável na soberania nacional.

Diante disso, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e mais de uma centena de empresários viajaram a Washington em busca de exceções às tarifas e de espaço para um diálogo técnico. Apesar da recepção majoritariamente por autoridades de segundo escalão, a comitiva reforçou a tentativa de evitar um confronto aberto que possa degenerar em guerra tarifária.

A ofensiva norte-americana contra o agro brasileiro coloca em risco cadeias estratégicas como a da carne bovina, suína, o etanol, milho e café. Se prevalecer a pressão do lobby interno dos EUA, as barreiras poderão reduzir o acesso ao maior mercado consumidor do mundo, com efeitos diretos nos preços, na renda do produtor e na balança comercial.

Ao mesmo tempo, a postura defensiva da CNA, baseada em números, sustentabilidade e interdependência comercial, busca transformar o debate em um confronto técnico, afastando-o da retórica política.

Assim, a disputa mostra que a batalha não se trava apenas nos campos do Centro-Oeste ou nos portos brasileiros, mas também nos corredores de Washington. De um lado, o lobby americano tenta pintar o Brasil como concorrente desleal; de outro, o setor produtivo nacional responde com fatos: produtividade, conformidade legal e compromisso ambiental.

O desfecho da investigação da Seção 301 poderá definir se a relação Brasil–EUA seguirá pelo caminho da cooperação ou se mergulhará numa guerra comercial que afetará diretamente o futuro do agro e da economia brasileira.

Miguel DaoudMiguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


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